Resolvi trocar o meu post meia-boca por um texto de alguém bem melhor: GILBERTO DIMENSTEIN. Publicado na Folha de SP de 09/10/05. *
"Na sexta -feira à noite, completaram-se 66 dias sem um assassinato no Jardim Ângela, distrito da zona sul de São Paulo com 250 mil habitantes e apontado pela ONU, em 2000, como a região mais violenta do mundo- naquele ano, ocorreram ali, em média, 60 homicídios mensais.
É um dos casos mais extraordinários já produzidos no Brasil de ensaio contra a violência, refletindo tendência, embora em menor intensidade, em toda a região metropolitana de São Paulo.
De acordo com dados tabulados na semana passada a partir do registro de óbitos, de janeiro a agosto deste ano, comparados com o mesmo período de 2004, caiu em 22% o número de assassinatos cometidos no município de São Paulo. Se a média for mantida até dezembro, em cinco anos a redução terá se aproximado dos 50%. Nova York virou atração mundial quando esse índice caiu em 30%.
Esses números me fazem votar pela proibição do comércio de armas, mas sem nenhuma ilusão - aliás, há o risco de o referendo transmitir a falsa idéia de que, com a vitória do "sim", a taxa de violência despenque.
Desarmar é apenas um dos ingredientes, entre tantos, para reduzir a violência: quem não informar essa obviedade, com toda a clareza, estará enganando o eleitor e levando-o a uma frustração capaz de abalar a convicção em referendos.
No debate sobre as causas da queda dos homicídios em São Paulo - ninguém mais questiona que a tendência é real, embora se discorde da sua intensidade-, há uma série de apostas: 1) maior eficiência da polícia e, em especial, do policiamento comunitário; 2) articulação comunitária com a implementação de programas de inclusão de crianças e adolescentes; 3) mudanças demográficas, com menor quantidade de jovens na população; 4) bolsas de complementação de renda; 5) escolas abertas nos finais de semana; 6) fechamento dos bares antes das 22h.
Há também quem diga que, entre as causas, está o movimento de desarmamento -aliás, nascido em São Paulo graças a alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
Possivelmente, todos esses fatores influenciaram, em alguma medida, o índice de homicídios em São Paulo que, apesar das boas novidades, continua alto para padrões de civilidade. Neste contexto de tantas ofensivas combinadas não há dúvida de que o desarmamento é a cereja do bolo.
Olhando em detalhes o mapa dos assassinatos, vemos que os resultados mais exuberantes foram obtidos nas localidades em que melhor aglutinaram todas aquelas iniciativas e se entrosaram políticas públicas, como Jardim Ângela. Combinaram-se ali policiamento comunitário (integrando inclusive as polícias Militar e Civil e a Guarda Municipal); redução do horário de funcionamento dos bares e tratamento do vício de drogas, a começar do álcool; oferta de cursos profissionalizantes e de complementação educacional em sistema de pós-escola; abertura de áreas de lazer, cultura e esportes.
No mais, a comunidade do Jardim Ângela, em boa parte graças à liderança do padre irlandês Jayme Crowne, estabeleceu como prioridade comum reduzir a barbárie. O tema uniu líderes católicos, evangélicos e umbandistas; uniu donas-de-casa e educadores.
Mesmo com toda essa engenhosidade que transformou, desta vez positivamente, o Jardim Ângela numa referência mundial, a situação está bem longe da paz. Afinal, o desemprego atinge mais de 70% de seus jovens.
São múltiplas as causas de violência e, logo, são múltiplas as medidas necessárias para enfrentá-las. A prevenção se inicia quando a criança acaba de nascer e lhe é assegurada proteção e se estende na estrutura familiar e na escola de qualidade.
Está correta a afirmação do pessoal do "sim" de que um cidadão armado não está protegido diante de um marginal treinado e acostumado a atirar, muitas vezes sob efeito de droga. Alguém que perde o controle é capaz de fazer um estrago ainda maior se estiver com um revólver.
Como toda a eleição acaba simplorizando o que é complexo para atrair o voto, está se disseminando, mesmo que involuntariamente, uma ilusão. Imaginar que o desarmamento é essencial na redução da barbárie é algo parecido a supor que, com o fim da peixeira, os cangaceiros estariam imobilizados ou que, sem arco-e-flecha, os índios, no passado, sempre viveriam em paz.
O melhor de tudo -e isso é extraordinário- é o fato de o referendo ter mobilizado o Brasil, em níveis jamais vistos, para o debate sobre as causas da violência. E trouxe a chance de mostrar experiências engenhosas como as do Jardim Ângela, Heliópolis, Paraisópolis e Diadema. São casos que mostram que dá para enfrentar a barbárie.
Com toda a convicção, voto "sim", mas sem nenhuma ilusão.
PS - Para quem quiser conhecer melhor experiências bem-sucedidas de enfrentamento contra a violência, fiz um relato de vários casos em meu site www.dimenstein.com.br."
*ao amigo citado no post antigo, não fique bravo :-) explícita ou silenciosamente, vc ainda será personagem de outros, bem melhores.
03 outubro 2005
gênio da informática
A despeito de ter pago pelo menos o dobro do preço pelo pente de memória RAM de 128 MB que meu pobre computador andava desesperadamente precisando há muito tempo, estou radiante! Instalei sozinha o bichinho... e o micro funcionou direitinho! Está lá, não tenho mais míseros 128 MB de RAM, agora tenho... peraí... deixeu fazer a conta... 256 MB RAM no meu micrinho, que passa tantas horas por dia ligado e, por vezes, me hipnotiza tanto que é um custo desligar.
Eu paguei mais que o dobro porque fiquei com uma preguiça fenomenal de ir até a Santa Ifigênia procurar a bendita plaqueta. Arre!!!! Tem dias que quero conforto!!!
Estou radiante também porque comprei as cadeiras que queria pra minha sala por uma pechincha (pelo menos compensa o absurdo que paguei na placa), pertinho de casa, ao invés de ter de ir até a supermegaloja Etna ou pagar 400 paus por uma singular poltroninha...(às vezes tudo é tão fácil...) São usadas, são lindas e são exatamente do jeito que eu queria. Elas estavam me esperando quietinhas na loja de móveis usados. De quebra ainda dei minhas roupas usadas (estavam há meses no armário, por preguiça de ir até o brechó)pro bazar e o cara abateu do preço... Muito feliz!!!!
Pra completar o dia de compras felizes, comprei outra coisa por mais do que devia (ah, ser classe média cansa!!!! a gente pesquisa, pesquisa, e quando dá um chute no balde fica se sentindo culpado... saco!) mas que é muuuuito importante para o meu bem-estar: uma palmilha especial para os meus pobres pés doloridos, que não suportam muito tempo com sapato nenhum, nem mesmo com tênis.
