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15 dezembro 2007

A Pipoca - por Rubem Alves

"A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras que com as panelas. Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-mo a algo que poderia ter o nome de ‘culinária literária’. Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A festa de Babette, que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como ‘chef’. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo - porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.

As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela.

Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos, são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblê baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblê...

A pipoca é um milho mirrado, sub-desenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!

E o que é que isso tem a ver com o Candomblê? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa - voltar a ser crianças!

Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão - sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: pum! - e ela aparece como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. ‘Morre e transforma-te!’ - dizia Goethe.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordinário professor-pesquisador da UNICAMP, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas ‘piruá’ é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: ‘Fiquei piruá!’ Mas acho que o poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: ‘Quem preservar a sua vida perde-la-á.’ A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira..."

(Rubem Alves - O amor que acende a lua, p. 59.)

PS: Peguei no site dele! Lá tem mais! Aproveitem, pipocos!!!!

03 dezembro 2007

A água e a metrópole

Não é estranho que nós que vivemos na metrópole tenhamos nos esquecido de como é ter água por perto?
Nossa relação com a água é sempre intermediada por alguma barreira: já vem encanada, de dentro da torneira ou dentro de garrafinhas ou galões de água mineral. Ou então temos que ultrapassar os portões de um clube ou de uma academia para chegar a um reservatório de água clorada, tendo passado previamente por um médico em início de carreira para fazer o exame que garante alguma proteção contra micoses, otites e afins.
Para chegar até a água, nós, paulistanos, temos que nos deslocar até mais longe. Ir até o litoral... ou para alguma das represas, Guarapiranga, Billings.
O mais perto de água que temos por aqui são dois grandes 'não-rios' cortando nossa cidade, quase inacessíveis, sendo preciso atravessar uma avenida expressa (uma das Marginais), e pular uma barreirinha de concreto para chegar até uma massa de água fedida e perigosa.

Porque a cidade de São Paulo tem uma relação assim tão distante com a água é que estranhei e achei, na verdade, muito louco, a lagoa do Parque do Ibirapuera estar tão perto e tão acessível ao pedestre.
Quem chega ali na avenida não precisa sequer entrar no Parque. A lagoa está lá. Na beira da Av. Pedro Álvares Cabral. A dois passos do asfalto, quem quiser que escorregue pelo barranco, que é curto e não muito inclinado, e entre na lagoa para refrescar-se.
Não sei se é funda, não sei se é limpa. Mas é água, água perto de nós. Água no meio da cidade... sem barreiras, sem cerquinha e sem exame médico.

Simples assim

Quando a gente está sem grana tem que encontrar maneiras simples e baratas de se divertir. Meu dileto namorado ARN tem me mostrado algumas dessas maneiras, sempre silenciosamente, agindo mais que falando. Nos finais de semana ficamos um pouco em casa, simplesmente namorando e convivendo, o que não temos muita oportunidade de fazer durante a semana: ele faz sua imperdível pizza de abobrinha (hmmmmm), colocamos um som bom pra tocar, ficamos conversando, dançando, vendo filme, enfim, namorando, né?
As vezes saímos pra encontrar amigos e passear. Já fomos algumas vezes no Ibirapuera à noite...
Com ele já fui na Virada Cultural, à qual nunca tinha ido, e adorei.
ARN tem um olhar legal sobre as coisas, curte as coisas simples e me mostra um jeito bom de viver que eu não conhecia.
Este finde fomos duas vezes no Ibira para ver a Árvore de Natal.
A Árvore particularmente não me interessa muito não, acho meio sem graça. Já vi a da Lagoa no Rio e acho a de lá mais bonita...

Mas o que eu achei bonito mesmo foi a iluminação nas árvores. Fica um efeito lindo, um parque meio louco, doido, mágico, lúdico.... Dá vontade de entrar ali no meio das árvores, acho que a gente se sente meio num mundo de fantasia...
Vale a pena ir lá conferir. A foto é do ARN.

29 novembro 2007

Contardo dispensa apresentações. Demais.

CONTARDO CALLIGARIS

Ilhas desconhecidas

O amor e a viagem nos fazem descobrir que há algo, em nós, que não conhecíamos até então

QUANDO ERA criança, um senhor canadense, Mr. Evans, foi contratado por meus pais para "treinar" meu inglês. O método de Mr. Evans consistia em narrar grandes eventos da História (com H maiúsculo) como se ele tivesse sido uma testemunha ocular. Conseqüência: há detalhes íntimos de várias cenas famosas que não sei mais se são fatos ou fantasias de Mr. Evans.
Uma fonte de inspiração de Mr. Evans era a expedição de Lewis e Clark, que, entre 1804 e 1806, abriu o caminho do Oeste americano. Segundo Mr. Evans, em 7 de abril de 1805, deixando Fort Mandan para se aventurar no território desconhecido das grandes planícies, Lewis, pensativo, teria dito a George Gibson (o melhor atirador da expedição): "New land, George" (uma nova terra, George).
Nunca pude confirmar a veracidade da dita conversa. Mas essa frase, aparentemente trivial, foi incorporada no meu léxico familiar. A cada vez que, numa viagem de férias, saíamos do país, meu irmão e eu não parávamos de repetir: "New land, George". Ainda hoje, quando chego num lugar desconhecido, penso em Lewis e Gibson.
Mais tarde, meu irmão e eu passamos a usar a mesma expressão quando - numa festa, por exemplo - avistávamos mulheres que despertavam nosso interesse. Um dos dois, invariavelmente, levantava a mão espalmada, como se quisesse proteger os olhos do sol, e dizia: "New land, George".
Na literatura, não é raro que um corpo amado e desejado seja comparado à paisagem de terras incógnitas. John Donne, num de seus mais lindos poemas (do século 17), chamou sua amada de "minha América, minha terra recém-descoberta". De fato, há mesmo uma relação entre o amor e a verdadeira viagem. Vamos ver qual.
De vez em quando, tenho vontade de viajar. O que chamo de viajar não tem muito a ver com viagens de férias. Tampouco significa necessariamente desbravar terras virgens.
Encontrei a melhor definição do que é viajar numa maravilhosa e breve fábula de José Saramago, que acaba de ser publicada, "O Conto da Ilha Desconhecida" (Companhia das Letras). O protagonista explica assim seu desejo: "Quero encontrar a ilha desconhecida. Quero saber quem eu sou quando nela estiver".
Viajar é isto: deslocar-se para um lugar onde possamos descobrir que há, em nós, algo que não conhecíamos até então. Sem estragar o prazer dos leitores, só direi que, no fim da fábula de Saramago, talvez o protagonista não encontre sua ilha, mas ele encontra uma mulher. A moral da história é incerta, entre duas leituras opostas.
Primeira leitura: quem casa não viaja (a não ser de férias); casar-se é desistir de viajar. É o que pensam, com freqüência, homens e mulheres casados. E é também o que os leva, às vezes, a se separarem. Quando achamos que o outro nos impede de viajar, ou seja, que ele nos priva da aventura de descobrir o que poderia haver de diferente em nós, o casal se torna nosso inimigo. Claro, na maioria dos casos, acusamos o casal de uma inércia que é só nossa.
Exemplo: anos atrás, na França, um amigo se interessava pelas pessoas que desaparecem sem razão aparente e refazem sua vida alhures, sob outro nome, como se tivessem sido vítimas de uma amnésia repentina. Em todos os casos em que meu amigo conseguira entrevistar esses "desaparecidos", os mesmos constatavam que, depois de seu sumiço, em poucos anos, eles tinham reconstruído uma situação de vida parecida com aquela que tinha motivado sua fuga.
Segunda leitura: o protagonista descobre que a mulher ao seu lado é a própria ilha desconhecida que ele procurava e que a verdadeira viagem é o encontro com um outro amado. Faz todo sentido, pois o amor e a viagem, em princípio, têm isto em comum: ambos nos fazem descobrir em nós algo que não estava lá antes.
O outro amado nos transforma. Tanto quanto a chegada numa terra incógnita, ele nos revela algo inesperado em nós.
Por isso, aliás, o viajante e o amante podem esbarrar em problemas análogos: às vezes, ao sermos transformados pela viagem ou pelo amor, não gostamos do que encontramos, não gostamos dos efeitos em nós do amor ou da viagem. Essa é, em geral, a única razão séria para se separar ou para voltar da viagem.
Moral dessa coluna (e talvez da fábula de Saramago): os outros não são nenhum inferno, são uma viagem. Agora, para amar, como para viajar, é preciso ter determinação e coragem.
ccalligari@uol.com.br

22 novembro 2007

Valeu sol!!!!


Valeeeeu sooolll!!!! Pelos 6 dias lindos na Bahia!!! Valeu!!!

Meu lado negão


Eu finalmente entendi o que a gringaiada sente quando chega na Bahia. Mais precisamente, em Salvador. O Pelourinho à noite é uma loucura, tem música pra todos os lados, e não é só pra turista não!!! O baiano adora música, os lugares estão sempre cheios de locais...
Na nossa noite mais pelourística fomos assistir a missa católico-afro da Nossa Senhora do Rosário dos Pretos...

Bebemos uma cerveja ali no bar Cruz do Pascoal...
E depois fomos ao show do Gerooonimo!!! que eu já comentei aqui, muita energia boa, cheio de locais.

