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20 novembro 2005



Fiz aniversário ontem e chamei os amigos para comemorar. Foi um ano muito bom pra mim o dos meus 28, e espero que o dos 29 seja assim também!
As pessoas que foram são tão importantes pra mim... não sei o que eu seria sem vcs! São os amigos que me dão apoio, que me fazem sorrir e gostar mais da vida... Obrigada, meus queridos! Foi uma delícia!



18 novembro 2005

Que nem camelo

A Justiça brasileira não pensa nos advogados. A OAB também não. Meu amigo Mário sempre fala isso.
Construíram aquele Fórum Trabalhista imenso. Imponente. Majestoso. Tem uma bela sala da Ordem (até aí, ótimo). Mas as condições para o exame dos processos no balcão continuam péssimas.
Claro que, perto do que era antes, prédios apertados, fila descendo a escada estreita, risco de incêndio (imaginem um incêndio num cartório, com aquele monte de papel!), caos total, elevadores que não funcionavam... bem, perto disso, é mesmo o paraíso.
Mas custava pensarem em nós que encostamos a barriga no balcão? Que nada... Não tem uma mísera de uma cadeira pra gente ficar meia hora ou mais na fila esperando o cartorário pegar o processo (no cível é igualzinho). Depois, temos que examinar o processo de pé.
Não é à toa que eu volto meio quebrada pra casa sempre que faço Fórum. Vejo aquelas moças de salto alto (!), como podem???? Eu, de tênis, ainda assim sofro!
Bem, agora se me dão licença, vou fazer meu escalda-pés....

17 novembro 2005

A Balada do Esfolado vivo

Um amigo tecla comigo à meia-noite no msn. Onde ele está? No trabalho.
Uma amiga me liga no domingo à tarde. Onde ela está? No escritório, trabalhando.
Um amigo me conta que saiu do escritório onde trabalhava mandando todo mundo tomar no... lá mesmo.
Outro amigo me conta que pediu as contas da empresa onde trabalhava... adivinhe? mandando o chefe tomar no... bem, vc sabe.
Somos quase todos esfolados vivos. Vivemos para trabalhar. Acabei de ler um livro do Foucault, ô homem bão, análise afiada. O nosso tempo de vida vira tempo de trabalho. O nosso corpo vira um corpo para o trabalho. Vivemos na sociedade do panoptismo. Vigiados. Isso ele escreveu em 1974. O que escreveria se vivesse até hoje?
Afinal, o que é que nós estamos fazendo com a nossa vida?
Eu gostaria de ter essa gana de ganhar dinheiro. Admiro como certas pessoas têm uma capacidade de superar tudo, de se superar, de permanecer em ambientes de trabalho supercompetitivos, subir, subir e subir, e ganhar dinheiro, e comprar tudo. Mas vejo algumas dessas pessoas não terem nenhuma vida além do trabalho. Elas têm MUITO dinheiro, mas não têm amigos com quem gastá-lo. Não têm TEMPO pra gastar o que ganham.
Eu tive um amigo assim. Ele deixava a namorada, que ele só via de 15 em 15 dias, no flat, depois do jantar, sexta, meia-noite, e ia trabalhar. Porque a bolsa de Tóquio já abriu, sabe? Tomou tanto chifre na cabeça... depois não sabem porque.
Eu tento, mas não dá. Não é da minha natureza essa gana toda. Quero uma vida múltipla, com lazer, com amor, com amigos, com pequenos prazeres. Quero uma vida que nem comercial da Unimed (risos). O melhor plano de saúde, meu amigo, é viver.

Referências

Recentemente, tive a oportunidade de conviverpor alguns dias com pessoas ricas e milionárias. Antropóloga mais que amadora, aproveitei para observar os comportamentos e, principalmente, o discurso.
Primeiro, fiquei impressionada ao perceber que não se fala em ninguém sem dizer o sobrenome. TODOS têm nome e sobrenome. De preferência vc já relaciona com um outro parente muito rico dono do mesmo sobrenome. E já acrescenta o país de onde veio. Árabe? Judeu? (normalmente é algum desses...) Por fim, vem a informação sobre a empresa da qual Fulano é dono. Fulano pode ser grosso, porco, mal educado. Mas se tiver toda essa grana...
Fiquei realmente impressionada.
Aí, parei pra pensar.... E vi que a gente faz a mesma coisa. Nós, pretensos intelectuais... A diferença é que os dados que qualificam quem admiramos não se medem pelas cifras bancárias ou pelo sobrenome, mas sim pelo currículo. Fulano da Silva... quem é? Ah, Fulano tem doutorado na GV e pós-doc na LSE. É professor convidado de Harvard. Ele pode ser um fudido (normalmente, não é, pois, uma hora ou outra, acaba-se ganhando dinheiro...), mas se tiver um currículo desses... fazemos reverência. Mesmo que ele seja um boçal. Um tosco. Um grosso.
No fim, no fim... acho que é tudo a mesma coisa...

