Filho de intelectual, já viu, né?
04 maio 2008
Xu
Filho de intelectual, já viu, né?
01 maio 2008
it's official
não consigo trabalhar direito,
não consigo me concentrar,
tenho dias muito ruins e outros um pouco melhores,
choro muito.
Hj não consegui fazer as três coisas que eu precisava fazer: ir à aula da PUC, ir ao acunpunturista (o que teria me feito muito bem) e ir à academia (o que também teria me feito muito bem)
Só Woody Allen e meu amigo GV conseguiram me tirar da frente desta bosta de computador, o que me leva a crer que eu realmente amo o cinema.
Mas assim que a sessão acabou tudo o que eu consegui fazer foi começar a chorar. e não foi por causa do filme.
Já que estou aqui na frente da telinha vou falar do filme novo do Woody Allen. Cassandra's Dream, ou o Sonho de Cassandra.
Nada de Woody engraçadinho como os últimos O Escorpião de Jade ou Scoop.
Cassandra segue a onda do Match Point, mas ainda nos prende mais a atenção.
E é, indiscutivelmente, Woody Allen. As situações, as pessoas, Londres, os passeios na cidade e no campo, o timing, tudo nos lembra e nos dá aquela agradável sensação de familiaridade que procuramos quando vemos ver um filme de nosso diretor favorito.
Esse pra mim teve um gostinho especial porque a trilha sonora é do meu adorado Philip Glass, que faz sempre a mesma melodia minimalista, a mesma de Águas da Amazônia (+Uakti), a mesma de 'Passages' (+Ravi Shankar), a mesma de 'Koyaanisqatsi', 'Powaqqatsi' e 'Naqoyqatsi' - a trilogia de Godfrey Reggio, e de 'As Horas', e de tantos outros... Mas ele é simplesmente genial e envolvente. Me sinto tão embalada na sua música que tenho vontade de voar. De fechar os olhos e me jogar de felicidade.
Senti breves momentos de felicidade durante o filme.
Pena que acabou.
Tudo que tenho vontade era fazer como a moça de My Blueberry Nights
: desaparecer pra algum lugar onde simplesmente eu fizesse coisas banais como servir mesas e ver os problemas dos outros.
30 abril 2008
Sonhos
Esta noite sonhei. Mais de uma vez, e purtroppo não me lembro dos dois sonhos. Não sei porque viajávamos juntos. Porque é que viajávamos juntos se vc não está mais comigo? Por que viajávamos juntos se eu sinto tanta raiva de vc?
Só sei que viajávamos juntos, para uma espécie de chácara, sei lá. Havia muitas pessoas, estávamos em 4 carros.
E de repente vc estava doidão, e com um grupo de pessoas que eu não conhecia. O que essas pessoas faziam lá?
E então isso me incomodava, talvez porque eu não pudesse estar com vc. Eu pedia para que vc se afastasse com aqueles pessoas dali. E vc retrucava dizendo que eu estava sendo moralista, porque quantas vezes a gente não tinha ficado assim juntos... Mas, eu pensava, éramos só dois. E, eu não pensava talvez, mas quisesse dizer, eu estava com vc, e agora não estamos mais...
Eu pedia novamente e vc não saía. Eu não sei porque, mas me irritava, e então passava a xingar vc. E vc me xingava, lógico, mas não conseguia ser muito agressivo.
O que vc estava fazendo lá? O que vc está fazendo aqui dentro, ainda?
Que porção de mim é igual a vc e eu preciso xingar, expulsar, mandar embora? Será meu superego me repreendendo e culpando por ter aprendido com vc coisas que me fazem bem? Ou será o meu lado calado, reprimido e que não consegue ser muito agressivo, que eu quero expulsar de mim?
Ai, que saudade do meu Terapeuta Junguiano...
Espantamento
Neologismo ou não, espantamento é o que eu sinto com freqüência quando penso na internet, quando penso na ciência, na tecnologia, na construção de pontes, nos prédios que resistem a terremotos, nos próprios terremotos, nos seres humanos e seus atos, na vida, na lua, na terra, no universo. Me espanto com todas essas coisas, sempre, e sinto medo, porque não compreendo.
28 abril 2008
Domigo off-virada
1 vestido novo (tipo trespassado, marrom com petit-pois branco e com detalhes amarelo-ovo);
1 bolsa de presente de dia das mães;
2 presilhas de cabelo de florzinha (só porque estou numa fase florzinha, de cabelo comprido e tudo), sendo uma para combinar com o vestido novo;
2 pães-de-queijo e 1 mate com leite no mate ali da frente do Espaço Unibanco
1 hora de leitura do 'Dharma Vagabonds', de Jack Kerouac, livro que ganhei da minha querida amiga Ana - o zen e o louco, como encontrar o caminho do meio...
1 filme _ Estômago, que recomendo fortemente!!!, em companhia do meu amigo Fabio (sem acento, por favor):

1 kebab de carneiro e 1 lassi de cardamomo no meu novo lugar favorito que minha amiga Lux me apresentou;
Pra quem saiu de casa pensando em se divertir de graça, o dia saiu bem caro. Mas valeu cada centavo! Foi um excelente domingo. Um pouco comigo mesma, o que tem sido cotidianamente difícil, tb porque trabalho em casa e sozinha, mas um 'comigo mesma' em que eu estava satisfeita e feliz, e um pouco na companhia do meu amigo, que foi uma delícia. Um bom domingo!
E boa semana a todos!
27 abril 2008
atualização do balanço da virada
1 copo de suco de laranja
1 pera
1 caneca de café
é, as dores nas costas não diminuíram, mas a dos pés sim
vou sair, acho que pra Praça Roosevelt ou pra Casa das Rosas. Ai, a programação de filmes trash da Praça Roosevelt comandanda pelo Carlão estava demais. Eu devia ter ido, mas tava um trapinho.
depois quero pegar um cineminha na Paulista
Fui!
Balanço da Virada Cultural (até agora)
pés, pernas e costas doloridos - depois de um ano de Curves, ano que vem, estarei fisicamente melhor preparada;
1 final de show da Mariana de La Riva - gostei!
1 show do Zé Ramalho - com Mari (eeeeeeeee), GV e outros bons amigos, com direito a dançar um pouquinho de forró muuuuito apertado (até agora não sei se ele estava realmente lá, porque não consegui ver nem a cabeça dele, mas aparentemente, estava mesmo, e foi muuuuuito legal!!!);
1 pisada do Maracatu - lindaaaaaaaaaaaaaaaaa com todo mundo doidão acompanhando o Maracatu e dançando feliz;
1 baile do Arouche;
1 passada rápida nas pistas de eletrônico e no palco das Casas;
1 conhecido encontrado - o espírito da virada é trombar nas pessoas queridas e em outras desconhecidas na mesma vibe...;
1 aluno encontrado - c'mon, eu tenho menos de 100 alunos, what are the chances?? pois encontrei um, cuja prova havia corrigido apenas algumas horas antes... me escondi, lóóórrrrico. acho que ele não viu a professora doidinha no meio da galera. sair do orkut foi uma decisão sábia;
1 volta pra casa quase zumbi;
30 min de medo na cama - medo que tudo voltasse a balançar;
0 ressaca (mas uma certa indisposição e uma preguiça foooorte de sair de casa. será que eu vou???);
2 dias lindos de céu azul com fina camada de poluição e noite linda e quente com lua. São Pedro gosta da virada, ano passado foi assim também;
1 pouco menos (veja bem, só um pouco menos) de raiva dele, por ter me apresentado a virada no ano passado.
Esta noite eu fui feliz!!! Eu estava lá, inteira!
23 abril 2008
treme-treme
Por isso, quando o meu apartamento no 11º andar começou a balançar ontem à noite, enquanto eu falava com meu pai ao telefone (coitado, imagina a aflição dele láááá do outro lado sem poder fazer nada ouvindo sua filha dizer: 'nossa, pai, que estranho, o apartamento parece que tá balançando; nossa, pai, o apartamento tá balançando mesmo, vou descer, te ligo depois'), a primeira coisa que me passou pela cabeça foi: estarei tendo algum tipo de ataque? labirintite? desmaio? Logo vi que o espelho balançava. E a porta do ap fazia um barulho fora do normal. Ouvi barulho na escada e saquei que outras pessoas tinham sentido também.
