Páginas

23 março 2005


O endereço da Adbusters é http://adbusters.org/home/

Vejam algumas fotos do site da Adbusters, que eu mencionei no post abaixo (Reclaim the Streets!)

777 visitas no meu blog

ah, esses números emblemáticos...

22 março 2005

Reclaim the Streets!

Livro que peguei emprestado do papi, como quase 90% dos livros que eu li/leio (será a maior herança de papi para seus filhos - toc, toc, toc, que demore muito mesmo, credo - a biblioteca com mais de mil volumes, objeto certo de disputas acirradíssimas no inventário): 'No Logo' (Sem Logo). A autora é Naomi Klein (não confundir com Melanie Klein, aquela do Freud, do peito, etc), canadense que foi pesquisar sobre o poder das grandes corporações sobre o emprego e outras coisas.
Olha, não é coisa de 'comunista' não. O livro é MUITO bom.
Tem um capítulo, no qual estou agora, que fala sobre os 'culture jammers', que são caras que fazem pichações, protestos, modificam outdoors, como uma maneira de protestar contra as grandes corporações. Eles escolhem uma campanha de carro que não gostam, por ex, e promovem uma ação coletiva, em que vão pichando os outdoors e transformando as campanhas em coisas ridículas ou horríveis.
Gostaria de ver isso aqui no Brasil um dia... Há até uma revista especializada nisso, chamada 'Adbusters'.
Tem também um movimento chamado 'reclaim the streets' (clique para ver o site), que eu não sei se já teve no Brasil (começou na Inglaterra, claro). Os caras marcam um dia pela internet. Nesse dia, milhares, eu disse milhares de pessoas se encontram numa hora e local x. De lá, partem para um lugar que só 4 ou 5 pessoas sabem qual será. Algumas vezes, são precedidos por hordas de ciclistas, cujo lema é 'nós não estamos atrapalhando o trânsito, nós SOMOS o trânsito'. Tomam a rua, de preferência uma avenida expressa, e fazem uma FESTA!!!
Que tal uma festinha em plena terça feira à tarde na, digamos, 23 de maio???

21 março 2005

'Seu tempo de espera é de mais de 5 minutos'

Tudo bem, eu também tenho telefone de telemarketing, eu tenho paciência. Eu espero até meia hora se precisar. Enquanto vc toca essa música horrível com propaganda na minha orelha, eu abaixo o volume do fone e continuo trabalhando, digitando aqui no meu micro que nem vcs digitam aí. Eu sou persistente. E quando eu perder a paciência de uma vez, eu ligo urrando desde o começo e ameaçando acionar o Procon e mandando chamar o seu chefe, porque HOJE vcs vão resolver essa porra pra mim. Ok?

20 março 2005

'Pode cortar curto'

Já reparou que depois que a gente cresce começa a ter vontades de adulto? 'Quero um sofá macio e aconchegante, xicrinhas bonitinhas pra servir café pras visitas, tacinhas diferentes pro licor, um quadro na parede, um armário decente no banheiro'. Vc não agüenta mais mesmo olhar praquele terrível sofá improvisado há quase 10 anos, que desmorona cada vez que se passam mais de 5 minutos em cima dele. Vc quer ter o seu LAR.
Pois hoje acompanhei uma amiga em busca do lar. Fomos a Embu, sobrenome 'das Artes' (acho tão esquisito), escolher móveis. Aproveitei pra realizar pequenos sonhos de consumo pra casa, como um pilãozinho para o alho. Comprei também um novo passante pra debaixo da pia da cozinha. Um pequeno puff, daqueles de apoiar o pé. Uma linda e laranja luva de cozinha e um paninho de prato novo completaram meu 'kit casa até deis real'.
Descobrimos que puff não é um negócio tão bom quanto se imagina. Eu já estava decidida a trocar meu sofá desmoronante por um puff dois lugares, que custa 60 reais - e não 1000, como um sofá de verdade. Aí nos avisaram que precisa repor constantemente o enchimento, porque o puff fica desmilingüido em, no máximo, 2 meses. Eu, que não tenho saco nem pra deixar meu cabelo crescer, vou ficar trocando enchimento de puff? E o sonho do lar-doce-lar coroado por um lindo sofá-puff foi-se pelo ralo.
Recomendo o Embu pras donas e donos de casa que podem ou não gastar fortunas pra arrumar o lar. Dá pra fazer comprinhas pequenas, gastar muito pouco, mudar a cara da sua casa e ainda sair radiante porque pagou metade do preço de qualquer loja de decoração em SP.

