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20 outubro 2005

Peruada

Pra quem não sabe, Peruada é(era) a festa São Franciscana mais famosa e (outrora) democrática que há(houve). Tudo começa(va) com o Grito do Peru, na quarta-feira imediatamente anterior, em que a clássica bandinha uniformizada toca(va) marchinhas para embalar os estudantes do Largo. A Sala do Diretor é(era) invadida, e os alunos vão(iam) passando de sala em sala, interrompendo e invadindo as aulas e chamando os demais para a bagunça. No meio disso tudo, Vitão ("Rei,rei,rei, Vitão é nosso Rei!"), com roupa de mesa branca, ou sei lá eu que tipo de roupa é(era) aquela, gira(va) e exibe(ia) o pobre Peru bêbado para todos [o bicho de vez em quando dá(va) umas batidas de asas revoltada, tenta(va) escapar, inutilmente - até o olho de alguns já tentou furar - eu mesma vi].
A festa do Grito rola(va) a noite inteira no porão e na Sala dos Estudantes, com música e bebida de graça.
Na sexta de manhã, muitos depois de passar a noite na Faculdade misturando a famosa pinga com groselha e outras coisas docinhas e palatáveis, começa(va)m a chegar os fantasiados. Coisa mais estranha: piratas, enforcados, bombons sonho de valsa, tubo de pasta de dente, havaianas e outros mais tradicionais circulando pelo centro em plenas 9 da manhã. A bebedeira geral começa(va) muito cedo, e ao meio-dia já tem(tinha) gente caindo pelas Arcadas, a velha e sempre nova Academia.
O desfile começa(va) ao meio-dia, com trio elétrico pelas ruas do centro. A festa é(era) democrática, qualquer um pode(ia) participar. Basta(va) se juntar ao grupo de malucos fantasiados e passar pela Líbero Badaró, Municipal, Ipiranga, São João, São Luis, Câmara Municipal (com direito a parada para vaias) e, finalmente, o Panteão, monumento magistral, o Fórum João Mendes, onde se rala(va) todo dia e se gasta(va) muita sola de sapato. Muita gente interrompe(ia) a caminhada no meio do caminho, havendo alguns que sequer conseguem(iam) sair do Largo. Outros se perde(ia)m, confundindo a São Luis com a São João. Alguns (reza a lenda) ainda se esbarra(va)m em algum(a) mendigo(a) ou passante mais fofo(a), mais arrumadinho(a), e fica(va)m por ali mesmo curtindo um chamego. Há quem caia(ísse) amparado pelos amigos, outros simplesmente cae(ia)m, sem mais. Amigos faze(ia)m cerco em torno de namoradas de outros amigos para impedir um possível estupro ou rapto consentido.
O que acontece(ia) ali é(era) lenda. É(era) um grande pacto de libertinagem em que, se não houver(sse) prova, é porque na verdade não aconteceu.
Chegando, finalmente, ao João Mendes, os meninos (e umas moças corajosas) escala(vam) bravamente suas grades, chegando até mesmo às primeiras janelas. Rapazes MUITO bêbados escalando desprotegidos. Polícia tentando proteger o Fórum. Mais polícia e cassetetes tentando proteger o Fórum. Mais polícia ainda, pancadaria nos meninos, tudo para proteger o Fórum. Ou para proteger-se da responsabilidade. Para não deixar que os meninos se machuquem(cassem), porrada neles!!!!!
Fim de festa. No porão(XI de Agosto), quando a gente chega(va), a Peruada (comida) já acabou(ara). Nem cheiro de peru. Alguns dormem(iam) boquiabertos pelas Arcadas, embalados pelo álcool e pelo cansaço. *

*houve um tempo em que foi assim. Hoje, a festa virou uma coisa estranha: o Grito virou um Sussuro, e a cervejada é fora da faculdade, com cerca pra proteger os alunos. A concentração nas Arcadas acabou, e a Peruada sai de um cinema decadente do centro, e não mais do Largo. Tem 'abadá', e é paga. Tem corda. Exclui. É como o Carnaval de Salvador. Democrática, política? Em tempos de Marchi, acabou-se a espontaneidade. Sinal dos tempos. Em breve, falaremos da Peruada somente no pretérito mais que perfeito.