Estudar?? hmmmm.... hã? Trabalhar????? como? não entendi...
Tem dias que a gente quer mesmo é conforto...
Eu paguei mais que o dobro porque fiquei com uma preguiça fenomenal de ir até a Santa Ifigênia procurar a bendita plaqueta. Arre!!!! Tem dias que quero conforto!!!
Estou radiante também porque comprei as cadeiras que queria pra minha sala por uma pechincha (pelo menos compensa o absurdo que paguei na placa), pertinho de casa, ao invés de ter de ir até a supermegaloja Etna ou pagar 400 paus por uma singular poltroninha...(às vezes tudo é tão fácil...) São usadas, são lindas e são exatamente do jeito que eu queria. Elas estavam me esperando quietinhas na loja de móveis usados. De quebra ainda dei minhas roupas usadas (estavam há meses no armário, por preguiça de ir até o brechó)pro bazar e o cara abateu do preço... Muito feliz!!!!
Pra completar o dia de compras felizes, comprei outra coisa por mais do que devia (ah, ser classe média cansa!!!! a gente pesquisa, pesquisa, e quando dá um chute no balde fica se sentindo culpado... saco!) mas que é muuuuito importante para o meu bem-estar: uma palmilha especial para os meus pobres pés doloridos, que não suportam muito tempo com sapato nenhum, nem mesmo com tênis.
Estudar?? hmmmm.... hã? Trabalhar????? como? não entendi...
Tem dias que a gente quer mesmo é conforto...
27 setembro 2005
Príncipe das águas claras
Ele a via passar compenetrada. Observava os seus movimentos alongando-se, esticando os braços e relaxando o pescoço, no canto, tentando não ser notada. Resoluta, entrava na piscina, olhos no relógio, cronometrando os tempos: dez minutos de crawl, mais dez de perna, outros ainda de braço e, nos dez finais, cada vez um mix diferente.
Um dia, puxou conversa. Ela deu um sorriso. Simpática, trocou algumas palavras, mais por gentileza que por vontade mesmo. Não gostava de ser atrapalhada durante o treino.
Depois de um certo tempo ela já o cumprimentava, sempre um sorriso no rosto. Passou a ter mais coragem. Sentia-se mais jovem, mais vigoroso, mais estimulado quando ela estava lá. Tomou coragem: 'vc ilumina tudo quando chega'. Ela sorriu. Agradeceu. Disse que ele era muito simpático.
Trocaram nomes, trocaram outras palavras. Por vezes ela sumia, dias, semanas. Mas ele ia sempre, esperando. Esperava.
Da última vez, depois que ela sumiu bem umas duas semanas, ele criou coragem. E lhe disse tudo. Perguntara sobre ela aos outros rapazes que nadavam ali, habitualmente. 'Hoje, depois do treino, o xis salada é por minha conta'. Ela sorriu, agradeceu polidamente. 'Vamos nadar que eu tenho hora pra chegar em casa'...
Ele se alimenta dos seus sorrisos.
Um dia, puxou conversa. Ela deu um sorriso. Simpática, trocou algumas palavras, mais por gentileza que por vontade mesmo. Não gostava de ser atrapalhada durante o treino.
Depois de um certo tempo ela já o cumprimentava, sempre um sorriso no rosto. Passou a ter mais coragem. Sentia-se mais jovem, mais vigoroso, mais estimulado quando ela estava lá. Tomou coragem: 'vc ilumina tudo quando chega'. Ela sorriu. Agradeceu. Disse que ele era muito simpático.
Trocaram nomes, trocaram outras palavras. Por vezes ela sumia, dias, semanas. Mas ele ia sempre, esperando. Esperava.
Da última vez, depois que ela sumiu bem umas duas semanas, ele criou coragem. E lhe disse tudo. Perguntara sobre ela aos outros rapazes que nadavam ali, habitualmente. 'Hoje, depois do treino, o xis salada é por minha conta'. Ela sorriu, agradeceu polidamente. 'Vamos nadar que eu tenho hora pra chegar em casa'...
Ele se alimenta dos seus sorrisos.
Jogar o jogo
Estou lendo um livro chamado Homo Ludens, de Johan Huizinga, para a disciplina que curso lá na Antropologia, na FFLCH. Ainda no comecinho, mas fala sobre o papel do jogo na vida, nas culturas.
Andei pensando esses dias sobre certos jogos que sempre tive dificuldade de jogar. O jogo do trabalho, do ambiente de escritório, das formalidades jurídicas (como chamar aquele seu ex-colega de turma de 'excelência', como se ele fosse mais excelente que vc só porque virou juiz) , da sedução, das vaidades acadêmicas, do toma-lá-dá-cá, das competências profissionais.
À medida que amadureço percebo que preciso aprender a jogar esses jogos para sobreviver com menos sobressaltos e menos sofrimento. Sempre fui bocuda, 'falo o que penso, faço o que eu quero'. Essa característica minha tem como conseqüência uma dificuldade de jogar esses jogos.
Me falta malícia, mentirinhas bem colocadas, jogo de cintura para lidar com os clientes. Me justifico demais. Explico demais. Dou satisfações demais. Em todos os campos da vida. Isso sempre me trouxe sofrimento. Um gasto desnecessário de energia com situações por não saber lidar com elas.
Mas sinto que alguma coisa está mudando (aliás, muita coisa mudou desde a minha internação no ano passado). Talvez porque eu tenha finalmente aprendido a me dar o meu devido valor. E percebido que a gente paga preços por, principalmente, falar tudo o que pensa.
Ando (percebam que é para os padrões emilianos, heim?) mais comedida, menos bocuda (não deixei de falar asneira, nem de dizer o que penso - eu sou muito boneca de pano mesmo, sou a própria Emília que tomou uma pílula - mas tenho me controlado mais...) , mais quieta no meu canto, mais dona de casa, estudiosa, concentrada.
Estou aprendendo a me preservar e a respeitar meus desejos, meus silêncios, minha vontades. Não me violento mais. Para mim, aprender a jogar determinados jogos tem sido um sinal de maturidade e a perspectiva de menos sofrimento. Com o tempo, espero ter a sabedoria de saber quando jogar a sério, quando jogar brincando e quando, simplesmente, jogar o tabuleiro pra cima e derrubar todas as peças...
Andei pensando esses dias sobre certos jogos que sempre tive dificuldade de jogar. O jogo do trabalho, do ambiente de escritório, das formalidades jurídicas (como chamar aquele seu ex-colega de turma de 'excelência', como se ele fosse mais excelente que vc só porque virou juiz) , da sedução, das vaidades acadêmicas, do toma-lá-dá-cá, das competências profissionais.
À medida que amadureço percebo que preciso aprender a jogar esses jogos para sobreviver com menos sobressaltos e menos sofrimento. Sempre fui bocuda, 'falo o que penso, faço o que eu quero'. Essa característica minha tem como conseqüência uma dificuldade de jogar esses jogos.