Dali saímos para uma volta no Pelô. Logo que terminamos a subida da ladeira já tinha um batuque (esse era pra turista mesmo) do estilo Olodum, com todo mundo indo atrás, os negões fazendo coreografia e um outro vendendo os CDs. Uma delícia, dancei à beça. Tinha um casal sentado num bar que ficou só rindo da minha empolgação.
Depois fomos passear. Uns dois quarteirões pra lá esbarramos numa esquina com um pagode do bom, bem tocado. Paramos ali também, eu empolgada, dançando louca, e o ARN só achando graça da minha doidera. Improvisamos um forrozinho do tipo 'dançando de walkmen', bem ao estilo ARN, pianinho, pertinho, gostoso demais.
Logo mais à frente outro batuque e um pouco mais além numa praça vários bares com som ao vivo, axé music. Isso tudo num raio de uns 10 quarteirões.
A gringaiada pira mesmo....
E eu me empolguei com tanta baianidade e fiz o cabelo afro. Eu e as gringas. Ficou bom, não?

Probleminhas do cabelo afro

O único problema do afro foi a primeira noite. Dormir não foi fácil. Mas não tive dor de cabeça não. Só que acordei em pose de múmia, sendo que, em geral, durmo de lado...(risos)
Minto, foram dois problemas: ontem desmanchei o afro, porque os elastiquinhos já tavam soltando... Rapaz, lavei a cabeça inteira hoje...(porque só tinha lavado a parte solta, esse é outro problema... não dá pra lavar direito as tranças...) e caiu MUITO cabelo. MUITO mesmo. Não sei se porque foram 5 dias sem cair os cabelos da parte trançada (a gente sempre perde cabelo todo dia), mas caiu tanto que assustei...
Outra coisa: dá uma boa estragada no cabelo a trancinha. Muitos fios quebrados e bastante cabelinhos arrepiados como resultado.
Mas valeu!!! Quem sabe não repito qualquer hora dessas?
Só duvido que aqui em SP custe os mesmos R$ 20,00 que eu paguei lá. E olha que paguei caro... Tem gente lá que faz por 10 ou 15 pilas...

olha eu aí. não dá pra ver, mas tem umas gringas do meu lado fazendo também ;-)

20 novembro 2007

(Des)Igualdades e Preconceitos

Não tenho foto pra ilustrar isso, mas uma coisa me chamou a atenção em Salvador.... Nas praias, local mais democrático (em geral), muitos negros em Salvador. Na balada que a Jubs indicou, Geronimo, animal, muitas pessoas, em sua maioria negras e negros lindos, muita gente legal, um astral ó-te-mo, super me identifiquei. Acho que foi por conta desse dia que me empolguei e fiz o cabelo afro (ou semi-afro, já que não trancei o cabelo todo - achei que pra mim não ficaria bom...)... Porque as moças são simplesmente lindas, estilosas e coloridas. Eu descia com um largo sorriso de felicidade as escadas que era arquibancada e recebia em troca outros largos sorrisos e alguns comentários. Muito bom...Éramos nós os estranhos ali, os estrangeiros, mas em nenhum momento senti-me discriminada ou hostilizada por ser uma turista entre os locais. Pelo contrário, a energia era simplesmente uma delícia. Havia alguns brancos ali no meio, mas realmente não senti nenhum tipo de hostilidade.
Alguns dias depois, em busca de uma comida diferente de acarajé, abará, churrasquinho de bode e carne de sol com purê de aipim (passamos uma semana inteira nos alimentando de petiscos!!!, cerverja e água de coco!!! asssim não há reeducação alimentar que resista!...) resolvemos encerrar a viagem num barzinho ali perto de onde nos hospedamos... um bar mais arrumadinho, do tipo daqueles que a gente encontra igual aqui em SP, no Rio, em BH, qualquer lugar, portanto. Os preços eram parecidos com os preços daqui. R$ 10,50 uma porção de pastel com 8 unidades.
Entre um pastel de camarão e um de siri, notei que não havia negros ali. Ou melhor, havia sim. Poucos, em geral um dentre 4 ou 5 brancos, nunca um grupo só de negros, nunca o suficiente para que notássemos sua presença.
Fiquei intrigada com isso... Não era um local de turista não, era um local de locais.
Pesquisando, a
chei na internet: 64,8% da população de Salvador é de pardos e 21,8% de negros (ao que parece, são dados do IBGE).
Porém, "segundo estudo do professor da UFRJ Marcelo Paixão, que coordena o Laboratório de Análises Estatísticas Econômicas e Sociais de Relações Raciais, preparado para o Dia Nacional da Consciência Negra (...), em Salvador, (...) a média mensal recebida pelos negros é de R$ 715, ou apenas 52,9% do valor recebido pelos bancos, de R$ 1.350."
Ainda estou com isso entalado na goela.... Preciso pensar mais a respeito. Mas me incomodou essa ausência.
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Na minha turma da SanFran tinha somente dois ou 3 negros, no meio de uns 200 brancos. Uma vez, conversando com um desses amigos, notei que ele só tinha amigos brancos. Na verdade, ele é um branco, como uma vez disseram do Ronaldo, jogador. É um negro branco. Faz a gente pensar...

fonte: site Gazeta do Povo online

19 novembro 2007

Decisions, decisions

A decisão mais importante a tomar em cada dia da última semana foi: onde vamos ver o pôr-do-sol?


do Cristo?


do bar Cruz do Pascoal, no Pelourinho? (dica sensacional de Jubs)



ou do Solar do Unhão?


após o pôr-do-sol no Solar, ARN tirou essa linda foto, que diz tanto.

nosso último pôr-do-sol na Bahia. pelo menos, por enquanto. ;-)

(créditos das fotos: todas por ARN!)

18 novembro 2007

é o azul que a gente fita, no azul do mar da bahia...

Essa música do Gil não me saiu da cabeça durante a semana que passei com meu querido e dileto namorado ARN em Salvador. É a segunda ida à Bahia este ano. No Carnaval, por increça que parível, foi um esquema totalmente mato, off-trio-elétrico-abadá-e-Ivete, como se pode ver nas fotos de Diogo (procure na busca por Diogo, vc vê as fotos, um sossego só, sítio e praia quase no mesmo lugar). Dessa vez, num feriado um pouco esticado (de quase uma semana), ficamos em Salvador. Aquela festa de Salvador. Aqueles contrastes todos de Salvador.



As cores, o mar transparente (pelo menos o da praia do Porto da Barra e o da praia do Farol da Barra), o sol (sempre brilhando no céu azul e limpo; sempre lindos pôres-do-sol, decisão mais importante de cada dia...), e a pobreza, a dificuldade, o pelejar do bahiano para tocar a vida. Mas sempre bricando, brincando de brigar (como observou ARN), brincando de zoar com o outro, o Bahia subindo pra série B, e assim a vida segue. Pronto!



Salvador pra mim tem cheiro de Acarajé. Acarajé que foi comido religiosamente todos os dias pelo meu companheiro de viagem e por mim quase todos os dias, alguns mais de uma vez. O melhor que comi não foi o da Cira não, foi o de uma Baiana chamada Augusta que fica embaixo da escada do meio da praia do Farol. Quem anda pra lá e pra cá vendendo na praia é a Karla, uma moça muito bonita e simpática, que quase flerta com o freguês ao dizer o preço da porção de mini-acarajé com um camarão salgadinho na medida e muito bem temperado, hmmmmm.....

Ah, e é bom que todos saibam:



Acarajé causa esquecimento!!!


Depois escrevo mais.

(créditos das fotos: todas por ARN!)

29 outubro 2007

Antes que o tempo e a distância digam não

Certas situações na vida fazem com que paremos pra avaliar o modo como tratamos as pessoas de quem gostamos e que gostam da gente.
Nunca perdi ninguém próximo, mas já vi duas pessoas muito próximas perderem pessoas muito próximas. Somente agora, mais adulta, é que pude ter a clareza desse sofrimento, mas sei que só vou saber mesmo, profundamente quando, inevitavelmente, um dia, perder eu também alguém querido.
Nessas ocasiões é que a gente se dá conta da nossa babaquice: ficamos tentando provar pontos de vista quando, o que realmente importa, que é dar carinho, amor, abraços e beijos em quem gostamos e em quem gosta da gente, esquecemos de fazer todos os dias.
Somos mesmo estranhos...
Dosar o amor é uma sabedoria; aliás, refraseio: dosar a demonstração de amor, pra não virar 'pegajosice', é uma sabedoria. Mas amor... Amor não se dosa!! Mas por vezes dosamos o nosso demonstrar... E quantas vezes não nos damos conta de que ficar dosando isso é uma grande bobagem...
Mas é difícil... muitas vezes não aprendemos a dizer do nosso afeto. Não sabemos como dizer ou como chegar. Mas é um aprendizado tão necessário!...
Nos últimos tempos ouvi duas vezes a mesma frase em situações parecidas, de pessoas que não se conhecem: diga hoje, agora, praquela pessoa de quem vc tanto gosta, que vc a ama. Abrace-a, beije-a, diga o que sente. Porque amanhã pode não ser mais possível.
Parece piegas né? Sair por aí declarando amor... Mas as duas vezes em que ouvi essa frase fez muito sentido. Estou disposta a praticar.
Acho que vale a pena. Vai ser difícil, em especial com certas pessoas, porque sempre tive uma certa dificuldade em expressar o meu afeto com gestos, com abraços. Abraço é difícil. Mas estou disposta a praticar.
Falar também é difícil, algumas vezes, mas sempre é hora de tentar coisas novas.
Vamos tentar?