17 outubro 2005

Matraca

Tem épocas que até eu canso de mim mesma. Pobres dos meus amigos, então! Meu irmão costumava me xingar muito numa época em que as coisas não andavam bem por aqui. Dizia que eu contava as mesmas histórias 500 vezes pras pessoas e depois eu ainda queria conversar com ele, sendo que ele já não agüentava mais ouvi-las.
Ele estava certo, afinal. Tem épocas que a língua não pára, parece que tem mola, quer falar, falar, falar. Eu sou prolixa por natureza, aprendi com a minha mãe. Sou repetitiva demais, chata mesmo.
Uma certa época levei à minha terapeuta a seguinte dúvida: qual será o meu maior defeito como amiga? Questão que me preocupava profundamente... Então ela me disse: os amigos sabem até onde ouvir e quando dar um basta. No momento do basta, vc percebe que está passando dos limites. E eles não vão deixar de amar vc porque estão momentaneamente de saco cheio. Fique tranqüila.
Do mesmo modo, aprendi a dar eu um basta aos amigos em certas situações. E não deixo de amá-los por causa disso. "Benditos os amigos que ficam momentaneamente de saco cheio". Eles nos ensinam os nossos limites.

15 outubro 2005

Gênero: romance

Desde menina vivo em mundos de sonho. Meu pai diz que viaja nos livros... também eu viajo em histórias. Algumas vezes pra bem longe, outros planetas, alguns mesmo inexistentes. Viajo no tempo, no espaço, no espaço-tempo.
Escritas, contadas, assistidas, sonhadas, histórias de paixões, de conquistas de mulheres, homens e reinos, de seres de fantasia ou de gente que já viveu.
Meus devaneios acordados incluem música de fundo, um close, um enquadramento americano, a iluminação perfeita. Em sonhos noturnos, sou cinematográfica: um entrelaçar de mãos pode ser dramático; um beijo, a seguir, suavemente arrebatador (brisa de fim de tarde de verão, luz da hora mágica).
Maestro, uma trilha para a letargia que me prende na cadeira! Cinco notas, por favor! Uma trilha, com banjo e violão, para... um final de semana no campo. Momentos de brincadeira com o cão. Conversar com plantas ao acordar. Estender a roupa no varal.
Acho que vou voltar a dormir.*


*inspirado (mas não necessariamente identificável) no filme Cold Mountain. a demais inspiração será sabida por quem de direito (espero).

14 outubro 2005

Casa vazia

Já tive muitas noites memoráveis de saquê (e outras nem tanto). Terminei a de hoje, de papo gostoso, depois de encher a pança de sushi, sashimi e demais iguarias japonesas que agradam o nosso paladar ocidental, com um ar de satisfação: a linda garrafa verde estava em minhas mãos. Vazia. Pronta pra ser garrafa na minha geladeira. Charmosa. Maravilhosa. Quando a gente está meio de pileque tudo é mais bonito.
Tirei cuidadosamente todo o rótulo lá mesmo no restaurante. Perfeita obra de mãos cuidadosas, delicadas, não sobrou um só papelzinho: nada daquela coisa melequenta de botar a garrafa na água quente e um tempão pra tirar a cola. Sublime. Agora basta lavar o recipiente com água e pronto (mais uma Lindoya para reciclar).
Abro a porta do carro. Três plims em seqüência, um bueiro logo ali, e lá se vai meu sonho verdejante, meu triunfo translúcido, meus sonhos de noites regadas a água com gosto de charme...
Navegará no esgoto, virará casinha de barata ou barquinho de pequenas larvas, quem sabe morada de algum girino mais resistente. Bem, alguém tem mesmo que promover a reforma agrária.