Me falta malícia, mentirinhas bem colocadas, jogo de cintura para lidar com os clientes. Me justifico demais. Explico demais. Dou satisfações demais. Em todos os campos da vida. Isso sempre me trouxe sofrimento. Um gasto desnecessário de energia com situações por não saber lidar com elas.
Mas sinto que alguma coisa está mudando (aliás, muita coisa mudou desde a minha internação no ano passado). Talvez porque eu tenha finalmente aprendido a me dar o meu devido valor. E percebido que a gente paga preços por, principalmente, falar tudo o que pensa.
Ando (percebam que é para os padrões emilianos, heim?) mais comedida, menos bocuda (não deixei de falar asneira, nem de dizer o que penso - eu sou muito boneca de pano mesmo, sou a própria Emília que tomou uma pílula - mas tenho me controlado mais...) , mais quieta no meu canto, mais dona de casa, estudiosa, concentrada.
Estou aprendendo a me preservar e a respeitar meus desejos, meus silêncios, minha vontades. Não me violento mais. Para mim, aprender a jogar determinados jogos tem sido um sinal de maturidade e a perspectiva de menos sofrimento. Com o tempo, espero ter a sabedoria de saber quando jogar a sério, quando jogar brincando e quando, simplesmente, jogar o tabuleiro pra cima e derrubar todas as peças...
26 setembro 2005
22 setembro 2005
Como estragar meu dia em 15 lições - parte 1. Manhã
1 - aquele cliente que nunca me paga no telefone. em pleno domingo. às 8 da manhã.
2 - a rádio municipalista de Botucatu, PRF8, no último volume (ah, mamãe querida!). qualquer hora da manhã.
3 - todo meu pão acabou. também não tem torrada. nem granola. nem uma mísera fruta. por vezes, sequer leite.
4 - a faxineira não veio.
5 - são 9h15 e eu acabo de me levantar. aquela reunião começa às 9h30. hoje é meu dia de rodízio. e estou sem dinheiro para pagar um táxi.
2 - a rádio municipalista de Botucatu, PRF8, no último volume (ah, mamãe querida!). qualquer hora da manhã.
3 - todo meu pão acabou. também não tem torrada. nem granola. nem uma mísera fruta. por vezes, sequer leite.
4 - a faxineira não veio.
5 - são 9h15 e eu acabo de me levantar. aquela reunião começa às 9h30. hoje é meu dia de rodízio. e estou sem dinheiro para pagar um táxi.
Gravidade zero
Em meus devaneios existenciais, de uns tempos pra cá, venho incluindo também a água. Especialmente quando estou na piscina, a mente concentrada no exercício, em dar a braçada correta, na respiração... de repente, vêm devaneios aquáticos...
Sempre tive um relacionamento muito bom com a água. Fui educada nas piscinas ao mesmo tempo em que na escola. É para mim um meio natural, que eu domino na medida do possível, e em que me sinto bem, tranqüila, sossegada.
A água desliza pela pele, nos dá leveza, nos envolve e nos acaricia. Conseguisse prender um pouco mais a respiração, ficaria um tempão ouvindo o silêncio do fundo da piscina.
Sinto um conforto muito grande na piscina - e também quando como arroz com feijão (e já escrevi anteriormente sobre os dois temas aqui). Não dizem por aí que a piscina é boa para os bebês porque os leva de volta pra barriga da mamãe, pra proteção e sensação de felicidade? Talvez isso explique o meu gostar.
Há dias em que estou mais preguiçosa; ao invés de nadar de verdade, fico brincando, dando 'viradas' ou simplesmente atravessando a piscina de um lado pra outro sem disciplina, ora um nado peito desajeitado e molenga, ora 'minhocando' ou 'borboleteando', braços jogados ao longo do corpo, sem pressa e sem compromisso.
Nesses meus devaneios de fluido azul clorado, presto atenção à textura, à sensação que me causa a água no corpo.
Só na água consigo flutuar estando em terra.
Sempre tive um relacionamento muito bom com a água. Fui educada nas piscinas ao mesmo tempo em que na escola. É para mim um meio natural, que eu domino na medida do possível, e em que me sinto bem, tranqüila, sossegada.
A água desliza pela pele, nos dá leveza, nos envolve e nos acaricia. Conseguisse prender um pouco mais a respiração, ficaria um tempão ouvindo o silêncio do fundo da piscina.
Sinto um conforto muito grande na piscina - e também quando como arroz com feijão (e já escrevi anteriormente sobre os dois temas aqui). Não dizem por aí que a piscina é boa para os bebês porque os leva de volta pra barriga da mamãe, pra proteção e sensação de felicidade? Talvez isso explique o meu gostar.
Há dias em que estou mais preguiçosa; ao invés de nadar de verdade, fico brincando, dando 'viradas' ou simplesmente atravessando a piscina de um lado pra outro sem disciplina, ora um nado peito desajeitado e molenga, ora 'minhocando' ou 'borboleteando', braços jogados ao longo do corpo, sem pressa e sem compromisso.
Nesses meus devaneios de fluido azul clorado, presto atenção à textura, à sensação que me causa a água no corpo.
Só na água consigo flutuar estando em terra.
21 setembro 2005
O próximo capítulo...
... da emocionante história de hp:
(no último episódio [voz do locutor do "Jambo e Ruivão"], hp, o Homem-Palhaço entrou de sopetão na minha vida e em uma semana saiu comigo umas 4 vezes e me convidou pra passar o reveillòn com ele. de repente, desapareceu! o que terá acontecido a hp? estará vivo, morto? ou escrevendo sua qualificação de mestrado com um mês de antecedência e se comportando feito uma criança de 12 anos de idade? vejam após os comerciais....)
------------------------------------------------------------------
pausa para os comerciais
------------------------------------------------------------------
hp estava em casa, e mandou o pai dizer que não estava. mas eu ouvi a voz do infeliz, ao fundo. eu simplesmente não podia acreditar! aquilo realmente ultrapassava a minha capacidade de agüentar cavalices, quer dizer, palhaçadas masculinas.
eu disse ao pai, então, que sabia que ele estava lá, que não tinha feito nada pra ele me tratar assim. e mandei chamar. o pai engasgou, tossiu, pensou uns 5 segundos e disse 'não, ele foi na padaria, já volta. eu aviso que vc ligou' (palhaço).
ligou de volta em menos de 5 min, o palhaço. ah, nem lembro mais o que falei pra ele, perguntei quantos anos ele tinha (29. bem, e a idade mental, nenê?), falei que era mal educado, etc, desci a lenha. achei o fim. a história não é exatamente divertida, mas me tirou do sério (risos).
hp me disse que ele tinha que escrever a qualificação de mestrado dele para depositar dentro de um mês - nisso eu acredito. então, surtou e resolveu não atender mais o telefone. ahã, claro. ah, tá. humhum. não tá atendendo nem os amigos?!?! nossa, é mesmo?!!?!