18 outubro 2007

Bom senso

Seria mesmo complicado o Huck reconhecer um cara que estava usando capacete, não???
Ainda bem que ele teve o bom senso de não reconhecer os sujeitos sem de fato reconhecer, como acontece em um monte de casos.
Analisei um processo criminal uma vez do começo ao fim para montar uma aula de psicologia do testemunho. Na fase de inquérito, com os fatos frescos na cabeça, a gente ainda se lembra com relativa clareza das coisas. Com o passar do tempo, vamos agregando imagens e relatos nessa lembrança. As coisas se misturam...e as pessoas podem cometer erros.
E ainda ensinamos nas faculdades que vamos descobrir a verdade no processo penal...

"Huck não reconhece suspeitos de roubar seu Rolex em São Paulo
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da Folha Online
da Folha de S.Paulo

O apresentador da TV Globo Luciano Huck não reconheceu nesta quinta-feira os dois suspeitos de roubar seu relógio Rolex em um bairro nobre da zona oeste de São Paulo no mês passado.

Huck mora no Rio e veio a São Paulo apenas para ver as fotos dos suspeitos, o garçom Wagner do Nascimento Marinho, 22, foragido da penitenciária de Valparaíso (577 km de São Paulo), e um grafiteiro.

As fotos foram apresentadas pelo delegado Marcos Manfrin, que teve um encontro com o apresentador no escritório do pai de Huck, em Pinheiros (zona oeste de São Paulo). Segundo sua assessoria, o apresentador já voltou para o Rio.

A prisão ocorreu em Taboão da Serra (Grande São Paulo), graças a um informante da polícia. De acordo com o informante, o Rolex, avaliado em R$ 10 mil, já foi vendido."

15 outubro 2007

Que lado do seu cérebro vc usa mais?

Vejam este teste.

Eu achei interessante, porque vejo dos dois jeitos com muita facilidade... basta eu desviar o olhar um pouquinho e quando olho pra moça ela já está girando do outro lado.
Será que estou conseguindo atingir o tão desejado equilíbrio?
Vejam aí, depois me contem!

04 outubro 2007

Free Burma


Free Burma!


estou aderindo por motivos óbvios à campanha dos blogueiros para despertar a atenção internacional para Burma. com mais tempo e mais tranqüilidade faço um post de verdade a respeito. por hora, fica a adesão.

quem quiser aderir clica aqui.

28 setembro 2007

6emeia


Vai lá no fotolog que tem mais!!!

23 setembro 2007

como nossos pais

(fonte: http://meuserevaporei.blogspot.com)


Essa árvore se chama Jacarandá mimoso... Já viram como tem alguns lindos por aí, espalhando flores pelo céu e fazendo aquele tapete colorido pelo chão???

Cresci, cresci, e virei uma mistura muito bem dosada dos defeitos e das qualidades dos meus pais...

Esse negócio de ficar olhando árvore floridas pela cidade, observar que árvore é de cada época, querer saber o nome... Os passarinhos... Isso é coisa de meu pai (e, em certa medida, também da minha mãe, um pouco influenciada por ele, creio), que cultiva um jardim há 30 anos... agora já temos um pequeno pomar!!!

Sobre o pequeno pomar de hoje e o pomar da minha infância vou escrever depois. Amoras, jabuticabas e pitangas: reminiscências de uma casa e de uma família que me acolhia com chás, chocolatinhos e uma permissividade que na minha casa não era possível.

Dia mundial sem carro

"Só há 2 formas para que o 'Dia mundial sem carro' dê certo em São Paulo:
1) São paulo ter um transporte público decente com uma malha metroviária abrangente.
2) O 'Dia mundial sem carro' ser decretado pelo PCC."

(Comentário de um leitor no blog Querido Leitor - link aí na barrinha lateral)

18 setembro 2007

Em protesto, ciclistas criam ciclovias clandestinas nas principais vias de SP

DO "AGORA"

"Ciclistas de São Paulo criaram, por conta própria, faixas preferenciais para bicicletas. A sinalização, feita do lado direito de importantes vias -uma bicicleta pintada com tinta branca-, como as avenidas Paulista e Sumaré, é um protesto contra a falta de ciclovias e também uma maneira de alertar os motoristas de que há ciclistas pedalando na região.
Os desenhos foram feitos em agosto, durante um encontro de ciclistas ativistas. "É uma forma de mostrar que não há estrutura", explica Tiago Beniggio, que é um dos participantes do evento. A organização do encontro, diz ele, não tem nada a ver com as pinturas. "São pessoas que resolveram protestar isoladamente."

A CET, que desconhecia os desenhos, irá avaliá-los e decidir se eles serão apagados."

Folha, 18 de setembro de 2007 - Cotidiano

Essa iniciativa me lembra, timidamente, o movimento Reclaim the Streets, descrito pela escritora Naomi Klein em seu livro "No Logo" ("Sem logo", em português).

Já escrevi sobre isso aqui nesse blog (digite Reclaim na busca do blog, que fica no algo da página).
Acho interessante esse tipo de movimento.

Adoraria ver hordas de ciclistas tomando as ruas sem avisar, expulsando os carros da circulação. Pena que no Brasil não conseguimos ter esse tipo de mobilização social. Por vezes, o 'método Greenpeace' é o único jeito de chamar a atenção.

Por falar nisso, vcs viram reportagem esse finde nos jornais avisando que em pouco tempo, se não reduzirmos os índices de poluição na cidade de São Paulo, logo estaremos iguais a Cubatão?

06 setembro 2007

blogueiros

M says:
gostou do outro blog afinal?
Mi says:
gostei
tem coisas boas, engraçadas
M says:
que bom. a ideia dele eh nao ter filtro mesmo. \
Mi says:
vc é uma metralhadora de posts curtos e engraçados
M says:
qualquer bobagem, qualquer trocadilho besta, sei lah.
Mi says:
eu sou uma bereta de posts longos e quase nada engraçados
M says:
que bom que vc acha.
hahahahahaha\
mentira: isso que vc escreveu dava um pst curto e engracado.
Mi says:
(bereta ou alguma arma que demora pra atirar e carregar, eu nem sei se bereta é demorada, é que o nome parece assim)
M says:

Mi says:
ahaha
to inspirada hoje
M says:
olha, nao sei se exxiste uma arma que demore pra attirar.
mas nao deve vender muito...
Mi says:
que demora pra carregar, pelo menos
M says:
winchester 16 mm.
Mi says:
ah, mas bereta soa melhor. vou postar
risos
M says:
hahahahahah
Mi says:
foda-se a winchester 16 mm
M says:
e vvc acha que eu taava falando serio?
sei lah como eh uma winchester!

Tristeza e dignidade do suicídio

CONTARDO CALLIGARIS

QUANDO EU tinha 12 anos, um tio meu se suicidou. Era um tio de quem eu gostava e que gostava de mim. Ele enfiou a cabeça no forno e abriu a torneira do gás. Deixou uma nota, sucinta, que dizia: "Suicídio por razões profissionais e amorosas".
Meus pais não esconderam de mim as circunstâncias da morte do tio e me mostraram seu bilhete. Mesmo assim, imaginei perceber, em meus pais, uma certa vergonha. Isso, porque, no fundo, eu os culpava.
Foi a grande crise na minha idealização dos meus pais e, por conseqüência, na tranqüilidade de meu mundo: aparentemente, a amizade e o amor que eles ofereciam não tinham sido suficientes para dar a meu tio a vontade de continuar vivendo.
Nada me garantia, portanto, que eles saberiam fazer o necessário para que eu estivesse a fim de viver.
Foi assim que o luto pelo suicídio do meu tio foi também o fim de minha infância. Mas, em regra, quando se suicida um próximo de quem gostamos e que gostava de nós, não atribuímos vergonha e culpa a terceiros: esses sentimentos surgem em nós, ao descobrir que nossa presença e nosso amor não bastaram para que o outro quisesse viver. Em alguns casos, essa ferida nunca cicatriza.
Quando o suicida é nosso pai ou nossa mãe, o sentimento de não termos sido a razão suficiente para ele ou ela viverem fica conosco para sempre, como um fundo melancólico, como a sensação de uma insuficiência essencial ou de uma impossibilidade de sermos amados.
Quando o suicida é um filho ou uma filha, a perda (irreparável, pois o luto pelos nossos descendentes é contra a ordem das gerações) é acompanhada pelo sentimento de um fracasso, como se não tivéssemos conseguido transmitir o básico: a vontade de viver. Deve ser por isso que os monoteísmos consideram o suicídio como um pecado contra o criador: o suicida demonstraria o malogro de Deus. Assisti ao filme "A Ponte", de Eric Steele, e espero que continue em cartaz. Em São Paulo, já passa em apenas uma sala, duas vezes por dia.
Alguns anos atrás, Ted Friend publicou, na "New Yorker" (13/10/ 2003), um artigo sobre a estranha freqüência com que a famosa ponte Golden Gate de San Francisco é escolhida pelos suicidas. Aparentemente inspirado pelo artigo, Steele, durante um ano inteiro, filmou a ponte, sem parar. Houve 24 suicídios e várias tentativas que foram sustadas também graças à equipe de Steele (eles informavam a polícia quando detectavam, de longe, comportamentos "suspeitos").
Além disso, Steele entrevistou parentes e amigos próximos dos suicidas. O tom é justo, comovedor e tocante. O filme evita o caminho mais fácil, que consistiria em nos acusar sub-repticiamente, como se, quando alguém decide morrer, fôssemos todos, de uma maneira ou de outra, responsáveis. A maior qualidade do filme é, ao contrário, a sobriedade. O ato suicida guarda sua dignidade porque, apesar das explicações dos próximos, ele permanece misterioso e radicalmente imprevisível, como qualquer ato humano.
No dia 29 de agosto, o UOL publicou a notícia seguinte: na Áustria, dois homens viviam junto, em um apartamento-albergue dos serviços sociais. Brigaram. Um deles, Robert, psicótico em remissão, matou o outro; depois disso, ele abriu o corpo e o crânio do companheiro e comeu órgãos internos e cérebro. Quando a faxineira chegou, Robert, com a boca ensangüentada, comentou: "Veja só o que aconteceu". A porta-voz do Fundo Social de Viena declarou: "Se tivéssemos a menor idéia de que este tipo de coisa pudesse acontecer, teríamos transferido Robert para outro local e exercido um acompanhamento mais adequado". Alguém, na Áustria, deve estar criticando severamente o psiquiatra, o psicólogo ou a assistente social que, algum dia, afirmaram que Robert podia ser devolvido à sociedade.
Pensei nas poucas vezes em que, num tribunal, tive de dizer, em nome de minha "ciência", se alguém, a partir de então, seria ou não um bom pai ou uma boa mãe.
A verdade é que, uma vez os fatos acontecidos, somos capazes de interpretar, de encontrar explicações e mesmo de assumir responsabilidades e culpas que temos ou não temos. Mas tudo isso apenas retroativamente.
Em matéria de comportamento humano, somos quase sempre incapazes de prever. Não sei se é um mal: talvez essa ignorância seja a condição de nossa liberdade.