13 outubro 2005

A mal-comida e o...

Qual o equivalente masculino para mal-comida? Quero dizer, quando uma mulher é mau-humorada, grossa, implacável e sei lá mais eu o que, diz-se que é mal comida. Pessoalmente, acho que o conceito valeria para homens e mulheres, porque a vida sem sexo é muito sem graça, e a vida com sexo ruim é ainda pior . Já os bem-comidos, machos ou fêmeas, vivem com um sorriso na cara e trabalham com um humor bem melhor. Tem até teorias por aí que pregam a put.., ooooops, quer dizer, o amor livre como a solução definitiva para o homem moderno.
O fato é que mal-comida é uma ofensa. É algo que não significa só que uma mulher não foi satisfeita; diz mais sobre ela. Diz, talvez, que não gosta de sexo, talvez porque seja frígida (um mito antigamente, hoje não sei mais se se fala nisso). Diz que ninguém a quer, nem pra comer e pronto. A mulher mal-comida é triste, é desprezada, e se satisfaz ao desprezar terceiros.
Agora eu me pergunto: ninguém diz de homens mal comidos porque todos gozam (ou quase todos) e portanto estão, presumidamente, satisfeitos. E não existe (será?) homem frígido, ou que não goste de sexo (será?). Então, qual o equivalente em termos de ofensa, para um homem? "Viado" não é: além de politicamente incorreto, designa uma orientação sexual, e não é mais (embora muitos achem que é) algo que denigre um homem. "Corno"???

12 outubro 2005


Tem coisas que nem Mastercard resolve, heim?


Dessa vez coloquei aqui o La Vie en Rose, do Adão Iturrusgarai. Ele também tem site (clique aqui). Porque faço terapia há uns bons anos, adoooooro piadas de análise. E por isso eu amo TANTO o Woody Allen (mas não só).

11 outubro 2005

som e fúria

sempre ela. sempre. imagino que impérios já tenham caído por causa dela. certamente, pessoas já foram mortas sob a sua influência, alunos já tiraram nota baixa na prova, empregos já foram perdidos, casamentos desmanchados. muitas lágrimas já foram vertidas, e muito sangue também. muito filho já apanhou por causa dela. quantos carros não foram para o funileiro, faróis dianteiros e pára-choques espatifados? alguns suicídios, talvez... ela te faz perder o eixo, sentir-se incompetente, impotente. ela é capaz de transformar uma frase inocente numa tempestade, e um filme da Disney em crise existencial. e quando ela finalmente vai embora, nos sentimos aliviados , serenos e felizes. o alívio é não só psíquico, mas também físico: o corpo pesa menos, a pele está mais bonita, o sorriso no rosto mostra que a nuvem densa, carregada de trovões, foi embora, afinal. choveu, e levou a tristeza consigo. lavam-se as almas e os corpos.
ironia das maiores: sombria como é, atesta a nossa capacidade iluminada de gerar a vida. é um preço alto, todavia, esse e tantos outros. se compensa, eu não sei. espero descobrir, um dia.

09 outubro 2005

Enfim, a primavera (?)



Já tivemos a temporada de ipês amarelos, muitos ainda pequenos galhinhos se esforçando para exibir suas flores delicadas no meio de tanto cinza duro e feio, paredes pichadas e ruas esburacadas.
Há algumas semanas chegou a vez dos roxos, com exuberantes copas forradas de lilás, pintando suavemente a paisagem da cidade, pintando de alegria a 23 de Maio, a Pompéia, os Jardins, a Rebouças...
Ganhamos tapetes de cor que cobrem as calçadas maltratadas e lembram o Corpus Christi no interior, caminhos de serragem colorida aguardando a passagem dos anjinhos de asas falsas e de devotados fiéis.
A primavera chegou no calendário faz uns 20 dias, mas o friozinho ainda não foi embora. A única prova que eu tive até agora foram os ipês. Mas que prova mais linda e inspiradora! Que prazer admirar trabalho tão lindo, resistente a todos os esforços humanos de estragar a exuberância do verde, do amarelo, do lilás, do vermelho, do rosa... (suspiros)
A primavera é uma festa para os sentidos... Aproveitem!

