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01 junho 2008

Último dia em Bons Ares

No último dia acordamos tarde (de novo!) e fomos a um grande Parque, tipo o Ibirapuera de Buenos Aires, Parque 3 de Frebrero, mas que tem junto Jardim Zoológico e Jardim Botânico.


Passeamos no Jardim Botânico e depois entramos num Roseiral, muito legal, com várias rosas bonitas...


e um lago com gansos e patos, e a Família Ganso : papai, mamãe e filhinhos gansos fofos.

De lá fomos almoçar em San Telmo... Mas San Telmo merece um post à parte.

Ah, vale uma ida ao Parque. É bem bonito. E cheio de gatos. Muitos, muitos gatos.

27 maio 2008

La noche

Acho que não curtimos a noite porteña como poderíamos. Mas td bem, não se pode fazer tudo. Em nossa terceira noite na cidade, fomos à Plaza Francia, na Recoleta, onde havíamos lido que havia barzinhos. Ledo engano, deveríamos ter ido de novo a Palermo Viejo.
Ali contornando o Cemitério da Recoleta tem um monte de barzinhos, mas não muito esse esquema de bar aqui de Sampa. A sensação que tive, pelo menos a partir do que eu vi na Recoleta, é que em BAs há dois tipos de local: restaurantes ou baladas. O tipo barzinho que a gente tem aqui, que fica simplesmente lotado de gente e ponto, não vi lá. Mas talvez fosse em Palermo, não sei.
Depois de andar bastante, contornando a lateral do Cemitério e olhando os barzinhos, sentamos em um boteco ali e pedimos uma Quilmes.
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Ah, um parêntesis interessante: espalhados pela cidade inteira tem os tais 'kioskos' ou 'maxikioskos', que são vendinhas que têm todo tipo de porcaria: coca cola, salgadinhos, bolachas, chocolates etc. Pela quantidade deles, daria pra imaginar todos os porteños gordos de tanto comer porcaria. Mas como a cidade é plana, devem andar bastante. Ainda não entendi qual é a dos 'kioskos'. Fica pra próxima.
Outra coisa interessante: os cafés. Praticamente um em cada esquina. O tanto de padaria que temos aqui, eles têm de cafés. E o detalhe é que não vi padarias. Isso me intrigou: será que os porteños só tomam café da manhã no café? Onde compram o pão para tomar café em casa?
Perguntei a um taxista: onde se toma o 'desayuno'? Em casa? No café? O taxista me respondeu: uns em casa, uns no café. E onde compram os pães, perguntei? Na 'paneteria', ele respondeu (uma coisa óbvia!!!). Eles têm padarias e confeitarias, mas não é nada como aqui. Engraçado.
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Enquanto tomávamos a Quilmes, ficamos olhando o povo passar. Engraçado, parece que todo mundo é moderno. A mulherada usa tênis All Star, calça skinny (parece que ninguém tem coxa grossa), ou bota baixinha, pra fora da calça, cabelos lisos (praticamente não vi encaracolados - embora tenham tido muita imigração italiana, aparentemente os italianos de cabelo enrolado não foram pra lá, e não têm negros misturados com brancos, como temos no Brasil, o que explica em parte a ausência do encaracolado) ou ondulados. Enfim, todos modernos, com cabelos cuidadosamente desarrumados e displicentemente presos. Isso explica por que a feirinha em Palermo bomba no Sábado.
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Última observação sobre a Recoleta: nesse mesmo quarteirão contornando o Cemitério tem um mega cinema, com uma livraria embaixo - tem bastante livraria na cidade, algumas pequenas e fofas, outras maiores, mas sempre aconchegantes - parece com um cinemark, tem umas 7 salas, vc vai subindo escadas rolantes, aquele acarpetado tipo cinemark, cheio de cartazes... mas o que mais me impressionou foi que têm sessões começando à 1, 2 da manhã. Muito louco! Eu quis encarar um Indiana Jones com legendas em castellano, mas meu irmão não topou :(

Terceiro dia

No terceiro dia fomos às compras: eu e o Linus fomos à Calle Murillo para ver as lojas que vendem roupas de couro. Lá só tem roupas, não calçados. São duas dúzias de lojas de roupas de couro, uma ao lado da outra. Mas os preços não variaram muito, e acabamos comprando na primeira loja em que entramos, que havia sido indicada também pela Marixx (ou melhor, por um amigo dela). A loja se chama Siciliano, fica na Calle Murillo, n° 676, dá Nota Fiscal e dá o documento para vc obter o reembolso do IVA. Bom preço, valeu a ida até lá. Ah, o nome da jaqueta de couro lá é 'campera'.
Na hora do almoço fomos ao bairro de Palermo: é simplesmente de enlouquecer. Imagine uma feirinha do Center 3, na Paulista, vezes 10. Imagine dezenas de lojinhas de estilistas jovens e criativos com milhares de roupas exclusivas a ótimo preço. Isso é Palermo Soho, a parte 'muderrrna' de Palermo. Aliás, parece que todos os jovens porteños são muderrrnos. Mas sobre isso escrevo depois.
A única coisa que comprei em Palermo foi um charmoso bonezinho, mas poderia ter comprado muito mais. Me arrependo muito de não ter comprado um casaquinho preto de bolinhas vermelhas reversível. Muito. Mas não deu, não tinha clima, novamente nesse dia tive alguns rápidos estresses com minha mãe e meu pai simplesmente odeia esse clima de comprar, odeia feirinhas, então não tem clima para comprar.
O bom de Palermo foi o restaurante. Circulamos pelo bairro um pouco antes dos meus pais nos encontrarem para o almoço - eles tinham ido fazer o tradicional 'city tour' de manhã, que nós pulamos. Eu procurei um lugar legal para almoçarmos e achei: um restaurante de comida típica do Norte da Argentina: empanadas, cozidos, parrilla (claro!) e o mais legal: carne de 'llama' (lhama) e carne de yacaré.
Chama-se La Paila.
Para não radicalizar total nossos estômagos sensíveis, não pedimos llama + yacaré, pedimos empanadas, um 'chorizo' e o prato de carne de llama, que se chama 'charquican'. Quando chegou, não resisti e tirei uma foto:

Trata-se de carne de llama desfiada e temperada e misturada com quinoa, dentro de um pão absolutamente redondo e com a casquinha dura. Era muito gostoso!!!
De sobremesa, uma ambrosia sensacional e muito diferente das que estamos acostumados a comer aqui. Maravilhosa!
E o melhor de tudo: não tinha brasileiros no restaurante. Gosto de lugares freqüentados por locais: me sinto mais integrada à cultura do que num restaurante onde só ouço português nas mesas em volta - como aconteceu, por exemplo, no La Caballeriza (ver post abaixo).
Pra encerrar o dia, fomos ao MALBA ver uma exposição chamada Tarsila Viajera, com quadros e desenhos da Tarsila emprestados de vários museus e colecionadores, e também com o 'Abaporu' - lembram o bafafá que foi na imprensa quando Eduardo Constantini o comprou?
Estava lá também 'Operários', que pertence ao Governo do Estado de São Paulo, e muitas outras obras famosas dela ('Manacá', 'EFCB', 'Paisagem com Touro', 'São Paulo', 'Sol Poente', 'A Família', nossa, MUITAS obras lindas!) e muitos desenhos.
Vimos tambem uma exposição da Arte LatinoAmericana, do acervo do museu.
No MALBA ainda tem um cinema e um café delicioso, que serve algumas refeições também. Bebi um chá preto com notas de melão e mel que era simplesmente ma-ra-vi-lho-so.

Il secondo giorno - o título é em italiano mas a viagem foi em portunhol

O nosso segundo dia foi na verdade o primeiro; um dia de adaptação. O que é uma pena, porque se vc só tem três dias na cidade, não quer gastar o primeiro se adaptando.
Minha mãe não estava bem, anda com umas tonturas. Além disso, começamos o dia com uma agradável discussão sobre o dinheiro - tema que sempre gerou conflitos na minha família. Ela não estava bem e eu estava pelas tampas, e me irritei bastante com a insinuação de que eu 'não queria prestar contas' do dinheiro que tinha pego na noite anterior. Enfim... família.
Pela manhã fomos caminhar: eu, o Linus e o papi, andamos até Puerto Madero. Caminhamos bastante!!!
Visitamos o museu Fragata Sarmiento, muito interessante, com tudo preservado. Gostei bastante.

(foto tirada da fragata: vista de Puerto Madero)
Depois almoçamos no La Caballeriza.
À noite fomos ao show de tango no Café Tortoni, muito interessante. Parece com a Confeitaria Colombo. Deu vontade de voltar lá pra tomar um café em grande estilo.
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Achei a cidade de Buenos Aires parecida com o Rio de Janeiro.
O centro da cidade, ali aquela região da Recoleta, avenidas largas, prédios imponentes, a proximidade com o mar, lembra muito o centro do Rio de Janeiro...
E a cidade toda, realmente, é bem européia, em sua arquitetura: além dos grandes prédios estilo francês, tanto no centro quanto na periferia, os prédios residenciais são, em geral, baixinhos, quase todos têm sacada, bem estilo italiano.
No centro, também é como no Rio: os prédios têm pequenos negócios e galerias embaixo dos prédios.

26 maio 2008

Relato de viagem - post viaggio

Pra começar - chegamos no dia 22 em Buenos Aires.... e perdemos o primeiro dia de viagem. Se vc tem pouco tempo, recomendo fortemente que não chegue na cidade após o almoço. Nosso vôo chegou por volta das 16h30. Até pegar as malas, etc, esperar o transfer... pegamos um puta trânsito! A cidade realmente tem trânsito pesado, apesar das largas avenidas. E o nosso hotel ficava no centro. Resultado: chegamos lá por volta das 19h, bastante cansados. Só foi possível sair pra jantar.
Nesse dia, seguimos a dica do amigo do Linus e fomos a um restaurante italiano ali perto do hotel, chamado Broccolino.

Lotado de brasileiros, claro. Como quase todos os lugares. Os funcionários das lojas e restaurantes já estão aprendendo a falar português.

