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27 agosto 2005

perdoai-os senhor, eles não sabem o que fazem

Quando eu tinha 18 anos tive uma depressão profunda. 1995. Eu fazia duas faculdades ao mesmo tempo, cantava no Coral em uma, e era representante discente e Diretora no Centro Acadêmico da outra. Na época, o merda do meu psicólogo (era um merda mesmo) não conseguiu identificar que eu estava em depressão. E os meus pais nem podiam mesmo, porque eu mal falava com eles. Contava algumas mentiras e eles achavam que tudo estava bem.
Em julho daquele ano me apaixonei por um rapaz que morava em Brasília, e desde então só chorava. Ia dormir às 4 da manhã todo dia e mal dava conta de assistir às aulas no período da tarde(!). A minha república era um lixo, e eu passava a madrugada assistindo TV a cabo e matando baratas, de todos os tamanhos, formatos e cores, que andavam pelo chão e subiam pelas paredes. Eu saía com mais uns dois ou três rapazes em SP para suprir a minha carência que não tinha fim. E chorava de saudades do candango, que não vinha nunca me ver porque não sabia dar um passo sem pedir autorização pro merda (era um merda mesmo) do pai dele.
No final do ano, mudei-me pro apartamento onde moro até hoje. No meio da depressão. A merda da terapia já tinha ido pro espaço. Também, era uma merda mesmo.
Resultados:
  • repeti todas as 4 matérias em que eu estava matriculada na faculdade de Direito.E o pior: o pessoal assinava as listas pra mim, então eu tinha 99% de presença mas fiquei com ZERO de nota. Não consegui ir fazer uma única prova. Nada. Até hoje meus pais não sabem que, na verdade, nunca tranquei a faculdade de direito. Repeti tudo mesmo.
  • larguei o Coral no meio de uma série de apresentações marcadas praquele final de 1995. Simplesmente deixei o regente na mão, sem qualquer justificativa. Não tinha coragem de ir lá dizer que não conseguia mais.
Resultados tardios não esperados:
  • mínimas chances de conseguir bolsa na FAPESP com reprovações no histórico escolar.
Problemas emilianos que dificultam ainda mais a obtenção de bolsa na FAPESP:

  • idade: não sou mais recém-formada
  • não fiz iniciação científica, embora tenha tentado, mas as minhas reprovações fizeram com que eu não conseguisse a bolsa
  • neurose que vira ansiedade por problemas com dinheiro, que gera outros problemas, como dificuldade de trabalhar e estudar
  • incapacidade de administrar coisas demais ao mesmo tempo sem fazer alguma delas meia-boca. nesse caso, meia-boca foi o trabalho que fiz pra pós, no qual tirei nota B, o que certamente reduzirá ainda mais as minhas chances de obter uma bolsa.
Conclusão:
1) a gente paga pelos erros do passado, ainda que eles tenham sido cometidos na juventude/adolescência. paga um preço mais alto do que devia, às vezes.
2) ansiedade é o mal do século. e é uma MERDA. assim como era o meu terapeuta. acho que vou processar esse filhodaputa...

22 agosto 2005

4x4

Vixi, faz tempo que eu não venho aqui.
Ando meio desligada, meio deprimida, meio me sentindo culpada com os sapatos, calças e blusas que comprei.
Noto que, quando volto de um retiro budista, sempre consumo menos. O consumo realmente está associado (no meu caso) à ansiedade. Não que eu seja uma consumista louca, isso não. Tenho momentos... (risos).
Aliás outro dia aconteceu uma coisa engraçada - acho que estou conseguindo virar uma pessoa moderada nos meus gostos, na minha vida (o que, pra mim, é bom) - : eu já passei por duas entrevistas para pesquisa de mercado e não passei em nenhuma das duas. E acho que talvez só passasse em uma: a de chocólatras. Mesmo assim, atualmente tenho tentado moderar o consumo de chocolate...
As entrevistas eram pra saber se eu tinha o perfil pra participar de pesquisas de mercado de um produto pra cabelo e café. Pra primeira não passei porque só faço escova umas 4 x por ano, não pinto o cabelo (ainda), não faço alisamento, e faço hidratação também só umas 4 x por ano. Ou seja, não sou uma boa consumidora pra testar produtos pro cabelo.... Pra segunda... bem, precisava beber café 3x ao dia!!!
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Coisas que eu faço 3 ou mais vezes ao dia:
  • escovar os dentes
  • comer
  • beber
  • fazer xixi
  • checar e-mails
  • pensar no meu saldo devedor no banco

08 agosto 2005

O círculo do eterno retorno

Teminha recorrente nesse blog, não? Ah, tô falando da TPM. É que tem todo mês, sabe? Tooooodo mês. Todo mesmo. Every fucking month!!! (com acento no 'fu')
Claro que aí as coisas se encadeiam sem a gente perceber. Quando viu, já pegou aquele drama que faz chorar. Bem que eu tentei uma comédia, ontem assisti Legally Blonde 2, engraçadinho, totalmente excelente, como diria Paulo Bonfá, para dias de deprê. Mas não pude evitar seu contraponto dramático (eu tive um namorado que me acusava, assim mesmo, quase um xingamento, de ser dramática. o filho da puta.), The Hours. Até fiquei com vontade de ler Mrs. Dalloway, mas acho perigoso ler um livro sobre uma mulher que se mata (ooops, parece que ela não se mata, afinal) assim, do nada, num dia como esses.
Ontem já tive minha cota de pensamentos sobre morte. Hoje já tive minha conta de pensamentos sobre 'eu não vou conseguir ser nada na vida e uma hora vou ficar desempregada e sem ter onde cair morta porque não arrumei um emprego público; melhor prestar concurso em alguma universidade...'. Esse mês só não tive ainda a cota de pensamentos 'eu nunca vou achar ninguém e ter filhos e vou morrer sozinha'.
Então acho melhor encher a cara de óleo de prímula (ahaaa!!! achou que eu dizer vinho, né? ou uísque? ou vodka, que eu não encho a cara com bebida vagabunda...), e esperar mais uma semana passar. Esperar passarem as horas.

31 julho 2005

Integral

Mês agitado, cheio de acontecimentos. Muita bagunça interior. Paixões, desejos, tristezas, frustrações. Falta de tempo: esse que quando nos sobra nos falta e quando nos falta... bem, nos falta mesmo.
Me faltou, especialmente, tempo pra processar tudo. Pra digerir... se necessário, até, ruminar um pouco antes de engolir. A sensação que tenho é que tive que engolir tudo inteiro. E com casca.
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Aos pouquinhos vou tomando consciência do que é ser adulto, e isso me fascina e me assusta simultaneamente. Sempre tive medo desse momento, em que perderia as prerrogativas de mocinha, de recém-formada, e assumiria as 'responsas' que vêm junto com a liberdade de ser adulto. Ser adulto é responder pelos próprios atos, sem ninguém pra botar a culpa se der alguma merda. Isso é difícil. Espero conseguir, com alguma dignidade.
Sinto que finalmente estou construindo meus próprios caminhos... como diria aquele que eu cito, mas nunca sei o nome: "camiñante, no hay camiño. el camiño se hace al andar".

26 julho 2005

Choro

A minha avó morreu. Eu não estou acabada nem super triste, o que catolicamente falando é realmente um horror. Mas não posso fazer nada. Eu não muito era ligada a ela, exceto pelo sangue e por um pouco de afeição que cultivei durante esses últimos anos em que ela esteve morando com meus pais. Mas ela era causa de tanta discórdia e sofrimento na minha casa que não consigo sentir senão alívio pelo fim. Também fico aliviada por ela ter parado de sofrer, já que da última vez que a vi já não era mais aquela italianona fortona de antes. Tinha virado uma velhinha doente.
Ela nunca teve vontade de viver, pelo menos nos últimos anos. Claro, tinha uma depressão tão forte que remédio nenhum fazia efeito. Só fazia se lamentar pela droga de vida que ela levava agora e pela merda de vida que tinha tido até então, com meu avô que a traía enquanto ela lavava e passava (com ferro em brasa) roupa pra fora. À noite ainda catava feijão à luz de lamparina.
Contava que, com o dinheiro que conseguiu ganhar, formou o único filho doutor, meu pai, que teve o ímpeto de dizer 'quero ser médico' - contra a vontade do pai - e, ao contrário dos outros irmãos, foi lá, estudou e se formou. Os demais estão por aí, penando em situação financeira complicada....
Além da depressão, ela tinha dezenas de doencinhas incuráveis pelos métodos normais da medicina, uma vez que praticamente todas eram psicossomáticas: fazia todos os exames, nada aparecia; tratamentos de último tipo, nada funcionava. Sofria, dor aqui, dor ali, tontura, dor de estômago, intestino absolutamente preso, dor de cabeça, as pernas que estão bambas... De repente, sumia aquele sintoma e aparecia um novo, igualmente imaginário. É incrível o poder que a cabeça da gente tem de criar o belo e de destruir aos outros e a nós mesmos.
Nos últimos tempos, meu pai a transferira para uma casa de repouso em Bauru, porque em Botucatu não havia uma que prestasse e não dava mais pra ela ficar lá em casa: precisava de assistência 24h, quase não saía mais da cama. E acho que depois que ela foi pra lá, acabou o restinho da vontade de viver que ela ainda tinha. Sem o filho por perto a dar-lhe um pouco de atenção na hora das refeições, sem parentes, sem amigos, o que fazer, senão morrer?
Quando falei com meu pai no sábado à tarde eu estava viajando. Liguei para dizer-lhe que tinha chegado bem, e ele me contou que acabara de voltar de Bauru, e que a havia transferido mais uma vez para o hospital, mas que ela estava bem. Pela seiláeuqualésima vez, cansado, triste, me disse: 'não acaba nunca, é o meu calvário'.
Acabou.

20 julho 2005

Mia Caipirinha

Meu querido amigo blogueiro e designer Marcelo Calenda fez uma série 'caipirinhas' no blog dele, o www.calendas.blog.uol.com.br. Mandei pra ele uma fotinho de Emilia, com cara mesmo de boneca de pano, aos 3 aninhos e meio de idade, toda faceira de caipirinha. Quem quiser conferir, é só clicar no azulzinho aí em cima. Aproveitem para xeretar lá, que o moço é criativo à beça, de modo que quando leio o blog dele me sinto realmente deprimida por escrever essas porcariadas aqui.
Beijos julhinos a todos os meus fiéis leitores.

19 julho 2005

mais uma da série 'mulher é assim mesmo'

Vixi, acho que o último post não agradou.... Pudera, quantas pessoas gostam de falar sobre uma coisa tão bllllleeeeeeeca quanto menstruação? O fato é que as mulheres continuam se envergonhando de falar sobre isso e de confessar pros homens que estão 'naqueles dias', ou que estão na TPM, sei lá.
Rola um preconceito por parte dos homens - muitos acham que é desculpa, que é tudo invenção da nossa cabeça. Pois não é.
Eu mal percebo e já estou toda inchada (pra encher um decote é a melhor época do mês - risos), mal humorada e/ou deprimida. Deprimida sim.
Quantas vezes não passei um ou dois dias de cão, tristíssima, certa de que nunca, nunca mesmo, jamais conseguirei fazer nada na vida que preste, que vou depender da ajuda do meu pai pra sempre.... voilà, eis a TPM, bandida!! Só então me dou conta. Mas ainda que eu saiba que é só a TPM, mesmo assim aquele sentimento insiste em me perseguir.
E aí, quando finalmente acaba, lá vem aquele sangue todo....
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Olha, mulher é assim mesmo: temos só 15 dias por mês pra mostrar o nosso lado mais perfeito, depilado, lindo e brilhante: nos outros 15, ou bem estamos com raiva ou deprimidas ou (puro preconceito de alguns homens - e mulheres- que não sabem das delícias da vida) usando cinto de castidade....

17 julho 2005

Mar em fúria

Mês confuso, Bonecadepanoégente extremamente confusa. Muita coisa pra administrar, muita novidade, muito stress, muita gente, gente ruim e mau-caráter, gente muito boa...
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A TPM passou e eu não percebi. O que não necessariamente é bom.
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E por falar em TPM... eu tenho uma relação de amor e ódio com a menstruação, sabe? Na maior parte do tempo é de ódio mesmo: ô coisinha chata, heim? Cólica, inchaço, a encheção de saco de ter que lembrar de comprar modess e perceber que o mercado foi invadido pelos malditos absorventes com controle de odores que te dão uma puta alergia, o que significa que vc tem que comprar uma marca mais cara (ou a mais vagabunda), a preocupação ('será que vazou'? 'ai, droga, esqueci que estou de OB!')...
Mas às vezes (só às vezes, heim?) quando as coisas acontecem de maneira um tanto quanto imprevisível (ou nem tanto...), nada dá mais alívio do que sentir aquela colicazinha básica...
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Ser mulher é viver em permanente mudança. Uns dias, demoníacas; outros, em estado de graça...

