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20 fevereiro 2005

Religião, eu??

Nós, que temos uma casquinha intelectual, temos uma aversão à idéia de religião que é uma coisa engraçada. Eu conto nos dedos os amigos que têm algum tipo de prática de autoconhecimento ligada a um conjunto de princípios e idéias, como são as religiões. Alguns deles exercitam seu autoconhecimento escrevendo prosa ou poesia, fazendo fotos, música etc. Mas religião mesmo, quase nenhum. O meu pai, por ex., já leu muito sobre as filosofias orientais e ocidentais, os dois volumes d'As Máscaras de Deus, do Joseph Campbell, mas nunca foi meditar...
Atenção, isso não é uma crítica. É uma observação. E deve-se ao fato de que eu mesma tenho uma dificuldade de admitir que, agora, tenho uma religião. Ainda que seja uma religião não teísta.
Porque será que temos vergonha de dizer que estamos atrás de algo não palpável que nos ajude a suportar melhor a vida?
Comentei com meu terapeuta, que me falou do iluminismo, e depois dos positivistas.
Ainda mais a 'miss racional' aqui, 'miss pensamento' (hoje o monge me falou: 'you want to know everything' - risos - deve ter me achado uma pentelha), como assim, 'tenho uma religião'??? Mas será mesmo que é só isso? Eu sei lá. Não sei porque tenho toda essa vergonha.
Em todo caso... prefiro falar que sigo uma filosofia... Patético, não?

19 fevereiro 2005

Complicada e perfeitinha

Eu acho que Sampa é uma mulher, e como tal também deve ter TPM (ainda ela - mas a minha já passou)... Pois vejam se não é assim: um dia está linda e pacífica: um céu azul, um belo sol, uma leve brisa, as pessoas estão calmas, o trânsito está tranqüilo. Não se ouvem buzinas nem sirenes, nem barulho de carro no engarrafamento. No centro, os camelôs não atrapalham tanto, e dá vontade de comer aquelas frutas em pedaço que vende no meio da rua.
Mas no dia seguinte... é o caos instalado. Aquele mesmo sol que ontem era uma delícia hoje frita vc dentro do seu automóvel sem ar-condicionado. O filhodaputa do carro de trás quer que vc feche o cruzamento, tome uma multa e torne o trânsito mais insuportável ainda só porque ele quer virar à direita e vc o está atrapalhando. Uma ambulância, sirene no último, logo atrás, completa a maravilha do seu meio-dia mergulhada num inferno particular feito de asfalto e concreto.
Acho que os paulistanos todos casamos com uma mulher muito complicada. Bem, pelo menos ninguém pode dizer que os Raimundos não avisaram (ótima música!): 'meu filho, agüenta, quem mandou vc gostar dessa mulher de fases?'

PS: estou fazendo um curso de títulos de posts com o Calendas ,
dono de ótimo blog que eu não canso de indicar.

Porco Cane!

Descobri de onde vem essa famosa expressão italiana (ou sabe-se lá, inventada no Bixiga???). Vem do aspecto de certos cães quando engordam muito!!! (risos)
Uma vez um amigo tirou uma foto do Sapeca, meu cão que mora em Botucatu, outro salsicha, deitado de lado. Ficou o próprio porco-cane, rararara!!!! Praticamente um leitão!
O Xuxu, pobrezinho, de dieta, parece mais uma baleia. Xubaleia, para os íntimos. O que também não explica porque é que a cadela do Vidas Secas se chamava Baleia, já que ela não devia ter um grama de gordura no corpinho. Tadinha...

18 fevereiro 2005

"Mamãe, eu acho que estooooou..."