*************************************************
o fato é que, depois de muitos anos de prática, estou acostumada com homens que desaparecem para não dizer na sua cara que não querem mais sair com vc. o último foi uma pessoa com quem eu estava namorando - atenção, namorando mesmo -, nos víamos umas 3 vezes por semana, a gente já tinha uma rotina (aliás, tivemos uma rotina desde o primeiro dia, praticamente - Freud explica) e tudo, e de repente o palhaço fica 4 dias sem me telefonar. 4 dias!!!!!!!!!
ora, desaparecer depois de um ou dois encontros com cara de 'estamos ficando', etc, vá lá, a gente já se acostumou (estamos até começando a usar a tática também... risos... ainda vão sentir na pele como é...) mas desaparecer porque não consegue acabar um namoro.... isso não dá!
parafraseando diriam Didi Wagner e Marina Person...*: homem maleducado não dá!!! namorado que desaparece não dá!!!!!!!!
*balela MTV
(no último episódio [voz do locutor do "Jambo e Ruivão"], hp, o Homem-Palhaço entrou de sopetão na minha vida e em uma semana saiu comigo umas 4 vezes e me convidou pra passar o reveillòn com ele. de repente, desapareceu! o que terá acontecido a hp? estará vivo, morto? ou escrevendo sua qualificação de mestrado com um mês de antecedência e se comportando feito uma criança de 12 anos de idade? vejam após os comerciais....)
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pausa para os comerciais
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hp estava em casa, e mandou o pai dizer que não estava. mas eu ouvi a voz do infeliz, ao fundo. eu simplesmente não podia acreditar! aquilo realmente ultrapassava a minha capacidade de agüentar cavalices, quer dizer, palhaçadas masculinas.
eu disse ao pai, então, que sabia que ele estava lá, que não tinha feito nada pra ele me tratar assim. e mandei chamar. o pai engasgou, tossiu, pensou uns 5 segundos e disse 'não, ele foi na padaria, já volta. eu aviso que vc ligou' (palhaço).
ligou de volta em menos de 5 min, o palhaço. ah, nem lembro mais o que falei pra ele, perguntei quantos anos ele tinha (29. bem, e a idade mental, nenê?), falei que era mal educado, etc, desci a lenha. achei o fim. a história não é exatamente divertida, mas me tirou do sério (risos).
hp me disse que ele tinha que escrever a qualificação de mestrado dele para depositar dentro de um mês - nisso eu acredito. então, surtou e resolveu não atender mais o telefone. ahã, claro. ah, tá. humhum. não tá atendendo nem os amigos?!?! nossa, é mesmo?!!?!
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o fato é que, depois de muitos anos de prática, estou acostumada com homens que desaparecem para não dizer na sua cara que não querem mais sair com vc. o último foi uma pessoa com quem eu estava namorando - atenção, namorando mesmo -, nos víamos umas 3 vezes por semana, a gente já tinha uma rotina (aliás, tivemos uma rotina desde o primeiro dia, praticamente - Freud explica) e tudo, e de repente o palhaço fica 4 dias sem me telefonar. 4 dias!!!!!!!!!
ora, desaparecer depois de um ou dois encontros com cara de 'estamos ficando', etc, vá lá, a gente já se acostumou (estamos até começando a usar a tática também... risos... ainda vão sentir na pele como é...) mas desaparecer porque não consegue acabar um namoro.... isso não dá!
parafraseando diriam Didi Wagner e Marina Person...*: homem maleducado não dá!!! namorado que desaparece não dá!!!!!!!!
*balela MTV
O emilianas comemora a marca das 2000 visitas! Eeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!!!!!!!!!
Obrigada, visitantes freqüentes e passantes desavisados!
18 setembro 2005
Terezinha de Jesus
Aproveitando conversas inspiradas no blog Homem é tudo Palhaço, cujo link se encontra na nova barra de links aí do lado esquerdo, conto a história do homem mais palhaço que tive o desprazer de conhecer na minha vida de moça namoradeira:
primeiro dia: conheci o hp (homem-palhaço) e ficamos logo de cara.
dia seguinte: hp me telefonou e me convidou pra sair. saímos.
terceiro dia: hp veio na minha casa, abriu minha geladeira e enfiou cervejas nela sem a menor cerimônia*, além de tirar os sapatos e se comportar como se estivesse no circo.
quarto dia: hp me chamou para uma balada com os amigos dele: me apresentou aos amigos, tivemos uma ótima noite, divertidíssima, eu cantei (sim, eu canto, e bem!), ele cantou (o miserável também canta bem) e tudo parecia ir às mil maravilhas.
quinto dia: hp me convida para passar o reveillòn com ele.
sexto dia: nem sinal de hp.
sétimo dia: o que será que aconteceu?
....
décimo-quarto dia: telefono para hp. hp manda o pai dizer que não está (eu posso ouvi-lo).
Aguardem o próximo capítulo....... :-)
*soa familiar? "o segundo me chegou/como quem chega do bar/trouxe um litro de aguardente/tão amarga de tragar/indagou o meu passado/e cheirou minha comida/vasculhou minha gaveta/me chamava de perdida"... Ah, Chico! (suspiros, uns cinco)
primeiro dia: conheci o hp (homem-palhaço) e ficamos logo de cara.
dia seguinte: hp me telefonou e me convidou pra sair. saímos.
terceiro dia: hp veio na minha casa, abriu minha geladeira e enfiou cervejas nela sem a menor cerimônia*, além de tirar os sapatos e se comportar como se estivesse no circo.
quarto dia: hp me chamou para uma balada com os amigos dele: me apresentou aos amigos, tivemos uma ótima noite, divertidíssima, eu cantei (sim, eu canto, e bem!), ele cantou (o miserável também canta bem) e tudo parecia ir às mil maravilhas.
quinto dia: hp me convida para passar o reveillòn com ele.
sexto dia: nem sinal de hp.
sétimo dia: o que será que aconteceu?
....
décimo-quarto dia: telefono para hp. hp manda o pai dizer que não está (eu posso ouvi-lo).
Aguardem o próximo capítulo....... :-)
*soa familiar? "o segundo me chegou/como quem chega do bar/trouxe um litro de aguardente/tão amarga de tragar/indagou o meu passado/e cheirou minha comida/vasculhou minha gaveta/me chamava de perdida"... Ah, Chico! (suspiros, uns cinco)
17 setembro 2005
Cara nova
Depois de tanto tempo sonhando em mexer na droga do template (configurações) deste bloguinho, finalmente consegui!