12 julho 2005

Filhosdaputa

Filhodaputa, mau-caráter, inescrupuloso, sem-vergonha, escroto, criminoso, denigre toda a classe dos advogados.

02 julho 2005

3 meses em 1

olhar muito os olhos grandes e claros e o sorriso muito franco, o peito aberto.
decorar os contornos, entender cada expressão, estremecer com um certo olhar, experimentar conexões incríveis. temos nosso próprio tempo.

29 junho 2005

E por falar em saudade

Falando em sorriso, eu, que esses dias ando com um de orelha a orelha, nada me abala, nada me perturba, nada me incomoda, recebi do meu terapeuta, em sessão-antecipação-de-sofrimento- pelo-futuro-incerto-da-minha-paixão-avassaladora-internacional, a seguinte opinião: eu tenho conseguido deixar os sentimentos comandarem essa minha cabecinha hiperracional de vez em quando, sem perder o equilíbrio. Segundo ele, até a maneira de eu me relacionar com ele mudou nos últimos tempos. Ando mais afável... menos distante.
Tenho sorrido mais ultimamente... e que diferença isso faz!
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O sorriso sincero ilumina as pessoas... não estou falando de gente que estampa um sorriso falso no rosto e sai por aí conseguindo coisas. Estou falando daqueles dias em que a gente está radiante. Exemplo: outro dia fui ao Fórum e vi que tinha ganhado um agravo por unanimidade. A despeito de o cliente não me pagar, fiquei super feliz, orgulhosa do meu trabalho. Peguei o elevador com um sorriso que não cabia na cara. Pronto!!! O ascensorista só faltou me estender o tapete vermelho! (risos) Me levou pro andar que eu quis (não pode isso, lá os andares são previamente marcados) e ficou falando o tempo todo do meu sorriso. E quanto mais ele falava, mais feliz eu ficava! É um efeito cascata!
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Hoje estou muito, muito feliz!!! Saí irradiando sorrisos pela rua. Estou tão simpática que até me criticaram por isso! (risos) Mas não me incomodo não...
Não vou economizar sorrisos! Quero deixar esse sentimento bom invadir cada célula do meu corpo, quero rir tanto que chegarei a chorar, quero me afogar na felicidade que sinto agora. Depois? Ah, depois eu vejo...

Água fria

Meus salva-vidas favoritos vão me abandonar. O contrato da empresa pra quem eles prestam serviço expirou e... pimba! adeus moreno musculoso, adeus italianão (tipo Giovanni do volei, sabe? nos tempos de mocidade) esculpido com braçadas. Adeus elogios à beira da piscina. Adeus dicas de treino... Adeus momentos de descontração dessa moça que entrava muda e saía calada da piscina.
Brincadeiras à parte: fiz dois, não digo amigos, mas companheiros, que tornavam a minha ida à piscina mais gostosa. Eu costumava entrar mesmo muda e sair calada. Mal falava com alguém. Às vezes trocava um ou outro comentário sobre a temperatura da água, nada mais. Medo de ser abordada, de ser um mané, pentelho, sei lá.
Os meus amigos quebraram o gelo ao comentar que eu estava bem mais magra (7 kg de corticóide a menos fazem uma bruta diferença). E aí passei a ser mais amigável. Com eles, claro, mas também com todos ali.
Meus salva-vidas vão deixar saudades... Mas deixaram coisa boa como lembrança.
Um sorriso é sempre mais gostoso, né? ;-)

28 junho 2005

Improbabilidade Infinita

Como é que algo tão certo pode ser tão improvável?? Quais as chances de se conhecer alguém que encanta tanto, que te toca com uma suavidade incrível, que tem um olhar tão doce, e que vive do outro lado do mundo??? Quais as chances de se conhecer alguém com tamanha sintonia que um beijo desencadeia uma infinidade de sensações, e com quem o encontro é inesperado, mas pleno, simples, profundo, extasiante e sincero???
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Viver o aqui-agora. Carpe diem. Concentração plena no presente. A impermanência das coisas...
As palavras podem ser em páli, sânscrito ou latim... a sabedoria é universal. Sorver o momento até a última gota. É por isso que vale a pena.

26 junho 2005

A Revolta dos piercings

O piercing do meu umbigo conversa com o do nariz. Eu já andava desconfiada, mas agora tenho certeza. Vou contar e depois vcs me dão as suas opiniões:
Esses dias quase havia perdido o do umbigo. Pressionado pelas meias-calças que eu uso no inverno (mesmo por baixo da calça, para me proteger do frio que congela minhas pernas), numa manobra altamente arriscada, querendo livrar-se daquela situação sufocante que é viver no meio do nylon, a bolinha superior usou de toda a sua habilidade, desenroscou-se do restante do piercing, e atirou-se de uma altura incrivelmente alta para uma bolinha de piercing - cerca de 1000 cm - para o chão!!! Por sorte, no momento em que ela atingia o solo, eu percebi a ousadia e resgatei-a, incólume, para alívio do meu umbigo e do restante do piercing, que já iniciava movimentos igualmente suicidas.
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Dias depois...
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Estou eu finalizando o meu terceiro banho do dia (no inverno, tomo muitos banhos para me esquentar. no verão, para refrescar - sou meio maníaca por água - coisas de escorpiana) quando ouço um barulhinho... plic! O plic! era a bolinha do piercing indo se aventurar pelo ralo, nos esgotos da cidade de São Paulo. Tá, tá. Depressa arranquei o que restava do adereço, para que não fosse ele entupir mais um encanamento por aí. Conformada. Compra-se outro. Muda-se a cor da pedrinha. Pelo menos a gente dá uma variada no umbigo.
Me enxugo e vou finalmente passar a toalha no rosto. Esqueço que estou com a droga do piercing no nariz (que vcs podem achar nojento, mas não é não. a gente tem mania de achar que as coisas que saem do nosso corpo são nojentas, mas elas são simplesmente matéria orgânica, e ponto). A toalha (quero dizer, eu, manipulando a toalha) arranca com toda a força a droguinha minúscula do meu nariz. Rapidamente tento colocar de novo, já sabendo que o furo vai fechar em 0,25 s. Chego a ficar meio tonta na frente do espelho (não tenho 'medo' de sangue, mas quando é o meu... aí a coisa muda de figura). Não consigo de jeito nenhum. Desisto, tenho compromisso, preciso sair. Vai sem piercing mesmo. Vou ter que furar de novo... Furar de novo, prestem bem a atenção, como se fosse uma delícia a gente ficar furando o nariz sem anestesia toda hora.
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Agora, me digam se não parece, assim, uma revolta generalizada??? Será que é porque dizem que 'corta' a energia da gente??? Será mesmo coisa de corpo cansado de objetos metálicos atrapalhando a circulação??? Vai entender essas energias que andam por aí...

Os detalhes picantes da noite

Um mojito, dois amigos, vários chopps, um monte de jornalistas, um bar latinoamericano, gente descolada, muita risada, bois felizes, chineses felizes (foi a melhor da noite!!!!), frio, pessoas bonitas, mocinhas bem vestidas, cachecol, olhares felizes, um boxeador idiota, chopp, um jornalista de ONG, chopp (escuro), um boxeador idiota e sem noção, um banheiro bissexual, pessoas com identidade sexual indefinida, uma privada sem papel higiênico, pessoas que gostam de se beijar na boca porque está na moda,um boxeador idiota, sem noção e fumante, a conta por favor, vamos pra outro lugar?

Zombiemilia

Esses dias tô zumbi.
Tudo começou com o trabalho já referido nos posts abaixo. Virei a madruga escrevendo, emendei o dia, fui pra aula, almocei com a turma da aula e com o professor Chaves, que é uma figura ímpar, fui no Fórum, trabalhei, fui pra casa do meu tio, jantei lá, cheguei em casa depois de 36 horas acordada e aí pra dormir é aqueeeeeeeeela dificuldade, depois de tanto tempo ligadona na tomada.
Acordei à uma da tarde ontem e, não fosse a ótima noite que eu tive, em companhia de amigos, com direito a uma parada na Offner da 9 de julho às 2 della matina (solução pros desejos noturnos incontroláveis de doce!!!) pra se entupir de chocolate, o meu dia teria sido mesmo uma negação completa.
Hoje, mesma coisa. Acordei à 1 e não consegui fazer absolutamente nada que preste.
Acho que vou levar uma semana pra me recuperar desse jatlag...
E como vcs podem ver, isso se reflete na absoluta falta de criatividade para falar sobre qualquer coisa interessante aqui. O que tem sido uma constante, eu sei. Mas também, eu não posso ficar dando os detalhes picantes da noite, né?

23 junho 2005

GO

Estou parindo meu trabalho do Chaves, claro, a menos de 10 horas de entregá-lo.
Mas não é que me empolguei? Já deu até vontade de mudar o tema do mestrado!!!!!!!!

20 junho 2005

Mochileiro das Galáxias

Douglas Adams rules!!! Já havia lido os dois livros engraçadíssimos: o Mochileiro das Galáxias - Guia das Galáxias para Caronas e O Restaurante do Fim do Universo. Agora (claro, tava demorando) saiu o filme.
Bem, Zaphod Beeblebrox é um pouco diferente do que eu imaginava. Mas o filme é bom. É que o livro é muito mais engraçado. Ainda bem que não cometeram o erro (cometido em O Diário de Bridget Jones) de gastar todas as melhores piadas dos dois livros no primeiro filme. Porque tem uma cena do Arthur Dent pedindo um chá n'O Restaurante que é uma das coisas mais engraçadas que eu já li. Eu não canso, toda vez eu leio e rio de novo. E não, não tem essa piada no filme. Você pode achar que tem, mas é porque não leu o livro.
Nem vou contar quem são Zaphod, Arthur e Trillian porque 1) dá muito trabalho 2)sei lá, vai ler os livros!
Douglas Adams é a ficção científica non-sense total. Mais non-sense que MIB. Tem um robô deprimido, um gerador de improbabilidade infinita e um restaurante onde o fim do universo acontece pontualmente todos os dias para um público incrivelmente diverso, onde o Prato do Dia conversa com você, e onde você pode apreciar uma verdadeira dinamite pangaláctica. Que eu não vou contar o que é.
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Como diriam na MTV: desliga essa p*** e vai ler um livro!!!

Pílul(inh)as. Bem, nem tanto...

Quem viu Santo Forte ou já foi em terreiro de umbanda/candomblé (perdoem-me, eu não sei bem a diferença) sabe que quando o cara tá muito carregado ele chega no terreiro e começa a apanhar dos orixás (ou sei lá eu que entidades são).
Acho que se eu chegasse hoje num terreiro ia apanhar muito dos Santos e orixás.
Tô meio carregada.
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Bateram no meu carro hoje. Juro que não foi minha culpa. Eu vinha pela preferencial, um pouco apressada, é certo, atrasada - como sempre - para minha sessão semanal de terapia junguiana, quando o cara simplesmente enfiou o seu lindo Voyage (percebem que significa 'viagem' o nome do carro?) vermelho 82 no meu Celta 2004 azul, cujas prestações papi ainda paga todo mês, e quem nem meu direito ainda é - é alienado pro Banco GM.
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Enquanto preencho o meu Currículo Lattes (coisa chique, heim?) no sistema do CNPq, que é tão lento quanto o Orkut, vim aqui escrever umas pílulas pra meus fiéis leitores. Em vez de fazer o trabalho do Chaves que eu tenho que entregar na sexta-feira.
E ainda por cima hoje eu fiz uma ótima carne moída, com cenoura, tomate e berinjela, que eu comi com o arroz integral que eu mesma havia feito alguns dias atrás. Ando muito cozinheira ultimamente. Depois fiz máscara de lama na cara e hidratação no cabelo.
Espero que o Chaves leve isso em consideração quando for corrigir o meu trabalho...
Chaves sendo o professor Titular da Faculdade de Direito da USP, não o personagem daquele medonho programa de TV sbtino.
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A boneca sente saudades dos amigos e promete que quando passar o trabalho do Chaves vai pra balada com todo mundo.

14 junho 2005

Falta

- amigos (ou eu é que falto com eles?)
- tempo
- dinheiro
- homem
- sexo
- criatividade
- paciência
- meditação
- risadas

Acho que vou criar o FaltaZero, programa de refelicitação de Bonecasdepanoquepensamcomoumserhumano.
Mas acho que é mais fácil esperar acabar a TPM.

