Assista, se vc gostou de Magnólia, se vc gostou de Short Cuts, se vc gosta de Paul Thomas Anderson.
O filme, do mesmo roteirista de Menina de Ouro e HOtel Ruanda (Paul Haggis), tem momentos meio melodramáticos demais pro gosto de alguns, imagino eu. Cheguei a chorar de nervoso em determinadas cenas (é, definitivamente entrei na TPM).
Tema: o racismo. Os encontros e desencontros entre personagens se dão em LA... Acho que LA deve ser mesmo uma cidade muito, muito estranha. Se vc acha São Paulo estranho... LA deve botar no chinelo. Uma cidade, essa sim, que nunca dorme. Em que os contrastes são tão, mas tão escancarados que devem sair gritando no meio da rua... Não foi em LA que aquele rapaz foi espancado, filmaram, e depois passou no mundo inteiro? (fucei aqui, Rodney King é o nome do moço)
O filme tem obviedades de filmes de encontros e desencontros desse tipo. Mas se vc estiver só a fim de uma diversão sem preocupação... (se é que se pode chamar drama de diversão) vai lá. Vale o ingresso.
04 novembro 2005
Damn Eve!
E como se não bastasse a gente passar duas semanas por mês histérica/irritada/inchada/de mau humor/se sentindo um lixo....
tem uma vez por ano que o mês inteiro é assim!!!!!!!!!
Ô inferno astral!!!!!!!
tem uma vez por ano que o mês inteiro é assim!!!!!!!!!
Ô inferno astral!!!!!!!
31 outubro 2005
Constante e fiel
Ralph Fiennes parece estar condenado a fazer papéis de homens um pouco (ou muito) perturbados, ligeiramente (ou muito) deprimidos, meio amassados, comendo areia, a pele seca, os cabelos loiros despenteados e sujos, um inglês decadente, triste, triste, triste. Mesmo na felicidade ele sempre está meio triste, parece saber que acaba logo. 'Tristeza não tem fim, felicidade sim'.
O Jardineiro Fiel, de Fernando Meirelles, tem Ralph Fiennes e tem também uma temática social como pano de fundo. Não importa que o roteiro é adaptação de John Le Carrè, best seller de teorias de conspiração, o fato é que não dá pra ignorar a criançada africana correndo do lado do carro, as carinhas... crianças que vivem em uma miséria tão absoluta que nem lixo existe pra se comer os restos.
A vontade que dá são duas: deixa de ser cagona e vai fazer o trabalho humanitário que vc sempre diz que sonhou, larga essa vidinha pequeno burguesa e a preocupação com a parcela da C&A daquela roupinha descartável que vc comprou e vai logo fazer alguma coisa que realmente preste na vida; ou, se interna logo de uma vez num mosteiro budista, ou vira estúpida, que nem o Antoine, do livro do Martin Page (outro best seller), mas pare, pare, pare de olhar e saber da miséria, se culpar, e não fazer nada!
O Jardineiro Fiel, de Fernando Meirelles, tem Ralph Fiennes e tem também uma temática social como pano de fundo. Não importa que o roteiro é adaptação de John Le Carrè, best seller de teorias de conspiração, o fato é que não dá pra ignorar a criançada africana correndo do lado do carro, as carinhas... crianças que vivem em uma miséria tão absoluta que nem lixo existe pra se comer os restos.
A vontade que dá são duas: deixa de ser cagona e vai fazer o trabalho humanitário que vc sempre diz que sonhou, larga essa vidinha pequeno burguesa e a preocupação com a parcela da C&A daquela roupinha descartável que vc comprou e vai logo fazer alguma coisa que realmente preste na vida; ou, se interna logo de uma vez num mosteiro budista, ou vira estúpida, que nem o Antoine, do livro do Martin Page (outro best seller), mas pare, pare, pare de olhar e saber da miséria, se culpar, e não fazer nada!
30 outubro 2005
Pausa
Às vezes seria bom dar um 'pause' na vida. Como nos filmes mesmo: aperta-se um botão, a imagem se congela. Todo mundo entenderia quando vc estivesse em pausa. Seus prazos não correriam. Os clientes não telefonariam, tampouco os amigos ('escuta, Paulão, vc sabe do Zé?' 'ouvi dizer que está em pause'). Toda a sua vida se suspenderia por um ou dois dias (a pausa não pode ser muito longa; do contrário, não é pausa, é 'stop').
Muitos problemas poderiam se resolver com um simples 'pause'. Brigas de amigos, brigas de amor, crises existenciais, dores existenciais, culpas, remorsos. Em momentos de euforia também caberia a pausa (elaborar e absorver um pouco o momento, amadurecer a alegria...). Consumismo exagerado? Indecisão? Confusão mental? E agora, com qual namorado eu fico?
Ei, moço, apertaí o 'pause' pra mim, por favor?
Muitos problemas poderiam se resolver com um simples 'pause'. Brigas de amigos, brigas de amor, crises existenciais, dores existenciais, culpas, remorsos. Em momentos de euforia também caberia a pausa (elaborar e absorver um pouco o momento, amadurecer a alegria...). Consumismo exagerado? Indecisão? Confusão mental? E agora, com qual namorado eu fico?
Ei, moço, apertaí o 'pause' pra mim, por favor?
25 outubro 2005
E-poemail
Legal! A internet é realmente muito interessante.
Hoje recebi o primeiro e-poemail da minha vida.
De um visitante do blog, que chegou aqui pelo orkut, e que é uma pessoa que conheço, embora não conheça.