Não adiantou nada tirar aquele post do ar, porque o de ontem ficou igualmente raivoso. A diferença é que o outro era sobre remorsos, e o de ontem foi sobre aquela irritação quase incontrolável que nos domina uma vez por mês. E o meu dia de cão ontem não acabou cedo não... Bem, o colchão chegou, finalmente, às 20h45 da noite!!! Fui pegar minha amiga na rodoviária. Super cansada, já que estava de pé desde às 5 e meia da matina, tomei um banho, etc, e por volta das 23h30 eu estava na cama. DEZ PRA MEIA NOITE uma pessoa me telefona pra saber sobre a procuração da Assembléia de Fundação da ONG, que será sábado. DEZ PRA MEIA NOITE. Falta mais que desconfiômetro e/ou educação em uma pessoa que te telefona esse horário e não é seu amigo nem seu parente.
Bem, pelo menos eu dormi bem, no meu colchãozinho novo densidade 33 com selo do Inmetro. Agora só falta fazer a inauguração oficial, que vai ter convite e tudo e, claro, um convidado muito especial. SÓ UM.
E antes que vc se pergunte, já que a minha TPM está durando tanto esse mês, eu já aviso: não, eu não estou grávida (risos).

17 fevereiro 2005

A saga do colchão de Emilia

Sabe aqueles dias em que vc não consegue fazer NADA por causa da burocracia e das malditas centrais de telemarketing, relacionamento ou sei lá como se chamam esses caralhos de lugar???? Pois hoje foi esse dia (e ainda não acabou!!!).
Encomendei um colchão há um mês e meio. O prazo de entrega era de 15 dias. Primeiro, demorou porque a empresa estava em férias coletivas. Aí, mandaram o colchão com a medida errada. Depois veio o Carnaval. Na sexta passada me disseram que entregariam segunda. Na segunda, que seria na terça. Na terça, na quarta. Na quarta, hoje, depois das 15h. Já são 18h e 42min. Cadê a porra do meu colchão????
Difícil manter o princípio budista de não falar de maneira áspera com as pessoas quando as empresas tratam vc como um imbecil.
Liguei para cancelar definitivamente a Folha hoje e me avisam que vou ter que pagar o mês que me deram de graça quando liguei, há um mês, pra cancelar, porque a fatura já foi lançada no sistema. A moça me disse na época, anotei na agenda: liga até o dia 20 e cancela sem problemas. E fica esse mês de graça. Aí ligo hoje e vou ter que PAGAR o mês DE GRAÇA que EU NÃO PEDI. Depois não sabem porque os Tribunais tão cheios de processos... Com esse tratamento que dão pro consumidor, não há quem agüente.
Cancelar qualquer coisa é uma maratona de paciência e bom humor. Passei hoje o dia resolvendo essas pendências porque ando sem dinheiro (novidade!), a situação tá preta e preciso cancelar meu jornal, a tv a cabo, a AASP e tudo o mais que eu puder.
Tô num puta mau-humor (Zé, se vc passar por aqui hoje, já tá sabendo), a merda da minha TPM não acaba nunca. E o meu colchão não chega nunca. E o meu cachorro tá chorando (parece que quando eu tô irritada ele chora mais, tadinho).
Ai, acho que vou meditar. E fui comprar hoje, finalmente, depois de quase um ano de meditação, um zafu (almofada) para meditar e não tinha o preto! É, quando o dia é pra ser um saco, ele é mesmo um saco. No matter what.

16 fevereiro 2005

É pra presente?

Esse post é continuação de um outro que eu publiquei e que, por sorte, ninguém viu (creio eu).
Às vezes as palavras vão jorrando dos nossos dedos direto pra telinha. A gente hesita, reescreve alguns pedaços, e chega uma hora que o texto está pronto. Como o blog tem que ser dinâmico, não dá pra ficar lapidando muito.
Muitas vezes, vc tem que pensar duas vezes antes de publicar. No caso, publiquei. Quem quiser que veja. Não posso agradar a todos.
Depois de um tempo, o sentimento que gerou a 'escrevinhação' do post passou. Nesse caso, melhor retirar. Retirado está. Sobrou a continuação.
O post falava, entre outras coisas, sobre meus defeitos. Amigo, eu sou isso mesmo que vc está vendo: uma pessoa com muitos defeitos. Dizer isso e completar: é assim que eu sou e pronto... não é uma boa idéia. Mesmo porque tenho me esforçado continuamente para ser uma pessoa melhor, falar menos palavrão, reclamar menos, me cobrar menos, criticar menos, ter mais pique, ser mais paciente. Por isso, não acho que esse pacote seja imutável. Mas tem defeitos que a gente até consegue suavizar, mas como estão muito arraigados na sua personalidade, são difíceis de extirpar completamente.
Mas no pacote emiliano, ufa, não tem só defeitos. Claro que vc tem que levar o pacote todo... Mas se topar, vai descobrir coisas legais também, além do meu lindo umbiguinho perfurado, do sorriso deslumbrante e de um corpinho de manequim de revista...bem, de alguma revista bem meia-boca mesmo(risos).
E aí, posso embrulhar?

