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01 setembro 2008

Mulheres

Vi agorinha uma entrevista da Luana Piovani naquele programa do João Doria Jr que passa domingo à noite, acho que na Rede TV.

Sempre fui com a cara dela, do mesmo jeito que vou com a cara da Ivete Sangalo. São mulheres mais ou menos da minha idade, bem resolvidas, que namoram, que transam, que gostam de se apaixonar, que gostam de viver, de dar risada, e que não são hipócritas, não ficam fingindo ser o que não são, cheias de papos pudicos tipo Eliana ou outras, são conscientes de sua beleza e sabem seduzir, mas sabem também que a vida vai muito além disso.

Enfim, gostei da entrevista dela (Luana). Achei uma pessoa sincera e apaixonada.

“Super me identifiquei”.

18 agosto 2008

Futebol

Primeira vez que vou a um estádio de futebol na minha vida ver jogo de futebol. Vou não, fui.
Só tinha ido uma outra vez a um estádio (Morumbi), para ver o show do U2, ano retrasado, acho, sei lá, aquele show que teve.
Fui com o Linus (obrigada pelo convite!!!! legal!), vimos Palmeiras e Coritiba, pelo Campeonato Brasileiro, no estádio do Palestra Itália. Foi bem legal!
Teve um gol, depois de muitos e muitos chutes do Palmeiras ao gol e nada de entrar a bola.

O que achei legal e/ou realmente engraçado:

- a torcida organizada é realmente legal. não fossem as pancadarias e mortes que acontecem de vez em quando... é pena que o povo perca a cabeça. dão um puta estímulo pro time, pulam, fazem coreografia com camisetas, cantam o tempo todo, tem o bumbo marcando a cantoria, realmente legal à beça. fora as bandeironas que eles desenrolam durante o jogo, legal demais aquilo. um dia vou ficar embaixo de uma bandeirona daquelas. é contagiante. dá vontade de pular da numerada pro meio da galera.

- as pessoas aproveitam e simplesmente passam o jogo inteiro xingando. é o momento de xingar o bandeira e o juiz de 'viado' e 'filho da puta'; por vezes, xingam certo, mas por outras simplesmente porque ele deu um cartão amarelo que tava certo mesmo, mas tem que xingar sempre, pra não perder o hábito. xinga o jogador também, de vez em quando. é sensacional. engraçadíssimo, e aí podemos até nos empolgar e mandar um 'filho da puta!' sem saber exatamente por quê. está dentro do contexto, então não tem problema.

- e, lógico, todo mundo dá instruções aos jogadores de como fazer, 'Abre, abre!!!', 'porra, desce Capixaba!!!', 'passa a bola!!', "vai pra cima!!", etc.

enfim, adorei a experiência e quero repetir. qualquer hora dessas vou com meu namorado E e os rebentos assistir um jogo do São Paulo. acho que as crianças, se já não tiverem ido, ou mesmo se já tiverem, vão gostar.

depois posto as fotos, agora está tarde e amanhã acordo bem cedo e passo o dia fazendo treinamento (leia-se, trabalhando de graça) pra um seminário no qual ainda não sei se vou trabalhar porque, depois de um ano de elaboração do projeto, meses para liberar o dinheiro, marcar as datas, selecionar os monitores, ainda não conseguiram resolver o ridículo problema de nomenclatura jurídica para decidir se podem pagar 'monitores', já que no regimento só tem verba de pagamento de docentes para 'palestras, seminários e congressos'. incompetência é o mínimo que eu posso dizer sobre.

04 agosto 2008

Seca de posts

Não é por falta de idéias, e sim por falta de tempo pra pensar sobre o que eu poderia, de fato, escrever.
Escrever sobre as dores e delícias de experimentar como é não pensar o tempo todo em mim mesma, o tempo todo fazer o que eu quero, na hora que eu quero. Sobre experimentar como é ter que prestar atenção no outro praticamente o tempo todo, e ter que aprender a administrar desejos e possibilidades, ensinar limites, estimular o lúdico.
Isso tem me consumido o tempo e energia que têm me faltado para simplesmente sentar aqui e postar.
Já estou postando, de fato.
Mas não tão a fins de descrever com detalhes a revolução pessoal que tenho vivido nos últimos tempos. O que posso dizer é que tudo está acontecendo com uma intensidade incrível, por vezes um pouco assustadora, mas muito gostosa.
De todo modo, ainda que com pouco tempo pra mim, mesmo assim posso dizer que estou aprendendo demais sobre mim ao ter que interagir, cuidar, observar outros.