Folha de SP, 06/09/07

01 setembro 2007

Paulo Ferraz é finalista do Prêmio Bravo

"O Paulo Ferraz é finalista do Prêmio Bravo – Melhor Livro por De Novo Nada (Selo Sebastião Grifo: 2007). Fiquei tão feliz! Ainda mais por um prêmio desse porte não ter esquecido que poesia é também literatura, hehe, como outros. Parabéns aos julgadores! E ao Paulo também, mas para esse já se rasga seda habitualmente por aqui..."

Post emprestado do Peixe de Aquário. beijos, Ana!

AH: o blog do Paulo Ferraz é o De Novo Nada, linkado aí na barrinha lateral...

28 agosto 2007

nova tentativa



dessa vez com o cabelo mais claro e sobrancelha mais grossa, sugestões de observadores.
aproveitei para mudar o nariz e o tipo do olho. ficou melhor?

26 agosto 2007

Emilia Simpson



Será que ficou parecido? Opiniões...

Quer fazer igual? Simpsonize Me.

24 agosto 2007

João de Barro

Fonte da foto: http://www.iti.br/twiki/bin/view/Swlivre/JoaoDeBarro

Quando eu era mais nova (não vou falar mais jovem porque não me desce bem...), eu tinha muita certeza de tudo. Eu nunca havia parado pra pensar realmente sobre isso, mas tenho clareza, hoje, de que eu tinha certezas demais. Nem sei bem sobre o que, mas eu tinha.

Hoje não tenho mais certeza de nada. Ainda bem.

O tempo e a (con)vivência têm me mostrado, dia a dia, que é ele mesmo (tempo) que nos dá as respostas. Que é preciso saber ouvir, saber calar, saber abraçar, saber esperar, saber rir de si mesmo.

O joão de barro sabe ensinar o que eu estou falando. Ele estava construindo sua casinha no poste na frente da minha casa, no interior. Boa parte da sua casa ele pegou no meu jardim. Trabalho longo... Vai, pega gravetinhos, voa, coloca lá, volta, um pouquinho de lama no meio de mais gravetinhos... No fim da tarde come insetinhos, despudoradamente, nem te ligo pros cachorros: pousa no jardim e fica caçando pequenos pernilongos e bichinhos... e segue, incansável, buscando os gravetinhos, dia após dia.

Estou aprendendo a buscar os gravetinhos. É difícil, porque vc precisa procurar bem pra não pegar gravetinhos errados. Precisa saber perguntar que tipo de lama serve e qual não serve... Por vezes não é a sua vez de colocar um gravetinho ali... É preciso, ainda, perceber quando é tempo de parar e deixar secar o que já foi construído...

E vc precisa também saber onde colocar os gravetinhos. E de repente, tem dias que vc não está muito bem e escolhe mal, pega uns meio ruins, meio ocos, ou então não quer nem pegar nada. Às vezes parece que tudo vai desmoronar... aí vc presta atenção, vê onde é que está meio torto, onde está faltando lama... e continua... E quando, finalmente, fica pronto um pedacinho pequeno da parede... Dá uma felicidade tão grande... que vc sabe que tem que continuar construindo, porque a casa vai ficar linda.

20 agosto 2007

"Caguei para o Cansei"

AHAHA, adorei... notícia da coluna da Monica Bergamo, da Folha de hoje:

"Zezé é Zezé. Eu sou eu"

O cantor Luciano recusou convite para entrar no "Cansei". O irmão dele, Zezé Di Camargo, aderiu, mas ainda assim Luciano diz que a manifestação é oportunista e que agora vai "lançar o movimento "Caguei'".

FOLHA - Por que não aderiu ao "Cansei"?
LUCIANO CAMARGO - Como é que eu vou apoiar um movimento liderado por alguém que promove desfile de cachorros [o empresário João Doria]? Essas pessoas cansaram de quê? Os artistas só estão aderindo porque foram convidados por amigos. A maioria não tem coragem de dizer não. Eu tenho. Este é mais um movimento oportunista. As pessoas que estão nesse movimento não cansaram de coisa nenhuma.

FOLHA - O Zezé aderiu.
LUCIANO - O Zezé é o Zezé, eu sou eu.

FOLHA - Você já disse que se arrepende de ter apoiado o candidato Lula na eleição.
LUCIANO - Eu não me arrependo. Eu me decepcionei. Mas nem acho que o "Cansei" é para derrubar o Lula. Aquilo ali [Lula] nem com reza brava cai. Mas o "Cansei" tem uma classe elitista por trás, que nunca pegou fila para entrar num avião. É um movimento político. Estavam só esperando um momento oportuno para lançar. Protesto é ir para a frente do prédio da TAM. Eu cansei desse "Cansei". Vou lançar o "Caguei". Caguei para o "Cansei".

13 agosto 2007

Pós-graduação

Ao ler a notícia de que o colombiano Abadia, aka "Chupeta", um dos traficantes mais procurados do mundo, que já mandou matar mais de 300 pessoas, está no mesmo presídio que Beira-Mar, pensei:
- Agora que já tem orientador, Fernandinho pode fazer seu mestrado.


Post emprestado do blog da Rosana Hermann - Querido Leitor

10 agosto 2007

Sumiço

Acabei de descobrir a explicação do porquê passei uma ou duas semanas (já nem sei mais) sem conseguir ver nenhum blog do blogspot. Aparentemente, a Telefonica bloqueou o blogspot para usuários do Speedy.... sem nenhuma razão, até onde eu sei, e pior, sem avisar!

Agora há pouco, misteriosamente, consegui acessar.

Olha a notícia:

BlogSpot está fora do ar para usuários Speedy

26 julho 2007

Dieta e Boxe

Mi:
estou fazendo a dieta da mexerica
Mi:
e semana que vem começo o BOXE!!!
B:
q tristeza
rsrssrss
hj comi :
alcatra
cupim
rabada
Mi:
eu vou ficar gostosíssima com o boxe e a mexerica
hj eu comi
B:
canelone
pudim
Mi:
bolacha água e sal com queijo branco
banana
mexerica
B:
e abacaxi p quebra a gordura
hahahahahaaahaha
cada um tem a dieta q merece
Mi:
arroz integral e omelete com queijo e abobrinha
iogurte com granola
café
Mi:
e agora outra mexerica e depois chá
B:
hahahahahahaa

23 julho 2007

O Rio, o táxi e o bolero

O Rio de Janeiro pode ter muitos defeitos, como o pior atendimento ever em restaurantes e a mania do carioca dar palpite em todas as conversas, inclusive nas que não lhes dizem respeito, mas tem uma coisa que só o Rio tem: taxistas que tocam bolero:

"(...) Depois de um banho frio para espantar o calor carioca (a brisa só fazia carinho nas cortinas, mas não ousava invadir a sala, janela adentro), bela e fresca e perfumada, ombros nus na blusa tomara que caia, delicados brincos de pedrinhas cor-de-rosa, os cabelos curtos e cacheados cuidadosamente lavados e arrumados como uma moldura castanha para o rosto de traços clássicos e pele branca, chamou um táxi para levá-la ao seu destino.
Ao entrar no carro, o ar gelado arrepiou-lhe os pelinhos do antebraço, um alívio para a sensação de calor que já tomava conta da sua pele recém saída do chuveiro.
Acomodou-se no banco de trás. Disse o destino ao motorista, esperando nada mais que uma monótona viagem de 10 minutos até o Jardim Botânico.
O taxista ligou o rádio: tocava um bolero, assim meio breguinha, 'el dia que me quieras...' Ela não gostava muito de música romântica. Mas, pensou, posso tolerar uma música.
O rádio emendou com um 'no me platiques mas...' (a música da novela das sete, lembrou ela. Hmmm, acho que é um CD, não deve ser rádio não. Peraí, as duas são do Luís Miguel... É, definitivamente é CD).
Lembrou do taxista da novela das oito. Aquele que era amante da dona de casa, sabe? Mas esse moço era diferente, educado, romântico. Mal tinha visto o seu rosto, mas podia adivinhar o modo como ele acariciava os cabelos da namorada, as flores e os jantares românticos que aprontava pra ela. 'Somos novios, e tenemos um cariño limpio e puro...'
Então ela sentiu-se de repente feliz, confortável; mais que isso, sentiu-se quase amada, valorizada, homenageada. Ensaiou um sorriso nos lábios pintados de rosa. Uma sensação de paixão adolescente percorreu o seu corpo, aquele frio na barriga que ela adorava...
Ao desembarcar, já completamente envolvida no clima romântico-latino, não pôde deixar de agradecer ao motorista pelo atendimento gentil. Mas não olhou no seu rosto quando ele, tão atencioso, ainda lhe fez um convite: - 'Se quiser, chame, que um carro vem para levá-la de volta'."