17 março 2005

"Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será."


Carlos Drummond de Andrade 'Não se mate'

Mudanças

Acho que vi num filme há certo tempo que a mulher se casa pensando que o homem vai mudar, e ele não muda, e o homem se casa pensando que a mulher não vai mudar, e ela muda. As mulheres têm mania de querer mudar os homens.
Mas e quando a gente não quer mudar? E quando não, ele não é perfeito, claro, mas vc gosta dele mesmo assim? E quando a gente logo conhece os defeitos e, sim, eles existem, mas as qualidades são mais interessantes?
Não estamos acostumados com isso, quero dizer, com relacionamentos tranqüilos, sem tumulto. Aliás, há quem precise desses processos meio neuróticos pra se sentir valorizado. Um amigo me contou há um tempo que todos os namoros dele foram precedidos por longos períodos conflituosos, em que a moça não o queria ou vice-versa, ou em que havia muitas indas e vindas. Sinceramente, acho isso uma merda.
Mas se as coisas são mais tranqüilas, às vezes podemos confundir e achar que há alguma coisa errada. Não há. Sente, medite, relaxe, tome um banho quente, passe um óleo perfumado, acenda um incenso, faça yoga, nade, corra, trabalhe, viaje, transe (ou não), vá ao cinema, jante fora, passeie com o cachorro. Tranqüilize-se, e deixe, que as coisas se colocam nos seus devidos lugares.

16 março 2005

Tempo

Não é ruim. Depois do medo inicial de fazer uma matéria que não tem nada a ver com o que eu gosto, que se dissipou após a primeira aula, as coisas agora deram uma assentada. Sabe quando tudo está andando nos eixos? Vc está fazendo o que deve fazer, tudo direitinho. Vc trabalha, estuda, faz exercício, passeia com o cachorro, cuida da beleza, namora, se diverte. É uma fase de equilíbrio. Não é ruim, mas é estranha.
Um amigo esses dias reclamou que, depois do seu primeiro ano de pós-graduação, que foi um stress, com o perdão da palavra, do caralho, pois o curso é de nível internacional, agora não tem nada pra fazer e está desmotivado e desanimado e achando tudo um saco. Ano passado ele arrancava os cabelos porque não tinha tempo nem pra respirar. Esse ano, reclama do marasmo.
Acho que a gente sente falta de um pouco de adrenalina na veia. Não que esteja tudo super calmo, não... Eu preciso começar minha pesquisa. Estou aflita porque nunca fiz isso e não sei se estou fazendo a coisa certa. Mas estou com tempo suficiente para fazer tudo o que eu preciso. Sem afobação. Isso é estranho. Estou acostumada com extremos, sabe? Ou não faço quase nada, ou não tenho tempo pra nada. Acho que cheguei num meio termo excelente.
Melhor aproveitar enquanto dura...

15 março 2005

Os vegetarianos também matam

Pois não é que o monge não acabou, mas ao menos amenizou, (com) um dilema que me afligia? Ser ou não ser vegetariana, eis a 'questã'.
Antes de fazermos a cerimoniazinha de iniciação ao budismo (veja os posts de 05 a 12 de fevereiro - Carnaval - se vc não sabe do que eu estou falando), o monge explicou alguns preceitos mais polêmicos. Um deles é o do abster-se de matar. As pessoas muita vezes deixam de fazer a cerimônia porque acham que devem virar vegetarianas.
Para nossa surpresa, ele disse que a maioria dos monges budistas NÃO é vegetariana.
E mais: lembrou-nos que, mesmo comendo só vegetais, estamos também matando seres vivos. Muitos insetos morrem no processo de cultivo e colheita de vegetais. Ainda que vc coma produtos orgânicos, que não levam agrotóxico e, portanto, matam menos, mesmo assim milhares de insetos morreram naquele processo. E a colheita daquela soja que se usa pra fazer imitação de carne, então?
Aliás, há uma passagem da vida do Buda que descreve a compaixão que ele teve, ainda criança, ao ver os pequenos insetos sofrendo na colheita.
É claro que os mamíferos e animais maiores, domesticados, principalmente, como o boi, o frango, etc, inspiram nossa piedade mais do que aquela barata nojenta ou a lagarta rastejante. Eles interagem conosco, olham-nos nos olhos, não tem como não sentir.
Mas me consola saber que não sou só eu que mato. Os 'veggies' e 'vegans' também matam.
E eu, que não resisto a uma picanha (pobre boizinho!) de vez em quando, e que como regularmente frango (pobres!) e peixe (pobres!), me sinto um pouco menos culpada.

