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18 setembro 2007

Em protesto, ciclistas criam ciclovias clandestinas nas principais vias de SP

DO "AGORA"

"Ciclistas de São Paulo criaram, por conta própria, faixas preferenciais para bicicletas. A sinalização, feita do lado direito de importantes vias -uma bicicleta pintada com tinta branca-, como as avenidas Paulista e Sumaré, é um protesto contra a falta de ciclovias e também uma maneira de alertar os motoristas de que há ciclistas pedalando na região.
Os desenhos foram feitos em agosto, durante um encontro de ciclistas ativistas. "É uma forma de mostrar que não há estrutura", explica Tiago Beniggio, que é um dos participantes do evento. A organização do encontro, diz ele, não tem nada a ver com as pinturas. "São pessoas que resolveram protestar isoladamente."

A CET, que desconhecia os desenhos, irá avaliá-los e decidir se eles serão apagados."

Folha, 18 de setembro de 2007 - Cotidiano

Essa iniciativa me lembra, timidamente, o movimento Reclaim the Streets, descrito pela escritora Naomi Klein em seu livro "No Logo" ("Sem logo", em português).

Já escrevi sobre isso aqui nesse blog (digite Reclaim na busca do blog, que fica no algo da página).
Acho interessante esse tipo de movimento.

Adoraria ver hordas de ciclistas tomando as ruas sem avisar, expulsando os carros da circulação. Pena que no Brasil não conseguimos ter esse tipo de mobilização social. Por vezes, o 'método Greenpeace' é o único jeito de chamar a atenção.

Por falar nisso, vcs viram reportagem esse finde nos jornais avisando que em pouco tempo, se não reduzirmos os índices de poluição na cidade de São Paulo, logo estaremos iguais a Cubatão?

06 setembro 2007

blogueiros

M says:
gostou do outro blog afinal?
Mi says:
gostei
tem coisas boas, engraçadas
M says:
que bom. a ideia dele eh nao ter filtro mesmo. \
Mi says:
vc é uma metralhadora de posts curtos e engraçados
M says:
qualquer bobagem, qualquer trocadilho besta, sei lah.
Mi says:
eu sou uma bereta de posts longos e quase nada engraçados
M says:
que bom que vc acha.
hahahahahaha\
mentira: isso que vc escreveu dava um pst curto e engracado.
Mi says:
(bereta ou alguma arma que demora pra atirar e carregar, eu nem sei se bereta é demorada, é que o nome parece assim)
M says:

Mi says:
ahaha
to inspirada hoje
M says:
olha, nao sei se exxiste uma arma que demore pra attirar.
mas nao deve vender muito...
Mi says:
que demora pra carregar, pelo menos
M says:
winchester 16 mm.
Mi says:
ah, mas bereta soa melhor. vou postar
risos
M says:
hahahahahah
Mi says:
foda-se a winchester 16 mm
M says:
e vvc acha que eu taava falando serio?
sei lah como eh uma winchester!