Como vcs podem ver, estou numa fase de cores bebê, rosinhas e pastéis... deve ser o chamado da mãe natureza... (risos)
Não sei se todo mundo vai gostar, mas eu estou vibrando com a minha incrível e insuperável sagacidade e capacidade de mudar as cores no html!
Quem visitar posts antigos ainda vai ver um pouco de laranja, mais de acordo com o esquema de cores anterior do blog: pra mudar, eu teria que ir post por post fazendo a alteração, e não tenho nem tempo nem saco pra isso.
Bem, eu só queria compartilhar a nova cara do Emilianas com os meus fiéis leitores, e também o fato de que agora temos uma barra de links para outros blogs que eu visito, de amigos ou não.
Agora só me falta conseguir botar lá em cima o cabeçalho lindo que o Calendas fez pra mim, que até hoje não consegui.... aí já é pedir demais do meu parco conhecimento de html.
Deixem suas opiniões!!!!!!!!
Como vcs podem ver, estou numa fase de cores bebê, rosinhas e pastéis... deve ser o chamado da mãe natureza... (risos)
Não sei se todo mundo vai gostar, mas eu estou vibrando com a minha incrível e insuperável sagacidade e capacidade de mudar as cores no html!
Quem visitar posts antigos ainda vai ver um pouco de laranja, mais de acordo com o esquema de cores anterior do blog: pra mudar, eu teria que ir post por post fazendo a alteração, e não tenho nem tempo nem saco pra isso.
Bem, eu só queria compartilhar a nova cara do Emilianas com os meus fiéis leitores, e também o fato de que agora temos uma barra de links para outros blogs que eu visito, de amigos ou não.
Agora só me falta conseguir botar lá em cima o cabeçalho lindo que o Calendas fez pra mim, que até hoje não consegui.... aí já é pedir demais do meu parco conhecimento de html.
Deixem suas opiniões!!!!!!!!
um post sobre tédio, chá e chocolate
Odeio frio. Acho até charmoso botar um sobretudo num dos 10 dias do ano frios o suficiente para isso; adoro cachecol e lencinhos para esquentar o pescoço, sobretudo agora que desisti das blusas de gola alta, nada apreciadas pelo sexo oposto; gosto de acordar quentinha debaixo do cobertor e de botar roupinha no meu Xulindinho, o cão (ele tem uma que quando põe fica a cara do Marcelo Anthony); adoro beber chá o dia todo, quentinho, preto, importado, ou pode ser um Mate mesmo que já tá de bom tamanho - mas não é tão chique; amo cappuccino, embora tenha bebido muito menos do que gostaria este inverno tentando não engordar; e claro, ADORO chocolate e tenho comido muito mais dele e de outros doces do que deveria.
Mas o frio me trava demais. Essa coisa de país tropical que não se protege direito do frio é punk. Há quem passe mais frio aqui do que na Europa e outros lugares muuuuuuuuito, mas muuuuuuuito mais frios. Tudo bem, temos menos meses de inverno e por isso nossa taxa de suicídio é mais baixa, mas um inverninho, mesmo tropical, deixa a gente (leia-se eu) mais deprê e com menos ânimo pra tudo, inclusive para as coisas mais básicas da vida como ir ao supermercado ou ir praticar exercício.
E eu, que já andava tirando sandália do armário e lavando as roupas de inverno pra guardar, graças ao verão antecipado que tivemos há umas duas semanas, fui pega de surpresa pela volta do frio. Não tenho vontade de fazer nada. Nada mesmo. Nem mesmo de me levantar da cama, se quer saber. Tenho feito as coisas porque as tenho tantas que não tenho opção a não ser fazê-las meio automaticamente. E olha que nem tem feito tanto frio.
Acho que o único efeito benéfico do efeito estufa é nos proporcionar um veranico em pleno mês de agosto. No verão a gente é mesmo mais feliz.
Mas o frio me trava demais. Essa coisa de país tropical que não se protege direito do frio é punk. Há quem passe mais frio aqui do que na Europa e outros lugares muuuuuuuuito, mas muuuuuuuito mais frios. Tudo bem, temos menos meses de inverno e por isso nossa taxa de suicídio é mais baixa, mas um inverninho, mesmo tropical, deixa a gente (leia-se eu) mais deprê e com menos ânimo pra tudo, inclusive para as coisas mais básicas da vida como ir ao supermercado ou ir praticar exercício.
E eu, que já andava tirando sandália do armário e lavando as roupas de inverno pra guardar, graças ao verão antecipado que tivemos há umas duas semanas, fui pega de surpresa pela volta do frio. Não tenho vontade de fazer nada. Nada mesmo. Nem mesmo de me levantar da cama, se quer saber. Tenho feito as coisas porque as tenho tantas que não tenho opção a não ser fazê-las meio automaticamente. E olha que nem tem feito tanto frio.
Acho que o único efeito benéfico do efeito estufa é nos proporcionar um veranico em pleno mês de agosto. No verão a gente é mesmo mais feliz.
09 setembro 2005
Chorinho de camelo
A história do camelo chorão, em inglês, ou em português, Camelos também choram.
Emilia também chora, todo mundo chora (ou, pelo menos, os mais sensíveis) com a historinha do pequeno camelo que nasce no deserto da Mongólia e é rejeitado pela mãe (coisa comum, não só entre os animais, mas também entre as gentes) depois de um parto difícil, de 2 dias. Ele tenta mamar, mas ela não deixa. Pobre camelinho.
Mas o título do filme não se refere ao baby camelo, branquinho, que chora aquele chorinho de animal que todo mundo que tem cachorro conhece bem. Conto o porquê: depois de várias tentativas de aproximar o filhote da mãe, resolvem os nômades chamar um violinista de uma aldeia - distante um dia e meio de camelo do acampamento - para fazer um ritual.
O violinista vem. E toca violino. Uma moça do acampamento canta uma canção, enquanto faz carinho na camela. E a camela começa a lacrimejar.... É incrível! Parece que os camelos ficam hipnotizados com a música... A mãe camela vai se acalmando e finalmente aceita o filhote.
O filme foi indicado ao Oscar de melhor documentário, é realmente lindo, lindo.
É assistir e chorar junto com os camelos...
Emilia também chora, todo mundo chora (ou, pelo menos, os mais sensíveis) com a historinha do pequeno camelo que nasce no deserto da Mongólia e é rejeitado pela mãe (coisa comum, não só entre os animais, mas também entre as gentes) depois de um parto difícil, de 2 dias. Ele tenta mamar, mas ela não deixa. Pobre camelinho.
Mas o título do filme não se refere ao baby camelo, branquinho, que chora aquele chorinho de animal que todo mundo que tem cachorro conhece bem. Conto o porquê: depois de várias tentativas de aproximar o filhote da mãe, resolvem os nômades chamar um violinista de uma aldeia - distante um dia e meio de camelo do acampamento - para fazer um ritual.