A teia tem dessas coisas. Eta mundão novo sem fronteira!!!!!!!
Hoje recebi o primeiro e-poemail da minha vida.
De um visitante do blog, que chegou aqui pelo orkut, e que é uma pessoa que conheço, embora não conheça.
A teia tem dessas coisas. Eta mundão novo sem fronteira!!!!!!!
Canção Amiga *
Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.
(Carlos Drummond de Andrade)
* ouvi, pela primeira vez, essa canção, dos lábios mais doces; adormeci em suaves braços; quando acordei, pensei que sonhara!...
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.
(Carlos Drummond de Andrade)
* ouvi, pela primeira vez, essa canção, dos lábios mais doces; adormeci em suaves braços; quando acordei, pensei que sonhara!...
24 outubro 2005
Blasè
Odeio blasè. Odeio cara de paisagem. Odeio apatia. Odeio fingimento.
Não sou blasè, sou escorpiana.
Não sou blasè, sou escorpiana.
23 outubro 2005
Peguei no UOL
da FolhaOnline
19/10/2005 - 18h22
Livro mostra como aprender com seu cachorro a viver feliz
Um livro bem-humorado com dicas de como "aprender com seu cachorro a viver feliz" será lançado, no próximo mês, no Brasil, pela Editora Francis. Em 67 lições, "Cão que late não morde" (304 páginas, R$ 22,50), escrito por Matt Weinstein e Luke Barber, mostra como os humanos podem ganhar com a observação e a adoção de alguns comportamentos dos cães no dia-a-dia.No livro, os autores convidam os leitores a pensar nos cachorros de uma forma que ainda não tinham pensado antes: como professores que podem ajudar a viver com mais satisfação e felicidade.Veja alguns exemplos de atitudes dos cachorros que poderiam ser "copiadas" pelos humanos, segundo o livro:
- Demonstrar abertamente seu amor
- Ser amigo de verdade
- Não ter vergonha de dizer "oi"
- Se adaptar à mudança
- Perdoar facilmente
- Viajar com pouca bagagem
- Levar alegria consigo
- Sempre ter esperança
- Não morder quando só um rosnado resolve
- Receber críticas sem se ressentir
- Não se desconcertar com elogios
- Não se comparar uns com os outros
- Ser feliz com uma vida simples
- Transformar o trabalho em diversão
- Ser otimista
- Não se queixar do cardápio
- Ser fiel
- Não se importar com a raça
- Ser corajoso, curioso, sensível e compassivo
- Dançar com a vida e com a morte
19/10/2005 - 18h22
Livro mostra como aprender com seu cachorro a viver feliz
Um livro bem-humorado com dicas de como "aprender com seu cachorro a viver feliz" será lançado, no próximo mês, no Brasil, pela Editora Francis. Em 67 lições, "Cão que late não morde" (304 páginas, R$ 22,50), escrito por Matt Weinstein e Luke Barber, mostra como os humanos podem ganhar com a observação e a adoção de alguns comportamentos dos cães no dia-a-dia.No livro, os autores convidam os leitores a pensar nos cachorros de uma forma que ainda não tinham pensado antes: como professores que podem ajudar a viver com mais satisfação e felicidade.Veja alguns exemplos de atitudes dos cachorros que poderiam ser "copiadas" pelos humanos, segundo o livro:
- Demonstrar abertamente seu amor
- Ser amigo de verdade
- Não ter vergonha de dizer "oi"
- Se adaptar à mudança
- Perdoar facilmente
- Viajar com pouca bagagem
- Levar alegria consigo
- Sempre ter esperança
- Não morder quando só um rosnado resolve
- Receber críticas sem se ressentir
- Não se desconcertar com elogios
- Não se comparar uns com os outros
- Ser feliz com uma vida simples
- Transformar o trabalho em diversão
- Ser otimista
- Não se queixar do cardápio
- Ser fiel
- Não se importar com a raça
- Ser corajoso, curioso, sensível e compassivo
- Dançar com a vida e com a morte
22 outubro 2005
Morte em Veneza
Embalada pelo vinho do jantar... eu já estava quase dormindo, quando ouvi, fundo para um diálogo de novelinha medíocre, o pungente e maravilhoso Adagietto da 5ª Sinfonia de Mahler... Aquele mesmo que me arrancou lágrimas incontroláveis durante o magistral filme de Luchino Visconti.
A música traduz perfeitamente o estado de alma e de corpo do protagonista, uma dor tão profunda que parece emanar de seus ossos, sofrimento físico e padecimento de paixão irrealizável, de um ideal jamais possível.
Ah, se você não viu........ nem sei o que dizer: veja quando estiver feliz?: talvez consiga resistir e não entrar em depressão; ou veja quando estiver mesmo triste, para uma catarse definitiva. Só não reclame depois, não diga que não avisei. Somente se embebede da beleza e da tristeza que existe ali.* **
*Quando adolescente, comprei a trilha do filme Em algum lugar do passado. Eu a colocava quando queria chorar. Hoje, tomada por não sei qual melancolia, ouvi repetidas e repetidas vezes o Adagietto. Nada. Virei pedra?
** Quer ler uma puta crítica boa do Morte em Veneza? Clica aqui.
A música traduz perfeitamente o estado de alma e de corpo do protagonista, uma dor tão profunda que parece emanar de seus ossos, sofrimento físico e padecimento de paixão irrealizável, de um ideal jamais possível.
