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22 novembro 2007

Valeu sol!!!!


Valeeeeu sooolll!!!! Pelos 6 dias lindos na Bahia!!! Valeu!!!

Meu lado negão


Eu finalmente entendi o que a gringaiada sente quando chega na Bahia. Mais precisamente, em Salvador. O Pelourinho à noite é uma loucura, tem música pra todos os lados, e não é só pra turista não!!! O baiano adora música, os lugares estão sempre cheios de locais...
Na nossa noite mais pelourística fomos assistir a missa católico-afro da Nossa Senhora do Rosário dos Pretos...

Bebemos uma cerveja ali no bar Cruz do Pascoal...
E depois fomos ao show do Gerooonimo!!! que eu já comentei aqui, muita energia boa, cheio de locais.

Dali saímos para uma volta no Pelô. Logo que terminamos a subida da ladeira já tinha um batuque (esse era pra turista mesmo) do estilo Olodum, com todo mundo indo atrás, os negões fazendo coreografia e um outro vendendo os CDs. Uma delícia, dancei à beça. Tinha um casal sentado num bar que ficou só rindo da minha empolgação.
Depois fomos passear. Uns dois quarteirões pra lá esbarramos numa esquina com um pagode do bom, bem tocado. Paramos ali também, eu empolgada, dançando louca, e o ARN só achando graça da minha doidera. Improvisamos um forrozinho do tipo 'dançando de walkmen', bem ao estilo ARN, pianinho, pertinho, gostoso demais.
Logo mais à frente outro batuque e um pouco mais além numa praça vários bares com som ao vivo, axé music. Isso tudo num raio de uns 10 quarteirões.
A gringaiada pira mesmo....
E eu me empolguei com tanta baianidade e fiz o cabelo afro. Eu e as gringas. Ficou bom, não?

Probleminhas do cabelo afro

O único problema do afro foi a primeira noite. Dormir não foi fácil. Mas não tive dor de cabeça não. Só que acordei em pose de múmia, sendo que, em geral, durmo de lado...(risos)
Minto, foram dois problemas: ontem desmanchei o afro, porque os elastiquinhos já tavam soltando... Rapaz, lavei a cabeça inteira hoje...(porque só tinha lavado a parte solta, esse é outro problema... não dá pra lavar direito as tranças...) e caiu MUITO cabelo. MUITO mesmo. Não sei se porque foram 5 dias sem cair os cabelos da parte trançada (a gente sempre perde cabelo todo dia), mas caiu tanto que assustei...
Outra coisa: dá uma boa estragada no cabelo a trancinha. Muitos fios quebrados e bastante cabelinhos arrepiados como resultado.
Mas valeu!!! Quem sabe não repito qualquer hora dessas?
Só duvido que aqui em SP custe os mesmos R$ 20,00 que eu paguei lá. E olha que paguei caro... Tem gente lá que faz por 10 ou 15 pilas...

olha eu aí. não dá pra ver, mas tem umas gringas do meu lado fazendo também ;-)