16 novembro 2005

Eu sei, eu sumi, mea culpa, mea culpa. Prometo até o final dessa semana postar algo (nem digo algo que preste porque isso não posso garantir...). Andei meio tristonha... Mas agora passou. Fui pra praia, tomei sol, e sol me dá energia, me dá bom humor e de quebra ainda me deu uma corzinha mais café com leite (daqueles bem clarinhos, ok, mas melhor que só o leite).
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Sabe do que mais? Cansei de ser o tipinho intelectual que só usa óculos de aro grosso pra parecer inteligente... Não acho mais que ser admirada pelas minha pernas e não pelo meu cérebro me denigre... Quero ser mulher!!!!!!!!!

04 novembro 2005

E a novela acabou sem o tão falado beijo gay

Bem que eu queria ver o gostoso do Bruno Gagliasso dando um beijo beeeeeem caliente no outro (não tão gostoso) mocinho lá... Mas... anos luz, heim, até esse povo perceber que não precisa ir longe pra ver beijo de homem com homem e mulher com mulher: é só dar um pulinho ali na rua da Consolação, esquina com a Itu e adjacências...
Um dia, quem sabe, um dia.

CRASH!

Assista, se vc gostou de Magnólia, se vc gostou de Short Cuts, se vc gosta de Paul Thomas Anderson.
O filme, do mesmo roteirista de Menina de Ouro e HOtel Ruanda (Paul Haggis), tem momentos meio melodramáticos demais pro gosto de alguns, imagino eu. Cheguei a chorar de nervoso em determinadas cenas (é, definitivamente entrei na TPM).
Tema: o racismo. Os encontros e desencontros entre personagens se dão em LA... Acho que LA deve ser mesmo uma cidade muito, muito estranha. Se vc acha São Paulo estranho... LA deve botar no chinelo. Uma cidade, essa sim, que nunca dorme. Em que os contrastes são tão, mas tão escancarados que devem sair gritando no meio da rua... Não foi em LA que aquele rapaz foi espancado, filmaram, e depois passou no mundo inteiro? (fucei aqui, Rodney King é o nome do moço)
O filme tem obviedades de filmes de encontros e desencontros desse tipo. Mas se vc estiver só a fim de uma diversão sem preocupação... (se é que se pode chamar drama de diversão) vai lá. Vale o ingresso.

Damn Eve!

E como se não bastasse a gente passar duas semanas por mês histérica/irritada/inchada/de mau humor/se sentindo um lixo....
tem uma vez por ano que o mês inteiro é assim!!!!!!!!!
Ô inferno astral!!!!!!!

31 outubro 2005

Constante e fiel

Ralph Fiennes parece estar condenado a fazer papéis de homens um pouco (ou muito) perturbados, ligeiramente (ou muito) deprimidos, meio amassados, comendo areia, a pele seca, os cabelos loiros despenteados e sujos, um inglês decadente, triste, triste, triste. Mesmo na felicidade ele sempre está meio triste, parece saber que acaba logo. 'Tristeza não tem fim, felicidade sim'.
O Jardineiro Fiel, de Fernando Meirelles, tem Ralph Fiennes e tem também uma temática social como pano de fundo. Não importa que o roteiro é adaptação de John Le Carrè, best seller de teorias de conspiração, o fato é que não dá pra ignorar a criançada africana correndo do lado do carro, as carinhas... crianças que vivem em uma miséria tão absoluta que nem lixo existe pra se comer os restos.
A vontade que dá são duas: deixa de ser cagona e vai fazer o trabalho humanitário que vc sempre diz que sonhou, larga essa vidinha pequeno burguesa e a preocupação com a parcela da C&A daquela roupinha descartável que vc comprou e vai logo fazer alguma coisa que realmente preste na vida; ou, se interna logo de uma vez num mosteiro budista, ou vira estúpida, que nem o Antoine, do livro do Martin Page (outro best seller), mas pare, pare, pare de olhar e saber da miséria, se culpar, e não fazer nada!