"Começa hoje aquele intervalo insuportável entre o carnaval e o ano-novo."

(gentilmente repassada por uma colega da Lista das Arcadas 99)

14 fevereiro 2005

"Tristeza não tem fim... Felicidade, sim"

"Come and see". Essa foi a palestra mais bonita que o Monge deu durante o retiro. Muita gente se emocionou (nota para um post futuro – por quê as mulheres eram 2/3 dos participantes do retiro?), todo mundo comentou depois.
Trata-se basicamente de um chamado interior para que você olhe para dentro de si mesmo e preste atenção no que está acontecendo por ali...
Quando estiver confuso, triste, feliz, ansioso, emocionado... "come and see": pare, observe: o que vc sente? como está se sentindo? por quê se sente assim?
Mas quem chama? Ninguém. Pra onde? Pra dentro de vc. Pra ver o quê? (bem, aí entra a parte do budismo) Ver o Dhamma (ou Dharma, isto é, os ensinamentos). E onde está o Dhamma? Está dentro de vc.
E o que é afinal esse Dhamma? Aqui quem vai explicar sou eu: uma das coisas mais importantes é vc perceber que as coisas são impermanentes. Elas estão sempre mudando, começando e acabando. Tudo muda, o tempo todo. O sofrimento acaba, e a felicidade e o prazer também.
Quando estiver sofrendo, tente se lembrar que, uma hora, acaba. Na vida, como diz o ditado, tudo passa, até a uva passa (risos).
A música pode ser linda. Mas, por sorte, não é verdadeira.

Faz quase um ano

Que eu fui pro hospital passar uma temporada de 11 dias. Até hoje, não sei se por preguiça ou por qual outro motivo, não fui lá visitar o pessoal que me atendeu na UTI. E nunca fui com o Xuxu visitar a Katia, que dividia o quarto comigo e que, no primeiro dia, não mexia nenhum dos braços e no último, graças a uma puta força de vontade, já conseguia comer e escovar os dentes com a mão direita (e ela era canhota!).
Foi logo depois do Carnaval, e eu me lembrei não só porque é inevitável, uma vez que a minha vida mudou muito depois disso, bem como a minha maneira de encarar as coisas, mas também porque hoje está fazendo um dia muito parecido com os de um ano atrás.
É claro, sua Emilia, que tá fazendo um clima parecido, pois é a mesma época do ano (dããã). MAs é engraçado porque não são dias típicos de verão: não está abafado (ao menos não aqui dentro do meu ap), não está úmido. Está seco, tem um ventinho frio, o céu azul com algumas nuvens... de vez em quando chove, mas não muito.
Mas a lembrança dos meus dias de hospital não me traz melancolia ou tristeza. Porque, embora eu tenha passado maus bocados lá, o ambiente nunca foi triste. Nunca passou pela minha cabeça que eu não fosse sair de lá. Nunca.
Me disse o monge, quando perguntei sobre como lidar com pensamentos ruins a respeito da morte, que se eu tivesse morrido naquele momento, teria sido uma morte boa, porque eu teria morrido em paz, sem medo. Acho que ele tem razão.