Lá no Broccolino eles fazem algumas das massas (comi um tagliarini verde feito lá, massa fresca, muito bom) e fazem os pãezinhos do 'cubierto'. Tinha um pãozinho de queijo... hmmmmmm....
Nesse mesmo primeiro dia (ou primeira noite) eu fui ao supermercado que tinha do outro lado da rua - comandando por coreanos, quase nunca fechava, incrível, acho que abria lá pelas 7 e fechava mais de meia-noite - e comprei umas bolachinhas folheadas e caramelizadas (Hojalmar) que eu adoro e aqui são meio carinhas.
Uma vez mochileira, sempre mochileira: não consigo pagar $6,00 - seja qual for a moeda - por uma garrafinha de água mineral de 500 ml. Assim, comprei também água - uma garrafa de 1,5l por menos de $3,00 - e suquinhos.
A água mineral de lá, por sinal, é muito gostosa. A marca onipresente é Villavicencio. Gostei.

25 maio 2008

Notas para posts - relato de viagem

- Uma aula-show de tango muito interessante na Plaza ... (nao me lembro o nome agora), em San Telmo
- lindas caixas e outros trabalhos de arte numa loja em San Telmo - darei os endereços depois - meu regalo de viagem, para minha casa
- crianças indias vendendo florzinhas na noite porteña - como na Vl Madalena
- serao os jovens argentinos todos indies??? as brasileiras usam botas de couro, as argentinas, cabelos (lisos ou levemente ondulados - praticamente nao vi cacheados) displicentemente propositadamente arrumados, jeans e o onipresente tênis tipo all star, de lona, baixinhos
- restaurante de comida tipica do norte da argentina - em Palermo - acho que a carne de llama nao me caiu muito bem. mas era bom.
- restaurante em San Telmo - nao os recomendados, que estavam simplesmente lotados e com muita fila, mas um logo na frente, boa comida, atendimento excelente
- fomos muito bem atendidos sempre. os argentinos sao atenciosos e simpaticos
- menos os taxistas. em geral parecem que nao gostam de nos- mas demos sorte com um ou dois
- metro parece um bonde - depois conto mais.

há mais notas, mas o tempo internet no hotel está acabando. ainda tenho uma jam de contact para ir hoje, antes de voltar pra Sampa.

24 maio 2008

Hablando portuñol

Odeeeio ir pra um lugar e nao saber sequer dizer as frases mais basicas como as relacionadas à comida, bebida, informaçoes etc. (este teclado é em espanhol, ainda nao consegui localizar o til... acho que nao tem)
Cheguei em Buenos Aires na quinta final da tarde e toda vez que tenho que falar com os porteños me sinto uma impostora.
Creio que hoje eles devem estar com a sensaçao que nós tínhamos há 20 anos quando hordas de argentinos invadiam as praias de Santa Catarina: isso mesmo, uma invasao. Aqui no hotel só se fala português. Em algumas lojas aqui perto (estou numa rua que tem vários hotéis perto), alguns vendedores falam português. É realmente uma invasao.
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A cidade é muito agradável mesmo.
Ontem fomos ao tradicional show de tango, no Café Tortoni, indicado pela Marixx, e foi realmente muito legal. Começava com um teatrinho e depois passava para um tango mais "sério"; o café lembra a Confeitaria Colombo e o show é bonitinho, engraçado; um cantor realmente encantador, simpático.
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Meu tempo está acabando, depois conto mais. Hoje já comprei a tradicional jaqueta de couro e fui à feirinha de Palermo, mas é simplesmente muito pouco tempo para tudo, e estou com meus pais, o que significa administrar muitas coisas e usar de muita paciência - que tem me faltado bastante, infelizmente.

Só nao ponho as fotos hoje porque preciso descarregar do celular.

14 maio 2008

É

acho que a minha depressão acabou, ou pelo menos ela vai ter menos tempo agora pra tentar me derrubar
tudo resolveu acontecer ao mesmo tempo agora
abriu um concurso de professores na PUC e meu 'chefe' me mandou prestar; todos adoraram o meu projeto e me deram várias sugestões; todos estão gostando da minha dissertação; consegui a vaga no curso de formação de educadores; vou continuar dando aulas em Campinas; tenho que estudar pra Defensoria
é isso aí
e mais uma vez agradeço ao São Jaime pelas agulhas milagrosas
e aos amigos pelo apoio

De novo

Esta noite sonhei, novamente, que estava querendo mandar embora alguma coisa que não me agrada em mim.
No sonho, uma amiga me dizia que ia sair e que iria deixar uma outra amiga trancada dentro do quarto até ela voltar e que não era pra eu destrancar. Aquilo me incomodava, a amiga presa começava a me ligar no celular, tinha tipo 70 chamadas não atendidas, e quando eu ia ligar pra amiga que saiu pra dizer a ela: vc não pode fazer isso, é crime, cárcere privado, o sonho acabou, eu acordei, sei lá.

Ora, pelo pouco que pude aprender de interpretação de sonhos depois de 06 anos de terapia junguiana (um dia ainda faço um curso!!!), no sonho as pessoas representam características suas que vc gosta ou não gosta.

Será que eu quero que essas características dessa pessoa presa (confusa? lenta? deprimida!!! tudo muito complicado... tudo difícil...) fiquem presas? Não seria melhor simplesmente deixá-la(s) ir embora, em vez de ficar prendendo?

Mas e a amiga que está mandando prender? Não estou certa sobre o que ela representa dentro de mim nesse sonho, porque é uma pessoa complexa!!! Que me ajudou e me ajuda tanto! Que sempre desperta o bom em mim... e me valoriza muito! Somos parecidas... tanto nas qualidades quanto nos defeitos.

Preciso pensar.

Só sei de uma coisa: acabei de conseguir dar o start num projeto que eu estou afins de fazer desde o final do ano passado. Ok, são 2 da manhã e amanhã vou acordar pau da vida atrasada pra aula da PUC. F%$#-se. Consegui dar o start no projeto. Escrevi a ementa básica do curso e agora vou mandar pro comitê gestor para começarmos a discutir. Meu primeiro projeto!!! Meu! Minha idéia! Meu curso! :D

E hoje fui na academia, malhei bastante, voltei pra casa cheia de energia! Passei no conserto pra pegar minha calça nova (ai, ai, segura a mulher... to gastando... tá dificil - mas eu precisava, não tinha nenhuma calça preta pra usar pra pegar um cinema, sair. só tinha uma social de vinco - eca!!! odeio vinco!!! só pra trabalhar!!! - ou uma de shantung pantalona, mas shantung é shantung e não algodão, né? não tinha nada básico) e comprei um shampoo que o meu estava acabando. E dei o start pra ver minha previdência privada. E fiz o termo de doação da minha HP velha pras Casas André Luiz. E organizei umas coisas no arquivo. E descobri que vai ter concurso pra Defensoria. E tomei uma decisão: vou estudar pro concurso. Vou começar a estudar semana que vem, que esta já não dá mais tempo.

E fiz minha inscrição num curso muito legal de formação de educadores sociais, aos sábados. Começa nesse agora! Para aprender o que é o método Paulo Freire. Vamos ver se me aceitam, é gratuito, mas seria DEZ pra minha carreira!!

Amanhã vou pra PUC, depois na acupuntura (mais energia!!!) e depois fazer umas coisas chatinhas como ir até a p&%$# do Fórum de Santo Amaro levar uma petição pra ver se sai uma graninha de um processo.

E ainda tenho que preparar a aula de sexta amanhã e na quinta a outra aula de sexta.

Ufa! acho que estou conseguindo me reerguer! :D Será que era isso que significava o sonho??? Não vou atender o celular pra essa depressão sem graça que fica achando tudo difícil!!! Mesmo que ela me faça 70 chamadas!!! Tenho várias coisas paradas: vários artigos para serem escritos, minha dissertação - ver se publico, esse projeto, estudar francês, fazer teatro, estudar mais italiano, estudar espanhol (vamos pra Buenos Aires semana que vem e o único da família que habla un poquito é o Linus... eu não hablo nada!!!)... ok, quase tudo, exceto os artigos e a dissertação e o projeto, custa dinheiro. Mas são projetos, quero realizá-los!

Então, é isso! mãos à obra! :D

13 maio 2008

Post emprestado

Terceiro Elemento

"Acabei de ver no jornal a notícia da reconstituição da morte que mais se fala no Brasil. Segundo os peritos, para que a versão defendida pelos advogados do casal fosse válida, a terceira pessoa envolvida teria cerca de 4 minutos para invadir o prédio, abrir aporta do apartamento sem arrombá-la, esganar a menina (por 3 minutos), cortar a tela, jogar a garota, limpar o sangue, botar a fralda de molho, fechar a porta e fugir do prédio.
Não sei quem os advogados de defesa pensam em acusar agora mas, se eu fosse o Robson Caetano, começaria a pensar no meu álibi."

Marcolito, esse post tá tão bom que não resisti.
Vejam o original e outras pérolas desse talentoso redator no Blog do Pernil e também no Versão Portuguesa.

Nós somos filhos dos nossos pais

'Spanglish', filme do mesmo diretor de ‘As good as it gets’ (Melhor é impossível), filme que tinha Jack Nicholson no elenco. Que fez também ‘Something’s gotta give’ (Alguém tem que ceder), com Diane Keaton (que deve ser a única atriz americana que não se encheu de botox), que fez Minha mãe quer que eu case (‘Because I said so’). Eu assisti todos esses, sendo Minha mãe... hoje, coincidentemente com minha mãe ao lado, e depois ‘Spanglish’ (Spanglês), sozinha, logo em seguida. Já falei que adoro cinema?

Sei que meus comentários sobre cinema são quase sempre óbvios e rasos. Em ‘Estômago’, por exemplo, nem saquei (como me disse um amigo mais entendido) que o roteiro era ‘muito didático’ e podia dispensar certas explicações de gírias de cadeia que, desde ‘Carandiru’ e ‘O Prisioneiro da Grade de Ferro’, todo mundo já sabe (‘Maria louca’, por ex)... era de fato dispensável, mas, sei lá, não me alcançam certas coisas. Gosto de bom cinema: boa diversão, bons atores, bons roteiros, bons diretores. Não chego nesse detalhe e nem sei mais do que me é intuitivo pra dizer se um roteiro é bom ou não.