30 outubro 2005

Pausa

Às vezes seria bom dar um 'pause' na vida. Como nos filmes mesmo: aperta-se um botão, a imagem se congela. Todo mundo entenderia quando vc estivesse em pausa. Seus prazos não correriam. Os clientes não telefonariam, tampouco os amigos ('escuta, Paulão, vc sabe do Zé?' 'ouvi dizer que está em pause'). Toda a sua vida se suspenderia por um ou dois dias (a pausa não pode ser muito longa; do contrário, não é pausa, é 'stop').
Muitos problemas poderiam se resolver com um simples 'pause'. Brigas de amigos, brigas de amor, crises existenciais, dores existenciais, culpas, remorsos. Em momentos de euforia também caberia a pausa (elaborar e absorver um pouco o momento, amadurecer a alegria...). Consumismo exagerado? Indecisão? Confusão mental? E agora, com qual namorado eu fico?
Ei, moço, apertaí o 'pause' pra mim, por favor?

25 outubro 2005

E-poemail

Legal! A internet é realmente muito interessante.
Hoje recebi o primeiro e-poemail da minha vida.
De um visitante do blog, que chegou aqui pelo orkut, e que é uma pessoa que conheço, embora não conheça.
A teia tem dessas coisas. Eta mundão novo sem fronteira!!!!!!!

Canção Amiga *

Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.

(Carlos Drummond de Andrade)


* ouvi, pela primeira vez, essa canção, dos lábios mais doces; adormeci em suaves braços; quando acordei, pensei que sonhara!...

24 outubro 2005

Blasè

Odeio blasè. Odeio cara de paisagem. Odeio apatia. Odeio fingimento.
Não sou blasè, sou escorpiana.

23 outubro 2005

Peguei no UOL

da FolhaOnline
19/10/2005 - 18h22
Livro mostra como aprender com seu cachorro a viver feliz

Um livro bem-humorado com dicas de como "aprender com seu cachorro a viver feliz" será lançado, no próximo mês, no Brasil, pela Editora Francis. Em 67 lições, "Cão que late não morde" (304 páginas, R$ 22,50), escrito por Matt Weinstein e Luke Barber, mostra como os humanos podem ganhar com a observação e a adoção de alguns comportamentos dos cães no dia-a-dia.No livro, os autores convidam os leitores a pensar nos cachorros de uma forma que ainda não tinham pensado antes: como professores que podem ajudar a viver com mais satisfação e felicidade.Veja alguns exemplos de atitudes dos cachorros que poderiam ser "copiadas" pelos humanos, segundo o livro:
- Demonstrar abertamente seu amor
- Ser amigo de verdade
- Não ter vergonha de dizer "oi"
- Se adaptar à mudança
- Perdoar facilmente
- Viajar com pouca bagagem
- Levar alegria consigo
- Sempre ter esperança
- Não morder quando só um rosnado resolve
- Receber críticas sem se ressentir
- Não se desconcertar com elogios
- Não se comparar uns com os outros
- Ser feliz com uma vida simples
- Transformar o trabalho em diversão
- Ser otimista
- Não se queixar do cardápio
- Ser fiel
- Não se importar com a raça
- Ser corajoso, curioso, sensível e compassivo
- Dançar com a vida e com a morte

22 outubro 2005

Morte em Veneza

Embalada pelo vinho do jantar... eu já estava quase dormindo, quando ouvi, fundo para um diálogo de novelinha medíocre, o pungente e maravilhoso Adagietto da 5ª Sinfonia de Mahler... Aquele mesmo que me arrancou lágrimas incontroláveis durante o magistral filme de Luchino Visconti.
A música traduz perfeitamente o estado de alma e de corpo do protagonista, uma dor tão profunda que parece emanar de seus ossos, sofrimento físico e padecimento de paixão irrealizável, de um ideal jamais possível.
Ah, se você não viu........ nem sei o que dizer: veja quando estiver feliz?: talvez consiga resistir e não entrar em depressão; ou veja quando estiver mesmo triste, para uma catarse definitiva. Só não reclame depois, não diga que não avisei. Somente se embebede da beleza e da tristeza que existe ali.* **


*Quando adolescente, comprei a trilha do filme Em algum lugar do passado. Eu a colocava quando queria chorar. Hoje, tomada por não sei qual melancolia, ouvi repetidas e repetidas vezes o Adagietto. Nada. Virei pedra?
** Quer ler uma puta crítica boa do Morte em Veneza? Clica aqui.