Quanto mais cresço e amadureço, e aprendo, e conheço, mais eu quero. Quero ficar junto. Quero compartilhar, quero amar, quero viver, respirar, rir, chorar, brigar, fazer as pazes.

Duvidei muitas vezes que teria essa competência e que, um dia, seria capaz de estar realmente junto. Mas sou, sou capaz disso e de tantas coisas que estou praticamente, além de enamorada do meu amor, enamorada de mim mesma.

"- You make me want to be a better man.
-...That's maybe the best compliment of my life. "

16 julho 2008

Memórias

(acima, eu e meu irmão Linus embaixo de uma árvore que tinha no jardim. não sei as nossas idades nessa foto)

meu namorado tem dois filhos pequenos: uma menina de 06 e um menino de 3,5.
estou apenas começando a conhecê-los, o namorado e os filhos, mas os encontros que tive com os rebentos até agora têm me provocado, além da natural paúra de não agradar, um saudosismo somado à curiosidade de saber como eu era quando criança e mais uma vontade de trazer todos os meus livros e brinquedos para apresentar aos dois.
isso dito, digo também que fui visitar meus pais no interior segunda-feira com meu pai já determinada a olhar alguns livros, quem sabe emprestar uns para meu namorado ler pra eles... fui fuçar na estante que era de meu avô e que um dia herdarei. achei coisas interessantes de que não lembrava, como um livro sobre os Gnomos super legal e lindo, todo ilustrado (sempre gostei de literatura de ficção e histórias fantásticas: já devorei O senhor dos anéis - 3 vol - umas 3 vezes cada, o mesmo se diga com todos os livros do Monteiro Lobato do Sítio do Pica-pau Amarelo, A História sem Fim e outros mais, um dia falo sobre isso), que ao que parece já está esgotado e é meio item de colecionador, entre outros livros que li e reli na minha infância.
fui olhar as fotos também, de quando era pequena.
achei algumas fofas (quer dizer, selecionei só as fofas, ahahaha).
Vou publicando devagarzinho... a qualidade está ruim porque tirei fotos das fotos com o meu celular.

(eu e meu pai. acabáramos de mudar pra casa nova, onde eles moram até hoje. as portas-janela não são mais de madeira, e sim de ferro. mas continua sendo uma casa adorável. muito sol durante o dia, muito gostoso acordar e abrir a porta para o jardim... sinto tanta falta disso! se a foto foi na casa nova, eu devia ter uns 5 anos. Mudamos pra lá e logo o Linus nasceu. Ele é 3,5 anos mais novo que eu... fiz essas contas)

estou curtindo esse momento memória. quero mais.

10 julho 2008

Gonçalves, hora mágica


Magritte ficaria orgulhoso de mim.

Post emprestado

Tem muito a ver com o que penso, minhas dúvidas e medos..... por isso peguei emprestado.
O que eu desejo? não me fazer essa pergunta do título, e viver a minha vida de modo completo e presente. Difícil, por vezes, mas possível. Busco esses momentos possíveis.

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DULCE CRITELLI

(da Folha de SP, 10.07.08 - Equilíbrio)

Onde estive enquanto vivia minha vida?