20 novembro 2007

(Des)Igualdades e Preconceitos

Não tenho foto pra ilustrar isso, mas uma coisa me chamou a atenção em Salvador.... Nas praias, local mais democrático (em geral), muitos negros em Salvador. Na balada que a Jubs indicou, Geronimo, animal, muitas pessoas, em sua maioria negras e negros lindos, muita gente legal, um astral ó-te-mo, super me identifiquei. Acho que foi por conta desse dia que me empolguei e fiz o cabelo afro (ou semi-afro, já que não trancei o cabelo todo - achei que pra mim não ficaria bom...)... Porque as moças são simplesmente lindas, estilosas e coloridas. Eu descia com um largo sorriso de felicidade as escadas que era arquibancada e recebia em troca outros largos sorrisos e alguns comentários. Muito bom...Éramos nós os estranhos ali, os estrangeiros, mas em nenhum momento senti-me discriminada ou hostilizada por ser uma turista entre os locais. Pelo contrário, a energia era simplesmente uma delícia. Havia alguns brancos ali no meio, mas realmente não senti nenhum tipo de hostilidade.
Alguns dias depois, em busca de uma comida diferente de acarajé, abará, churrasquinho de bode e carne de sol com purê de aipim (passamos uma semana inteira nos alimentando de petiscos!!!, cerverja e água de coco!!! asssim não há reeducação alimentar que resista!...) resolvemos encerrar a viagem num barzinho ali perto de onde nos hospedamos... um bar mais arrumadinho, do tipo daqueles que a gente encontra igual aqui em SP, no Rio, em BH, qualquer lugar, portanto. Os preços eram parecidos com os preços daqui. R$ 10,50 uma porção de pastel com 8 unidades.
Entre um pastel de camarão e um de siri, notei que não havia negros ali. Ou melhor, havia sim. Poucos, em geral um dentre 4 ou 5 brancos, nunca um grupo só de negros, nunca o suficiente para que notássemos sua presença.
Fiquei intrigada com isso... Não era um local de turista não, era um local de locais.
Pesquisando, a
chei na internet: 64,8% da população de Salvador é de pardos e 21,8% de negros (ao que parece, são dados do IBGE).
Porém, "segundo estudo do professor da UFRJ Marcelo Paixão, que coordena o Laboratório de Análises Estatísticas Econômicas e Sociais de Relações Raciais, preparado para o Dia Nacional da Consciência Negra (...), em Salvador, (...) a média mensal recebida pelos negros é de R$ 715, ou apenas 52,9% do valor recebido pelos bancos, de R$ 1.350."
Ainda estou com isso entalado na goela.... Preciso pensar mais a respeito. Mas me incomodou essa ausência.
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Na minha turma da SanFran tinha somente dois ou 3 negros, no meio de uns 200 brancos. Uma vez, conversando com um desses amigos, notei que ele só tinha amigos brancos. Na verdade, ele é um branco, como uma vez disseram do Ronaldo, jogador. É um negro branco. Faz a gente pensar...

fonte: site Gazeta do Povo online

19 novembro 2007

Decisions, decisions

A decisão mais importante a tomar em cada dia da última semana foi: onde vamos ver o pôr-do-sol?


do Cristo?


do bar Cruz do Pascoal, no Pelourinho? (dica sensacional de Jubs)



ou do Solar do Unhão?


após o pôr-do-sol no Solar, ARN tirou essa linda foto, que diz tanto.

nosso último pôr-do-sol na Bahia. pelo menos, por enquanto. ;-)

(créditos das fotos: todas por ARN!)

18 novembro 2007

é o azul que a gente fita, no azul do mar da bahia...

Essa música do Gil não me saiu da cabeça durante a semana que passei com meu querido e dileto namorado ARN em Salvador. É a segunda ida à Bahia este ano. No Carnaval, por increça que parível, foi um esquema totalmente mato, off-trio-elétrico-abadá-e-Ivete, como se pode ver nas fotos de Diogo (procure na busca por Diogo, vc vê as fotos, um sossego só, sítio e praia quase no mesmo lugar). Dessa vez, num feriado um pouco esticado (de quase uma semana), ficamos em Salvador. Aquela festa de Salvador. Aqueles contrastes todos de Salvador.



As cores, o mar transparente (pelo menos o da praia do Porto da Barra e o da praia do Farol da Barra), o sol (sempre brilhando no céu azul e limpo; sempre lindos pôres-do-sol, decisão mais importante de cada dia...), e a pobreza, a dificuldade, o pelejar do bahiano para tocar a vida. Mas sempre bricando, brincando de brigar (como observou ARN), brincando de zoar com o outro, o Bahia subindo pra série B, e assim a vida segue. Pronto!



Salvador pra mim tem cheiro de Acarajé. Acarajé que foi comido religiosamente todos os dias pelo meu companheiro de viagem e por mim quase todos os dias, alguns mais de uma vez. O melhor que comi não foi o da Cira não, foi o de uma Baiana chamada Augusta que fica embaixo da escada do meio da praia do Farol. Quem anda pra lá e pra cá vendendo na praia é a Karla, uma moça muito bonita e simpática, que quase flerta com o freguês ao dizer o preço da porção de mini-acarajé com um camarão salgadinho na medida e muito bem temperado, hmmmmm.....

Ah, e é bom que todos saibam:



Acarajé causa esquecimento!!!