20 outubro 2005

Peruada

Pra quem não sabe, Peruada é(era) a festa São Franciscana mais famosa e (outrora) democrática que há(houve). Tudo começa(va) com o Grito do Peru, na quarta-feira imediatamente anterior, em que a clássica bandinha uniformizada toca(va) marchinhas para embalar os estudantes do Largo. A Sala do Diretor é(era) invadida, e os alunos vão(iam) passando de sala em sala, interrompendo e invadindo as aulas e chamando os demais para a bagunça. No meio disso tudo, Vitão ("Rei,rei,rei, Vitão é nosso Rei!"), com roupa de mesa branca, ou sei lá eu que tipo de roupa é(era) aquela, gira(va) e exibe(ia) o pobre Peru bêbado para todos [o bicho de vez em quando dá(va) umas batidas de asas revoltada, tenta(va) escapar, inutilmente - até o olho de alguns já tentou furar - eu mesma vi].
A festa do Grito rola(va) a noite inteira no porão e na Sala dos Estudantes, com música e bebida de graça.
Na sexta de manhã, muitos depois de passar a noite na Faculdade misturando a famosa pinga com groselha e outras coisas docinhas e palatáveis, começa(va)m a chegar os fantasiados. Coisa mais estranha: piratas, enforcados, bombons sonho de valsa, tubo de pasta de dente, havaianas e outros mais tradicionais circulando pelo centro em plenas 9 da manhã. A bebedeira geral começa(va) muito cedo, e ao meio-dia já tem(tinha) gente caindo pelas Arcadas, a velha e sempre nova Academia.
O desfile começa(va) ao meio-dia, com trio elétrico pelas ruas do centro. A festa é(era) democrática, qualquer um pode(ia) participar. Basta(va) se juntar ao grupo de malucos fantasiados e passar pela Líbero Badaró, Municipal, Ipiranga, São João, São Luis, Câmara Municipal (com direito a parada para vaias) e, finalmente, o Panteão, monumento magistral, o Fórum João Mendes, onde se rala(va) todo dia e se gasta(va) muita sola de sapato. Muita gente interrompe(ia) a caminhada no meio do caminho, havendo alguns que sequer conseguem(iam) sair do Largo. Outros se perde(ia)m, confundindo a São Luis com a São João. Alguns (reza a lenda) ainda se esbarra(va)m em algum(a) mendigo(a) ou passante mais fofo(a), mais arrumadinho(a), e fica(va)m por ali mesmo curtindo um chamego. Há quem caia(ísse) amparado pelos amigos, outros simplesmente cae(ia)m, sem mais. Amigos faze(ia)m cerco em torno de namoradas de outros amigos para impedir um possível estupro ou rapto consentido.
O que acontece(ia) ali é(era) lenda. É(era) um grande pacto de libertinagem em que, se não houver(sse) prova, é porque na verdade não aconteceu.
Chegando, finalmente, ao João Mendes, os meninos (e umas moças corajosas) escala(vam) bravamente suas grades, chegando até mesmo às primeiras janelas. Rapazes MUITO bêbados escalando desprotegidos. Polícia tentando proteger o Fórum. Mais polícia e cassetetes tentando proteger o Fórum. Mais polícia ainda, pancadaria nos meninos, tudo para proteger o Fórum. Ou para proteger-se da responsabilidade. Para não deixar que os meninos se machuquem(cassem), porrada neles!!!!!
Fim de festa. No porão(XI de Agosto), quando a gente chega(va), a Peruada (comida) já acabou(ara). Nem cheiro de peru. Alguns dormem(iam) boquiabertos pelas Arcadas, embalados pelo álcool e pelo cansaço. *

*houve um tempo em que foi assim. Hoje, a festa virou uma coisa estranha: o Grito virou um Sussuro, e a cervejada é fora da faculdade, com cerca pra proteger os alunos. A concentração nas Arcadas acabou, e a Peruada sai de um cinema decadente do centro, e não mais do Largo. Tem 'abadá', e é paga. Tem corda. Exclui. É como o Carnaval de Salvador. Democrática, política? Em tempos de Marchi, acabou-se a espontaneidade. Sinal dos tempos. Em breve, falaremos da Peruada somente no pretérito mais que perfeito.

