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25 junho 2008

exercício X comida X bebida

Mi diz:
meu
Mi diz:
tá frio!
Mi diz:
eu ia na academia
Mi diz:
mas dormi
Mi diz:
e desencanei de ir depois de dormir
Mi diz:
troquei a academia por duas fatias de pão de aveia light com muita manteiga
M diz:
hahahaah
M diz:
e eu troquei a nataçao por 5 cervejas...
Mi diz:
e aquela sopinha dos japas
M diz:
hahaahahahah
Mi diz:
como é mesmo o nome? missoshiro
Mi diz:
e um chá anti-celulite
M diz:
isso me deu sede.
M diz:
vou abrir outra cerveja.

23 junho 2008

"Todos os elevadores que eu conheço são fêmeas"

Entrou correndo, atrasado, nove e quinze, droga, minha chefe vai me encher o saco.
Assim que a porta se fechou, ouviu uma voz familiar. Suave. Carinhosa.
- Bom dia, Fernando.
- Bom dia, respondeu.
- Atrasado, amor?
- É... acho que foi o banho, demorei um pouco mais, com esse frio, água quentinha...
Hm, pensou, que estranho, não tem ninguém no elevador.
- Está muito frio lá fora, meu amor?
- Nossa, tá congelando, uma garoa friiiia...
- Décimo andar. Sobe.
(...) Tchau, amor. Bom trabalho.

Achou que tava ficando doido.
Uma noite qualquer dessas teve que fazer serão (Relatórios da Corporate na minha mesa, sem falta, às 8h, heim Fernando!).
Lá pelas onze, exausto, trancou o escritório, balançou o braço pra acionar o sensor das luzes do hall, e chamou o elevador. Prédio vazio. Nenhum barulho, sem movimento.
- Décimo andar! Desce!
Quando entrou, sentiu algo estranho no ar. Um pressentimento. Uma lâmpada queimada.
Elevador meio entusiasmado esse...
Ali pela altura do sexto andar, o elevador parou.
- Boa noite, Fernando. Vamos pra casa? Ai, amor, eu estava com tanta saudade...

Duas horas depois, quando o guarda subiu pra fazer a ronda, notou, intrigado, que o terceiro elevador da esquerda pra direita, que tinha passado o dia quebrado, voltara a funcionar.
Quando a porta se abriu, tudo o que encontrou foi um cartão de crédito amassado, dois botões de camisa brancos, uma pequena mecha de cabelos de cor cinza, e duas lâmpadas quebradas.


***livremente inspirado na frase-título, de E. J. C.

Microcontos na caixinha

"Proposta indecente.

- Me chama de PUTA!
- Não dá, tô sem um tostão"

************************************
Samir Mesquita fez 50 micro-contos numa caixinha de fósforo. Um deles é este aí em cima.

Dois Palitos é o nome do micro-livro.

Tem que entrar no site pra ver que legal que é. Temque.

Não vou contar senão perde a graça, entra lá: www.samirmesquita.com.br

ah: vi a dica no blog do Eric Rosa, Bigode Molhado.

16 junho 2008

Liberdade

acho que ultimamente as pessoas andam confundindo, nos relacionamentos, a liberdade com o individualismo e uma decorrente suposta incapacidade de se relacionar.
um amigo diz que somos uma geração de pessoas incapazes de se relacionar, de conviver.
eu discordo, sempre discordei dele e na verdade atribuo esses dizeres a uma fase pessimista de quem sofreu por amor e está, na verdade, com medo de tentar novamente. o que é ok, pode-se ter medo de qualquer coisa, só não vamos condenar todos os outros mortais ao insucesso no amor só porque estamos vendo o mundo meio cinza...
enfim, essa tal liberdade que todo mundo quer, eu acho que se confundem as coisas.
pra mim, a liberdade que o parceiro te dá é simplesmente a de poder conversar, expor o que se sente, criar e ousar.
todos precisamos de espaço e de tempo sós, de vez em quando. mas essa necessidade de espaço não precisa excluir o outro, ela cabe em uma relação.
na ânsia de uma liberdade total, nos tornamos dela prisioneiros: ela nos condena a essa incapacidade quase absoluta de se relacionar e de construir algo junto com o outro.
do modo como vejo as coisas, percebo que quanto mais livre estou, mais aumenta a minha capacidade de amar. quanto mais posso ousar, é com ele que eu vou ousar. quanto mais posso criar, é com ele que eu vou criar. não é para os outros, não é para mais ninguém, senão para os dois juntos.
a liberdade aumenta a confiança; não nos afasta: nos aproxima.
a metáfora da rede é boa, serve também para o amor: o que é uma boa rede? é uma rede que tem muitos nós. mas especialmente, cujos nós não são muito frouxos, porque senão ela se desfaz, não segura nada, nem muito apertados... porque se forem apertados demais, ela fica dura, rígida. e uma boa rede, seja ela de pescar ou de dormir, precisa ser maleável...
ser livre no amor não é não se comprometer, não é não ter laços... tampouco é se comprometer a ponto de não poder mudar de idéia.
eu acho que ser livre, no amor, é simplesmente o pacto de estar junto, de compartilhar, de conversar, com confiança e sinceridade. o resto se constrói no cotidiano.... e com o tempo.