05 outubro 2005

Adoooooooooooooooooooro o Caco Galhardo. Ele tem um site onde desfia semanalmente seu humor que sempre faz referências a escritores, mitologia, psicanálise ou ao cotidiano doméstico. Exercita a imaginação fazendo diálogos entre seres inanimados ou entre bichos. O Mambo, cachorro dele, uma época, colocava em saquinhos todos os objetos do seu dono, como celulares, cigarro, etc, para protestar contra o ensacamento diário de seu mais genuíno produto: as fezes.
Acho sensacional. Recomendo fortemente o Cartoon blog para boas risadas.

03 outubro 2005

Voto "sim". Mas sem ilusões

Resolvi trocar o meu post meia-boca por um texto de alguém bem melhor: GILBERTO DIMENSTEIN. Publicado na Folha de SP de 09/10/05. *

"Na sexta -feira à noite, completaram-se 66 dias sem um assassinato no Jardim Ângela, distrito da zona sul de São Paulo com 250 mil habitantes e apontado pela ONU, em 2000, como a região mais violenta do mundo- naquele ano, ocorreram ali, em média, 60 homicídios mensais.
É um dos casos mais extraordinários já produzidos no Brasil de ensaio contra a violência, refletindo tendência, embora em menor intensidade, em toda a região metropolitana de São Paulo.
De acordo com dados tabulados na semana passada a partir do registro de óbitos, de janeiro a agosto deste ano, comparados com o mesmo período de 2004, caiu em 22% o número de assassinatos cometidos no município de São Paulo. Se a média for mantida até dezembro, em cinco anos a redução terá se aproximado dos 50%. Nova York virou atração mundial quando esse índice caiu em 30%.
Esses números me fazem votar pela proibição do comércio de armas, mas sem nenhuma ilusão - aliás, há o risco de o referendo transmitir a falsa idéia de que, com a vitória do "sim", a taxa de violência despenque.
Desarmar é apenas um dos ingredientes, entre tantos, para reduzir a violência: quem não informar essa obviedade, com toda a clareza, estará enganando o eleitor e levando-o a uma frustração capaz de abalar a convicção em referendos.
No debate sobre as causas da queda dos homicídios em São Paulo - ninguém mais questiona que a tendência é real, embora se discorde da sua intensidade-, há uma série de apostas: 1) maior eficiência da polícia e, em especial, do policiamento comunitário; 2) articulação comunitária com a implementação de programas de inclusão de crianças e adolescentes; 3) mudanças demográficas, com menor quantidade de jovens na população; 4) bolsas de complementação de renda; 5) escolas abertas nos finais de semana; 6) fechamento dos bares antes das 22h.
Há também quem diga que, entre as causas, está o movimento de desarmamento -aliás, nascido em São Paulo graças a alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
Possivelmente, todos esses fatores influenciaram, em alguma medida, o índice de homicídios em São Paulo que, apesar das boas novidades, continua alto para padrões de civilidade. Neste contexto de tantas ofensivas combinadas não há dúvida de que o desarmamento é a cereja do bolo.
Olhando em detalhes o mapa dos assassinatos, vemos que os resultados mais exuberantes foram obtidos nas localidades em que melhor aglutinaram todas aquelas iniciativas e se entrosaram políticas públicas, como Jardim Ângela. Combinaram-se ali policiamento comunitário (integrando inclusive as polícias Militar e Civil e a Guarda Municipal); redução do horário de funcionamento dos bares e tratamento do vício de drogas, a começar do álcool; oferta de cursos profissionalizantes e de complementação educacional em sistema de pós-escola; abertura de áreas de lazer, cultura e esportes.
No mais, a comunidade do Jardim Ângela, em boa parte graças à liderança do padre irlandês Jayme Crowne, estabeleceu como prioridade comum reduzir a barbárie. O tema uniu líderes católicos, evangélicos e umbandistas; uniu donas-de-casa e educadores.
Mesmo com toda essa engenhosidade que transformou, desta vez positivamente, o Jardim Ângela numa referência mundial, a situação está bem longe da paz. Afinal, o desemprego atinge mais de 70% de seus jovens.
São múltiplas as causas de violência e, logo, são múltiplas as medidas necessárias para enfrentá-las. A prevenção se inicia quando a criança acaba de nascer e lhe é assegurada proteção e se estende na estrutura familiar e na escola de qualidade.
Está correta a afirmação do pessoal do "sim" de que um cidadão armado não está protegido diante de um marginal treinado e acostumado a atirar, muitas vezes sob efeito de droga. Alguém que perde o controle é capaz de fazer um estrago ainda maior se estiver com um revólver.
Como toda a eleição acaba simplorizando o que é complexo para atrair o voto, está se disseminando, mesmo que involuntariamente, uma ilusão. Imaginar que o desarmamento é essencial na redução da barbárie é algo parecido a supor que, com o fim da peixeira, os cangaceiros estariam imobilizados ou que, sem arco-e-flecha, os índios, no passado, sempre viveriam em paz.
O melhor de tudo -e isso é extraordinário- é o fato de o referendo ter mobilizado o Brasil, em níveis jamais vistos, para o debate sobre as causas da violência. E trouxe a chance de mostrar experiências engenhosas como as do Jardim Ângela, Heliópolis, Paraisópolis e Diadema. São casos que mostram que dá para enfrentar a barbárie.
Com toda a convicção, voto "sim", mas sem nenhuma ilusão.
PS - Para quem quiser conhecer melhor experiências bem-sucedidas de enfrentamento contra a violência, fiz um relato de vários casos em meu site www.dimenstein.com.br."