O violinista vem. E toca violino. Uma moça do acampamento canta uma canção, enquanto faz carinho na camela. E a camela começa a lacrimejar.... É incrível! Parece que os camelos ficam hipnotizados com a música... A mãe camela vai se acalmando e finalmente aceita o filhote.
O filme foi indicado ao Oscar de melhor documentário, é realmente lindo, lindo.
É assistir e chorar junto com os camelos...
07 setembro 2005
Bingo
Dia desses, fui na casa de uma antiga empregada nossa em Botucatu, a Tê. Fui fazer uma visita (ela trabalhou mais de 15 anos na minha casa), pegar uma planta que ela botou no vaso pra mim, ver como ela está. Fui jogar bingo com ela e seus amigos, gente muito simples, praticamente da roça.
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A Tê teve um tumor detectado no pescoço há cerca de um ano. Fizeram biópsia, extraíram o caroço. Pelos exames, parecia ser uma metástase. Centenas de exames depois, não conseguiram achar o tumor principal.
O tumor no pescoço reapareceu. Foi sugerida cirurgia, mas com riscos (não sei ao certo quais, mas riscos graves. inclusive de atingir um nervo, acho eu). Ela optou por não operar.
Está se tratando com um médico naturalista, um curandeiro, não sei ao certo. É muito católica. Talvez aguarde um milagre.
Estes dias, quando estive lá, notei que o pescoço está inchando. Será impressão minha? Não sei, provavelmente não.
E o que é que a gente pode dizer? Temos direito de dizer alguma coisa? Só quero que ela esteja bem e, na medida do possível, tranqüila.
Jogamos bingo um tempão, quase até a meia-noite. Foi muito divertido. Mas depois veio uma tristeza.
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Se eu rezasse, pediria a Deus que ela não se arrependa da escolha que fez. Que não tenha dúvidas, jamais; que a fé que ela tem dê a ela força para ir em frente, sem olhar pra trás. Ela sempre foi muito forte. Construiu mais de uma casa, de verdade, levantou paredes, junto com o marido. Que ela permaneça assim, forte, sempre.
Olhar para um passado que desejaríamos diferente ou para um futuro que tememos pode trazer muito sofrimento. Que ela olhe, sempre, o presente.
Quanto a mim, só espero ainda estar presente muitas vezes ao presente da minha querida Tê.
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A Tê teve um tumor detectado no pescoço há cerca de um ano. Fizeram biópsia, extraíram o caroço. Pelos exames, parecia ser uma metástase. Centenas de exames depois, não conseguiram achar o tumor principal.
O tumor no pescoço reapareceu. Foi sugerida cirurgia, mas com riscos (não sei ao certo quais, mas riscos graves. inclusive de atingir um nervo, acho eu). Ela optou por não operar.
Está se tratando com um médico naturalista, um curandeiro, não sei ao certo. É muito católica. Talvez aguarde um milagre.
Estes dias, quando estive lá, notei que o pescoço está inchando. Será impressão minha? Não sei, provavelmente não.
E o que é que a gente pode dizer? Temos direito de dizer alguma coisa? Só quero que ela esteja bem e, na medida do possível, tranqüila.
Jogamos bingo um tempão, quase até a meia-noite. Foi muito divertido. Mas depois veio uma tristeza.
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Se eu rezasse, pediria a Deus que ela não se arrependa da escolha que fez. Que não tenha dúvidas, jamais; que a fé que ela tem dê a ela força para ir em frente, sem olhar pra trás. Ela sempre foi muito forte. Construiu mais de uma casa, de verdade, levantou paredes, junto com o marido. Que ela permaneça assim, forte, sempre.
Olhar para um passado que desejaríamos diferente ou para um futuro que tememos pode trazer muito sofrimento. Que ela olhe, sempre, o presente.
Quanto a mim, só espero ainda estar presente muitas vezes ao presente da minha querida Tê.
Melhor que botox
Estou descobrindo minha própria Emilia. Ela se sente bem mais confortável no papel de professora do que no de advogada. Adoooooooora ser chamada de professora, não gosta de ser chamada de doutora (só vai gostar no dia que for doutora de verdade). Aos pouquinhos está virando professora mesmo. Agora, vai dar aulas num curso de capacitação. (eba!!!!!!!)
Os alunos da São Francisco a chamam de professora, e ela realmente adora. Não cabe em si, de tão feliz, ao enfrentar a turma com a aula preparada. Fala de boca cheia que está dando aulas.
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Porque será que demorei tanto pra entender uma coisa tão simples?...
Sempre admirei meus professores, muito mais do que admiro bons advogados ou bons juízes. Uma boa aula é um tesão. A reação da classe ao que vc diz é um tesão - principalmente se for uma reação boa (risos).
Estou me sentindo cada vez mais jovem ao lidar com pessoas mais jovens que eu, gente nascida em 1984 (!), cabecinhas fresquinhas, curiosas.
Acho que estou como naquele comercial de creme anti-rugas: vou começar a dar aulas aos 28 e acho que, logo logo, chego aos 25...
Os alunos da São Francisco a chamam de professora, e ela realmente adora. Não cabe em si, de tão feliz, ao enfrentar a turma com a aula preparada. Fala de boca cheia que está dando aulas.
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Porque será que demorei tanto pra entender uma coisa tão simples?...
Sempre admirei meus professores, muito mais do que admiro bons advogados ou bons juízes. Uma boa aula é um tesão. A reação da classe ao que vc diz é um tesão - principalmente se for uma reação boa (risos).
Estou me sentindo cada vez mais jovem ao lidar com pessoas mais jovens que eu, gente nascida em 1984 (!), cabecinhas fresquinhas, curiosas.
Acho que estou como naquele comercial de creme anti-rugas: vou começar a dar aulas aos 28 e acho que, logo logo, chego aos 25...
27 agosto 2005
outras conclusões (alguns minutos depois)
Antes que me xinguem de melodramática ou de ter autopiedade, ou qualquer outro eufemismo pra isso, vamos lá: o post abaixo é pra ser uma historinha mesmo. Embora tenha repercussões na minha vida hoje, já não tenho um envolvimento emocional significativo com o que aconteceu em 1995. Mas não posso negar que me causa problemas até hoje. E que minha vida profissional pode facilmente se prejudicar por causa de uma depressão ou de uma crise de ansiedade.
No mercado, hoje, não há lugar pra compreensão. Ninguém quer saber que merda aconteceu na sua vida que pode ter desencadeado aquilo. O que se espera de todos é que dêem resultado. No formulário de preenchimento da FAPESP não posso escrever: "repeti as matérias porque tive depressão". Ou: "tenho um problema de ansiedade que paralisou a minha vida profissional nos últimos 4 anos." Não há lugar pra isso.