Dona Meire (que se chama na verdade Mary, mas sabe-se lá porque todo mundo a chama de Meire) abriu a porta e me perguntou:olha, que estranho. Ela não anda muito bem, já tá velhinha. Falei 'D. Meire, o apartamento está tremendo, vamo embora, vamos descer.' E ela 'ah, mas eu preciso' e eu 'D. Meire vamos descer agora, não dá tempo de fazer nada, vamos já'. Larguei a porta do meu ap. escancarada. Nem sei bem o que eu estava pensando, porque a esta altura o prédio já não tremia mais. Mas meu coração estava disparado e eu queria sair dali. Eu queria voar, mas não podia abandonar a D. Meire sozinha descendo 11 andares de escada. Fomos a passos lentos. Eu me lembrava (sei que é ridículo, mas na hora lembrei) de bombeiros resgatando pessoas no WTC em NY, no 11 de setembro. Eu pensava: preciso descer com ela. No caminho, uma mulher logo atrás da gente não quis ir no nosso passinho (compreensível) e passou na frente. Mas em geral as pessoas desceram calmamente.
A única coisa que me lembrei de pegar foi o celular. Nem bolsa, nem carteira, nada. Só o celular. Eu precisava ligar para o meu pai assim que eu chegasse ao térreo e dizer que estava bem.
Acho que com a adrenalina a tontura ficou lá dentro de mim. Meu labirinto, de fato, não funciona muito bem. Passei mais de uma hora tonta ainda, com aquele balançar.
Quando subi de volta com meu primo pra pegar minhas coisas (minha mãe acionou todos os tios e primos, 'lórrrico', risos, mãe é mãe) a porta do ap estava fechada. Alguém se compadeceu de minha loucura.
Cinco horas depois, dois copos de cerveja, um banho quente, agora posso dizer que estou com sono. Aquele cansaço que só o stress seguido de um alívio nos proporciona.
Sinto-me segura aqui (estou na casa da minha prima).
Ok, passado o susto, tenho mais uma história pra contar. Mas sinceramente, espero não passar por isso de novo. Foi light? É, ok. Mas na hora dá aquele medão. O medão de não conseguir descer as escadas a tempo.
16 abril 2008
Mais você, o bolo de caneca e a pipoca
Pois então eu digo não é a primeira vez que o "Mais Você" utiliza informações alheias sem dar o crédito. Explico: no final do ano passado, buscando textos do Rubem Alves, que eu adoro, deparei-me com um texto que falava sobre a pipoca, disponível no site do escritor. Gostei tanto que colei o texto aqui no blog, com o devido crédito.
Deve ter sido lá pelo meio do mês de janeiro passado que, em casa por conta do esforço concentrado de escrever a minha dissertação, assistindo "Mais Você" durante meu café da manhã (eram meus únicos momentos de distração - as refeições), logo depois do "bom dia", ouço a Ana Maria Braga dizer um texto incrivelmente semelhante ao texto da pipoca do Rubem Alves!!!! Fiquei prestando muita atenção para ver se ela daria o crédito do texto... Que nada!!! Parecia que era um texto que havia simplesmente brotado da imaginação de seu staff de redatores ou dela mesma. Lógico que o texto estava resumido, em tom de 'mensagem' do dia, sabe como é? Mas era evidente que o texto era dele.
Não é incrível? Quem não dá crédito, na minha opinião, não merece crédito.
***************************
Esse tipo de prática não é novidade na Globo. Numa brincadeira dessas, um amigo meu ganhou uma bela indenização por uso de suas fotografias no Fantástico sem autorização e, o que é pior, sem dar o crédito. A Globo foi ainda condenada a dizer um texto de desculpas no mesmo horário, mesmo programa, etc. Mas não cumpriu. Agora, já faz alguns anos que meu amigo espera pacientemente que acabem as firulas processuais de que os advogados da Globo estão se utilizando para que ele possa, finalmente, receber a polpuda multa que a Globo terá que pagar por dia em que não cumpriu a sua obrigação de pedir desculpas. É ver para crer.
Mestre Emilia, por favor
o fim de um período de amadurecimento intenso
muitas emoções e pessoas muito importantes fizeram parte desse processo; obrigada a tod@s!!!
agora sou 'Mestre Emilia" :P

rito de passagem fundamental para o início de um novo período
(com o pé direito, inteiro e firme!!!e o esquerdo também!!! - risos)
12 abril 2008
Book Crossing
Eu já tinha lido sobre isso e faz anos que tenho vontade de fazer
Bookcrossing.
basicamente libertar um livro por aí!
Deixá-lo num local público para ser lido por outras pessoas, que depois devem libertá-lo também, para outros.
Vou fazer
Olha o site internacional Bookcrossing.com aqui.
Que tal vc fazer também???
Shopping therapy
Ok, não foi assim tão radical. não comi top sundae nem batatinha.
fui e voltei caminhando do shopping, o que é ótimo, agora posso ir a pé pro shopping, abriu um aqui na esquina.
e Ok, não comprei exatamente um sapato fashion lindo e carésimo, comprei roupa de ginástica na C&A em 5 x.
na esquina ainda comprei uma cerveja porque estava calor.
fui e voltei ouvindo Rihanna, Amy Winehouse e a trilha do Maria Antonieta.
sou uma adolescente, a diferença é que já tenho 31 e algumas responsabilidades.
é.
Pra distrair... um post emprestado do 02neurônio
Sim, eu sou vítima do efeito psicológico da bota. Passei praticamente o inverno inteiro andando sobre alguns pares delas. Em momento meio fundo do poço era fácil. Eu colocava botas com uma calça justa, descia as escadas da minha casa quase caindo e cambaleando, mas chegava na rua e me sentia ótima.
Deve ser de família. Até hoje a minha mãe é conhecida na cidade do interior onde morava como “a moça que andava de botas”.
As botas têm o efeito psicológico absolutamente ilusório A gente se sente segura ao andar sozinha na rua com elas, o salto fazendo barulho. Qualquer reunião de trabalho fica mais fácil se você é uma mulher de botas. E no mundo selvagem da noite, nem se fala. Uma moça de botas consegue ser fodona no meio de uma multidão de um show de rock mesmo cinco minutos depois de ter um ataque de síndrome do pânico.
O EPB (efeito psicológico da bota) deve ser forte mesmo. A Prada lançou botas para o verão, eu juro! E isso significa que vão copiar no Brasil, é claro. É uma coisa meio bizarra, uma bota que te deixa com os dedos para fora. Não vou usar, porque tudo no mundo tem limite.
Mas quando chegar o verão, certamente a minha vida será mais difícil sem o efeito protetor das minhas botas. Ah,claro. Não esquecer que em qualquer momento roubada é só lembrar da canção da Nancy Sinatra e cantar mentalmente: “Are ready boots? Start walking!!”
por Nina Lemos - 02neuronio
*********************
e eu digo que se hoje não estivesse calor eu certamente colocaria uma bota e daria uma voltinha só pra me sentir melhor
11 abril 2008
"Não sou sapo mas adoro perereca"
Ao entrar no bar, logo percebemos o nosso erro. Passando para o salão de trás, vi uma mesa com duas mulheres, logo à frente um casal de homens abraçado, na mesa ali ao fundo, moças namorando. Doidinha, sensação de estar entrando numa realidade virtual.
Passado o estranhamento inicial (experiência "o estrangeiro" total: pude ter alguma idéia de como se sente um casal homossexual quando entra em ambientes românticos hetero), pedi minha cervejinha, aquela que meu corpo pedia desde o final da tarde.
Ficamos ali entre meia e uma hora, conversamos bastante, batemos papo etc. Muitas risadas e histórias depois, fui ao caixa acertar. Acabo de pagar a conta, e vejo que o Gu está de pé, à minha esquerda, conversando com um cara que estava sentado no balcão junto com uma moça que eu encontrara logo antes na entrada do banheiro. Pensei: 'será que o Gu conhece alguém daqui desse bar?'
O Gu logo me puxa pra perto e fala assim, baixinho, aquela boca meio torta, dentes cerrados, tipo 'meu, disfarça e vamu caí fora': 'Mi, lê o que está escrito na minha camiseta'.
Eu li.
Adivinha o que tava escrito na camiseta dele.
(...)
Ainda não adivinhou? Leia o título do post.