Não existe forma mais clara de perceber a passagem do tempo do que encontrar pessoas que há muito não se via. Meninos que, agora, são pais e mães. Jovens pais e mães que, agora, são senhores e senhoras. Crianças, de quem a última memória é da chupeta na boca, falando dos seus trabalhos e dos seus projetos.
Um susto! Foi o que vivi no casamento da filha de uma prima, na semana passada. É claro que sei quantos anos tenho, marcados no meu registro de nascimento e na contabilidade dos calendários. Mas esse cálculo dos dias e dos anos está muito longe de qualquer experiência de tempo.
Há um contraste, na verdade, entre a percepção do envelhecimento e o sentimento de vida jovem que me habita. Estranho sempre que me chamam de senhora ou quando me vejo nos vídeos e nas fotografias. E estranho ainda mais quando os olhares sedutores que me alcançam vêm de alguém com mais de 50 anos.
Difícil, em circunstâncias como essas, não nos fazermos a pergunta angustiante sobre quanto tempo já vivemos e por quanto tempo ainda podemos durar. Porque o tempo a gente mede mesmo é com a própria vida. Existe tempo porque morremos e sabemos disso.
Alguns filósofos existenciais, como Heidegger, consideram a morte, essa companheira secreta da vida, nosso destino. "O homem é um ser para a morte", ele nos diz. Eu, no entanto, acredito que ela é apenas uma contingência, uma condição do nosso ser.
O espanto com o tempo já sido, já passado, deveria funcionar como um lembrete que nos tirasse da distração de que algum dia sairemos de cena. Deveria ser um estímulo para escolhermos como é melhor viver ou como emprestar à vida a nossa própria cara. Em outras palavras, como queremos gastar o tempo vivo, não que temos, mas que somos.
É o próprio Martin Heidegger quem afirma que o homem é um tempo que se esgota, que se emprega nisto ou naquilo, que se omite, que se retrai ou que se desperdiça.
Talvez, então, não seja só e, justamente, a passagem do tempo o que nos assombra, mas a possibilidade de termos empregado mal o tempo da nossa existência, que é única e irrepetível. O receio de termos gasto nosso tempo com o que pouco importava, com besteiras, com o que não era do nosso próprio interesse.
Esta é a maior inquietação em ver que o tempo passou: a percepção da inconsciência com que vivemos os acontecimentos da nossa vida e o medo de termos desperdiçado um tempo de ser, tão precioso.
Essa é, também, a razão de eu, muitas vezes, pensando no passado, perguntar-me: onde estive enquanto vivia a minha vida?


25 junho 2008

exercício X comida X bebida

Mi diz:
meu
Mi diz:
tá frio!
Mi diz:
eu ia na academia
Mi diz:
mas dormi
Mi diz:
e desencanei de ir depois de dormir
Mi diz:
troquei a academia por duas fatias de pão de aveia light com muita manteiga
M diz:
hahahaah
M diz:
e eu troquei a nataçao por 5 cervejas...
Mi diz:
e aquela sopinha dos japas
M diz:
hahaahahahah
Mi diz:
como é mesmo o nome? missoshiro
Mi diz:
e um chá anti-celulite
M diz:
isso me deu sede.
M diz:
vou abrir outra cerveja.

23 junho 2008

"Todos os elevadores que eu conheço são fêmeas"

Entrou correndo, atrasado, nove e quinze, droga, minha chefe vai me encher o saco.
Assim que a porta se fechou, ouviu uma voz familiar. Suave. Carinhosa.
- Bom dia, Fernando.
- Bom dia, respondeu.
- Atrasado, amor?
- É... acho que foi o banho, demorei um pouco mais, com esse frio, água quentinha...
Hm, pensou, que estranho, não tem ninguém no elevador.
- Está muito frio lá fora, meu amor?
- Nossa, tá congelando, uma garoa friiiia...
- Décimo andar. Sobe.
(...) Tchau, amor. Bom trabalho.

Achou que tava ficando doido.
Uma noite qualquer dessas teve que fazer serão (Relatórios da Corporate na minha mesa, sem falta, às 8h, heim Fernando!).
Lá pelas onze, exausto, trancou o escritório, balançou o braço pra acionar o sensor das luzes do hall, e chamou o elevador. Prédio vazio. Nenhum barulho, sem movimento.
- Décimo andar! Desce!
Quando entrou, sentiu algo estranho no ar. Um pressentimento. Uma lâmpada queimada.
Elevador meio entusiasmado esse...
Ali pela altura do sexto andar, o elevador parou.
- Boa noite, Fernando. Vamos pra casa? Ai, amor, eu estava com tanta saudade...