07 junho 2005

Curioso

Eu já sei quem vc é. Mas não é muito atento, pelo visto, porque eu já publiquei o post, e vc não percebeu... Depois me conta o que achou...

Veja multiuso

Sabe aqueles trapinhos, pedacinhos de lençol velho e esgarçado que vc usa pra limpar a casa? Estou me sentindo assim hoje......... Um pouco mais fisicamente, mas também mentalmente cansada.
Nem sei o que eu tô fazendo aqui na frente desse micro até agora. Cheguei em casa mais de oito da noite, depois de uma reunião de manhã, almoço no carro, uma ida (e volta) pra (de) Santos quase inútil, uma passada no Fórum Criminal, uma ida ao Carrefour abastecer o carro pra economizar 0,14 cents por litro de gasosa, uma passada no shopping pra pagar a fatura da C&A, uma tentativa frustrada de comprar uma bolsa preta nova, e uma passada na locadora pra devolver dois filmes (caaaaaaaarosssssssss. como a locadora está caaaaaaaaara...). Depois de comer nuggets (hmmmmmmm!!!!!) ao forno com abobrinha e arroz, fui levar o pobre Pixu pra passear, que ontem ficou em casa o dia inteiro chorando e quase me en-lou-que-ceu.
Mas estou aqui até agora, batendo um papo com o Calendas no msn, falando sobre tudo, como a gente sempre fala. E tentando criar forças pra mexer a minha bunda daqui e ir deitar. Ler. Dormir. Esquecer o trabalho, o mestrado, esquecer de tudo.
Peraí, deixeu tentar........ um, dois, três!!! Upa! Bem, acho que deu certo. Boa noite e beijos mil e uma utilidades pra todos os persistentes fãs desse bloguinho.

05 junho 2005

Santo Forte

Não, não vou falar de religião mais uma vez! Por enquanto, chega de budismo... Vamos falar de Eduardo Coutinho?
Se vc não sabe quem é Eduardo Coutinho, e se vc ainda acha que documentário é uma chatice... Seus problemas acabaram!
Vc TEM que assistir os filmes desse cara. Por enquanto, só vi dois. Mas ele é muito bom! Não dá pra explicar muito, só vendo mesmo, sabe? Os dois que eu vi: Santo Forte e Edifício Master. Tem também Peões (o último dele, sobre o Lula), Babilônia 2000 e Cabra marcado pra morrer. Que eu saiba.
Ele filma no Rio, os filmes têm sotaque meisxxxmo, não tem jeito, vc está no Rio de Janeiro. Mas podia ser na Bahia. Podia ser em Sampa. Podia ser aqui mesmo no seu condomínio.
Coutinho consegue descobrir nas pessoas desconhecidas - gente aparentemente sem graça -sentimentos, aventuras, ousadias: histórias, enfim, muitas, comoventes, engraçadas, histórias de vida.
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Sabe aquele seu vizinho com quem vc sempre quis conversar mas nunca teve coragem? Pois ele pode ter uma ótima história pra contar. Cria coragem, faz um bolo gostoso, interfona lá no ap dele, e chama pra um café ou um chá. Eduardo Coutinho faz a gente ficar com vontade de conhecer gente normal. Vc só precisa parar e ouvir.
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Quem quiser conferir crítica da Contracampo, revista eletrônica de cinema, sobre Edifício Master, clica aí no coloridinho.

As tigelinhas

Ainda da série 'meu retiro no zen', vejam bem o que é o ritual das tigelinhas zen, que é seguido rigorosamente nos mosteiros zen budistas TODO SANTO DIA: depois de oferecer um pouquinho de comida para o Bodhisatva protetor (Bodisatva seria o equivalente a um santo na Igreja Católica, no meu entender) daquele local, vamos todos pra mesa. Falamos algumas palavras sobre a refeição, sempre em tom meio cantado, e passamos a abrir as tigelinhas. São três tigelas de cerâmica branca, uma dentro da outra, uma bem maior, onde vai o prato principal, uma média e uma menorzinha. Na grande se come somente com colher, na do meio e na menor com hashi. As tigelinhas são envolvidas em dois guardanapos de pano, um branco, quadrado, menor, e um marrom (cor característica do zen budismo), maior e também quadrado.
Depois da solenidade de servir a refeição, em que um serve o outro e o que está sendo servido aguarda com as palmas unidas, e depois agradece a quem serviu, estando todos servidos, vamos comer. Somente após quase todos comerem ou a maioria, é que se pode repetir, e novamente, tudo pára, e uns servem aos outros, todos aguardam até que todos estejam servidos e só aí comem.
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Todo mundo comeu? Repetiu? Agora é a hora da verdade. Primeiro passa-se uma garrafa com chá, que pode variar: mate, hortelã, erva-doce. Despeja-se esse chá na tigela maior. Sim, isso mesmo, ainda com os restos de comida lá dentro. Bebe-se esse chá (sim, bebe-se). Depois vem a água quente. Despeja-se na tigela maior. Com um pequeno picles de nabo, meio esponjoso, mas crocante ao mastigar, esfregam-se as paredes da tigela grande, lavando tudo com a água quente. Inclusive a colher e o hashi. Estando devidamente esfregada a tigela grande, a água e o picles vão para a tigela do meio. Repete-se o ritual nessa e na tigela menor. No final, comemos o picles/esponja e derramamos a água quente num recipiente, para ser oferecida aos espíritos famintos.
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Vocês pensam que é só encenação, e que depois lava tudo com água e sabão??? Nananina, são 4 dias comendo nessas mesmas tigelinhas, lavadas só com água quente. Por isso, não pode pegar mais comida do que se agüenta comer, e como todo ritual de abrir e fechar as tigelas e de esperar todo mundo se servir e todo mundo comer, etc, demora muito, come-se rápido. Os paninhos são usados para secar as tigelas e depois guardá-las. Também não são lavados.
Fiquei pensando se algum dia aquilo já havia sido lavado na vida, quantas pessoas já tinham lambido aquela mesma colher e lavado somente com água quente... eca! Dizem até que, depois de um certo tempo, um bafo meio bleeaargh!!! sai das tigelinhas quando vc abre. Por sorte, não senti.
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No último dia, antes de ir embora, depois do último almoço e do último prato com arroz (o mais difícil é a papa de arroz no café da manhã.... cadê o mamão? eu me perguntava... e a granola??? e o suco de laranja???), lavamos as tigelas! Ufa, que alívio, heim?!

Caros amigos

Fiquei sabendo por uma grande amiga que esse humilde bloguinho recebeu novos visitantes nos últimos dias... e adorei a notícia! Embora esteja na maior correria, vou me esforçar pra produzir mais posts e mais interessantes pra agradar vcs! Voltem sempre! E deixem recadinhos (se quiserem) que a Boneca aqui fica feliz! O sistema de comentários desta joça já está funcionando, e em breve (quem sabe, em julho) o Emilianas vai mudar de casa: vai pro UOL, que tem templates melhores e dá pra mexer mais nas coisas... Não sumam, heim?

30 maio 2005

A lua do zen

A lua que fez no feriado, durante o retiro zen-budista, foi uma coisa fora de série. Mesmo eu, que sou do interiorrrrrrrrr, nunca tinho visto algo assim. Talvez porque nunca tenha acordado à 5 da matina num lugar completamente afastado da luz urbana, e talvez porque nunca tenha andado no meio do mato na madrugada, com aquele vento gelado cortando a cara.
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Antes de falar da lua, as estrelas, que chegavam antes, merecem destaque: o céu mais estrelado que eu já vi (sim, eu já fui a Brasília, mas era uma besta e não olhei para o céu); tinha estrelas até o chão! Uma coisa tão linda que a gente não conseguia parar de olhar. Olha ali, a via láctea... olha, lá vai uma estrela cadente!
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Agora sim, a lua. Lá pelas oito, nove da noite, quando a gente estava indo dormir, depois de jantar às cinco (!) da tarde, aparecia a lua. Quem olhou as estrelas, olhou; quem não olhou, bau bau, porque a luz da lua quase cheia era tão forte que apagava boa parte delas.
Nem de lanterna precisava pra andar no meio do mato depois que a lua saía. Noite fechada, mas o caminho iluminado, nem uma nuvem no céu. Às cinco da manhã era ainda mais impressionante: lá estava ela, lindona, plantada no teto da Terra, jogando luz e fazendo sombras na madrugada.
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Mesmo que eu não sofresse uma transformação cada vez que me fecho com meus fantasmas, minha mente e meu corpo, já teria valido a pena todo o esforço...só por causa desse céu e dessa lua.

Zen

Este feriado fiz um retiro zen. Estava quase enlouquecendo com tanta coisa pra fazer, tudo novo, tudo estressante. Eu, que já sou estressada por natureza, quase ando pirando com a quantidade de solicitações de clientes. Meu orientador, por sorte, é sossegado, senão eu já estaria mesmo louca.
O retiro do zen budismo é completamente diferente de todos os outros que eu já tinha feito. É cheio de ritual, pra comer tem ritual, pra sentar tem ritual, eu que achei que já sabia tudo de retiro, me enganei redondamente.
Tem que recitar sutras (ensinamentos do Buda) em japonês (!). Pra tudo vc faz reverência, seja com as mãos palma com palma (como em qualquer religião), seja com as mãos fechadas, uma cobrindo a outra, que nem cumprimento de karatê e judô, sabe como é?
A comida é um capítulo à parte. O monge Enjo não é japonês, é um belo rapaz brasileiro, Marc Stahel, filho de uma suíça com um descendente de alemães, que fala alemão e japonês fluentemente e foi ordenado monge no Japão, depois de um tempo de treinamento aqui no Br com a Monja Cohen - aquela famosa das caminhadas meditativas no parque da Aclimação. Bem, ele não é japonês, mas a esposa - sim, os monges e monjas do zen podem se casar, ele tem até um filho lindo - é. Myoko, além de esposa de Enjo, é a cozinheira do retiro. Apesar de ela cozinhar muito bem, experimente comer durante 4 dias só arroz, inclusive (sim!) no café da manhã... É dose.
Depois conto mais. O lugar é maravilhoso, vale a pena visitar, ao menos. É um pequeno templo na serra da Mantiqueira, com uma vista incrível. Fez um tempo maravilhoso, embora frio, um sol brilhante e um céu à noite que merece um post só pra isso.
Depois, durante a semana, eu conto o resto.
Estou inteira novamente. Não sei por quanto tempo.

Comentários, de novo

Deu pau de novo no programa de comentários. Lá vou eu ativar o sisteminha de comentários do blog, que é uma caca mesmo, mas é o que tem...

18 maio 2005

Rapidinha

Só pra deixar o Curioso com vontade... O texto auto-censurado falava sobre amigos que se transformam em algo mais. Eu estou repensando se vou publicar ou não. Talvez com alterações.
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Aos meus assíduos visitantes, prometo, prometo mesmo, que no final de semana publico alguma coisa nova. Tem muita coisa acontecendo na minha vidinha, em campos diversos, profissional, pessoal, e eu estou muito ocupada (não é 'metidez' não, é coisa de quem se mete a fazer 455 coisas ao mesmo tempo) e sem tempo para me dedicar à delícia que é escrever aqui. Refletir sobre as coisas. Nada que se compare ao blog divertidíssimo do Calendas, sempre criativo e com tiradas ótimas, mas uma coisa mais Emilia mesmo, um tanto devagar (sou meio lerda, já dizia a vaca da minha professora do pré-primário para a classe inteira em voz alta), mas é desse jeito que dá, né?
Estou em fase de arrumação interna e externa, mudando casa, mudando coisas, mudando minhas perspectivas e maneira de olhar as coisas.
Acho (de verdade) que estou virando adulta. Dizem por aí que eu já sou, mas tenho sérias dúvidas.
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É, a rapidinha não foi tão rapidinha assim, afinal... Acabo fazendo sempre com carinho.... Aí demora um pouco mais. Mas é sempre bom dar uma paradinha na hora do almoço, não? (risos)
Beijos emilianos a todos os que freqüentam e não desistem desse blog. Vou me esforçar para não decepcioná-los.