(PS: atualização: antes de ir pro bar, a gente tava em casa, 'di boa', e o Gu saiu com a roupa que tava no corpo. sacomé? vc nem pensa no que está vestindo... risos)
10 abril 2008
Jaime e as agulhas
Jaime, meu acupunturista, me salvou em vários momentos em que tudo que corria nas minhas veias era puro stress! quando estive lá, uma semana antes do prazo para terminar a escrevinhação do meu mestrado, eu estava tão, tão pilhada, que quando ele espetou aquele lugarzinho de sempre no peito do pé, um lugar que é ligado ao fígado (vou pesquisar sobre fígado na acupuntura e depois conto mais), levei um choque como eu nunca tinha sentido; na hora chorei muito. é o pior lugar pra mim. é um dos únicos que dá choque, e que realmente me incomoda.
agora, tem um ponto loucão que ele espeta no dedão do pé que é pra 'organizá os pensamento', e é ótimo pra quando a gente tá meio doidona como eu ando.
ontem fui lá e segunda que vem, véspera da minha banca de mestrado, vou lá de novo.
acupuntura é muito legal, e o Jaime e a Missai, esposa dele, são realmente especiais. semana passada quando fui lá eu contei que estava triste, e aí ele espetou (sempre tem uns lugares novos, conforme o que eu conto pra ele que estou passando e sentindo) um lugar aqui no peito que eu acho que é ligado ao coração. não é doido? a tristeza melhorou. aí ontem fui lá e ele perguntou se a tristeza tinha passado, falei que tinha melhorado. ele espetou de novo o tal lugar.
só sei que depois que saí de lá almocei na minha avó e dormi depois do almoço. quando acordei, dei dois telefonemas que precisava fazer e para duas pessoas que eu estava sem coragem de enfrentar, cada uma por um motivo. a acupuntura realmente ajuda a gente a se reestruturar...
que bom que é conseguir ser adulto e enfrentar nossos medos, e descobrir que assumir seus erros não dói. ah, tudo bem, dói um pouquinho, vai, mas assumir erros é admitir que somos humanos.
e a consciência da imperfeição humana é algo que tem me ajudado muito a enfentar os meus pequenos desafios cotidianos. como eu disse recentemente, sou humana, e nada do que é humano me é estranho.
no fim, como conversei com uma amiga recentemente, não custa lembrar, nos momentos de stress, que nada disso importa... a gente é que dá uma importância pras coisas umas 10 x maior do que elas realmente são... isso tira um peso danado das costas da gente!
preciso falar da Missai, a esposa e secretária do Jaime, uma fofa. sempre simpática, animada e gentil, levanta o meu ego porque sempre me elogia dizendo que eu pareço uns 05 anos mais nova (risos), mas o melhor de tudo é que vc vê que ela é sincera e genuína. ontem dei um presente pra ela, e a reação dela foi genuína. por sorte ela gostou muito ;-), mas sei também que se não tivesse gostado eu saberia. gosto de pessoas assim.
o que eu acho interessante é que o Jaime realmente te estimula a ser como você é. ano passado, quando eu tava surtando, mais ou menos nessa época do ano, com um emprego que estava me consumindo corpo e alma, eu ia lá e falava pra ele que diziam que eu tenho que mudar. e ele me dizia, mas se vc muda vc não vai mais ser a Emilia que eu conheço. claro que isso não significa que a gente não possa melhorar, atenuar nossos defeitos. mas o fato é, como eu já disse em algum lugar aqui antes, a mesma paixão que, às vezes, me atrapalha é a que me move. sem ela, não sou eu. como tatou a maravilhosa Angelia Jolie em seu corpo, 'o que me alimenta me destrói' ('quod me nutrit me destruit').
06 abril 2008
Terra da garoa
de repente ouvi um barulhinho suave e constante. olhei pela janela e tudo estava cinza como só naqueles dias de garoazinha cortante.
nesses dias eu tenho vontade de ir pra um café, sentar, pedir um chá, ou um cappuccino grande, e ficar um tempão olhando as pessoas lá fora, e me sentindo pertencente a um lugar. se eu fumasse, eu fumaria nesse café, vários cigarros mentolados, calmamente. e observaria os outros paulistanos solitários ou em duplas que chegam fugindo da garoa.
mas que coisa boa é passear na avenida paulista com a garoa cortando a nossa cara e depois entrar numa estação do metrô quentinha!!! eu poderia dizer "e depois entrar numa loja ou um café quentinhos..." mas isso não seria consumismo demais? entrar no café pode?
talvez eu faça isso hoje.
"Homo sum; humani nil a me alienum puto."
Sou humano, nada do que é humano me é estranho.
Esta frase tem rodado a minha cabeça nos últimos dias... Não sei bem por quê.
Talvez porque o amadurecimento traz uma compreensão maior do outro (pelo menos, é o desejável). Talvez porque tenho me deparado com situações em que sentir compaixão pelo outro é tão necessária. E talvez porque esteja hoje sentindo um pouco de compaixão por mim mesma.
Não acho que tenho sentido pena de mim. Não sinto pena, porque sei que fiz o que podia fazer, me sinto digna. Mas sinto uma tristeza profunda e muito presente, a tristeza de quando se é rejeitado. Será que quando a gente entende os motivos da rejeição é mais fácil aceitar? Acho que entendo, hoje, o que sentiu um queridíssimo ex-namorado, muito especial, quando, buscando não feri-lo, não disse claramente, na época, as razões pelas quais estava me separando dele. Somente fui dizer a ele alguns anos depois. Talvez isso tenha feito mal a ele. Hoje ele está bem e com uma mulher muito interessante ao seu lado. Acho que eles são felizes juntos. :D
É isso que eu sinto. Não consigo compreender. O que eu sei é que dói, e tem doído cotidianamente. Logo no início achei que não. Que seria fácil. Não, não tem sido fácil, preciso admitir. Não tem sido fácil estar sozinha, e meus amigos e amigas têm sido aqueles para quem telefono quando me dá uma vontade imensa de conversar com alguém e contar como foi o meu dia. Por sorte, tenho vári@s, e el@s têm me escutado com a paciência que só um amigo verdadeiro tem.
Espero ter também a paciência necessária para esperar essa dor passar e voltar a ter mais momentos bons do que ruins; ultimamente, bom mesmo tem sido encontrar meus amigos e minha família quando é possível e aquela meia hora cotidiana na academia, onde tento ganhar um pouco de satisfação física que compense a tristeza que sinto na alma. Gostaria de dormir, suspender minha vida por alguns meses, e poder voltar quando isso passar.
29 março 2008
Bagdad Cafe
Desert road from Vegas to nowhere
Someplace better than where you've been
A coffee machine that needs some fixing
In a little cafe just around the bend.
I am calling you
Can't you hear me
I am calling you.
Hot dry wind blows right through me
Baby's crying and I can't sleep
But we both know a change is coming
It's coming closer
Sweet release.
I am calling you
I know you hear me
I am calling you
I am calling you
I know you hear me
I am calling you
Desert road from Vegas to nowhere
Someplace better than where you've been
A coffee machine that needs some fixing
In a little cafe just around the bend
Hot dry wind blows right through me
Baby's crying and I can't sleep
And I can feel a change is coming
coming closer Sweet release.
I am calling you
Can't you hear me
I am calling you.
27 março 2008
Empresas lucram com oferta de falsos álibis para quem quer ser infiel
Em São Paulo
Juan Vázquez, diretor comercial do Coartadaclub [que pode ser traduzido como "seualibi.com"], vende por 200 euros um convite para um falso seminário sobre isolantes, um telefonema de confirmação e folhetos fraudados.
Vázquez calcula que sua empresa coordene 20 trabalhadores na Espanha. Ele apresenta 2.200 pedidos de álibi e estudos de mercado que afirmam que a metade do país estaria disposta a enganar.
Oferece hotéis fictícios em 60 países. Presume que seu público seja formado por aqueles com menos oportunidades de escapar e por isso um de seus serviços principais é o dos seminários de cozinha para donas de casa. Para outro tipo de cliente, o cérebro oculto da companhia prepara um serviço de acompanhamento.
Vázquez é um homem pragmático: "Um divórcio é mais caro que um álibi. Conosco basta chegar em casa com um ramo de flores e um 'querida, te amo'".
***************************************
Não são incríveis as coisas com que se pode ganhar dinheiro hoje em dia???!
18 março 2008
10 março 2008
Preciso escrever mas não sei o que
Não sei o que sinto...
Não sei o que sinto...
Não sei se sinto medo; de fato, não sei se sinto indiferença; não sei se estou triste
Não sei se deveria pular; não sei se devo me recolher; não sei se devo chorar
ou fingir que está tudo bem
Não sei se devo tomar atitudes ou esperar o tempo passar;
Não ligo, não ligo...
Não ligo se me dou tanto
Não ligo se me dei tanto
Não ligo se me dói tanto
Não ligo se me dói...
Só finjo, como o poeta.
E espero
04 março 2008
ônibus 174 - José Padilha
Me impressionou especialmente a lucidez de uma das reféns, uma mocinha que é praticamente a principal narradora do filme. Uma moça de então 19 anos, que conseguiu enxergar em Sandro um ser humano e conseguiu compreender ali, naquele momento, a tragédia que ele protagonizava, na qual ela, Geísa e as demais reféns eram meras coadjuvantes.
Quanto mais eu estudo o crime mais eu me supreendo, mais eu me emociono, mais eu choro, mais eu fico indignada. Tento me mexer. Tento fazer a minha parte. Mas eu sozinha, aqui, quase impotente, eu não sou nada.