Portanto, não vou fazer um comentário profundo sobre 'Spanglish', vou me limitar a dizer sobre a última frase dita por Cristina, a espertíssima filha de Florrrr, personagem da linda Paz Vega: 'Eu sou filha da minha mãe'.

Já dizia o Belchior, lindamente cantado pela Elis, que ‘ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais’: eu demorei pra entender o significado desta música, mas quando finalmente entendi, certas fichas caíram. Hoje, vejo cada vez mais como somos mesmo filhos de nossos pais. Podemos tentar minimizar os defeitos (esperamos que sim!!!) que nos incomodam mais, e desenvolver as qualidades que mais nos agradam. Mas eu sou filha de minha mãe e de meu pai. E acho que comos pais (eu, que ainda não sou mãe), temos que ter esta consciência também, para o bem ou para o mal.

Sempre digo para os meus pais que se eu gosto de trabalhar na área social ‘a culpa é deles’. Quem mandou me dar uma formação humanista? Quem mandou me ensinar a respeitar o próximo? Quem mandou me ensinar a amar a natureza? Risos

Lógico que, depois que a gente passa da fase de culpar os nossos pais, percebe que tem autonomia para mudar... certas coisas! Há características que não se pode mudar. Somos filhos dos nossos pais! E temos que nos aceitar como somos, nos amar e perdoar nossos próprios erros. Não sermos tão exigentes conosco mesmos, e nem auto-indulgentes, mas buscar não errar sempre os mesmos erros.

Ok, isso é um forte clichê de auto-ajuda, é sim... mas em certos momentos, nada como a sabedoria oriental (compaixão pelos seres senscientes, como diria o Dalai-Lama) para nos ajudar a erguer a cabeça e enfrentar a pequenez do cotidiano.

12 maio 2008

Fotinhos da comemoração (já faz tempo)

Já faz tempo (um mês!!!), mas vou postar mesmo assim. Estava muito feliz nesse dia e o meu cabelo estava ótimo (risos - a gente tem que postar fotos em que o cabelo está ótimo). Depois desse dia, o último dia em que estive bem feliz foi o da Virada Cultural.

Então, vamos lá:


Eu, Marixxx e Caqui, amigos, queridos, blogueiros.


Linus ('my broda') e Duca


Eu, entre a Elaine e a Lu - cachinhos, cachinhos!!!


Eu de costas (posei estrategicamente para mostrar o cabelo ahahahah) e Rosinha, muito querida!

Mais fotinhossssssssss

Algumas sairam com olhos de coelho (vermelhinhos) e eu to sem saco de aprender a mexer no programinha da HP. Ignorem os olhos de coelho. O fotógrafo oficial também mostrou que precisa aprender um pouquinho, porque tirou várias fotos com gente 'des costas', mas tudo bem! só não vou poder postar todas! Portanto, quem estava lá mas não está aqui sinta-se representado e agradecido!
Fabinho, Fefinas, Ricardo, obrigada pelas suas presenças queridas!


Uma geral: da esquerda pra direita: Doni e Paulo (sem rosto), Marix, Yvan, eu, Mariorui (escondido), Lu e Duca.


Mamãe Isaura com seu casaqueto fashion e tia Gardênia, sempre de bom humor


Yvan ('des costas'), Paulo e Doni.

Ausências sentidas: Marcolito, Vanessa, Lúcia, Meu pai Onivaldo, Lu e André, Dani, Bira, Maumau e Lisa, GV, Sil, e tantos outr@s amig@s querid@s...

06 maio 2008

Cuuuuuuuuuurves

Faz mais ou menos um mês que entrei na Curves. Já fazia um tempinho que eu andava curiosa para conhecer: a Academia é simplesmente a um quarteirão de distância da minha casa; além disso, a idéia de fazer ginástica sem aquele clima de academia que eu odeio sempre me atraiu.
O que eu estava precisando era poder voltar à atividade física em um lugar perto de casa, de custo acessível e que não me deixasse com o cabelo e a pele fedendo cloro (porque, nesse caso, eu faria natação no Sesc Pompéia, mas não dá mais... é muito cloro!). Um dia, a mãe de uma amiga comentou felicíssima que estava fazendo Curves... E que tinha emagrecido. E realmente tinha.
Fui lá, e nem me dei ao trabalho de conhecer ou pesquisar o preço da outra similar (Contours): eu teria que pegar carro pra ir até lá, o que estava simplesmente fora de questão.
Bem... hoje fiz minha primeira avaliação física. Confesso que, desde o início, os 31% de gordura corporal me deixaram meio preocupada... mas esses dias eu vi uma foto de uma mulher MUITO malhada, over mesmo, que tem 8%, e segundo a reportagem 8% já era muito pouco. Então, relaxei.
Também, não ando fazendo dieta nem segurando a boca. Como o que quero, o que inclui chocolate, carne (ando comendo bastante carne), pão, etc. Ou seja, estou tendo é que malhar pra começar a gastar o acumulado, sem ajuda de dieta. Tenho me permitido isso porque não to a fim de fazer sacrifícios agora, ainda mais porque andei bem triste e, nessas horas, nada como chocolate (e amigos!) para nos confortar...
O fato é que emagreci um quilo e ainda ganhei uma bolsa no sorteio da freqüência do mês (quem vai 3 x por semana o mês inteiro participa de um sorteio - ganhei logo de cara!). A gordura corporal continua 31% e minha coxa aumentou!!! (esse quilo eu perdi na barriga e nos peitos - tadinhos, são os primeiros a diminuir quando eu emagreço - risos) Mas tá bão. Pra quem foi no Sujinho semana passada e comeu meia porção de polenta praticamente inteira (só isso já era suficiente para o jantar) e mais meio espeto misto = frango, linguiça, picanha, pedaços generosos, e bebeu cerveja, e comeu petit gateau, acho que um kg tá de bom tamanho. :D
Recomendo a Curves: é uma academia inteligente, coisa bem pensada por americanos, com um monte de incentivos pra vc não desanimar, o clima é agradável e esta aqui da Pompéia tem um pessoal muito legal. Se vc faz o plano anual pode malhar em qualquer unidade do Brasil, o que é interessante (eu já fiz aula em Campinas e ontem quaaaaase fui na unidade de Moema... deu preguiça). E essa propaganda é de graça e é porque ir na academia tem sido uma coisa boa que eu estou fazendo por mim mesma. A gente precisa se cuidar.

04 maio 2008

Xu

Na falta do que postar, deixo uma foto do Xu, le petit chien, compenetrado revisando um documento no word, enquanto eu tomava sol e descansava.



Filho de intelectual, já viu, né?

01 maio 2008

it's official

estou deprimida.
não consigo trabalhar direito,
não consigo me concentrar,
tenho dias muito ruins e outros um pouco melhores,
choro muito.
Hj não consegui fazer as três coisas que eu precisava fazer: ir à aula da PUC, ir ao acunpunturista (o que teria me feito muito bem) e ir à academia (o que também teria me feito muito bem)
Woody Allen e meu amigo GV conseguiram me tirar da frente desta bosta de computador, o que me leva a crer que eu realmente amo o cinema.
Mas assim que a sessão acabou tudo o que eu consegui fazer foi começar a chorar. e não foi por causa do filme.

Já que estou aqui na frente da telinha vou falar do filme novo do Woody Allen. Cassandra's Dream, ou o Sonho de Cassandra.
Nada de Woody engraçadinho como os últimos O Escorpião de Jade ou Scoop.
Cassandra segue a onda do Match Point, mas ainda nos prende mais a atenção.
E é, indiscutivelmente, Woody Allen. As situações, as pessoas, Londres, os passeios na cidade e no campo, o timing, tudo nos lembra e nos dá aquela agradável sensação de familiaridade que procuramos quando vemos ver um filme de nosso diretor favorito.
Esse pra mim teve um gostinho especial porque a trilha sonora é do meu adorado Philip Glass, que faz sempre a mesma melodia minimalista, a mesma de Águas da Amazônia (+Uakti), a mesma de 'Passages' (+Ravi Shankar), a mesma de 'Koyaanisqatsi', 'Powaqqatsi' e 'Naqoyqatsi' - a trilogia de Godfrey Reggio, e de 'As Horas', e de tantos outros... Mas ele é simplesmente genial e envolvente. Me sinto tão embalada na sua música que tenho vontade de voar. De fechar os olhos e me jogar de felicidade.
Senti breves momentos de felicidade durante o filme.
Pena que acabou.
Tudo que tenho vontade era fazer como a moça de My Blueberry Nights
: desaparecer pra algum lugar onde simplesmente eu fizesse coisas banais como servir mesas e ver os problemas dos outros.

30 abril 2008

Sonhos

Esta noite sonhei. Sempre sonho, e com freqüência me lembro de meus sonhos.
Esta noite sonhei. Mais de uma vez, e purtroppo não me lembro dos dois sonhos. Não sei porque viajávamos juntos. Porque é que viajávamos juntos se vc não está mais comigo? Por que viajávamos juntos se eu sinto tanta raiva de vc?
Só sei que viajávamos juntos, para uma espécie de chácara, sei lá. Havia muitas pessoas, estávamos em 4 carros.
E de repente vc estava doidão, e com um grupo de pessoas que eu não conhecia. O que essas pessoas faziam lá?
E então isso me incomodava, talvez porque eu não pudesse estar com vc. Eu pedia para que vc se afastasse com aqueles pessoas dali. E vc retrucava dizendo que eu estava sendo moralista, porque quantas vezes a gente não tinha ficado assim juntos... Mas, eu pensava, éramos só dois. E, eu não pensava talvez, mas quisesse dizer, eu estava com vc, e agora não estamos mais...
Eu pedia novamente e vc não saía. Eu não sei porque, mas me irritava, e então passava a xingar vc. E vc me xingava, lógico, mas não conseguia ser muito agressivo.
O que vc estava fazendo lá? O que vc está fazendo aqui dentro, ainda?
Que porção de mim é igual a vc e eu preciso xingar, expulsar, mandar embora? Será meu superego me repreendendo e culpando por ter aprendido com vc coisas que me fazem bem? Ou será o meu lado calado, reprimido e que não consegue ser muito agressivo, que eu quero expulsar de mim?
Ai, que saudade do meu Terapeuta Junguiano...