Ah, se você não viu........ nem sei o que dizer: veja quando estiver feliz?: talvez consiga resistir e não entrar em depressão; ou veja quando estiver mesmo triste, para uma catarse definitiva. Só não reclame depois, não diga que não avisei. Somente se embebede da beleza e da tristeza que existe ali.* **
*Quando adolescente, comprei a trilha do filme Em algum lugar do passado. Eu a colocava quando queria chorar. Hoje, tomada por não sei qual melancolia, ouvi repetidas e repetidas vezes o Adagietto. Nada. Virei pedra?
** Quer ler uma puta crítica boa do Morte em Veneza? Clica aqui.
20 outubro 2005
Peruada
Pra quem não sabe, Peruada é(era) a festa São Franciscana mais famosa e (outrora) democrática que há(houve). Tudo começa(va) com o Grito do Peru, na quarta-feira imediatamente anterior, em que a clássica bandinha uniformizada toca(va) marchinhas para embalar os estudantes do Largo. A Sala do Diretor é(era) invadida, e os alunos vão(iam) passando de sala em sala, interrompendo e invadindo as aulas e chamando os demais para a bagunça. No meio disso tudo, Vitão ("Rei,rei,rei, Vitão é nosso Rei!"), com roupa de mesa branca, ou sei lá eu que tipo de roupa é(era) aquela, gira(va) e exibe(ia) o pobre Peru bêbado para todos [o bicho de vez em quando dá(va) umas batidas de asas revoltada, tenta(va) escapar, inutilmente - até o olho de alguns já tentou furar - eu mesma vi].
A festa do Grito rola(va) a noite inteira no porão e na Sala dos Estudantes, com música e bebida de graça.
Na sexta de manhã, muitos depois de passar a noite na Faculdade misturando a famosa pinga com groselha e outras coisas docinhas e palatáveis, começa(va)m a chegar os fantasiados. Coisa mais estranha: piratas, enforcados, bombons sonho de valsa, tubo de pasta de dente, havaianas e outros mais tradicionais circulando pelo centro em plenas 9 da manhã. A bebedeira geral começa(va) muito cedo, e ao meio-dia já tem(tinha) gente caindo pelas Arcadas, a velha e sempre nova Academia.
O desfile começa(va) ao meio-dia, com trio elétrico pelas ruas do centro. A festa é(era) democrática, qualquer um pode(ia) participar. Basta(va) se juntar ao grupo de malucos fantasiados e passar pela Líbero Badaró, Municipal, Ipiranga, São João, São Luis, Câmara Municipal (com direito a parada para vaias) e, finalmente, o Panteão, monumento magistral, o Fórum João Mendes, onde se rala(va) todo dia e se gasta(va) muita sola de sapato. Muita gente interrompe(ia) a caminhada no meio do caminho, havendo alguns que sequer conseguem(iam) sair do Largo. Outros se perde(ia)m, confundindo a São Luis com a São João. Alguns (reza a lenda) ainda se esbarra(va)m em algum(a) mendigo(a) ou passante mais fofo(a), mais arrumadinho(a), e fica(va)m por ali mesmo curtindo um chamego. Há quem caia(ísse) amparado pelos amigos, outros simplesmente cae(ia)m, sem mais. Amigos faze(ia)m cerco em torno de namoradas de outros amigos para impedir um possível estupro ou rapto consentido.
O que acontece(ia) ali é(era) lenda. É(era) um grande pacto de libertinagem em que, se não houver(sse) prova, é porque na verdade não aconteceu.
Chegando, finalmente, ao João Mendes, os meninos (e umas moças corajosas) escala(vam) bravamente suas grades, chegando até mesmo às primeiras janelas. Rapazes MUITO bêbados escalando desprotegidos. Polícia tentando proteger o Fórum. Mais polícia e cassetetes tentando proteger o Fórum. Mais polícia ainda, pancadaria nos meninos, tudo para proteger o Fórum. Ou para proteger-se da responsabilidade. Para não deixar que os meninos se machuquem(cassem), porrada neles!!!!!
Fim de festa. No porão(XI de Agosto), quando a gente chega(va), a Peruada (comida) já acabou(ara). Nem cheiro de peru. Alguns dormem(iam) boquiabertos pelas Arcadas, embalados pelo álcool e pelo cansaço. *
*houve um tempo em que foi assim. Hoje, a festa virou uma coisa estranha: o Grito virou um Sussuro, e a cervejada é fora da faculdade, com cerca pra proteger os alunos. A concentração nas Arcadas acabou, e a Peruada sai de um cinema decadente do centro, e não mais do Largo. Tem 'abadá', e é paga. Tem corda. Exclui. É como o Carnaval de Salvador. Democrática, política? Em tempos de Marchi, acabou-se a espontaneidade. Sinal dos tempos. Em breve, falaremos da Peruada somente no pretérito mais que perfeito.
A festa do Grito rola(va) a noite inteira no porão e na Sala dos Estudantes, com música e bebida de graça.
Na sexta de manhã, muitos depois de passar a noite na Faculdade misturando a famosa pinga com groselha e outras coisas docinhas e palatáveis, começa(va)m a chegar os fantasiados. Coisa mais estranha: piratas, enforcados, bombons sonho de valsa, tubo de pasta de dente, havaianas e outros mais tradicionais circulando pelo centro em plenas 9 da manhã. A bebedeira geral começa(va) muito cedo, e ao meio-dia já tem(tinha) gente caindo pelas Arcadas, a velha e sempre nova Academia.