Ou todos nós assumimos as nossas responsabilidades, ou seremos, sempre, como Geísa: coadjuvantes de uma tragédia.
12 fevereiro 2008
O post abaixo (das flores) foi escrito há um tempão..
Bem, updates de uma mestranda tempo integral: não sou mais mestranda tempo integral. acabei. As ultimas 48 horas escrevendo virei praticamente direto; o último capítulo ficou com duas notas de rodapé sem pé nem cabeça (uma não terminada e outra repetida no texto logo acima), mas acabei. Até que não ficou ruim, sabe? 200 páginas!!! e eu achei que teria dificuldade pra escrever 100...
Até emagreci: duas pessoas comentaram e ontem me pesei: realmente estou um quilo mais magra. Incrível, considerando a quantidade de chocolate que eu comi.
Nesses 2 meses trancada em casa acho que assisti uns 30 filmes. Assisti a tetralogia dos Contos do Eric Rohmer, que eu sempre quis. Adorei. Assisti vááárias comédias românticas (se precisarem de indicação, é só falar) e várias comédias tout-court. Assistam O Closet, recomendo fortemente. Também adorei Italiano para principiantes. Assistia tudo que me fizesse distrair do mestrado durante os momentos de alimentação.
Tive a sorte de ter a companhia do meu irmão até o final de janeiro, o que ajudou a suportar as madrugadas adentro.
Tive também um namorado incrivelmente lindo e fofo que me arrancou de casa quando eu já não aguentava mais escrever e que aceitou os meus nãos quando precisei dizê-los, inclusive o 'não vou poder viajar no Carnaval'.
Agora estou me dedicando à minha nova rotina como professora e tentando me organizar para não precisar passar 32 horas por semana me preparando para dar 8 horas de aula. Mas acho que a conta não deve ser muito menos que isso. Cada hora aula requer pelo menos 2 horas de preparação no começo. Pelo menos. E considere que são 4 matérias diferentes.... Já viu. Tudo bem. Ano que vem estarei craque. :)
Acho que, a despeito das cabeçadas que dei nos primeiros 4 anos de formada, sou bastante sortuda.
Agradeço a todos que me apoiaram nesse processo. Que pensaram em mim, que me ligaram, que me escreveram.
Agora é hora de começar um novo começo. :D
Hoje saí atrasada para devolver livros na biblioteca (o prazo era até meio-dia, e eu acordei pontualmente ao meio-dia), resolver coisinhas no centro da cidade, etc. Como saí atrasada, saí sem comer. Nada, nem um gole dágua.
Fui ao centro, descobri que tenho que pagar uma taxa de 60,00 pra depositar minha dissertação, como se não bastasse os R$ 800,00 que vou gastar com a impressão e encadernação. Baratinho, baratinho. Não podiam deixar a gente depositar encadernado em espiral e só uma cópia pra biblioteca em capa dura??? A gente tira dinheiro daonde pra fazer esssa coisas? Mestrandos sem bolsa, façam uma poupança pra encadernação.
Fui almoçar às 15h, quase desfalecendo. Cheguei em casa e descobri que não vou poder juntar minha tabelona grandona na dissertação, porque custa uns 25 reais cada cópia (ela tem meio metro de altura). Isso daria mais 250 reais no orçamento. Vou ter que picar a tabelona em pequenas tabelinhas. Pena. Perde toda a graça e o impacto do que me custou 3 meses pra fazer. Hmpf!
Fiquei consertando minha tabela pra poder picá-la, mas estava esquisita, não sei o que, uma angústia, uma agitação, não sei o que.
Banho, pensei. preciso de um banho. Pra me aquecer (está frio aqui, em pleno janeiro, é praticamente inverno esses dias), pra relaxar um pouco e voltar pra minha dissertação, que não acaba nunca. Eu que achei que ia ter dificuldade pra escrever 100 páginas vou entregar um trabalho até grande demais pro meu gosto, quase 200. Sou prolixa, eu sei. Sempre fui.
Quando saí do banho minha mãe ligou. Disse que tinha mandado um presente pra mim.
Pronto. Quando cheguei na portaria, desabei. O choro que tava engasgado na minha garganta faz dias, de tensão, de medo de não dar certo, de medo do novo, medo de ser professora e finalmente concluir o que eu comecei há 03 anos, medo de assumir uma turma só minha, mas ao mesmo tempo entusiasmo por finalmente conseguir um emprego numa faculdade ANIMAL (em duas, talvez, daqui a umas semanas saberemos) e ser chamada de PROFESSORA, e não de doutora, que eu acho brega e não me identifico (doutora só quando fizer doutorado), esse choro engasgado veio e agora não consigo parar de chorar.
Vejam o arranjo lindo que eu ganhei (com chocolate e tudo):
Junto nesse choro vem tantas outras coisas mais... Obrigada, mãe, obrigada, pai, por tudo.Preciso me recompor agora, fazer um café, tentar controlar o meu choro porque ainda tenho um capítulo e meio pra escrever até o final do carnaval.
Meu santo acupunturista Jaime vai me render. Eu sei.
Meu ano novo começa dia 11 de fevereiro. Ou amanhã, quando vou fazer minha primeira reunião como Professora, lá em Campinas. Além de terminar a dissertação, ainda tenho mais uma prova de fogo pra passar em breve, talvez (espero que não) até antes do dia 11. Desejem-me boa sorte.
25 janeiro 2008
Tenho ido dormir cada vez mais tarde (ou mais cedo, dependendo do ponto de vista). A noite passada fui deitar às 6 (da manhã de hoje), e ainda levei mais um bom tempo pra pegar no sono, com mil idéias na cabeça sobre atividades para fazer com os alunos que, se tudo der certo, serão da minha primeira turma como professora de Direitos Humanos. :D
Hoje acordei às 15h. O dia estava frio, feio, parecendo inverno. Não vi ninguém. Só falei com pessoas pelo telefone. Às 20h escureceu. Tive 5 horas de luz hoje na minha vida. E nenhum contato com pessoas ao vivo, exceto na breve ida ao supermercado e à locadora.
Ninguém merece!!!!
Eu tenho andado tão enfiada em casa que levo meia hora me arrumando para ir... à padaria (e ao supermercado). Até rimel passei outro dia para ir comer um sanduba com o meu irmão na padaria aqui perto. Tudo bem que não é uma padoca daquelas pé-sujo, mas é uma padoca!!!
Ainda bem que acaba! e eu nunca vou me mudar pra Alemanha! nunca!
16 janeiro 2008
Carl Warner - 'foodscapes'

Olha que demais: o cara cria paisagens só com comida. Não é incrível?

Mais fotos vc vê clicando aqui
(Site BBCBrasil.com)
09 janeiro 2008
Não sou exatamente palmeirense, mas isso é engraçado
Não sei se todo mundo acha isso... mas esse momento no Palmeiras, que tinha acabado de perder a vaga na Libertadores... é realmente muito engraçado.
Vejam aí: campo vazio. Nada de bola rolando. Palmeiras perdeu a vaga na Libertadores. Mas o jogo do Corinthians ainda tava rolando em outro estádio. Todo mundo ouvindo pelo radinho, celular, sei lá. De repente, o estádio explode.
Os corinthianos que me perdoem... Lu, desculpaí, mas é muito engraçado.
Meditação
Bem, não vamos chegar ao extremo de dizer que eu gosto de passar o pano chão ou de limpara privada... eu que nunca fui chegada a fazer nada em casa, já que sempre tivemos empregada. Mas além de estar confinada em casa e pagando um bonde para não sair, já que cada saída me desconcentra e rouba horas preciosas na frente do computador, eu estou sem grana, o que significa que faxineira aqui só vem de 15 em 15 dias... então, tenho que me virar para manter o local, senão realmente limpo, pelo menos digno de se morar.
Daí que comecei a notar que estava tendo prazer em lavar a louça, coisa que nunca tive.
E dia desses, madrugada, pasmem! resolvi fazer uma coisa que sempre odiei, em parte pelo medo de acidentes domésticos: passar roupa. Peguei minha tábua, meu ferro a vapor (isso foi uma aquisição recente, antes o ferro aqui era arcaico, pesado pra caramba, o que ajudava a alimentar o medo de acidentes e a ojeriza à atividade...) e fui pra sala passar roupa.
Acho eu que essas atividades domésticas têm me servido como meditação. Ou sei lá, algum jeito de minimamente me desligar da atividade intelectual.