*ao amigo citado no post antigo, não fique bravo :-) explícita ou silenciosamente, vc ainda será personagem de outros, bem melhores.

gênio da informática

A despeito de ter pago pelo menos o dobro do preço pelo pente de memória RAM de 128 MB que meu pobre computador andava desesperadamente precisando há muito tempo, estou radiante! Instalei sozinha o bichinho... e o micro funcionou direitinho! Está lá, não tenho mais míseros 128 MB de RAM, agora tenho... peraí... deixeu fazer a conta... 256 MB RAM no meu micrinho, que passa tantas horas por dia ligado e, por vezes, me hipnotiza tanto que é um custo desligar.
Eu paguei mais que o dobro porque fiquei com uma preguiça fenomenal de ir até a Santa Ifigênia procurar a bendita plaqueta. Arre!!!! Tem dias que quero conforto!!!
Estou radiante também porque comprei as cadeiras que queria pra minha sala por uma pechincha (pelo menos compensa o absurdo que paguei na placa), pertinho de casa, ao invés de ter de ir até a supermegaloja Etna ou pagar 400 paus por uma singular poltroninha...(às vezes tudo é tão fácil...) São usadas, são lindas e são exatamente do jeito que eu queria. Elas estavam me esperando quietinhas na loja de móveis usados. De quebra ainda dei minhas roupas usadas (estavam há meses no armário, por preguiça de ir até o brechó)pro bazar e o cara abateu do preço... Muito feliz!!!!
Pra completar o dia de compras felizes, comprei outra coisa por mais do que devia (ah, ser classe média cansa!!!! a gente pesquisa, pesquisa, e quando dá um chute no balde fica se sentindo culpado... saco!) mas que é muuuuito importante para o meu bem-estar: uma palmilha especial para os meus pobres pés doloridos, que não suportam muito tempo com sapato nenhum, nem mesmo com tênis.
Estudar?? hmmmm.... hã? Trabalhar????? como? não entendi...
Tem dias que a gente quer mesmo é conforto...