O desfile começa(va) ao meio-dia, com trio elétrico pelas ruas do centro. A festa é(era) democrática, qualquer um pode(ia) participar. Basta(va) se juntar ao grupo de malucos fantasiados e passar pela Líbero Badaró, Municipal, Ipiranga, São João, São Luis, Câmara Municipal (com direito a parada para vaias) e, finalmente, o Panteão, monumento magistral, o Fórum João Mendes, onde se rala(va) todo dia e se gasta(va) muita sola de sapato. Muita gente interrompe(ia) a caminhada no meio do caminho, havendo alguns que sequer conseguem(iam) sair do Largo. Outros se perde(ia)m, confundindo a São Luis com a São João. Alguns (reza a lenda) ainda se esbarra(va)m em algum(a) mendigo(a) ou passante mais fofo(a), mais arrumadinho(a), e fica(va)m por ali mesmo curtindo um chamego. Há quem caia(ísse) amparado pelos amigos, outros simplesmente cae(ia)m, sem mais. Amigos faze(ia)m cerco em torno de namoradas de outros amigos para impedir um possível estupro ou rapto consentido.
O que acontece(ia) ali é(era) lenda. É(era) um grande pacto de libertinagem em que, se não houver(sse) prova, é porque na verdade não aconteceu.
Chegando, finalmente, ao João Mendes, os meninos (e umas moças corajosas) escala(vam) bravamente suas grades, chegando até mesmo às primeiras janelas. Rapazes MUITO bêbados escalando desprotegidos. Polícia tentando proteger o Fórum. Mais polícia e cassetetes tentando proteger o Fórum. Mais polícia ainda, pancadaria nos meninos, tudo para proteger o Fórum. Ou para proteger-se da responsabilidade. Para não deixar que os meninos se machuquem(cassem), porrada neles!!!!!
Fim de festa. No porão(XI de Agosto), quando a gente chega(va), a Peruada (comida) já acabou(ara). Nem cheiro de peru. Alguns dormem(iam) boquiabertos pelas Arcadas, embalados pelo álcool e pelo cansaço. *
*houve um tempo em que foi assim. Hoje, a festa virou uma coisa estranha: o Grito virou um Sussuro, e a cervejada é fora da faculdade, com cerca pra proteger os alunos. A concentração nas Arcadas acabou, e a Peruada sai de um cinema decadente do centro, e não mais do Largo. Tem 'abadá', e é paga. Tem corda. Exclui. É como o Carnaval de Salvador. Democrática, política? Em tempos de Marchi, acabou-se a espontaneidade. Sinal dos tempos. Em breve, falaremos da Peruada somente no pretérito mais que perfeito.
17 outubro 2005
Matraca
Tem épocas que até eu canso de mim mesma. Pobres dos meus amigos, então! Meu irmão costumava me xingar muito numa época em que as coisas não andavam bem por aqui. Dizia que eu contava as mesmas histórias 500 vezes pras pessoas e depois eu ainda queria conversar com ele, sendo que ele já não agüentava mais ouvi-las.
Ele estava certo, afinal. Tem épocas que a língua não pára, parece que tem mola, quer falar, falar, falar. Eu sou prolixa por natureza, aprendi com a minha mãe. Sou repetitiva demais, chata mesmo.
Uma certa época levei à minha terapeuta a seguinte dúvida: qual será o meu maior defeito como amiga? Questão que me preocupava profundamente... Então ela me disse: os amigos sabem até onde ouvir e quando dar um basta. No momento do basta, vc percebe que está passando dos limites. E eles não vão deixar de amar vc porque estão momentaneamente de saco cheio. Fique tranqüila.
Do mesmo modo, aprendi a dar eu um basta aos amigos em certas situações. E não deixo de amá-los por causa disso. "Benditos os amigos que ficam momentaneamente de saco cheio". Eles nos ensinam os nossos limites.
Ele estava certo, afinal. Tem épocas que a língua não pára, parece que tem mola, quer falar, falar, falar. Eu sou prolixa por natureza, aprendi com a minha mãe. Sou repetitiva demais, chata mesmo.
Uma certa época levei à minha terapeuta a seguinte dúvida: qual será o meu maior defeito como amiga? Questão que me preocupava profundamente... Então ela me disse: os amigos sabem até onde ouvir e quando dar um basta. No momento do basta, vc percebe que está passando dos limites. E eles não vão deixar de amar vc porque estão momentaneamente de saco cheio. Fique tranqüila.
Do mesmo modo, aprendi a dar eu um basta aos amigos em certas situações. E não deixo de amá-los por causa disso. "Benditos os amigos que ficam momentaneamente de saco cheio". Eles nos ensinam os nossos limites.
15 outubro 2005
Gênero: romance
Desde menina vivo em mundos de sonho. Meu pai diz que viaja nos livros... também eu viajo em histórias. Algumas vezes pra bem longe, outros planetas, alguns mesmo inexistentes. Viajo no tempo, no espaço, no espaço-tempo.
Escritas, contadas, assistidas, sonhadas, histórias de paixões, de conquistas de mulheres, homens e reinos, de seres de fantasia ou de gente que já viveu.
Meus devaneios acordados incluem música de fundo, um close, um enquadramento americano, a iluminação perfeita. Em sonhos noturnos, sou cinematográfica: um entrelaçar de mãos pode ser dramático; um beijo, a seguir, suavemente arrebatador (brisa de fim de tarde de verão, luz da hora mágica).
Maestro, uma trilha para a letargia que me prende na cadeira! Cinco notas, por favor! Uma trilha, com banjo e violão, para... um final de semana no campo. Momentos de brincadeira com o cão. Conversar com plantas ao acordar. Estender a roupa no varal.