Meu cotidiano nas últimas semanas e que deve continuar até dia 08 de fevereiro, quando tenho que impreterivelmente mandar o material pra impressão e encadernação: acordar entre 11 da manhã e meio dia, tomar café assistindo tv, começar a trabalhar, parar pro almoço por volta das 16h, com direito a mais um pouquinho de tv, voltar a trabalhar até umas 20h, as vezes paro para ver a novela das sete, e depois vou direto até as 3 ou 4 da manhã, com pequenas pausas para a minha dolorida mão.
Comprei uma power ball para ver se me ajuda na tendinite, que tá pegando forte.
Mas agora, como disse meu irmão, tem que fazer que nem jogador de futebol: joga contundido, com o joelho fodido mesmo. Depois que acabar o campeonato vai resolver....
04 janeiro 2008
29 dezembro 2007
eu, meus medos, e esse calor
Tava muito calor na minha cama. Fui tomar um banho fresco.
Tá muito calor aqui dentro da minha cabeça
E o medo
E o medo, tá foda
Hoje cheguei a dar uma surtadinha mental só porque não consegui manter contato com o meu namorado por umas 4 horas.
Aquela surtadinha básica que a imaginação, com um bocado de ansiedade, provoca em vc.
Nem vou contar para não parecer ridícula. Porque foi beeeem ridícula.
**********************************************************
Vontade de largar os 30 textos que ainda restam (brotam teses e dissertações de todos os cantos do meu apartamento) e ir embora encontrar meu ARN. ARN, a piscina, a represa e um pouco de amor, de tesão, de aconchego, desse aconchego que só o acordar do lado de quem vc gosta
É tão bom acordar do seu lado, ARN.
Queria conversar com vc hoje.
Li sua poesia nova hoje.
Queria hoje uma conversa daquelas de alcova, daqueles dias que estamos tão cúmplices que eu me emociono, daqueles dias em que nos compreendemos profundamente, em que olhamos nos olhos um do outro, em que vc conta
ADORO quando vc conta.
Vai ficar tudo bem
22 dezembro 2007
Taken
O negócio é que me remete às perguntas loucas de sempre e que me incomodam tanto... mas para as quais nunca terei resposta...
Quando eu paro pra pensar sobre o sentido da vida, até que não é tão estranho. Quero dizer, é muito estranho. Nós humanos somos os únicos seres da Terra capazes de realmente ter consciência e refletir sobre isso. Mas até aí, tudo bem, temos a ciência, que nos explica que nascemos e morremos porque a Terra funciona assim mesmo. Porque é limitada, sua capacidade de manter bilhões de seres humanos vivos ao mesmo tempo é limitada, e se não morrêssemos naturalmente seria uma catástrofe. Temos que morrer. Para que outros vivam.
Mas e o universo? Não é realmente estranho? Já pararam pra pensar no universo? O que é isso, o que é isso? O que tem depois do universo? O que veio antes dele? E antes do big bang, havia o que?
Acho que nunca encontrarei respostas. Mas como diz a pequena Allie no final, temos que continuar fazendo perguntas...
PS: aqui dá pra fazer download da série inteira! Mas não sei se é confiável. Achei na busca do google. Tem outras séries nesse site também.
21 dezembro 2007
pintar ou fazer amor
fazia 14 anos que eu não pintava. pra falar a verdade, até que tentei voltar pintar numa época que eu não tava nada bem. nessa época, tentei de tudo antes de recorrer ao psiquiatra: pintei, comprei cachorro... mas nada funcionou. abandonei as tintas de aquarela e os pincéis desde então.
esses dias precisei pintar novamente... depois conto por que.
estou escrevendo minha dissertação, estressada pra caramba, o prazo acabando e além de tudo esta semana estou na TPM. to triste, medrosa, sensível.
aí aproveitei que tirei as tintas do armário (várias estão secas!!! alguns tubinhos tive que quebrar no meio pra poder usar... mas deu certo) e comecei a pintar de novo. pra relaxar um pouco.
não sou muito boa nisso. não sei desenhar, mas consigo fazer pinturs com pontilhado e abstratas (risos). figuras geométricas também.
fiz 3 quadrinhos pequenos e hoje já tentei fazer um maior. tá meio estranho. mas na verdade o que importa é mesmo ir tentando.
vou tentando... e de vez em quando sai alguma pinturinha que preste
é que nem esse blog... eu vou escrevendo... vou tentando... e de vez em quando sai alguma coisa que presta.
se eu conseguir fotografo e depois boto aqui minhas pinturinhas.
15 dezembro 2007
A Pipoca - por Rubem Alves
As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela.
Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos, são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblê baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblê...
A pipoca é um milho mirrado, sub-desenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!
E o que é que isso tem a ver com o Candomblê? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa - voltar a ser crianças!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão - sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: pum! - e ela aparece como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. ‘Morre e transforma-te!’ - dizia Goethe.
Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordinário professor-pesquisador da UNICAMP, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas ‘piruá’ é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: ‘Fiquei piruá!’ Mas acho que o poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: ‘Quem preservar a sua vida perde-la-á.’ A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.
Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira..."
(Rubem Alves - O amor que acende a lua, p. 59.)
PS: Peguei no site dele! Lá tem mais! Aproveitem, pipocos!!!!
03 dezembro 2007
A água e a metrópole
Nossa relação com a água é sempre intermediada por alguma barreira: já vem encanada, de dentro da torneira ou dentro de garrafinhas ou galões de água mineral. Ou então temos que ultrapassar os portões de um clube ou de uma academia para chegar a um reservatório de água clorada, tendo passado previamente por um médico em início de carreira para fazer o exame que garante alguma proteção contra micoses, otites e afins.
Para chegar até a água, nós, paulistanos, temos que nos deslocar até mais longe. Ir até o litoral... ou para alguma das represas, Guarapiranga, Billings.
O mais perto de água que temos por aqui são dois grandes 'não-rios' cortando nossa cidade, quase inacessíveis, sendo preciso atravessar uma avenida expressa (uma das Marginais), e pular uma barreirinha de concreto para chegar até uma massa de água fedida e perigosa.
Porque a cidade de São Paulo tem uma relação assim tão distante com a água é que estranhei e achei, na verdade, muito louco, a lagoa do Parque do Ibirapuera estar tão perto e tão acessível ao pedestre.
Quem chega ali na avenida não precisa sequer entrar no Parque. A lagoa está lá. Na beira da Av. Pedro Álvares Cabral. A dois passos do asfalto, quem quiser que escorregue pelo barranco, que é curto e não muito inclinado, e entre na lagoa para refrescar-se.
Não sei se é funda, não sei se é limpa. Mas é água, água perto de nós. Água no meio da cidade... sem barreiras, sem cerquinha e sem exame médico.
Simples assim
As vezes saímos pra encontrar amigos e passear. Já fomos algumas vezes no Ibirapuera à noite...
Com ele já fui na Virada Cultural, à qual nunca tinha ido, e adorei.
ARN tem um olhar legal sobre as coisas, curte as coisas simples e me mostra um jeito bom de viver que eu não conhecia.
Este finde fomos duas vezes no Ibira para ver a Árvore de Natal.
A Árvore particularmente não me interessa muito não, acho meio sem graça. Já vi a da Lagoa no Rio e acho a de lá mais bonita...
Mas o que eu achei bonito mesmo foi a iluminação nas árvores. Fica um efeito lindo, um parque meio louco, doido, mágico, lúdico.... Dá vontade de entrar ali no meio das árvores, acho que a gente se sente meio num mundo de fantasia...
Vale a pena ir lá conferir. A foto é do ARN.
29 novembro 2007
Contardo dispensa apresentações. Demais.
Ilhas desconhecidas
O amor e a viagem nos fazem descobrir que há algo, em nós, que não conhecíamos até então
QUANDO ERA criança, um senhor canadense, Mr. Evans, foi contratado por meus pais para "treinar" meu inglês. O método de Mr. Evans consistia em narrar grandes eventos da História (com H maiúsculo) como se ele tivesse sido uma testemunha ocular. Conseqüência: há detalhes íntimos de várias cenas famosas que não sei mais se são fatos ou fantasias de Mr. Evans.
Uma fonte de inspiração de Mr. Evans era a expedição de Lewis e Clark, que, entre 1804 e 1806, abriu o caminho do Oeste americano. Segundo Mr. Evans, em 7 de abril de 1805, deixando Fort Mandan para se aventurar no território desconhecido das grandes planícies, Lewis, pensativo, teria dito a George Gibson (o melhor atirador da expedição): "New land, George" (uma nova terra, George).
Nunca pude confirmar a veracidade da dita conversa. Mas essa frase, aparentemente trivial, foi incorporada no meu léxico familiar. A cada vez que, numa viagem de férias, saíamos do país, meu irmão e eu não parávamos de repetir: "New land, George". Ainda hoje, quando chego num lugar desconhecido, penso em Lewis e Gibson.