Atleta Emilia

Dois médicos me disseram que estou com freqüência cardíaca de atleta. O melhor foi o segundo, que me disse isso durante um ecodopplercardiograma colorido (sabem o que é? um nome bonito pra ultra-som do coração). O detalhe: além de cardiologista, ele é corredor.
Isso com certeza se deve, em parte, à minha volta à natação e à caminhada já há 2 meses. Mas parte dessa freqüência maravilhosa tem sua origem na meditação.
Já tem pesquisas comprovando que a prática regular da meditação diminui a freqüência cardíaca. Já tinha lido sobre isso, mas agora comprovei na prática!
Estou super feliz, orgulhosa de mim mesma e do meu coraçãozinho vencedor.
As pessoas têm repercutido essa minha nova disposição para a vida e, é claro, a recuperação da minha forma física, tão maltratada no ano passado.
Isso faz um bem desgraçado pro ego, não vou negar. E o mais importante efeito colateral: estimula vc a continuar.
Não quero parar mais!

14 março 2005

Manhattan

Adoro Woody Allen. Tá certo, eu fiquei meio decepcionada com o último dele, Igual a tudo na vida, ou Anything else, no original. Mas ele em geral é ótimo. Adoro o humor psicanalítico, a gagueira, o jeito totalmente gauche de ser, adorável.
Hoje assisti Manhattan, em vídeo. É simplesmente lindo. Lindo de morrer. NY já era personagem dos filmes do diretor muito antes de Sex and the City. E ele continua saindo com moças inacreditáveis, muito mais novas e apaixonadíssimas por ele.
Até eu já sonhei que namorava com ele (ele morava aqui em SP), embora realmente não veja nada de especial, fisicamente falando.
Mas quando o Kenneth Branagh praticamente encarnou o diretor, numa versão mais malhada e indiscutivelmente mais bonita que Woody, simplesmente achei um fofo. Mesmo com Kenneth meio curvado e gaguejando até morrer, mexendo as mãos, daquele jeito woodyalleniano de ser.
Outro dele que eu adoro é um episódio de Contos de Nova Iorque, um filme composto de três curtas (ou serão 'médias') - os outros dois dirigidos por Roman Polansky e Richard Price. É engraçadíssimo, vale muito, muito a pena assistir. Recomendo fortemente.
Aliás, recomendo tudo dele. Não vi tudo, mas é genial.

12 março 2005

A prancha

Sempre que eu vou nadar, levo minha pranchinha de isopor pra fazer um pouco de pernas e braços separadamente. Quando eu era adolescente, odiava fazer perna, achava um saco, doía etc. Mas agora os anos passaram, eu peso 10 kg a mais e já tomei muito refrigerante, comi muito pastel e doce, o que significa que as minhas perninhas não são mais as mesmas... nem a barriguinha, nem os bracinhos.
Pois então. Enquanto estou nadando 'normal', deixo a prancha na beira da piscina. Tá meio apagado, mas tem meu nome lá. Outro dia fui pegar a prancha pra fazer meu treino de perna... cadê?
Olhei em volta... nada. Míope, era difícil distinguir na piscina... Pedi ajuda ao salva-vidas; lá do alto da cadeirinha dele, era mais fácil achar a prancha.
Enfim, encontramos: um mané estava usando para fazer braço. Ou seja, com ela entre as pernas. Eu não ia mesmo achar nunca. 'Escuta, da próxima vez que vc quiser usar, pede emprestado', disse eu ao mané. 'Ah', disse o mané, 'não tinha ninguém do lado!'
Peraí então, deixeu ver se entendi: quer dizer que eu tenho que fazer plantão AO LADO da prancha o tempo todo, porque, estando ela abandonada, é da galera???? Ah, claaaaaaaaro!!!
Não é fim da picada?

09 março 2005

Cláudia Andujar

Se não viu ainda, corra, e veja antes que acabe: exposição de fotos de Cláudia Andujar na Pinacoteca.
Só a visita ao prédio, que já é demais, já vale o passeio. Depois, tem uma instalação ótima do Guto Lacaz, no vão central, uma chuva colorida de chumbinhos, divertida, todo mundo gosta. Minha amiga queria levar pra botar na sua própria sala e jogar os chumbinhos na cabeça das visitas.
Por fim, tem a linda exposição da fotógrafa. Além das fotos dos índios, que já são famosas, belíssimas, tem também uma outra parte da exposição chamada Vulnerabilidade do Ser, com fotos de rios da Amazônia e de outros locais no Brasil. Coisa linda, linda, linda. Não dá pra descrever o que ela consegue fazer com a água e as folhas caídas no rio, o movimento, as pequenas ondulações, os bichos que moram ali.
Minha preferida não é de rio nem de índio, todavia: é um jacaré incrível, em preto e branco, salvo engano, logo na entrada.
Não perca. E se estiver durango, sábado é grátis.