Duas horas depois, quando o guarda subiu pra fazer a ronda, notou, intrigado, que o terceiro elevador da esquerda pra direita, que tinha passado o dia quebrado, voltara a funcionar.
Quando a porta se abriu, tudo o que encontrou foi um cartão de crédito amassado, dois botões de camisa brancos, uma pequena mecha de cabelos de cor cinza, e duas lâmpadas quebradas.


***livremente inspirado na frase-título, de E. J. C.

Microcontos na caixinha

"Proposta indecente.

- Me chama de PUTA!
- Não dá, tô sem um tostão"

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Samir Mesquita fez 50 micro-contos numa caixinha de fósforo. Um deles é este aí em cima.

Dois Palitos é o nome do micro-livro.

Tem que entrar no site pra ver que legal que é. Temque.

Não vou contar senão perde a graça, entra lá: www.samirmesquita.com.br

ah: vi a dica no blog do Eric Rosa, Bigode Molhado.

16 junho 2008

Liberdade

acho que ultimamente as pessoas andam confundindo, nos relacionamentos, a liberdade com o individualismo e uma decorrente suposta incapacidade de se relacionar.
um amigo diz que somos uma geração de pessoas incapazes de se relacionar, de conviver.
eu discordo, sempre discordei dele e na verdade atribuo esses dizeres a uma fase pessimista de quem sofreu por amor e está, na verdade, com medo de tentar novamente. o que é ok, pode-se ter medo de qualquer coisa, só não vamos condenar todos os outros mortais ao insucesso no amor só porque estamos vendo o mundo meio cinza...
enfim, essa tal liberdade que todo mundo quer, eu acho que se confundem as coisas.
pra mim, a liberdade que o parceiro te dá é simplesmente a de poder conversar, expor o que se sente, criar e ousar.
todos precisamos de espaço e de tempo sós, de vez em quando. mas essa necessidade de espaço não precisa excluir o outro, ela cabe em uma relação.
na ânsia de uma liberdade total, nos tornamos dela prisioneiros: ela nos condena a essa incapacidade quase absoluta de se relacionar e de construir algo junto com o outro.
do modo como vejo as coisas, percebo que quanto mais livre estou, mais aumenta a minha capacidade de amar. quanto mais posso ousar, é com ele que eu vou ousar. quanto mais posso criar, é com ele que eu vou criar. não é para os outros, não é para mais ninguém, senão para os dois juntos.
a liberdade aumenta a confiança; não nos afasta: nos aproxima.
a metáfora da rede é boa, serve também para o amor: o que é uma boa rede? é uma rede que tem muitos nós. mas especialmente, cujos nós não são muito frouxos, porque senão ela se desfaz, não segura nada, nem muito apertados... porque se forem apertados demais, ela fica dura, rígida. e uma boa rede, seja ela de pescar ou de dormir, precisa ser maleável...
ser livre no amor não é não se comprometer, não é não ter laços... tampouco é se comprometer a ponto de não poder mudar de idéia.
eu acho que ser livre, no amor, é simplesmente o pacto de estar junto, de compartilhar, de conversar, com confiança e sinceridade. o resto se constrói no cotidiano.... e com o tempo.

PS (esclarecimento): quero deixar claro que o que quero dizer com "não é para os outros, não é para mais ninguém, senão para os dois juntos" não é, também, condicionar o exercício dessa liberdade ao âmbito restrito de um casal. mas sim que ela se reflete, sim, ao menos no meu caso - que é sobre o que posso falar - especialmente na relação. o que significa que exercitar essa liberdade não está vinculada a dedicar-se a outros em detrimento do parceiro (falo, especialmente, do medo que algumas pessoas têm do 'chifre', esse grande e assustador fenômeno). exercitar esta liberdade significa abrir-se para o mundo, crescer: e, o que é ainda melhor, poder compartilhar com quem se ama tudo o que se aprende... e com isso, crescer junto.
lógico que isso tudo é muito lindo aqui, no papel virtual: na prática é difícil. mas é algo a que me proponho, como um exercício cotidiano e consciente.