Pois não é que este último final de semana os taxistas que tocam bolero atacaram novamente? Estávamos nós 4 num táxi a caminho de Ipanema, num lindo sábado ensolarado, fazendo uma lista dos 5 piores sons e/ou bandas conforme a avaliação de cada um, quando um dos presentes disse:-' eu não gosto daquela das borbulhas de amor'. E eu disse: -'eu gosto, é um bolero, eu adoro boleros...'

De repente, não mais que de repente, um bolero começou a tocar no táxi. E o motorista disse ao passageiro da frente: 'mexe com a moça' (no caso, a moça era eu). Achei engraçadinho; quando saímos do táxi, agradeci a ele pelo bolero.

Imediatamente me lembrei do texto acima e fui vasculhar nas minhas coisas... Tá aí, editado mas taí, nunca tinha postado antes. Hoje não gosto tanto dele como gostava na época, mas vale a recordação.

Resumo da ópera:

Passagem de ponte-aérea SP/Rio: 150,00
Saída de praia nova pra desfilar em Ipanema: 50,00
Um taxista que toca boleros no trajeto: não tem preço.

Tem coisas que só um taxista carioca faz pra você*** ;-)



*** Incluindo as participações especialíssimas de Mister, Alezinho e Mileninha.

18 julho 2007

Aeroporto de Congonhas, uma, duas, três vergonhas

cerca de 30 anos atrás Paulo Mendes Campos (eu vou confirmar se é dele mesmo a crônica, tô sem o livro aqui) escreveu, para a genial coleção "para gostar de ler" - que eu li, reli e treli durante a adolescência e que pego até hoje-, a crônica com o título acima.

o texto fazia piada com o aeroporto de congonhas... os aviões passando tão baixo que, como diz um amigo meu, se o chão fosse de vidro dava pra ver a calcinha da aeromoça.
toda vez que eu viajo e pouso em congonhas fico tensa. num dá, né? sempre acho que a pista é muito curta....
até que demorou pra acontecer o que todo mundo já sabia que ia acontecer...

eu acho que a gente simplesmente deveria parar de comprar passagens de vôos partindo ou chegando em Congonhas. TODOS. não vamos mais comprar passagens saindo de congonhas!!!
deixa a infraero morrer com a grana que eles investiram lá nos últimos anos, na reforma. deixa as companhias aéreas começarem a ter prejuízo porque as pessoas não querem aterrisar num aeroporto cuja pista é tão curta que se acontece qualquer coisa o avião não tem pra onde desviar...

a hora que começar a doer no bolso, aí, só aí, vão a providência que deveria ter sido tomada há, pelo menos, 30 anos: fechar o aeroporto de congonhas.

14 julho 2007

13 julho 2007

As Três Pedras



A Três Pedras são uma formação do arenito Botucatu que fica, no entanto, no município de Bofete/SP. Antigamente, o pessoal dizia que via OVNIS ali. Teve até um Frei obcecado por sexo e/ou pela moral e bons costumes (as duas coisas estão indissoluvelmente ligadas...), chamado Fidélis, que criou umas teorias loucas sobre as três pedras, que lá dentro funcionava um templo de culto à Grande Serpente...Olhando a formação dá pra ver o símbolo fálico que atiçou a imaginação do Frei e entender a piração do cara.

A paisagem é linda. Fiz uma caminhada este feriado ali, o céu muito azul, característico da região, vaquinhas pelo caminho, riachinhos, um charcho e as Três Pedras, lindonas. Belo passeio...



Ah, e as flores de São João trepando por cima das árvores e enfeitando os postes de iluminação são um capítulo à parte, junto com os ipês roxos que estão colorindo a cidade (olhem por São Paulo, tá cheio.... lindo!!!). Isso a gente deixa pra outro post.

Por hora, apreciem a paisagem...



vista que se tem do ponto mais alto do caminho que leva às Três Pedras. tava com um pouco de névoa...

08 julho 2007

O que sinto

sono, preguiça, necessidade de mexer o corpo todo, de fazer muito exercício, até ficar exausta e muito muito cansada, saudade do meu amor (é meio brega dizer meu amor mas é isso mesmo), vontade de ler só coisas agradáveis, vontade de receber visitas e de ficar jogando conversa fora, de sair de casa completamente avacalhada, de dormir com o meu cachorrinho enrolado nas minhas pernas.

sinto, principalmente, sono.

07 julho 2007

Post emprestado

É o que tem pra hoje.

De Tati Bernardi.

Queria ser uma dessas pessoas que chegam rapidamente até o outro lado da praia, mesmo quando é fofa e de tombo.
Que arquitetam planos de vida.
Que começam assistentes e terminam donos.
Que começam miojo e terminam grande evento culinário um sábado sim, um não.
Que não se demoram na hora de olhar o cardápio, a vitrine, o Guia da Folha, os rapazes da noite.
Fico vendo que fulano foi lá, escreveu o roteiro, quase um ano de trabalho. Depois foi lá, filmou tudinho, mais um ano de trabalho. Na semana da estréia já estava envolvido em outro projeto. Projetos atrás de projetos. Ah: e fulano tem absoluta certeza que nasceu pra isso.
Fico vendo que fulana foi lá: em 2000 pós, 2001 mba, 2002 carro do ano, 2003 casamento, 2004 casa, 2005 filho, 2006 rotavírus. Uma vida na agenda.
Mas enquanto isso, será que fulano sabe dos 456 livros que poderia ler? Das 456 mulheres que poderia comer? Do pôr do sol em Fernando de Noronha? Do prazer surruel que é dormir até tarde sem saber que dia é?
Como fulano pode ter certeza que está no lugar certo, na hora certa, no momento certo, com a pessoa certa, se há zilhões de segundos, dias, ruas, bairros, cidades, países e sonhos nesse mundo?
Passo os dias me perguntando. Aquele povo todo, correndo na paulista, se apertando no metrô, parado no trânsito da Marginal, passando crachás, apertando mãos, escovando os dentes naquelas escovinhas que dobram no meio pra caber na bolsa, almoçando em quilos, sorrindo em falso, respirando ar condicionado, sonhando com a bunda alheia, com o salário alheio, com o final do dia.
Eu não consigo ser uma coisa. Não consigo viver por algo. Tenho esse saco sem fundo onde cabe o mundo. Mas cabe tanto, tanto, que vivo vazia. Porque ainda não aprendi a me preencher.
Porque ainda ando por aí meio maravilhada e irritada, caçando meus pedaços, desejos e inspirações. Até que depois de ver um pouco de tudo e todos, eu saiba finalmente que cara e que forma tem o meu mural de recortes, a minha colcha de retalhos.
Mas no meio do caminho se é muito feliz. E esse texto está assim meio estranho porque to escrevendo ele… quem diria: um pouco bêbada. Agora, por exemplo, to feliz porque bebi saquê e cantei “O amor e o poder” em um karaokê louco. To muito feliz. E talvez um pouco bêbada. Odeio crachás. E eu to feliz porque to ouvindo uma versão de “My way” cantada pelo Gipsy Kings e são quatro e cinco da manhã. E porque estou tendo o maior ataque de riso do mundo simplesmente porque nada faz sentido. E que bom que não faz.
Como diria meu cabeleireiro gay e com pedras no rim: “é o que tem pra hoje, meu bem”. E eu não me culpo pela minha pressa em ficar. E eu não te culpo pela sua pressa em ir. É em tantas pressas contrárias que a gente se esbarra pelo mundo e se diverte um pouco.

Tati Bernardi é cronista do Blônicas.

03 julho 2007

Cotidiano Paulistano

Olhou as prateleiras cheias de produtos industrializados e que contribuem para o acúmulo de lixo no planeta. Um tédio profundo percorreu as suas veias. Podia senti-lo nos seus pés, nos fios de cabelo encaracolados com mechas loiras falsas, nas suas unhas descascadas, e bem, mas bem no fundo do seu olho...
Já era muito tarde. Estava cansada. Cansada da vidinha besta das 9 às 18h, do cotidiano paulistano de tantas decisões a tomar: passar ou não o farol amarelo, este restaurante italiano ou aquele nouvelle cuisine, dormir um pouco mais ou tomar o café da manhã, escola particular ou pública, colégio tradicional ou de vanguarda? fazer ou não o seguro do carro, ir ao cinema ou ao show? Esse monte de decisões, idiotas ou não, comezinhas ou não... isso a enfadava muito, e ela se perguntava, ali no meio do corredor daquele supermercado da classe média alta, onde é chique comprar produtinhos importados e que fica aberto 24 horas porque é preciso, onde se pode ler o último bestseller de auto-ajuda nos negócios tomando um café espresso 100% arabica, afinal o que diabos eu estou fazendo aqui???
Aí ela se lembrou daquele filme italiano que assistira no cinema de circuito alternativo, comprou um pão italiano, um macarrão grano duro, um tomate pelado em lata, uma garrafa de vinho tinto, uns queijos... pagou com cartão de crédito internacional aceito em mais de 50 países, pegou o seu carro popular com direção hidráulica e vidros fumê, acendeu um cigarro e, quando passava em cima do Elevado Costa e Silva, popularmente conhecido como Minhocão, um pouco acima do limite de velocidade permitido, perdeu a direção e caiu espetacularmente em cima da praça Marechal Deodoro, assustando algumas pombas e mendigos que dormiam no local.

