22 setembro 2008
duas cachorronas e o gato: lições sobre o aprendizado na infância canina ou o poder das mães
Não gostei de nenhum dos títulos que eu coloquei nesse post, mas tô sem imaginação pra pensar em outro.
Ao post, pois:
Meu namorado tem duas cachorras grandonas. Não vou dizer o nome delas porque ele não quer ser identificado, então vamos chamá-las de G e L.
G é uma collie matrona, bastante fora de forma. Uma fofa, está quase sempre dormindo. Sossegadíssima. As crianças montam em cima dela, pegam a pata, pegam o rabo, fazem gato e sapato e ela com aquele olhar pláááácido, suuuuuuuuuussa pra caramba... Até tentei iniciar um programa intensivo de treinamento com ela, vez que nós duas precisamos emagrecer, mas G sentou-se após menos de 10 minutos de caminhada... e ao longo do percurso se deitou umas 4 vezes para descansar (isso porque fomos pertinho).
G é isso aí, uma cachorra fofa, tranquila, amável e preguiçosa.
G é um ou dois anos mais velha que L, e praticamente foi mãe e educadora de L.
L é uma pastor alemão brincalhona e, ouso dizer, talvez hiperativa. Uma meninona crescida, é louca pra fazer brincadeiras tipo morder a mão. Eu adoraria brincar com ela de lutinha e de morder a mão como faço com o Xulão, só que o Xu tem uns 30 cm de altura por meio metro de comprimento (será isso? to sem uma fita aqui pra medir) e L tem, sei lá, um metro de altura por sabe-se lá quanto de comprimento e uns dentões. É engraçadona, tens uns patões que ela fica patinando na entrada da cozinha, louca pra entrar na casa. E late muito e com cara de brava pra todo mundo que chega e é estranho. E faz uma festa doooooida para o meu namorado quando ele chega. (e de uns tempos pra cá faz festa pra mim também :D - deve ser porque comprei pra elas o último saco de ração.)
G late junto com L algumas vezes, mas em geral quem domina a parada e vai correndo primeirona pro portão é L.
Feitas todas essas introduções explicativas, passo a contar uma historieta:
Outro dia eu estava vendo meu namorado pintar na área de fora da casa, nos fundos; aos nossos pés encontrava-se, deitada, L. G estava deitada na áreazinha da frente da casa.
De repente, ouvi um miado de gato, aliás, mais de um, daqueles de gato apanhando ou sei lá eu o que: MIIIIIIIIRRRWWWWWW!!!!!!! (não sei fazer som de gato).
G (essa é a collie matrona) imediatamente foi pro portão e começou a latir. L (a pastor doidona) se levantou, fez menção de sair correndo, se controlou, ficou batendo as patas no chão, chorou, e nada de ir latir pro gato. Achei engraçado aquilo, ela chorar.
"A G tem o monopólio dos gatos", explica meu namorado. "Quando L era filhote, G a mordia quando tentava latir para os gatos. Sò G. pode latir para os gatos".
Então, toda vez que um gato mia nas redondezas, L se contorce, chora, segura a onda, mas não vai latir porque teme a represália de G.
L só não se deu conta de que não é mais um bebê, e que é tão ou mais forte que G, mais jovem, mais vigorosa.... tsk, tsk...
Isto é o verdadeiro poder que uma mãe tem com os seus filhos. Muitas mães humanas conseguem fazer tão bem esse tipo de doutrinação com os filhos que eles não a superam nunca: passam a vida inteira obedecendo suas mães, com medo da mordida. A diferença é que nós humanos temos a capacidade de perceber que crescemos e podemos não obedecer mais a liderança de nossas mães, e fazer o que bem entendemos, mesmo que possamos nos machucar e até correndo o risco de perder o amor de nossas mães. Talvez entre os bichos haja quem supere esse tipo de coisa, sei lá, não entendo tanto assim de bicho, só um pouquinho. Quem souber me conte.
01 setembro 2008
quer ver a foca ficar feliz?
Minha vida profissional tá começando a acontecer e de um jeito bastante diferente de antes, mais calmo, mais planejado e pensado. To ganhando pouco ainda, mas vendo que as coisas vão rolar, estão rolando, e que com mais tempo e investimento vai melhorar. E logo vou conseguir tomar conta de mim mesma sozinha, e aí vou poder pedir ajuda ou aceitar ajuda simplesmente porque é legal, mas não porque eu preciso, e quando precisar vou me sentir melhor. Mas já não me sinto tão mal, também, em ainda precisar (só me sinto um pouco mal, mas vejo que isso não é só uma opção minha).