11 junho 2008

Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos...

A vida é mais gostosa e feliz quando a gente está cercado de pessoas com quem podemos trocar, que nos acrescentam e a quem, esperamos, acrescentamos também, algo de bom.
Hoje vou encontrar duas dessas pessoas.
Mesmo no meio da loucura da correção de provas, estou me organizando pra poder encontrá-las e usufruir de suas companhias tão leves e agradáveis.
O amor, em suas formas mais amplas, da amizade à paixão, é mesmo o que me faz estar bem.

Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, sem amor eu nada seria.

09 junho 2008

Emilianas na net - a audiência cresce!!!

hmmm, acho que estou ficando popular

primeiro, a Rosana Hermann em seu Querido Leitor me linkou, indicando meu post sobre o Mais Você - o programa utilizou na abertura, sem dar o crédito, um texto do Rubem Alves. Valeu, Rosana!!!

agora, Eduardo Marcondes, editor do Ctrl+Alt+Del ALL TV me citou em sua reportagem sobre a Geração da internet, creio que inspirado pelo livro recém lançado " The Dumbest Generation: How the Digital Age Stupefies Young Americans and Jeopardizes Our Future (Or, Don't Trust Anyone Under 30)". Por sorte, eu já tenho mais de 30 (ufa!!). Valeu, Eduardo!!!

logo, logo, alguém vai me descobrir e publicar o meu blog e eu vou ganhar milhões. lórrrrico.
enquanto isso não acontece, preciso trabalhar para pagar as contas. tá tarde, e eu to cansada. fui.

Uma outra viagem

Outro dia termino de contar sobre Buenos Aires.
Bons ares também respirei fundo esses dias em Gonçalves, MG.



Um pequeno pedacinho de paraíso escondido entre colinas. À noite, céu salpicado de estrelas, ou bolas brilhantes vistas pelos meus olhos míopes, e uma lua crescente iluminada. De dia, um azul forte e cristalino. Água gelada, revigorante, viva.
Clichê? Puro clichê, e no entanto, ao mesmo tempo a pura vivência, intensa, de um momento de aconchego e intimidade.



Sem energia elétrica, só é possível fazer tudo no seu tempo, com calma e certo planejamento.
O fogo tem seu tempo. É preciso queimar lentamente a lenha pra aquecer a casa... tempo suficiente para aquecer também os corações, afinar a sintonia.
Acostumar-se, acalmar-se, respirar e sentir.
Os corpos se aquecem com o fogo, a comida quente, o chá de folhas frescas, o vinho, o azeite, o perfume do alecrim. Os corpos se aquecem com as conversas gostosas na beira do fogão a lenha.
Simples assim.

05 junho 2008

Indecisão

“Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que deveria querer outra coisa” – Adriana Falcão

(segundo consta na revista Vida Simples de Junho).

adorei essa frase desde a primeira vez que a li, e não tinha conseguido encontrá-la exatamente e nem a sua autoria. hoje, lendo a revista, estava lá.
curiosamente, hoje tive que tomar uma decisão. aliás, dias atrás também.
nos dois casos, uma decisão profissional e outra pessoal, desde o início eu já sabia exatamente o que minha intuição me dizia para fazer. não vá, dizia, profissionalmente, vá, dizia, pessoalmente.
há alguns anos venho batendo a cabeça tomando decisões profissionais que vão contra a minha intuição.
esse ano resolvi que vou fazer tudo diferente. e, pela primeira vez, tomei uma decisão profissional baseada na minha intuição. e não fui.
'confie na abundância', me disse uma amiga.
estou confiante. e até agora, posso assegurar, ela não tem me decepcionado.