08 maio 2005

Não vá pra cama sem ele

Nesse último mês de abril, andei indo pra cama todas as noite com o João. Não, não, o João não é o meu vibrador (risos), como já andaram pensando por aí (ah, e antes que vc se pergunte: sim, eu tenho um. não um joão, um vibrador. joão não tenho nenhum, infelizmente).
O João é aquele, o Ubaldo Ribeiro. Antes de começar o 1984 (genial! adoro ficção científica!), li o Diário do Farol, livro do citado João, inteirinho. Olha, vou dizer, não é a obra prima dele não, mas é bom.
Como estou numa fase totalmente estudo da psicologia, o livro é um prato cheio. A história é de um psicopata, um cara que tem prazer ao torturar e manipular os outros, que é frio, calculista mesmo. Aquele estilo do João né? Já leram A Casa dos Budas Ditosos? Linguagem seca, vai direto ao assunto, sem pudor. João é isso. Xinga o leitor, diz que é ignorante, idiota mesmo. E vc quase sente aquilo como uma ofensa pessoal. O cara é mesmo muito bom.
Como vcs podem ver, a Boneca aqui, além de falar (culpa do Dr. Caramujo), também lê. Bastante. E recomenda. Recomenda ler de tudo, mas nesse caso recomenda especificamente o João antes de dormir. O livro, não o vibrador. Se bem que um vibrador também vai bem antes de dormir, né? Pensando bem, recomendo esse também...

Mãe só tem uma

Aproveitando que o Calendas botou no blog dele um post sobre mãe, aqui vou eu.
Cada vez mais me dá vontade de ser mãe. Nos dias de hoje, todavia, meio foda, não? A gente tem que trabalhar, fazer mestrado, arrumar a casa e ainda ser mãe.
Duro é começar mestrado tarde, como eu, e ter que decidir depois se vai fazer doutorado em seguida, se vai pra Europa, se fica por aqui, se tem filho antes e adia. Dureza...
Mas quanto mais vejo as crianças, de todas as idades, bebês, mais crescidinhos, no primeiro ano da escola, mais vontade me dá. De gerar, de amamentar. Ou de adotar mesmo. Ir lá no abrigo e conhecer aquela criança que te toca, com quem vc tem uma conexão diferente, e ficar com vontade de ter ela em sua casa, rindo e brincando, e de proporcionar pra ela uma vida legal, com amor, carinho, instrução, atenção e tudo o mais que ela não tem e que vc pode dar. E eu tenho tanto a oferecer!
É isso aí. Nesse dia das mães, data comercial, etc, aproveito para manifestar publicamente meu desejo de ser mãe, um dia. Que venham os pequenininhos para mudar a minha vida! (de preferência, acompanhados de um pai...)

Desculpaí

Tô trabalhando bastante (ainda bem!) e estudando menos do que deveria, por isso ando ausente. Por sorte ando viajando também, nos últimos 3 findes estive fora de SP, e isso tem sido muuuuuuuuito bom!
Esse fui pra Botucs para o Dia das Mães, meu irmão foi junto, peguei meu cão que havia ficado lá de 'férias' por duas semanas. Comprei um relógio pra minha mãe e espero conseguir pagar... Em 6 vezes no cartão!
É, 'degavarinho' tá indo. Fazendo umas economias aqui e outras ali, tô conseguindo gastar com outras coisas mais relevantes e pagar minhas contas. É dífícil, mas pelo menos não tenho chefe. Além disso, tô dando aula (foi ótima! essa quinta tem aula de novo!) e até prova já fizemos, eu e minha companheira novata no mestrado. Pena ter que corrigir agora todas as 50 (serão só 50???). Mas é tudo aprendizado, 'tamu aprendenu', né? E o melhor, aprendendo com supervisão de gente muito experiente (no caso, meu orientador).
Até agora, tá dando pra levar. Agora resolvi unir o útil ao agradável: já que estou trabalhando em casa e meu sofá tá uma merda, vou comprar um sofá. E uma mesa, pra não ter que perder tempo indo na casa do cliente. Assim, ele vem até mim. Eu fico com a casa arrumada, e ainda trabalho aqui. Enquanto der pra levar, tá bão.
Bem, entenderam minhas razões. Ok. Agora vou ver se escrevo alguma coisa que interesse de verdade (risos).

02 maio 2005

Confissões de uma boneca desvairada

Sim, Padre, eu pequei. Pequei duas vezes. Pequei porque publiquei coisa que não devia (bem, nada tão sério, mas...) E depois pequei de novo porque deletei (coisa grave, acho eu, mas não entendo muito de ética blogger). Acho que só o Calendas leu, né? Mais alguém, mais alguém?

Bem, isso sem contar os oooooooooutros pecados. Mas aí a lista é tão grande que é melhor nem começar... Agora deixeu ir que tá na hora da chibata. Licencinha..

Amigo(?)

Andei tendo umas revelações interessantes sobre a amizade inter-sexo nos últimos tempos. Um belo dia (quer dizer, uma bela noite) deparei-me com um queridíssimo amigo me dizendo que, ao contrário do que eu imaginava, o beijo que me dera numa festa na faculdade, anos atrás, não era pra me provocar (algo como um tapa na cara - foi o que eu pensei).
Sempre tive muito claro que determinados amigos nunca haviam me olhado com outros olhos, e nunca imaginei pudessem ter algum interesse por mim que não fosse a pura troca de idéias. Ou, se imaginei, fingi que não vi. Mas nunca havia pensado nisso até o final do ano passado, quando essas coisas começaram a acontecer. Esses dias aconteceu de novo.
Descobri que amigos podem querer trocar algo além de idéias, carinho e abraços. Beijos. Lambidas. Talvez (muito provavelmente) algo além.
São pessoas por quem vc já tem afeto, já tem muito carinho, tem saudade, sente falta, quer abraçar, quer pegar. Daí, pra ultrapassar a linha que separa isso tudo do tesão... é 'dois palito' (adoro essa expressão).
Especialmente em momentos de carência, dá uma vontade de ligar praquela pessoa que vc conhece tão bem, e dizer, 'vem pra cá, fica comigo', porque vc sabe que vai ser bom. Vc sabe que ali tem conforto, tem cafuné, tem carícias e mesuras de amigo macho pra amiga fêmea. Ali tem aquele elogio gostoso, tem a voz suave e carinhosa, olhar desprendido. Mas tem um homem também.
Ai gente, que que a gente faz com isso??? Que medo de estragar as coisas! De macular o que se insinua e, por ser exatamente assim, é tão bom! De não ter mais aquele interesse desinteressado de amigo. De transformar o que é saudável, gostoso, divertido, em ciúme, paixãozinha medíocre...

Natação

Depois de 10 anos afastada das piscinas, do cheiro de cloro que contamina a pele, do silêncio da submersão e do mergulho e da delícia de deslizar na água rapidamente (quantas vezes, em sonhos, não nadei em pleno ar, na calçada, entre as pessoas, para chegar mais rápido!), voltei.
Há 4 meses retomei o único esporte em que me sinto bem. A água é meu meio natural; desenvolta, faço piruetas e abuso da bóia e da prancha para modelar braços e pernas sem a agressão de uma sessão de musculação.
Além desses prazeres, todavia, sempre tive outros na piscina. Não, não é isso que vc está pensando não, embora tenha relação com. É que já comecei e terminei namoro entre as raias, entre uma virada e outra. Uma chegada de costas aqui, um sorriso ali, e eu e Pedro, meu doce namorado adolescente, nos apaixonamos.
Se agora não tenho mais paixões juvenis, outro tipo de prazer, ao menos, me permito. Além da beleza de alguns outros nadadores 'autônomos' como eu, tenho a alegria de admirar os dois belos salva-vidas do turno da tarde/noite.
O negócio é que além de simpáticos, eles são muito gostosos. E me elogiam pra caramba, porque me viram no auge do inchaço do corticóide e aí de novo só agora, 7 kg de água e 6 de gordura a menos - e todo mundo sabe que esta Boneca adora um elogio. Me ajudam com meu treino, me dão dicas... Uma beleza.........
Olha, vou falar, não vou lá por isso não, mas que é um bom motivo a mais pra ir nadar em dias de frio, lá isso é, não? Quem nunca olhou a professora gostosa da academia que atire a primeira pedra.

27 abril 2005

Por quê?

Que quando eu fico tensa, em vez de parar de comer, eu ingiro calorias feito uma louca? Porque é que eu não posso ser como o meu irmão, que em períodos de tensão emagrece?
Porque a impressora está imprimindo a minha transparência em tinta VERDE?????
Porque é que eu nunca consegui aprender direito as regras gramaticais dos porquês?
Porque é que eu estou aqui escrevendo em vez de ler pela 5ª vez o texto que vou apresentar amanhã na aula?
Porque é que eu parei de meditar faz uns 2 meses?
Porque é que eu estou indo cada vez menos nadar?
Porque eu demoro tanto tempo pra mandar lavar minhas roupas no tintureiro? (essa eu sei, tia! tiaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!! posso responder?????? porque é muuuuuuuuuito caro!)
De onde viemos? Para onde vamos? Aimeudeusdocéu, agora tá ficando muito complicado, boa noite, vou estudar pra minha aula de estréia amanhã. Tchauprocês.

26 abril 2005

Comidas de roça

Comidinhas de roça que fazem a gente se sentir feliz e no aconchego: banana cozida com açúcar e canela; bolinho de chuva (mas não esses daqui que faz com massa de sonho, daqueles bem levinhos, com açúcar e canela também); bolo de fubá; sonho com recheio de goiabada (só tem no interior); mingau; papa de frango desfiado com maizena, azeitona e palmito; arroz doce; canjica.

Percebeu que é quase tudo doce?

Comida e aconchego

Num dia cinzento, frio e ventando como o de hoje, o 'arroz com feijão' é a comida mais reconfortante que existe. Coisa mais deliciosa um arrozinho quente, branquinho (o integral que me perdoe, mas no quesito conforto o arroz branco é imbatível) e levemente temperado. O feijãozinho carioca (do marrom mesmo) muito quente, nem muito ralo, nem muito grosso, com alho e um toque de sabor do bacon (os vegetarianos que me perdoem, mas no quesito sabor do feijão o bacon é imbatível) torna a combinação superior.
Mais do que qualquer sopa ou mingau, o 'arroz com feijão' tem a propriedade de levar a gente de volta pra casa. Parece que a gente se enfia debaixo do cobertor, onde estamos protegidos de tudo e não precisamos tomar decisões sobre nada nem nos preocupar com contas a pagar.
Em dias de 'arroz com feijão', devia ser proibido a gente ir trabalhar logo depois do almoço. A gente iria pra cama logo depois, tiraria uma soneca beeeeeeeeem gostosa e demorada e só depois, por volta das 15 ou 16h, tomaria um café quentinho de coador e voltaria pro batente. Só assim daríamos ao 'arroz com feijão' a oportunidade de surtir todos os seus efeitos benéficos sobre o corpo e a alma da gente.
Acho que o arroz com feijão leva a gente de volta pro útero (Melanie Klein explica!).

22 abril 2005

esqueci!

Tem dias que a noite é foda.
Que a gente tranca a chave dentro do carro sem querer e paga ‘20 real’ pro chaveiro usar uma técnica avançadíssima de furto de veículos para abrir a sua porta.
Que a gente esquece a chama do fogão acesa de manhã e leva um susto quando chega em casa à noite - ‘nossa, e se tivesse apagado a chama com o vento?’
Que a gente espera horas passar os carros pra fazer aquela manobra e quando, finalmente, faz a manobra, acerta em cheio a porta do carro que vinha, mas a gente não viu.
Que a gente esquece a chave pra fora da porta, e só percebe no dia seguinte de manhã.


Tudo isso aí já aconteceu comigo. E com você?

21 abril 2005

De novo a Hora Mágica?

Pois então, ela mesma. Tema já abordado nos primeiros dias deste bloguinho...
É que hoje estava vindo pra Botucatu pela Castelo, finalzinho da tarde. E fez um pôr-do-sol tão lindo que deu vontade de contar.
À direita, o solzão enorme, muito vermelho, uma bola de fogo mesmo, colorindo o céu de laranja. À esquerda, uma bela nuvem, fofa e cinza, mas branquinha nas bordas, que faziam ondas no céu. Essas bordas branquinhas recebiam a luminosidade direta do sol, luz de entardecer muito clara e fresca.
A noite foi caindo, e um azul mais escuro começou a tomar conta de tudo. Mas na beiradinha do chão ainda era alaranjado, meio misturado com a poeira que cobre o centro-oeste nessa época seca do ano. Sobraram ainda uns raios cor-de-rosa, brotando do horizonte, como naqueles desenhos do divino - parece mesmo que é deus falando com a gente.
Por fim, aquele azul, profundo e, no entanto, luminoso... Eu não sei bem classificar que cor é essa, que toma o céu e faz um painel que emoldura as silhuetas de todas as coisas: árvores, passarinhos num vôo curto, casas ao longe, uma luzes já acesas, Vênus no céu brilhando solitário. Só sei que me dá vontade de chorar de beleza.

18 abril 2005

que puxa...