17 junho 2007

Calendas, cada vez melhor


Calendas fica melhor conforme o tempo passa. Homem vinho, sabe como é?
Depois de gravar o webum de um homem só (confiram em http://www.calendas.com.br/), chamou a banda; em pouco tempo os caras (e a mina) já tão fazendo show... Já teve em SP e agora no Festival Tinidos, em Curitiba. Em suma, o cara é um designer de mão cheia e muito bom gosto(confiram o próprio tratamento de imagem do clip), é blogueiro dos bons (tá aqui na barrinha o link...) e agora ainda ataca de roqueiro, mandando muito bem.
Parabéns, Ma!!!! Estamos podendo, heim???

15 junho 2007

Sobre a crítica

Ainda um pouco emputecida com algumas críticas muito fáceis de fazer, especialmente quando o criticador é tão responsável quanto eu pelo que está criticando, informo que ontem passei (depois de um vidro e meio de rescue tomado desde a noite anterior, durante a TPM e conseqüentemente com direito a uma dor de cabeça depois, que melhorou - um pouco - com uma cerveja tomada num buteco pé-sujo ali no viaduto Maria Paula com meu dileto amigo que me desobedeceu e foi assistir e que só melhorou mesmo depois de duas doses de uísque e um banho quente ao chegar em casa, ainda depois de 2 horas de reunião e uma pizza no NECA) pela minha banca de qualificação de mestrado.
A crítica pode ser muito bem aceita quando ela é feita em um ou outro tom...
Aprendizados que tenho tido na minha vida: (quase) tudo pode ser dito, dependendo de como se diz e do momento em que se diz....

Meu texto é cheio de parêntesis. Serei uma pessoa cheia de parêntesis??? E se eu for, o que isso significa? na verdade eu não faço a menor idéia. Sò tô escrevendo mesmo nem sei porque.

Só sei que hoje eu queria mesmo ficar na minha casa meio quieta vendo TV o dia inteiro e esperando um pouco a raiva e a TPM passarem. Infelizmente não vai dar.

12 junho 2007

impressionante....

Condenado por fazer sexo com menor é solto

DA REDAÇÃO

Um juiz da Geórgia (EUA) mandou libertar ontem Genarlow Wilson, 21, condenado a dez anos de prisão por ter praticado sexo oral consentido com uma garota quando ambos eram adolescentes -ele tinha 17 anos, ela, 15.
O procurador do Estado disse que vai recorrer da decisão.
Wilson, então uma estrela de futebol americano no colégio, foi mandado à prisão em 2005 por assédio a menor de idade, com agravante, após um vídeo do casal vir a público. Ele já cumpriu 27 meses na cadeia. Agora, a Justiça decidiu que sua pena é de 12 meses. O caso mobilizou os EUA, e até o ex-presidente Jimmy Carter entrou na defesa de Wilson.

Folha de SP, 12/06/07

08 junho 2007

Num to postando porque não dá

To sem idéia, tem coisa demais acontecendo, tudoaomesmotempoagora, tudoaomesmotempoagora, nunca vi frase tão inteligente e tão representativa para certos momentos onde tudo acontece ao mesmo tempo agora.
Então é isso, depois que passar o turbilhão, que passar o furacão e que eu tiver alguma sanidade (e tempo) pra postar eu posto.
O bom de tudo é que no tempo livre eu to curtindo pra caramba, e muito, muito, muito mesmo bem acompanhada. Por isso que tá difícil de postar também... :D Eu postava muito no tempo livre mas agora eu ando ocupando ele fazendo algumas coisas, hmm, mais interessantes. ;-)

e outras nem tanto, como tentar ser uma profissional (1)com emprego e (2)respeitada na área que eu escolhi pra me especializar. isso dá um trabalhão e leva tempo. tamos aí, na luta, mano.

Soave?

To aprendendo as gírias dos mano e gírias de cadeia também (não generalizar, tem algumas comuns, outras não). E se eu não conseguir um emprego, logo logo começo a aprender também as gírias da FEBEM. Aguardem!

Demorô....

Fui!

26 maio 2007

Morre Sapeca, aos 15, em Botucatu


Cão rústico, um pouco triste, um tanto ranzinza, fiel, forte, obcecado pelas suas bolinhas, cavador, um sobrevivente (ia ser sacrificado porque arrastava as patinhas de trás), pretinho, valente, esperto, exigente, odiava banho (podia perceber mínimas intenções de banho em meus pequenos movimentos e já se escondia bem lá no fundo, embaixo da cama), Sapequinha morreu aos 15, de edema pulmonar e parada cardíaca, numa noite muito fria de outono botucatuense. Os últimos meses foram duros, mal enxergava, andar já estava difícil, aguentar o chatinho do Xuxu (o Nermal) ainda mais, reagir então nem se fala. Foi em boa hora, espero que a hora tenha sido boa também. Não deixa filhos. O velório já passou e o enterro foi no pet cemetery atrás do portão da casa, no terrenão do fundo, mesmo lugar onde foi sepultado o finado Quico, lindíssimo cocker dourado, filho de campeão, que não teve tanta sorte e viveu a metade do tempo, sendo que metade deste tempo confinado num corredorzinho úmido e frio na parte lateral da casa porque tinha alergia à grama.
Infelizmente eu não estava lá para acompanhar seus últimos momentos. Seria importante pra mim chorar a morte do meu cão, a quem devotei tantos bons pensamentos e bons momentos. Ele filhote dormindo na minha barriga no sol eu nunca vou esquecer. Espero que lá no céu dos cachorros tenha muito osso e nada de banho. Ah, e roupinhas, porque ele era meio friorento....

17 maio 2007

somos todos ridículos

(claro que eu me acho um pouco mais ridícula que os outros. um dia isso passa. tomara)

06 maio 2007



confiança íntima
intimidades indecentes
indecências sinceras
(me interessam)




vale ouvir: Deixa o verão (Los Hermanos, por Mariana Aydar)

04 maio 2007

Um post, um blog, uma pessoa em organização

Organização externa reflete a interna.... hoje é dia de começar a arrumar a bagunça.... embora dia de trabalho, a organização da bagunça da casa é também a organização da bagunça do trabalho. Organizar os montinhos, como já escreveu o Antonio Prata, ou não me lembro bem quem escreveu no Blônicas, já botei esse post aqui, copiado mesmo. Os montinhos físicos, de papéis, imposto de renda, contas pagas, recibos e notas fiscais de eletrodomésticos; as pastas no computador, as pastas no arquivo, as pastas dos processos; os montinhos de textos do capítulo I, capítulo II...; outros montinhos de muitos capítulos da minha vida. Organizar os montinhos dentro de mim....

Se eu morasse numa casa ampla e com lajotas, hoje seria dia de jogar grandes baldes de água com sabão para lavar tudo.

Lembrei agora de um trecho do livro "O Amante", de Marguerite Duras. Sempre adorei este trecho, não sei se porque me lembra da infância, quando a Terezinha lavava o pátio e eu e meu irmão ficávamos brincando de ajudar, molhando os nosso pés na água com sabão e escorregando.... :

"Minha mãe tem um acesso súbito, sempre no fim da tarde, especialmente na estação seca, e manda lavar a casa de alto a baixo, para limpar, diz ela, para sanear, refrescar. A casa está construída sobre uma plataforma que a isola do jardim, das cobras, dos escorpiões, das formigas vermelhas, das inundações do Mekong, das enchentes que acompanham os grandes tornados da monção. Essa situação da casa, acima do solo, permite que seja lavada com muita água, que seja totalmente regada, como um jardim. As cadeiras estão sobre as mesas, toda a casa molhada, o plano da sala está com os pés mergulhados na água. A água desce pelas escadas, invade o pátio, correndo para a cozinha. Os pequenos empregados ficam felizes, nos juntamos a eles, nos molhamos,e depois ensaboamos o assoalho com sabão de Marselha. Todos estão descalços, a mãe também. A mãe ri. A mãe não tem nada a dizer contra ninguém. A casa exala um suave perfume, cheira deliciosamente a terra molhada depois da tempestade, um cheiro que nos deixa loucos de alegria, especialmente quando combinado ao outro cheiro, o do sabão de Marselha, o cheiro da pureza, da honestidade, do linho, da brancura, o cheiro de nossa mãe, da imensidão da candura de nossa mãe. A água desce até a rua. As famílias dos jovens empregados aparecem, os amigos deles também, as crianças brancas das casas vizinhas. A mãe está muito feliz com toda aquela desordem, a mãe pode ficar muito muito feliz em certos momentos, momentos de esquecer, de lavar a casa, que concorrem para a felicidade de minha mãe. A mãe vai para a sala, senta-se ao piano, toca as únicas músicas que sabe de cor, que aprendeu na Escola Normal. Ela canta. Às vezes brinca, ri. Levanta-se e dança, cantando. E todos pensam e ela também, a mãe, que podíamos ser felizes naquela casa em desordem, transformada em um lago, um campo à margem do rio, um vau, uma praia."

(des)ordem, a alegria posso tê-la nas duas.... hoje acordei lembrando da dialética de que tanto gosta D. a mãe se felicita com a desordem que na verdade nada mais é que ato de organizar, de limpar e começar tudo..... minha desejada ordem só pode existir porque antes houve confusão. ou não???

