eu devia ter colocado um agradecimento especial pra ele na minha dissertação.
Jaime, meu acupunturista, me salvou em vários momentos em que tudo que corria nas minhas veias era puro stress! quando estive lá, uma semana antes do prazo para terminar a escrevinhação do meu mestrado, eu estava tão, tão pilhada, que quando ele espetou aquele lugarzinho de sempre no peito do pé, um lugar que é ligado ao fígado (vou pesquisar sobre fígado na acupuntura e depois conto mais), levei um choque como eu nunca tinha sentido; na hora chorei muito. é o pior lugar pra mim. é um dos únicos que dá choque, e que realmente me incomoda.
agora, tem um ponto loucão que ele espeta no dedão do pé que é pra 'organizá os pensamento', e é ótimo pra quando a gente tá meio doidona como eu ando.
ontem fui lá e segunda que vem, véspera da minha banca de mestrado, vou lá de novo.
acupuntura é muito legal, e o Jaime e a Missai, esposa dele, são realmente especiais. semana passada quando fui lá eu contei que estava triste, e aí ele espetou (sempre tem uns lugares novos, conforme o que eu conto pra ele que estou passando e sentindo) um lugar aqui no peito que eu acho que é ligado ao coração. não é doido? a tristeza melhorou. aí ontem fui lá e ele perguntou se a tristeza tinha passado, falei que tinha melhorado. ele espetou de novo o tal lugar.
só sei que depois que saí de lá almocei na minha avó e dormi depois do almoço. quando acordei, dei dois telefonemas que precisava fazer e para duas pessoas que eu estava sem coragem de enfrentar, cada uma por um motivo. a acupuntura realmente ajuda a gente a se reestruturar...
que bom que é conseguir ser adulto e enfrentar nossos medos, e descobrir que assumir seus erros não dói. ah, tudo bem, dói um pouquinho, vai, mas assumir erros é admitir que somos humanos.
e a consciência da imperfeição humana é algo que tem me ajudado muito a enfentar os meus pequenos desafios cotidianos. como eu disse recentemente, sou humana, e nada do que é humano me é estranho.
no fim, como conversei com uma amiga recentemente, não custa lembrar, nos momentos de stress, que nada disso importa... a gente é que dá uma importância pras coisas umas 10 x maior do que elas realmente são... isso tira um peso danado das costas da gente!
preciso falar da Missai, a esposa e secretária do Jaime, uma fofa. sempre simpática, animada e gentil, levanta o meu ego porque sempre me elogia dizendo que eu pareço uns 05 anos mais nova (risos), mas o melhor de tudo é que vc vê que ela é sincera e genuína. ontem dei um presente pra ela, e a reação dela foi genuína. por sorte ela gostou muito ;-), mas sei também que se não tivesse gostado eu saberia. gosto de pessoas assim.
o que eu acho interessante é que o Jaime realmente te estimula a ser como você é. ano passado, quando eu tava surtando, mais ou menos nessa época do ano, com um emprego que estava me consumindo corpo e alma, eu ia lá e falava pra ele que diziam que eu tenho que mudar. e ele me dizia, mas se vc muda vc não vai mais ser a Emilia que eu conheço. claro que isso não significa que a gente não possa melhorar, atenuar nossos defeitos. mas o fato é, como eu já disse em algum lugar aqui antes, a mesma paixão que, às vezes, me atrapalha é a que me move. sem ela, não sou eu. como tatou a maravilhosa Angelia Jolie em seu corpo, 'o que me alimenta me destrói' ('quod me nutrit me destruit').
10 abril 2008
06 abril 2008
Terra da garoa
é que eu não tenho uma máquina digital e a do meu celular até tira fotos, mas o maledeto cabinho para transferir as fotos pro computador é temperamental e só funciona quando quer. se eu tivesse uma máquina digital eu tiraria uma foto da cidade daqui do alto da minha janela. e mostraria o que é São Paulo no esplendor de um dia de outono, cumprindo sua vocação: terra da garoa.
de repente ouvi um barulhinho suave e constante. olhei pela janela e tudo estava cinza como só naqueles dias de garoazinha cortante.
nesses dias eu tenho vontade de ir pra um café, sentar, pedir um chá, ou um cappuccino grande, e ficar um tempão olhando as pessoas lá fora, e me sentindo pertencente a um lugar. se eu fumasse, eu fumaria nesse café, vários cigarros mentolados, calmamente. e observaria os outros paulistanos solitários ou em duplas que chegam fugindo da garoa.
mas que coisa boa é passear na avenida paulista com a garoa cortando a nossa cara e depois entrar numa estação do metrô quentinha!!! eu poderia dizer "e depois entrar numa loja ou um café quentinhos..." mas isso não seria consumismo demais? entrar no café pode?
talvez eu faça isso hoje.
de repente ouvi um barulhinho suave e constante. olhei pela janela e tudo estava cinza como só naqueles dias de garoazinha cortante.
nesses dias eu tenho vontade de ir pra um café, sentar, pedir um chá, ou um cappuccino grande, e ficar um tempão olhando as pessoas lá fora, e me sentindo pertencente a um lugar. se eu fumasse, eu fumaria nesse café, vários cigarros mentolados, calmamente. e observaria os outros paulistanos solitários ou em duplas que chegam fugindo da garoa.
mas que coisa boa é passear na avenida paulista com a garoa cortando a nossa cara e depois entrar numa estação do metrô quentinha!!! eu poderia dizer "e depois entrar numa loja ou um café quentinhos..." mas isso não seria consumismo demais? entrar no café pode?
talvez eu faça isso hoje.