27 setembro 2005

Príncipe das águas claras

Ele a via passar compenetrada. Observava os seus movimentos alongando-se, esticando os braços e relaxando o pescoço, no canto, tentando não ser notada. Resoluta, entrava na piscina, olhos no relógio, cronometrando os tempos: dez minutos de crawl, mais dez de perna, outros ainda de braço e, nos dez finais, cada vez um mix diferente.
Um dia, puxou conversa. Ela deu um sorriso. Simpática, trocou algumas palavras, mais por gentileza que por vontade mesmo. Não gostava de ser atrapalhada durante o treino.
Depois de um certo tempo ela já o cumprimentava, sempre um sorriso no rosto. Passou a ter mais coragem. Sentia-se mais jovem, mais vigoroso, mais estimulado quando ela estava lá. Tomou coragem: 'vc ilumina tudo quando chega'. Ela sorriu. Agradeceu. Disse que ele era muito simpático.
Trocaram nomes, trocaram outras palavras. Por vezes ela sumia, dias, semanas. Mas ele ia sempre, esperando. Esperava.
Da última vez, depois que ela sumiu bem umas duas semanas, ele criou coragem. E lhe disse tudo. Perguntara sobre ela aos outros rapazes que nadavam ali, habitualmente. 'Hoje, depois do treino, o xis salada é por minha conta'. Ela sorriu, agradeceu polidamente. 'Vamos nadar que eu tenho hora pra chegar em casa'...
Ele se alimenta dos seus sorrisos.

Jogar o jogo

Estou lendo um livro chamado Homo Ludens, de Johan Huizinga, para a disciplina que curso lá na Antropologia, na FFLCH. Ainda no comecinho, mas fala sobre o papel do jogo na vida, nas culturas.
Andei pensando esses dias sobre certos jogos que sempre tive dificuldade de jogar. O jogo do trabalho, do ambiente de escritório, das formalidades jurídicas (como chamar aquele seu ex-colega de turma de 'excelência', como se ele fosse mais excelente que vc só porque virou juiz) , da sedução, das vaidades acadêmicas, do toma-lá-dá-cá, das competências profissionais.
À medida que amadureço percebo que preciso aprender a jogar esses jogos para sobreviver com menos sobressaltos e menos sofrimento. Sempre fui bocuda, 'falo o que penso, faço o que eu quero'. Essa característica minha tem como conseqüência uma dificuldade de jogar esses jogos.
Me falta malícia, mentirinhas bem colocadas, jogo de cintura para lidar com os clientes. Me justifico demais. Explico demais. Dou satisfações demais. Em todos os campos da vida. Isso sempre me trouxe sofrimento. Um gasto desnecessário de energia com situações por não saber lidar com elas.
Mas sinto que alguma coisa está mudando (aliás, muita coisa mudou desde a minha internação no ano passado). Talvez porque eu tenha finalmente aprendido a me dar o meu devido valor. E percebido que a gente paga preços por, principalmente, falar tudo o que pensa.
Ando (percebam que é para os padrões emilianos, heim?) mais comedida, menos bocuda (não deixei de falar asneira, nem de dizer o que penso - eu sou muito boneca de pano mesmo, sou a própria Emília que tomou uma pílula - mas tenho me controlado mais...) , mais quieta no meu canto, mais dona de casa, estudiosa, concentrada.
Estou aprendendo a me preservar e a respeitar meus desejos, meus silêncios, minha vontades. Não me violento mais. Para mim, aprender a jogar determinados jogos tem sido um sinal de maturidade e a perspectiva de menos sofrimento. Com o tempo, espero ter a sabedoria de saber quando jogar a sério, quando jogar brincando e quando, simplesmente, jogar o tabuleiro pra cima e derrubar todas as peças...