Querido Diário

É, esse blog ultimamente anda parecendo um diário mesmo, né? Emilia contando que foi à feira, que levou o cachorro doente no veterinário (ele está melhor!), que tem um carma com um sujeito escroto e nojento (esses dias fui obrigada a ir até ele pra pegar uma assinatura, mas consegui fazê-lo em segundos e praticamente não ter que olhar na sua cara), Emilia contando a encheção de saco da sua profissão. Ando menos observadora e mais auto-centrada, um pouquinho mais egoísta. E menos inspirada.
Tenho várias coisas pra escrever, mas nada que interesse muito a ninguém: a nova intimação por e-mail da OAB, que nos livrou da ditadura da AASP e que ajuda a ficar menos putos por pagar 600,00 de anuidade; a minha nova amizade com os salva-vidas da piscina do SESC (Fran, eu entendo vc); a minha satisfação por estar conseguindo meditar e fazer exercícios regularmente, o que tem feito o ponteiro da balança, se não descer, pelo menos manter-se estável; a minha felicidade por estar gradativamente conseguindo sair do cheque especial e pôr as contas em dia; a bolsa do mestrado que nunca vem; o terapeuta que nunca me dá alta; a minha visita ao médico, que me mandou voltar só no final do ano (viva!).

06 março 2005

A praia dos cachorreiros

Ali na Vila Madalena tem uma pracinha onde nós, cachorreiros, levamos nossos pequenos e grandes amigos caninos estabanados para brincar e desestressar, sem guia, soltos, felizes. É bom pro cão, é bom pro dono. Eles brincam, rolam, comem grama e gravetos, pegam pulgas, se sujam, levam até mordida de vez em quando. Coisa de cachorro.
Nós, os donos, que não sabemos os nomes uns dos outros, só dos cachorros (é patético, eu sei, mas é assim que funciona), batemos papo, trocamos informações sobre cuidados, pet shops, raças e contamos orgulhosos as peripécias de nossos caninos pela casa.
Mas nunca consegui trocar um telefone com algum(a) cachorreiro(a) para pegar um cinema, ir a um barzinho. O que eu acho realmente uma pena, pois ali está, com certeza, alguém que, em algum ponto, se identifica com vc.
Este sábado, conversando com uma moça, reclamei disso... E ela me disse uma coisa curiosa: a praça é, pra nós, como a praia pros cariocas. Vc sabe que, se for lá, naquela hora do dia, vai encontrar uma boa companhia. É como se fosse nosso canto, nossa tribo. Ali ninguém acha que a gente é maluco porque conversa com um bicho, sai pra passear com ele à uma da manhã ou volta pra casa mais cedo porque está com pena de deixá-lo sozinho. Ali a gente se entende.

04 março 2005

666 visitas no meu blog

Ai que meda!

Ai que vontade de comer Nutella!!!!!

Eu nem estava de bom humor, aliás, estava irritada. Saí correndo pra pegar o fim da feira. Botei uma calça jeans velha, uma camiseta cor-de-rosa (será que é o cor-de-rosa?), quer dizer, pink, pra vc entender bem qual a cor. Um sapatinho também rosa, cabelo preso (pra variar...) e óculos escuros. Sem brinco, sem pulseira, sem colar.
A minha barriga nem está lá essas coisas (ainda). Preciso perder mais 2 kg pra ficar satisfeita e, provavelmente, quando chegar lá, vou querer perder mais dois (dizem que devemos dizer eliminar, e não perder, senão vc acha de novo).
Será que é porque estou ovulando? (dizem que a gente fica mais bonita...) (risos)
Não sei o que foi, só sei que hoje na feira me ofereceram mais frutinhas pra experimentar do que nunca. Os feirantes estavam mais gentis. Será que é porque a safra tá ruim e as coisas tão mais caras? Será que é porque tenho cara de madame? (um dia me 'xingaram' de madame na rua, ô raiva!) Será que é porque mudei de feira? Ou será porque eu tava mostrando um naco de barriga (diz um amigo que a calça de cintura baixa não atrai os homens por causa da barriga não, e sim porque ela põe em evidência aquela parte do corpo que vem logo abaixo).
É, acho que eu prefiro acreditar nessa última... Meu ego agradece.