"Homo sum; humani nil a me alienum puto."
"Homo sum; humani nil a me alienum puto." - Publius Terentius Afer
Sou humano, nada do que é humano me é estranho.
Esta frase tem rodado a minha cabeça nos últimos dias... Não sei bem por quê.
Talvez porque o amadurecimento traz uma compreensão maior do outro (pelo menos, é o desejável). Talvez porque tenho me deparado com situações em que sentir compaixão pelo outro é tão necessária. E talvez porque esteja hoje sentindo um pouco de compaixão por mim mesma.
Não acho que tenho sentido pena de mim. Não sinto pena, porque sei que fiz o que podia fazer, me sinto digna. Mas sinto uma tristeza profunda e muito presente, a tristeza de quando se é rejeitado. Será que quando a gente entende os motivos da rejeição é mais fácil aceitar? Acho que entendo, hoje, o que sentiu um queridíssimo ex-namorado, muito especial, quando, buscando não feri-lo, não disse claramente, na época, as razões pelas quais estava me separando dele. Somente fui dizer a ele alguns anos depois. Talvez isso tenha feito mal a ele. Hoje ele está bem e com uma mulher muito interessante ao seu lado. Acho que eles são felizes juntos. :D
É isso que eu sinto. Não consigo compreender. O que eu sei é que dói, e tem doído cotidianamente. Logo no início achei que não. Que seria fácil. Não, não tem sido fácil, preciso admitir. Não tem sido fácil estar sozinha, e meus amigos e amigas têm sido aqueles para quem telefono quando me dá uma vontade imensa de conversar com alguém e contar como foi o meu dia. Por sorte, tenho vári@s, e el@s têm me escutado com a paciência que só um amigo verdadeiro tem.
Espero ter também a paciência necessária para esperar essa dor passar e voltar a ter mais momentos bons do que ruins; ultimamente, bom mesmo tem sido encontrar meus amigos e minha família quando é possível e aquela meia hora cotidiana na academia, onde tento ganhar um pouco de satisfação física que compense a tristeza que sinto na alma. Gostaria de dormir, suspender minha vida por alguns meses, e poder voltar quando isso passar.
Sou humano, nada do que é humano me é estranho.
Esta frase tem rodado a minha cabeça nos últimos dias... Não sei bem por quê.
Talvez porque o amadurecimento traz uma compreensão maior do outro (pelo menos, é o desejável). Talvez porque tenho me deparado com situações em que sentir compaixão pelo outro é tão necessária. E talvez porque esteja hoje sentindo um pouco de compaixão por mim mesma.
Não acho que tenho sentido pena de mim. Não sinto pena, porque sei que fiz o que podia fazer, me sinto digna. Mas sinto uma tristeza profunda e muito presente, a tristeza de quando se é rejeitado. Será que quando a gente entende os motivos da rejeição é mais fácil aceitar? Acho que entendo, hoje, o que sentiu um queridíssimo ex-namorado, muito especial, quando, buscando não feri-lo, não disse claramente, na época, as razões pelas quais estava me separando dele. Somente fui dizer a ele alguns anos depois. Talvez isso tenha feito mal a ele. Hoje ele está bem e com uma mulher muito interessante ao seu lado. Acho que eles são felizes juntos. :D
É isso que eu sinto. Não consigo compreender. O que eu sei é que dói, e tem doído cotidianamente. Logo no início achei que não. Que seria fácil. Não, não tem sido fácil, preciso admitir. Não tem sido fácil estar sozinha, e meus amigos e amigas têm sido aqueles para quem telefono quando me dá uma vontade imensa de conversar com alguém e contar como foi o meu dia. Por sorte, tenho vári@s, e el@s têm me escutado com a paciência que só um amigo verdadeiro tem.
Espero ter também a paciência necessária para esperar essa dor passar e voltar a ter mais momentos bons do que ruins; ultimamente, bom mesmo tem sido encontrar meus amigos e minha família quando é possível e aquela meia hora cotidiana na academia, onde tento ganhar um pouco de satisfação física que compense a tristeza que sinto na alma. Gostaria de dormir, suspender minha vida por alguns meses, e poder voltar quando isso passar.
29 março 2008
Bagdad Cafe
Desert road from Vegas to nowhere
Someplace better than where you've been
A coffee machine that needs some fixing
In a little cafe just around the bend.
I am calling you
Can't you hear me
I am calling you.
Hot dry wind blows right through me
Baby's crying and I can't sleep
But we both know a change is coming
It's coming closer
Sweet release.
I am calling you
I know you hear me
I am calling you
I am calling you
I know you hear me
I am calling you
Desert road from Vegas to nowhere
Someplace better than where you've been
A coffee machine that needs some fixing
In a little cafe just around the bend
Hot dry wind blows right through me
Baby's crying and I can't sleep
And I can feel a change is coming
coming closer Sweet release.
I am calling you
Can't you hear me
I am calling you.
27 março 2008
Empresas lucram com oferta de falsos álibis para quem quer ser infiel
DO UOL ECONOMIA
Da Redação
Em São Paulo
Em São Paulo
Reportagem desta quarta-feira do jornal espanhol "El País" mostra que empresas estão faturando dinheiro com oferta de falsos álibis para clientes que desejam trair seu parceiro, reduzindo as chances de serem descobertos.
