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18 janeiro 2010

Buenos Aires- segundo dia

Já recuperada, tendo dormido um pouco - não muito, por causa do barulho- , eu tava afins de ir a uns museus e passear bastante a pé por BAs. Bem, foi o que eu fiz todos os dias. Talvez por isso eu tenha engordado SÓ 2 kg: considerando que bebi cerveja todo dia durante 12 dias, está de bom tamanho (NOT).

Mandei um recado pro Couch Surfing e um italiano simpático me respondeu, Stefano. Sabe gente boa mesmo? Eu arriscaria dizer que construímos uma amizade durante esses 4 dias em que passeamos juntos. Conversamos de tudo, rimos, passeamos (Stefano anda rápido e sempre sabe onde ir, além de ser um excelente professor de italiano). Falamos sobre o Lula (quer dizer, eu falei sobre o Lula), sobre Cesare Battisti, sobre jornalismo, ele contou bastante sobre a Itália... E fizemos um pacto de eu falar português e ele italiano, para que pudéssemos ouvir línguas que nos agradavam :)

Fomos então ao Museu Nacional de Bellas Artes - nos encontramos lá às 16h. Antes disso... passeei pela Calle Florida, conheci a Galeria Pacífico - que nada mais é que um shopping, o Centro Cultural Borges- que fica dentro da Galeria e tinha uma instação sobre Ingmar Bergman e uma exposição de desenhos (dibujos, em español. adoro essa palavra. e adoro como em português a gente só usa pra falar sobre o milho ahahahahaha). Lá na Galeria também tem uma escola de tango onde vc pode fazer aula e não é uma muvuca (depois conto sobre a aula de tango que eu fiz) e não é caro (duas noites de aula sai uns 40 reais).

No caminho para o museu passei pela Faculdad de Derecho da UBA e, decepção!!! estava fechada! Óia que imponente:

A Faculdade fica do lado daquela Frô de metarrrrrrr que abre e fecha - até hoje só vi aberta:

O MNBA fica também ali, na frente da Faculdade, do outro lado da Avenida.
Depois do museu (super recomendo!!! acervo enorme, inclusive de arte pré-colombiana, bem cuidado, e outras exposições), caminhamos até a livraria El Ateneo, a mega hiper master blaster livraria lindérrima e chiquérrima que fica dentro de um antigo teatro. É show!!!
(peguei a imagem daqui)

(Clique aqui para um videozinho em inglês) (e... fazendo a pesquisa de links para este post acabo de descobrir que a Libreria Yenni de Pocitos, em Montevideo, é do mesmo grupo. De fato, a agenda e o cine-de-dedo que comprei na Yenni eram fabricados na Argentina... tsk, tsk)
Depois de um café no charmoso palco, acompanhada do Stefano, voltei para o albergue, me troquei rapidinho e encontrei com Ani, a argentina que eu havia conhecido em MVD, e mais duas amigas: Olga, uma peruana, e Maju, local. Fomos para um barzinho em Palermo e lá comemos uma Picada - uma tábua de frios, muito popular por lá (assim como as onipresentes papas fritas). Olga particularmente me fez morrer de rir com suas imitações de chilenos e outros falantes de língua espanhola, e também ao falar dos 'selváticos', que são os peruanos que moram nas cidades mais perto da Amazônia (Iquitos, por ex).
Ah, cumpre informar que a essa altura da viagem eu já estava hablando español fluentemente (ahã), e pena não tinha ainda aprendido a dizer 'relindo', 'rebueno', mas nesse dia quase falei che! ahahahahahaha. Adorei!!!!

Ani me convidou para ir ao Tigre com uns brasileiros que ela havia conhecido, mas como eu tinha poucos dias, achei melhor ficar pela cidade mesmo.

Terceiro dia em BAs - MALBA + farra de compras em Palermo (ai meu bolso) + Tango

Meu terceiro dia em Buenos Aires foi sussa e uma delícia. Pena que a noite não foi igual. Anyway, nem todos os dias são perfeitos... fui pro MALBA ver a exposição do Andy Warhol, Mr America. Depois fui encontrar o Stefano no La Paila, uma peña onde fomos da outra vez que fui pra BAs com meus pais, para comer comida do norte argentino, que o Stefano adora porque esteve lá recentemente. Pena que o restô tava vaziaço; sendo peña, ele enche mais de noite por causa da música. Mas foi ótimo, comemos - dessa vez errei no prato, o do Stefano tava bem melhor, bebemos vinho e saímos de lá quase dormindo ahahahahaha. Mas criei coragem e fui encarar a Feira de Palermo. Fiz a festa. Com 300 pesos ( +- 150 reais) comprei presente pra minha amiga, pra minha mãe e vááários presentes para mim mesma, tudo exclusivo dos estilista porteños desshhhcolados . Comprei tanto que no dia seguinte estava com ressaca moral, e fui na Feira de San Telmo e não comprei nada. Ainda bem que parei aí, porquee estourei meu orçamento da viagem em exatamente um terço por conta de comprinhas (incluindo uma pequena fortuna de celular, um livro juríco carésimo e bebidas no free-shop).