Depois escrevo mais.

(créditos das fotos: todas por ARN!)

29 outubro 2007

Antes que o tempo e a distância digam não

Certas situações na vida fazem com que paremos pra avaliar o modo como tratamos as pessoas de quem gostamos e que gostam da gente.
Nunca perdi ninguém próximo, mas já vi duas pessoas muito próximas perderem pessoas muito próximas. Somente agora, mais adulta, é que pude ter a clareza desse sofrimento, mas sei que só vou saber mesmo, profundamente quando, inevitavelmente, um dia, perder eu também alguém querido.
Nessas ocasiões é que a gente se dá conta da nossa babaquice: ficamos tentando provar pontos de vista quando, o que realmente importa, que é dar carinho, amor, abraços e beijos em quem gostamos e em quem gosta da gente, esquecemos de fazer todos os dias.
Somos mesmo estranhos...
Dosar o amor é uma sabedoria; aliás, refraseio: dosar a demonstração de amor, pra não virar 'pegajosice', é uma sabedoria. Mas amor... Amor não se dosa!! Mas por vezes dosamos o nosso demonstrar... E quantas vezes não nos damos conta de que ficar dosando isso é uma grande bobagem...
Mas é difícil... muitas vezes não aprendemos a dizer do nosso afeto. Não sabemos como dizer ou como chegar. Mas é um aprendizado tão necessário!...
Nos últimos tempos ouvi duas vezes a mesma frase em situações parecidas, de pessoas que não se conhecem: diga hoje, agora, praquela pessoa de quem vc tanto gosta, que vc a ama. Abrace-a, beije-a, diga o que sente. Porque amanhã pode não ser mais possível.
Parece piegas né? Sair por aí declarando amor... Mas as duas vezes em que ouvi essa frase fez muito sentido. Estou disposta a praticar.
Acho que vale a pena. Vai ser difícil, em especial com certas pessoas, porque sempre tive uma certa dificuldade em expressar o meu afeto com gestos, com abraços. Abraço é difícil. Mas estou disposta a praticar.
Falar também é difícil, algumas vezes, mas sempre é hora de tentar coisas novas.
Vamos tentar?

18 outubro 2007

Bom senso

Seria mesmo complicado o Huck reconhecer um cara que estava usando capacete, não???
Ainda bem que ele teve o bom senso de não reconhecer os sujeitos sem de fato reconhecer, como acontece em um monte de casos.
Analisei um processo criminal uma vez do começo ao fim para montar uma aula de psicologia do testemunho. Na fase de inquérito, com os fatos frescos na cabeça, a gente ainda se lembra com relativa clareza das coisas. Com o passar do tempo, vamos agregando imagens e relatos nessa lembrança. As coisas se misturam...e as pessoas podem cometer erros.
E ainda ensinamos nas faculdades que vamos descobrir a verdade no processo penal...

"Huck não reconhece suspeitos de roubar seu Rolex em São Paulo
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da Folha Online
da Folha de S.Paulo

O apresentador da TV Globo Luciano Huck não reconheceu nesta quinta-feira os dois suspeitos de roubar seu relógio Rolex em um bairro nobre da zona oeste de São Paulo no mês passado.

Huck mora no Rio e veio a São Paulo apenas para ver as fotos dos suspeitos, o garçom Wagner do Nascimento Marinho, 22, foragido da penitenciária de Valparaíso (577 km de São Paulo), e um grafiteiro.

As fotos foram apresentadas pelo delegado Marcos Manfrin, que teve um encontro com o apresentador no escritório do pai de Huck, em Pinheiros (zona oeste de São Paulo). Segundo sua assessoria, o apresentador já voltou para o Rio.

A prisão ocorreu em Taboão da Serra (Grande São Paulo), graças a um informante da polícia. De acordo com o informante, o Rolex, avaliado em R$ 10 mil, já foi vendido."

15 outubro 2007

Que lado do seu cérebro vc usa mais?

Vejam este teste.

Eu achei interessante, porque vejo dos dois jeitos com muita facilidade... basta eu desviar o olhar um pouquinho e quando olho pra moça ela já está girando do outro lado.
Será que estou conseguindo atingir o tão desejado equilíbrio?
Vejam aí, depois me contem!