Espantamento

Há certo tempo usei esta palavra pra descrever a sensação que sinto de vez em quando com relação a todas as coisas do mundo. Fiquei em dúvida se a palavra existia mesmo ou se eu a havia inventando. Procurei no dicionário e concluí que realmente existe.
Neologismo ou não, espantamento é o que eu sinto com freqüência quando penso na internet, quando penso na ciência, na tecnologia, na construção de pontes, nos prédios que resistem a terremotos, nos próprios terremotos, nos seres humanos e seus atos, na vida, na lua, na terra, no universo. Me espanto com todas essas coisas, sempre, e sinto medo, porque não compreendo.

28 abril 2008

Domigo off-virada

Saldo do meu domingo off-virada:

1 vestido novo (tipo trespassado, marrom com petit-pois branco e com detalhes amarelo-ovo);
1 bolsa de presente de dia das mães;
2 presilhas de cabelo de florzinha (só porque estou numa fase florzinha, de cabelo comprido e tudo), sendo uma para combinar com o vestido novo;
2 pães-de-queijo e 1 mate com leite no mate ali da frente do Espaço Unibanco
1 hora de leitura do 'Dharma Vagabonds', de Jack Kerouac, livro que ganhei da minha querida amiga Ana - o zen e o louco, como encontrar o caminho do meio...
1 filme _ Estômago, que recomendo fortemente!!!, em companhia do meu amigo Fabio (sem acento, por favor):



1 kebab de carneiro e 1 lassi de cardamomo no meu novo lugar favorito que minha amiga Lux me apresentou;

Pra quem saiu de casa pensando em se divertir de graça, o dia saiu bem caro. Mas valeu cada centavo! Foi um excelente domingo. Um pouco comigo mesma, o que tem sido cotidianamente difícil, tb porque trabalho em casa e sozinha, mas um 'comigo mesma' em que eu estava satisfeita e feliz, e um pouco na companhia do meu amigo, que foi uma delícia. Um bom domingo!

E boa semana a todos!

27 abril 2008

atualização do balanço da virada

1 sobra de macarrão de ontem como café da manhã
1 copo de suco de laranja
1 pera
1 caneca de café
é, as dores nas costas não diminuíram, mas a dos pés sim
vou sair, acho que pra Praça Roosevelt ou pra Casa das Rosas. Ai, a programação de filmes trash da Praça Roosevelt comandanda pelo Carlão estava demais. Eu devia ter ido, mas tava um trapinho.
depois quero pegar um cineminha na Paulista
Fui!

Balanço da Virada Cultural (até agora)

7 h dormidas - ainda estou dormindo muito, ano que vem preciso dormir menos
pés, pernas e costas doloridos - depois de um ano de Curves, ano que vem, estarei fisicamente melhor preparada;
1 final de show da Mariana de La Riva - gostei!



1 show do Zé Ramalho - com Mari (eeeeeeeee), GV e outros bons amigos, com direito a dançar um pouquinho de forró muuuuito apertado (até agora não sei se ele estava realmente lá, porque não consegui ver nem a cabeça dele, mas aparentemente, estava mesmo, e foi muuuuuito legal!!!);
1 pisada do Maracatu - lindaaaaaaaaaaaaaaaaa com todo mundo doidão acompanhando o Maracatu e dançando feliz;
1 baile do Arouche;
1 passada rápida nas pistas de eletrônico e no palco das Casas;
1 conhecido encontrado - o espírito da virada é trombar nas pessoas queridas e em outras desconhecidas na mesma vibe...;
1 aluno encontrado - c'mon, eu tenho menos de 100 alunos, what are the chances?? pois encontrei um, cuja prova havia corrigido apenas algumas horas antes... me escondi, lóóórrrrico. acho que ele não viu a professora doidinha no meio da galera. sair do orkut foi uma decisão sábia;
1 volta pra casa quase zumbi;
30 min de medo na cama - medo que tudo voltasse a balançar;
0 ressaca (mas uma certa indisposição e uma preguiça foooorte de sair de casa. será que eu vou???);
2 dias lindos de céu azul com fina camada de poluição e noite linda e quente com lua. São Pedro gosta da virada, ano passado foi assim também;
1 pouco menos (veja bem, só um pouco menos) de raiva dele, por ter me apresentado a virada no ano passado.
Esta noite eu fui feliz!!! Eu estava lá, inteira!

23 abril 2008

treme-treme

Ok. Digamos que alguém me pedisse para fazer uma lista de coisas muito improváveis pelas quais eu passaria na minha vida. Eu diria que uma coisa altamente improvável seria viver uma experiência de terremoto. Aliás, acho que eu sequer pensaria nisso como uma coisa altamente improvável. Simplesmente nem pensaria.
Por isso, quando o meu apartamento no 11º andar começou a balançar ontem à noite, enquanto eu falava com meu pai ao telefone (coitado, imagina a aflição dele láááá do outro lado sem poder fazer nada ouvindo sua filha dizer: 'nossa, pai, que estranho, o apartamento parece que tá balançando; nossa, pai, o apartamento tá balançando mesmo, vou descer, te ligo depois'), a primeira coisa que me passou pela cabeça foi: estarei tendo algum tipo de ataque? labirintite? desmaio? Logo vi que o espelho balançava. E a porta do ap fazia um barulho fora do normal. Ouvi barulho na escada e saquei que outras pessoas tinham sentido também.
Dona Meire (que se chama na verdade Mary, mas sabe-se lá porque todo mundo a chama de Meire) abriu a porta e me perguntou:olha, que estranho. Ela não anda muito bem, já tá velhinha. Falei 'D. Meire, o apartamento está tremendo, vamo embora, vamos descer.' E ela 'ah, mas eu preciso' e eu 'D. Meire vamos descer agora, não dá tempo de fazer nada, vamos já'. Larguei a porta do meu ap. escancarada. Nem sei bem o que eu estava pensando, porque a esta altura o prédio já não tremia mais. Mas meu coração estava disparado e eu queria sair dali. Eu queria voar, mas não podia abandonar a D. Meire sozinha descendo 11 andares de escada. Fomos a passos lentos. Eu me lembrava (sei que é ridículo, mas na hora lembrei) de bombeiros resgatando pessoas no WTC em NY, no 11 de setembro. Eu pensava: preciso descer com ela. No caminho, uma mulher logo atrás da gente não quis ir no nosso passinho (compreensível) e passou na frente. Mas em geral as pessoas desceram calmamente.
A única coisa que me lembrei de pegar foi o celular. Nem bolsa, nem carteira, nada. Só o celular. Eu precisava ligar para o meu pai assim que eu chegasse ao térreo e dizer que estava bem.
Acho que com a adrenalina a tontura ficou lá dentro de mim. Meu labirinto, de fato, não funciona muito bem. Passei mais de uma hora tonta ainda, com aquele balançar.
Quando subi de volta com meu primo pra pegar minhas coisas (minha mãe acionou todos os tios e primos, 'lórrrico', risos, mãe é mãe) a porta do ap estava fechada. Alguém se compadeceu de minha loucura.
Cinco horas depois, dois copos de cerveja, um banho quente, agora posso dizer que estou com sono. Aquele cansaço que só o stress seguido de um alívio nos proporciona.
Sinto-me segura aqui (estou na casa da minha prima).
Ok, passado o susto, tenho mais uma história pra contar. Mas sinceramente, espero não passar por isso de novo. Foi light? É, ok. Mas na hora dá aquele medão. O medão de não conseguir descer as escadas a tempo.

16 abril 2008

Mais você, o bolo de caneca e a pipoca

Outro dia lendo o blog Querido Leitor, da Rosana Hermann, deparei-me com a informação de que o programa "Mais Você" havia colocado no ar uma receita de bolo de caneca sem dar o devido crédito (aliás, otal bolo de caneca parece MUITO bom!).

Pois então eu digo não é a primeira vez que o "Mais Você" utiliza informações alheias sem dar o crédito. Explico: no final do ano passado, buscando textos do Rubem Alves, que eu adoro, deparei-me com um texto que falava sobre a pipoca, disponível no site do escritor. Gostei tanto que colei o texto aqui no blog, com o devido crédito.

Deve ter sido lá pelo meio do mês de janeiro passado que, em casa por conta do esforço concentrado de escrever a minha dissertação, assistindo "Mais Você" durante meu café da manhã (eram meus únicos momentos de distração - as refeições), logo depois do "bom dia", ouço a Ana Maria Braga dizer um texto incrivelmente semelhante ao texto da pipoca do Rubem Alves!!!! Fiquei prestando muita atenção para ver se ela daria o crédito do texto... Que nada!!! Parecia que era um texto que havia simplesmente brotado da imaginação de seu staff de redatores ou dela mesma. Lógico que o texto estava resumido, em tom de 'mensagem' do dia, sabe como é? Mas era evidente que o texto era dele.

Não é incrível? Quem não dá crédito, na minha opinião, não merece crédito.
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Esse tipo de prática não é novidade na Globo. Numa brincadeira dessas, um amigo meu ganhou uma bela indenização por uso de suas fotografias no Fantástico sem autorização e, o que é pior, sem dar o crédito. A Globo foi ainda condenada a dizer um texto de desculpas no mesmo horário, mesmo programa, etc. Mas não cumpriu. Agora, já faz alguns anos que meu amigo espera pacientemente que acabem as firulas processuais de que os advogados da Globo estão se utilizando para que ele possa, finalmente, receber a polpuda multa que a Globo terá que pagar por dia em que não cumpriu a sua obrigação de pedir desculpas. É ver para crer.