Mais tarde, meu irmão e eu passamos a usar a mesma expressão quando - numa festa, por exemplo - avistávamos mulheres que despertavam nosso interesse. Um dos dois, invariavelmente, levantava a mão espalmada, como se quisesse proteger os olhos do sol, e dizia: "New land, George".
Na literatura, não é raro que um corpo amado e desejado seja comparado à paisagem de terras incógnitas. John Donne, num de seus mais lindos poemas (do século 17), chamou sua amada de "minha América, minha terra recém-descoberta". De fato, há mesmo uma relação entre o amor e a verdadeira viagem. Vamos ver qual.
De vez em quando, tenho vontade de viajar. O que chamo de viajar não tem muito a ver com viagens de férias. Tampouco significa necessariamente desbravar terras virgens.
Encontrei a melhor definição do que é viajar numa maravilhosa e breve fábula de José Saramago, que acaba de ser publicada, "O Conto da Ilha Desconhecida" (Companhia das Letras). O protagonista explica assim seu desejo: "Quero encontrar a ilha desconhecida. Quero saber quem eu sou quando nela estiver".
Viajar é isto: deslocar-se para um lugar onde possamos descobrir que há, em nós, algo que não conhecíamos até então. Sem estragar o prazer dos leitores, só direi que, no fim da fábula de Saramago, talvez o protagonista não encontre sua ilha, mas ele encontra uma mulher. A moral da história é incerta, entre duas leituras opostas.
Primeira leitura: quem casa não viaja (a não ser de férias); casar-se é desistir de viajar. É o que pensam, com freqüência, homens e mulheres casados. E é também o que os leva, às vezes, a se separarem. Quando achamos que o outro nos impede de viajar, ou seja, que ele nos priva da aventura de descobrir o que poderia haver de diferente em nós, o casal se torna nosso inimigo. Claro, na maioria dos casos, acusamos o casal de uma inércia que é só nossa.
Exemplo: anos atrás, na França, um amigo se interessava pelas pessoas que desaparecem sem razão aparente e refazem sua vida alhures, sob outro nome, como se tivessem sido vítimas de uma amnésia repentina. Em todos os casos em que meu amigo conseguira entrevistar esses "desaparecidos", os mesmos constatavam que, depois de seu sumiço, em poucos anos, eles tinham reconstruído uma situação de vida parecida com aquela que tinha motivado sua fuga.
Segunda leitura: o protagonista descobre que a mulher ao seu lado é a própria ilha desconhecida que ele procurava e que a verdadeira viagem é o encontro com um outro amado. Faz todo sentido, pois o amor e a viagem, em princípio, têm isto em comum: ambos nos fazem descobrir em nós algo que não estava lá antes.
O outro amado nos transforma. Tanto quanto a chegada numa terra incógnita, ele nos revela algo inesperado em nós.
Por isso, aliás, o viajante e o amante podem esbarrar em problemas análogos: às vezes, ao sermos transformados pela viagem ou pelo amor, não gostamos do que encontramos, não gostamos dos efeitos em nós do amor ou da viagem. Essa é, em geral, a única razão séria para se separar ou para voltar da viagem.
Moral dessa coluna (e talvez da fábula de Saramago): os outros não são nenhum inferno, são uma viagem. Agora, para amar, como para viajar, é preciso ter determinação e coragem.
ccalligari@uol.com.br
22 novembro 2007
Meu lado negão
Eu finalmente entendi o que a gringaiada sente quando chega na Bahia. Mais precisamente, em Salvador. O Pelourinho à noite é uma loucura, tem música pra todos os lados, e não é só pra turista não!!! O baiano adora música, os lugares estão sempre cheios de locais...
Na nossa noite mais pelourística fomos assistir a missa católico-afro da Nossa Senhora do Rosário dos Pretos...
Bebemos uma cerveja ali no bar Cruz do Pascoal...
E depois fomos ao show do Gerooonimo!!! que eu já comentei aqui, muita energia boa, cheio de locais.
Dali saímos para uma volta no Pelô. Logo que terminamos a subida da ladeira já tinha um batuque (esse era pra turista mesmo) do estilo Olodum, com todo mundo indo atrás, os negões fazendo coreografia e um outro vendendo os CDs. Uma delícia, dancei à beça. Tinha um casal sentado num bar que ficou só rindo da minha empolgação.
Depois fomos passear. Uns dois quarteirões pra lá esbarramos numa esquina com um pagode do bom, bem tocado. Paramos ali também, eu empolgada, dançando louca, e o ARN só achando graça da minha doidera. Improvisamos um forrozinho do tipo 'dançando de walkmen', bem ao estilo ARN, pianinho, pertinho, gostoso demais.
Logo mais à frente outro batuque e um pouco mais além numa praça vários bares com som ao vivo, axé music. Isso tudo num raio de uns 10 quarteirões.
A gringaiada pira mesmo....
E eu me empolguei com tanta baianidade e fiz o cabelo afro. Eu e as gringas. Ficou bom, não?
Probleminhas do cabelo afro
Minto, foram dois problemas: ontem desmanchei o afro, porque os elastiquinhos já tavam soltando... Rapaz, lavei a cabeça inteira hoje...(porque só tinha lavado a parte solta, esse é outro problema... não dá pra lavar direito as tranças...) e caiu MUITO cabelo. MUITO mesmo. Não sei se porque foram 5 dias sem cair os cabelos da parte trançada (a gente sempre perde cabelo todo dia), mas caiu tanto que assustei...
Outra coisa: dá uma boa estragada no cabelo a trancinha. Muitos fios quebrados e bastante cabelinhos arrepiados como resultado.
Mas valeu!!! Quem sabe não repito qualquer hora dessas?
Só duvido que aqui em SP custe os mesmos R$ 20,00 que eu paguei lá. E olha que paguei caro... Tem gente lá que faz por 10 ou 15 pilas...
olha eu aí. não dá pra ver, mas tem umas gringas do meu lado fazendo também ;-)
20 novembro 2007
(Des)Igualdades e Preconceitos
Alguns dias depois, em busca de uma comida diferente de acarajé, abará, churrasquinho de bode e carne de sol com purê de aipim (passamos uma semana inteira nos alimentando de petiscos!!!, cerverja e água de coco!!! asssim não há reeducação alimentar que resista!...) resolvemos encerrar a viagem num barzinho ali perto de onde nos hospedamos... um bar mais arrumadinho, do tipo daqueles que a gente encontra igual aqui em SP, no Rio, em BH, qualquer lugar, portanto. Os preços eram parecidos com os preços daqui. R$ 10,50 uma porção de pastel com 8 unidades.
Entre um pastel de camarão e um de siri, notei que não havia negros ali. Ou melhor, havia sim. Poucos, em geral um dentre 4 ou 5 brancos, nunca um grupo só de negros, nunca o suficiente para que notássemos sua presença.
Fiquei intrigada com isso... Não era um local de turista não, era um local de locais.
Pesquisando, achei na internet: 64,8% da população de Salvador é de pardos e 21,8% de negros (ao que parece, são dados do IBGE).
Porém, "segundo estudo do professor da UFRJ Marcelo Paixão, que coordena o Laboratório de Análises Estatísticas Econômicas e Sociais de Relações Raciais, preparado para o Dia Nacional da Consciência Negra (...), em Salvador, (...) a média mensal recebida pelos negros é de R$ 715, ou apenas 52,9% do valor recebido pelos bancos, de R$ 1.350."
Ainda estou com isso entalado na goela.... Preciso pensar mais a respeito. Mas me incomodou essa ausência.
*****************************************************
Na minha turma da SanFran tinha somente dois ou 3 negros, no meio de uns 200 brancos. Uma vez, conversando com um desses amigos, notei que ele só tinha amigos brancos. Na verdade, ele é um branco, como uma vez disseram do Ronaldo, jogador. É um negro branco. Faz a gente pensar...
fonte: site Gazeta do Povo online
19 novembro 2007
Decisions, decisions
18 novembro 2007
é o azul que a gente fita, no azul do mar da bahia...
As cores, o mar transparente (pelo menos o da praia do Porto da Barra e o da praia do Farol da Barra), o sol (sempre brilhando no céu azul e limpo; sempre lindos pôres-do-sol, decisão mais importante de cada dia...), e a pobreza, a dificuldade, o pelejar do bahiano para tocar a vida. Mas sempre bricando, brincando de brigar (como observou ARN), brincando de zoar com o outro, o Bahia subindo pra série B, e assim a vida segue. Pronto!