Acho que vou voltar a dormir.*
*inspirado (mas não necessariamente identificável) no filme Cold Mountain. a demais inspiração será sabida por quem de direito (espero).
Escritas, contadas, assistidas, sonhadas, histórias de paixões, de conquistas de mulheres, homens e reinos, de seres de fantasia ou de gente que já viveu.
Meus devaneios acordados incluem música de fundo, um close, um enquadramento americano, a iluminação perfeita. Em sonhos noturnos, sou cinematográfica: um entrelaçar de mãos pode ser dramático; um beijo, a seguir, suavemente arrebatador (brisa de fim de tarde de verão, luz da hora mágica).
Maestro, uma trilha para a letargia que me prende na cadeira! Cinco notas, por favor! Uma trilha, com banjo e violão, para... um final de semana no campo. Momentos de brincadeira com o cão. Conversar com plantas ao acordar. Estender a roupa no varal.
Acho que vou voltar a dormir.*
*inspirado (mas não necessariamente identificável) no filme Cold Mountain. a demais inspiração será sabida por quem de direito (espero).
14 outubro 2005
Casa vazia
Já tive muitas noites memoráveis de saquê (e outras nem tanto). Terminei a de hoje, de papo gostoso, depois de encher a pança de sushi, sashimi e demais iguarias japonesas que agradam o nosso paladar ocidental, com um ar de satisfação: a linda garrafa verde estava em minhas mãos. Vazia. Pronta pra ser garrafa na minha geladeira. Charmosa. Maravilhosa. Quando a gente está meio de pileque tudo é mais bonito.
Tirei cuidadosamente todo o rótulo lá mesmo no restaurante. Perfeita obra de mãos cuidadosas, delicadas, não sobrou um só papelzinho: nada daquela coisa melequenta de botar a garrafa na água quente e um tempão pra tirar a cola. Sublime. Agora basta lavar o recipiente com água e pronto (mais uma Lindoya para reciclar).
Abro a porta do carro. Três plims em seqüência, um bueiro logo ali, e lá se vai meu sonho verdejante, meu triunfo translúcido, meus sonhos de noites regadas a água com gosto de charme...
Navegará no esgoto, virará casinha de barata ou barquinho de pequenas larvas, quem sabe morada de algum girino mais resistente. Bem, alguém tem mesmo que promover a reforma agrária.
Tirei cuidadosamente todo o rótulo lá mesmo no restaurante. Perfeita obra de mãos cuidadosas, delicadas, não sobrou um só papelzinho: nada daquela coisa melequenta de botar a garrafa na água quente e um tempão pra tirar a cola. Sublime. Agora basta lavar o recipiente com água e pronto (mais uma Lindoya para reciclar).
Abro a porta do carro. Três plims em seqüência, um bueiro logo ali, e lá se vai meu sonho verdejante, meu triunfo translúcido, meus sonhos de noites regadas a água com gosto de charme...
Navegará no esgoto, virará casinha de barata ou barquinho de pequenas larvas, quem sabe morada de algum girino mais resistente. Bem, alguém tem mesmo que promover a reforma agrária.
13 outubro 2005
A mal-comida e o...
Qual o equivalente masculino para mal-comida? Quero dizer, quando uma mulher é mau-humorada, grossa, implacável e sei lá mais eu o que, diz-se que é mal comida. Pessoalmente, acho que o conceito valeria para homens e mulheres, porque a vida sem sexo é muito sem graça, e a vida com sexo ruim é ainda pior . Já os bem-comidos, machos ou fêmeas, vivem com um sorriso na cara e trabalham com um humor bem melhor. Tem até teorias por aí que pregam a put.., ooooops, quer dizer, o amor livre como a solução definitiva para o homem moderno.
O fato é que mal-comida é uma ofensa. É algo que não significa só que uma mulher não foi satisfeita; diz mais sobre ela. Diz, talvez, que não gosta de sexo, talvez porque seja frígida (um mito antigamente, hoje não sei mais se se fala nisso). Diz que ninguém a quer, nem pra comer e pronto. A mulher mal-comida é triste, é desprezada, e se satisfaz ao desprezar terceiros.
Agora eu me pergunto: ninguém diz de homens mal comidos porque todos gozam (ou quase todos) e portanto estão, presumidamente, satisfeitos. E não existe (será?) homem frígido, ou que não goste de sexo (será?). Então, qual o equivalente em termos de ofensa, para um homem? "Viado" não é: além de politicamente incorreto, designa uma orientação sexual, e não é mais (embora muitos achem que é) algo que denigre um homem. "Corno"???
O fato é que mal-comida é uma ofensa. É algo que não significa só que uma mulher não foi satisfeita; diz mais sobre ela. Diz, talvez, que não gosta de sexo, talvez porque seja frígida (um mito antigamente, hoje não sei mais se se fala nisso). Diz que ninguém a quer, nem pra comer e pronto. A mulher mal-comida é triste, é desprezada, e se satisfaz ao desprezar terceiros.
Agora eu me pergunto: ninguém diz de homens mal comidos porque todos gozam (ou quase todos) e portanto estão, presumidamente, satisfeitos. E não existe (será?) homem frígido, ou que não goste de sexo (será?). Então, qual o equivalente em termos de ofensa, para um homem? "Viado" não é: além de politicamente incorreto, designa uma orientação sexual, e não é mais (embora muitos achem que é) algo que denigre um homem. "Corno"???
12 outubro 2005

Tem coisas que nem Mastercard resolve, heim?