01 junho 2008

Chove lá fora, mas aqui, ufa, não está frio.
Está quente, quieto, calmo. Protegido.
Hoje foi simplesmente um dia em que fiquei quieta, comigo.
As cólicas me fizeram dormir bem mais que o previsto: faltei ao curso, acordei muito tarde, comi, tomei um remédio e voltei a dormir. Até às 18h...
Acordei, e não tive pique para fazer muito...
Deu pra fazer a unha, e depois fazer um macarrão porque a fome era grande. Enquanto assisti o último capítulo da novela das 8 e chorei em uma ou outra cena.
Um prato de fuzzili com frango e ‘molho branco’, duas taças de vinho tinto e um filmezinho americano romantiquinho em que mais uma vez a princesa (leia-se filhadopresidentedosestadosunidos) se apaixona pelo plebeu (leia-se agente da CIA), e cá estou.
Tomei um banho perfumado – eu finalmente entendo o negócio do banho perfumado. É realmente muito gostoso, a água quente bate no seu corpo e sobe aquele cheiro delicioso, e vc sabe que aquele cheiro bom vai ficar no seu corpo também, e se sente ótima.
Cá estou, e lá fora chove, faz frio e vento, e eu estou aqui protegida.
E um pouco triste, e um pouco feliz.

Último dia em Bons Ares

No último dia acordamos tarde (de novo!) e fomos a um grande Parque, tipo o Ibirapuera de Buenos Aires, Parque 3 de Frebrero, mas que tem junto Jardim Zoológico e Jardim Botânico.


Passeamos no Jardim Botânico e depois entramos num Roseiral, muito legal, com várias rosas bonitas...


e um lago com gansos e patos, e a Família Ganso : papai, mamãe e filhinhos gansos fofos.

De lá fomos almoçar em San Telmo... Mas San Telmo merece um post à parte.

Ah, vale uma ida ao Parque. É bem bonito. E cheio de gatos. Muitos, muitos gatos.

27 maio 2008

La noche

Acho que não curtimos a noite porteña como poderíamos. Mas td bem, não se pode fazer tudo. Em nossa terceira noite na cidade, fomos à Plaza Francia, na Recoleta, onde havíamos lido que havia barzinhos. Ledo engano, deveríamos ter ido de novo a Palermo Viejo.
Ali contornando o Cemitério da Recoleta tem um monte de barzinhos, mas não muito esse esquema de bar aqui de Sampa. A sensação que tive, pelo menos a partir do que eu vi na Recoleta, é que em BAs há dois tipos de local: restaurantes ou baladas. O tipo barzinho que a gente tem aqui, que fica simplesmente lotado de gente e ponto, não vi lá. Mas talvez fosse em Palermo, não sei.
Depois de andar bastante, contornando a lateral do Cemitério e olhando os barzinhos, sentamos em um boteco ali e pedimos uma Quilmes.
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Ah, um parêntesis interessante: espalhados pela cidade inteira tem os tais 'kioskos' ou 'maxikioskos', que são vendinhas que têm todo tipo de porcaria: coca cola, salgadinhos, bolachas, chocolates etc. Pela quantidade deles, daria pra imaginar todos os porteños gordos de tanto comer porcaria. Mas como a cidade é plana, devem andar bastante. Ainda não entendi qual é a dos 'kioskos'. Fica pra próxima.
Outra coisa interessante: os cafés. Praticamente um em cada esquina. O tanto de padaria que temos aqui, eles têm de cafés. E o detalhe é que não vi padarias. Isso me intrigou: será que os porteños só tomam café da manhã no café? Onde compram o pão para tomar café em casa?
Perguntei a um taxista: onde se toma o 'desayuno'? Em casa? No café? O taxista me respondeu: uns em casa, uns no café. E onde compram os pães, perguntei? Na 'paneteria', ele respondeu (uma coisa óbvia!!!). Eles têm padarias e confeitarias, mas não é nada como aqui. Engraçado.
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Enquanto tomávamos a Quilmes, ficamos olhando o povo passar. Engraçado, parece que todo mundo é moderno. A mulherada usa tênis All Star, calça skinny (parece que ninguém tem coxa grossa), ou bota baixinha, pra fora da calça, cabelos lisos (praticamente não vi encaracolados - embora tenham tido muita imigração italiana, aparentemente os italianos de cabelo enrolado não foram pra lá, e não têm negros misturados com brancos, como temos no Brasil, o que explica em parte a ausência do encaracolado) ou ondulados. Enfim, todos modernos, com cabelos cuidadosamente desarrumados e displicentemente presos. Isso explica por que a feirinha em Palermo bomba no Sábado.
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Última observação sobre a Recoleta: nesse mesmo quarteirão contornando o Cemitério tem um mega cinema, com uma livraria embaixo - tem bastante livraria na cidade, algumas pequenas e fofas, outras maiores, mas sempre aconchegantes - parece com um cinemark, tem umas 7 salas, vc vai subindo escadas rolantes, aquele acarpetado tipo cinemark, cheio de cartazes... mas o que mais me impressionou foi que têm sessões começando à 1, 2 da manhã. Muito louco! Eu quis encarar um Indiana Jones com legendas em castellano, mas meu irmão não topou :(