Juan Vázquez, diretor comercial do Coartadaclub [que pode ser traduzido como "seualibi.com"], vende por 200 euros um convite para um falso seminário sobre isolantes, um telefonema de confirmação e folhetos fraudados.
Vázquez calcula que sua empresa coordene 20 trabalhadores na Espanha. Ele apresenta 2.200 pedidos de álibi e estudos de mercado que afirmam que a metade do país estaria disposta a enganar.
Oferece hotéis fictícios em 60 países. Presume que seu público seja formado por aqueles com menos oportunidades de escapar e por isso um de seus serviços principais é o dos seminários de cozinha para donas de casa. Para outro tipo de cliente, o cérebro oculto da companhia prepara um serviço de acompanhamento.
Vázquez é um homem pragmático: "Um divórcio é mais caro que um álibi. Conosco basta chegar em casa com um ramo de flores e um 'querida, te amo'".
***************************************
Não são incríveis as coisas com que se pode ganhar dinheiro hoje em dia???!
Juan Vázquez, diretor comercial do Coartadaclub [que pode ser traduzido como "seualibi.com"], vende por 200 euros um convite para um falso seminário sobre isolantes, um telefonema de confirmação e folhetos fraudados.
Vázquez calcula que sua empresa coordene 20 trabalhadores na Espanha. Ele apresenta 2.200 pedidos de álibi e estudos de mercado que afirmam que a metade do país estaria disposta a enganar.
Oferece hotéis fictícios em 60 países. Presume que seu público seja formado por aqueles com menos oportunidades de escapar e por isso um de seus serviços principais é o dos seminários de cozinha para donas de casa. Para outro tipo de cliente, o cérebro oculto da companhia prepara um serviço de acompanhamento.
Vázquez é um homem pragmático: "Um divórcio é mais caro que um álibi. Conosco basta chegar em casa com um ramo de flores e um 'querida, te amo'".
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Não são incríveis as coisas com que se pode ganhar dinheiro hoje em dia???!
18 março 2008
10 março 2008
Preciso escrever mas não sei o que
Não sei o que escrever pois não sei o que sinto
Não sei o que sinto...
Não sei o que sinto...
Não sei se sinto medo; de fato, não sei se sinto indiferença; não sei se estou triste
Não sei se deveria pular; não sei se devo me recolher; não sei se devo chorar
ou fingir que está tudo bem
Não sei se devo tomar atitudes ou esperar o tempo passar;
Não ligo, não ligo...
Não ligo se me dou tanto
Não ligo se me dei tanto
Não ligo se me dói tanto
Não ligo se me dói...
Só finjo, como o poeta.
E espero
Não sei o que sinto...
Não sei o que sinto...
Não sei se sinto medo; de fato, não sei se sinto indiferença; não sei se estou triste
Não sei se deveria pular; não sei se devo me recolher; não sei se devo chorar
ou fingir que está tudo bem
Não sei se devo tomar atitudes ou esperar o tempo passar;
Não ligo, não ligo...
Não ligo se me dou tanto
Não ligo se me dei tanto
Não ligo se me dói tanto
Não ligo se me dói...
Só finjo, como o poeta.
E espero
04 março 2008
ônibus 174 - José Padilha
Acabei de assistir o filme. Já tinha visto trechos. Mas realmente não fazia idéia de como o filme era bom e de como a história é trágica. trágica, trágica.
Me impressionou especialmente a lucidez de uma das reféns, uma mocinha que é praticamente a principal narradora do filme. Uma moça de então 19 anos, que conseguiu enxergar em Sandro um ser humano e conseguiu compreender ali, naquele momento, a tragédia que ele protagonizava, na qual ela, Geísa e as demais reféns eram meras coadjuvantes.
Quanto mais eu estudo o crime mais eu me supreendo, mais eu me emociono, mais eu choro, mais eu fico indignada. Tento me mexer. Tento fazer a minha parte. Mas eu sozinha, aqui, quase impotente, eu não sou nada.
Ou todos nós assumimos as nossas responsabilidades, ou seremos, sempre, como Geísa: coadjuvantes de uma tragédia.
Me impressionou especialmente a lucidez de uma das reféns, uma mocinha que é praticamente a principal narradora do filme. Uma moça de então 19 anos, que conseguiu enxergar em Sandro um ser humano e conseguiu compreender ali, naquele momento, a tragédia que ele protagonizava, na qual ela, Geísa e as demais reféns eram meras coadjuvantes.
Quanto mais eu estudo o crime mais eu me supreendo, mais eu me emociono, mais eu choro, mais eu fico indignada. Tento me mexer. Tento fazer a minha parte. Mas eu sozinha, aqui, quase impotente, eu não sou nada.
Ou todos nós assumimos as nossas responsabilidades, ou seremos, sempre, como Geísa: coadjuvantes de uma tragédia.
12 fevereiro 2008
O blogger andou dificultando minha vida, por isso demorei tanto pra postar.
O post abaixo (das flores) foi escrito há um tempão..
Bem, updates de uma mestranda tempo integral: não sou mais mestranda tempo integral. acabei. As ultimas 48 horas escrevendo virei praticamente direto; o último capítulo ficou com duas notas de rodapé sem pé nem cabeça (uma não terminada e outra repetida no texto logo acima), mas acabei. Até que não ficou ruim, sabe? 200 páginas!!! e eu achei que teria dificuldade pra escrever 100...