Nesse momento ‘crescimento pessoal’ tão auto-ajuda, eu recorri, pela primeira vez, a um livro de auto-ajuda na minha vida. Calma, calma, não é ‘Você pode curar sua vida’, que eu ganhei de uma ex-amiga quando estava na UTI, sem noção, acho que ela realmente não me conhecia ou não leu o livro para saber o que estava me dando, mas na verdade acho que é mais a primeira opção mesmo, ela não me conhecia, nunca me conheceu. Bem, isso não importa, mas o livro que eu comprei é “Dinheiro, os segredos de quem tem” e um outro de finanças pessoais.
Brinco com o meu namorado que eu estou indo rumo ao meu primeiro milhão. É brincadeira porque não tenho essa pretensão, quero dizer, vou atrás de minha poupancinha e previdência privada sim, finalmente para alegria de meu pai. Mas comprei o livro porque 1) estudei com o autor na GV e conheço, fizemos trabalhos juntos, sei que é um cara sério, o Gustavo Cerbasi; 2) nunca fui super gastadora e mas também sempre ganhei merrecas, de modo que nunca me preocupei em economizar merreca. Ganho hoje aos 31 o mesmo que eu ganhava aos 25. Lógico, mudei de carreira, podia estar ganhando 15 paus por mês, fazendo escova no cabelo e talvez já com uma ponte de safena ou uma gastrite avançada. Porém, enfim, mudei de carreira então agora recomeço do zero, ganhando pouco. Mas agora percebi que ou começo a me organizar JÁ, ou não terei mais muito tempo pra isso. Bem, situação atual, disparadora da compra dos livros (eu já tava com vontade de comprar fazia um bom tempo): amor novo, férias em julho (pela primeira vez remuneradas!!! Sem culpa!!!) com o namorado e com os filhos do namorado, vontade de agradar, vontade de me arrumar... = rombo nas contas, lambança total. E isso porque eu nem vou ao cabeleireiro, passo tonalizante, me depilo e faço a unha em casa. Comprei 3 calças jeans novas na ponta de estoque da TNG aqui perto, um casaquinho e 4 camisetas básicas de manga comprida; some-se a isso a lente de contato anual (uma pequena fortuna, mas vale porque a lente é muuuito melhor e as outras eu não agüento no olho), presentinhos para namorado e filhos, pronto.
Mas meus planos de cortar custos eu já tava fazendo faz tempo. O que está rolando agora é que estou dando início à minha pequena revolução pessoal. Adeus Uol, em breve (vou usar a senha da mamãe para ler as notícias e pesquisar nos arquivos da Folha – importante pras pesquisas acadêmicas sobre prisão, febem etc); adeus Speedy, olá Ajato (sem provedor!); adeus Banco Real e cartão Visa com anuidade; olá Santander e Cartão Free; e quem sabe adeus Telefonica e assinatura e olá alguma operadora sem assinatura e olá Skype plano Brasil 400 (já estou usando, 400 minutos por mês em ligações pra telefone fixo pro Brasil inteiro, por 3 meses sai 50 e poucos reais).
Agora preciso cobrir meu débito no cheque especial e passar, no mínimo, uns 06 meses sem comprar. Comecei uma poupancinha ridícula, mas comecei, e isso é o que importa.
Estou me sentindo mais dona do meu nariz.
Mulheres
Sempre fui com a cara dela, do mesmo jeito que vou com a cara da Ivete Sangalo. São mulheres mais ou menos da minha idade, bem resolvidas, que namoram, que transam, que gostam de se apaixonar, que gostam de viver, de dar risada, e que não são hipócritas, não ficam fingindo ser o que não são, cheias de papos pudicos tipo Eliana ou outras, são conscientes de sua beleza e sabem seduzir, mas sabem também que a vida vai muito além disso.
Enfim, gostei da entrevista dela (Luana). Achei uma pessoa sincera e apaixonada.
“Super me identifiquei”.
18 agosto 2008
Futebol
Só tinha ido uma outra vez a um estádio (Morumbi), para ver o show do U2, ano retrasado, acho, sei lá, aquele show que teve.