Tristeza e dignidade do suicídio

CONTARDO CALLIGARIS

QUANDO EU tinha 12 anos, um tio meu se suicidou. Era um tio de quem eu gostava e que gostava de mim. Ele enfiou a cabeça no forno e abriu a torneira do gás. Deixou uma nota, sucinta, que dizia: "Suicídio por razões profissionais e amorosas".
Meus pais não esconderam de mim as circunstâncias da morte do tio e me mostraram seu bilhete. Mesmo assim, imaginei perceber, em meus pais, uma certa vergonha. Isso, porque, no fundo, eu os culpava.
Foi a grande crise na minha idealização dos meus pais e, por conseqüência, na tranqüilidade de meu mundo: aparentemente, a amizade e o amor que eles ofereciam não tinham sido suficientes para dar a meu tio a vontade de continuar vivendo.
Nada me garantia, portanto, que eles saberiam fazer o necessário para que eu estivesse a fim de viver.
Foi assim que o luto pelo suicídio do meu tio foi também o fim de minha infância. Mas, em regra, quando se suicida um próximo de quem gostamos e que gostava de nós, não atribuímos vergonha e culpa a terceiros: esses sentimentos surgem em nós, ao descobrir que nossa presença e nosso amor não bastaram para que o outro quisesse viver. Em alguns casos, essa ferida nunca cicatriza.
Quando o suicida é nosso pai ou nossa mãe, o sentimento de não termos sido a razão suficiente para ele ou ela viverem fica conosco para sempre, como um fundo melancólico, como a sensação de uma insuficiência essencial ou de uma impossibilidade de sermos amados.
Quando o suicida é um filho ou uma filha, a perda (irreparável, pois o luto pelos nossos descendentes é contra a ordem das gerações) é acompanhada pelo sentimento de um fracasso, como se não tivéssemos conseguido transmitir o básico: a vontade de viver. Deve ser por isso que os monoteísmos consideram o suicídio como um pecado contra o criador: o suicida demonstraria o malogro de Deus. Assisti ao filme "A Ponte", de Eric Steele, e espero que continue em cartaz. Em São Paulo, já passa em apenas uma sala, duas vezes por dia.
Alguns anos atrás, Ted Friend publicou, na "New Yorker" (13/10/ 2003), um artigo sobre a estranha freqüência com que a famosa ponte Golden Gate de San Francisco é escolhida pelos suicidas. Aparentemente inspirado pelo artigo, Steele, durante um ano inteiro, filmou a ponte, sem parar. Houve 24 suicídios e várias tentativas que foram sustadas também graças à equipe de Steele (eles informavam a polícia quando detectavam, de longe, comportamentos "suspeitos").
Além disso, Steele entrevistou parentes e amigos próximos dos suicidas. O tom é justo, comovedor e tocante. O filme evita o caminho mais fácil, que consistiria em nos acusar sub-repticiamente, como se, quando alguém decide morrer, fôssemos todos, de uma maneira ou de outra, responsáveis. A maior qualidade do filme é, ao contrário, a sobriedade. O ato suicida guarda sua dignidade porque, apesar das explicações dos próximos, ele permanece misterioso e radicalmente imprevisível, como qualquer ato humano.
No dia 29 de agosto, o UOL publicou a notícia seguinte: na Áustria, dois homens viviam junto, em um apartamento-albergue dos serviços sociais. Brigaram. Um deles, Robert, psicótico em remissão, matou o outro; depois disso, ele abriu o corpo e o crânio do companheiro e comeu órgãos internos e cérebro. Quando a faxineira chegou, Robert, com a boca ensangüentada, comentou: "Veja só o que aconteceu". A porta-voz do Fundo Social de Viena declarou: "Se tivéssemos a menor idéia de que este tipo de coisa pudesse acontecer, teríamos transferido Robert para outro local e exercido um acompanhamento mais adequado". Alguém, na Áustria, deve estar criticando severamente o psiquiatra, o psicólogo ou a assistente social que, algum dia, afirmaram que Robert podia ser devolvido à sociedade.
Pensei nas poucas vezes em que, num tribunal, tive de dizer, em nome de minha "ciência", se alguém, a partir de então, seria ou não um bom pai ou uma boa mãe.
A verdade é que, uma vez os fatos acontecidos, somos capazes de interpretar, de encontrar explicações e mesmo de assumir responsabilidades e culpas que temos ou não temos. Mas tudo isso apenas retroativamente.
Em matéria de comportamento humano, somos quase sempre incapazes de prever. Não sei se é um mal: talvez essa ignorância seja a condição de nossa liberdade.

Folha de SP, 06/09/07

01 setembro 2007

Paulo Ferraz é finalista do Prêmio Bravo

"O Paulo Ferraz é finalista do Prêmio Bravo – Melhor Livro por De Novo Nada (Selo Sebastião Grifo: 2007). Fiquei tão feliz! Ainda mais por um prêmio desse porte não ter esquecido que poesia é também literatura, hehe, como outros. Parabéns aos julgadores! E ao Paulo também, mas para esse já se rasga seda habitualmente por aqui..."

Post emprestado do Peixe de Aquário. beijos, Ana!

AH: o blog do Paulo Ferraz é o De Novo Nada, linkado aí na barrinha lateral...

28 agosto 2007

nova tentativa



dessa vez com o cabelo mais claro e sobrancelha mais grossa, sugestões de observadores.
aproveitei para mudar o nariz e o tipo do olho. ficou melhor?

26 agosto 2007

Emilia Simpson



Será que ficou parecido? Opiniões...

Quer fazer igual? Simpsonize Me.