Terceiro dia

No terceiro dia fomos às compras: eu e o Linus fomos à Calle Murillo para ver as lojas que vendem roupas de couro. Lá só tem roupas, não calçados. São duas dúzias de lojas de roupas de couro, uma ao lado da outra. Mas os preços não variaram muito, e acabamos comprando na primeira loja em que entramos, que havia sido indicada também pela Marixx (ou melhor, por um amigo dela). A loja se chama Siciliano, fica na Calle Murillo, n° 676, dá Nota Fiscal e dá o documento para vc obter o reembolso do IVA. Bom preço, valeu a ida até lá. Ah, o nome da jaqueta de couro lá é 'campera'.
Na hora do almoço fomos ao bairro de Palermo: é simplesmente de enlouquecer. Imagine uma feirinha do Center 3, na Paulista, vezes 10. Imagine dezenas de lojinhas de estilistas jovens e criativos com milhares de roupas exclusivas a ótimo preço. Isso é Palermo Soho, a parte 'muderrrna' de Palermo. Aliás, parece que todos os jovens porteños são muderrrnos. Mas sobre isso escrevo depois.
A única coisa que comprei em Palermo foi um charmoso bonezinho, mas poderia ter comprado muito mais. Me arrependo muito de não ter comprado um casaquinho preto de bolinhas vermelhas reversível. Muito. Mas não deu, não tinha clima, novamente nesse dia tive alguns rápidos estresses com minha mãe e meu pai simplesmente odeia esse clima de comprar, odeia feirinhas, então não tem clima para comprar.
O bom de Palermo foi o restaurante. Circulamos pelo bairro um pouco antes dos meus pais nos encontrarem para o almoço - eles tinham ido fazer o tradicional 'city tour' de manhã, que nós pulamos. Eu procurei um lugar legal para almoçarmos e achei: um restaurante de comida típica do Norte da Argentina: empanadas, cozidos, parrilla (claro!) e o mais legal: carne de 'llama' (lhama) e carne de yacaré.
Chama-se La Paila.
Para não radicalizar total nossos estômagos sensíveis, não pedimos llama + yacaré, pedimos empanadas, um 'chorizo' e o prato de carne de llama, que se chama 'charquican'. Quando chegou, não resisti e tirei uma foto:

Trata-se de carne de llama desfiada e temperada e misturada com quinoa, dentro de um pão absolutamente redondo e com a casquinha dura. Era muito gostoso!!!
De sobremesa, uma ambrosia sensacional e muito diferente das que estamos acostumados a comer aqui. Maravilhosa!
E o melhor de tudo: não tinha brasileiros no restaurante. Gosto de lugares freqüentados por locais: me sinto mais integrada à cultura do que num restaurante onde só ouço português nas mesas em volta - como aconteceu, por exemplo, no La Caballeriza (ver post abaixo).
Pra encerrar o dia, fomos ao MALBA ver uma exposição chamada Tarsila Viajera, com quadros e desenhos da Tarsila emprestados de vários museus e colecionadores, e também com o 'Abaporu' - lembram o bafafá que foi na imprensa quando Eduardo Constantini o comprou?
Estava lá também 'Operários', que pertence ao Governo do Estado de São Paulo, e muitas outras obras famosas dela ('Manacá', 'EFCB', 'Paisagem com Touro', 'São Paulo', 'Sol Poente', 'A Família', nossa, MUITAS obras lindas!) e muitos desenhos.
Vimos tambem uma exposição da Arte LatinoAmericana, do acervo do museu.
No MALBA ainda tem um cinema e um café delicioso, que serve algumas refeições também. Bebi um chá preto com notas de melão e mel que era simplesmente ma-ra-vi-lho-so.