As pessoas continuam visitando meu blog que anda cada vez menos inspirado. Puxa, obrigada, mesmo mesmo!
Eu bem que to tentando achar algo que possa interessar, mas sei lá. Vi outro filme, daqueles ruins mesmo, Sweet November. É ruim, mas chorei. Bem, todo mundo já sabe que eu choro muito.
Mas me inspirou, eu que estou num momento crítico do cabelo, aquela fase que não tá comprido ainda mas não está mais curto, enfim, horrível. E a Charlize Theron é maravilhosa, com aquele cabelo curtinho (ela é das minhas, tá sempre curto), e tão linda, tão delicada. Acho que vou cortar. Vai combinar com meu novo piercing. E com meu estilo romântico de vestir.
E no entanto, romântica pra dedéu, segundo um amigo, eu sou uma cavala. Esta semana fiz uma coisa que me fez parar pra pensar seriamente sobre isso. Serei mesmo uma? Bem, ou ele é meu único amigo sincero, ou nós temos sérios problemas de relacionamento.
Ah, vai entender a cabeça da gente, né? Por isso estou estudando psicologia, quem sabe Freud me ajuda a me entender? Jung, amiguinho, talvez?
Porque me enfio na cama quando não quero enfrentar algo? Por quê, aos 28 anos de idade, eu ainda falto na aula porque o Professor vai perguntar sobre o texto e eu não vou saber responder?
Ah, tô com sono, outra hora eu respondo, tá? Complicado demais, tá louco meu!

(esse post foi produzido com base na livre associação)

14 abril 2005

Ómi que é ómi...

Sempre vetei pizzas de 4 queijos por conter o malfadado queijo gorgonzola, de sabor super forte, marcante e, ao meu ver, meio enjoado, com um cheiro estranho, que traz reminiscências de outros cheiros não muito agradáveis (eca!). Até o nome é estranho, não?
Meu amigo sempre reclamou (aliás, em se tratando de pizza, existe mesmo um poder de veto, cuja legitimidade ninguém contesta - acho isso bastante curioso). Quando saíamos em grupo, éramos sempre, eu e uma amiga, a vetar o gorgonzola. O que o levava a concluir (espero não estar enganada), que mulher não gosta de queijo gorgonzola.
Bem, outro dia fui a Botucatu e meu pai, como sempre, comprou diversos tipos de frios (queijos e embutidos ótimos como salame, mortadela) para agradar seus filhinhos.
E comprou o fatídico queijo fedido, entre outros gostosos, como parmesão, provolone e um outro francês cujo nome não me recordo.
Bem, ainda bem que a gente cresce, né? E que aprende a gostar de coisas que não gostava antes. O tal queijo tava ótimo. "Despreconceituei".
Este finde, voltando da livraria, onde comprei alguns livros e revistas, passei no Pão de Açúcar, comprei um pedaço de gorgonzola (o nome continua feio, todavia) e de provolone, um vinhozinho razoável (sempre, no máximo, de 20 reais, mas nunca menos de 10 - há que se ter algum critério!), e fiz, eu comigo mesma, meu próprio "queijo e vinho" no domingo à noite, ao som do silêncio da cidade, acompanhada de meu fiel canino e de minhas desejadas aquisições para alimentar o cérebro. Foi bom demais.

12 abril 2005

Viver e morrer

Tema recorrente nas minhas meditações, sejam elas budistas ou meras especulações sobre temas diversos, esse da morte. E hoje vi um filme na TV, feito pra TV, com a excelente Emma Thompson e dirigido pelo Mike Nichols, o mesmo de Closer.
O filme se chama Wit, e conta a história de uma professora universitária de poesia do séc. XVII, durona, daquelas que não admite falhas nos alunos, e seu processo de degradação e morte por câncer de ovário.
O desempenho de Emma Thompson é simplesmente sensacional. É difícil acreditar que ela não esteja mesmo sofrendo. E o filme ainda tem um quê irônico, porque ela fala pra câmera, conversa com a câmera, ao mesmo tempo em que vamos presenciando a maneira, no mais das vezes, estúpida, com que é tratada por médicos durante o doloroso processo de quimioterapia.
É claro que isso a faz rever a maneira como tratava seus alunos. Seu jeito durão provavelmente afastou todas as amizades e afetos de sua vida, pois não recebe visita alguma no hospital, durante os mais de 8 meses que dura o tratamento. No final, tudo que lhe resta são suas memórias e o carinho da enfermeira que a ampara quando, atemorizada, insegura, chora e se curva na cama feito um bebê.
Faz pensar na fragilidade da condição de ser vivente (não só humano), na maneira besta como podemos morrer, tomando um caldo de cana, atravessando a rua. A conclusão a que chego: pra que se estressar, não? Pena que é tão difícil... pelo menos pra mim!

suuuuuuuuuuper educativo

Vi num programete que passa de manhã no SBT: dois adolescentes muuuuuuuito ruins de interpretação liam uma "historinha educativa" (imagino eu) para os telespectadores mirins:

- "ah, meu filho, vc não sabia que os animais domésticos existem para servir o homem?"
- "nossa, é mesmo, mamãe?"
- "sim! veja as vaquinhas na fazenda, e as galinhas que cantam enquanto botam seus ovinhos, todos esses animais existem para ajudar o homem".

e essas bostas ainda são concessionárias de serviço público. devia ser proibido ter programa infantil em qualquer outro canal aberto que não seja a Cultura.

05 abril 2005

o homem que só come filé

Um dia, por acaso, fui com um amigo no supermercado. Paramos no setor de carnes. Ele pediu uma peça de filé ao açougueiro.
Açougueiro -'1kg e 700g. pode embrulhar?'
Amigo - 'não, é pra moer'.
Emilia - '!!!!!!!!!!!!!!!!'
E - 'vc tá louco? vc compra filé mignon pra moer? por que que vc não compra patinho?'
Am - 'ah, sei lá, já to acostumado'.
E - 'mas vai moer!!! fica tudo igual! lógico que se vc compra uma carne de segunda, ela tem mais gordura, mas o patinho custa metade do preço do filé e o resultado é igual! eu não acredito que vc compra filé mignon pra moer!!!'
Naquele dia, ele comprou o patinho.
Um tempo depois... lá estava o pacote da Bassi, com um lindo filé moído, pronto pra ir pra frigideira.
Não sou da turma que diz: 'ah, tanta gente passando fome, e vc comendo filé!'. Mas é que eu acho que isso é realmente jogar dinheiro fora. Queimar notinhas de 100. Enfim... cada um, cada um.

Luto oficial "incomoda" franceses

DA ASSOCIATED PRESS A decisão do governo francês de determinar que as bandeiras permanecessem hasteadas por 24 horas a meio pau, em razão da morte de João Paulo 2º, recebeu críticas de setores que vêem na medida uma ameaça à separação entre a igreja e o Estado."A República Francesa não deve descer a esse nível", disse o senador socialista Michel Charasse. Ele indagou se a mesma decisão seria adotada caso o morto a ser homenageado fosse o dalai-lama.O prefeito comunista de Aniane, cidadezinha do sul da França, recusou-se a abaixar as bandeiras, em nome da secularidade das instituições.O cardeal de Marselha, Bernard Panafieu, disse apoiar com ardor o secularidade, mas afirmou que a determinação oficial sinalizava algo que transcende ideologias e fronteiras, já que o papa foi um homem da paz e da reconciliação.Em entrevista na TV, Christophe Girard, prefeito-adjunto de Paris, disse estar incomodado com a medida, já que a França não é oficialmente católica, muçulmana ou de outro credo.O fato de o presidente Jacques Chirac participar no próximo domingo de uma missa em Notre Dame, em homenagem ao papa morto, também provocou reservas e críticas abertas.A França é um país predominantemente católico, embora tenha também as populações mais numerosas na Europa de judeus e muçulmanos.
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Bom saber que não estou sozinha.

(publicado na Folha de SP em 05/04/05)

04 abril 2005

Pessoa horrível, mês horrível

Se depender do meu horóscopo, divulgado no uol, o meu mês de abril será mesmo um horror. Terei problemas no trabalho (não que eu tenha muito trabalho). No amor (não que eu tenha um amor). Com dinheiro (não que eu tenha dinheiro). É, afinal... acho que não terei problema algum.

03 abril 2005

Sarcasmo tem hora

Engraçado como não consigo me emocionar com esse negócio do Papa? O Calendas até postou aquela foto toda teatral dele (muito bonita, não vou negar), com a capa voando, e muitas mocinhas emocionadas deixaram recados igualmente emocionados a respeito do fato. Mas eu não consigo. Se deixasse um recado, ia ser sarcástico... melhor não.
Não, eu não sou de pedra. Eu choro até em comercial de carro, juro. Choro em desenho animado. Me emociono com crianças, animais, velhinhos, vitórias no esporte, etc. Mas com a morte do Papa... não consigo. Acho que não tenho nenhuma ligação afetiva com grandes líderes populares. Talvez eu seja racional demais pra isso. Sei lá.
Fico penalizada, claro, afinal ele foi bravo, e era forte, pois resistiu anos à doença, com altos e baixos, mas sempre lá. Mas isso é tudo.
Aliás, começo a ficar já enfadada com o excesso de cobertura. Milhares de biografias do Papa na TV. Imagens em câmera lenta ao som de música melancólica. Willian Bonner insuportavelmente circunspecto. Aquele circo todo da mídia. E serão mais dias e dias de replays.
Ainda bem que no Mais! deu pra ter uma idéia direito das coisas boas e ruins que ele fez. Porque se depender da Globo...
Então, não vamos canonizar o Papa antes da hora, OK? Esperemos os milagres. Ele era bom?, sim, era bom. Foi um bom líder?, sim, um bom líder. Importante, culto, inteligente, forte, bravo. Mas era humano, tinha falhas.
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Será que quando o Dalai Lama morrer o Lula também decreta luto oficial?
Por quê num canal católico que passa aqui botam Cadetes fardados do Exército pra rezar o terço na frente da TV? Afinal, que porra de Estado laico é esse?
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São apenas observações, antes que me 'xinguem' de cética ou algo assim, como já o fui, em blogs alheios.
É, acho que sou mesmo uma pedra, uma cética, que coisa horrível, não?

30 março 2005

Mas tem cura, doutor?

Continuo muito desanimada quanto à minha capacidade de negociar. Ontem tive uma audiência horrível, com um advogado horrível e tosco do outro lado da mesa. Tudo bem que ele fechou completamente as portas a qualquer tipo de negociação, com as suas grosserias e sua sapiência. Mas me sinto impotente diante de gente assim. Não gosto de me sentir impotente.
Essa sensação de impotência vem em vários momentos, e hoje até me incomoda menos. Quando alguma coisa não dá certo, nós, pessoas que nos cobramos muito, achamos que é tudo nossa culpa, e ficamos revendo a situação e nos martirizando: podia ter dito isso, devia ter feito aquilo.
Mas nem sempre isso é possível, na maior parte das vezes não é. Porque nem tudo está nas nossas mãos. Negociar com quem não negocia é impossível. Namorar com quem não quer te namorar também é. E isso não depende do maior ou menor esforço que vc tenha feito, mas depende do outro.
Achar que temos que resolver tudo não é expressão de humildade, mas sim de uma pretensa onipotência, que resulta em muita culpa e horas de terapia (ou, mais barato, de meditação - mas o ideal é meditar sempre, e não deixar que esses sentimentos tomem conta de vc - ajuda a raciocinar com mais clareza e, talvez, até te ajude a resolver melhor as coisas).
Reconhecer que não podemos resolver tudo não é abaixar a cabeça ou se humilhar, e sim reconhecer a nossa própria condição de humanos, falíveis e limitados. Lutar pelo que é possível, e se conformar com o que não é.

27 março 2005


Mais Xulão, com olhar sério e desconfiado

Vejam novas fotos do Xulão, gentilmente cedidas pela Bia, a mocinha que ele idolatra e que cuida dele de vez em quando pra mim...

Budista à Indiana

Hoje finalmente realizei desejo adiado por anos: coloquei um piercing no nariz. Não se assustem, não é uma argola de touro, nem é no septo. É um brilhantezinho. Bem pequenininho; não como as indianas, porque elas usam umas jóias enormes, às vezes.
Aliás, acho que me apaixonei pela idéia pela primeira vez quando vi um balé indiano no Sesc, da coreógrafa e bailarina Madhavi Mudgal. As moças tão lindas, tudo é lindo, as tatuagens de henna, os olhos pintados, os chocalhinhos nos tornozelos, as roupas coloridas, os movimentos das mãos. E o piercing.
Desde então, fiquei com a idéia fixa na cabeça. Ah, mas e a advocacia? Será que eu posso? Não vão me olhar torto no Fórum?
No começo, os piercings de nariz eram muito grandes. Mas depois foram diminuindo, até que viraram minúsculas bolinhas ou pedrinhas, tem gente que nem nota. Resolvi, vou colocar.
Mas estava adiando. Falta de grana. Muitas outras coisas mais importantes pra comprar. Mas tenho que fazer limpeza de pele antes. Ih, tenho que ficar sem nadar uns 15 dias.
Foda-se. A falta de grana, as coisas mais importantes, a natação. Vou me dar um presente.
E fui. Se doeu? Claro! Mas a dor dura muito pouco. Tá incomodando? Lógico que sim. Mas tá super legal! Agora, aquela tatuagem... já não sei mais se, um dia, ainda, terei coragem.