Dessa vez coloquei aqui o La Vie en Rose, do Adão Iturrusgarai. Ele também tem site (clique aqui). Porque faço terapia há uns bons anos, adoooooro piadas de análise. E por isso eu amo TANTO o Woody Allen (mas não só).
11 outubro 2005
som e fúria
sempre ela. sempre. imagino que impérios já tenham caído por causa dela. certamente, pessoas já foram mortas sob a sua influência, alunos já tiraram nota baixa na prova, empregos já foram perdidos, casamentos desmanchados. muitas lágrimas já foram vertidas, e muito sangue também. muito filho já apanhou por causa dela. quantos carros não foram para o funileiro, faróis dianteiros e pára-choques espatifados? alguns suicídios, talvez... ela te faz perder o eixo, sentir-se incompetente, impotente. ela é capaz de transformar uma frase inocente numa tempestade, e um filme da Disney em crise existencial. e quando ela finalmente vai embora, nos sentimos aliviados , serenos e felizes. o alívio é não só psíquico, mas também físico: o corpo pesa menos, a pele está mais bonita, o sorriso no rosto mostra que a nuvem densa, carregada de trovões, foi embora, afinal. choveu, e levou a tristeza consigo. lavam-se as almas e os corpos.
ironia das maiores: sombria como é, atesta a nossa capacidade iluminada de gerar a vida. é um preço alto, todavia, esse e tantos outros. se compensa, eu não sei. espero descobrir, um dia.
ironia das maiores: sombria como é, atesta a nossa capacidade iluminada de gerar a vida. é um preço alto, todavia, esse e tantos outros. se compensa, eu não sei. espero descobrir, um dia.
09 outubro 2005
Enfim, a primavera (?)

Já tivemos a temporada de ipês amarelos, muitos ainda pequenos galhinhos se esforçando para exibir suas flores delicadas no meio de tanto cinza duro e feio, paredes pichadas e ruas esburacadas.
Há algumas semanas chegou a vez dos roxos, com exuberantes copas forradas de lilás, pintando suavemente a paisagem da cidade, pintando de alegria a 23 de Maio, a Pompéia, os Jardins, a Rebouças...
Ganhamos tapetes de cor que cobrem as calçadas maltratadas e lembram o Corpus Christi no interior, caminhos de serragem colorida aguardando a passagem dos anjinhos de asas falsas e de devotados fiéis.
A primavera chegou no calendário faz uns 20 dias, mas o friozinho ainda não foi embora. A única prova que eu tive até agora foram os ipês. Mas que prova mais linda e inspiradora! Que prazer admirar trabalho tão lindo, resistente a todos os esforços humanos de estragar a exuberância do verde, do amarelo, do lilás, do vermelho, do rosa... (suspiros)
A primavera é uma festa para os sentidos... Aproveitem!
05 outubro 2005
Adoooooooooooooooooooro o Caco Galhardo. Ele tem um site onde desfia semanalmente seu humor que sempre faz referências a escritores, mitologia, psicanálise ou ao cotidiano doméstico. Exercita a imaginação fazendo diálogos entre seres inanimados ou entre bichos. O Mambo, cachorro dele, uma época, colocava em saquinhos todos os objetos do seu dono, como celulares, cigarro, etc, para protestar contra o ensacamento diário de seu mais genuíno produto: as fezes.Acho sensacional. Recomendo fortemente o Cartoon blog para boas risadas.
03 outubro 2005
Voto "sim". Mas sem ilusões
Resolvi trocar o meu post meia-boca por um texto de alguém bem melhor: GILBERTO DIMENSTEIN. Publicado na Folha de SP de 09/10/05. *
"Na sexta -feira à noite, completaram-se 66 dias sem um assassinato no Jardim Ângela, distrito da zona sul de São Paulo com 250 mil habitantes e apontado pela ONU, em 2000, como a região mais violenta do mundo- naquele ano, ocorreram ali, em média, 60 homicídios mensais.
É um dos casos mais extraordinários já produzidos no Brasil de ensaio contra a violência, refletindo tendência, embora em menor intensidade, em toda a região metropolitana de São Paulo.
De acordo com dados tabulados na semana passada a partir do registro de óbitos, de janeiro a agosto deste ano, comparados com o mesmo período de 2004, caiu em 22% o número de assassinatos cometidos no município de São Paulo. Se a média for mantida até dezembro, em cinco anos a redução terá se aproximado dos 50%. Nova York virou atração mundial quando esse índice caiu em 30%.
Esses números me fazem votar pela proibição do comércio de armas, mas sem nenhuma ilusão - aliás, há o risco de o referendo transmitir a falsa idéia de que, com a vitória do "sim", a taxa de violência despenque.
Desarmar é apenas um dos ingredientes, entre tantos, para reduzir a violência: quem não informar essa obviedade, com toda a clareza, estará enganando o eleitor e levando-o a uma frustração capaz de abalar a convicção em referendos.
No debate sobre as causas da queda dos homicídios em São Paulo - ninguém mais questiona que a tendência é real, embora se discorde da sua intensidade-, há uma série de apostas: 1) maior eficiência da polícia e, em especial, do policiamento comunitário; 2) articulação comunitária com a implementação de programas de inclusão de crianças e adolescentes; 3) mudanças demográficas, com menor quantidade de jovens na população; 4) bolsas de complementação de renda; 5) escolas abertas nos finais de semana; 6) fechamento dos bares antes das 22h.