Fui com o Linus (obrigada pelo convite!!!! legal!), vimos Palmeiras e Coritiba, pelo Campeonato Brasileiro, no estádio do Palestra Itália. Foi bem legal!
Teve um gol, depois de muitos e muitos chutes do Palmeiras ao gol e nada de entrar a bola.
O que achei legal e/ou realmente engraçado:
- a torcida organizada é realmente legal. não fossem as pancadarias e mortes que acontecem de vez em quando... é pena que o povo perca a cabeça. dão um puta estímulo pro time, pulam, fazem coreografia com camisetas, cantam o tempo todo, tem o bumbo marcando a cantoria, realmente legal à beça. fora as bandeironas que eles desenrolam durante o jogo, legal demais aquilo. um dia vou ficar embaixo de uma bandeirona daquelas. é contagiante. dá vontade de pular da numerada pro meio da galera.
- as pessoas aproveitam e simplesmente passam o jogo inteiro xingando. é o momento de xingar o bandeira e o juiz de 'viado' e 'filho da puta'; por vezes, xingam certo, mas por outras simplesmente porque ele deu um cartão amarelo que tava certo mesmo, mas tem que xingar sempre, pra não perder o hábito. xinga o jogador também, de vez em quando. é sensacional. engraçadíssimo, e aí podemos até nos empolgar e mandar um 'filho da puta!' sem saber exatamente por quê. está dentro do contexto, então não tem problema.
- e, lógico, todo mundo dá instruções aos jogadores de como fazer, 'Abre, abre!!!', 'porra, desce Capixaba!!!', 'passa a bola!!', "vai pra cima!!", etc.
enfim, adorei a experiência e quero repetir. qualquer hora dessas vou com meu namorado E e os rebentos assistir um jogo do São Paulo. acho que as crianças, se já não tiverem ido, ou mesmo se já tiverem, vão gostar.
depois posto as fotos, agora está tarde e amanhã acordo bem cedo e passo o dia fazendo treinamento (leia-se, trabalhando de graça) pra um seminário no qual ainda não sei se vou trabalhar porque, depois de um ano de elaboração do projeto, meses para liberar o dinheiro, marcar as datas, selecionar os monitores, ainda não conseguiram resolver o ridículo problema de nomenclatura jurídica para decidir se podem pagar 'monitores', já que no regimento só tem verba de pagamento de docentes para 'palestras, seminários e congressos'. incompetência é o mínimo que eu posso dizer sobre.
04 agosto 2008
Seca de posts
Escrever sobre as dores e delícias de experimentar como é não pensar o tempo todo em mim mesma, o tempo todo fazer o que eu quero, na hora que eu quero. Sobre experimentar como é ter que prestar atenção no outro praticamente o tempo todo, e ter que aprender a administrar desejos e possibilidades, ensinar limites, estimular o lúdico.
Isso tem me consumido o tempo e energia que têm me faltado para simplesmente sentar aqui e postar.
Já estou postando, de fato.
Mas não tão a fins de descrever com detalhes a revolução pessoal que tenho vivido nos últimos tempos. O que posso dizer é que tudo está acontecendo com uma intensidade incrível, por vezes um pouco assustadora, mas muito gostosa.
De todo modo, ainda que com pouco tempo pra mim, mesmo assim posso dizer que estou aprendendo demais sobre mim ao ter que interagir, cuidar, observar outros.
Quanto mais cresço e amadureço, e aprendo, e conheço, mais eu quero. Quero ficar junto. Quero compartilhar, quero amar, quero viver, respirar, rir, chorar, brigar, fazer as pazes.
Duvidei muitas vezes que teria essa competência e que, um dia, seria capaz de estar realmente junto. Mas sou, sou capaz disso e de tantas coisas que estou praticamente, além de enamorada do meu amor, enamorada de mim mesma.
"- You make me want to be a better man.