TANGO: À noite fui pra uma aula de tango no La Viruta. La Viruta é um grupo que promove aulas de tango e outros ritmos em Palermo, no Clube Armênia.

(OBS: Se você quer fazer uma aula de Tango realmente boa, sem muvuca, NÃO vá ao La Viruta. É lotado. Tem pouquíssimo espaço pra dançar. Mas se vc quer só um lugar pra se divertir, La Viruta é seu lugar.)

Olha, teria sido legal, se aquele dia eu não estivesse absolutamente mal humorada. O fato é que, quando se vai sozinha a um lugar assim, a um clube para dançar, existe uma grande chance de você esbarrar com pessoas taradas a fim de se esfregar em você para conseguir algum prazerzinho grátis. Quando eu batia carteirinha no forró me deparei várias vezes com tipos assim. Odeio. E como eu tenho cara de boazinha (ou sei lá eu por quê), sempre sou sorteada. Nesse dia um velho tarado me escolheu. Disse que era professor de tango - até aí tudo bem, mesmo se fosse mentira ele me ensinou algumas coisas e dançava bem. Pois é, estava tudo bem até que, depois que o professor (o de verdade, do curso) disse 'cambio de parejas' e eu disse ao velho tarado que dali a pouco ia querer trocar de par para experimentar dançar com outro homem e ele me perguntou: 'Te gusta experimentar com muchos hombres?'.

Ele merecia um chute no saco. Ele merecia um tapa/cuspe na cara. Mas eu sou uma idiota e não fiz nada disso. Respondi, indignada, que não. E ainda dancei até o final da música com ele. Puto. Minha noite acabou aí.

Fiquei bodeada e fui embora logo depois que a aula acabou, quando ia começar a diversão no Clube, isto é, o tango pra valer, pro povo dançar e tudo. Mesmo com vários gatinhos porteños e estrangeiros no local, não me animei a ficar. Ainda vaguei por cerca de uma hora por Palermo e arredores da Plaza Serrano, mas tudo que eu via eram homens solteiros tarados prontos pra me abordar em qualquer bar que eu pensava em me sentar para comer. E eu, simplesmente, não estava com a menor paciência ou humor para ficar rechaçando convites desse tipo. E parece que nesses dias a gente fica especialmente atraente para homens assim.

Mulheres viajando sozinhas têm, por vezes, esse tipo de problema: não é fácil sair de noite sem companhia. E, por vezes, me sinto muito, muito só, desamparada mesmo. Essa noite foi assim. E pra completar, peguei um táxi e eu só tinha uma nota de 100 pesos pra pagar. Já tinha ouvido que não era pra pagar taxistas com nota de 100, mas eu não tinha alternativa. Na hora de pagar, dei a nota a ele e ele me devolveu dizendo 'não tenho troco'. Eu ainda subi, idiota, no albergue, para tentar trocar a nota e pagá-lo. E ele se foi. Lógico. Ele tinha trocado a minha nota de 100 por outra, falsa. O cara que trabalhava no hostel imediatamente me disse que a nota era falsa. Eu não entendi nada, só tinha tirado dinheiro no caixa. Só no dia seguinte, ao mostrar a nota falsa ao meu amigo Stefano e contar-lhe a história, ele sacou o que tinha acontecido. 

Definitivamente, não a melhor noite da viagem.

Quarto dia em BAs - o melhor!!! gente é tudo.

E como a sorte vira em viagens, ainda bem, o meu quarto dia e, especialmente, a quarta noite foram beeeeeeeeem melhores que o anterior. 

Acordei depois de dormir minha primeira noite com o tampão de ouvido :) e fui até a Plaza de Mayo encontrar Greta, uma mexicana fofa fofa, muito legal, ativista do Greenpeace, e que logo de cara me deixou, literalmente, uns 2 minutos de boca aberta ao me contar que a Cidade do México tem 40 milhões de habitantes (incluindo o que seria o equivalente à Grande SP). Gente, sabe o que é isso? E eu achava São Paulo grande. Tsk, tsk.