Até emagreci: duas pessoas comentaram e ontem me pesei: realmente estou um quilo mais magra. Incrível, considerando a quantidade de chocolate que eu comi.
Nesses 2 meses trancada em casa acho que assisti uns 30 filmes. Assisti a tetralogia dos Contos do Eric Rohmer, que eu sempre quis. Adorei. Assisti vááárias comédias românticas (se precisarem de indicação, é só falar) e várias comédias tout-court. Assistam O Closet, recomendo fortemente. Também adorei Italiano para principiantes. Assistia tudo que me fizesse distrair do mestrado durante os momentos de alimentação.
Tive a sorte de ter a companhia do meu irmão até o final de janeiro, o que ajudou a suportar as madrugadas adentro.
Tive também um namorado incrivelmente lindo e fofo que me arrancou de casa quando eu já não aguentava mais escrever e que aceitou os meus nãos quando precisei dizê-los, inclusive o 'não vou poder viajar no Carnaval'.
Agora estou me dedicando à minha nova rotina como professora e tentando me organizar para não precisar passar 32 horas por semana me preparando para dar 8 horas de aula. Mas acho que a conta não deve ser muito menos que isso. Cada hora aula requer pelo menos 2 horas de preparação no começo. Pelo menos. E considere que são 4 matérias diferentes.... Já viu. Tudo bem. Ano que vem estarei craque. :)
Acho que, a despeito das cabeçadas que dei nos primeiros 4 anos de formada, sou bastante sortuda.
Agradeço a todos que me apoiaram nesse processo. Que pensaram em mim, que me ligaram, que me escreveram.
Agora é hora de começar um novo começo. :D
O post abaixo (das flores) foi escrito há um tempão..
Bem, updates de uma mestranda tempo integral: não sou mais mestranda tempo integral. acabei. As ultimas 48 horas escrevendo virei praticamente direto; o último capítulo ficou com duas notas de rodapé sem pé nem cabeça (uma não terminada e outra repetida no texto logo acima), mas acabei. Até que não ficou ruim, sabe? 200 páginas!!! e eu achei que teria dificuldade pra escrever 100...
Até emagreci: duas pessoas comentaram e ontem me pesei: realmente estou um quilo mais magra. Incrível, considerando a quantidade de chocolate que eu comi.
Nesses 2 meses trancada em casa acho que assisti uns 30 filmes. Assisti a tetralogia dos Contos do Eric Rohmer, que eu sempre quis. Adorei. Assisti vááárias comédias românticas (se precisarem de indicação, é só falar) e várias comédias tout-court. Assistam O Closet, recomendo fortemente. Também adorei Italiano para principiantes. Assistia tudo que me fizesse distrair do mestrado durante os momentos de alimentação.
Tive a sorte de ter a companhia do meu irmão até o final de janeiro, o que ajudou a suportar as madrugadas adentro.
Tive também um namorado incrivelmente lindo e fofo que me arrancou de casa quando eu já não aguentava mais escrever e que aceitou os meus nãos quando precisei dizê-los, inclusive o 'não vou poder viajar no Carnaval'.
Agora estou me dedicando à minha nova rotina como professora e tentando me organizar para não precisar passar 32 horas por semana me preparando para dar 8 horas de aula. Mas acho que a conta não deve ser muito menos que isso. Cada hora aula requer pelo menos 2 horas de preparação no começo. Pelo menos. E considere que são 4 matérias diferentes.... Já viu. Tudo bem. Ano que vem estarei craque. :)
Acho que, a despeito das cabeçadas que dei nos primeiros 4 anos de formada, sou bastante sortuda.
Agradeço a todos que me apoiaram nesse processo. Que pensaram em mim, que me ligaram, que me escreveram.
Agora é hora de começar um novo começo. :D
Engraçado, não sei porque, meu dia está estranho.
Hoje saí atrasada para devolver livros na biblioteca (o prazo era até meio-dia, e eu acordei pontualmente ao meio-dia), resolver coisinhas no centro da cidade, etc. Como saí atrasada, saí sem comer. Nada, nem um gole dágua.
Fui ao centro, descobri que tenho que pagar uma taxa de 60,00 pra depositar minha dissertação, como se não bastasse os R$ 800,00 que vou gastar com a impressão e encadernação. Baratinho, baratinho. Não podiam deixar a gente depositar encadernado em espiral e só uma cópia pra biblioteca em capa dura??? A gente tira dinheiro daonde pra fazer esssa coisas? Mestrandos sem bolsa, façam uma poupança pra encadernação.
Fui almoçar às 15h, quase desfalecendo. Cheguei em casa e descobri que não vou poder juntar minha tabelona grandona na dissertação, porque custa uns 25 reais cada cópia (ela tem meio metro de altura). Isso daria mais 250 reais no orçamento. Vou ter que picar a tabelona em pequenas tabelinhas. Pena. Perde toda a graça e o impacto do que me custou 3 meses pra fazer. Hmpf!
Fiquei consertando minha tabela pra poder picá-la, mas estava esquisita, não sei o que, uma angústia, uma agitação, não sei o que.
Banho, pensei. preciso de um banho. Pra me aquecer (está frio aqui, em pleno janeiro, é praticamente inverno esses dias), pra relaxar um pouco e voltar pra minha dissertação, que não acaba nunca. Eu que achei que ia ter dificuldade pra escrever 100 páginas vou entregar um trabalho até grande demais pro meu gosto, quase 200. Sou prolixa, eu sei. Sempre fui.