20 abril 2007

Preso desde janeiro por tentativa de furto....


LAURA CAPRIGLIONE
DA REPORTAGEM LOCAL

Com os olhos arregalados, X emite um íííííí agudo, ao ser perguntado sobre seu nome. Preso no dia 16 de janeiro deste ano no 91º Distrito Policial (que fica ao lado do Ceagesp de São Paulo), depois de invadir o imóvel vazio pertencente a um policial civil, X não fala, não parece conhecer linguagem escrita ou falada, não se comunica por sinais nem por mímicas.
X não tem nome ou número de inscrição no Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt, órgão que expede carteiras de identidade em São Paulo. Também não tem registro criminal. X não existe oficialmente. Mas está preso há três meses em companhia de 36 homens que se espremem em quatro celas escuras, onde só caberiam 24 pessoas.
Ninguém sabe o que fazer com X. No dia 6 de março, X foi levado até o Fórum da Barra Funda, para ser interrogado sobre o que fazia na casa do policial. Os policiais que o prenderam dizem que ele preparava-se para roubar esquadrias de alumínio das janelas, para revender.
A juíza encarregada do caso, Fernanda Galizia Noriega, da 7ª Vara Criminal, pediu a intervenção de um intérprete, que tentou se comunicar com X por intermédio de "todas as formas de comunicação, inclusive a gestual, a mímica e a leitura labial", conforme o registro judicial. X não respondeu a nenhuma abordagem, mas, colaborativo, até concedeu repetir alguns gestos do intérprete.
Ciosa do rito, a juíza ainda endereçou ao defensor encarregado do caso e ao promotor o questionamento: gostariam de reperguntar algo a X? Os dois declinaram. "Não existe nenhuma forma de comunicação com o réu", registrou Noriega.

Sem visitas
"Eu nunca vi um caso como este", diz Anselmo Guarnieri, 44, chefe dos investigadores do 91º DP, policial civil há 22 anos. "Ele é um enigma. Um homem sem nome, sem história, sem conhecidos. Desde que foi preso, não recebeu nenhuma visita. E ninguém registrou desaparecimento de amigo ou parente com as características dele", diz o policial, para quem X tornou-se um "dilema para a Justiça". "Como condenar alguém que não se sabe quem é?"
Os policiais do 91º DP providenciaram no dia 2 de fevereiro intérpretes de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais), para tentar comunicar-se com X. Nada. No dia seguinte, um representante da Feneis (Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos), Neivaldo Augusto Zovico, foi chamado para tentar contato. Nada.
Sujaram os dedos de X com tinta, para comparar suas impressões digitais com os milhões de registros civis e criminais que a polícia mantém. "Pesquisa negativa" escreveram em seu prontuário. Quer dizer, digitais como as de X nunca foram vistas antes.
"Já fomos à favelinha aqui ao lado do Ceagesp, perguntar se alguém conhecia o "Mudinho". Mas, sabe como é, mesmo a gente querendo ajudar, na favela é sempre a regra ninguém-sabe-ninguém-viu", diz Guarnieri. "Tomara que, publicando a foto dele no jornal, algum parente se apresente."
O investigador diz que terá de ser providenciada uma identidade criminal para X. "Quem sabe até o batizemos." Depois, se conseguirmos identificá-lo por seu verdadeiro nome, corrigem-se os registros", cogita.
Segundo o artigo 259 do Código de Processo Penal, "a impossibilidade de identificação do acusado com o seu verdadeiro nome ou outros qualificativos não retardará a ação penal, quando certa a identidade física". A "identidade física" de X os policiais que o prenderam dizem conhecer. Dizem que era ele o homem encontrado na casa pertencente ao policial civil.
Ontem, até os outros presos tentavam ajudar, aflitos com o destino do homem sem nome que apareceu do fundo da carceragem para encontrar a reportagem da Folha.
Branco, 1,60 metro, magro, idade entre 28 e 32 anos, cabelo e barba curtinhos (raspados em janeiro, quando da prisão), camiseta regata azul, limpo, calça preta e chinelos, X fez um ííííí, ao ser perguntado sobre sua mãe.
Um preso fez um gesto, como se embalasse um bebê, e apontou para X que, sorrindo, levantou as mãos acima de sua cabeça. Outro preso traduziu: "A mãe morreu. Está no céu".
A advogada Vitória Nogueira, 60, da Acrimesp (Associação dos Advogados Criminalistas de São Paulo), que assumiu a defesa de X na última sexta-feira, pretende conseguir um habeas corpus para libertar o rapaz. "É uma crueldade manter presa uma pessoa nessas condições por mais de três meses, sem direito a visita, a roupas limpas. Nem ao menos alegar inocência ele pode", diz.
Para a advogada, a denúncia contra X não enuncia os bens que ele teria tentado furtar. "É uma denúncia inepta", diz.


É o fim da picada.......... Esse país é uma piada mesmo. A juíza tinha que ter dado o HC de ofício. O MP tinha que pedir o HC. Que será que eles têm no lugar do cérebro e do coração? Uma pedra? Esse infeliz vai ficar anos preso porque supostamente tentou furtar esquadrias de alumínio.... é o próprio livro do Kafka mesmo. Não tem jeito. Ai, dá vontade de desistir de tudo. (suspiro)

Vista a minha pele

Embora eu tenha sérios problemas com operadores de telemarketing, especialmente os pobres coitados que prestam serviços para a vivo, tim, etc, que no final das contas sofrem porque ganham mal e são mal treinados (parece que é até de propósito), desde que virei praticamente uma telefonista recebendo e dando informações sobre curso e imprimindo fichas de inscrição, passei a respeitá-los mais.

É um inferno. O telefone, essa coisa irritante que em certos dias eu gostaria de desligar pra sempre, não pára um minuto. O celular numa orelha e o fixo na outra. Eu ainda consigo manter as mãos livres porque tenho um 'headset' pra falar na orelha esquerda e o fone do celular na direita. Por vezes estou falando no celular, toca o fixo e começa uma chamada espera ainda no celular.

Não sei se é porque eu tive uma semana exaustiva, com direito a: pedido de demissão, primeira aula como professora assistente de um grande professor numa grande Universidade, visita no presídio, que sempre me esgota as energias, e mais essa correria, essa loucura, mas hoje estou um bagaço, meu braço direito dói, o pescoço dói, o corpo parece que não responde mais e o cérebro, coitado, este já está pifado mesmo.

Tem um documentário chamado "Vista a minha pele" que eu ainda não vi mas que todo mundo fala que é ótimo. Recomendo mesmo sem ver. Nada como passar um dia na pele do outro para compreender melhor o que sente e sofre. Por isso, meus respeitos aos operadores de telemarketing e telefonistas. Essa gente sofre.

17 abril 2007

14 abril 2007

a paineira e o minhocão


fonte: www.senhoradosol.com.br/texcot4.htm

pena que acabou

nos últimos dois meses, sempre que passava pelo minhocão notava 3 paineiras floridas.... lindas, exuberantes..... cor-de-rosa maravilha, quase da cor da minha flor de maio que está doida pra aparecer

um alento, no meio de tanto cinza. embora haja quem veja beleza em tanto concreto.

não consegui fotografá-las.

eu as vi no meio do verde, também, no interior. mas a sensação que me trazem em meio ao verde não se compara ao alívio de ver um pouco de colorido no caminho pro trabalho...

pena que acabou.

wise up

Nessas horas, só mesmo ouvindo aimee man, trilha do magnolia, wise up, pra já aproveitar o embalo melancólico.

It's not
What you thought
When you first began it
You got
What you want
Now you can hardly stand it though,
By now you know
It's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up

sobre o vinho e a maria antonieta

já vi duas vezes. da primeira gostei mais, por certo. estava tão estressada, cerca de um mês atrás, que o filme foi um bálsamo de leveza naquele momento. muitas garrafas de vinho e 60 contos depois, estava ainda mais leve e já com um certo sono....
claro que a maria antonieta não era assim tão linda, e as moças não eram assim tão limpas... nem eu sou assim tão linda (mas assim bem limpa! tá, um pouquinho suja porque gente limpa demais é muito chato)...
cá estou depois de mais maria antonieta bebendo novamente o vinho.
e tentando entender porque fiquei tão leve daquela primeira vez. porque desta vez, quando acabou, alguém comentou: é um filme sobre a solidão, e o tédio.
mas quando o vi pela primeira vez pensei que poderia ser um filme sobre a celebração da vida.
claro, às custas de milhares de pessoas que não tinham pão e muito menos brioches. mas sobre o hedonismo, o prazer, o carpe diem.
a melancolia me invade junto com o vinho e me pergunto, novamente, pouco mais de 3 anos depois do incidente, o que, afinal, estou de novo fazendo comigo mesma.
devo mudar o meu jeito de ser? quero mudar o meu jeito de ser?
porque tenho eu que lutar contra todos os meus defeitos e pretender transformar-me num ser perfeito e à prova de provas? porque é que eu não me rendo e simplesmente sigo o que o meu íntimo está me gritando todo dia, todo dia, todo dia???
não quero exacerbá-los, embora o tempo nos diga que isso certamente acontecerá. mas tampouco desejo extirpar tudo isso que me habita. quero sofrer menos, é certo.
se eu não me destruir antes disso, só o tempo e a maturidade dirão.
meditar ajudaria. bem, eu ia fazer isso agora antes de dormir, mas como estou bebendo, já não será mais possível. eu devia ter pensado nisso antes de abrir a garrafa.
meu amigo fez aniversário e eu não liguei. o filho dele (e dela)fez aniversário, e eu não liguei, não deixei um recado no blog, não mandei um email, nada.

não tive tempo. e quando tive tempo, não tive coragem.

será que quando eu chegar aos 40 estarei em crise e me lamentando pelo tempo perdido?

acho que vou fazer aquela tatuagem...