Il secondo giorno - o título é em italiano mas a viagem foi em portunhol

O nosso segundo dia foi na verdade o primeiro; um dia de adaptação. O que é uma pena, porque se vc só tem três dias na cidade, não quer gastar o primeiro se adaptando.
Minha mãe não estava bem, anda com umas tonturas. Além disso, começamos o dia com uma agradável discussão sobre o dinheiro - tema que sempre gerou conflitos na minha família. Ela não estava bem e eu estava pelas tampas, e me irritei bastante com a insinuação de que eu 'não queria prestar contas' do dinheiro que tinha pego na noite anterior. Enfim... família.
Pela manhã fomos caminhar: eu, o Linus e o papi, andamos até Puerto Madero. Caminhamos bastante!!!
Visitamos o museu Fragata Sarmiento, muito interessante, com tudo preservado. Gostei bastante.

(foto tirada da fragata: vista de Puerto Madero)
Depois almoçamos no La Caballeriza.
À noite fomos ao show de tango no Café Tortoni, muito interessante. Parece com a Confeitaria Colombo. Deu vontade de voltar lá pra tomar um café em grande estilo.
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Achei a cidade de Buenos Aires parecida com o Rio de Janeiro.
O centro da cidade, ali aquela região da Recoleta, avenidas largas, prédios imponentes, a proximidade com o mar, lembra muito o centro do Rio de Janeiro...
E a cidade toda, realmente, é bem européia, em sua arquitetura: além dos grandes prédios estilo francês, tanto no centro quanto na periferia, os prédios residenciais são, em geral, baixinhos, quase todos têm sacada, bem estilo italiano.
No centro, também é como no Rio: os prédios têm pequenos negócios e galerias embaixo dos prédios.

26 maio 2008

Relato de viagem - post viaggio

Pra começar - chegamos no dia 22 em Buenos Aires.... e perdemos o primeiro dia de viagem. Se vc tem pouco tempo, recomendo fortemente que não chegue na cidade após o almoço. Nosso vôo chegou por volta das 16h30. Até pegar as malas, etc, esperar o transfer... pegamos um puta trânsito! A cidade realmente tem trânsito pesado, apesar das largas avenidas. E o nosso hotel ficava no centro. Resultado: chegamos lá por volta das 19h, bastante cansados. Só foi possível sair pra jantar.
Nesse dia, seguimos a dica do amigo do Linus e fomos a um restaurante italiano ali perto do hotel, chamado Broccolino.

Lotado de brasileiros, claro. Como quase todos os lugares. Os funcionários das lojas e restaurantes já estão aprendendo a falar português.

Lá no Broccolino eles fazem algumas das massas (comi um tagliarini verde feito lá, massa fresca, muito bom) e fazem os pãezinhos do 'cubierto'. Tinha um pãozinho de queijo... hmmmmmm....
Nesse mesmo primeiro dia (ou primeira noite) eu fui ao supermercado que tinha do outro lado da rua - comandando por coreanos, quase nunca fechava, incrível, acho que abria lá pelas 7 e fechava mais de meia-noite - e comprei umas bolachinhas folheadas e caramelizadas (Hojalmar) que eu adoro e aqui são meio carinhas.
Uma vez mochileira, sempre mochileira: não consigo pagar $6,00 - seja qual for a moeda - por uma garrafinha de água mineral de 500 ml. Assim, comprei também água - uma garrafa de 1,5l por menos de $3,00 - e suquinhos.
A água mineral de lá, por sinal, é muito gostosa. A marca onipresente é Villavicencio. Gostei.