Mestre Emilia, por favor

15 de abril de 2008
o fim de um período de amadurecimento intenso
muitas emoções e pessoas muito importantes fizeram parte desse processo; obrigada a tod@s!!!
agora sou 'Mestre Emilia" :P



rito de passagem fundamental para o início de um novo período
(com o pé direito, inteiro e firme!!!e o esquerdo também!!! - risos)

12 abril 2008

Book Crossing

Taí
Eu já tinha lido sobre isso e faz anos que tenho vontade de fazer

Bookcrossing.
basicamente libertar um livro por aí!
Deixá-lo num local público para ser lido por outras pessoas, que depois devem libertá-lo também, para outros.
Vou fazer
Olha o site internacional Bookcrossing.com aqui.

Que tal vc fazer também???

Shopping therapy

Segui o conselho das moças do 02 neuronio e saí pra comprar, ouvindo música pop; ainda aproveitei para comer junk food e tomar refrigerante. tudo de uma vez.
Ok, não foi assim tão radical. não comi top sundae nem batatinha.
fui e voltei caminhando do shopping, o que é ótimo, agora posso ir a pé pro shopping, abriu um aqui na esquina.
e Ok, não comprei exatamente um sapato fashion lindo e carésimo, comprei roupa de ginástica na C&A em 5 x.
na esquina ainda comprei uma cerveja porque estava calor.
fui e voltei ouvindo Rihanna, Amy Winehouse e a trilha do Maria Antonieta.
sou uma adolescente, a diferença é que já tenho 31 e algumas responsabilidades.

é.

Pra distrair... um post emprestado do 02neurônio

Sim, eu sou vítima do efeito psicológico da bota. Passei praticamente o inverno inteiro andando sobre alguns pares delas. Em momento meio fundo do poço era fácil. Eu colocava botas com uma calça justa, descia as escadas da minha casa quase caindo e cambaleando, mas chegava na rua e me sentia ótima.

Deve ser de família. Até hoje a minha mãe é conhecida na cidade do interior onde morava como “a moça que andava de botas”.

As botas têm o efeito psicológico absolutamente ilusório A gente se sente segura ao andar sozinha na rua com elas, o salto fazendo barulho. Qualquer reunião de trabalho fica mais fácil se você é uma mulher de botas. E no mundo selvagem da noite, nem se fala. Uma moça de botas consegue ser fodona no meio de uma multidão de um show de rock mesmo cinco minutos depois de ter um ataque de síndrome do pânico.

O EPB (efeito psicológico da bota) deve ser forte mesmo. A Prada lançou botas para o verão, eu juro! E isso significa que vão copiar no Brasil, é claro. É uma coisa meio bizarra, uma bota que te deixa com os dedos para fora. Não vou usar, porque tudo no mundo tem limite.

Mas quando chegar o verão, certamente a minha vida será mais difícil sem o efeito protetor das minhas botas. Ah,claro. Não esquecer que em qualquer momento roubada é só lembrar da canção da Nancy Sinatra e cantar mentalmente: “Are ready boots? Start walking!!”

por Nina Lemos - 02neuronio

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e eu digo que se hoje não estivesse calor eu certamente colocaria uma bota e daria uma voltinha só pra me sentir melhor


Merda

é a única coisa que eu posso dizer hoje que expressa, mais ou menos, o que eu estou sentindo.

11 abril 2008

"Não sou sapo mas adoro perereca"

Entramos por volta das 22h, ainda meio vazio. Na verdade foi o primeiro bar que encontramos perto do boteco originalmente pensado, mas que não tinha mesas livres. O dono veio logo com um papo doido que ia fechar logo, porque ia ter festa, e ali tinha convites pra festa. Festa aqui? Não, festa na 'Swrehroeitnes'. Então, vai fechar logo e por isso não estranhem. Ahn? Olha, a gente só vai tomar uma cerveja, é rapidinho. Tá, faço um cartão só pros dois.

Ao entrar no bar, logo percebemos o nosso erro. Passando para o salão de trás, vi uma mesa com duas mulheres, logo à frente um casal de homens abraçado, na mesa ali ao fundo, moças namorando. Doidinha, sensação de estar entrando numa realidade virtual.

Passado o estranhamento inicial (experiência "o estrangeiro" total: pude ter alguma idéia de como se sente um casal homossexual quando entra em ambientes românticos hetero), pedi minha cervejinha, aquela que meu corpo pedia desde o final da tarde.

Ficamos ali entre meia e uma hora, conversamos bastante, batemos papo etc. Muitas risadas e histórias depois, fui ao caixa acertar. Acabo de pagar a conta, e vejo que o Gu está de pé, à minha esquerda, conversando com um cara que estava sentado no balcão junto com uma moça que eu encontrara logo antes na entrada do banheiro. Pensei: 'será que o Gu conhece alguém daqui desse bar?'

O Gu logo me puxa pra perto e fala assim, baixinho, aquela boca meio torta, dentes cerrados, tipo 'meu, disfarça e vamu caí fora': 'Mi, lê o que está escrito na minha camiseta'.

Eu li.
Adivinha o que tava escrito na camiseta dele.

(...)

Ainda não adivinhou? Leia o título do post.


(PS: atualização: antes de ir pro bar, a gente tava em casa, 'di boa', e o Gu saiu com a roupa que tava no corpo. sacomé? vc nem pensa no que está vestindo... risos)

10 abril 2008

Jaime e as agulhas

eu devia ter colocado um agradecimento especial pra ele na minha dissertação.
Jaime, meu acupunturista, me salvou em vários momentos em que tudo que corria nas minhas veias era puro stress! quando estive lá, uma semana antes do prazo para terminar a escrevinhação do meu mestrado, eu estava tão, tão pilhada, que quando ele espetou aquele lugarzinho de sempre no peito do pé, um lugar que é ligado ao fígado (vou pesquisar sobre fígado na acupuntura e depois conto mais), levei um choque como eu nunca tinha sentido; na hora chorei muito. é o pior lugar pra mim. é um dos únicos que dá choque, e que realmente me incomoda.
agora, tem um ponto loucão que ele espeta no dedão do pé que é pra 'organizá os pensamento', e é ótimo pra quando a gente tá meio doidona como eu ando.
ontem fui lá e segunda que vem, véspera da minha banca de mestrado, vou lá de novo.

acupuntura é muito legal, e o Jaime e a Missai, esposa dele, são realmente especiais. semana passada quando fui lá eu contei que estava triste, e aí ele espetou (sempre tem uns lugares novos, conforme o que eu conto pra ele que estou passando e sentindo) um lugar aqui no peito que eu acho que é ligado ao coração. não é doido? a tristeza melhorou. aí ontem fui lá e ele perguntou se a tristeza tinha passado, falei que tinha melhorado. ele espetou de novo o tal lugar.
só sei que depois que saí de lá almocei na minha avó e dormi depois do almoço. quando acordei, dei dois telefonemas que precisava fazer e para duas pessoas que eu estava sem coragem de enfrentar, cada uma por um motivo. a acupuntura realmente ajuda a gente a se reestruturar...

que bom que é conseguir ser adulto e enfrentar nossos medos, e descobrir que assumir seus erros não dói. ah, tudo bem, dói um pouquinho, vai, mas assumir erros é admitir que somos humanos.
e a consciência da imperfeição humana é algo que tem me ajudado muito a enfentar os meus pequenos desafios cotidianos. como eu disse recentemente, sou humana, e nada do que é humano me é estranho.
no fim, como conversei com uma amiga recentemente, não custa lembrar, nos momentos de stress, que nada disso importa... a gente é que dá uma importância pras coisas umas 10 x maior do que elas realmente são... isso tira um peso danado das costas da gente!

preciso falar da Missai, a esposa e secretária do Jaime, uma fofa. sempre simpática, animada e gentil, levanta o meu ego porque sempre me elogia dizendo que eu pareço uns 05 anos mais nova (risos), mas o melhor de tudo é que vc vê que ela é sincera e genuína. ontem dei um presente pra ela, e a reação dela foi genuína. por sorte ela gostou muito ;-), mas sei também que se não tivesse gostado eu saberia. gosto de pessoas assim.

o que eu acho interessante é que o Jaime realmente te estimula a ser como você é. ano passado, quando eu tava surtando, mais ou menos nessa época do ano, com um emprego que estava me consumindo corpo e alma, eu ia lá e falava pra ele que diziam que eu tenho que mudar. e ele me dizia, mas se vc muda vc não vai mais ser a Emilia que eu conheço. claro que isso não significa que a gente não possa melhorar, atenuar nossos defeitos. mas o fato é, como eu já disse em algum lugar aqui antes, a mesma paixão que, às vezes, me atrapalha é a que me move. sem ela, não sou eu. como tatou a maravilhosa Angelia Jolie em seu corpo, 'o que me alimenta me destrói' ('quod me nutrit me destruit').

06 abril 2008

Terra da garoa

é que eu não tenho uma máquina digital e a do meu celular até tira fotos, mas o maledeto cabinho para transferir as fotos pro computador é temperamental e só funciona quando quer. se eu tivesse uma máquina digital eu tiraria uma foto da cidade daqui do alto da minha janela. e mostraria o que é São Paulo no esplendor de um dia de outono, cumprindo sua vocação: terra da garoa.
de repente ouvi um barulhinho suave e constante. olhei pela janela e tudo estava cinza como só naqueles dias de garoazinha cortante.
nesses dias eu tenho vontade de ir pra um café, sentar, pedir um chá, ou um cappuccino grande, e ficar um tempão olhando as pessoas lá fora, e me sentindo pertencente a um lugar. se eu fumasse, eu fumaria nesse café, vários cigarros mentolados, calmamente. e observaria os outros paulistanos solitários ou em duplas que chegam fugindo da garoa.
mas que coisa boa é passear na avenida paulista com a garoa cortando a nossa cara e depois entrar numa estação do metrô quentinha!!! eu poderia dizer "e depois entrar numa loja ou um café quentinhos..." mas isso não seria consumismo demais? entrar no café pode?
talvez eu faça isso hoje.

"Homo sum; humani nil a me alienum puto."

"Homo sum; humani nil a me alienum puto." - Publius Terentius Afer

Sou humano, nada do que é humano me é estranho.

Esta frase tem rodado a minha cabeça nos últimos dias... Não sei bem por quê.

Talvez porque o amadurecimento traz uma compreensão maior do outro (pelo menos, é o desejável). Talvez porque tenho me deparado com situações em que sentir compaixão pelo outro é tão necessária. E talvez porque esteja hoje sentindo um pouco de compaixão por mim mesma.