Há também quem diga que, entre as causas, está o movimento de desarmamento -aliás, nascido em São Paulo graças a alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
Possivelmente, todos esses fatores influenciaram, em alguma medida, o índice de homicídios em São Paulo que, apesar das boas novidades, continua alto para padrões de civilidade. Neste contexto de tantas ofensivas combinadas não há dúvida de que o desarmamento é a cereja do bolo.
Olhando em detalhes o mapa dos assassinatos, vemos que os resultados mais exuberantes foram obtidos nas localidades em que melhor aglutinaram todas aquelas iniciativas e se entrosaram políticas públicas, como Jardim Ângela. Combinaram-se ali policiamento comunitário (integrando inclusive as polícias Militar e Civil e a Guarda Municipal); redução do horário de funcionamento dos bares e tratamento do vício de drogas, a começar do álcool; oferta de cursos profissionalizantes e de complementação educacional em sistema de pós-escola; abertura de áreas de lazer, cultura e esportes.
No mais, a comunidade do Jardim Ângela, em boa parte graças à liderança do padre irlandês Jayme Crowne, estabeleceu como prioridade comum reduzir a barbárie. O tema uniu líderes católicos, evangélicos e umbandistas; uniu donas-de-casa e educadores.
Mesmo com toda essa engenhosidade que transformou, desta vez positivamente, o Jardim Ângela numa referência mundial, a situação está bem longe da paz. Afinal, o desemprego atinge mais de 70% de seus jovens.
São múltiplas as causas de violência e, logo, são múltiplas as medidas necessárias para enfrentá-las. A prevenção se inicia quando a criança acaba de nascer e lhe é assegurada proteção e se estende na estrutura familiar e na escola de qualidade.
Está correta a afirmação do pessoal do "sim" de que um cidadão armado não está protegido diante de um marginal treinado e acostumado a atirar, muitas vezes sob efeito de droga. Alguém que perde o controle é capaz de fazer um estrago ainda maior se estiver com um revólver.
Como toda a eleição acaba simplorizando o que é complexo para atrair o voto, está se disseminando, mesmo que involuntariamente, uma ilusão. Imaginar que o desarmamento é essencial na redução da barbárie é algo parecido a supor que, com o fim da peixeira, os cangaceiros estariam imobilizados ou que, sem arco-e-flecha, os índios, no passado, sempre viveriam em paz.
O melhor de tudo -e isso é extraordinário- é o fato de o referendo ter mobilizado o Brasil, em níveis jamais vistos, para o debate sobre as causas da violência. E trouxe a chance de mostrar experiências engenhosas como as do Jardim Ângela, Heliópolis, Paraisópolis e Diadema. São casos que mostram que dá para enfrentar a barbárie.
Com toda a convicção, voto "sim", mas sem nenhuma ilusão.
PS - Para quem quiser conhecer melhor experiências bem-sucedidas de enfrentamento contra a violência, fiz um relato de vários casos em meu site www.dimenstein.com.br."
*ao amigo citado no post antigo, não fique bravo :-) explícita ou silenciosamente, vc ainda será personagem de outros, bem melhores.
"Na sexta -feira à noite, completaram-se 66 dias sem um assassinato no Jardim Ângela, distrito da zona sul de São Paulo com 250 mil habitantes e apontado pela ONU, em 2000, como a região mais violenta do mundo- naquele ano, ocorreram ali, em média, 60 homicídios mensais.
É um dos casos mais extraordinários já produzidos no Brasil de ensaio contra a violência, refletindo tendência, embora em menor intensidade, em toda a região metropolitana de São Paulo.
De acordo com dados tabulados na semana passada a partir do registro de óbitos, de janeiro a agosto deste ano, comparados com o mesmo período de 2004, caiu em 22% o número de assassinatos cometidos no município de São Paulo. Se a média for mantida até dezembro, em cinco anos a redução terá se aproximado dos 50%. Nova York virou atração mundial quando esse índice caiu em 30%.
Esses números me fazem votar pela proibição do comércio de armas, mas sem nenhuma ilusão - aliás, há o risco de o referendo transmitir a falsa idéia de que, com a vitória do "sim", a taxa de violência despenque.
Desarmar é apenas um dos ingredientes, entre tantos, para reduzir a violência: quem não informar essa obviedade, com toda a clareza, estará enganando o eleitor e levando-o a uma frustração capaz de abalar a convicção em referendos.
No debate sobre as causas da queda dos homicídios em São Paulo - ninguém mais questiona que a tendência é real, embora se discorde da sua intensidade-, há uma série de apostas: 1) maior eficiência da polícia e, em especial, do policiamento comunitário; 2) articulação comunitária com a implementação de programas de inclusão de crianças e adolescentes; 3) mudanças demográficas, com menor quantidade de jovens na população; 4) bolsas de complementação de renda; 5) escolas abertas nos finais de semana; 6) fechamento dos bares antes das 22h.
Há também quem diga que, entre as causas, está o movimento de desarmamento -aliás, nascido em São Paulo graças a alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
Possivelmente, todos esses fatores influenciaram, em alguma medida, o índice de homicídios em São Paulo que, apesar das boas novidades, continua alto para padrões de civilidade. Neste contexto de tantas ofensivas combinadas não há dúvida de que o desarmamento é a cereja do bolo.
Olhando em detalhes o mapa dos assassinatos, vemos que os resultados mais exuberantes foram obtidos nas localidades em que melhor aglutinaram todas aquelas iniciativas e se entrosaram políticas públicas, como Jardim Ângela. Combinaram-se ali policiamento comunitário (integrando inclusive as polícias Militar e Civil e a Guarda Municipal); redução do horário de funcionamento dos bares e tratamento do vício de drogas, a começar do álcool; oferta de cursos profissionalizantes e de complementação educacional em sistema de pós-escola; abertura de áreas de lazer, cultura e esportes.