-...That's maybe the best compliment of my life. "
16 julho 2008
Memórias
(acima, eu e meu irmão Linus embaixo de uma árvore que tinha no jardim. não sei as nossas idades nessa foto)meu namorado tem dois filhos pequenos: uma menina de 06 e um menino de 3,5.
estou apenas começando a conhecê-los, o namorado e os filhos, mas os encontros que tive com os rebentos até agora têm me provocado, além da natural paúra de não agradar, um saudosismo somado à curiosidade de saber como eu era quando criança e mais uma vontade de trazer todos os meus livros e brinquedos para apresentar aos dois.
isso dito, digo também que fui visitar meus pais no interior segunda-feira com meu pai já determinada a olhar alguns livros, quem sabe emprestar uns para meu namorado ler pra eles... fui fuçar na estante que era de meu avô e que um dia herdarei. achei coisas interessantes de que não lembrava, como um livro sobre os Gnomos super legal e lindo, todo ilustrado (sempre gostei de literatura de ficção e histórias fantásticas: já devorei O senhor dos anéis - 3 vol - umas 3 vezes cada, o mesmo se diga com todos os livros do Monteiro Lobato do Sítio do Pica-pau Amarelo, A História sem Fim e outros mais, um dia falo sobre isso), que ao que parece já está esgotado e é meio item de colecionador, entre outros livros que li e reli na minha infância.
fui olhar as fotos também, de quando era pequena.
achei algumas fofas (quer dizer, selecionei só as fofas, ahahaha).
Vou publicando devagarzinho... a qualidade está ruim porque tirei fotos das fotos com o meu celular.
(eu e meu pai. acabáramos de mudar pra casa nova, onde eles moram até hoje. as portas-janela não são mais de madeira, e sim de ferro. mas continua sendo uma casa adorável. muito sol durante o dia, muito gostoso acordar e abrir a porta para o jardim... sinto tanta falta disso! se a foto foi na casa nova, eu devia ter uns 5 anos. Mudamos pra lá e logo o Linus nasceu. Ele é 3,5 anos mais novo que eu... fiz essas contas)estou curtindo esse momento memória. quero mais.
10 julho 2008
Post emprestado
O que eu desejo? não me fazer essa pergunta do título, e viver a minha vida de modo completo e presente. Difícil, por vezes, mas possível. Busco esses momentos possíveis.
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DULCE CRITELLI
(da Folha de SP, 10.07.08 - Equilíbrio)
Onde estive enquanto vivia minha vida?
Não existe forma mais clara de perceber a passagem do tempo do que encontrar pessoas que há muito não se via. Meninos que, agora, são pais e mães. Jovens pais e mães que, agora, são senhores e senhoras. Crianças, de quem a última memória é da chupeta na boca, falando dos seus trabalhos e dos seus projetos.
Um susto! Foi o que vivi no casamento da filha de uma prima, na semana passada. É claro que sei quantos anos tenho, marcados no meu registro de nascimento e na contabilidade dos calendários. Mas esse cálculo dos dias e dos anos está muito longe de qualquer experiência de tempo.
Há um contraste, na verdade, entre a percepção do envelhecimento e o sentimento de vida jovem que me habita. Estranho sempre que me chamam de senhora ou quando me vejo nos vídeos e nas fotografias. E estranho ainda mais quando os olhares sedutores que me alcançam vêm de alguém com mais de 50 anos.
Difícil, em circunstâncias como essas, não nos fazermos a pergunta angustiante sobre quanto tempo já vivemos e por quanto tempo ainda podemos durar. Porque o tempo a gente mede mesmo é com a própria vida. Existe tempo porque morremos e sabemos disso.
Alguns filósofos existenciais, como Heidegger, consideram a morte, essa companheira secreta da vida, nosso destino. "O homem é um ser para a morte", ele nos diz. Eu, no entanto, acredito que ela é apenas uma contingência, uma condição do nosso ser.
O espanto com o tempo já sido, já passado, deveria funcionar como um lembrete que nos tirasse da distração de que algum dia sairemos de cena. Deveria ser um estímulo para escolhermos como é melhor viver ou como emprestar à vida a nossa própria cara. Em outras palavras, como queremos gastar o tempo vivo, não que temos, mas que somos.
É o próprio Martin Heidegger quem afirma que o homem é um tempo que se esgota, que se emprega nisto ou naquilo, que se omite, que se retrai ou que se desperdiça.
Talvez, então, não seja só e, justamente, a passagem do tempo o que nos assombra, mas a possibilidade de termos empregado mal o tempo da nossa existência, que é única e irrepetível. O receio de termos gasto nosso tempo com o que pouco importava, com besteiras, com o que não era do nosso próprio interesse.