Não acho que tenho sentido pena de mim. Não sinto pena, porque sei que fiz o que podia fazer, me sinto digna. Mas sinto uma tristeza profunda e muito presente, a tristeza de quando se é rejeitado. Será que quando a gente entende os motivos da rejeição é mais fácil aceitar? Acho que entendo, hoje, o que sentiu um queridíssimo ex-namorado, muito especial, quando, buscando não feri-lo, não disse claramente, na época, as razões pelas quais estava me separando dele. Somente fui dizer a ele alguns anos depois. Talvez isso tenha feito mal a ele. Hoje ele está bem e com uma mulher muito interessante ao seu lado. Acho que eles são felizes juntos. :D

É isso que eu sinto. Não consigo compreender. O que eu sei é que dói, e tem doído cotidianamente. Logo no início achei que não. Que seria fácil. Não, não tem sido fácil, preciso admitir. Não tem sido fácil estar sozinha, e meus amigos e amigas têm sido aqueles para quem telefono quando me dá uma vontade imensa de conversar com alguém e contar como foi o meu dia. Por sorte, tenho vári@s, e el@s têm me escutado com a paciência que só um amigo verdadeiro tem.

Espero ter também a paciência necessária para esperar essa dor passar e voltar a ter mais momentos bons do que ruins; ultimamente, bom mesmo tem sido encontrar meus amigos e minha família quando é possível e aquela meia hora cotidiana na academia, onde tento ganhar um pouco de satisfação física que compense a tristeza que sinto na alma. Gostaria de dormir, suspender minha vida por alguns meses, e poder voltar quando isso passar.

29 março 2008

Bagdad Cafe




Desert road from Vegas to nowhere
Someplace better than where you've been
A coffee machine that needs some fixing
In a little cafe just around the bend.

I am calling you
Can't you hear me
I am calling you.

Hot dry wind blows right through me
Baby's crying and I can't sleep
But we both know a change is coming
It's coming closer
Sweet release.

I am calling you
I know you hear me
I am calling you

I am calling you
I know you hear me
I am calling you

Desert road from Vegas to nowhere
Someplace better than where you've been
A coffee machine that needs some fixing
In a little cafe just around the bend
Hot dry wind blows right through me
Baby's crying and I can't sleep
And I can feel a change is coming
coming closer Sweet release.

I am calling you
Can't you hear me
I am calling you.

27 março 2008

Empresas lucram com oferta de falsos álibis para quem quer ser infiel

DO UOL ECONOMIA

Da Redação
Em São Paulo
Reportagem desta quarta-feira do jornal espanhol "El País" mostra que empresas estão faturando dinheiro com oferta de falsos álibis para clientes que desejam trair seu parceiro, reduzindo as chances de serem descobertos.

Juan Vázquez, diretor comercial do Coartadaclub [que pode ser traduzido como "seualibi.com"], vende por 200 euros um convite para um falso seminário sobre isolantes, um telefonema de confirmação e folhetos fraudados.

Vázquez calcula que sua empresa coordene 20 trabalhadores na Espanha. Ele apresenta 2.200 pedidos de álibi e estudos de mercado que afirmam que a metade do país estaria disposta a enganar.

Oferece hotéis fictícios em 60 países. Presume que seu público seja formado por aqueles com menos oportunidades de escapar e por isso um de seus serviços principais é o dos seminários de cozinha para donas de casa. Para outro tipo de cliente, o cérebro oculto da companhia prepara um serviço de acompanhamento.

Vázquez é um homem pragmático: "Um divórcio é mais caro que um álibi. Conosco basta chegar em casa com um ramo de flores e um 'querida, te amo'".

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Não são incríveis as coisas com que se pode ganhar dinheiro hoje em dia???!

10 março 2008

Preciso escrever mas não sei o que

Não sei o que escrever pois não sei o que sinto
Não sei o que sinto...
Não sei o que sinto...
Não sei se sinto medo; de fato, não sei se sinto indiferença; não sei se estou triste
Não sei se deveria pular; não sei se devo me recolher; não sei se devo chorar
ou fingir que está tudo bem
Não sei se devo tomar atitudes ou esperar o tempo passar;

Não ligo, não ligo...
Não ligo se me dou tanto
Não ligo se me dei tanto
Não ligo se me dói tanto
Não ligo se me dói...

Só finjo, como o poeta.

E espero

04 março 2008

ônibus 174 - José Padilha

Acabei de assistir o filme. Já tinha visto trechos. Mas realmente não fazia idéia de como o filme era bom e de como a história é trágica. trágica, trágica.

Me impressionou especialmente a lucidez de uma das reféns, uma mocinha que é praticamente a principal narradora do filme. Uma moça de então 19 anos, que conseguiu enxergar em Sandro um ser humano e conseguiu compreender ali, naquele momento, a tragédia que ele protagonizava, na qual ela, Geísa e as demais reféns eram meras coadjuvantes.

Quanto mais eu estudo o crime mais eu me supreendo, mais eu me emociono, mais eu choro, mais eu fico indignada. Tento me mexer. Tento fazer a minha parte. Mas eu sozinha, aqui, quase impotente, eu não sou nada.

Ou todos nós assumimos as nossas responsabilidades, ou seremos, sempre, como Geísa: coadjuvantes de uma tragédia.

12 fevereiro 2008

O blogger andou dificultando minha vida, por isso demorei tanto pra postar.
O post abaixo (das flores) foi escrito há um tempão..

Bem, updates de uma mestranda tempo integral: não sou mais mestranda tempo integral. acabei. As ultimas 48 horas escrevendo virei praticamente direto; o último capítulo ficou com duas notas de rodapé sem pé nem cabeça (uma não terminada e outra repetida no texto logo acima), mas acabei. Até que não ficou ruim, sabe? 200 páginas!!! e eu achei que teria dificuldade pra escrever 100...

Até emagreci: duas pessoas comentaram e ontem me pesei: realmente estou um quilo mais magra. Incrível, considerando a quantidade de chocolate que eu comi.
Nesses 2 meses trancada em casa acho que assisti uns 30 filmes. Assisti a tetralogia dos Contos do Eric Rohmer, que eu sempre quis. Adorei. Assisti vááárias comédias românticas (se precisarem de indicação, é só falar) e várias comédias tout-court. Assistam O Closet, recomendo fortemente. Também adorei Italiano para principiantes. Assistia tudo que me fizesse distrair do mestrado durante os momentos de alimentação.

Tive a sorte de ter a companhia do meu irmão até o final de janeiro, o que ajudou a suportar as madrugadas adentro.

Tive também um namorado incrivelmente lindo e fofo que me arrancou de casa quando eu já não aguentava mais escrever e que aceitou os meus nãos quando precisei dizê-los, inclusive o 'não vou poder viajar no Carnaval'.

Agora estou me dedicando à minha nova rotina como professora e tentando me organizar para não precisar passar 32 horas por semana me preparando para dar 8 horas de aula. Mas acho que a conta não deve ser muito menos que isso. Cada hora aula requer pelo menos 2 horas de preparação no começo. Pelo menos. E considere que são 4 matérias diferentes.... Já viu. Tudo bem. Ano que vem estarei craque. :)

Acho que, a despeito das cabeçadas que dei nos primeiros 4 anos de formada, sou bastante sortuda.
Agradeço a todos que me apoiaram nesse processo. Que pensaram em mim, que me ligaram, que me escreveram.
Agora é hora de começar um novo começo. :D
Engraçado, não sei porque, meu dia está estranho.
Hoje saí atrasada para devolver livros na biblioteca (o prazo era até meio-dia, e eu acordei pontualmente ao meio-dia), resolver coisinhas no centro da cidade, etc. Como saí atrasada, saí sem comer. Nada, nem um gole dágua.
Fui ao centro, descobri que tenho que pagar uma taxa de 60,00 pra depositar minha dissertação, como se não bastasse os R$ 800,00 que vou gastar com a impressão e encadernação. Baratinho, baratinho. Não podiam deixar a gente depositar encadernado em espiral e só uma cópia pra biblioteca em capa dura??? A gente tira dinheiro daonde pra fazer esssa coisas? Mestrandos sem bolsa, façam uma poupança pra encadernação.

Fui almoçar às 15h, quase desfalecendo. Cheguei em casa e descobri que não vou poder juntar minha tabelona grandona na dissertação, porque custa uns 25 reais cada cópia (ela tem meio metro de altura). Isso daria mais 250 reais no orçamento. Vou ter que picar a tabelona em pequenas tabelinhas. Pena. Perde toda a graça e o impacto do que me custou 3 meses pra fazer. Hmpf!
Fiquei consertando minha tabela pra poder picá-la, mas estava esquisita, não sei o que, uma angústia, uma agitação, não sei o que.

Banho, pensei. preciso de um banho. Pra me aquecer (está frio aqui, em pleno janeiro, é praticamente inverno esses dias), pra relaxar um pouco e voltar pra minha dissertação, que não acaba nunca. Eu que achei que ia ter dificuldade pra escrever 100 páginas vou entregar um trabalho até grande demais pro meu gosto, quase 200. Sou prolixa, eu sei. Sempre fui.

Quando saí do banho minha mãe ligou. Disse que tinha mandado um presente pra mim.

Pronto. Quando cheguei na portaria, desabei. O choro que tava engasgado na minha garganta faz dias, de tensão, de medo de não dar certo, de medo do novo, medo de ser professora e finalmente concluir o que eu comecei há 03 anos, medo de assumir uma turma só minha, mas ao mesmo tempo entusiasmo por finalmente conseguir um emprego numa faculdade ANIMAL (em duas, talvez, daqui a umas semanas saberemos) e ser chamada de PROFESSORA, e não de doutora, que eu acho brega e não me identifico (doutora só quando fizer doutorado), esse choro engasgado veio e agora não consigo parar de chorar.

Vejam o arranjo lindo que eu ganhei (com chocolate e tudo):


Junto nesse choro vem tantas outras coisas mais... Obrigada, mãe, obrigada, pai, por tudo.
Preciso me recompor agora, fazer um café, tentar controlar o meu choro porque ainda tenho um capítulo e meio pra escrever até o final do carnaval.

