Passei a sexta-feira chorando copiosamente, ligando pra todos os meus amigos, ex-mestrandos ou não, só não liguei pra meus pais porque eles ficariam muito muito preocupados, meu pai já ia querer vir pra cá e já me ofereceria dinheiro. Chorei muito porque me sentia incapaz de um foco, de definir afinal que porra é essa que vou escrever nessa dissertação, os capítulos introdutórios são fáceis, mas e a porra do capítulo principal? Fui dar uma volta...de boné na cabeça porque sem o menor ânimo pra lavar o cabelo desgrenhado, caminhei tristemente até o petshop mais próximo pra ver se tinha algum cão fofo a acariciar pra eu me sentir menos só; tomei uma água de coco no caminho. Chovia um pouquinho, que aqui anda chovendo quase todo dia. Acho que andava precisada desse choro desde o Natal (vide o post New Year's Blues).
Voltei, escrevi um pouco, mas ainda precisada de um arejamento procurei meus amigos fiéis, Paulo, Fe, Mario. Enchemos a cara de saquê e sushi. Falamos sobre tudo, como sempre, e também sobre como Paris é bege e como fazer uma produção independente. Chegada em casa ainda tive uma sessão de papo pelo telefone que durou das 4 às 6. O resultado é que acordei às 14h de sábado, um trapinho. Gripada (quem mandou tomar chuva, tá achando que a vida é que nem filme, com trilha sonora pra choro na chuva? - nem pensei em qual seria a trilha sonora, aliás), já tava com dor de garganta antes. Passei o (curtíssimo) dia imprestável, vendo tv, deitada, deitada, liguei pro namorado, cadê?, dormi um pouco.
À noite pedi um monte de salgadinhos, enchi a pança (que anda crescendo que é uma beleza) e fui dormir. E eu, que sempre tive medo de virar a minha mãe quando crescesse, descobri que estou virando meu pai: além de não tolerar muito barulho, também não consigo mais comer e dormir. Tive uma insônia desgraçada. Horrível.
Domingo acordei tarde, mas decidida: vou escrever mais hoje. Preciso, tenho prazo, tenho reunião em uma semana com o orientador. Tomei um banho e saí pra procurar o almoço, que nada na minha geladeira me apetecia depois do banquete de coxinha e kibe da noite anterior.
Eis que chego em casa devidamente alimentada (putzgrila, como dá trabalho manter-se vivo! ô saco que é ter que ficar comendo toda hora!), sento no computador, liga o namorado: 'vamos?' E quem resiste? E a saudade, que eu não o vejo desde quarta? Vamos, mas tenho que voltar cedo.
Fomos. Não voltei cedo porra nenhuma, fiquei namorando muito, meio culpada, meio que ligando o foda-se, 'foda-se, tenho o direito de namorar, estou muito cansada do ano de 2006' (e 2007 nem começou, mas já me conformei, descanso mesmo só em 2008. e doutorado só em 2 mil e nunca, sei lá), e lá fiquei, e foi ótimo, relaxei, fizemos as atividades do namoro e as atividades sociais com o resto das pessoas da casa.
Cheguei com sono e cansada. E agora? Ai que sono, vou mesmo sentar pra escrever à uma da manhã?
Vou nada, vou tomar um bom banho que amanhã cedo cortam a água do banheiro das 9 às 17h para reforma da tubulação, e cama!
Como alguma coisa.... A quiche que eu queria comer no almoço. Cama, lá vou eu.
E lá vem a insônia a cavalo. Ultimamente anda mais comum do que eu gostaria. Tô com os horários tortos, isso sempre acontece quando tenho que escrever. Não consigo acordar, tomar café e escrever.Simplesmente não dá. Acabo virando uma louca que dorme às 4 e acorda meio dia.
E se vc agüentou o post até aqui, é aqui que ele termina: com a idéia para o capítulo principal do mestrado, ou seja, qual o objeto a ser estudado, lindamente, tudo já estruturadinho, tudo que ela já leu vai servir, falta uma boa pesquisa, falta sim, vamos pedir ajuda aos universitários, tudo isso em 10 minutos no meio da madrugada, sem suor, sem choro, sem stress. simplesmente assim. do mesmo jeitinho que um dia, apaixonada, depois de uma tarde de namoro em 2003, o tema do meu primeiro projeto simplesmente me surgiu, deitada no chão da sala do ser amado... Hoje, depois de dois dias de ócio, sendo meio dia de amor, algumas lágrimas e muita chuva (esqueci de dizer que continuou chovendo), surgiu.
Liguei o abajur, peguei o caderno (desde que comprei a cama de viúva - ô nome feio, vou mudar pra cama de solteiraquedormecomonamorado) que dorme do lado onde deveria dormir o namorado, o lápis, e rabisquei as idéias. Ficou ótimo.Perdi completamente o sono.
Boa noite, hoje estou feliz, mais leve e acho que 2007 vai ser um bom ano.