24 agosto 2007

João de Barro

Fonte da foto: http://www.iti.br/twiki/bin/view/Swlivre/JoaoDeBarro

Quando eu era mais nova (não vou falar mais jovem porque não me desce bem...), eu tinha muita certeza de tudo. Eu nunca havia parado pra pensar realmente sobre isso, mas tenho clareza, hoje, de que eu tinha certezas demais. Nem sei bem sobre o que, mas eu tinha.

Hoje não tenho mais certeza de nada. Ainda bem.

O tempo e a (con)vivência têm me mostrado, dia a dia, que é ele mesmo (tempo) que nos dá as respostas. Que é preciso saber ouvir, saber calar, saber abraçar, saber esperar, saber rir de si mesmo.

O joão de barro sabe ensinar o que eu estou falando. Ele estava construindo sua casinha no poste na frente da minha casa, no interior. Boa parte da sua casa ele pegou no meu jardim. Trabalho longo... Vai, pega gravetinhos, voa, coloca lá, volta, um pouquinho de lama no meio de mais gravetinhos... No fim da tarde come insetinhos, despudoradamente, nem te ligo pros cachorros: pousa no jardim e fica caçando pequenos pernilongos e bichinhos... e segue, incansável, buscando os gravetinhos, dia após dia.

Estou aprendendo a buscar os gravetinhos. É difícil, porque vc precisa procurar bem pra não pegar gravetinhos errados. Precisa saber perguntar que tipo de lama serve e qual não serve... Por vezes não é a sua vez de colocar um gravetinho ali... É preciso, ainda, perceber quando é tempo de parar e deixar secar o que já foi construído...

E vc precisa também saber onde colocar os gravetinhos. E de repente, tem dias que vc não está muito bem e escolhe mal, pega uns meio ruins, meio ocos, ou então não quer nem pegar nada. Às vezes parece que tudo vai desmoronar... aí vc presta atenção, vê onde é que está meio torto, onde está faltando lama... e continua... E quando, finalmente, fica pronto um pedacinho pequeno da parede... Dá uma felicidade tão grande... que vc sabe que tem que continuar construindo, porque a casa vai ficar linda.

20 agosto 2007

"Caguei para o Cansei"

AHAHA, adorei... notícia da coluna da Monica Bergamo, da Folha de hoje:

"Zezé é Zezé. Eu sou eu"

O cantor Luciano recusou convite para entrar no "Cansei". O irmão dele, Zezé Di Camargo, aderiu, mas ainda assim Luciano diz que a manifestação é oportunista e que agora vai "lançar o movimento "Caguei'".

FOLHA - Por que não aderiu ao "Cansei"?
LUCIANO CAMARGO - Como é que eu vou apoiar um movimento liderado por alguém que promove desfile de cachorros [o empresário João Doria]? Essas pessoas cansaram de quê? Os artistas só estão aderindo porque foram convidados por amigos. A maioria não tem coragem de dizer não. Eu tenho. Este é mais um movimento oportunista. As pessoas que estão nesse movimento não cansaram de coisa nenhuma.

FOLHA - O Zezé aderiu.
LUCIANO - O Zezé é o Zezé, eu sou eu.

FOLHA - Você já disse que se arrepende de ter apoiado o candidato Lula na eleição.
LUCIANO - Eu não me arrependo. Eu me decepcionei. Mas nem acho que o "Cansei" é para derrubar o Lula. Aquilo ali [Lula] nem com reza brava cai. Mas o "Cansei" tem uma classe elitista por trás, que nunca pegou fila para entrar num avião. É um movimento político. Estavam só esperando um momento oportuno para lançar. Protesto é ir para a frente do prédio da TAM. Eu cansei desse "Cansei". Vou lançar o "Caguei". Caguei para o "Cansei".

13 agosto 2007

Pós-graduação

Ao ler a notícia de que o colombiano Abadia, aka "Chupeta", um dos traficantes mais procurados do mundo, que já mandou matar mais de 300 pessoas, está no mesmo presídio que Beira-Mar, pensei:
- Agora que já tem orientador, Fernandinho pode fazer seu mestrado.


Post emprestado do blog da Rosana Hermann - Querido Leitor

10 agosto 2007

Sumiço

Acabei de descobrir a explicação do porquê passei uma ou duas semanas (já nem sei mais) sem conseguir ver nenhum blog do blogspot. Aparentemente, a Telefonica bloqueou o blogspot para usuários do Speedy.... sem nenhuma razão, até onde eu sei, e pior, sem avisar!