Voltaram os comentários

Tell me, xuxu: voltaram os comentários. Mó bagunça, cara!!!

25 março 2005


A legenda diz: 'o ministério da saúde (?) adverte que fumar é uma causa freqüente de potencial desperdiçado e arrependimento fatal'.

Já que eu to sem imaginação pra escrever esses dias... aí vão mais anúncios da Adbusters.

Comentários?

O que aconteceu com o programinha de comentários que eu usava no blog? Não sei. Por enquanto, vou habilitar o sistema próprio do blogger, que é meio ruim mas pelo menos permite que as pessoas comentem. Espero não ter perdido todas as preciosas observações dos amigos...
E, bem, o meu silêncio de posts deve-se a uma temporária incapacidade de pensar.

23 março 2005


O endereço da Adbusters é http://adbusters.org/home/

Vejam algumas fotos do site da Adbusters, que eu mencionei no post abaixo (Reclaim the Streets!)

777 visitas no meu blog

ah, esses números emblemáticos...

22 março 2005

Reclaim the Streets!

Livro que peguei emprestado do papi, como quase 90% dos livros que eu li/leio (será a maior herança de papi para seus filhos - toc, toc, toc, que demore muito mesmo, credo - a biblioteca com mais de mil volumes, objeto certo de disputas acirradíssimas no inventário): 'No Logo' (Sem Logo). A autora é Naomi Klein (não confundir com Melanie Klein, aquela do Freud, do peito, etc), canadense que foi pesquisar sobre o poder das grandes corporações sobre o emprego e outras coisas.
Olha, não é coisa de 'comunista' não. O livro é MUITO bom.
Tem um capítulo, no qual estou agora, que fala sobre os 'culture jammers', que são caras que fazem pichações, protestos, modificam outdoors, como uma maneira de protestar contra as grandes corporações. Eles escolhem uma campanha de carro que não gostam, por ex, e promovem uma ação coletiva, em que vão pichando os outdoors e transformando as campanhas em coisas ridículas ou horríveis.
Gostaria de ver isso aqui no Brasil um dia... Há até uma revista especializada nisso, chamada 'Adbusters'.
Tem também um movimento chamado 'reclaim the streets' (clique para ver o site), que eu não sei se já teve no Brasil (começou na Inglaterra, claro). Os caras marcam um dia pela internet. Nesse dia, milhares, eu disse milhares de pessoas se encontram numa hora e local x. De lá, partem para um lugar que só 4 ou 5 pessoas sabem qual será. Algumas vezes, são precedidos por hordas de ciclistas, cujo lema é 'nós não estamos atrapalhando o trânsito, nós SOMOS o trânsito'. Tomam a rua, de preferência uma avenida expressa, e fazem uma FESTA!!!
Que tal uma festinha em plena terça feira à tarde na, digamos, 23 de maio???

21 março 2005

'Seu tempo de espera é de mais de 5 minutos'

Tudo bem, eu também tenho telefone de telemarketing, eu tenho paciência. Eu espero até meia hora se precisar. Enquanto vc toca essa música horrível com propaganda na minha orelha, eu abaixo o volume do fone e continuo trabalhando, digitando aqui no meu micro que nem vcs digitam aí. Eu sou persistente. E quando eu perder a paciência de uma vez, eu ligo urrando desde o começo e ameaçando acionar o Procon e mandando chamar o seu chefe, porque HOJE vcs vão resolver essa porra pra mim. Ok?

20 março 2005

'Pode cortar curto'

Já reparou que depois que a gente cresce começa a ter vontades de adulto? 'Quero um sofá macio e aconchegante, xicrinhas bonitinhas pra servir café pras visitas, tacinhas diferentes pro licor, um quadro na parede, um armário decente no banheiro'. Vc não agüenta mais mesmo olhar praquele terrível sofá improvisado há quase 10 anos, que desmorona cada vez que se passam mais de 5 minutos em cima dele. Vc quer ter o seu LAR.
Pois hoje acompanhei uma amiga em busca do lar. Fomos a Embu, sobrenome 'das Artes' (acho tão esquisito), escolher móveis. Aproveitei pra realizar pequenos sonhos de consumo pra casa, como um pilãozinho para o alho. Comprei também um novo passante pra debaixo da pia da cozinha. Um pequeno puff, daqueles de apoiar o pé. Uma linda e laranja luva de cozinha e um paninho de prato novo completaram meu 'kit casa até deis real'.
Descobrimos que puff não é um negócio tão bom quanto se imagina. Eu já estava decidida a trocar meu sofá desmoronante por um puff dois lugares, que custa 60 reais - e não 1000, como um sofá de verdade. Aí nos avisaram que precisa repor constantemente o enchimento, porque o puff fica desmilingüido em, no máximo, 2 meses. Eu, que não tenho saco nem pra deixar meu cabelo crescer, vou ficar trocando enchimento de puff? E o sonho do lar-doce-lar coroado por um lindo sofá-puff foi-se pelo ralo.
Recomendo o Embu pras donas e donos de casa que podem ou não gastar fortunas pra arrumar o lar. Dá pra fazer comprinhas pequenas, gastar muito pouco, mudar a cara da sua casa e ainda sair radiante porque pagou metade do preço de qualquer loja de decoração em SP.

17 março 2005

"Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será."


Carlos Drummond de Andrade 'Não se mate'

Mudanças

Acho que vi num filme há certo tempo que a mulher se casa pensando que o homem vai mudar, e ele não muda, e o homem se casa pensando que a mulher não vai mudar, e ela muda. As mulheres têm mania de querer mudar os homens.
Mas e quando a gente não quer mudar? E quando não, ele não é perfeito, claro, mas vc gosta dele mesmo assim? E quando a gente logo conhece os defeitos e, sim, eles existem, mas as qualidades são mais interessantes?
Não estamos acostumados com isso, quero dizer, com relacionamentos tranqüilos, sem tumulto. Aliás, há quem precise desses processos meio neuróticos pra se sentir valorizado. Um amigo me contou há um tempo que todos os namoros dele foram precedidos por longos períodos conflituosos, em que a moça não o queria ou vice-versa, ou em que havia muitas indas e vindas. Sinceramente, acho isso uma merda.
Mas se as coisas são mais tranqüilas, às vezes podemos confundir e achar que há alguma coisa errada. Não há. Sente, medite, relaxe, tome um banho quente, passe um óleo perfumado, acenda um incenso, faça yoga, nade, corra, trabalhe, viaje, transe (ou não), vá ao cinema, jante fora, passeie com o cachorro. Tranqüilize-se, e deixe, que as coisas se colocam nos seus devidos lugares.

16 março 2005

Tempo

Não é ruim. Depois do medo inicial de fazer uma matéria que não tem nada a ver com o que eu gosto, que se dissipou após a primeira aula, as coisas agora deram uma assentada. Sabe quando tudo está andando nos eixos? Vc está fazendo o que deve fazer, tudo direitinho. Vc trabalha, estuda, faz exercício, passeia com o cachorro, cuida da beleza, namora, se diverte. É uma fase de equilíbrio. Não é ruim, mas é estranha.
Um amigo esses dias reclamou que, depois do seu primeiro ano de pós-graduação, que foi um stress, com o perdão da palavra, do caralho, pois o curso é de nível internacional, agora não tem nada pra fazer e está desmotivado e desanimado e achando tudo um saco. Ano passado ele arrancava os cabelos porque não tinha tempo nem pra respirar. Esse ano, reclama do marasmo.
Acho que a gente sente falta de um pouco de adrenalina na veia. Não que esteja tudo super calmo, não... Eu preciso começar minha pesquisa. Estou aflita porque nunca fiz isso e não sei se estou fazendo a coisa certa. Mas estou com tempo suficiente para fazer tudo o que eu preciso. Sem afobação. Isso é estranho. Estou acostumada com extremos, sabe? Ou não faço quase nada, ou não tenho tempo pra nada. Acho que cheguei num meio termo excelente.
Melhor aproveitar enquanto dura...

15 março 2005

Os vegetarianos também matam

Pois não é que o monge não acabou, mas ao menos amenizou, (com) um dilema que me afligia? Ser ou não ser vegetariana, eis a 'questã'.
Antes de fazermos a cerimoniazinha de iniciação ao budismo (veja os posts de 05 a 12 de fevereiro - Carnaval - se vc não sabe do que eu estou falando), o monge explicou alguns preceitos mais polêmicos. Um deles é o do abster-se de matar. As pessoas muita vezes deixam de fazer a cerimônia porque acham que devem virar vegetarianas.
Para nossa surpresa, ele disse que a maioria dos monges budistas NÃO é vegetariana.
E mais: lembrou-nos que, mesmo comendo só vegetais, estamos também matando seres vivos. Muitos insetos morrem no processo de cultivo e colheita de vegetais. Ainda que vc coma produtos orgânicos, que não levam agrotóxico e, portanto, matam menos, mesmo assim milhares de insetos morreram naquele processo. E a colheita daquela soja que se usa pra fazer imitação de carne, então?
Aliás, há uma passagem da vida do Buda que descreve a compaixão que ele teve, ainda criança, ao ver os pequenos insetos sofrendo na colheita.
É claro que os mamíferos e animais maiores, domesticados, principalmente, como o boi, o frango, etc, inspiram nossa piedade mais do que aquela barata nojenta ou a lagarta rastejante. Eles interagem conosco, olham-nos nos olhos, não tem como não sentir.
Mas me consola saber que não sou só eu que mato. Os 'veggies' e 'vegans' também matam.
E eu, que não resisto a uma picanha (pobre boizinho!) de vez em quando, e que como regularmente frango (pobres!) e peixe (pobres!), me sinto um pouco menos culpada.

Atleta Emilia

Dois médicos me disseram que estou com freqüência cardíaca de atleta. O melhor foi o segundo, que me disse isso durante um ecodopplercardiograma colorido (sabem o que é? um nome bonito pra ultra-som do coração). O detalhe: além de cardiologista, ele é corredor.
Isso com certeza se deve, em parte, à minha volta à natação e à caminhada já há 2 meses. Mas parte dessa freqüência maravilhosa tem sua origem na meditação.
Já tem pesquisas comprovando que a prática regular da meditação diminui a freqüência cardíaca. Já tinha lido sobre isso, mas agora comprovei na prática!
Estou super feliz, orgulhosa de mim mesma e do meu coraçãozinho vencedor.
As pessoas têm repercutido essa minha nova disposição para a vida e, é claro, a recuperação da minha forma física, tão maltratada no ano passado.
Isso faz um bem desgraçado pro ego, não vou negar. E o mais importante efeito colateral: estimula vc a continuar.
Não quero parar mais!

14 março 2005

Manhattan

Adoro Woody Allen. Tá certo, eu fiquei meio decepcionada com o último dele, Igual a tudo na vida, ou Anything else, no original. Mas ele em geral é ótimo. Adoro o humor psicanalítico, a gagueira, o jeito totalmente gauche de ser, adorável.
Hoje assisti Manhattan, em vídeo. É simplesmente lindo. Lindo de morrer. NY já era personagem dos filmes do diretor muito antes de Sex and the City. E ele continua saindo com moças inacreditáveis, muito mais novas e apaixonadíssimas por ele.
Até eu já sonhei que namorava com ele (ele morava aqui em SP), embora realmente não veja nada de especial, fisicamente falando.
Mas quando o Kenneth Branagh praticamente encarnou o diretor, numa versão mais malhada e indiscutivelmente mais bonita que Woody, simplesmente achei um fofo. Mesmo com Kenneth meio curvado e gaguejando até morrer, mexendo as mãos, daquele jeito woodyalleniano de ser.
Outro dele que eu adoro é um episódio de Contos de Nova Iorque, um filme composto de três curtas (ou serão 'médias') - os outros dois dirigidos por Roman Polansky e Richard Price. É engraçadíssimo, vale muito, muito a pena assistir. Recomendo fortemente.
Aliás, recomendo tudo dele. Não vi tudo, mas é genial.