Salvador pra mim tem cheiro de Acarajé. Acarajé que foi comido religiosamente todos os dias pelo meu companheiro de viagem e por mim quase todos os dias, alguns mais de uma vez. O melhor que comi não foi o da Cira não, foi o de uma Baiana chamada Augusta que fica embaixo da escada do meio da praia do Farol. Quem anda pra lá e pra cá vendendo na praia é a Karla, uma moça muito bonita e simpática, que quase flerta com o freguês ao dizer o preço da porção de mini-acarajé com um camarão salgadinho na medida e muito bem temperado, hmmmmm.....
Ah, e é bom que todos saibam:
Acarajé causa esquecimento!!!
Depois escrevo mais.
(créditos das fotos: todas por ARN!)
29 outubro 2007
Antes que o tempo e a distância digam não
Nunca perdi ninguém próximo, mas já vi duas pessoas muito próximas perderem pessoas muito próximas. Somente agora, mais adulta, é que pude ter a clareza desse sofrimento, mas sei que só vou saber mesmo, profundamente quando, inevitavelmente, um dia, perder eu também alguém querido.
Nessas ocasiões é que a gente se dá conta da nossa babaquice: ficamos tentando provar pontos de vista quando, o que realmente importa, que é dar carinho, amor, abraços e beijos em quem gostamos e em quem gosta da gente, esquecemos de fazer todos os dias.
Somos mesmo estranhos...
Dosar o amor é uma sabedoria; aliás, refraseio: dosar a demonstração de amor, pra não virar 'pegajosice', é uma sabedoria. Mas amor... Amor não se dosa!! Mas por vezes dosamos o nosso demonstrar... E quantas vezes não nos damos conta de que ficar dosando isso é uma grande bobagem...
Mas é difícil... muitas vezes não aprendemos a dizer do nosso afeto. Não sabemos como dizer ou como chegar. Mas é um aprendizado tão necessário!...
Nos últimos tempos ouvi duas vezes a mesma frase em situações parecidas, de pessoas que não se conhecem: diga hoje, agora, praquela pessoa de quem vc tanto gosta, que vc a ama. Abrace-a, beije-a, diga o que sente. Porque amanhã pode não ser mais possível.
Parece piegas né? Sair por aí declarando amor... Mas as duas vezes em que ouvi essa frase fez muito sentido. Estou disposta a praticar.
Acho que vale a pena. Vai ser difícil, em especial com certas pessoas, porque sempre tive uma certa dificuldade em expressar o meu afeto com gestos, com abraços. Abraço é difícil. Mas estou disposta a praticar.
Falar também é difícil, algumas vezes, mas sempre é hora de tentar coisas novas.
Vamos tentar?
18 outubro 2007
Bom senso
Ainda bem que ele teve o bom senso de não reconhecer os sujeitos sem de fato reconhecer, como acontece em um monte de casos.
Analisei um processo criminal uma vez do começo ao fim para montar uma aula de psicologia do testemunho. Na fase de inquérito, com os fatos frescos na cabeça, a gente ainda se lembra com relativa clareza das coisas. Com o passar do tempo, vamos agregando imagens e relatos nessa lembrança. As coisas se misturam...e as pessoas podem cometer erros.
E ainda ensinamos nas faculdades que vamos descobrir a verdade no processo penal...
"Huck não reconhece suspeitos de roubar seu Rolex em São Paulo
Publicidade
da Folha Online
da Folha de S.Paulo
O apresentador da TV Globo Luciano Huck não reconheceu nesta quinta-feira os dois suspeitos de roubar seu relógio Rolex em um bairro nobre da zona oeste de São Paulo no mês passado.
Huck mora no Rio e veio a São Paulo apenas para ver as fotos dos suspeitos, o garçom Wagner do Nascimento Marinho, 22, foragido da penitenciária de Valparaíso (577 km de São Paulo), e um grafiteiro.
As fotos foram apresentadas pelo delegado Marcos Manfrin, que teve um encontro com o apresentador no escritório do pai de Huck, em Pinheiros (zona oeste de São Paulo). Segundo sua assessoria, o apresentador já voltou para o Rio.
A prisão ocorreu em Taboão da Serra (Grande São Paulo), graças a um informante da polícia. De acordo com o informante, o Rolex, avaliado em R$ 10 mil, já foi vendido."
15 outubro 2007
Que lado do seu cérebro vc usa mais?
Eu achei interessante, porque vejo dos dois jeitos com muita facilidade... basta eu desviar o olhar um pouquinho e quando olho pra moça ela já está girando do outro lado.
Será que estou conseguindo atingir o tão desejado equilíbrio?
Vejam aí, depois me contem!
04 outubro 2007
Free Burma

estou aderindo por motivos óbvios à campanha dos blogueiros para despertar a atenção internacional para Burma. com mais tempo e mais tranqüilidade faço um post de verdade a respeito. por hora, fica a adesão.
quem quiser aderir clica aqui.
28 setembro 2007
23 setembro 2007
como nossos pais
(fonte: http://meuserevaporei.blogspot.com)Essa árvore se chama Jacarandá mimoso... Já viram como tem alguns lindos por aí, espalhando flores pelo céu e fazendo aquele tapete colorido pelo chão???
Cresci, cresci, e virei uma mistura muito bem dosada dos defeitos e das qualidades dos meus pais...
Esse negócio de ficar olhando árvore floridas pela cidade, observar que árvore é de cada época, querer saber o nome... Os passarinhos... Isso é coisa de meu pai (e, em certa medida, também da minha mãe, um pouco influenciada por ele, creio), que cultiva um jardim há 30 anos... agora já temos um pequeno pomar!!!
Sobre o pequeno pomar de hoje e o pomar da minha infância vou escrever depois. Amoras, jabuticabas e pitangas: reminiscências de uma casa e de uma família que me acolhia com chás, chocolatinhos e uma permissividade que na minha casa não era possível.
Dia mundial sem carro
1) São paulo ter um transporte público decente com uma malha metroviária abrangente.
2) O 'Dia mundial sem carro' ser decretado pelo PCC."
(Comentário de um leitor no blog Querido Leitor - link aí na barrinha lateral)
18 setembro 2007
Em protesto, ciclistas criam ciclovias clandestinas nas principais vias de SP
"Ciclistas de São Paulo criaram, por conta própria, faixas preferenciais para bicicletas. A sinalização, feita do lado direito de importantes vias -uma bicicleta pintada com tinta branca-, como as avenidas Paulista e Sumaré, é um protesto contra a falta de ciclovias e também uma maneira de alertar os motoristas de que há ciclistas pedalando na região.
Os desenhos foram feitos em agosto, durante um encontro de ciclistas ativistas. "É uma forma de mostrar que não há estrutura", explica Tiago Beniggio, que é um dos participantes do evento. A organização do encontro, diz ele, não tem nada a ver com as pinturas. "São pessoas que resolveram protestar isoladamente."
A CET, que desconhecia os desenhos, irá avaliá-los e decidir se eles serão apagados."
Folha, 18 de setembro de 2007 - Cotidiano
Essa iniciativa me lembra, timidamente, o movimento Reclaim the Streets, descrito pela escritora Naomi Klein em seu livro "No Logo" ("Sem logo", em português).
Já escrevi sobre isso aqui nesse blog (digite Reclaim na busca do blog, que fica no algo da página).
Acho interessante esse tipo de movimento.
Adoraria ver hordas de ciclistas tomando as ruas sem avisar, expulsando os carros da circulação. Pena que no Brasil não conseguimos ter esse tipo de mobilização social. Por vezes, o 'método Greenpeace' é o único jeito de chamar a atenção.
Por falar nisso, vcs viram reportagem esse finde nos jornais avisando que em pouco tempo, se não reduzirmos os índices de poluição na cidade de São Paulo, logo estaremos iguais a Cubatão?
06 setembro 2007
blogueiros
gostou do outro blog afinal?
Mi says:
gostei
tem coisas boas, engraçadas
M says:
que bom. a ideia dele eh nao ter filtro mesmo. \
Mi says:
vc é uma metralhadora de posts curtos e engraçados
M says:
qualquer bobagem, qualquer trocadilho besta, sei lah.
Mi says:
eu sou uma bereta de posts longos e quase nada engraçados
M says:
que bom que vc acha.
hahahahahaha\
mentira: isso que vc escreveu dava um pst curto e engracado.
Mi says:
(bereta ou alguma arma que demora pra atirar e carregar, eu nem sei se bereta é demorada, é que o nome parece assim)
M says:
Mi says:
ahaha
to inspirada hoje
M says:
olha, nao sei se exxiste uma arma que demore pra attirar.
mas nao deve vender muito...
Mi says:
que demora pra carregar, pelo menos
M says:
winchester 16 mm.
Mi says:
ah, mas bereta soa melhor. vou postar
risos
M says:
hahahahahah
Mi says:
foda-se a winchester 16 mm
M says:
e vvc acha que eu taava falando serio?
sei lah como eh uma winchester!