Quando saí do banho minha mãe ligou. Disse que tinha mandado um presente pra mim.
Pronto. Quando cheguei na portaria, desabei. O choro que tava engasgado na minha garganta faz dias, de tensão, de medo de não dar certo, de medo do novo, medo de ser professora e finalmente concluir o que eu comecei há 03 anos, medo de assumir uma turma só minha, mas ao mesmo tempo entusiasmo por finalmente conseguir um emprego numa faculdade ANIMAL (em duas, talvez, daqui a umas semanas saberemos) e ser chamada de PROFESSORA, e não de doutora, que eu acho brega e não me identifico (doutora só quando fizer doutorado), esse choro engasgado veio e agora não consigo parar de chorar.
Vejam o arranjo lindo que eu ganhei (com chocolate e tudo):
Junto nesse choro vem tantas outras coisas mais... Obrigada, mãe, obrigada, pai, por tudo.
Preciso me recompor agora, fazer um café, tentar controlar o meu choro porque ainda tenho um capítulo e meio pra escrever até o final do carnaval.
Meu santo acupunturista Jaime vai me render. Eu sei.
Meu ano novo começa dia 11 de fevereiro. Ou amanhã, quando vou fazer minha primeira reunião como Professora, lá em Campinas. Além de terminar a dissertação, ainda tenho mais uma prova de fogo pra passar em breve, talvez (espero que não) até antes do dia 11. Desejem-me boa sorte.
Hoje saí atrasada para devolver livros na biblioteca (o prazo era até meio-dia, e eu acordei pontualmente ao meio-dia), resolver coisinhas no centro da cidade, etc. Como saí atrasada, saí sem comer. Nada, nem um gole dágua.
Fui ao centro, descobri que tenho que pagar uma taxa de 60,00 pra depositar minha dissertação, como se não bastasse os R$ 800,00 que vou gastar com a impressão e encadernação. Baratinho, baratinho. Não podiam deixar a gente depositar encadernado em espiral e só uma cópia pra biblioteca em capa dura??? A gente tira dinheiro daonde pra fazer esssa coisas? Mestrandos sem bolsa, façam uma poupança pra encadernação.
Fui almoçar às 15h, quase desfalecendo. Cheguei em casa e descobri que não vou poder juntar minha tabelona grandona na dissertação, porque custa uns 25 reais cada cópia (ela tem meio metro de altura). Isso daria mais 250 reais no orçamento. Vou ter que picar a tabelona em pequenas tabelinhas. Pena. Perde toda a graça e o impacto do que me custou 3 meses pra fazer. Hmpf!
Fiquei consertando minha tabela pra poder picá-la, mas estava esquisita, não sei o que, uma angústia, uma agitação, não sei o que.
Banho, pensei. preciso de um banho. Pra me aquecer (está frio aqui, em pleno janeiro, é praticamente inverno esses dias), pra relaxar um pouco e voltar pra minha dissertação, que não acaba nunca. Eu que achei que ia ter dificuldade pra escrever 100 páginas vou entregar um trabalho até grande demais pro meu gosto, quase 200. Sou prolixa, eu sei. Sempre fui.
Quando saí do banho minha mãe ligou. Disse que tinha mandado um presente pra mim.
Pronto. Quando cheguei na portaria, desabei. O choro que tava engasgado na minha garganta faz dias, de tensão, de medo de não dar certo, de medo do novo, medo de ser professora e finalmente concluir o que eu comecei há 03 anos, medo de assumir uma turma só minha, mas ao mesmo tempo entusiasmo por finalmente conseguir um emprego numa faculdade ANIMAL (em duas, talvez, daqui a umas semanas saberemos) e ser chamada de PROFESSORA, e não de doutora, que eu acho brega e não me identifico (doutora só quando fizer doutorado), esse choro engasgado veio e agora não consigo parar de chorar.
Vejam o arranjo lindo que eu ganhei (com chocolate e tudo):
Junto nesse choro vem tantas outras coisas mais... Obrigada, mãe, obrigada, pai, por tudo.Preciso me recompor agora, fazer um café, tentar controlar o meu choro porque ainda tenho um capítulo e meio pra escrever até o final do carnaval.
Meu santo acupunturista Jaime vai me render. Eu sei.
Meu ano novo começa dia 11 de fevereiro. Ou amanhã, quando vou fazer minha primeira reunião como Professora, lá em Campinas. Além de terminar a dissertação, ainda tenho mais uma prova de fogo pra passar em breve, talvez (espero que não) até antes do dia 11. Desejem-me boa sorte.
25 janeiro 2008
Hoje eu entendo porque as estatísticas de suicídio são tão altas no inverno de certos países europeus.
Tenho ido dormir cada vez mais tarde (ou mais cedo, dependendo do ponto de vista). A noite passada fui deitar às 6 (da manhã de hoje), e ainda levei mais um bom tempo pra pegar no sono, com mil idéias na cabeça sobre atividades para fazer com os alunos que, se tudo der certo, serão da minha primeira turma como professora de Direitos Humanos. :D
Hoje acordei às 15h. O dia estava frio, feio, parecendo inverno. Não vi ninguém. Só falei com pessoas pelo telefone. Às 20h escureceu. Tive 5 horas de luz hoje na minha vida. E nenhum contato com pessoas ao vivo, exceto na breve ida ao supermercado e à locadora.
Ninguém merece!!!!