13 fevereiro 2005

O Terminal


Sinceramente? De verdade? Tudo bem, é o Tom Hanks, ele é mesmo muito bom, convence. Tudo bem, é o Spielberg, ele também é mesmo muito bom. Além disso, a situação insólita do cara preso num aeroporto, sem pátria, que não pode passar a catraca porque 'ali' é território americano e 'aqui', eu presumo, é território internacional (o que não faz muito sentido porque não está em águas ou mares internacionais, mas dentro do aeroporto! coisas que os internacionalistas sabem explicar...), é quase kafkiana.
Mas sei lá. Mesmo com tudo isso... achei o filme tão sem gracinha... Não me disse nada, afora o fato já sabido de que o mar de burocracia que engessa o Brasil também pode engessar outros países e condenar pessoas a vagar pelos escritórios.
É bonitinho. Aguinha com açúcar. Tem seus momentos. Na minha opinião... (não que ela valha alguma coisa) isso é tudo.

Xulão e o elefante

Podia ser título de um livro infantil. Mas na verdade é sobre a relação esdrúxula entre o meu cão e seu elefante de pelúcia, um daqueles da Parmalat, já despojado de sua caixinha de pelúcia (que nos lembrava da falida empresa italiana).
Pois Xulão transa com o Elefante, agora elevado à status de amante. Aliás, pensando bem, até que é um bom amante esse bicho, pois não reage com mordidas, latidos ou safanões às investidas do mini-macho Xuxu. E o melhor de tudo: o cão fica satisfeito e o Elefante não engravida!!!
A primeira vez foi muito engraçada. Ele ainda era filhote, e nunca tinha visto seu... bem... como dizer... membro ereto e com aquela bolinha que os cachorros têm pra manter o 'engate' na fêmea (por isso não se consegue desengatar: tem uma bolinha que prende o macho dentro da fêmea, é muito louco, é pra garantir que o espermatozóide vai mesmo chegar lá). Além disso, acho que ele nunca tinha gozado, também. Ficou atordoado, não sabia o que fazer com aquilo pendurado, andava pra lá e pra cá. Tentei encostar nele (no cão, não no membro), fazer um carinho na cabeça (do cão, não do membro) e ele (o cão) rosnou sério pra mim.
Depois que ele perdeu a virgindade elefantina... tudo é festa. De qualquer modo, ainda preciso achar uma cadelinha de verdade pra matar as vontades do meu lindo cão (e é lindo mesmo, não é coisa de dona coruja não). Enquanto isso, ele cura sua solidão com o Elê.
É, já diz o ditado: quem não tem cão, come pelúcia.

12 fevereiro 2005

Atendendo a pedidos

Tô na TPM. Ainda bem que tô tomando um remedinho fitoterápico chamado óleo de prímula (conhecido também como GamalineV), já faz umas 2 semanas, senão além do imenso mau-humor que toma conta de mim hoje, eu estaria também chorando.
Ainda bem também que já consigo perceber quando ela chegou, e avisar quem está do lado: olha, tô na TPM. Fico reclamona, não páro de falar mal da minha família, acho a minha vida uma merda, porque não tenho dinheiro pra nada, porque estou fora de forma, toda mole, e meu cabelo está uma merda também por que o corticóide fez cair tudo e levo horas pra arrumar.
Enfim, esta boneca que vos fala fica mesmo um SACO na TPM.
Engraçado como a coisa muda de um dia pro outro! Ontem mesmo estava tão feliz, super bem humorada, a vida é linda, Sampa está maravihosa, o céu está azul (aquele azul poluído, mas azul), o sol brilha, o trânsito está bom, os ambulantes no centro vendem melancia em pedaço, a matrícula do mestrado, o passeio com o cão...
E hoje acordo com esse mau humor.
Só não estou pior porque uma das coisas que assumi no budismo foi tentar falar menos asperamente com as pessoas, e não falar coisas inúteis. Isso me ajudou a controlar a torrente de reclamações hoje de manhã, para não incomodar (ou incomodar menos) a pessoa que me fazia uma doce companhia.
Mas que tá tudo um saco, isso tá.