Esta é a maior inquietação em ver que o tempo passou: a percepção da inconsciência com que vivemos os acontecimentos da nossa vida e o medo de termos desperdiçado um tempo de ser, tão precioso.
Essa é, também, a razão de eu, muitas vezes, pensando no passado, perguntar-me: onde estive enquanto vivia a minha vida?
25 junho 2008
exercício X comida X bebida
meu
Mi diz:
tá frio!
Mi diz:
eu ia na academia
Mi diz:
mas dormi
Mi diz:
e desencanei de ir depois de dormir
Mi diz:
troquei a academia por duas fatias de pão de aveia light com muita manteiga
M diz:
hahahaah
M diz:
e eu troquei a nataçao por 5 cervejas...
Mi diz:
e aquela sopinha dos japas
M diz:
hahaahahahah
Mi diz:
como é mesmo o nome? missoshiro
Mi diz:
e um chá anti-celulite
M diz:
isso me deu sede.
M diz:
vou abrir outra cerveja.
23 junho 2008
"Todos os elevadores que eu conheço são fêmeas"
Assim que a porta se fechou, ouviu uma voz familiar. Suave. Carinhosa.
- Bom dia, Fernando.
- Bom dia, respondeu.
- Atrasado, amor?
- É... acho que foi o banho, demorei um pouco mais, com esse frio, água quentinha...
Hm, pensou, que estranho, não tem ninguém no elevador.
- Está muito frio lá fora, meu amor?
- Nossa, tá congelando, uma garoa friiiia...
- Décimo andar. Sobe.
(...) Tchau, amor. Bom trabalho.
Achou que tava ficando doido.
Uma noite qualquer dessas teve que fazer serão (Relatórios da Corporate na minha mesa, sem falta, às 8h, heim Fernando!).
Lá pelas onze, exausto, trancou o escritório, balançou o braço pra acionar o sensor das luzes do hall, e chamou o elevador. Prédio vazio. Nenhum barulho, sem movimento.
- Décimo andar! Desce!
Quando entrou, sentiu algo estranho no ar. Um pressentimento. Uma lâmpada queimada.
Elevador meio entusiasmado esse...
Ali pela altura do sexto andar, o elevador parou.
- Boa noite, Fernando. Vamos pra casa? Ai, amor, eu estava com tanta saudade...
Duas horas depois, quando o guarda subiu pra fazer a ronda, notou, intrigado, que o terceiro elevador da esquerda pra direita, que tinha passado o dia quebrado, voltara a funcionar.
Quando a porta se abriu, tudo o que encontrou foi um cartão de crédito amassado, dois botões de camisa brancos, uma pequena mecha de cabelos de cor cinza, e duas lâmpadas quebradas.
***livremente inspirado na frase-título, de E. J. C.
Microcontos na caixinha
- Me chama de PUTA!
- Não dá, tô sem um tostão"
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Samir Mesquita fez 50 micro-contos numa caixinha de fósforo. Um deles é este aí em cima.
Dois Palitos é o nome do micro-livro.
Tem que entrar no site pra ver que legal que é. Temque.
Não vou contar senão perde a graça, entra lá: www.samirmesquita.com.br
ah: vi a dica no blog do Eric Rosa, Bigode Molhado.
16 junho 2008
Liberdade
um amigo diz que somos uma geração de pessoas incapazes de se relacionar, de conviver.
eu discordo, sempre discordei dele e na verdade atribuo esses dizeres a uma fase pessimista de quem sofreu por amor e está, na verdade, com medo de tentar novamente. o que é ok, pode-se ter medo de qualquer coisa, só não vamos condenar todos os outros mortais ao insucesso no amor só porque estamos vendo o mundo meio cinza...
enfim, essa tal liberdade que todo mundo quer, eu acho que se confundem as coisas.
pra mim, a liberdade que o parceiro te dá é simplesmente a de poder conversar, expor o que se sente, criar e ousar.
todos precisamos de espaço e de tempo sós, de vez em quando. mas essa necessidade de espaço não precisa excluir o outro, ela cabe em uma relação.
na ânsia de uma liberdade total, nos tornamos dela prisioneiros: ela nos condena a essa incapacidade quase absoluta de se relacionar e de construir algo junto com o outro.
