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26 março 2010

my own private Julie & Julia

Então, né, faz tempo que eu queria ver esse filme e hoje, passando na locadora para comprar trufitas e matar minha vontade de chocolate, aluguei. A Fal falou tanto desse filme por tanto tempo (lendo o blog descobri que a Sony convidou-a para escrever sobre durante um certo tempo, but, whatever, a Fal é ótima, não?), e demorei a ver, quase fui umas duas vezes no Cinearte Lillian Lemmertz e hj finalmente vi. Lógico que chorei e lógico que amei.

Minhas razões:
1) Porque venho me desenvolvendo enquanto cozinheira amadora e descobrindo o prazer de cozinhar. Tudo começou em 2004, pós minha internação, quando passei um ano sozinha e descobri a feira livre, o peixe e o macarrão com molho de tomate fresco, parmesão, alho e manjericão. Divino. Mas o real barato de cozinhar só apareceu mesmo em 2008, quando comecei a namorar E., que cozinhava para seus filhos (e pra mim) com espontaneidade e simplicidade. E um novo mundo se abriu. E passei a comprar produtos orgânicos, e passei a cozinhar pra mim mesma, e minha meta é ter uma mesa na sala de casa para poder ter mais de uma pessoa para jantar. Mas sou feliz cozinhando pra mim mesma. Já sei fazer omeletes, invento uns par de receitinhas de macarrão e tento aproveitar o que tem e criar algo comível. Mas nunca me aventurei com livros de receitas. Tem que comprar as coisas e planejar e acabo ficando com preguiça. Pode ser uma boa, uma hora vou tentar. O que importa, pra mim, é que depois que eu descobri que podia cozinhar me senti mais independente e, finalmente, capaz de criar um filho (sem deixá-lo morrer de fome após o final da amamentação). E, ah, quando cozinho, é sinal que a cabeça está bem. É como uma meditação pra mim. Se a cabeça está mal, nada acontece na cozinha. Por exemplo, em janeiro e fevereiro, quase não cozinhei. Só macarrão com azeite, o fim da linha.
2) Porque eu tenho meu próprio Julie & Julia project. Nada tão grandioso, nada certamente que vá virar livro, e não é que eu odeie meu trabalho não, adoro lecionar, adoro pesquisar, to feliz fazendo meu Doc (estou mesmo? isso é possível? algum 'cerumano' pode de fato ser feliz fazendo Doc? dizem que no HU tem um ambulatório de psiquiatria só pros doutorandos ahahahaha), mas no momento, I'm in the mood for dancing. E juntei minha curiosidade e interesse pela Ìndia, pelos seus cheiros, sabores, cores e sons, com SAMWAAD e todos esses encontros (e nem contei ainda que esta semana conheci e passei dois dias, ou melhor, duas noites, mas na amizade, tá? com um indiano que conheci via Couch Surfing), e enfim, troquei o Pilates que eu tava planejando fazer pela dança Odissi, e agora 2 x por semana aprendo a dançar com pernas, pés, braços, mãos, cabeça e olhos, coluna no lugar, e já sinto que isso tudo tá me trazendo, de verdade, pro meu centro. To me achando, to me equilibrando de novo. Entre excessos e acessos de espartanismo, to achando meu balanço, meu eixo. Esse é meu projeto. E eu vou ganhar um sári de algodão com a blusinha e tudo, tá? direto da India. E um DVD de Bollywood com legendas em hindi pra eu aprender hindi.
E a vida louca vida vai levando a gente pra caminhos maravilhosos quando a gente se deixar levar e encantar por ela.

2 comentários:

  1. Adorei! O filme, as danças e as tuas elocubrações.

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  2. Gata,
    Não vi Julie & Julia e não sei cozinhar, o que explica o meu encantamento pelo seu post. Pq pra mim isso de jogar ingredientes numa panela e de lá sair algo comestível é magia. Magia branca, vamos enfatizar.

    Então, assim, me convida pra comer teu macarrão? Pq se depender de mim, a única pasta italiana que rola é miojo importado. Snif.

    Beijos mil.

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