Eu tenho andado tão enfiada em casa que levo meia hora me arrumando para ir... à padaria (e ao supermercado). Até rimel passei outro dia para ir comer um sanduba com o meu irmão na padaria aqui perto. Tudo bem que não é uma padoca daquelas pé-sujo, mas é uma padoca!!!
Ainda bem que acaba! e eu nunca vou me mudar pra Alemanha! nunca!
Tenho ido dormir cada vez mais tarde (ou mais cedo, dependendo do ponto de vista). A noite passada fui deitar às 6 (da manhã de hoje), e ainda levei mais um bom tempo pra pegar no sono, com mil idéias na cabeça sobre atividades para fazer com os alunos que, se tudo der certo, serão da minha primeira turma como professora de Direitos Humanos. :D
Hoje acordei às 15h. O dia estava frio, feio, parecendo inverno. Não vi ninguém. Só falei com pessoas pelo telefone. Às 20h escureceu. Tive 5 horas de luz hoje na minha vida. E nenhum contato com pessoas ao vivo, exceto na breve ida ao supermercado e à locadora.
Ninguém merece!!!!
Eu tenho andado tão enfiada em casa que levo meia hora me arrumando para ir... à padaria (e ao supermercado). Até rimel passei outro dia para ir comer um sanduba com o meu irmão na padaria aqui perto. Tudo bem que não é uma padoca daquelas pé-sujo, mas é uma padoca!!!
Ainda bem que acaba! e eu nunca vou me mudar pra Alemanha! nunca!
16 janeiro 2008
Carl Warner - 'foodscapes'

Olha que demais: o cara cria paisagens só com comida. Não é incrível?

Mais fotos vc vê clicando aqui
(Site BBCBrasil.com)
09 janeiro 2008
Não sou exatamente palmeirense, mas isso é engraçado
Segundo Rubem Alves, no seu livro O Futebol levado a riso, o futebol só tem sentido mesmo pelo prazer de xingar o time adversário.
Não sei se todo mundo acha isso... mas esse momento no Palmeiras, que tinha acabado de perder a vaga na Libertadores... é realmente muito engraçado.
Vejam aí: campo vazio. Nada de bola rolando. Palmeiras perdeu a vaga na Libertadores. Mas o jogo do Corinthians ainda tava rolando em outro estádio. Todo mundo ouvindo pelo radinho, celular, sei lá. De repente, o estádio explode.
Os corinthianos que me perdoem... Lu, desculpaí, mas é muito engraçado.
Não sei se todo mundo acha isso... mas esse momento no Palmeiras, que tinha acabado de perder a vaga na Libertadores... é realmente muito engraçado.
Vejam aí: campo vazio. Nada de bola rolando. Palmeiras perdeu a vaga na Libertadores. Mas o jogo do Corinthians ainda tava rolando em outro estádio. Todo mundo ouvindo pelo radinho, celular, sei lá. De repente, o estádio explode.
Os corinthianos que me perdoem... Lu, desculpaí, mas é muito engraçado.
Meditação
Nesses tempos de estar em casa escrevendo dissertação, meu passatempo favorito entre as paredes do meu apartamento tem sido... lavar a louça. Entre outras tarefas domésticas que estou descobrindo que podem me dar prazer.
Bem, não vamos chegar ao extremo de dizer que eu gosto de passar o pano chão ou de limpara privada... eu que nunca fui chegada a fazer nada em casa, já que sempre tivemos empregada. Mas além de estar confinada em casa e pagando um bonde para não sair, já que cada saída me desconcentra e rouba horas preciosas na frente do computador, eu estou sem grana, o que significa que faxineira aqui só vem de 15 em 15 dias... então, tenho que me virar para manter o local, senão realmente limpo, pelo menos digno de se morar.
Daí que comecei a notar que estava tendo prazer em lavar a louça, coisa que nunca tive.
E dia desses, madrugada, pasmem! resolvi fazer uma coisa que sempre odiei, em parte pelo medo de acidentes domésticos: passar roupa. Peguei minha tábua, meu ferro a vapor (isso foi uma aquisição recente, antes o ferro aqui era arcaico, pesado pra caramba, o que ajudava a alimentar o medo de acidentes e a ojeriza à atividade...) e fui pra sala passar roupa.
Acho eu que essas atividades domésticas têm me servido como meditação. Ou sei lá, algum jeito de minimamente me desligar da atividade intelectual.
Meu cotidiano nas últimas semanas e que deve continuar até dia 08 de fevereiro, quando tenho que impreterivelmente mandar o material pra impressão e encadernação: acordar entre 11 da manhã e meio dia, tomar café assistindo tv, começar a trabalhar, parar pro almoço por volta das 16h, com direito a mais um pouquinho de tv, voltar a trabalhar até umas 20h, as vezes paro para ver a novela das sete, e depois vou direto até as 3 ou 4 da manhã, com pequenas pausas para a minha dolorida mão.
Comprei uma power ball para ver se me ajuda na tendinite, que tá pegando forte.
Mas agora, como disse meu irmão, tem que fazer que nem jogador de futebol: joga contundido, com o joelho fodido mesmo. Depois que acabar o campeonato vai resolver....
Bem, não vamos chegar ao extremo de dizer que eu gosto de passar o pano chão ou de limpara privada... eu que nunca fui chegada a fazer nada em casa, já que sempre tivemos empregada. Mas além de estar confinada em casa e pagando um bonde para não sair, já que cada saída me desconcentra e rouba horas preciosas na frente do computador, eu estou sem grana, o que significa que faxineira aqui só vem de 15 em 15 dias... então, tenho que me virar para manter o local, senão realmente limpo, pelo menos digno de se morar.