do modo como vejo as coisas, percebo que quanto mais livre estou, mais aumenta a minha capacidade de amar. quanto mais posso ousar, é com ele que eu vou ousar. quanto mais posso criar, é com ele que eu vou criar. não é para os outros, não é para mais ninguém, senão para os dois juntos.
a liberdade aumenta a confiança; não nos afasta: nos aproxima.
a metáfora da rede é boa, serve também para o amor: o que é uma boa rede? é uma rede que tem muitos nós. mas especialmente, cujos nós não são muito frouxos, porque senão ela se desfaz, não segura nada, nem muito apertados... porque se forem apertados demais, ela fica dura, rígida. e uma boa rede, seja ela de pescar ou de dormir, precisa ser maleável...
ser livre no amor não é não se comprometer, não é não ter laços... tampouco é se comprometer a ponto de não poder mudar de idéia.
eu acho que ser livre, no amor, é simplesmente o pacto de estar junto, de compartilhar, de conversar, com confiança e sinceridade. o resto se constrói no cotidiano.... e com o tempo.
PS (esclarecimento): quero deixar claro que o que quero dizer com "não é para os outros, não é para mais ninguém, senão para os dois juntos" não é, também, condicionar o exercício dessa liberdade ao âmbito restrito de um casal. mas sim que ela se reflete, sim, ao menos no meu caso - que é sobre o que posso falar - especialmente na relação. o que significa que exercitar essa liberdade não está vinculada a dedicar-se a outros em detrimento do parceiro (falo, especialmente, do medo que algumas pessoas têm do 'chifre', esse grande e assustador fenômeno). exercitar esta liberdade significa abrir-se para o mundo, crescer: e, o que é ainda melhor, poder compartilhar com quem se ama tudo o que se aprende... e com isso, crescer junto.
lógico que isso tudo é muito lindo aqui, no papel virtual: na prática é difícil. mas é algo a que me proponho, como um exercício cotidiano e consciente.
11 junho 2008
Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos...
Hoje vou encontrar duas dessas pessoas.
Mesmo no meio da loucura da correção de provas, estou me organizando pra poder encontrá-las e usufruir de suas companhias tão leves e agradáveis.
O amor, em suas formas mais amplas, da amizade à paixão, é mesmo o que me faz estar bem.
Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, sem amor eu nada seria.
09 junho 2008
Emilianas na net - a audiência cresce!!!
primeiro, a Rosana Hermann em seu Querido Leitor me linkou, indicando meu post sobre o Mais Você - o programa utilizou na abertura, sem dar o crédito, um texto do Rubem Alves. Valeu, Rosana!!!
agora, Eduardo Marcondes, editor do Ctrl+Alt+Del ALL TV me citou em sua reportagem sobre a Geração da internet, creio que inspirado pelo livro recém lançado " The Dumbest Generation: How the Digital Age Stupefies Young Americans and Jeopardizes Our Future (Or, Don't Trust Anyone Under 30)". Por sorte, eu já tenho mais de 30 (ufa!!). Valeu, Eduardo!!!
logo, logo, alguém vai me descobrir e publicar o meu blog e eu vou ganhar milhões. lórrrrico.
enquanto isso não acontece, preciso trabalhar para pagar as contas. tá tarde, e eu to cansada. fui.
Uma outra viagem
Bons ares também respirei fundo esses dias em Gonçalves, MG.

Um pequeno pedacinho de paraíso escondido entre colinas. À noite, céu salpicado de estrelas, ou bolas brilhantes vistas pelos meus olhos míopes, e uma lua crescente iluminada. De dia, um azul forte e cristalino. Água gelada, revigorante, viva.
Clichê? Puro clichê, e no entanto, ao mesmo tempo a pura vivência, intensa, de um momento de aconchego e intimidade.

Sem energia elétrica, só é possível fazer tudo no seu tempo, com calma e certo planejamento.
O fogo tem seu tempo. É preciso queimar lentamente a lenha pra aquecer a casa... tempo suficiente para aquecer também os corações, afinar a sintonia.
Acostumar-se, acalmar-se, respirar e sentir.
Os corpos se aquecem com o fogo, a comida quente, o chá de folhas frescas, o vinho, o azeite, o perfume do alecrim. Os corpos se aquecem com as conversas gostosas na beira do fogão a lenha.
Simples assim.