Mas as merdas que eu fiz antes não significam que eu precise continuar fazendo. Hoje já consigo identificar o possível início de uma depressão ou crises de ansiedade logo no começo. O que previne a fazeção de cagadas de potencial mais destrutivo.
Não é incrível? Percebo que tudo o que eu tenho de doenças, sejam psíquicas ou físicas, são do tipo auto-destrutivo: gastrite, depressão, um precipitado (mas não impossível) diagnóstico de doença auto-imune... Quer algo mais auto-destrutivo que uma doença auto-imune? Criar anticorpos anti-vocêmesmo é realmente algo que só se explica somaticamente falando...
Felizmente eu não arranco tufos de cabelo nem os cílios dos olhos (tem quem faça isso), não rôo unha, não fumo, não bebo (só socialmente) e não uso drogas.
Mas sexo eu faço, tá?
No mercado, hoje, não há lugar pra compreensão. Ninguém quer saber que merda aconteceu na sua vida que pode ter desencadeado aquilo. O que se espera de todos é que dêem resultado. No formulário de preenchimento da FAPESP não posso escrever: "repeti as matérias porque tive depressão". Ou: "tenho um problema de ansiedade que paralisou a minha vida profissional nos últimos 4 anos." Não há lugar pra isso.
Mas as merdas que eu fiz antes não significam que eu precise continuar fazendo. Hoje já consigo identificar o possível início de uma depressão ou crises de ansiedade logo no começo. O que previne a fazeção de cagadas de potencial mais destrutivo.
Não é incrível? Percebo que tudo o que eu tenho de doenças, sejam psíquicas ou físicas, são do tipo auto-destrutivo: gastrite, depressão, um precipitado (mas não impossível) diagnóstico de doença auto-imune... Quer algo mais auto-destrutivo que uma doença auto-imune? Criar anticorpos anti-vocêmesmo é realmente algo que só se explica somaticamente falando...
Felizmente eu não arranco tufos de cabelo nem os cílios dos olhos (tem quem faça isso), não rôo unha, não fumo, não bebo (só socialmente) e não uso drogas.
Mas sexo eu faço, tá?
perdoai-os senhor, eles não sabem o que fazem
Quando eu tinha 18 anos tive uma depressão profunda. 1995. Eu fazia duas faculdades ao mesmo tempo, cantava no Coral em uma, e era representante discente e Diretora no Centro Acadêmico da outra. Na época, o merda do meu psicólogo (era um merda mesmo) não conseguiu identificar que eu estava em depressão. E os meus pais nem podiam mesmo, porque eu mal falava com eles. Contava algumas mentiras e eles achavam que tudo estava bem.
Em julho daquele ano me apaixonei por um rapaz que morava em Brasília, e desde então só chorava. Ia dormir às 4 da manhã todo dia e mal dava conta de assistir às aulas no período da tarde(!). A minha república era um lixo, e eu passava a madrugada assistindo TV a cabo e matando baratas, de todos os tamanhos, formatos e cores, que andavam pelo chão e subiam pelas paredes. Eu saía com mais uns dois ou três rapazes em SP para suprir a minha carência que não tinha fim. E chorava de saudades do candango, que não vinha nunca me ver porque não sabia dar um passo sem pedir autorização pro merda (era um merda mesmo) do pai dele.
No final do ano, mudei-me pro apartamento onde moro até hoje. No meio da depressão. A merda da terapia já tinha ido pro espaço. Também, era uma merda mesmo.
Resultados:
1) a gente paga pelos erros do passado, ainda que eles tenham sido cometidos na juventude/adolescência. paga um preço mais alto do que devia, às vezes.
2) ansiedade é o mal do século. e é uma MERDA. assim como era o meu terapeuta. acho que vou processar esse filhodaputa...
Em julho daquele ano me apaixonei por um rapaz que morava em Brasília, e desde então só chorava. Ia dormir às 4 da manhã todo dia e mal dava conta de assistir às aulas no período da tarde(!). A minha república era um lixo, e eu passava a madrugada assistindo TV a cabo e matando baratas, de todos os tamanhos, formatos e cores, que andavam pelo chão e subiam pelas paredes. Eu saía com mais uns dois ou três rapazes em SP para suprir a minha carência que não tinha fim. E chorava de saudades do candango, que não vinha nunca me ver porque não sabia dar um passo sem pedir autorização pro merda (era um merda mesmo) do pai dele.
No final do ano, mudei-me pro apartamento onde moro até hoje. No meio da depressão. A merda da terapia já tinha ido pro espaço. Também, era uma merda mesmo.
Resultados:
- repeti todas as 4 matérias em que eu estava matriculada na faculdade de Direito.E o pior: o pessoal assinava as listas pra mim, então eu tinha 99% de presença mas fiquei com ZERO de nota. Não consegui ir fazer uma única prova. Nada. Até hoje meus pais não sabem que, na verdade, nunca tranquei a faculdade de direito. Repeti tudo mesmo.
- larguei o Coral no meio de uma série de apresentações marcadas praquele final de 1995. Simplesmente deixei o regente na mão, sem qualquer justificativa. Não tinha coragem de ir lá dizer que não conseguia mais.
- mínimas chances de conseguir bolsa na FAPESP com reprovações no histórico escolar.
- idade: não sou mais recém-formada
- não fiz iniciação científica, embora tenha tentado, mas as minhas reprovações fizeram com que eu não conseguisse a bolsa
- neurose que vira ansiedade por problemas com dinheiro, que gera outros problemas, como dificuldade de trabalhar e estudar
- incapacidade de administrar coisas demais ao mesmo tempo sem fazer alguma delas meia-boca. nesse caso, meia-boca foi o trabalho que fiz pra pós, no qual tirei nota B, o que certamente reduzirá ainda mais as minhas chances de obter uma bolsa.
1) a gente paga pelos erros do passado, ainda que eles tenham sido cometidos na juventude/adolescência. paga um preço mais alto do que devia, às vezes.
2) ansiedade é o mal do século. e é uma MERDA. assim como era o meu terapeuta. acho que vou processar esse filhodaputa...
22 agosto 2005
4x4
Vixi, faz tempo que eu não venho aqui.
Ando meio desligada, meio deprimida, meio me sentindo culpada com os sapatos, calças e blusas que comprei.
Noto que, quando volto de um retiro budista, sempre consumo menos. O consumo realmente está associado (no meu caso) à ansiedade. Não que eu seja uma consumista louca, isso não. Tenho momentos... (risos).
Aliás outro dia aconteceu uma coisa engraçada - acho que estou conseguindo virar uma pessoa moderada nos meus gostos, na minha vida (o que, pra mim, é bom) - : eu já passei por duas entrevistas para pesquisa de mercado e não passei em nenhuma das duas. E acho que talvez só passasse em uma: a de chocólatras. Mesmo assim, atualmente tenho tentado moderar o consumo de chocolate...