26 setembro 2005

é pra isso que eu leio tanto?

Resultado: 25 pontos

Eu tenho um excelente vocabulário.


Teste Seu Vocabulário.

22 setembro 2005

Como estragar meu dia em 15 lições - parte 1. Manhã

1 - aquele cliente que nunca me paga no telefone. em pleno domingo. às 8 da manhã.
2 - a rádio municipalista de Botucatu, PRF8, no último volume (ah, mamãe querida!). qualquer hora da manhã.
3 - todo meu pão acabou. também não tem torrada. nem granola. nem uma mísera fruta. por vezes, sequer leite.
4 - a faxineira não veio.
5 - são 9h15 e eu acabo de me levantar. aquela reunião começa às 9h30. hoje é meu dia de rodízio. e estou sem dinheiro para pagar um táxi.

Gravidade zero

Em meus devaneios existenciais, de uns tempos pra cá, venho incluindo também a água. Especialmente quando estou na piscina, a mente concentrada no exercício, em dar a braçada correta, na respiração... de repente, vêm devaneios aquáticos...
Sempre tive um relacionamento muito bom com a água. Fui educada nas piscinas ao mesmo tempo em que na escola. É para mim um meio natural, que eu domino na medida do possível, e em que me sinto bem, tranqüila, sossegada.
A água desliza pela pele, nos dá leveza, nos envolve e nos acaricia. Conseguisse prender um pouco mais a respiração, ficaria um tempão ouvindo o silêncio do fundo da piscina.
Sinto um conforto muito grande na piscina - e também quando como arroz com feijão (e já escrevi anteriormente sobre os dois temas aqui). Não dizem por aí que a piscina é boa para os bebês porque os leva de volta pra barriga da mamãe, pra proteção e sensação de felicidade? Talvez isso explique o meu gostar.
Há dias em que estou mais preguiçosa; ao invés de nadar de verdade, fico brincando, dando 'viradas' ou simplesmente atravessando a piscina de um lado pra outro sem disciplina, ora um nado peito desajeitado e molenga, ora 'minhocando' ou 'borboleteando', braços jogados ao longo do corpo, sem pressa e sem compromisso.
Nesses meus devaneios de fluido azul clorado, presto atenção à textura, à sensação que me causa a água no corpo.
Só na água consigo flutuar estando em terra.

21 setembro 2005

O próximo capítulo...

... da emocionante história de hp:

(no último episódio [voz do locutor do "Jambo e Ruivão"], hp, o Homem-Palhaço entrou de sopetão na minha vida e em uma semana saiu comigo umas 4 vezes e me convidou pra passar o reveillòn com ele. de repente, desapareceu! o que terá acontecido a hp? estará vivo, morto? ou escrevendo sua qualificação de mestrado com um mês de antecedência e se comportando feito uma criança de 12 anos de idade? vejam após os comerciais....)
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pausa para os comerciais
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hp estava em casa, e mandou o pai dizer que não estava. mas eu ouvi a voz do infeliz, ao fundo. eu simplesmente não podia acreditar! aquilo realmente ultrapassava a minha capacidade de agüentar cavalices, quer dizer, palhaçadas masculinas.
eu disse ao pai, então, que sabia que ele estava lá, que não tinha feito nada pra ele me tratar assim. e mandei chamar. o pai engasgou, tossiu, pensou uns 5 segundos e disse 'não, ele foi na padaria, já volta. eu aviso que vc ligou' (palhaço).
ligou de volta em menos de 5 min, o palhaço. ah, nem lembro mais o que falei pra ele, perguntei quantos anos ele tinha (29. bem, e a idade mental, nenê?), falei que era mal educado, etc, desci a lenha. achei o fim. a história não é exatamente divertida, mas me tirou do sério (risos).
hp me disse que ele tinha que escrever a qualificação de mestrado dele para depositar dentro de um mês - nisso eu acredito. então, surtou e resolveu não atender mais o telefone. ahã, claro. ah, tá. humhum. não tá atendendo nem os amigos?!?! nossa, é mesmo?!!?!
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o fato é que, depois de muitos anos de prática, estou acostumada com homens que desaparecem para não dizer na sua cara que não querem mais sair com vc. o último foi uma pessoa com quem eu estava namorando - atenção, namorando mesmo -, nos víamos umas 3 vezes por semana, a gente já tinha uma rotina (aliás, tivemos uma rotina desde o primeiro dia, praticamente - Freud explica) e tudo, e de repente o palhaço fica 4 dias sem me telefonar. 4 dias!!!!!!!!!
ora, desaparecer depois de um ou dois encontros com cara de 'estamos ficando', etc, vá lá, a gente já se acostumou (estamos até começando a usar a tática também... risos... ainda vão sentir na pele como é...) mas desaparecer porque não consegue acabar um namoro.... isso não dá!
parafraseando diriam Didi Wagner e Marina Person...*: homem maleducado não dá!!! namorado que desaparece não dá!!!!!!!!