05 junho 2008
Indecisão
(segundo consta na revista Vida Simples de Junho).
adorei essa frase desde a primeira vez que a li, e não tinha conseguido encontrá-la exatamente e nem a sua autoria. hoje, lendo a revista, estava lá.
curiosamente, hoje tive que tomar uma decisão. aliás, dias atrás também.
nos dois casos, uma decisão profissional e outra pessoal, desde o início eu já sabia exatamente o que minha intuição me dizia para fazer. não vá, dizia, profissionalmente, vá, dizia, pessoalmente.
há alguns anos venho batendo a cabeça tomando decisões profissionais que vão contra a minha intuição.
esse ano resolvi que vou fazer tudo diferente. e, pela primeira vez, tomei uma decisão profissional baseada na minha intuição. e não fui.
'confie na abundância', me disse uma amiga.
estou confiante. e até agora, posso assegurar, ela não tem me decepcionado.
01 junho 2008
Está quente, quieto, calmo. Protegido.
Hoje foi simplesmente um dia em que fiquei quieta, comigo.
As cólicas me fizeram dormir bem mais que o previsto: faltei ao curso, acordei muito tarde, comi, tomei um remédio e voltei a dormir. Até às 18h...
Acordei, e não tive pique para fazer muito...
Deu pra fazer a unha, e depois fazer um macarrão porque a fome era grande. Enquanto assisti o último capítulo da novela das 8 e chorei em uma ou outra cena.
Um prato de fuzzili com frango e ‘molho branco’, duas taças de vinho tinto e um filmezinho americano romantiquinho em que mais uma vez a princesa (leia-se filhadopresidentedosestadosunidos) se apaixona pelo plebeu (leia-se agente da CIA), e cá estou.
Tomei um banho perfumado – eu finalmente entendo o negócio do banho perfumado. É realmente muito gostoso, a água quente bate no seu corpo e sobe aquele cheiro delicioso, e vc sabe que aquele cheiro bom vai ficar no seu corpo também, e se sente ótima.
Cá estou, e lá fora chove, faz frio e vento, e eu estou aqui protegida.
E um pouco triste, e um pouco feliz.
Último dia em Bons Ares

Passeamos no Jardim Botânico e depois entramos num Roseiral, muito legal, com várias rosas bonitas...

e um lago com gansos e patos, e a Família Ganso : papai, mamãe e filhinhos gansos fofos.
De lá fomos almoçar em San Telmo... Mas San Telmo merece um post à parte.
Ah, vale uma ida ao Parque. É bem bonito. E cheio de gatos. Muitos, muitos gatos.
27 maio 2008
La noche
Ali contornando o Cemitério da Recoleta tem um monte de barzinhos, mas não muito esse esquema de bar aqui de Sampa. A sensação que tive, pelo menos a partir do que eu vi na Recoleta, é que em BAs há dois tipos de local: restaurantes ou baladas. O tipo barzinho que a gente tem aqui, que fica simplesmente lotado de gente e ponto, não vi lá. Mas talvez fosse em Palermo, não sei.
Depois de andar bastante, contornando a lateral do Cemitério e olhando os barzinhos, sentamos em um boteco ali e pedimos uma Quilmes.
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Ah, um parêntesis interessante: espalhados pela cidade inteira tem os tais 'kioskos' ou 'maxikioskos', que são vendinhas que têm todo tipo de porcaria: coca cola, salgadinhos, bolachas, chocolates etc. Pela quantidade deles, daria pra imaginar todos os porteños gordos de tanto comer porcaria. Mas como a cidade é plana, devem andar bastante. Ainda não entendi qual é a dos 'kioskos'. Fica pra próxima.
Outra coisa interessante: os cafés. Praticamente um em cada esquina. O tanto de padaria que temos aqui, eles têm de cafés. E o detalhe é que não vi padarias. Isso me intrigou: será que os porteños só tomam café da manhã no café? Onde compram o pão para tomar café em casa?
Perguntei a um taxista: onde se toma o 'desayuno'? Em casa? No café? O taxista me respondeu: uns em casa, uns no café. E onde compram os pães, perguntei? Na 'paneteria', ele respondeu (uma coisa óbvia!!!). Eles têm padarias e confeitarias, mas não é nada como aqui. Engraçado.