Agora há pouco, misteriosamente, consegui acessar.

Olha a notícia:

BlogSpot está fora do ar para usuários Speedy

26 julho 2007

Dieta e Boxe

Mi:
estou fazendo a dieta da mexerica
Mi:
e semana que vem começo o BOXE!!!
B:
q tristeza
rsrssrss
hj comi :
alcatra
cupim
rabada
Mi:
eu vou ficar gostosíssima com o boxe e a mexerica
hj eu comi
B:
canelone
pudim
Mi:
bolacha água e sal com queijo branco
banana
mexerica
B:
e abacaxi p quebra a gordura
hahahahahaaahaha
cada um tem a dieta q merece
Mi:
arroz integral e omelete com queijo e abobrinha
iogurte com granola
café
Mi:
e agora outra mexerica e depois chá
B:
hahahahahahaa

23 julho 2007

O Rio, o táxi e o bolero

O Rio de Janeiro pode ter muitos defeitos, como o pior atendimento ever em restaurantes e a mania do carioca dar palpite em todas as conversas, inclusive nas que não lhes dizem respeito, mas tem uma coisa que só o Rio tem: taxistas que tocam bolero:

"(...) Depois de um banho frio para espantar o calor carioca (a brisa só fazia carinho nas cortinas, mas não ousava invadir a sala, janela adentro), bela e fresca e perfumada, ombros nus na blusa tomara que caia, delicados brincos de pedrinhas cor-de-rosa, os cabelos curtos e cacheados cuidadosamente lavados e arrumados como uma moldura castanha para o rosto de traços clássicos e pele branca, chamou um táxi para levá-la ao seu destino.
Ao entrar no carro, o ar gelado arrepiou-lhe os pelinhos do antebraço, um alívio para a sensação de calor que já tomava conta da sua pele recém saída do chuveiro.
Acomodou-se no banco de trás. Disse o destino ao motorista, esperando nada mais que uma monótona viagem de 10 minutos até o Jardim Botânico.
O taxista ligou o rádio: tocava um bolero, assim meio breguinha, 'el dia que me quieras...' Ela não gostava muito de música romântica. Mas, pensou, posso tolerar uma música.
O rádio emendou com um 'no me platiques mas...' (a música da novela das sete, lembrou ela. Hmmm, acho que é um CD, não deve ser rádio não. Peraí, as duas são do Luís Miguel... É, definitivamente é CD).
Lembrou do taxista da novela das oito. Aquele que era amante da dona de casa, sabe? Mas esse moço era diferente, educado, romântico. Mal tinha visto o seu rosto, mas podia adivinhar o modo como ele acariciava os cabelos da namorada, as flores e os jantares românticos que aprontava pra ela. 'Somos novios, e tenemos um cariño limpio e puro...'
Então ela sentiu-se de repente feliz, confortável; mais que isso, sentiu-se quase amada, valorizada, homenageada. Ensaiou um sorriso nos lábios pintados de rosa. Uma sensação de paixão adolescente percorreu o seu corpo, aquele frio na barriga que ela adorava...
Ao desembarcar, já completamente envolvida no clima romântico-latino, não pôde deixar de agradecer ao motorista pelo atendimento gentil. Mas não olhou no seu rosto quando ele, tão atencioso, ainda lhe fez um convite: - 'Se quiser, chame, que um carro vem para levá-la de volta'."

Pois não é que este último final de semana os taxistas que tocam bolero atacaram novamente? Estávamos nós 4 num táxi a caminho de Ipanema, num lindo sábado ensolarado, fazendo uma lista dos 5 piores sons e/ou bandas conforme a avaliação de cada um, quando um dos presentes disse:-' eu não gosto daquela das borbulhas de amor'. E eu disse: -'eu gosto, é um bolero, eu adoro boleros...'

De repente, não mais que de repente, um bolero começou a tocar no táxi. E o motorista disse ao passageiro da frente: 'mexe com a moça' (no caso, a moça era eu). Achei engraçadinho; quando saímos do táxi, agradeci a ele pelo bolero.

Imediatamente me lembrei do texto acima e fui vasculhar nas minhas coisas... Tá aí, editado mas taí, nunca tinha postado antes. Hoje não gosto tanto dele como gostava na época, mas vale a recordação.