Meu santo acupunturista Jaime vai me render. Eu sei.

Meu ano novo começa dia 11 de fevereiro. Ou amanhã, quando vou fazer minha primeira reunião como Professora, lá em Campinas. Além de terminar a dissertação, ainda tenho mais uma prova de fogo pra passar em breve, talvez (espero que não) até antes do dia 11. Desejem-me boa sorte.

25 janeiro 2008

Hoje eu entendo porque as estatísticas de suicídio são tão altas no inverno de certos países europeus.
Tenho ido dormir cada vez mais tarde (ou mais cedo, dependendo do ponto de vista). A noite passada fui deitar às 6 (da manhã de hoje), e ainda levei mais um bom tempo pra pegar no sono, com mil idéias na cabeça sobre atividades para fazer com os alunos que, se tudo der certo, serão da minha primeira turma como professora de Direitos Humanos. :D
Hoje acordei às 15h. O dia estava frio, feio, parecendo inverno. Não vi ninguém. Só falei com pessoas pelo telefone. Às 20h escureceu. Tive 5 horas de luz hoje na minha vida. E nenhum contato com pessoas ao vivo, exceto na breve ida ao supermercado e à locadora.
Ninguém merece!!!!
Eu tenho andado tão enfiada em casa que levo meia hora me arrumando para ir... à padaria (e ao supermercado). Até rimel passei outro dia para ir comer um sanduba com o meu irmão na padaria aqui perto. Tudo bem que não é uma padoca daquelas pé-sujo, mas é uma padoca!!!
Ainda bem que acaba! e eu nunca vou me mudar pra Alemanha! nunca!

16 janeiro 2008

Carl Warner - 'foodscapes'



Olha que demais: o cara cria paisagens só com comida. Não é incrível?



Mais fotos vc vê clicando aqui
(Site BBCBrasil.com)

09 janeiro 2008

Não sou exatamente palmeirense, mas isso é engraçado

Segundo Rubem Alves, no seu livro O Futebol levado a riso, o futebol só tem sentido mesmo pelo prazer de xingar o time adversário.
Não sei se todo mundo acha isso... mas esse momento no Palmeiras, que tinha acabado de perder a vaga na Libertadores... é realmente muito engraçado.

Vejam aí: campo vazio. Nada de bola rolando. Palmeiras perdeu a vaga na Libertadores. Mas o jogo do Corinthians ainda tava rolando em outro estádio. Todo mundo ouvindo pelo radinho, celular, sei lá. De repente, o estádio explode.

Os corinthianos que me perdoem... Lu, desculpaí, mas é muito engraçado.

Meditação

Nesses tempos de estar em casa escrevendo dissertação, meu passatempo favorito entre as paredes do meu apartamento tem sido... lavar a louça. Entre outras tarefas domésticas que estou descobrindo que podem me dar prazer.
Bem, não vamos chegar ao extremo de dizer que eu gosto de passar o pano chão ou de limpara privada... eu que nunca fui chegada a fazer nada em casa, já que sempre tivemos empregada. Mas além de estar confinada em casa e pagando um bonde para não sair, já que cada saída me desconcentra e rouba horas preciosas na frente do computador, eu estou sem grana, o que significa que faxineira aqui só vem de 15 em 15 dias... então, tenho que me virar para manter o local, senão realmente limpo, pelo menos digno de se morar.
Daí que comecei a notar que estava tendo prazer em lavar a louça, coisa que nunca tive.
E dia desses, madrugada, pasmem! resolvi fazer uma coisa que sempre odiei, em parte pelo medo de acidentes domésticos: passar roupa. Peguei minha tábua, meu ferro a vapor (isso foi uma aquisição recente, antes o ferro aqui era arcaico, pesado pra caramba, o que ajudava a alimentar o medo de acidentes e a ojeriza à atividade...) e fui pra sala passar roupa.
Acho eu que essas atividades domésticas têm me servido como meditação. Ou sei lá, algum jeito de minimamente me desligar da atividade intelectual.
Meu cotidiano nas últimas semanas e que deve continuar até dia 08 de fevereiro, quando tenho que impreterivelmente mandar o material pra impressão e encadernação: acordar entre 11 da manhã e meio dia, tomar café assistindo tv, começar a trabalhar, parar pro almoço por volta das 16h, com direito a mais um pouquinho de tv, voltar a trabalhar até umas 20h, as vezes paro para ver a novela das sete, e depois vou direto até as 3 ou 4 da manhã, com pequenas pausas para a minha dolorida mão.
Comprei uma power ball para ver se me ajuda na tendinite, que tá pegando forte.
Mas agora, como disse meu irmão, tem que fazer que nem jogador de futebol: joga contundido, com o joelho fodido mesmo. Depois que acabar o campeonato vai resolver....

29 dezembro 2007

eu, meus medos, e esse calor

Eu nem sei direito porque sentei aqui agora em vez de estar na minha cama, naquele calor, cercada de xerox de teses e dissertações, sendo algumas ótimas, poucas excelentes e muitas medíocres.
Tava muito calor na minha cama. Fui tomar um banho fresco.
Tá muito calor aqui dentro da minha cabeça
E o medo
E o medo, tá foda
Hoje cheguei a dar uma surtadinha mental só porque não consegui manter contato com o meu namorado por umas 4 horas.
Aquela surtadinha básica que a imaginação, com um bocado de ansiedade, provoca em vc.
Nem vou contar para não parecer ridícula. Porque foi beeeem ridícula.
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Vontade de largar os 30 textos que ainda restam (brotam teses e dissertações de todos os cantos do meu apartamento) e ir embora encontrar meu ARN. ARN, a piscina, a represa e um pouco de amor, de tesão, de aconchego, desse aconchego que só o acordar do lado de quem vc gosta
É tão bom acordar do seu lado, ARN.
Queria conversar com vc hoje.
Li sua poesia nova hoje.
Queria hoje uma conversa daquelas de alcova, daqueles dias que estamos tão cúmplices que eu me emociono, daqueles dias em que nos compreendemos profundamente, em que olhamos nos olhos um do outro, em que vc conta
ADORO quando vc conta.
Vai ficar tudo bem

22 dezembro 2007

Taken

Não sei se alguém assistiu à mini-série Taken, que estava sendo exibida na Band nas últimas semanas. Achei sensacional.
O negócio é que me remete às perguntas loucas de sempre e que me incomodam tanto... mas para as quais nunca terei resposta...
Quando eu paro pra pensar sobre o sentido da vida, até que não é tão estranho. Quero dizer, é muito estranho. Nós humanos somos os únicos seres da Terra capazes de realmente ter consciência e refletir sobre isso. Mas até aí, tudo bem, temos a ciência, que nos explica que nascemos e morremos porque a Terra funciona assim mesmo. Porque é limitada, sua capacidade de manter bilhões de seres humanos vivos ao mesmo tempo é limitada, e se não morrêssemos naturalmente seria uma catástrofe. Temos que morrer. Para que outros vivam.
Mas e o universo? Não é realmente estranho? Já pararam pra pensar no universo? O que é isso, o que é isso? O que tem depois do universo? O que veio antes dele? E antes do big bang, havia o que?
Acho que nunca encontrarei respostas. Mas como diz a pequena Allie no final, temos que continuar fazendo perguntas...


PS: aqui dá pra fazer download da série inteira! Mas não sei se é confiável. Achei na busca do google. Tem outras séries nesse site também.

21 dezembro 2007

pintar ou fazer amor

Voltei a pintar
fazia 14 anos que eu não pintava. pra falar a verdade, até que tentei voltar pintar numa época que eu não tava nada bem. nessa época, tentei de tudo antes de recorrer ao psiquiatra: pintei, comprei cachorro... mas nada funcionou. abandonei as tintas de aquarela e os pincéis desde então.
esses dias precisei pintar novamente... depois conto por que.
estou escrevendo minha dissertação, estressada pra caramba, o prazo acabando e além de tudo esta semana estou na TPM. to triste, medrosa, sensível.
aí aproveitei que tirei as tintas do armário (várias estão secas!!! alguns tubinhos tive que quebrar no meio pra poder usar... mas deu certo) e comecei a pintar de novo. pra relaxar um pouco.
não sou muito boa nisso. não sei desenhar, mas consigo fazer pinturs com pontilhado e abstratas (risos). figuras geométricas também.
fiz 3 quadrinhos pequenos e hoje já tentei fazer um maior. tá meio estranho. mas na verdade o que importa é mesmo ir tentando.
vou tentando... e de vez em quando sai alguma pinturinha que preste
é que nem esse blog... eu vou escrevendo... vou tentando... e de vez em quando sai alguma coisa que presta.
se eu conseguir fotografo e depois boto aqui minhas pinturinhas.

15 dezembro 2007

A Pipoca - por Rubem Alves

"A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras que com as panelas. Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-mo a algo que poderia ter o nome de ‘culinária literária’. Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A festa de Babette, que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como ‘chef’. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo - porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.

As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela.

Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos, são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblê baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblê...

A pipoca é um milho mirrado, sub-desenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!

E o que é que isso tem a ver com o Candomblê? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa - voltar a ser crianças!

Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão - sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: pum! - e ela aparece como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. ‘Morre e transforma-te!’ - dizia Goethe.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordinário professor-pesquisador da UNICAMP, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas ‘piruá’ é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: ‘Fiquei piruá!’ Mas acho que o poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: ‘Quem preservar a sua vida perde-la-á.’ A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira..."

(Rubem Alves - O amor que acende a lua, p. 59.)

PS: Peguei no site dele! Lá tem mais! Aproveitem, pipocos!!!!