04 outubro 2007

Free Burma


Free Burma!


estou aderindo por motivos óbvios à campanha dos blogueiros para despertar a atenção internacional para Burma. com mais tempo e mais tranqüilidade faço um post de verdade a respeito. por hora, fica a adesão.

quem quiser aderir clica aqui.

28 setembro 2007

6emeia


Vai lá no fotolog que tem mais!!!

23 setembro 2007

como nossos pais

(fonte: http://meuserevaporei.blogspot.com)


Essa árvore se chama Jacarandá mimoso... Já viram como tem alguns lindos por aí, espalhando flores pelo céu e fazendo aquele tapete colorido pelo chão???

Cresci, cresci, e virei uma mistura muito bem dosada dos defeitos e das qualidades dos meus pais...

Esse negócio de ficar olhando árvore floridas pela cidade, observar que árvore é de cada época, querer saber o nome... Os passarinhos... Isso é coisa de meu pai (e, em certa medida, também da minha mãe, um pouco influenciada por ele, creio), que cultiva um jardim há 30 anos... agora já temos um pequeno pomar!!!

Sobre o pequeno pomar de hoje e o pomar da minha infância vou escrever depois. Amoras, jabuticabas e pitangas: reminiscências de uma casa e de uma família que me acolhia com chás, chocolatinhos e uma permissividade que na minha casa não era possível.

Dia mundial sem carro

"Só há 2 formas para que o 'Dia mundial sem carro' dê certo em São Paulo:
1) São paulo ter um transporte público decente com uma malha metroviária abrangente.
2) O 'Dia mundial sem carro' ser decretado pelo PCC."

(Comentário de um leitor no blog Querido Leitor - link aí na barrinha lateral)

18 setembro 2007

Em protesto, ciclistas criam ciclovias clandestinas nas principais vias de SP

DO "AGORA"

"Ciclistas de São Paulo criaram, por conta própria, faixas preferenciais para bicicletas. A sinalização, feita do lado direito de importantes vias -uma bicicleta pintada com tinta branca-, como as avenidas Paulista e Sumaré, é um protesto contra a falta de ciclovias e também uma maneira de alertar os motoristas de que há ciclistas pedalando na região.
Os desenhos foram feitos em agosto, durante um encontro de ciclistas ativistas. "É uma forma de mostrar que não há estrutura", explica Tiago Beniggio, que é um dos participantes do evento. A organização do encontro, diz ele, não tem nada a ver com as pinturas. "São pessoas que resolveram protestar isoladamente."

A CET, que desconhecia os desenhos, irá avaliá-los e decidir se eles serão apagados."

Folha, 18 de setembro de 2007 - Cotidiano

Essa iniciativa me lembra, timidamente, o movimento Reclaim the Streets, descrito pela escritora Naomi Klein em seu livro "No Logo" ("Sem logo", em português).

Já escrevi sobre isso aqui nesse blog (digite Reclaim na busca do blog, que fica no algo da página).
Acho interessante esse tipo de movimento.

Adoraria ver hordas de ciclistas tomando as ruas sem avisar, expulsando os carros da circulação. Pena que no Brasil não conseguimos ter esse tipo de mobilização social. Por vezes, o 'método Greenpeace' é o único jeito de chamar a atenção.

Por falar nisso, vcs viram reportagem esse finde nos jornais avisando que em pouco tempo, se não reduzirmos os índices de poluição na cidade de São Paulo, logo estaremos iguais a Cubatão?

06 setembro 2007

blogueiros

M says:
gostou do outro blog afinal?
Mi says:
gostei
tem coisas boas, engraçadas
M says:
que bom. a ideia dele eh nao ter filtro mesmo. \
Mi says:
vc é uma metralhadora de posts curtos e engraçados
M says:
qualquer bobagem, qualquer trocadilho besta, sei lah.
Mi says:
eu sou uma bereta de posts longos e quase nada engraçados
M says:
que bom que vc acha.
hahahahahaha\
mentira: isso que vc escreveu dava um pst curto e engracado.
Mi says:
(bereta ou alguma arma que demora pra atirar e carregar, eu nem sei se bereta é demorada, é que o nome parece assim)
M says:

Mi says:
ahaha
to inspirada hoje
M says:
olha, nao sei se exxiste uma arma que demore pra attirar.
mas nao deve vender muito...
Mi says:
que demora pra carregar, pelo menos
M says:
winchester 16 mm.
Mi says:
ah, mas bereta soa melhor. vou postar
risos
M says:
hahahahahah
Mi says:
foda-se a winchester 16 mm
M says:
e vvc acha que eu taava falando serio?
sei lah como eh uma winchester!