Resumo da ópera:

Passagem de ponte-aérea SP/Rio: 150,00
Saída de praia nova pra desfilar em Ipanema: 50,00
Um taxista que toca boleros no trajeto: não tem preço.

Tem coisas que só um taxista carioca faz pra você*** ;-)



*** Incluindo as participações especialíssimas de Mister, Alezinho e Mileninha.

18 julho 2007

Aeroporto de Congonhas, uma, duas, três vergonhas

cerca de 30 anos atrás Paulo Mendes Campos (eu vou confirmar se é dele mesmo a crônica, tô sem o livro aqui) escreveu, para a genial coleção "para gostar de ler" - que eu li, reli e treli durante a adolescência e que pego até hoje-, a crônica com o título acima.

o texto fazia piada com o aeroporto de congonhas... os aviões passando tão baixo que, como diz um amigo meu, se o chão fosse de vidro dava pra ver a calcinha da aeromoça.
toda vez que eu viajo e pouso em congonhas fico tensa. num dá, né? sempre acho que a pista é muito curta....
até que demorou pra acontecer o que todo mundo já sabia que ia acontecer...

eu acho que a gente simplesmente deveria parar de comprar passagens de vôos partindo ou chegando em Congonhas. TODOS. não vamos mais comprar passagens saindo de congonhas!!!
deixa a infraero morrer com a grana que eles investiram lá nos últimos anos, na reforma. deixa as companhias aéreas começarem a ter prejuízo porque as pessoas não querem aterrisar num aeroporto cuja pista é tão curta que se acontece qualquer coisa o avião não tem pra onde desviar...

a hora que começar a doer no bolso, aí, só aí, vão a providência que deveria ter sido tomada há, pelo menos, 30 anos: fechar o aeroporto de congonhas.

14 julho 2007

13 julho 2007

As Três Pedras



A Três Pedras são uma formação do arenito Botucatu que fica, no entanto, no município de Bofete/SP. Antigamente, o pessoal dizia que via OVNIS ali. Teve até um Frei obcecado por sexo e/ou pela moral e bons costumes (as duas coisas estão indissoluvelmente ligadas...), chamado Fidélis, que criou umas teorias loucas sobre as três pedras, que lá dentro funcionava um templo de culto à Grande Serpente...Olhando a formação dá pra ver o símbolo fálico que atiçou a imaginação do Frei e entender a piração do cara.

A paisagem é linda. Fiz uma caminhada este feriado ali, o céu muito azul, característico da região, vaquinhas pelo caminho, riachinhos, um charcho e as Três Pedras, lindonas. Belo passeio...



Ah, e as flores de São João trepando por cima das árvores e enfeitando os postes de iluminação são um capítulo à parte, junto com os ipês roxos que estão colorindo a cidade (olhem por São Paulo, tá cheio.... lindo!!!). Isso a gente deixa pra outro post.

Por hora, apreciem a paisagem...



vista que se tem do ponto mais alto do caminho que leva às Três Pedras. tava com um pouco de névoa...

08 julho 2007

O que sinto

sono, preguiça, necessidade de mexer o corpo todo, de fazer muito exercício, até ficar exausta e muito muito cansada, saudade do meu amor (é meio brega dizer meu amor mas é isso mesmo), vontade de ler só coisas agradáveis, vontade de receber visitas e de ficar jogando conversa fora, de sair de casa completamente avacalhada, de dormir com o meu cachorrinho enrolado nas minhas pernas.

sinto, principalmente, sono.

07 julho 2007

Post emprestado

É o que tem pra hoje.

De Tati Bernardi.