Passeei com Greta pela Feria de San Telmo, aiaiai, ainda bem que ela não estava no pique de comprar, porque eu não podia nem olhar nada, e como tem coisas lindas naquela feira, tudo artesanal de muito bom gosto, amo San Telmo, pena que exagerei em Palermo e não pude comprar nada por lá. Da outra vez trouxe uma caixa de chá linda que uso para colocar bijouterias, e uma flor que é broche e presilha ao mesmo tempo que nunca achei outra parecida para comprar, muito linda. Queria tentar achar o lugar onde havia comprado a flor, mas San Telmo é MUITO grande e eu teria que ter tempo só pra isso, e logo começou a chover, e ficou impraticável continuar o passeio pela rua. Fomos a um café, conversamos muito, Greta é muito gente boa, estávamos tentando nos encontrar desde o Uruguay mas não rolava e finalmente, depois de algumas tentativas, deu certo em BAs. 

Depois fomos ao Centro Cultural Recoleta, que fica ao lado do Cemitério e super vale a pena conhecer. 

É grande, tem um borboletário, tem exposições de vários artistas, é um lugar legal. Não é um graaaaaaande museu, como o MALBA, mas vale a pena. Lá, encontramos uma turma de gente muito legal: Stefano (o italiano meu companheiro desde o primeiro dia de BAs), Julian (super simpático), e Valeria (doidinha, engraçada), locais, Rafael, um espanhol daquele jeito meio grosseirão de espanhol mas muito engraçado, falava russo e imitava sotaques de dialetos em várias linguas, morri de rir, ah, e Anna, uma russa. 

Depois do passeio fomos pra um boteco na Recoleta, lórrico, comemos empanadas e bebemos Quilmes. De lá, quase todos foram a um outro encontro, que era do intercambio de linguas, onde encontramos Lorena, uma outra local que estava aprendendo italiano com Stefano, e um americano/indiano cujo nome não me lembro. Lorena nos levou pra comer em um clube em Palermo, muito muito local, só com gente do bairro, o clube tinha uma quadra de futebol de salão e do lado tem um salão pra comer pizzas etc e lá ficamos, bebendo, rindo, falando a noite inteira em 4 linguas diferentes, Julian tentando falar português comigo, muito engraçado! Eles dizem que falamos cantando e tentam imitar o nosso cantado e é de rolar de rir. Ah, que pena que acabou, foi uma noite simplesmente divina. Pra mim isso é viajar. As viagens não são só de lugares, para mim, principalmente, as viagens são de pessoas.

Último dia em BAs - Parte 1: comprinhas... oops!

Meu último dia começou meio corrido. Eu precisava comprar uma pashmina para minha mãe, mais ou menos perto do albergue (queria comprar uma pra mim tb), livros jurídicos e um buon vino para papá. Acordei tarde, lógico, e fui pra correria por volta das 10h. Tinha 4 horas até um encontro com Maurilio, que depois descobri ser um italiano vivendo em Buenos Aires por 3 meses - na verdade, viajando e fazendo de BAs seu posto principal.
Lições aprendidas durante esta manhã:
1) PASHMINAS: NÃO tente comprar pashminas no verão. Não adianta. Na loja que minha mãe comprara há 2 anos (lindas pashminas, finissimas, muito quentes, a idiota aqui não comprou, idiota, idiota, idiota), não fabricavam mais. Nas outras ao redor... Nada de lã. Ou então coisas bregas. Sò achei em uma loja, bem mais grossa do que eu queria, o modelo é até legal, mas não era exatamente o que eu queria... Cores lindas... Mas... putsgrila, perguntei se eram 100% lá, a moça disse que sim. Ahã. Idiota de novo, não olhei. Eram de lã acrílica!!! ANTA!!! e eu não olhei antes!!! Tudo bem que é um acrilico bom, não aquelas porcarias que vende na C&A, mas ainda assim... decepção!!!
2)VINHOS: Você encontra bons vinhos no Free Shop. Pelo mesmo preço que vc encontra em adegas de BAs. Ou seja, vc não precisa se matar para comprar UMA garrafa de vinho, compre logo no Free Shop. Achei a MESMA garrafa no freeshop e eu não precisaria ter me matado correndo pra lá e pra cá no calorzão, e pelo mesmo preço (acho que até uns 10 pesos mais barato...) se vc não vai comprar vinhos muito caros e/ou não vai comprar uma caixa inteira, compre no Free Shop; vai por mim.
3) LIVROS JURÍDICOS: Eu podia ter comprado os livros pela internet. Bem, já foi né? Mas foi legal conhecer a livraria. Ah, se vc quer livros jurídicos, NÃO VÁ à mega master blaster lindérrima e chiquérrima El Ateneo, porque vc NÃO VAI encontrar livros jurídicos lá. Vc tem que ir ao prédio do Tribunal de Justiça (Tribunales), conhecer (coisa que eu NÃO fiz porque o Tribunal fecha às 12h ou 13h, onde já se viu isso? e como eu acordava todo dia lá pelas 11h... nunca chegava a tempo), e depois ir fuçar nas livrarias ao redor. Na Rua Talcahuano tem a Libreria del Jurista, muito boa, pequena mas forrada de títulos de todas as editoras. Foi onde comprei os meus. Tem outras boas librerias por lá mas exclusivas de determinadas editoras. Não acho uma boa idéia. Mas vale olhar.