No mais, a comunidade do Jardim Ângela, em boa parte graças à liderança do padre irlandês Jayme Crowne, estabeleceu como prioridade comum reduzir a barbárie. O tema uniu líderes católicos, evangélicos e umbandistas; uniu donas-de-casa e educadores.
Mesmo com toda essa engenhosidade que transformou, desta vez positivamente, o Jardim Ângela numa referência mundial, a situação está bem longe da paz. Afinal, o desemprego atinge mais de 70% de seus jovens.
São múltiplas as causas de violência e, logo, são múltiplas as medidas necessárias para enfrentá-las. A prevenção se inicia quando a criança acaba de nascer e lhe é assegurada proteção e se estende na estrutura familiar e na escola de qualidade.
Está correta a afirmação do pessoal do "sim" de que um cidadão armado não está protegido diante de um marginal treinado e acostumado a atirar, muitas vezes sob efeito de droga. Alguém que perde o controle é capaz de fazer um estrago ainda maior se estiver com um revólver.
Como toda a eleição acaba simplorizando o que é complexo para atrair o voto, está se disseminando, mesmo que involuntariamente, uma ilusão. Imaginar que o desarmamento é essencial na redução da barbárie é algo parecido a supor que, com o fim da peixeira, os cangaceiros estariam imobilizados ou que, sem arco-e-flecha, os índios, no passado, sempre viveriam em paz.
O melhor de tudo -e isso é extraordinário- é o fato de o referendo ter mobilizado o Brasil, em níveis jamais vistos, para o debate sobre as causas da violência. E trouxe a chance de mostrar experiências engenhosas como as do Jardim Ângela, Heliópolis, Paraisópolis e Diadema. São casos que mostram que dá para enfrentar a barbárie.
Com toda a convicção, voto "sim", mas sem nenhuma ilusão.
PS - Para quem quiser conhecer melhor experiências bem-sucedidas de enfrentamento contra a violência, fiz um relato de vários casos em meu site www.dimenstein.com.br."
*ao amigo citado no post antigo, não fique bravo :-) explícita ou silenciosamente, vc ainda será personagem de outros, bem melhores.
gênio da informática
A despeito de ter pago pelo menos o dobro do preço pelo pente de memória RAM de 128 MB que meu pobre computador andava desesperadamente precisando há muito tempo, estou radiante! Instalei sozinha o bichinho... e o micro funcionou direitinho! Está lá, não tenho mais míseros 128 MB de RAM, agora tenho... peraí... deixeu fazer a conta... 256 MB RAM no meu micrinho, que passa tantas horas por dia ligado e, por vezes, me hipnotiza tanto que é um custo desligar.
Eu paguei mais que o dobro porque fiquei com uma preguiça fenomenal de ir até a Santa Ifigênia procurar a bendita plaqueta. Arre!!!! Tem dias que quero conforto!!!
Estou radiante também porque comprei as cadeiras que queria pra minha sala por uma pechincha (pelo menos compensa o absurdo que paguei na placa), pertinho de casa, ao invés de ter de ir até a supermegaloja Etna ou pagar 400 paus por uma singular poltroninha...(às vezes tudo é tão fácil...) São usadas, são lindas e são exatamente do jeito que eu queria. Elas estavam me esperando quietinhas na loja de móveis usados. De quebra ainda dei minhas roupas usadas (estavam há meses no armário, por preguiça de ir até o brechó)pro bazar e o cara abateu do preço... Muito feliz!!!!
Pra completar o dia de compras felizes, comprei outra coisa por mais do que devia (ah, ser classe média cansa!!!! a gente pesquisa, pesquisa, e quando dá um chute no balde fica se sentindo culpado... saco!) mas que é muuuuito importante para o meu bem-estar: uma palmilha especial para os meus pobres pés doloridos, que não suportam muito tempo com sapato nenhum, nem mesmo com tênis.
Estudar?? hmmmm.... hã? Trabalhar????? como? não entendi...
Tem dias que a gente quer mesmo é conforto...
Eu paguei mais que o dobro porque fiquei com uma preguiça fenomenal de ir até a Santa Ifigênia procurar a bendita plaqueta. Arre!!!! Tem dias que quero conforto!!!
Estou radiante também porque comprei as cadeiras que queria pra minha sala por uma pechincha (pelo menos compensa o absurdo que paguei na placa), pertinho de casa, ao invés de ter de ir até a supermegaloja Etna ou pagar 400 paus por uma singular poltroninha...(às vezes tudo é tão fácil...) São usadas, são lindas e são exatamente do jeito que eu queria. Elas estavam me esperando quietinhas na loja de móveis usados. De quebra ainda dei minhas roupas usadas (estavam há meses no armário, por preguiça de ir até o brechó)pro bazar e o cara abateu do preço... Muito feliz!!!!
Pra completar o dia de compras felizes, comprei outra coisa por mais do que devia (ah, ser classe média cansa!!!! a gente pesquisa, pesquisa, e quando dá um chute no balde fica se sentindo culpado... saco!) mas que é muuuuito importante para o meu bem-estar: uma palmilha especial para os meus pobres pés doloridos, que não suportam muito tempo com sapato nenhum, nem mesmo com tênis.
Estudar?? hmmmm.... hã? Trabalhar????? como? não entendi...
Tem dias que a gente quer mesmo é conforto...
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