Tristeza e dignidade do suicídio
QUANDO EU tinha 12 anos, um tio meu se suicidou. Era um tio de quem eu gostava e que gostava de mim. Ele enfiou a cabeça no forno e abriu a torneira do gás. Deixou uma nota, sucinta, que dizia: "Suicídio por razões profissionais e amorosas".
Meus pais não esconderam de mim as circunstâncias da morte do tio e me mostraram seu bilhete. Mesmo assim, imaginei perceber, em meus pais, uma certa vergonha. Isso, porque, no fundo, eu os culpava.
Foi a grande crise na minha idealização dos meus pais e, por conseqüência, na tranqüilidade de meu mundo: aparentemente, a amizade e o amor que eles ofereciam não tinham sido suficientes para dar a meu tio a vontade de continuar vivendo.
Nada me garantia, portanto, que eles saberiam fazer o necessário para que eu estivesse a fim de viver.
Foi assim que o luto pelo suicídio do meu tio foi também o fim de minha infância. Mas, em regra, quando se suicida um próximo de quem gostamos e que gostava de nós, não atribuímos vergonha e culpa a terceiros: esses sentimentos surgem em nós, ao descobrir que nossa presença e nosso amor não bastaram para que o outro quisesse viver. Em alguns casos, essa ferida nunca cicatriza.
Quando o suicida é nosso pai ou nossa mãe, o sentimento de não termos sido a razão suficiente para ele ou ela viverem fica conosco para sempre, como um fundo melancólico, como a sensação de uma insuficiência essencial ou de uma impossibilidade de sermos amados.
Quando o suicida é um filho ou uma filha, a perda (irreparável, pois o luto pelos nossos descendentes é contra a ordem das gerações) é acompanhada pelo sentimento de um fracasso, como se não tivéssemos conseguido transmitir o básico: a vontade de viver. Deve ser por isso que os monoteísmos consideram o suicídio como um pecado contra o criador: o suicida demonstraria o malogro de Deus. Assisti ao filme "A Ponte", de Eric Steele, e espero que continue em cartaz. Em São Paulo, já passa em apenas uma sala, duas vezes por dia.
Alguns anos atrás, Ted Friend publicou, na "New Yorker" (13/10/ 2003), um artigo sobre a estranha freqüência com que a famosa ponte Golden Gate de San Francisco é escolhida pelos suicidas. Aparentemente inspirado pelo artigo, Steele, durante um ano inteiro, filmou a ponte, sem parar. Houve 24 suicídios e várias tentativas que foram sustadas também graças à equipe de Steele (eles informavam a polícia quando detectavam, de longe, comportamentos "suspeitos").
Além disso, Steele entrevistou parentes e amigos próximos dos suicidas. O tom é justo, comovedor e tocante. O filme evita o caminho mais fácil, que consistiria em nos acusar sub-repticiamente, como se, quando alguém decide morrer, fôssemos todos, de uma maneira ou de outra, responsáveis. A maior qualidade do filme é, ao contrário, a sobriedade. O ato suicida guarda sua dignidade porque, apesar das explicações dos próximos, ele permanece misterioso e radicalmente imprevisível, como qualquer ato humano.
No dia 29 de agosto, o UOL publicou a notícia seguinte: na Áustria, dois homens viviam junto, em um apartamento-albergue dos serviços sociais. Brigaram. Um deles, Robert, psicótico em remissão, matou o outro; depois disso, ele abriu o corpo e o crânio do companheiro e comeu órgãos internos e cérebro. Quando a faxineira chegou, Robert, com a boca ensangüentada, comentou: "Veja só o que aconteceu". A porta-voz do Fundo Social de Viena declarou: "Se tivéssemos a menor idéia de que este tipo de coisa pudesse acontecer, teríamos transferido Robert para outro local e exercido um acompanhamento mais adequado". Alguém, na Áustria, deve estar criticando severamente o psiquiatra, o psicólogo ou a assistente social que, algum dia, afirmaram que Robert podia ser devolvido à sociedade.
Pensei nas poucas vezes em que, num tribunal, tive de dizer, em nome de minha "ciência", se alguém, a partir de então, seria ou não um bom pai ou uma boa mãe.
A verdade é que, uma vez os fatos acontecidos, somos capazes de interpretar, de encontrar explicações e mesmo de assumir responsabilidades e culpas que temos ou não temos. Mas tudo isso apenas retroativamente.
Em matéria de comportamento humano, somos quase sempre incapazes de prever. Não sei se é um mal: talvez essa ignorância seja a condição de nossa liberdade.
Folha de SP, 06/09/07
01 setembro 2007
Paulo Ferraz é finalista do Prêmio Bravo
Post emprestado do Peixe de Aquário. beijos, Ana!
AH: o blog do Paulo Ferraz é o De Novo Nada, linkado aí na barrinha lateral...
28 agosto 2007
nova tentativa
26 agosto 2007
24 agosto 2007
João de Barro
Fonte da foto: http://www.iti.br/twiki/bin/view/Swlivre/JoaoDeBarroQuando eu era mais nova (não vou falar mais jovem porque não me desce bem...), eu tinha muita certeza de tudo. Eu nunca havia parado pra pensar realmente sobre isso, mas tenho clareza, hoje, de que eu tinha certezas demais. Nem sei bem sobre o que, mas eu tinha.
Hoje não tenho mais certeza de nada. Ainda bem.
O tempo e a (con)vivência têm me mostrado, dia a dia, que é ele mesmo (tempo) que nos dá as respostas. Que é preciso saber ouvir, saber calar, saber abraçar, saber esperar, saber rir de si mesmo.
O joão de barro sabe ensinar o que eu estou falando. Ele estava construindo sua casinha no poste na frente da minha casa, no interior. Boa parte da sua casa ele pegou no meu jardim. Trabalho longo... Vai, pega gravetinhos, voa, coloca lá, volta, um pouquinho de lama no meio de mais gravetinhos... No fim da tarde come insetinhos, despudoradamente, nem te ligo pros cachorros: pousa no jardim e fica caçando pequenos pernilongos e bichinhos... e segue, incansável, buscando os gravetinhos, dia após dia.
Estou aprendendo a buscar os gravetinhos. É difícil, porque vc precisa procurar bem pra não pegar gravetinhos errados. Precisa saber perguntar que tipo de lama serve e qual não serve... Por vezes não é a sua vez de colocar um gravetinho ali... É preciso, ainda, perceber quando é tempo de parar e deixar secar o que já foi construído...
E vc precisa também saber onde colocar os gravetinhos. E de repente, tem dias que vc não está muito bem e escolhe mal, pega uns meio ruins, meio ocos, ou então não quer nem pegar nada. Às vezes parece que tudo vai desmoronar... aí vc presta atenção, vê onde é que está meio torto, onde está faltando lama... e continua... E quando, finalmente, fica pronto um pedacinho pequeno da parede... Dá uma felicidade tão grande... que vc sabe que tem que continuar construindo, porque a casa vai ficar linda.
20 agosto 2007
"Caguei para o Cansei"
"Zezé é Zezé. Eu sou eu"
O cantor Luciano recusou convite para entrar no "Cansei". O irmão dele, Zezé Di Camargo, aderiu, mas ainda assim Luciano diz que a manifestação é oportunista e que agora vai "lançar o movimento "Caguei'".
FOLHA - Por que não aderiu ao "Cansei"?
LUCIANO CAMARGO - Como é que eu vou apoiar um movimento liderado por alguém que promove desfile de cachorros [o empresário João Doria]? Essas pessoas cansaram de quê? Os artistas só estão aderindo porque foram convidados por amigos. A maioria não tem coragem de dizer não. Eu tenho. Este é mais um movimento oportunista. As pessoas que estão nesse movimento não cansaram de coisa nenhuma.
FOLHA - O Zezé aderiu.
LUCIANO - O Zezé é o Zezé, eu sou eu.
FOLHA - Você já disse que se arrepende de ter apoiado o candidato Lula na eleição.
LUCIANO - Eu não me arrependo. Eu me decepcionei. Mas nem acho que o "Cansei" é para derrubar o Lula. Aquilo ali [Lula] nem com reza brava cai. Mas o "Cansei" tem uma classe elitista por trás, que nunca pegou fila para entrar num avião. É um movimento político. Estavam só esperando um momento oportuno para lançar. Protesto é ir para a frente do prédio da TAM. Eu cansei desse "Cansei". Vou lançar o "Caguei". Caguei para o "Cansei".
13 agosto 2007
Pós-graduação
- Agora que já tem orientador, Fernandinho pode fazer seu mestrado.
Post emprestado do blog da Rosana Hermann - Querido Leitor