03 dezembro 2007

A água e a metrópole

Não é estranho que nós que vivemos na metrópole tenhamos nos esquecido de como é ter água por perto?
Nossa relação com a água é sempre intermediada por alguma barreira: já vem encanada, de dentro da torneira ou dentro de garrafinhas ou galões de água mineral. Ou então temos que ultrapassar os portões de um clube ou de uma academia para chegar a um reservatório de água clorada, tendo passado previamente por um médico em início de carreira para fazer o exame que garante alguma proteção contra micoses, otites e afins.
Para chegar até a água, nós, paulistanos, temos que nos deslocar até mais longe. Ir até o litoral... ou para alguma das represas, Guarapiranga, Billings.
O mais perto de água que temos por aqui são dois grandes 'não-rios' cortando nossa cidade, quase inacessíveis, sendo preciso atravessar uma avenida expressa (uma das Marginais), e pular uma barreirinha de concreto para chegar até uma massa de água fedida e perigosa.

Porque a cidade de São Paulo tem uma relação assim tão distante com a água é que estranhei e achei, na verdade, muito louco, a lagoa do Parque do Ibirapuera estar tão perto e tão acessível ao pedestre.
Quem chega ali na avenida não precisa sequer entrar no Parque. A lagoa está lá. Na beira da Av. Pedro Álvares Cabral. A dois passos do asfalto, quem quiser que escorregue pelo barranco, que é curto e não muito inclinado, e entre na lagoa para refrescar-se.
Não sei se é funda, não sei se é limpa. Mas é água, água perto de nós. Água no meio da cidade... sem barreiras, sem cerquinha e sem exame médico.

Simples assim

Quando a gente está sem grana tem que encontrar maneiras simples e baratas de se divertir. Meu dileto namorado ARN tem me mostrado algumas dessas maneiras, sempre silenciosamente, agindo mais que falando. Nos finais de semana ficamos um pouco em casa, simplesmente namorando e convivendo, o que não temos muita oportunidade de fazer durante a semana: ele faz sua imperdível pizza de abobrinha (hmmmmm), colocamos um som bom pra tocar, ficamos conversando, dançando, vendo filme, enfim, namorando, né?
As vezes saímos pra encontrar amigos e passear. Já fomos algumas vezes no Ibirapuera à noite...
Com ele já fui na Virada Cultural, à qual nunca tinha ido, e adorei.
ARN tem um olhar legal sobre as coisas, curte as coisas simples e me mostra um jeito bom de viver que eu não conhecia.
Este finde fomos duas vezes no Ibira para ver a Árvore de Natal.
A Árvore particularmente não me interessa muito não, acho meio sem graça. Já vi a da Lagoa no Rio e acho a de lá mais bonita...

Mas o que eu achei bonito mesmo foi a iluminação nas árvores. Fica um efeito lindo, um parque meio louco, doido, mágico, lúdico.... Dá vontade de entrar ali no meio das árvores, acho que a gente se sente meio num mundo de fantasia...
Vale a pena ir lá conferir. A foto é do ARN.

29 novembro 2007

Contardo dispensa apresentações. Demais.

CONTARDO CALLIGARIS

Ilhas desconhecidas

O amor e a viagem nos fazem descobrir que há algo, em nós, que não conhecíamos até então

QUANDO ERA criança, um senhor canadense, Mr. Evans, foi contratado por meus pais para "treinar" meu inglês. O método de Mr. Evans consistia em narrar grandes eventos da História (com H maiúsculo) como se ele tivesse sido uma testemunha ocular. Conseqüência: há detalhes íntimos de várias cenas famosas que não sei mais se são fatos ou fantasias de Mr. Evans.
Uma fonte de inspiração de Mr. Evans era a expedição de Lewis e Clark, que, entre 1804 e 1806, abriu o caminho do Oeste americano. Segundo Mr. Evans, em 7 de abril de 1805, deixando Fort Mandan para se aventurar no território desconhecido das grandes planícies, Lewis, pensativo, teria dito a George Gibson (o melhor atirador da expedição): "New land, George" (uma nova terra, George).
Nunca pude confirmar a veracidade da dita conversa. Mas essa frase, aparentemente trivial, foi incorporada no meu léxico familiar. A cada vez que, numa viagem de férias, saíamos do país, meu irmão e eu não parávamos de repetir: "New land, George". Ainda hoje, quando chego num lugar desconhecido, penso em Lewis e Gibson.
Mais tarde, meu irmão e eu passamos a usar a mesma expressão quando - numa festa, por exemplo - avistávamos mulheres que despertavam nosso interesse. Um dos dois, invariavelmente, levantava a mão espalmada, como se quisesse proteger os olhos do sol, e dizia: "New land, George".
Na literatura, não é raro que um corpo amado e desejado seja comparado à paisagem de terras incógnitas. John Donne, num de seus mais lindos poemas (do século 17), chamou sua amada de "minha América, minha terra recém-descoberta". De fato, há mesmo uma relação entre o amor e a verdadeira viagem. Vamos ver qual.
De vez em quando, tenho vontade de viajar. O que chamo de viajar não tem muito a ver com viagens de férias. Tampouco significa necessariamente desbravar terras virgens.
Encontrei a melhor definição do que é viajar numa maravilhosa e breve fábula de José Saramago, que acaba de ser publicada, "O Conto da Ilha Desconhecida" (Companhia das Letras). O protagonista explica assim seu desejo: "Quero encontrar a ilha desconhecida. Quero saber quem eu sou quando nela estiver".
Viajar é isto: deslocar-se para um lugar onde possamos descobrir que há, em nós, algo que não conhecíamos até então. Sem estragar o prazer dos leitores, só direi que, no fim da fábula de Saramago, talvez o protagonista não encontre sua ilha, mas ele encontra uma mulher. A moral da história é incerta, entre duas leituras opostas.
Primeira leitura: quem casa não viaja (a não ser de férias); casar-se é desistir de viajar. É o que pensam, com freqüência, homens e mulheres casados. E é também o que os leva, às vezes, a se separarem. Quando achamos que o outro nos impede de viajar, ou seja, que ele nos priva da aventura de descobrir o que poderia haver de diferente em nós, o casal se torna nosso inimigo. Claro, na maioria dos casos, acusamos o casal de uma inércia que é só nossa.
Exemplo: anos atrás, na França, um amigo se interessava pelas pessoas que desaparecem sem razão aparente e refazem sua vida alhures, sob outro nome, como se tivessem sido vítimas de uma amnésia repentina. Em todos os casos em que meu amigo conseguira entrevistar esses "desaparecidos", os mesmos constatavam que, depois de seu sumiço, em poucos anos, eles tinham reconstruído uma situação de vida parecida com aquela que tinha motivado sua fuga.
Segunda leitura: o protagonista descobre que a mulher ao seu lado é a própria ilha desconhecida que ele procurava e que a verdadeira viagem é o encontro com um outro amado. Faz todo sentido, pois o amor e a viagem, em princípio, têm isto em comum: ambos nos fazem descobrir em nós algo que não estava lá antes.
O outro amado nos transforma. Tanto quanto a chegada numa terra incógnita, ele nos revela algo inesperado em nós.
Por isso, aliás, o viajante e o amante podem esbarrar em problemas análogos: às vezes, ao sermos transformados pela viagem ou pelo amor, não gostamos do que encontramos, não gostamos dos efeitos em nós do amor ou da viagem. Essa é, em geral, a única razão séria para se separar ou para voltar da viagem.
Moral dessa coluna (e talvez da fábula de Saramago): os outros não são nenhum inferno, são uma viagem. Agora, para amar, como para viajar, é preciso ter determinação e coragem.
ccalligari@uol.com.br

22 novembro 2007

Valeu sol!!!!


Valeeeeu sooolll!!!! Pelos 6 dias lindos na Bahia!!! Valeu!!!

Meu lado negão


Eu finalmente entendi o que a gringaiada sente quando chega na Bahia. Mais precisamente, em Salvador. O Pelourinho à noite é uma loucura, tem música pra todos os lados, e não é só pra turista não!!! O baiano adora música, os lugares estão sempre cheios de locais...
Na nossa noite mais pelourística fomos assistir a missa católico-afro da Nossa Senhora do Rosário dos Pretos...

Bebemos uma cerveja ali no bar Cruz do Pascoal...
E depois fomos ao show do Gerooonimo!!! que eu já comentei aqui, muita energia boa, cheio de locais.

Dali saímos para uma volta no Pelô. Logo que terminamos a subida da ladeira já tinha um batuque (esse era pra turista mesmo) do estilo Olodum, com todo mundo indo atrás, os negões fazendo coreografia e um outro vendendo os CDs. Uma delícia, dancei à beça. Tinha um casal sentado num bar que ficou só rindo da minha empolgação.
Depois fomos passear. Uns dois quarteirões pra lá esbarramos numa esquina com um pagode do bom, bem tocado. Paramos ali também, eu empolgada, dançando louca, e o ARN só achando graça da minha doidera. Improvisamos um forrozinho do tipo 'dançando de walkmen', bem ao estilo ARN, pianinho, pertinho, gostoso demais.
Logo mais à frente outro batuque e um pouco mais além numa praça vários bares com som ao vivo, axé music. Isso tudo num raio de uns 10 quarteirões.
A gringaiada pira mesmo....
E eu me empolguei com tanta baianidade e fiz o cabelo afro. Eu e as gringas. Ficou bom, não?

Probleminhas do cabelo afro

O único problema do afro foi a primeira noite. Dormir não foi fácil. Mas não tive dor de cabeça não. Só que acordei em pose de múmia, sendo que, em geral, durmo de lado...(risos)
Minto, foram dois problemas: ontem desmanchei o afro, porque os elastiquinhos já tavam soltando... Rapaz, lavei a cabeça inteira hoje...(porque só tinha lavado a parte solta, esse é outro problema... não dá pra lavar direito as tranças...) e caiu MUITO cabelo. MUITO mesmo. Não sei se porque foram 5 dias sem cair os cabelos da parte trançada (a gente sempre perde cabelo todo dia), mas caiu tanto que assustei...
Outra coisa: dá uma boa estragada no cabelo a trancinha. Muitos fios quebrados e bastante cabelinhos arrepiados como resultado.
Mas valeu!!! Quem sabe não repito qualquer hora dessas?
Só duvido que aqui em SP custe os mesmos R$ 20,00 que eu paguei lá. E olha que paguei caro... Tem gente lá que faz por 10 ou 15 pilas...

olha eu aí. não dá pra ver, mas tem umas gringas do meu lado fazendo também ;-)