17 outubro 2005

Matraca

Tem épocas que até eu canso de mim mesma. Pobres dos meus amigos, então! Meu irmão costumava me xingar muito numa época em que as coisas não andavam bem por aqui. Dizia que eu contava as mesmas histórias 500 vezes pras pessoas e depois eu ainda queria conversar com ele, sendo que ele já não agüentava mais ouvi-las.
Ele estava certo, afinal. Tem épocas que a língua não pára, parece que tem mola, quer falar, falar, falar. Eu sou prolixa por natureza, aprendi com a minha mãe. Sou repetitiva demais, chata mesmo.
Uma certa época levei à minha terapeuta a seguinte dúvida: qual será o meu maior defeito como amiga? Questão que me preocupava profundamente... Então ela me disse: os amigos sabem até onde ouvir e quando dar um basta. No momento do basta, vc percebe que está passando dos limites. E eles não vão deixar de amar vc porque estão momentaneamente de saco cheio. Fique tranqüila.
Do mesmo modo, aprendi a dar eu um basta aos amigos em certas situações. E não deixo de amá-los por causa disso. "Benditos os amigos que ficam momentaneamente de saco cheio". Eles nos ensinam os nossos limites.

15 outubro 2005

Gênero: romance

Desde menina vivo em mundos de sonho. Meu pai diz que viaja nos livros... também eu viajo em histórias. Algumas vezes pra bem longe, outros planetas, alguns mesmo inexistentes. Viajo no tempo, no espaço, no espaço-tempo.
Escritas, contadas, assistidas, sonhadas, histórias de paixões, de conquistas de mulheres, homens e reinos, de seres de fantasia ou de gente que já viveu.
Meus devaneios acordados incluem música de fundo, um close, um enquadramento americano, a iluminação perfeita. Em sonhos noturnos, sou cinematográfica: um entrelaçar de mãos pode ser dramático; um beijo, a seguir, suavemente arrebatador (brisa de fim de tarde de verão, luz da hora mágica).
Maestro, uma trilha para a letargia que me prende na cadeira! Cinco notas, por favor! Uma trilha, com banjo e violão, para... um final de semana no campo. Momentos de brincadeira com o cão. Conversar com plantas ao acordar. Estender a roupa no varal.
Acho que vou voltar a dormir.*


*inspirado (mas não necessariamente identificável) no filme Cold Mountain. a demais inspiração será sabida por quem de direito (espero).

14 outubro 2005

Casa vazia

Já tive muitas noites memoráveis de saquê (e outras nem tanto). Terminei a de hoje, de papo gostoso, depois de encher a pança de sushi, sashimi e demais iguarias japonesas que agradam o nosso paladar ocidental, com um ar de satisfação: a linda garrafa verde estava em minhas mãos. Vazia. Pronta pra ser garrafa na minha geladeira. Charmosa. Maravilhosa. Quando a gente está meio de pileque tudo é mais bonito.
Tirei cuidadosamente todo o rótulo lá mesmo no restaurante. Perfeita obra de mãos cuidadosas, delicadas, não sobrou um só papelzinho: nada daquela coisa melequenta de botar a garrafa na água quente e um tempão pra tirar a cola. Sublime. Agora basta lavar o recipiente com água e pronto (mais uma Lindoya para reciclar).
Abro a porta do carro. Três plims em seqüência, um bueiro logo ali, e lá se vai meu sonho verdejante, meu triunfo translúcido, meus sonhos de noites regadas a água com gosto de charme...
Navegará no esgoto, virará casinha de barata ou barquinho de pequenas larvas, quem sabe morada de algum girino mais resistente. Bem, alguém tem mesmo que promover a reforma agrária.