As entrevistas eram pra saber se eu tinha o perfil pra participar de pesquisas de mercado de um produto pra cabelo e café. Pra primeira não passei porque só faço escova umas 4 x por ano, não pinto o cabelo (ainda), não faço alisamento, e faço hidratação também só umas 4 x por ano. Ou seja, não sou uma boa consumidora pra testar produtos pro cabelo.... Pra segunda... bem, precisava beber café 3x ao dia!!!
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Coisas que eu faço 3 ou mais vezes ao dia:
Ando meio desligada, meio deprimida, meio me sentindo culpada com os sapatos, calças e blusas que comprei.
Noto que, quando volto de um retiro budista, sempre consumo menos. O consumo realmente está associado (no meu caso) à ansiedade. Não que eu seja uma consumista louca, isso não. Tenho momentos... (risos).
Aliás outro dia aconteceu uma coisa engraçada - acho que estou conseguindo virar uma pessoa moderada nos meus gostos, na minha vida (o que, pra mim, é bom) - : eu já passei por duas entrevistas para pesquisa de mercado e não passei em nenhuma das duas. E acho que talvez só passasse em uma: a de chocólatras. Mesmo assim, atualmente tenho tentado moderar o consumo de chocolate...
As entrevistas eram pra saber se eu tinha o perfil pra participar de pesquisas de mercado de um produto pra cabelo e café. Pra primeira não passei porque só faço escova umas 4 x por ano, não pinto o cabelo (ainda), não faço alisamento, e faço hidratação também só umas 4 x por ano. Ou seja, não sou uma boa consumidora pra testar produtos pro cabelo.... Pra segunda... bem, precisava beber café 3x ao dia!!!
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Coisas que eu faço 3 ou mais vezes ao dia:
- escovar os dentes
- comer
- beber
- fazer xixi
- checar e-mails
- pensar no meu saldo devedor no banco
08 agosto 2005
O círculo do eterno retorno
Teminha recorrente nesse blog, não? Ah, tô falando da TPM. É que tem todo mês, sabe? Tooooodo mês. Todo mesmo. Every fucking month!!! (com acento no 'fu')
Claro que aí as coisas se encadeiam sem a gente perceber. Quando viu, já pegou aquele drama que faz chorar. Bem que eu tentei uma comédia, ontem assisti Legally Blonde 2, engraçadinho, totalmente excelente, como diria Paulo Bonfá, para dias de deprê. Mas não pude evitar seu contraponto dramático (eu tive um namorado que me acusava, assim mesmo, quase um xingamento, de ser dramática. o filho da puta.), The Hours. Até fiquei com vontade de ler Mrs. Dalloway, mas acho perigoso ler um livro sobre uma mulher que se mata (ooops, parece que ela não se mata, afinal) assim, do nada, num dia como esses.
Ontem já tive minha cota de pensamentos sobre morte. Hoje já tive minha conta de pensamentos sobre 'eu não vou conseguir ser nada na vida e uma hora vou ficar desempregada e sem ter onde cair morta porque não arrumei um emprego público; melhor prestar concurso em alguma universidade...'. Esse mês só não tive ainda a cota de pensamentos 'eu nunca vou achar ninguém e ter filhos e vou morrer sozinha'.
Então acho melhor encher a cara de óleo de prímula (ahaaa!!! achou que eu dizer vinho, né? ou uísque? ou vodka, que eu não encho a cara com bebida vagabunda...), e esperar mais uma semana passar. Esperar passarem as horas.
Claro que aí as coisas se encadeiam sem a gente perceber. Quando viu, já pegou aquele drama que faz chorar. Bem que eu tentei uma comédia, ontem assisti Legally Blonde 2, engraçadinho, totalmente excelente, como diria Paulo Bonfá, para dias de deprê. Mas não pude evitar seu contraponto dramático (eu tive um namorado que me acusava, assim mesmo, quase um xingamento, de ser dramática. o filho da puta.), The Hours. Até fiquei com vontade de ler Mrs. Dalloway, mas acho perigoso ler um livro sobre uma mulher que se mata (ooops, parece que ela não se mata, afinal) assim, do nada, num dia como esses.
Ontem já tive minha cota de pensamentos sobre morte. Hoje já tive minha conta de pensamentos sobre 'eu não vou conseguir ser nada na vida e uma hora vou ficar desempregada e sem ter onde cair morta porque não arrumei um emprego público; melhor prestar concurso em alguma universidade...'. Esse mês só não tive ainda a cota de pensamentos 'eu nunca vou achar ninguém e ter filhos e vou morrer sozinha'.
Então acho melhor encher a cara de óleo de prímula (ahaaa!!! achou que eu dizer vinho, né? ou uísque? ou vodka, que eu não encho a cara com bebida vagabunda...), e esperar mais uma semana passar. Esperar passarem as horas.
31 julho 2005
Integral
Mês agitado, cheio de acontecimentos. Muita bagunça interior. Paixões, desejos, tristezas, frustrações. Falta de tempo: esse que quando nos sobra nos falta e quando nos falta... bem, nos falta mesmo.
Me faltou, especialmente, tempo pra processar tudo. Pra digerir... se necessário, até, ruminar um pouco antes de engolir. A sensação que tenho é que tive que engolir tudo inteiro. E com casca.
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Aos pouquinhos vou tomando consciência do que é ser adulto, e isso me fascina e me assusta simultaneamente. Sempre tive medo desse momento, em que perderia as prerrogativas de mocinha, de recém-formada, e assumiria as 'responsas' que vêm junto com a liberdade de ser adulto. Ser adulto é responder pelos próprios atos, sem ninguém pra botar a culpa se der alguma merda. Isso é difícil. Espero conseguir, com alguma dignidade.
Sinto que finalmente estou construindo meus próprios caminhos... como diria aquele que eu cito, mas nunca sei o nome: "camiñante, no hay camiño. el camiño se hace al andar".
Me faltou, especialmente, tempo pra processar tudo. Pra digerir... se necessário, até, ruminar um pouco antes de engolir. A sensação que tenho é que tive que engolir tudo inteiro. E com casca.
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Aos pouquinhos vou tomando consciência do que é ser adulto, e isso me fascina e me assusta simultaneamente. Sempre tive medo desse momento, em que perderia as prerrogativas de mocinha, de recém-formada, e assumiria as 'responsas' que vêm junto com a liberdade de ser adulto. Ser adulto é responder pelos próprios atos, sem ninguém pra botar a culpa se der alguma merda. Isso é difícil. Espero conseguir, com alguma dignidade.
Sinto que finalmente estou construindo meus próprios caminhos... como diria aquele que eu cito, mas nunca sei o nome: "camiñante, no hay camiño. el camiño se hace al andar".
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