PS (esclarecimento): quero deixar claro que o que quero dizer com "não é para os outros, não é para mais ninguém, senão para os dois juntos" não é, também, condicionar o exercício dessa liberdade ao âmbito restrito de um casal. mas sim que ela se reflete, sim, ao menos no meu caso - que é sobre o que posso falar - especialmente na relação. o que significa que exercitar essa liberdade não está vinculada a dedicar-se a outros em detrimento do parceiro (falo, especialmente, do medo que algumas pessoas têm do 'chifre', esse grande e assustador fenômeno). exercitar esta liberdade significa abrir-se para o mundo, crescer: e, o que é ainda melhor, poder compartilhar com quem se ama tudo o que se aprende... e com isso, crescer junto.
lógico que isso tudo é muito lindo aqui, no papel virtual: na prática é difícil. mas é algo a que me proponho, como um exercício cotidiano e consciente.

11 junho 2008

Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos...

A vida é mais gostosa e feliz quando a gente está cercado de pessoas com quem podemos trocar, que nos acrescentam e a quem, esperamos, acrescentamos também, algo de bom.
Hoje vou encontrar duas dessas pessoas.
Mesmo no meio da loucura da correção de provas, estou me organizando pra poder encontrá-las e usufruir de suas companhias tão leves e agradáveis.
O amor, em suas formas mais amplas, da amizade à paixão, é mesmo o que me faz estar bem.

Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, sem amor eu nada seria.

09 junho 2008

Emilianas na net - a audiência cresce!!!

hmmm, acho que estou ficando popular

primeiro, a Rosana Hermann em seu Querido Leitor me linkou, indicando meu post sobre o Mais Você - o programa utilizou na abertura, sem dar o crédito, um texto do Rubem Alves. Valeu, Rosana!!!

agora, Eduardo Marcondes, editor do Ctrl+Alt+Del ALL TV me citou em sua reportagem sobre a Geração da internet, creio que inspirado pelo livro recém lançado " The Dumbest Generation: How the Digital Age Stupefies Young Americans and Jeopardizes Our Future (Or, Don't Trust Anyone Under 30)". Por sorte, eu já tenho mais de 30 (ufa!!). Valeu, Eduardo!!!

logo, logo, alguém vai me descobrir e publicar o meu blog e eu vou ganhar milhões. lórrrrico.
enquanto isso não acontece, preciso trabalhar para pagar as contas. tá tarde, e eu to cansada. fui.

Uma outra viagem

Outro dia termino de contar sobre Buenos Aires.
Bons ares também respirei fundo esses dias em Gonçalves, MG.



Um pequeno pedacinho de paraíso escondido entre colinas. À noite, céu salpicado de estrelas, ou bolas brilhantes vistas pelos meus olhos míopes, e uma lua crescente iluminada. De dia, um azul forte e cristalino. Água gelada, revigorante, viva.
Clichê? Puro clichê, e no entanto, ao mesmo tempo a pura vivência, intensa, de um momento de aconchego e intimidade.