(Marcelo, me desculpe, mas por enquanto só tem esse post chato pra ler - risos)

10 fevereiro 2005

Quanto tempo?

Voltei do meu anti-Carnaval mais sensível. Com isso quero dizer não que agora eu chore até em comercial de sabão em pó, mas que estou mais perceptiva, talvez. Em diversos sentidos.
Disseram-me já que os escorpianos são mais sensitivos que as outras pessoas. Eu não costumava prestar muita atenção às minhas intuições até pouco tempo atrás... mas sempre me ferrava. Depois, percebia que já tinha sacado desde o começo o temperamento de tal pessoa, ou que as coisas não iam funcionar daquele jeito, mas paguei pra ver, e aí já era tarde.
Ultimamente, tenho prestado mais atenção. Tenho sido mais cuidadosa. Ouço mais o meu 'sexto sentido': a mente. Mas não a mente racional, analítica. Essa eu ouço até demais (não é à toa que ganhei um nome budista que significa 'pessoa cheia de pensamentos, pensativa'). Tento ouvir mais a minha intuição, observá-la melhor, perceber que ela me avisa sobre as coisas e as pessoas.
A última vez em que me lembro que isso aconteceu foi no final do ano passado. Eu estava saindo com um cara que, como é costume masculino largamente utilizado quando querem livrar-se de nós, mulheres, desapareceu. O meu 'feeling', talvez por estar apaixonada, não me alertou que ele, provavelmente, estava com outra. Mas quando ele me contou, alguma coisa me disse que era uma pessoa que eu tinha conhecido por meio dele. Não havia nada demais na maneira como eles se tratavam, exceto por uma mão no cabelo durante um cumprimentar carinhoso. Bem, ele faz isso com todo mundo, é uma pessoa carinhosa. Mas não sei porque... achei que fosse ela. Na lata!
Coincidência ou não, foi exatamente esse cara que me falou das escorpianas intuitivas, um tempo antes desse episódio.
Quanto tempo será que vai durar essa minha sensibilidade extra-aguçada?

09 fevereiro 2005

Carnaval

Nos últimos anos, meu Carnaval tem sido um anti-Carnaval. Costumo ir pra lugares tranqüilos, como Itaúnas, por ex., para descansar. Este ano bati meu recorde: fui fazer um retiro de meditação budista.
Até umas duas semanas antes, estava torcendo pra surgir algum convite para viajar. Acho que fiquei até o último minuto torcendo pra isso. Mas não aconteceu. E, bem, eu já estava mesmo comprometida a ajudar na organização, então fui. Ajudou o fato de que viria um monge dos EUA, abade (o 'chefão') de um mosteiro budista; minha amiga tinha me avisado que o retiro com o monge era outro papo (eu já tinha feito dois retirinhos de final de semana, sem monge).
Claro que foi ótimo. Claro que eu adorei. Claro que eu descansei pra caramba, meditei (não pra caramba - risos, mas meditei) e até participei de uma cerimônia de iniciação ao Budismo, algo que eu não esperava que fosse acontecer.
O que eu também não esperava é que o monge fosse tão bom e tão carismático. Pra quem pratica meditação e/ou está a fim de viver uma vida mais tranqüila, ele fala coisas tão incríveis! De uma lucidez, uma simplicidade! Eu ficaria lá mais uns dias se não tivesse que voltar...
Com o tempo, vou escrever aqui algumas coisas que ele falou; não é pregação, são conselhos de vida, de tranqüilidade, de paz. Tem também fotos do retiro, com Emilia recebendo uma 'benção' do monge e tudo.
Ganhei também um nome em páli, língua original dos suttas budistas. Depois eu conto que nome foi e o significado - que, por sinal, foi exato, preciso para esta Emilia que vos escreve.
Pra quem se divertiu, espero que a folia tenha sido boa. Pra quem não... que tenham sido úteis os dias, pra descansar ou trabalhar.
Quanto a mim, espero estar um pouquinho mais forte e tranqüila pra tocar minhas coisas em frente, já que tudo está acontecendo muito rápido!