Polícia para quem precisa


Trabalhar com polícia é um saco. Hoje de manhã me telefona aqui uma fulana, grossa que só ela. 'O sinal de fax por favor?' (eu não tenho mais fax) 'Pra quem?' 'Pra Dra. Maria Emilia'.
Achando que fosse um documento que eu esperava, mas que deveria ser passado para um Instituto, perguntei do que se tratava. 'Eu preciso passar um fax para a Dra. Maria Emilia'. 'Sim, sou eu, mas é a respeito do que?' (porra, o fax não é pra mim, caralho???) 'Eu não sei, eu só estou passando o fax'. 'Eu não tenho fax, mas se vc me disser sobre o que é eu posso te passar um outro número'. (a tosca conversa com pessoa ao fundo). 'Olha, eu não sei o que é.' 'Eu posso falar com a pessoa que está querendo passar o fax? Ela está aí? Chame pra eu falar com ela'. 'É uma intimação pro seu cliente, Fulano'. 'Uma intimação??? Por fax??? Daonde está falando, da delegacia? Olha, posso falar com a pessoa que quer passar o fax, por favor?'
O resultado da história: não consegui saber do que se tratava. A tosca da mulher desligou na minha cara. Não consegui falar com a puta da pessoa (ou pessoo) que queria me passar o fax. E passei o dia encafifada com a tal da intimação via fax. Liguei pra delega depois, falei com o responsável, que me atendeu educadamente: não, não fui eu. Não, o IP ainda não voltou do Fórum. Não, não tem nenhuma novidade.
'Damm cops!' E o pior é que eu nem sei se era mesmo da delega ou se era o simpaticíssimo e dono de uma sabedoria imensa e de uma cultura inacreditável 'adevogado da outra parte', que me disse o seguinte a respeito 'daqueles barbudos que vão pro Fórum Social Mundial': 'é por isso que o Brasil está do jeito que está'.
Tudo gente fina. Amo meu trabalho. Veja o meu sorriso de felicidade.

03 março 2005

'Quarenta contos'

É o preço da consulta no veterinário, que eu paguei pra confirmar o que eu já sabia: é alergia o que meu cachorro tem, provavelmente ao Frontline, remédio anti-pulgas que além de deixar o meu pobre pixu todo empipocado, ainda faz cair os pêlos. Ainda bem que, pelo menos, coça pouco, tadinho.
As últimas vezes que fui ao veterinário (quer dizer, levei meu cão ao vet) sempre senti que estava jogando meu dinheiro fora. Na verdade, eu não devia pensar assim, mesmo porque sou uma vet frustrada (é um sonho, um dia ainda faço faculdade disso. dizem que é bobagem, que gostar de bicho não tem nada a ver com ser veterinário, mas tem que gostar muito de bicho pra enfiar termômetro no rabo ou a mão dentro da vaca pra ajudar a sair o bezerrinho todo melecado de sangue). Mas sempre saio de lá com a sensação de paguei caro pra me dizerem o que eu já sabia ou tinha obrigação de saber.
Uma vez, meu cão estava com o saco (o saco mesmo, aquele onde ficam as bolinhas) todo vermelho e inchado. Levei no veterinário. Dois segundos e quarenta reais depois (com licença, Machado*): é uma queimadura! Droga, porque eu não pensei logo nisso? O pobre sentava no chão quente quando se cansava, durante um passeio... tssssss!!! (ah, e saibam que aquele seu vizinho lavando a calçada pode estar usando cândida ou outro produto desse tipo... e o seu cão pode queimar não só o saco e a barriga, mas também as patinhas, ao passar pela água...)
Dessa vez, tava todo empipocado. Primeiro, achei que fosse alergia... Aí veio a nóia: e se for sarna? E se eu pegar? Mais quarenta contos: alergia. Saco!Eu sei, ando chata, né, reclamona, né? Mas estou me recuperando da falta crônica de dinheiro que me assolou no último ano. Enfim, para o bem do cão, era alergia: compro remedinho, coliriozinho para o olho. Tal qual mãe dedicada, sacrifico alguns prazeres pra pagar a consulta e os remédios do pequeno... que passa bem, obrigada.

(*'Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis'... - Machado de Assis - Brás Cubas)