Sem energia elétrica, só é possível fazer tudo no seu tempo, com calma e certo planejamento.
O fogo tem seu tempo. É preciso queimar lentamente a lenha pra aquecer a casa... tempo suficiente para aquecer também os corações, afinar a sintonia.
Acostumar-se, acalmar-se, respirar e sentir.
Os corpos se aquecem com o fogo, a comida quente, o chá de folhas frescas, o vinho, o azeite, o perfume do alecrim. Os corpos se aquecem com as conversas gostosas na beira do fogão a lenha.
Simples assim.

05 junho 2008

Indecisão

“Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que deveria querer outra coisa” – Adriana Falcão

(segundo consta na revista Vida Simples de Junho).

adorei essa frase desde a primeira vez que a li, e não tinha conseguido encontrá-la exatamente e nem a sua autoria. hoje, lendo a revista, estava lá.
curiosamente, hoje tive que tomar uma decisão. aliás, dias atrás também.
nos dois casos, uma decisão profissional e outra pessoal, desde o início eu já sabia exatamente o que minha intuição me dizia para fazer. não vá, dizia, profissionalmente, vá, dizia, pessoalmente.
há alguns anos venho batendo a cabeça tomando decisões profissionais que vão contra a minha intuição.
esse ano resolvi que vou fazer tudo diferente. e, pela primeira vez, tomei uma decisão profissional baseada na minha intuição. e não fui.
'confie na abundância', me disse uma amiga.
estou confiante. e até agora, posso assegurar, ela não tem me decepcionado.

01 junho 2008

Chove lá fora, mas aqui, ufa, não está frio.
Está quente, quieto, calmo. Protegido.
Hoje foi simplesmente um dia em que fiquei quieta, comigo.
As cólicas me fizeram dormir bem mais que o previsto: faltei ao curso, acordei muito tarde, comi, tomei um remédio e voltei a dormir. Até às 18h...
Acordei, e não tive pique para fazer muito...
Deu pra fazer a unha, e depois fazer um macarrão porque a fome era grande. Enquanto assisti o último capítulo da novela das 8 e chorei em uma ou outra cena.
Um prato de fuzzili com frango e ‘molho branco’, duas taças de vinho tinto e um filmezinho americano romantiquinho em que mais uma vez a princesa (leia-se filhadopresidentedosestadosunidos) se apaixona pelo plebeu (leia-se agente da CIA), e cá estou.
Tomei um banho perfumado – eu finalmente entendo o negócio do banho perfumado. É realmente muito gostoso, a água quente bate no seu corpo e sobe aquele cheiro delicioso, e vc sabe que aquele cheiro bom vai ficar no seu corpo também, e se sente ótima.
Cá estou, e lá fora chove, faz frio e vento, e eu estou aqui protegida.
E um pouco triste, e um pouco feliz.

Último dia em Bons Ares

No último dia acordamos tarde (de novo!) e fomos a um grande Parque, tipo o Ibirapuera de Buenos Aires, Parque 3 de Frebrero, mas que tem junto Jardim Zoológico e Jardim Botânico.


Passeamos no Jardim Botânico e depois entramos num Roseiral, muito legal, com várias rosas bonitas...


e um lago com gansos e patos, e a Família Ganso : papai, mamãe e filhinhos gansos fofos.

De lá fomos almoçar em San Telmo... Mas San Telmo merece um post à parte.

Ah, vale uma ida ao Parque. É bem bonito. E cheio de gatos. Muitos, muitos gatos.