Daí que comecei a notar que estava tendo prazer em lavar a louça, coisa que nunca tive.
E dia desses, madrugada, pasmem! resolvi fazer uma coisa que sempre odiei, em parte pelo medo de acidentes domésticos: passar roupa. Peguei minha tábua, meu ferro a vapor (isso foi uma aquisição recente, antes o ferro aqui era arcaico, pesado pra caramba, o que ajudava a alimentar o medo de acidentes e a ojeriza à atividade...) e fui pra sala passar roupa.
Acho eu que essas atividades domésticas têm me servido como meditação. Ou sei lá, algum jeito de minimamente me desligar da atividade intelectual.
Meu cotidiano nas últimas semanas e que deve continuar até dia 08 de fevereiro, quando tenho que impreterivelmente mandar o material pra impressão e encadernação: acordar entre 11 da manhã e meio dia, tomar café assistindo tv, começar a trabalhar, parar pro almoço por volta das 16h, com direito a mais um pouquinho de tv, voltar a trabalhar até umas 20h, as vezes paro para ver a novela das sete, e depois vou direto até as 3 ou 4 da manhã, com pequenas pausas para a minha dolorida mão.
Comprei uma power ball para ver se me ajuda na tendinite, que tá pegando forte.
Mas agora, como disse meu irmão, tem que fazer que nem jogador de futebol: joga contundido, com o joelho fodido mesmo. Depois que acabar o campeonato vai resolver....
04 janeiro 2008
29 dezembro 2007
eu, meus medos, e esse calor
Eu nem sei direito porque sentei aqui agora em vez de estar na minha cama, naquele calor, cercada de xerox de teses e dissertações, sendo algumas ótimas, poucas excelentes e muitas medíocres.
Tava muito calor na minha cama. Fui tomar um banho fresco.
Tá muito calor aqui dentro da minha cabeça
E o medo
E o medo, tá foda
Hoje cheguei a dar uma surtadinha mental só porque não consegui manter contato com o meu namorado por umas 4 horas.
Aquela surtadinha básica que a imaginação, com um bocado de ansiedade, provoca em vc.
Nem vou contar para não parecer ridícula. Porque foi beeeem ridícula.
**********************************************************
Vontade de largar os 30 textos que ainda restam (brotam teses e dissertações de todos os cantos do meu apartamento) e ir embora encontrar meu ARN. ARN, a piscina, a represa e um pouco de amor, de tesão, de aconchego, desse aconchego que só o acordar do lado de quem vc gosta
É tão bom acordar do seu lado, ARN.
Queria conversar com vc hoje.
Li sua poesia nova hoje.
Queria hoje uma conversa daquelas de alcova, daqueles dias que estamos tão cúmplices que eu me emociono, daqueles dias em que nos compreendemos profundamente, em que olhamos nos olhos um do outro, em que vc conta
ADORO quando vc conta.
Vai ficar tudo bem
Tava muito calor na minha cama. Fui tomar um banho fresco.
Tá muito calor aqui dentro da minha cabeça
E o medo
E o medo, tá foda
Hoje cheguei a dar uma surtadinha mental só porque não consegui manter contato com o meu namorado por umas 4 horas.
Aquela surtadinha básica que a imaginação, com um bocado de ansiedade, provoca em vc.
Nem vou contar para não parecer ridícula. Porque foi beeeem ridícula.
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Vontade de largar os 30 textos que ainda restam (brotam teses e dissertações de todos os cantos do meu apartamento) e ir embora encontrar meu ARN. ARN, a piscina, a represa e um pouco de amor, de tesão, de aconchego, desse aconchego que só o acordar do lado de quem vc gosta
É tão bom acordar do seu lado, ARN.
Queria conversar com vc hoje.
Li sua poesia nova hoje.
Queria hoje uma conversa daquelas de alcova, daqueles dias que estamos tão cúmplices que eu me emociono, daqueles dias em que nos compreendemos profundamente, em que olhamos nos olhos um do outro, em que vc conta
ADORO quando vc conta.
Vai ficar tudo bem
22 dezembro 2007
Taken
Não sei se alguém assistiu à mini-série Taken, que estava sendo exibida na Band nas últimas semanas. Achei sensacional.
O negócio é que me remete às perguntas loucas de sempre e que me incomodam tanto... mas para as quais nunca terei resposta...
Quando eu paro pra pensar sobre o sentido da vida, até que não é tão estranho. Quero dizer, é muito estranho. Nós humanos somos os únicos seres da Terra capazes de realmente ter consciência e refletir sobre isso. Mas até aí, tudo bem, temos a ciência, que nos explica que nascemos e morremos porque a Terra funciona assim mesmo. Porque é limitada, sua capacidade de manter bilhões de seres humanos vivos ao mesmo tempo é limitada, e se não morrêssemos naturalmente seria uma catástrofe. Temos que morrer. Para que outros vivam.
Mas e o universo? Não é realmente estranho? Já pararam pra pensar no universo? O que é isso, o que é isso? O que tem depois do universo? O que veio antes dele? E antes do big bang, havia o que?
Acho que nunca encontrarei respostas. Mas como diz a pequena Allie no final, temos que continuar fazendo perguntas...