(PS: quer saber mais sobre o monge - Banthe Henepola Gunaratana - ou o budismo? vai lá: www.casadedharma.virtualave.net - site do grupo de meditação que eu freqüento
http://www.bhavanasociety.org/ - site do mosteiro dirigido pelo monge, nos EUA - em inglês)


03 fevereiro 2005

Negociação

Invejo as pessoas que sabem negociar. É um talento nato, algo que até se aprende um pouquinho com esforço, mas nunca como alguém nasceu sabendo. É como tocar violão ou piano: vc pode até estudar bastante, treinar, treinar, mas bom mesmo, bom que nem o Yamandú, que nem o Nelson Freire, só mesmo quem tem o dom pra coisa.
Pois eu estou aprendendo a duríssimas penas a arte de negociar. Quase sempre saio insatisfeita, me sentindo uma perdedora, 'eu devia ter forçado, ele ia aceitar mesmo assim'. Na maioria das vezes, ia mesmo. Em outras, não. Difícil saber.
Dificulta o fato de eu não ter um escritório, o que leva as pessoas a crer que por isso eu seja menos respeitável. É ruim não ter um lugar só seu pra fazer uma reunião. Mas enquanto eu não resolver investir de verdade nisso, vai assim mesmo. 'Tá ruim mais tá bão', né?
O negócio é ter paciência e ir aprendendo devagar. Pelo menos já não tô cobrando só o valor da tabela da Ordem. Já é um começo... quer dizer, um consolo.

O sumiço de Emilia

O sumiço de Emilia deve-se ao ótimo fato de que a mamata dela acabou. Ela agora tem um cargo importante num instituto de pesquisa, o que significa basicamente que ela vai trabalhar muito e de graça (risos), mas também que ela vai aprender, fazer contatos super importantes etc. ALém disso, ela anda com uma vidinha social boa demais, não pode reclamar. O seu cão é que tem reclamado um pouco. E pra completar, apareceu um caso criminal assim de uma hora pra outra, quer dizer, de um dia pro outro.
Esta Boneca de Pano que vos fala pede humildemente desculpas aos seus leitores fiéis (o contador anda registrando umas 20 visitas por dia, o que significa que não são só as minhas visitas que ele anda contando - risos) pela ausência de novidades nos últimos dias, e informa que hoje à noite postará alguma coisa mais interessante que um pedido de desculpas.
E também, vcs têm mais é que achar bom, porque trabalho = dinheiro, e vcs são meus amigos e querem que eu tenha unzinho no bolso pra pagar as contas e fazer uma baladinha, né?
Beijocas apressadas

31 janeiro 2005

Minha amiga, que roubada heim?

Não é incrível a transformação pela qual passam as mulheres cada vez que se apaixonam?
Esses dias conheci uma moça que está apaixonada por um roqueiro. Desde que se conheceram já foi a um ou dois inferninhos de rock do tipo Sarajevo (fica ali na Augusta), e imagino que em breve passará a ouvir rock pauleira e virará assídua freqüentadora do Café PiuPiu.
Eu mesma já tive meus momentos. Na adolescência, tive um namorado que era peão de rodeio nas horas vagas. Ouvia só sertanejo. Eu, que odiava o Zezé di Camargo e Luciano (na época eles ainda estavam começando), passei a gostar. Demorou, mas gostei. No final, já sabia até as letras.
Outro era um casinho que só ouvia metal. Do bom, mas metal. Apaixonada, 'troquei' um CD da Zizi Possi por uma maldita fita do Ozzy ao vivo. Tive que comprar a Zizi de novo (no fim, anos depois, ganhei - de outra pessoa- também o CD duplo do Ozzy, que afinal era mesmo muito bom. é o único CD de metal que tenho na minha coleção).
Sinceramente, não me submeto mais a esse tipo de coisa. Pra começar, as chances de eu me envolver com uma pessoa assim tão diferente de mim são bem pequenas, creio eu. Em segundo lugar... bem, quando fazia isso, era bem mais boba, achava sempre que 'aquele era o cara', então, pelo 'o cara' a gente encara (rimou) qualquer programa, né?
E eu pergunto aos meus leitores machos: vcs topam esse tipo de programinha de índio só por paixão?