27 maio 2008

La noche

Acho que não curtimos a noite porteña como poderíamos. Mas td bem, não se pode fazer tudo. Em nossa terceira noite na cidade, fomos à Plaza Francia, na Recoleta, onde havíamos lido que havia barzinhos. Ledo engano, deveríamos ter ido de novo a Palermo Viejo.
Ali contornando o Cemitério da Recoleta tem um monte de barzinhos, mas não muito esse esquema de bar aqui de Sampa. A sensação que tive, pelo menos a partir do que eu vi na Recoleta, é que em BAs há dois tipos de local: restaurantes ou baladas. O tipo barzinho que a gente tem aqui, que fica simplesmente lotado de gente e ponto, não vi lá. Mas talvez fosse em Palermo, não sei.
Depois de andar bastante, contornando a lateral do Cemitério e olhando os barzinhos, sentamos em um boteco ali e pedimos uma Quilmes.
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Ah, um parêntesis interessante: espalhados pela cidade inteira tem os tais 'kioskos' ou 'maxikioskos', que são vendinhas que têm todo tipo de porcaria: coca cola, salgadinhos, bolachas, chocolates etc. Pela quantidade deles, daria pra imaginar todos os porteños gordos de tanto comer porcaria. Mas como a cidade é plana, devem andar bastante. Ainda não entendi qual é a dos 'kioskos'. Fica pra próxima.
Outra coisa interessante: os cafés. Praticamente um em cada esquina. O tanto de padaria que temos aqui, eles têm de cafés. E o detalhe é que não vi padarias. Isso me intrigou: será que os porteños só tomam café da manhã no café? Onde compram o pão para tomar café em casa?
Perguntei a um taxista: onde se toma o 'desayuno'? Em casa? No café? O taxista me respondeu: uns em casa, uns no café. E onde compram os pães, perguntei? Na 'paneteria', ele respondeu (uma coisa óbvia!!!). Eles têm padarias e confeitarias, mas não é nada como aqui. Engraçado.
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Enquanto tomávamos a Quilmes, ficamos olhando o povo passar. Engraçado, parece que todo mundo é moderno. A mulherada usa tênis All Star, calça skinny (parece que ninguém tem coxa grossa), ou bota baixinha, pra fora da calça, cabelos lisos (praticamente não vi encaracolados - embora tenham tido muita imigração italiana, aparentemente os italianos de cabelo enrolado não foram pra lá, e não têm negros misturados com brancos, como temos no Brasil, o que explica em parte a ausência do encaracolado) ou ondulados. Enfim, todos modernos, com cabelos cuidadosamente desarrumados e displicentemente presos. Isso explica por que a feirinha em Palermo bomba no Sábado.
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Última observação sobre a Recoleta: nesse mesmo quarteirão contornando o Cemitério tem um mega cinema, com uma livraria embaixo - tem bastante livraria na cidade, algumas pequenas e fofas, outras maiores, mas sempre aconchegantes - parece com um cinemark, tem umas 7 salas, vc vai subindo escadas rolantes, aquele acarpetado tipo cinemark, cheio de cartazes... mas o que mais me impressionou foi que têm sessões começando à 1, 2 da manhã. Muito louco! Eu quis encarar um Indiana Jones com legendas em castellano, mas meu irmão não topou :(

Terceiro dia

No terceiro dia fomos às compras: eu e o Linus fomos à Calle Murillo para ver as lojas que vendem roupas de couro. Lá só tem roupas, não calçados. São duas dúzias de lojas de roupas de couro, uma ao lado da outra. Mas os preços não variaram muito, e acabamos comprando na primeira loja em que entramos, que havia sido indicada também pela Marixx (ou melhor, por um amigo dela). A loja se chama Siciliano, fica na Calle Murillo, n° 676, dá Nota Fiscal e dá o documento para vc obter o reembolso do IVA. Bom preço, valeu a ida até lá. Ah, o nome da jaqueta de couro lá é 'campera'.
Na hora do almoço fomos ao bairro de Palermo: é simplesmente de enlouquecer. Imagine uma feirinha do Center 3, na Paulista, vezes 10. Imagine dezenas de lojinhas de estilistas jovens e criativos com milhares de roupas exclusivas a ótimo preço. Isso é Palermo Soho, a parte 'muderrrna' de Palermo. Aliás, parece que todos os jovens porteños são muderrrnos. Mas sobre isso escrevo depois.
A única coisa que comprei em Palermo foi um charmoso bonezinho, mas poderia ter comprado muito mais. Me arrependo muito de não ter comprado um casaquinho preto de bolinhas vermelhas reversível. Muito. Mas não deu, não tinha clima, novamente nesse dia tive alguns rápidos estresses com minha mãe e meu pai simplesmente odeia esse clima de comprar, odeia feirinhas, então não tem clima para comprar.
O bom de Palermo foi o restaurante. Circulamos pelo bairro um pouco antes dos meus pais nos encontrarem para o almoço - eles tinham ido fazer o tradicional 'city tour' de manhã, que nós pulamos. Eu procurei um lugar legal para almoçarmos e achei: um restaurante de comida típica do Norte da Argentina: empanadas, cozidos, parrilla (claro!) e o mais legal: carne de 'llama' (lhama) e carne de yacaré.
Chama-se La Paila.
Para não radicalizar total nossos estômagos sensíveis, não pedimos llama + yacaré, pedimos empanadas, um 'chorizo' e o prato de carne de llama, que se chama 'charquican'. Quando chegou, não resisti e tirei uma foto:

Trata-se de carne de llama desfiada e temperada e misturada com quinoa, dentro de um pão absolutamente redondo e com a casquinha dura. Era muito gostoso!!!
De sobremesa, uma ambrosia sensacional e muito diferente das que estamos acostumados a comer aqui. Maravilhosa!
E o melhor de tudo: não tinha brasileiros no restaurante. Gosto de lugares freqüentados por locais: me sinto mais integrada à cultura do que num restaurante onde só ouço português nas mesas em volta - como aconteceu, por exemplo, no La Caballeriza (ver post abaixo).
Pra encerrar o dia, fomos ao MALBA ver uma exposição chamada Tarsila Viajera, com quadros e desenhos da Tarsila emprestados de vários museus e colecionadores, e também com o 'Abaporu' - lembram o bafafá que foi na imprensa quando Eduardo Constantini o comprou?
Estava lá também 'Operários', que pertence ao Governo do Estado de São Paulo, e muitas outras obras famosas dela ('Manacá', 'EFCB', 'Paisagem com Touro', 'São Paulo', 'Sol Poente', 'A Família', nossa, MUITAS obras lindas!) e muitos desenhos.
Vimos tambem uma exposição da Arte LatinoAmericana, do acervo do museu.
No MALBA ainda tem um cinema e um café delicioso, que serve algumas refeições também. Bebi um chá preto com notas de melão e mel que era simplesmente ma-ra-vi-lho-so.

Il secondo giorno - o título é em italiano mas a viagem foi em portunhol

O nosso segundo dia foi na verdade o primeiro; um dia de adaptação. O que é uma pena, porque se vc só tem três dias na cidade, não quer gastar o primeiro se adaptando.
Minha mãe não estava bem, anda com umas tonturas. Além disso, começamos o dia com uma agradável discussão sobre o dinheiro - tema que sempre gerou conflitos na minha família. Ela não estava bem e eu estava pelas tampas, e me irritei bastante com a insinuação de que eu 'não queria prestar contas' do dinheiro que tinha pego na noite anterior. Enfim... família.
Pela manhã fomos caminhar: eu, o Linus e o papi, andamos até Puerto Madero. Caminhamos bastante!!!
Visitamos o museu Fragata Sarmiento, muito interessante, com tudo preservado. Gostei bastante.

(foto tirada da fragata: vista de Puerto Madero)
Depois almoçamos no La Caballeriza.
À noite fomos ao show de tango no Café Tortoni, muito interessante. Parece com a Confeitaria Colombo. Deu vontade de voltar lá pra tomar um café em grande estilo.
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Achei a cidade de Buenos Aires parecida com o Rio de Janeiro.
O centro da cidade, ali aquela região da Recoleta, avenidas largas, prédios imponentes, a proximidade com o mar, lembra muito o centro do Rio de Janeiro...
E a cidade toda, realmente, é bem européia, em sua arquitetura: além dos grandes prédios estilo francês, tanto no centro quanto na periferia, os prédios residenciais são, em geral, baixinhos, quase todos têm sacada, bem estilo italiano.
No centro, também é como no Rio: os prédios têm pequenos negócios e galerias embaixo dos prédios.

26 maio 2008

Relato de viagem - post viaggio

Pra começar - chegamos no dia 22 em Buenos Aires.... e perdemos o primeiro dia de viagem. Se vc tem pouco tempo, recomendo fortemente que não chegue na cidade após o almoço. Nosso vôo chegou por volta das 16h30. Até pegar as malas, etc, esperar o transfer... pegamos um puta trânsito! A cidade realmente tem trânsito pesado, apesar das largas avenidas. E o nosso hotel ficava no centro. Resultado: chegamos lá por volta das 19h, bastante cansados. Só foi possível sair pra jantar.
Nesse dia, seguimos a dica do amigo do Linus e fomos a um restaurante italiano ali perto do hotel, chamado Broccolino.