12 março 2005

A prancha

Sempre que eu vou nadar, levo minha pranchinha de isopor pra fazer um pouco de pernas e braços separadamente. Quando eu era adolescente, odiava fazer perna, achava um saco, doía etc. Mas agora os anos passaram, eu peso 10 kg a mais e já tomei muito refrigerante, comi muito pastel e doce, o que significa que as minhas perninhas não são mais as mesmas... nem a barriguinha, nem os bracinhos.
Pois então. Enquanto estou nadando 'normal', deixo a prancha na beira da piscina. Tá meio apagado, mas tem meu nome lá. Outro dia fui pegar a prancha pra fazer meu treino de perna... cadê?
Olhei em volta... nada. Míope, era difícil distinguir na piscina... Pedi ajuda ao salva-vidas; lá do alto da cadeirinha dele, era mais fácil achar a prancha.
Enfim, encontramos: um mané estava usando para fazer braço. Ou seja, com ela entre as pernas. Eu não ia mesmo achar nunca. 'Escuta, da próxima vez que vc quiser usar, pede emprestado', disse eu ao mané. 'Ah', disse o mané, 'não tinha ninguém do lado!'
Peraí então, deixeu ver se entendi: quer dizer que eu tenho que fazer plantão AO LADO da prancha o tempo todo, porque, estando ela abandonada, é da galera???? Ah, claaaaaaaaro!!!
Não é fim da picada?

09 março 2005

Cláudia Andujar

Se não viu ainda, corra, e veja antes que acabe: exposição de fotos de Cláudia Andujar na Pinacoteca.
Só a visita ao prédio, que já é demais, já vale o passeio. Depois, tem uma instalação ótima do Guto Lacaz, no vão central, uma chuva colorida de chumbinhos, divertida, todo mundo gosta. Minha amiga queria levar pra botar na sua própria sala e jogar os chumbinhos na cabeça das visitas.
Por fim, tem a linda exposição da fotógrafa. Além das fotos dos índios, que já são famosas, belíssimas, tem também uma outra parte da exposição chamada Vulnerabilidade do Ser, com fotos de rios da Amazônia e de outros locais no Brasil. Coisa linda, linda, linda. Não dá pra descrever o que ela consegue fazer com a água e as folhas caídas no rio, o movimento, as pequenas ondulações, os bichos que moram ali.
Minha preferida não é de rio nem de índio, todavia: é um jacaré incrível, em preto e branco, salvo engano, logo na entrada.
Não perca. E se estiver durango, sábado é grátis.

Querido Diário

É, esse blog ultimamente anda parecendo um diário mesmo, né? Emilia contando que foi à feira, que levou o cachorro doente no veterinário (ele está melhor!), que tem um carma com um sujeito escroto e nojento (esses dias fui obrigada a ir até ele pra pegar uma assinatura, mas consegui fazê-lo em segundos e praticamente não ter que olhar na sua cara), Emilia contando a encheção de saco da sua profissão. Ando menos observadora e mais auto-centrada, um pouquinho mais egoísta. E menos inspirada.
Tenho várias coisas pra escrever, mas nada que interesse muito a ninguém: a nova intimação por e-mail da OAB, que nos livrou da ditadura da AASP e que ajuda a ficar menos putos por pagar 600,00 de anuidade; a minha nova amizade com os salva-vidas da piscina do SESC (Fran, eu entendo vc); a minha satisfação por estar conseguindo meditar e fazer exercícios regularmente, o que tem feito o ponteiro da balança, se não descer, pelo menos manter-se estável; a minha felicidade por estar gradativamente conseguindo sair do cheque especial e pôr as contas em dia; a bolsa do mestrado que nunca vem; o terapeuta que nunca me dá alta; a minha visita ao médico, que me mandou voltar só no final do ano (viva!).

06 março 2005

A praia dos cachorreiros

Ali na Vila Madalena tem uma pracinha onde nós, cachorreiros, levamos nossos pequenos e grandes amigos caninos estabanados para brincar e desestressar, sem guia, soltos, felizes. É bom pro cão, é bom pro dono. Eles brincam, rolam, comem grama e gravetos, pegam pulgas, se sujam, levam até mordida de vez em quando. Coisa de cachorro.
Nós, os donos, que não sabemos os nomes uns dos outros, só dos cachorros (é patético, eu sei, mas é assim que funciona), batemos papo, trocamos informações sobre cuidados, pet shops, raças e contamos orgulhosos as peripécias de nossos caninos pela casa.
Mas nunca consegui trocar um telefone com algum(a) cachorreiro(a) para pegar um cinema, ir a um barzinho. O que eu acho realmente uma pena, pois ali está, com certeza, alguém que, em algum ponto, se identifica com vc.
Este sábado, conversando com uma moça, reclamei disso... E ela me disse uma coisa curiosa: a praça é, pra nós, como a praia pros cariocas. Vc sabe que, se for lá, naquela hora do dia, vai encontrar uma boa companhia. É como se fosse nosso canto, nossa tribo. Ali ninguém acha que a gente é maluco porque conversa com um bicho, sai pra passear com ele à uma da manhã ou volta pra casa mais cedo porque está com pena de deixá-lo sozinho. Ali a gente se entende.

04 março 2005

666 visitas no meu blog

Ai que meda!

Ai que vontade de comer Nutella!!!!!

Eu nem estava de bom humor, aliás, estava irritada. Saí correndo pra pegar o fim da feira. Botei uma calça jeans velha, uma camiseta cor-de-rosa (será que é o cor-de-rosa?), quer dizer, pink, pra vc entender bem qual a cor. Um sapatinho também rosa, cabelo preso (pra variar...) e óculos escuros. Sem brinco, sem pulseira, sem colar.
A minha barriga nem está lá essas coisas (ainda). Preciso perder mais 2 kg pra ficar satisfeita e, provavelmente, quando chegar lá, vou querer perder mais dois (dizem que devemos dizer eliminar, e não perder, senão vc acha de novo).
Será que é porque estou ovulando? (dizem que a gente fica mais bonita...) (risos)
Não sei o que foi, só sei que hoje na feira me ofereceram mais frutinhas pra experimentar do que nunca. Os feirantes estavam mais gentis. Será que é porque a safra tá ruim e as coisas tão mais caras? Será que é porque tenho cara de madame? (um dia me 'xingaram' de madame na rua, ô raiva!) Será que é porque mudei de feira? Ou será porque eu tava mostrando um naco de barriga (diz um amigo que a calça de cintura baixa não atrai os homens por causa da barriga não, e sim porque ela põe em evidência aquela parte do corpo que vem logo abaixo).
É, acho que eu prefiro acreditar nessa última... Meu ego agradece.

Polícia para quem precisa


Trabalhar com polícia é um saco. Hoje de manhã me telefona aqui uma fulana, grossa que só ela. 'O sinal de fax por favor?' (eu não tenho mais fax) 'Pra quem?' 'Pra Dra. Maria Emilia'.
Achando que fosse um documento que eu esperava, mas que deveria ser passado para um Instituto, perguntei do que se tratava. 'Eu preciso passar um fax para a Dra. Maria Emilia'. 'Sim, sou eu, mas é a respeito do que?' (porra, o fax não é pra mim, caralho???) 'Eu não sei, eu só estou passando o fax'. 'Eu não tenho fax, mas se vc me disser sobre o que é eu posso te passar um outro número'. (a tosca conversa com pessoa ao fundo). 'Olha, eu não sei o que é.' 'Eu posso falar com a pessoa que está querendo passar o fax? Ela está aí? Chame pra eu falar com ela'. 'É uma intimação pro seu cliente, Fulano'. 'Uma intimação??? Por fax??? Daonde está falando, da delegacia? Olha, posso falar com a pessoa que quer passar o fax, por favor?'
O resultado da história: não consegui saber do que se tratava. A tosca da mulher desligou na minha cara. Não consegui falar com a puta da pessoa (ou pessoo) que queria me passar o fax. E passei o dia encafifada com a tal da intimação via fax. Liguei pra delega depois, falei com o responsável, que me atendeu educadamente: não, não fui eu. Não, o IP ainda não voltou do Fórum. Não, não tem nenhuma novidade.
'Damm cops!' E o pior é que eu nem sei se era mesmo da delega ou se era o simpaticíssimo e dono de uma sabedoria imensa e de uma cultura inacreditável 'adevogado da outra parte', que me disse o seguinte a respeito 'daqueles barbudos que vão pro Fórum Social Mundial': 'é por isso que o Brasil está do jeito que está'.
Tudo gente fina. Amo meu trabalho. Veja o meu sorriso de felicidade.

03 março 2005

'Quarenta contos'

É o preço da consulta no veterinário, que eu paguei pra confirmar o que eu já sabia: é alergia o que meu cachorro tem, provavelmente ao Frontline, remédio anti-pulgas que além de deixar o meu pobre pixu todo empipocado, ainda faz cair os pêlos. Ainda bem que, pelo menos, coça pouco, tadinho.
As últimas vezes que fui ao veterinário (quer dizer, levei meu cão ao vet) sempre senti que estava jogando meu dinheiro fora. Na verdade, eu não devia pensar assim, mesmo porque sou uma vet frustrada (é um sonho, um dia ainda faço faculdade disso. dizem que é bobagem, que gostar de bicho não tem nada a ver com ser veterinário, mas tem que gostar muito de bicho pra enfiar termômetro no rabo ou a mão dentro da vaca pra ajudar a sair o bezerrinho todo melecado de sangue). Mas sempre saio de lá com a sensação de paguei caro pra me dizerem o que eu já sabia ou tinha obrigação de saber.
Uma vez, meu cão estava com o saco (o saco mesmo, aquele onde ficam as bolinhas) todo vermelho e inchado. Levei no veterinário. Dois segundos e quarenta reais depois (com licença, Machado*): é uma queimadura! Droga, porque eu não pensei logo nisso? O pobre sentava no chão quente quando se cansava, durante um passeio... tssssss!!! (ah, e saibam que aquele seu vizinho lavando a calçada pode estar usando cândida ou outro produto desse tipo... e o seu cão pode queimar não só o saco e a barriga, mas também as patinhas, ao passar pela água...)
Dessa vez, tava todo empipocado. Primeiro, achei que fosse alergia... Aí veio a nóia: e se for sarna? E se eu pegar? Mais quarenta contos: alergia. Saco!Eu sei, ando chata, né, reclamona, né? Mas estou me recuperando da falta crônica de dinheiro que me assolou no último ano. Enfim, para o bem do cão, era alergia: compro remedinho, coliriozinho para o olho. Tal qual mãe dedicada, sacrifico alguns prazeres pra pagar a consulta e os remédios do pequeno... que passa bem, obrigada.

(*'Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis'... - Machado de Assis - Brás Cubas)

28 fevereiro 2005

Menina de Ouro

A essa altura, vcs já devem saber que a linda (eu acho) e talentosa Hillary Swank ganhou o Oscar de melhor atriz pelo seu desempenho em Menina de Ouro.
Quando fomos assistir, a idéia inicial era ver Sideways, ou seja, uma coisinha mais light. Mas estava lotado. Entre Mar Adentro e Menina de Ouro, optamos pela Menina porque não queríamos filme deprê. Bem, eu não tinha lido muito sobre o filme, só sabia que era a história de uma moça boxeadora, e que era muito bom. Afinal, é do Clint Eastwood, e tem a Hillary, que eu acho sensacional. Clint, então.
Bem que o Marcelo Coelho (ou foi o Contardo Calligaris?) escreveu na Folha comparando os dois filmes... Porque Menina de Ouro é drama mesmo. Forte. Se vc assistiu 'Sobre Meninos e Lobos', o último do mesmo diretor, sabe do que eu estou falando.
O grande drama do filme é que a carreira ascendente fulminante da moça é interrompida antes do ápice.
O que nos choca é que isso parece não fazer parte da ordem natural das coisas. Mas acontece todo dia. Gente que tem sua vida dramaticamente interrompida por episódios estúpidos e por gente estúpida. É uma droga, né? É, como diz o ditado popular... pra morrer, basta estar vivo.