30 março 2007

o Emilianas vai virar página de livro

Alguma notícia boa no meio do mau humor que tomou conta desse blog ultimamente (isso sem falar na minha ausência, já que escrevo sempre à noite mas agora meu computador quebrou, algum defeito misterioso que o moço não consegue descobrir... a placa mãe? a memória? vai saber...)

o EMILIANAS vai virar página de livro!!!

sim, sim!!!

o Blônicas, blog de crônicas linkado aqui na barrinha da direita, selecionou-me entre leitores que mandaram textos para publicação no blog, para publicar no segundo livro do blonicas, chamado 'a vez dos leitores'.

não é legal???
estou aguardando ansiosamente o desenrolar dos acontecimentos. coisa que eu jamais pensei, só de zoeira, publicar algo.... pelo menos no papel, que aqui já publico pra caramba, né?

quem quiser ver um dos possíveis textos que vai pro livro, é só digitar 'feijão' na busca (no alto da da página, lado esquerdo) e ler.

é, fuçando aqui até que se encontra alguma coisa boa... são momentos de inspiração no meio de muitos momentos de confusão....

18 março 2007

E como se não bastasse eu trabalhar sábado o dia inteiro

sou acordada domingo às 9h30 da manhã para resolver um imprevisto.

lá vou eu feliz da vida para o aeroporto, sem comer, muito emputecida. muito mesmo.

resolvo tudo, a TAM que demora uma hora e meia pra providenciar uma ridícula cadeira de rodas...

e tomo meu café da manhã as 12h. puta da vida, de ressaca, sem dormir, triste, desgostosa mesmo. estou sendo desconsiderada e desvalorizada. me sinto uma imbecil.

depois disso desliguei meu celular. que se foda. problemas??? acho que as pessoas são bem grandinhas e podem resolvê-los sem mim.

pro inferno com tudo isso. não consigo estudar uma linha sequer há um mês e meio. trabalho 16 horas por dia e mesmo assim não é suficiente para tudo.

a minha intuição continua me dizendo que vai dar merda. eu continuo tendo paciência, mas ela está se esgotando rapidamente, junto com as minhas forças, a minha saúde e o meu bom humor. não sei por quanto tempo eu aguento mais...

17 março 2007

A gente se esfalfa

trabalha 16 horas por dia pra dar tudo certo, mas tem sempre algum incompetente que fode com tudo.

e por isso eu sou acordada a uma da manhã. porque algum incompetente não fez a parte dele.

enquanto isso eu estou gripada e tenho que acordar cedo amanhã adivinha pra que????

14 março 2007

Pig - out - pra quem lê inglês - sobre maus tratos a porcos nos EUA

By NICOLETTE HAHN NIMAN
Published: March 14, 2007

WITH some fanfare, the world’s largest pork producer, Smithfield Foods, recently announced that it intended to phase out certain cages for its breeding females. Called gestation crates, the cages virtually immobilize pigs during their pregnancies in metal stalls so narrow they are unable to turn around.

Numerous studies have documented crated sows exhibiting behavior characteristic of humans with severe depression and mental illness. Getting rid of gestation crates (already on their way out in the European Union) is welcome and long overdue, but more action is needed to end inhumane conditions at America’s hog farms.

Of the 60 million pigs in the United States, over 95 percent are continuously confined in metal buildings, including the almost five million sows in crates. In such setups, feed is automatically delivered to animals who are forced to urinate and defecate where they eat and sleep. Their waste festers in large pits a few feet below their hooves. Intense ammonia and hydrogen sulfide fumes from these pits fill pigs’ lungs and sensitive nostrils. No straw is provided to the animals because that would gum up the works (as it would if you tossed straw into your toilet).

In my work as an environmental lawyer, I’ve toured a dozen hog confinement operations and seen hundreds from the outside. My task was to evaluate their polluting potential, which was considerable. But what haunted me was the miserable creatures inside.

They were crowded into pens and cages, never allowed outdoors, and never even provided a soft place to lie down. Their tails had been cut off without anesthetic. Regardless of how well the operations are managed, the pigs subsist in inherently hostile settings. (Disclosure: my husband founded a network of farms that raise pigs using traditional, non-confinement methods.)

The stress, crowding and contamination inside confinement buildings foster disease, especially respiratory illnesses. In addition to toxic fumes, bacteria, yeast and molds have been recorded in swine buildings at a level more than 1,000 times higher than in normal air. To prevent disease outbreaks (and to stimulate faster growth), the hog industry adds more than 10 million pounds of antibiotics to its feed, the Union of Concerned Scientists estimates. This mountain of drugs — a staggering three times more than all antibiotics used to treat human illnesses — is a grim yardstick of the wretchedness of these facilities.

There are other reasons that merely phasing out gestation crates does not go nearly far enough. Keeping animals in such barren environments is a serious deprivation. Pigs in nature are active, curious creatures that typically spend 10 hours a day foraging, rooting and roaming.

Veterinarians consider pigs as smart as dogs. Imagine keeping a dog in a tight cage or crowded pen day after day with absolutely nothing to chew on, play with or otherwise occupy its mind. Americans would universally denounce that as inhumane. Extreme boredom is considered the main reason pigs in confinement are prone to biting one another’s tails and engaging in other aggressive behavior.

Finally, even if the gestation crate is abandoned, pork producers will still keep a sow in a narrow metal cage once she gives birth to her piglets. This slightly larger cage, called a farrowing crate, severely restricts a sow’s movements and makes normal interactions between mother and piglets impossible.

Because confinement buildings are far from cities and lack windows, all of this is shielded from public view. But such treatment of pigs contrasts sharply with what people say they want for farm animals. Surveys consistently find that Americans believe all animals, including those raised for food, deserve humane treatment. A 2004 survey by Ohio State University found that 81 percent of respondents felt that the well-being of livestock is as important as that of pets.

Such sentiment was behind the widely supported Humane Slaughter Act of 1958, which sought to improve treatment of cattle and hogs at slaughterhouses. But it’s clear that Americans expect more — they want animals to be humanely treated throughout their lives, not just at slaughter. To ensure this, Congress should ban gestation crates altogether and mandate that animal anti-cruelty laws be applied to farm animals.

As a cattle rancher, I am comfortable raising animals for human consumption, but they should not be made to suffer. Because we ask the ultimate sacrifice of these creatures, it is incumbent on us to ensure that they have decent lives. Let us view the elimination of gestation crates as just a small first step in the right direction.

Nicolette Hahn Niman, a lawyer and cattle rancher, is writing a book about the meat industry.

fonte: NYTimes

Fotos lindonas

Não é porque é meu irmão não, o Linus tá fazendo umas fotos animais.

Como esta aqui embaixo. Vai lá no flickr dele: Pedro Accioli

10 março 2007

entre parêntesis

(e a fila anda)

Pra fechar


Uma vista do mirante da linha verde, de onde se vê a Costa dos Coqueiros.

E finalmente, o mar!



Santo Antonio é o nome dessa praia que fica logo depois de Imbassaí e a cinco km da Costa do Sauípe. Na Vila de Santo Antonio há uma produção de bolsas de palha de piaçava, a mesma que cobre algumas casas (inclusive a Ocabana do Steve) e barraquinhas da praia. Por 15 ou 20 vc compra uma bolsa de palha lindona, são muitas cores e modelos, todas lindas.



No carnaval até que tinha um pouco de gente, mas na quinta de cinzas não havia viv'alma por lá. Deu um medão de entrar na água.

Depois de atravessar o rio, é hora de atravessar as dunas...

logo que se atravessa o rio, este é o caminho pra não se perder nas dunas brancas cobertas por vegetação.



as fotos abaixo foram feitas do mesmo ponto do caminho pelas dunas. esta aqui olhando para trás....



e esta, em direção à praia.



Ps: só peguei uns 2 ou 3 dias de sol mesmo. o resto foi esse tempinho nublado. pena. mas pelo menos não queimei o pé nas dunas. quando está muito quente dizem que não dá pra atravessar nem de chinelo, porque a areia bate na canela ou encosta no resto do pé e é insuportável. dizem também que os nativos atravessam correndo pra não sofrer tanto...

O caminho para a praia



Diogo é um povoado que na verdade só tem uma rua principal. Saindo da linha verde, que é a estrada que liga Salvador a Aracaju, tem uma estrada que leva até a vila. Nessa estrada há uma série de pequenas propriedades, chácaras, nas quais ficam as pousadas, entre elas a que fiquei. Tem também um camping com pizzaria, pizza paulistana, bem feita, massa fininha, crocante, ingredientes de primeira, feita por um casal de paulistanos que fugiu do concreto e foi morar nesse lugar rural-praia que é Diogo. Roger e Rosana é o nome da dupla simpática e acolhedora.



Seguindo pela estrada vc chega na 'vila' de Diogo, que na verdade consiste numa única rua central. Ali vc já dá de cara com um restaurante, Caminho do Rio, que me parece que é também pousada, onde se come uma deliciosa moqueca para 3 pessoas por apenas 30 reais.
Virando à direita chega-se à ponte sobre o rio, que é limpo, tem água fresca, perfeito para os dias de sol muito quente. Nesses dias o melhor mesmo é ir cedo pra praia, atravessando as dunas antes que a temperatura da areia branca torne a caminhada impossível, e depois voltar e ficar se refrescando na água do rio.