Lotado de brasileiros, claro. Como quase todos os lugares. Os funcionários das lojas e restaurantes já estão aprendendo a falar português.

Lá no Broccolino eles fazem algumas das massas (comi um tagliarini verde feito lá, massa fresca, muito bom) e fazem os pãezinhos do 'cubierto'. Tinha um pãozinho de queijo... hmmmmmm....
Nesse mesmo primeiro dia (ou primeira noite) eu fui ao supermercado que tinha do outro lado da rua - comandando por coreanos, quase nunca fechava, incrível, acho que abria lá pelas 7 e fechava mais de meia-noite - e comprei umas bolachinhas folheadas e caramelizadas (Hojalmar) que eu adoro e aqui são meio carinhas.
Uma vez mochileira, sempre mochileira: não consigo pagar $6,00 - seja qual for a moeda - por uma garrafinha de água mineral de 500 ml. Assim, comprei também água - uma garrafa de 1,5l por menos de $3,00 - e suquinhos.
A água mineral de lá, por sinal, é muito gostosa. A marca onipresente é Villavicencio. Gostei.

25 maio 2008

Notas para posts - relato de viagem

- Uma aula-show de tango muito interessante na Plaza ... (nao me lembro o nome agora), em San Telmo
- lindas caixas e outros trabalhos de arte numa loja em San Telmo - darei os endereços depois - meu regalo de viagem, para minha casa
- crianças indias vendendo florzinhas na noite porteña - como na Vl Madalena
- serao os jovens argentinos todos indies??? as brasileiras usam botas de couro, as argentinas, cabelos (lisos ou levemente ondulados - praticamente nao vi cacheados) displicentemente propositadamente arrumados, jeans e o onipresente tênis tipo all star, de lona, baixinhos
- restaurante de comida tipica do norte da argentina - em Palermo - acho que a carne de llama nao me caiu muito bem. mas era bom.
- restaurante em San Telmo - nao os recomendados, que estavam simplesmente lotados e com muita fila, mas um logo na frente, boa comida, atendimento excelente
- fomos muito bem atendidos sempre. os argentinos sao atenciosos e simpaticos
- menos os taxistas. em geral parecem que nao gostam de nos- mas demos sorte com um ou dois
- metro parece um bonde - depois conto mais.

há mais notas, mas o tempo internet no hotel está acabando. ainda tenho uma jam de contact para ir hoje, antes de voltar pra Sampa.

24 maio 2008

Hablando portuñol

Odeeeio ir pra um lugar e nao saber sequer dizer as frases mais basicas como as relacionadas à comida, bebida, informaçoes etc. (este teclado é em espanhol, ainda nao consegui localizar o til... acho que nao tem)
Cheguei em Buenos Aires na quinta final da tarde e toda vez que tenho que falar com os porteños me sinto uma impostora.
Creio que hoje eles devem estar com a sensaçao que nós tínhamos há 20 anos quando hordas de argentinos invadiam as praias de Santa Catarina: isso mesmo, uma invasao. Aqui no hotel só se fala português. Em algumas lojas aqui perto (estou numa rua que tem vários hotéis perto), alguns vendedores falam português. É realmente uma invasao.
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A cidade é muito agradável mesmo.
Ontem fomos ao tradicional show de tango, no Café Tortoni, indicado pela Marixx, e foi realmente muito legal. Começava com um teatrinho e depois passava para um tango mais "sério"; o café lembra a Confeitaria Colombo e o show é bonitinho, engraçado; um cantor realmente encantador, simpático.
*******************************
Meu tempo está acabando, depois conto mais. Hoje já comprei a tradicional jaqueta de couro e fui à feirinha de Palermo, mas é simplesmente muito pouco tempo para tudo, e estou com meus pais, o que significa administrar muitas coisas e usar de muita paciência - que tem me faltado bastante, infelizmente.

Só nao ponho as fotos hoje porque preciso descarregar do celular.