Tristeza e dignidade do suicídio

CONTARDO CALLIGARIS

QUANDO EU tinha 12 anos, um tio meu se suicidou. Era um tio de quem eu gostava e que gostava de mim. Ele enfiou a cabeça no forno e abriu a torneira do gás. Deixou uma nota, sucinta, que dizia: "Suicídio por razões profissionais e amorosas".
Meus pais não esconderam de mim as circunstâncias da morte do tio e me mostraram seu bilhete. Mesmo assim, imaginei perceber, em meus pais, uma certa vergonha. Isso, porque, no fundo, eu os culpava.
Foi a grande crise na minha idealização dos meus pais e, por conseqüência, na tranqüilidade de meu mundo: aparentemente, a amizade e o amor que eles ofereciam não tinham sido suficientes para dar a meu tio a vontade de continuar vivendo.
Nada me garantia, portanto, que eles saberiam fazer o necessário para que eu estivesse a fim de viver.
Foi assim que o luto pelo suicídio do meu tio foi também o fim de minha infância. Mas, em regra, quando se suicida um próximo de quem gostamos e que gostava de nós, não atribuímos vergonha e culpa a terceiros: esses sentimentos surgem em nós, ao descobrir que nossa presença e nosso amor não bastaram para que o outro quisesse viver. Em alguns casos, essa ferida nunca cicatriza.
Quando o suicida é nosso pai ou nossa mãe, o sentimento de não termos sido a razão suficiente para ele ou ela viverem fica conosco para sempre, como um fundo melancólico, como a sensação de uma insuficiência essencial ou de uma impossibilidade de sermos amados.
Quando o suicida é um filho ou uma filha, a perda (irreparável, pois o luto pelos nossos descendentes é contra a ordem das gerações) é acompanhada pelo sentimento de um fracasso, como se não tivéssemos conseguido transmitir o básico: a vontade de viver. Deve ser por isso que os monoteísmos consideram o suicídio como um pecado contra o criador: o suicida demonstraria o malogro de Deus. Assisti ao filme "A Ponte", de Eric Steele, e espero que continue em cartaz. Em São Paulo, já passa em apenas uma sala, duas vezes por dia.
Alguns anos atrás, Ted Friend publicou, na "New Yorker" (13/10/ 2003), um artigo sobre a estranha freqüência com que a famosa ponte Golden Gate de San Francisco é escolhida pelos suicidas. Aparentemente inspirado pelo artigo, Steele, durante um ano inteiro, filmou a ponte, sem parar. Houve 24 suicídios e várias tentativas que foram sustadas também graças à equipe de Steele (eles informavam a polícia quando detectavam, de longe, comportamentos "suspeitos").
Além disso, Steele entrevistou parentes e amigos próximos dos suicidas. O tom é justo, comovedor e tocante. O filme evita o caminho mais fácil, que consistiria em nos acusar sub-repticiamente, como se, quando alguém decide morrer, fôssemos todos, de uma maneira ou de outra, responsáveis. A maior qualidade do filme é, ao contrário, a sobriedade. O ato suicida guarda sua dignidade porque, apesar das explicações dos próximos, ele permanece misterioso e radicalmente imprevisível, como qualquer ato humano.
No dia 29 de agosto, o UOL publicou a notícia seguinte: na Áustria, dois homens viviam junto, em um apartamento-albergue dos serviços sociais. Brigaram. Um deles, Robert, psicótico em remissão, matou o outro; depois disso, ele abriu o corpo e o crânio do companheiro e comeu órgãos internos e cérebro. Quando a faxineira chegou, Robert, com a boca ensangüentada, comentou: "Veja só o que aconteceu". A porta-voz do Fundo Social de Viena declarou: "Se tivéssemos a menor idéia de que este tipo de coisa pudesse acontecer, teríamos transferido Robert para outro local e exercido um acompanhamento mais adequado". Alguém, na Áustria, deve estar criticando severamente o psiquiatra, o psicólogo ou a assistente social que, algum dia, afirmaram que Robert podia ser devolvido à sociedade.
Pensei nas poucas vezes em que, num tribunal, tive de dizer, em nome de minha "ciência", se alguém, a partir de então, seria ou não um bom pai ou uma boa mãe.
A verdade é que, uma vez os fatos acontecidos, somos capazes de interpretar, de encontrar explicações e mesmo de assumir responsabilidades e culpas que temos ou não temos. Mas tudo isso apenas retroativamente.
Em matéria de comportamento humano, somos quase sempre incapazes de prever. Não sei se é um mal: talvez essa ignorância seja a condição de nossa liberdade.