Mar Aberto

Não confundir com Mar Adentro, filme que deve entrar em cartaz logo logo. Estou falando do filme que tem sido (injustamente, na minha modesta opinião) comparado à 'Bruxa de Blair' pela crítica, ao que parece pelo fato de ter sido divulgado no boca-a-boca e feito com baixo orçamento. A comparação é injusta porque acho Mar Aberto muito melhor que a 'Bruxa'.
Nunca achei que a 'Bruxa' segurasse o suspense. Ao contrário, em Mar Aberto, o stress permanece durante todo o filme até o final, que é realmente surpreendente. A gente assiste se agarrando de tensão no que (ou em quem) estiver mais próximo - travesseiro, namorado, cachorro...
Assisti à noite: antes de dormir não parava de pensar na cena final... e foi na mesma cena que pensei logo ao acordar.
A comentada DR no meio do oceano não é o que mais importa no filme. Pra mim, aliás, poderiam ser dispensadas tais cenas, não fazem muita diferença. O que dá uma puta tensão mesmo são as dezenas de tubarões, em situação que me fez lembrar de 'O velho e o mar', que não é só uma luta do pescador com o Marlin Azul, mas também com os famintos tubarões que cobiçam o seu precioso troféu.
Suspense do bom. Mas só funciona se vc estiver realmente a fim de passar uma hora e meia de stress. Senão, pode se arrepender.

Orkut - parte 2

Um amiga criou um homem virtual no orkut. A coisa mais engraçada do mundo. Pra não estragar a brincadeira dela, não vou revelar a identidade do moço, vou chamá-lo de Fulano.
Segundo ela, Fulano é um homem perfeito (afinal, foi inventado por uma mulher!). Profissional liberal bem sucedido, na casa dos 30 anos, é bonito, misterioso, gosta de cultura, boa comida, e ainda tem aquela 'pegada' boa, sabe como é?
Fulano é, em suma um tesão. E o mais curioso de tudo é que Fulano tem sido assediado por moças que não o conhecem, mas gostaram do seu perfil. Já recebeu até convite pra sair!
Sinal dos tempos... como dizem por aí. Desavisadas, abram o olho! Se conhecerem pela internet um homem perfeito demais... ele pode não existir!!!

(ainda o Closer - quem viu a cena hilária do Clive Owen numa trepada virtual com o Jude Law sabe do que estou falando!)

Um cigarro

Acordei muito bem acompanhada, toda enrolada naquelas pernas deliciosamente bem trabalhadas por corrida e musculação, e presa entre braços de pele macia e músculos no lugar (todo ele é bonito, sem exageros de 'gominhos' e 'tanquinhos', uma beleza firme e suave. E ele de costas... bem, isso é um capítulo à parte, coisa que não pega bem pra uma mocinha ficar descrevendo por aí, aos quatro ventos).
Já era um pouco tarde, então pulamos o sexo matinal e fomos tomar café. Jornal (se eu fumasse, cigarros fariam parte do cenário também). Revista dominical. Um Chico na vitrola. Lá fora o dia já bem começado, quente, azul, um lindo dia de outono no verão paulistano.
Depois de um ou dois cadernos da Folha, fui me despedir... e o beijo de tchau virou um beijo de puro tesão. As mãos dele por toda parte. Eu e ele por toda parte. (Se eu fumasse...)
Saí de lá pura felicidade. Sabe essas felicidades que dá vontade de gritar para os outros? Eu tenho um amigo que tem até raiva, ele fala pra gente 'tira esse sorriso insuportável do rosto, menina!'.
O fresco domingo outonal terminou com um pôr-do-sol de maio. Só faltou Vênus e a Lua se encontrando no meio da sombra das árvores. Deviam estar se agarrando em algum canto, por aí...