14 maio 2008

É

acho que a minha depressão acabou, ou pelo menos ela vai ter menos tempo agora pra tentar me derrubar
tudo resolveu acontecer ao mesmo tempo agora
abriu um concurso de professores na PUC e meu 'chefe' me mandou prestar; todos adoraram o meu projeto e me deram várias sugestões; todos estão gostando da minha dissertação; consegui a vaga no curso de formação de educadores; vou continuar dando aulas em Campinas; tenho que estudar pra Defensoria
é isso aí
e mais uma vez agradeço ao São Jaime pelas agulhas milagrosas
e aos amigos pelo apoio

De novo

Esta noite sonhei, novamente, que estava querendo mandar embora alguma coisa que não me agrada em mim.
No sonho, uma amiga me dizia que ia sair e que iria deixar uma outra amiga trancada dentro do quarto até ela voltar e que não era pra eu destrancar. Aquilo me incomodava, a amiga presa começava a me ligar no celular, tinha tipo 70 chamadas não atendidas, e quando eu ia ligar pra amiga que saiu pra dizer a ela: vc não pode fazer isso, é crime, cárcere privado, o sonho acabou, eu acordei, sei lá.

Ora, pelo pouco que pude aprender de interpretação de sonhos depois de 06 anos de terapia junguiana (um dia ainda faço um curso!!!), no sonho as pessoas representam características suas que vc gosta ou não gosta.

Será que eu quero que essas características dessa pessoa presa (confusa? lenta? deprimida!!! tudo muito complicado... tudo difícil...) fiquem presas? Não seria melhor simplesmente deixá-la(s) ir embora, em vez de ficar prendendo?

Mas e a amiga que está mandando prender? Não estou certa sobre o que ela representa dentro de mim nesse sonho, porque é uma pessoa complexa!!! Que me ajudou e me ajuda tanto! Que sempre desperta o bom em mim... e me valoriza muito! Somos parecidas... tanto nas qualidades quanto nos defeitos.

Preciso pensar.

Só sei de uma coisa: acabei de conseguir dar o start num projeto que eu estou afins de fazer desde o final do ano passado. Ok, são 2 da manhã e amanhã vou acordar pau da vida atrasada pra aula da PUC. F%$#-se. Consegui dar o start no projeto. Escrevi a ementa básica do curso e agora vou mandar pro comitê gestor para começarmos a discutir. Meu primeiro projeto!!! Meu! Minha idéia! Meu curso! :D

E hoje fui na academia, malhei bastante, voltei pra casa cheia de energia! Passei no conserto pra pegar minha calça nova (ai, ai, segura a mulher... to gastando... tá dificil - mas eu precisava, não tinha nenhuma calça preta pra usar pra pegar um cinema, sair. só tinha uma social de vinco - eca!!! odeio vinco!!! só pra trabalhar!!! - ou uma de shantung pantalona, mas shantung é shantung e não algodão, né? não tinha nada básico) e comprei um shampoo que o meu estava acabando. E dei o start pra ver minha previdência privada. E fiz o termo de doação da minha HP velha pras Casas André Luiz. E organizei umas coisas no arquivo. E descobri que vai ter concurso pra Defensoria. E tomei uma decisão: vou estudar pro concurso. Vou começar a estudar semana que vem, que esta já não dá mais tempo.

E fiz minha inscrição num curso muito legal de formação de educadores sociais, aos sábados. Começa nesse agora! Para aprender o que é o método Paulo Freire. Vamos ver se me aceitam, é gratuito, mas seria DEZ pra minha carreira!!

Amanhã vou pra PUC, depois na acupuntura (mais energia!!!) e depois fazer umas coisas chatinhas como ir até a p&%$# do Fórum de Santo Amaro levar uma petição pra ver se sai uma graninha de um processo.

E ainda tenho que preparar a aula de sexta amanhã e na quinta a outra aula de sexta.

Ufa! acho que estou conseguindo me reerguer! :D Será que era isso que significava o sonho??? Não vou atender o celular pra essa depressão sem graça que fica achando tudo difícil!!! Mesmo que ela me faça 70 chamadas!!! Tenho várias coisas paradas: vários artigos para serem escritos, minha dissertação - ver se publico, esse projeto, estudar francês, fazer teatro, estudar mais italiano, estudar espanhol (vamos pra Buenos Aires semana que vem e o único da família que habla un poquito é o Linus... eu não hablo nada!!!)... ok, quase tudo, exceto os artigos e a dissertação e o projeto, custa dinheiro. Mas são projetos, quero realizá-los!