Folha de SP, 06/09/07

01 setembro 2007

Paulo Ferraz é finalista do Prêmio Bravo

"O Paulo Ferraz é finalista do Prêmio Bravo – Melhor Livro por De Novo Nada (Selo Sebastião Grifo: 2007). Fiquei tão feliz! Ainda mais por um prêmio desse porte não ter esquecido que poesia é também literatura, hehe, como outros. Parabéns aos julgadores! E ao Paulo também, mas para esse já se rasga seda habitualmente por aqui..."

Post emprestado do Peixe de Aquário. beijos, Ana!

AH: o blog do Paulo Ferraz é o De Novo Nada, linkado aí na barrinha lateral...

28 agosto 2007

nova tentativa



dessa vez com o cabelo mais claro e sobrancelha mais grossa, sugestões de observadores.
aproveitei para mudar o nariz e o tipo do olho. ficou melhor?

26 agosto 2007

Emilia Simpson



Será que ficou parecido? Opiniões...

Quer fazer igual? Simpsonize Me.

24 agosto 2007

João de Barro

Fonte da foto: http://www.iti.br/twiki/bin/view/Swlivre/JoaoDeBarro

Quando eu era mais nova (não vou falar mais jovem porque não me desce bem...), eu tinha muita certeza de tudo. Eu nunca havia parado pra pensar realmente sobre isso, mas tenho clareza, hoje, de que eu tinha certezas demais. Nem sei bem sobre o que, mas eu tinha.

Hoje não tenho mais certeza de nada. Ainda bem.

O tempo e a (con)vivência têm me mostrado, dia a dia, que é ele mesmo (tempo) que nos dá as respostas. Que é preciso saber ouvir, saber calar, saber abraçar, saber esperar, saber rir de si mesmo.

O joão de barro sabe ensinar o que eu estou falando. Ele estava construindo sua casinha no poste na frente da minha casa, no interior. Boa parte da sua casa ele pegou no meu jardim. Trabalho longo... Vai, pega gravetinhos, voa, coloca lá, volta, um pouquinho de lama no meio de mais gravetinhos... No fim da tarde come insetinhos, despudoradamente, nem te ligo pros cachorros: pousa no jardim e fica caçando pequenos pernilongos e bichinhos... e segue, incansável, buscando os gravetinhos, dia após dia.

Estou aprendendo a buscar os gravetinhos. É difícil, porque vc precisa procurar bem pra não pegar gravetinhos errados. Precisa saber perguntar que tipo de lama serve e qual não serve... Por vezes não é a sua vez de colocar um gravetinho ali... É preciso, ainda, perceber quando é tempo de parar e deixar secar o que já foi construído...

E vc precisa também saber onde colocar os gravetinhos. E de repente, tem dias que vc não está muito bem e escolhe mal, pega uns meio ruins, meio ocos, ou então não quer nem pegar nada. Às vezes parece que tudo vai desmoronar... aí vc presta atenção, vê onde é que está meio torto, onde está faltando lama... e continua... E quando, finalmente, fica pronto um pedacinho pequeno da parede... Dá uma felicidade tão grande... que vc sabe que tem que continuar construindo, porque a casa vai ficar linda.