PS: aqui dá pra fazer download da série inteira! Mas não sei se é confiável. Achei na busca do google. Tem outras séries nesse site também.
O negócio é que me remete às perguntas loucas de sempre e que me incomodam tanto... mas para as quais nunca terei resposta...
Quando eu paro pra pensar sobre o sentido da vida, até que não é tão estranho. Quero dizer, é muito estranho. Nós humanos somos os únicos seres da Terra capazes de realmente ter consciência e refletir sobre isso. Mas até aí, tudo bem, temos a ciência, que nos explica que nascemos e morremos porque a Terra funciona assim mesmo. Porque é limitada, sua capacidade de manter bilhões de seres humanos vivos ao mesmo tempo é limitada, e se não morrêssemos naturalmente seria uma catástrofe. Temos que morrer. Para que outros vivam.
Mas e o universo? Não é realmente estranho? Já pararam pra pensar no universo? O que é isso, o que é isso? O que tem depois do universo? O que veio antes dele? E antes do big bang, havia o que?
Acho que nunca encontrarei respostas. Mas como diz a pequena Allie no final, temos que continuar fazendo perguntas...
PS: aqui dá pra fazer download da série inteira! Mas não sei se é confiável. Achei na busca do google. Tem outras séries nesse site também.
21 dezembro 2007
pintar ou fazer amor
Voltei a pintar
fazia 14 anos que eu não pintava. pra falar a verdade, até que tentei voltar pintar numa época que eu não tava nada bem. nessa época, tentei de tudo antes de recorrer ao psiquiatra: pintei, comprei cachorro... mas nada funcionou. abandonei as tintas de aquarela e os pincéis desde então.
esses dias precisei pintar novamente... depois conto por que.
estou escrevendo minha dissertação, estressada pra caramba, o prazo acabando e além de tudo esta semana estou na TPM. to triste, medrosa, sensível.
aí aproveitei que tirei as tintas do armário (várias estão secas!!! alguns tubinhos tive que quebrar no meio pra poder usar... mas deu certo) e comecei a pintar de novo. pra relaxar um pouco.
não sou muito boa nisso. não sei desenhar, mas consigo fazer pinturs com pontilhado e abstratas (risos). figuras geométricas também.
fiz 3 quadrinhos pequenos e hoje já tentei fazer um maior. tá meio estranho. mas na verdade o que importa é mesmo ir tentando.
vou tentando... e de vez em quando sai alguma pinturinha que preste
é que nem esse blog... eu vou escrevendo... vou tentando... e de vez em quando sai alguma coisa que presta.
se eu conseguir fotografo e depois boto aqui minhas pinturinhas.
fazia 14 anos que eu não pintava. pra falar a verdade, até que tentei voltar pintar numa época que eu não tava nada bem. nessa época, tentei de tudo antes de recorrer ao psiquiatra: pintei, comprei cachorro... mas nada funcionou. abandonei as tintas de aquarela e os pincéis desde então.
esses dias precisei pintar novamente... depois conto por que.
estou escrevendo minha dissertação, estressada pra caramba, o prazo acabando e além de tudo esta semana estou na TPM. to triste, medrosa, sensível.
aí aproveitei que tirei as tintas do armário (várias estão secas!!! alguns tubinhos tive que quebrar no meio pra poder usar... mas deu certo) e comecei a pintar de novo. pra relaxar um pouco.
não sou muito boa nisso. não sei desenhar, mas consigo fazer pinturs com pontilhado e abstratas (risos). figuras geométricas também.
fiz 3 quadrinhos pequenos e hoje já tentei fazer um maior. tá meio estranho. mas na verdade o que importa é mesmo ir tentando.
vou tentando... e de vez em quando sai alguma pinturinha que preste
é que nem esse blog... eu vou escrevendo... vou tentando... e de vez em quando sai alguma coisa que presta.
se eu conseguir fotografo e depois boto aqui minhas pinturinhas.
15 dezembro 2007
A Pipoca - por Rubem Alves
"A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras que com as panelas. Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-mo a algo que poderia ter o nome de ‘culinária literária’. Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A festa de Babette, que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como ‘chef’. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo - porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.
As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela.
Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos, são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblê baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblê...
A pipoca é um milho mirrado, sub-desenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!
E o que é que isso tem a ver com o Candomblê? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa - voltar a ser crianças!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão - sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: pum! - e ela aparece como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. ‘Morre e transforma-te!’ - dizia Goethe.
Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordinário professor-pesquisador da UNICAMP, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas ‘piruá’ é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: ‘Fiquei piruá!’ Mas acho que o poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: ‘Quem preservar a sua vida perde-la-á.’ A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.
Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira..."
(Rubem Alves - O amor que acende a lua, p. 59.)
PS: Peguei no site dele! Lá tem mais! Aproveitem, pipocos!!!!
As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela.
Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos, são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblê baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblê...
A pipoca é um milho mirrado, sub-desenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!
E o que é que isso tem a ver com o Candomblê? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa - voltar a ser crianças!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão - sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: pum! - e ela aparece como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. ‘Morre e transforma-te!’ - dizia Goethe.
Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordinário professor-pesquisador da UNICAMP, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas ‘piruá’ é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: ‘Fiquei piruá!’ Mas acho que o poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: ‘Quem preservar a sua vida perde-la-á.’ A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.
Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira..."
(Rubem Alves - O amor que acende a lua, p. 59.)
PS: Peguei no site dele! Lá tem mais! Aproveitem, pipocos!!!!
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