Então, é isso! mãos à obra! :D

13 maio 2008

Post emprestado

Terceiro Elemento

"Acabei de ver no jornal a notícia da reconstituição da morte que mais se fala no Brasil. Segundo os peritos, para que a versão defendida pelos advogados do casal fosse válida, a terceira pessoa envolvida teria cerca de 4 minutos para invadir o prédio, abrir aporta do apartamento sem arrombá-la, esganar a menina (por 3 minutos), cortar a tela, jogar a garota, limpar o sangue, botar a fralda de molho, fechar a porta e fugir do prédio.
Não sei quem os advogados de defesa pensam em acusar agora mas, se eu fosse o Robson Caetano, começaria a pensar no meu álibi."

Marcolito, esse post tá tão bom que não resisti.
Vejam o original e outras pérolas desse talentoso redator no Blog do Pernil e também no Versão Portuguesa.

Nós somos filhos dos nossos pais

'Spanglish', filme do mesmo diretor de ‘As good as it gets’ (Melhor é impossível), filme que tinha Jack Nicholson no elenco. Que fez também ‘Something’s gotta give’ (Alguém tem que ceder), com Diane Keaton (que deve ser a única atriz americana que não se encheu de botox), que fez Minha mãe quer que eu case (‘Because I said so’). Eu assisti todos esses, sendo Minha mãe... hoje, coincidentemente com minha mãe ao lado, e depois ‘Spanglish’ (Spanglês), sozinha, logo em seguida. Já falei que adoro cinema?

Sei que meus comentários sobre cinema são quase sempre óbvios e rasos. Em ‘Estômago’, por exemplo, nem saquei (como me disse um amigo mais entendido) que o roteiro era ‘muito didático’ e podia dispensar certas explicações de gírias de cadeia que, desde ‘Carandiru’ e ‘O Prisioneiro da Grade de Ferro’, todo mundo já sabe (‘Maria louca’, por ex)... era de fato dispensável, mas, sei lá, não me alcançam certas coisas. Gosto de bom cinema: boa diversão, bons atores, bons roteiros, bons diretores. Não chego nesse detalhe e nem sei mais do que me é intuitivo pra dizer se um roteiro é bom ou não.

Portanto, não vou fazer um comentário profundo sobre 'Spanglish', vou me limitar a dizer sobre a última frase dita por Cristina, a espertíssima filha de Florrrr, personagem da linda Paz Vega: 'Eu sou filha da minha mãe'.

Já dizia o Belchior, lindamente cantado pela Elis, que ‘ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais’: eu demorei pra entender o significado desta música, mas quando finalmente entendi, certas fichas caíram. Hoje, vejo cada vez mais como somos mesmo filhos de nossos pais. Podemos tentar minimizar os defeitos (esperamos que sim!!!) que nos incomodam mais, e desenvolver as qualidades que mais nos agradam. Mas eu sou filha de minha mãe e de meu pai. E acho que comos pais (eu, que ainda não sou mãe), temos que ter esta consciência também, para o bem ou para o mal.

Sempre digo para os meus pais que se eu gosto de trabalhar na área social ‘a culpa é deles’. Quem mandou me dar uma formação humanista? Quem mandou me ensinar a respeitar o próximo? Quem mandou me ensinar a amar a natureza? Risos

Lógico que, depois que a gente passa da fase de culpar os nossos pais, percebe que tem autonomia para mudar... certas coisas! Há características que não se pode mudar. Somos filhos dos nossos pais! E temos que nos aceitar como somos, nos amar e perdoar nossos próprios erros. Não sermos tão exigentes conosco mesmos, e nem auto-indulgentes, mas buscar não errar sempre os mesmos erros.

Ok, isso é um forte clichê de auto-ajuda, é sim... mas em certos momentos, nada como a sabedoria oriental (compaixão pelos seres senscientes, como diria o Dalai-Lama) para nos ajudar a erguer a cabeça e enfrentar a pequenez do cotidiano.