*balela MTV

O emilianas comemora a marca das 2000 visitas! Eeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!!!!!!!!!

Obrigada, visitantes freqüentes e passantes desavisados!

18 setembro 2005

Terezinha de Jesus

Aproveitando conversas inspiradas no blog Homem é tudo Palhaço, cujo link se encontra na nova barra de links aí do lado esquerdo, conto a história do homem mais palhaço que tive o desprazer de conhecer na minha vida de moça namoradeira:
primeiro dia: conheci o hp (homem-palhaço) e ficamos logo de cara.
dia seguinte: hp me telefonou e me convidou pra sair. saímos.
terceiro dia: hp veio na minha casa, abriu minha geladeira e enfiou cervejas nela sem a menor cerimônia*, além de tirar os sapatos e se comportar como se estivesse no circo.
quarto dia: hp me chamou para uma balada com os amigos dele: me apresentou aos amigos, tivemos uma ótima noite, divertidíssima, eu cantei (sim, eu canto, e bem!), ele cantou (o miserável também canta bem) e tudo parecia ir às mil maravilhas.
quinto dia: hp me convida para passar o reveillòn com ele.
sexto dia: nem sinal de hp.
sétimo dia: o que será que aconteceu?
....
décimo-quarto dia: telefono para hp. hp manda o pai dizer que não está (eu posso ouvi-lo).

Aguardem o próximo capítulo....... :-)



*soa familiar? "o segundo me chegou/como quem chega do bar/trouxe um litro de aguardente/tão amarga de tragar/indagou o meu passado/e cheirou minha comida/vasculhou minha gaveta/me chamava de perdida"... Ah, Chico! (suspiros, uns cinco)

17 setembro 2005

Cara nova

Depois de tanto tempo sonhando em mexer na droga do template (configurações) deste bloguinho, finalmente consegui!
Como vcs podem ver, estou numa fase de cores bebê, rosinhas e pastéis... deve ser o chamado da mãe natureza... (risos)
Não sei se todo mundo vai gostar, mas eu estou vibrando com a minha incrível e insuperável sagacidade e capacidade de mudar as cores no html!
Quem visitar posts antigos ainda vai ver um pouco de laranja, mais de acordo com o esquema de cores anterior do blog: pra mudar, eu teria que ir post por post fazendo a alteração, e não tenho nem tempo nem saco pra isso.
Bem, eu só queria compartilhar a nova cara do Emilianas com os meus fiéis leitores, e também o fato de que agora temos uma barra de links para outros blogs que eu visito, de amigos ou não.
Agora só me falta conseguir botar lá em cima o cabeçalho lindo que o Calendas fez pra mim, que até hoje não consegui.... aí já é pedir demais do meu parco conhecimento de html.
Deixem suas opiniões!!!!!!!!