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Enquanto tomávamos a Quilmes, ficamos olhando o povo passar. Engraçado, parece que todo mundo é moderno. A mulherada usa tênis All Star, calça skinny (parece que ninguém tem coxa grossa), ou bota baixinha, pra fora da calça, cabelos lisos (praticamente não vi encaracolados - embora tenham tido muita imigração italiana, aparentemente os italianos de cabelo enrolado não foram pra lá, e não têm negros misturados com brancos, como temos no Brasil, o que explica em parte a ausência do encaracolado) ou ondulados. Enfim, todos modernos, com cabelos cuidadosamente desarrumados e displicentemente presos. Isso explica por que a feirinha em Palermo bomba no Sábado.
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Última observação sobre a Recoleta: nesse mesmo quarteirão contornando o Cemitério tem um mega cinema, com uma livraria embaixo - tem bastante livraria na cidade, algumas pequenas e fofas, outras maiores, mas sempre aconchegantes - parece com um cinemark, tem umas 7 salas, vc vai subindo escadas rolantes, aquele acarpetado tipo cinemark, cheio de cartazes... mas o que mais me impressionou foi que têm sessões começando à 1, 2 da manhã. Muito louco! Eu quis encarar um Indiana Jones com legendas em castellano, mas meu irmão não topou :(
Terceiro dia
Na hora do almoço fomos ao bairro de Palermo: é simplesmente de enlouquecer. Imagine uma feirinha do Center 3, na Paulista, vezes 10. Imagine dezenas de lojinhas de estilistas jovens e criativos com milhares de roupas exclusivas a ótimo preço. Isso é Palermo Soho, a parte 'muderrrna' de Palermo. Aliás, parece que todos os jovens porteños são muderrrnos. Mas sobre isso escrevo depois.
A única coisa que comprei em Palermo foi um charmoso bonezinho, mas poderia ter comprado muito mais. Me arrependo muito de não ter comprado um casaquinho preto de bolinhas vermelhas reversível. Muito. Mas não deu, não tinha clima, novamente nesse dia tive alguns rápidos estresses com minha mãe e meu pai simplesmente odeia esse clima de comprar, odeia feirinhas, então não tem clima para comprar.
O bom de Palermo foi o restaurante. Circulamos pelo bairro um pouco antes dos meus pais nos encontrarem para o almoço - eles tinham ido fazer o tradicional 'city tour' de manhã, que nós pulamos. Eu procurei um lugar legal para almoçarmos e achei: um restaurante de comida típica do Norte da Argentina: empanadas, cozidos, parrilla (claro!) e o mais legal: carne de 'llama' (lhama) e carne de yacaré.
Chama-se La Paila.
Para não radicalizar total nossos estômagos sensíveis, não pedimos llama + yacaré, pedimos empanadas, um 'chorizo' e o prato de carne de llama, que se chama 'charquican'. Quando chegou, não resisti e tirei uma foto:

Trata-se de carne de llama desfiada e temperada e misturada com quinoa, dentro de um pão absolutamente redondo e com a casquinha dura. Era muito gostoso!!!
De sobremesa, uma ambrosia sensacional e muito diferente das que estamos acostumados a comer aqui. Maravilhosa!
E o melhor de tudo: não tinha brasileiros no restaurante. Gosto de lugares freqüentados por locais: me sinto mais integrada à cultura do que num restaurante onde só ouço português nas mesas em volta - como aconteceu, por exemplo, no La Caballeriza (ver post abaixo).
Pra encerrar o dia, fomos ao MALBA ver uma exposição chamada Tarsila Viajera, com quadros e desenhos da Tarsila emprestados de vários museus e colecionadores, e também com o 'Abaporu' - lembram o bafafá que foi na imprensa quando Eduardo Constantini o comprou?
Estava lá também 'Operários', que pertence ao Governo do Estado de São Paulo, e muitas outras obras famosas dela ('Manacá', 'EFCB', 'Paisagem com Touro', 'São Paulo', 'Sol Poente', 'A Família', nossa, MUITAS obras lindas!) e muitos desenhos.
Vimos tambem uma exposição da Arte LatinoAmericana, do acervo do museu.
No MALBA ainda tem um cinema e um café delicioso, que serve algumas refeições também. Bebi um chá preto com notas de melão e mel que era simplesmente ma-ra-vi-lho-so.