27 fevereiro 2005

Isso é um homem que entende as mulheres

O meu amor/Tem um jeito manso que é só seu/E que me deixa louca/Quando me beija a boca/A minha pele inteira fica arrepiada/E me beija com calma e fundo/Até minh'alma se sentir beijada, ai/O meu amor/Tem um jeito manso que é só seu/Que rouba os meus sentidos/Viola os meus ouvidos/Com tantos segredos lindos e indecentes/Depois brinca comigo/Ri do meu umbigo/E me crava os dentes, ai/Eu sou sua menina, viu?/E ele é o meu rapaz/Meu corpo é testemunha/Do bem que ele me faz/O meu amor/Tem um jeito manso que é só seu/De me deixar maluca/Quando me roça a nuca/E quase me machuca com a barba malfeita/E de pousar as coxas entre as minhas coxas/Quando ele se deita, ai/O meu amor/Tem um jeito manso que é só seu/De me fazer rodeios/De me beijar os seios/Me beijar o ventre/E me deixar em brasa/Desfruta do meu corpo/Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai/Eu sou sua menina, viu?/E ele é o meu rapaz/Meu corpo é testemunha/Do bem que ele me faz

(Chico, vc não precisa de sobrenome nem adjetivo)

Mais do cão

Hoje conversando com um amigo sobre as peripécias de meu cão lembrei de uma coisa engraçada que aconteceu há uns meses, quando a gente estava 'passando férias' lá em Botucatu.
Convém esclarecer antes, pra quem não sabe, que lá na roça mora um outro cão, da mesma raça, mais velhinho (12 anos), chamado Sapeca.
Sa já tem hábitos de cão velho, meio resmunguento. Mas também é um bicho vivido, conhece os perigos da rua, sabe o que é bom. E o Xuli é um pentelho que surgiu na vida dele pra incomodar. Lembra do Nermal, dos quadrinhos do Garfield, que é mais fofo, mais bonito, mais jovem e tem uns cílios enormes? Pois é mais ou menos a mesma coisa.
O Sa tem o costume de dar uma saidinha na rua sem coleira, quando meu pai vai cuidar do jardim da frente da casa. Ele sobe (a casa é rebaixada no terreno) , faz seus xixizinhos, dá uma fuçada por ali e logo volta pra casa. Mas o Xuli... bem, ele não sabe nada da vida, quer mais é sair correndo pra explorar toda a vizinhança. Por isso, a gente não deixa ele ir sozinho na rua.
Um dia, sem querer, ele escapou. Saiu disparado pra rua, e eu fui atrás aos gritos.
Mas o mais engraçado foi o Sapeca. Ele saiu correndo atrás e, percebendo o meu desespero, foi pra cima do Xuxu latindo de um jeito que eu nunca vi. Era um ganido, um latido quase um 'quack', um alerta. Acho que tentou até morder o Xuli pra ele parar. Foi a coisa mais legal que já vi o Sa fazer.

26 fevereiro 2005

A mosca

Xuli descobriu o ponteiro do mouse. Ele costuma ficar deitadinho aqui na mesa, em frente ao monitor do computador. Às vezes (muito freqüentemente) apóia a cabeça em cima do meu braço quando estou mexendo no mouse, me imobilizando e me atrapalhando bastante. Mas como é um fofo, não tenho coragem de tirá-lo daqui.
Hoje ele descobriu o ponteiro do mouse na tela do computador. Foi muito engraçado. Pensou, talvez, que fosse uma mosquinha. No começo eu não entendi, achei que estava só fuçando na tela. Depois percebi que ele estava perseguindo o ponteiro! O pobre grudava o focinho no monitor e lambia, tentando pegar essa mosquinha estranha e intocável...

25 fevereiro 2005

Cada um com seus problemas

Tem uma camiseta ótima da Banca de Camisetas que diz assim: vc pra mim é problema seu (risos). Aliás, quando puderem, passem em uma das lojas pra dar uma olhada. Tem muitas legais. Pena que são caras, mas vale a pena.
Lembrei disso porque outro dia estava conversando com uma amiga que tem um vizinho que encarnou nela. Começou com um convite pra jantar, que ela aceitou achando que seria com a mulher dele junto. Qual não foi a surpresa quando ela descobriu que eles estavam separados!!!
É, eu disse a ela, rindo, 'cada um tem o Fulano que merece'. Fulano, no caso, é um saco de pessoa que encarnou na minha pessoinha e há dois anos me torra a paciência.
Eu tive minha parcela de culpa sim, pois não sei dizer não, sou uma idiota. Nunca tive nada com ele, credo, bate na madeira!!! Mas deixei Fulano se aproximar, falei mais do que devia sobre a minha vida pessoal (houve momentos em que achei que devia ter mais paciência, afinal ele tem ao menos uma qualidade: é uma pessoa generosa. mas exige muito em troca da sua generosidade).
Por fim, Fulano, que sempre foi pegajoso ao extremo, passou dos limites. E aí a minha paciência finalmente acabou de uma vez. E mandei Fulano à merda mesmo. Disse-lhe (já havia dito antes) que não queria mais que me telefonasse ou me escrevesse, que sumisse da minha vida. Abri mão de um caso em que trabalhei sozinha (e, conseqüentemente, dos honorários) para me ver livre de ter que falar com Fulano ao telefone ou pessoalmente.
Mas Fulano é brasileiro e não desiste nunca (risos). Pra não ter que atender seus telefonemas, botei um bina aqui em casa. O imbecil continua me telefonando. Ele não tem nenhum tipo de respeito pelos outros , nunca teve.
Hoje ele me mandou um cartão virtual com um convite pra jantar. É mesmo o fim da picada. Eu não acredito nisso, mas pra ganhar um Fulano como esse de presente, devo ter acumulado muito carma ruim nas minhas vidas anteriores.
A essa altura, vc deve estar se perguntando: mas ela deve ter mesmo alguma coisa com ele, deve gostar, porque escreveu um post enorme sobre isso. Tenho sim: ele me enche o saco, me incomoda, é invasivo, pegajoso, escroto e não tem superego. E como ele é meio louco, tenho medo também que ele passe dos limites e ameace a minha integridade. Muitos de vcs sabem (e conhecem) de quem eu estou falando. Eu tenho guardados os e-mails que essa pessoa escrota me mandou, só para o caso de precisar um dia fazer algo contra esse imbecil. Vcs já sabem.

23 fevereiro 2005

Bíba las bacas

Depois que a gente vira blogueiro começa a conhecer blogs. E a visitar blogs. E a descobrir que tem muita gente boa escrevendo por aí, de coisa séria a pura bobagem. Tem fotógrafos amadores bons pra caramba, blogs de mocinhas adolescentes querendo se exibir pros meninos do colégio e da faculdade, enfim, de tudo.
Além do blog do Calendas, que já indiquei um monte de vezes, vou indicar outros dois hoje:
Miralaqualidad: meninas muito engraçadas que escrevem em portunhol e defendem os direitos das vacas.
Blônicas: Crônicas diárias na sua telinha:
blog feito por jornalistas, escritores, publicitários. Cada dia da semana um escreve. Tem o Xico Sá, que é quase sempre impagável, Alilin Aleixo, Gisela Rao, Rosana Herrman, Leo Jaime e um cara de nome impronuciável, Henrique Szklo. Entre outros. Vale mesmo a pena conhecer.

Gêmeos, mórbida semelhança

Pensando sobre vizinhos como objeto para meus exercícios literário-bloguianos, lembrei-me das minhas vizinhas de andar. Fora o fato de uma delas não saber manobrar o carro, estacionando praticamente em cima da linha de divisão da vaga, o que me obriga a espremer o meu carro junto à parede para que eu possa abrir a porta e sair sem ter que prender a respiração e encolher a barriga, a nossa convivência é pacífica.
Curiosidade, no entanto, é a seguinte: são gêmeas, solteiras, moram juntas, e têm uns quarenta e tantos anos. Não sei o histórico delas. Não sei se já casaram e/ou separaram, se têm namorado (nunca vi). De vez em quando vêm uns amigos. E a irmã, que tem um cachorro que interage nervosamente com o meu.
Falar sobre as minhas vizinhas lembrou-me das gêmeas com quem estudei, que me disseram, certa vez, que se bastavam.
Depois de um certo tempo de convivência, nos separamos. Eu pr'um lado, elas pro outro. Mais tarde percebi (e outros também), que elas não conseguiam manter uma amizade mesmo por muito tempo.
E as minhas vizinhas... bem... ou se bastam mesmo, ou eu que nunca notei que tenham namorados ou namoradas. Acho que só um gêmeo entende outros gêmeos. Pra mim, será sempre um mistério.

PS: Viu? Esse saiu meia-boca. Dá até vergonha de publicar... Fazer o quê? Nem sempre o Cony é genial, né? (risos)

22 fevereiro 2005

Neurônios em ação

As broncas de amigos que reclamam quando o blog não se atualiza constantemente têm me forçado a uma disciplina quase diária de escrever. Sinto-me praticamente um Gilberto Braga ou um Cony de saias, guardadas as devidas proporções (que são enormes, é claro - as proporções). Nem sempre sai algo interessante. Às vezes fica sem graça mesmo.
Mas o curioso é que a gente começa a prestar mais atenção no dia-a-dia pra ver se acho algo legal pra contar. E às vezes se liga: puxa, isso vai pro blog!
Por exemplo, agora estou lembrando da minha amiga que criou um homem virtual. A coisa está ganhando uma tal dimensão que a gente custa a acreditar que ele não exista de verdade. Falamos dele como se fosse real. E ela já recebeu até manifestações explícitas de terceiros com ciúmes do moço prendado...
Pena que não tenho vizinhos muito interessantes pra fofocar sobre. A minha de frente, uma senhora, me repete sempre as mesmas coisas, e já perdeu a graça (e a paciência também já está acabando... mas ela é muito simpática, então... paciência!). Sobre as outras vou falar depois. Tá vendo? Só de escrever aqui já me veio a idéia de um outro post...
Dizem que quem exercita o cérebro sempre tem menos chance de ter Alzheimer ou outras doenças relacionadas. Tomara eu seja uma velhinha bem 'malhada'!!!


PS: Tem mais uma coisa: cada um encara o blog de um jeito. Eu, metida a besta que sou, quero público! Por isso procuro agradar. A falta de comentários dói como quando a gente abre o e-mail e não tem nada! E, bem, quem sabe um dia uma editora não me descobre, ou eu não viro colunista fixa da Folha? (sonhar não custa nada, né?)
PS2: Dica de livro: O cérebro nosso de cada dia, de Suzana Herculano-Houzel. A moça, que é uma menina prodígio, fala sobre neurociência de uma maneira muito gostosa e fácil de ler. Vale conferir

21 fevereiro 2005

O silêncio que precede o esporro

Só agora que escrevi percebo o duplo sentido da frase acima, que é o nome de um CD, creio eu, do Rappa. Mas o que me interessa é o sentido não sacana. O de esporro como bronca, grito, de alguma merda que vc fez.
Isso tem a ver com meu estado de espírito hoje. É que sábado foi a fundação da OSCIP de pesquisadores da PUC, e assumi um cargo na Diretoria. O que deveria ser motivo de orgulho, afinal só tem gente muito graduada na Diretoria, pra mim é motivo de preocupação.
É que não foi uma nem duas vezes que aconteceu de eu assumir mais do que podia dar conta. E depois fuder com tudo. Para não decepcionar as pessoas, assumo mais do que posso. E aí na hora que fode eu acabo decepcionando-as do mesmo jeito, quer dizer, de um jeito pior, com a minha imagem lá no chão.
Estou num dilema, porque preciso de grana. Mas preciso também fazer o mestrado. A minha família me pressiona. Pra ganhar grana preciso sacrificar um pouco o mestrado, mas tomando muito cuidado pra não exagerar.
Espero ter sabedoria pra saber até onde ir. Pra não repetir os mesmos erros. De novo. Pra falar a verdade... bem, vc já percebeu, né? Tô morrendo de medo.

20 fevereiro 2005

Religião, eu??

Nós, que temos uma casquinha intelectual, temos uma aversão à idéia de religião que é uma coisa engraçada. Eu conto nos dedos os amigos que têm algum tipo de prática de autoconhecimento ligada a um conjunto de princípios e idéias, como são as religiões. Alguns deles exercitam seu autoconhecimento escrevendo prosa ou poesia, fazendo fotos, música etc. Mas religião mesmo, quase nenhum. O meu pai, por ex., já leu muito sobre as filosofias orientais e ocidentais, os dois volumes d'As Máscaras de Deus, do Joseph Campbell, mas nunca foi meditar...
Atenção, isso não é uma crítica. É uma observação. E deve-se ao fato de que eu mesma tenho uma dificuldade de admitir que, agora, tenho uma religião. Ainda que seja uma religião não teísta.
Porque será que temos vergonha de dizer que estamos atrás de algo não palpável que nos ajude a suportar melhor a vida?
Comentei com meu terapeuta, que me falou do iluminismo, e depois dos positivistas.
Ainda mais a 'miss racional' aqui, 'miss pensamento' (hoje o monge me falou: 'you want to know everything' - risos - deve ter me achado uma pentelha), como assim, 'tenho uma religião'??? Mas será mesmo que é só isso? Eu sei lá. Não sei porque tenho toda essa vergonha.
Em todo caso... prefiro falar que sigo uma filosofia... Patético, não?