Queria ser uma dessas pessoas que chegam rapidamente até o outro lado da praia, mesmo quando é fofa e de tombo.
Que arquitetam planos de vida.
Que começam assistentes e terminam donos.
Que começam miojo e terminam grande evento culinário um sábado sim, um não.
Que não se demoram na hora de olhar o cardápio, a vitrine, o Guia da Folha, os rapazes da noite.
Fico vendo que fulano foi lá, escreveu o roteiro, quase um ano de trabalho. Depois foi lá, filmou tudinho, mais um ano de trabalho. Na semana da estréia já estava envolvido em outro projeto. Projetos atrás de projetos. Ah: e fulano tem absoluta certeza que nasceu pra isso.
Fico vendo que fulana foi lá: em 2000 pós, 2001 mba, 2002 carro do ano, 2003 casamento, 2004 casa, 2005 filho, 2006 rotavírus. Uma vida na agenda.
Mas enquanto isso, será que fulano sabe dos 456 livros que poderia ler? Das 456 mulheres que poderia comer? Do pôr do sol em Fernando de Noronha? Do prazer surruel que é dormir até tarde sem saber que dia é?
Como fulano pode ter certeza que está no lugar certo, na hora certa, no momento certo, com a pessoa certa, se há zilhões de segundos, dias, ruas, bairros, cidades, países e sonhos nesse mundo?
Passo os dias me perguntando. Aquele povo todo, correndo na paulista, se apertando no metrô, parado no trânsito da Marginal, passando crachás, apertando mãos, escovando os dentes naquelas escovinhas que dobram no meio pra caber na bolsa, almoçando em quilos, sorrindo em falso, respirando ar condicionado, sonhando com a bunda alheia, com o salário alheio, com o final do dia.
Eu não consigo ser uma coisa. Não consigo viver por algo. Tenho esse saco sem fundo onde cabe o mundo. Mas cabe tanto, tanto, que vivo vazia. Porque ainda não aprendi a me preencher.
Porque ainda ando por aí meio maravilhada e irritada, caçando meus pedaços, desejos e inspirações. Até que depois de ver um pouco de tudo e todos, eu saiba finalmente que cara e que forma tem o meu mural de recortes, a minha colcha de retalhos.
Mas no meio do caminho se é muito feliz. E esse texto está assim meio estranho porque to escrevendo ele… quem diria: um pouco bêbada. Agora, por exemplo, to feliz porque bebi saquê e cantei “O amor e o poder” em um karaokê louco. To muito feliz. E talvez um pouco bêbada. Odeio crachás. E eu to feliz porque to ouvindo uma versão de “My way” cantada pelo Gipsy Kings e são quatro e cinco da manhã. E porque estou tendo o maior ataque de riso do mundo simplesmente porque nada faz sentido. E que bom que não faz.
Como diria meu cabeleireiro gay e com pedras no rim: “é o que tem pra hoje, meu bem”. E eu não me culpo pela minha pressa em ficar. E eu não te culpo pela sua pressa em ir. É em tantas pressas contrárias que a gente se esbarra pelo mundo e se diverte um pouco.

Tati Bernardi é cronista do Blônicas.

03 julho 2007

Cotidiano Paulistano

Olhou as prateleiras cheias de produtos industrializados e que contribuem para o acúmulo de lixo no planeta. Um tédio profundo percorreu as suas veias. Podia senti-lo nos seus pés, nos fios de cabelo encaracolados com mechas loiras falsas, nas suas unhas descascadas, e bem, mas bem no fundo do seu olho...
Já era muito tarde. Estava cansada. Cansada da vidinha besta das 9 às 18h, do cotidiano paulistano de tantas decisões a tomar: passar ou não o farol amarelo, este restaurante italiano ou aquele nouvelle cuisine, dormir um pouco mais ou tomar o café da manhã, escola particular ou pública, colégio tradicional ou de vanguarda? fazer ou não o seguro do carro, ir ao cinema ou ao show? Esse monte de decisões, idiotas ou não, comezinhas ou não... isso a enfadava muito, e ela se perguntava, ali no meio do corredor daquele supermercado da classe média alta, onde é chique comprar produtinhos importados e que fica aberto 24 horas porque é preciso, onde se pode ler o último bestseller de auto-ajuda nos negócios tomando um café espresso 100% arabica, afinal o que diabos eu estou fazendo aqui???
Aí ela se lembrou daquele filme italiano que assistira no cinema de circuito alternativo, comprou um pão italiano, um macarrão grano duro, um tomate pelado em lata, uma garrafa de vinho tinto, uns queijos... pagou com cartão de crédito internacional aceito em mais de 50 países, pegou o seu carro popular com direção hidráulica e vidros fumê, acendeu um cigarro e, quando passava em cima do Elevado Costa e Silva, popularmente conhecido como Minhocão, um pouco acima do limite de velocidade permitido, perdeu a direção e caiu espetacularmente em cima da praça Marechal Deodoro, assustando algumas pombas e mendigos que dormiam no local.