Último dia em BAs - Parte 2: La Bomba! MUY BUENA ONDA PORTEÑA!

Quer uma balada de segunda-feira lotada de gente bonita e descolada, porteños e viajeros de todo el mundo? La Bomba é o seu lugar.
Este é na verdade o apelido de "La Bomba de Tiempo", um grupo de percussão argentino que começou há uns 4 anos fazendo ensaios abertos às segundas-feiras e estourou.
Não parava de entrar gente, e mais gente, e mais gente, e parecia que todas as arrentinas descoladas de sandálias gladiadoras/havainas, cabelo displicentemente desarrumado (horas no espelho), make leve, aquele look desencanado/alternativo que TODAS as argentinas parecem ter, bem, multiplique isso por, sei lá, umas 200 ou 300 mulheres. Não sei quanta gente cabe lá, mas todos eram lindos e descolados. Excelente lugar para paquerar, descolar uma balada para depois, companhia para a noite... (começa cedo). Ah, meninas, altos gatinhos também por lá, heim? Se produzam, nada de salto, look Vila Madalena 'acordei assim', 'sou bela e formosa e meu cabelo está sempre bom e esse glow eu tenho desde que nasci', tsá?
E o som!!! Bem, é vero, me disseram que pra brasileiros não é nada demais, mas os caras fazem um bom som com tambores, e depois que a coisa esquenta e o povo bebe, se solta, todo mundo pira, dança muito, e tem horas que o som parece, sei lá, musica de danceteria, é demais. A vibe é muuuuuuuito boa, altamente recomendo!!!!!!!
Mas faz MUITO calor por lá, então vai de roupa leve. E se prepare para as filas gigantes para comprar copos gigantes de cerveja.
Tem muita fila mas não se assuste: ela anda rápido e todo mundo entra. Se vc chegar umas 7h30, dá sossegado pra entrar e ainda ver o mar de gente entrando depois de vc.
Despues de La Bomba tem os lugares que ficam abertos fazendo o after La Bomba. Và!!! Eu acabei indo comer com uns amigos... Foi bom, mas eu queria mesmo era ter ido no after party. Fui parar em um deles logo depois, mas logo meus 'amigos' recém conhecidos me abandonaram sozinha e fui embora. Mas tava 'bombando' ahahaha, e uns caras do La Bomba tocam por lá depois. E as ruas em torno, logo depois que acaba, ficam super festivas, até samba tocou por lá.
Quer saber mais? Clica aqui e sijoga!!! Aproveita, olha as fotos, vê os vídeos e ouve o som dos caras. Muy muy buena onda!!!!

17 janeiro 2010

manifesto pseudo-poético-cafona ou por um macho latinoamericano que me faça feliz

Hmmm, pensei em fazer uma coisa pseudo-poética mas ia ficar muito brega mesmo. Então acho que vou fazer algo assim mais coloquial:
Cadê você, porra?
Depois do final do ano, tudo e todos se fueran, eu fui pras terras gauchas e porteñas, meu amor tão lindo e tão proibido se foi para terras também latinoamericanas, tudo se desvaneceu com o tempo e com a distância. E ahora me quedo sola, una vez más.
E me pergunto, "será que vai chover"? Não, não, não!!! Não é isso!!! Me pergunto onde está esse homem delicado, de pele morena, cabelos escuros e lisos, corpo esguio, olhos amendoados, voz grave, e que, quando tem uma mulher nas mãos, sabe exatamente o que fazer?
Em vão estou procurando?; procuro alguém que não existe por aqui. Alguém que, aliás, nunca existiu em lugar nenhum.
Ok, ficou pseudo-poético, ficou ruim mesmo, mas é isso aí, quando a gente está procurando um amor a gente é mesmo meio cafona. E o pior é que eu estou realmente procurando um homem que não existe.
Preciso, seriamente, resolver que comandos dar ao meu cérebro para trombar acidentalmente com este homem, este que mexerá com meus brios, este macholatinoamericanoperonomucho, aiaiai, eu to ferrada, eu só me apaixono por artista e os artistas são lindos, são lindos mesmo, eles fazem música pra vc, eles tocam bandoneon só pra vc, mas eles não têm um puto na conta bancária e, meu bem, eu não preciso de um homem que pague as minhas contas, mas o sujeito precisa, pelo menos, pagar as suas próprias. E precisa estar lá, caralho, do meu lado.
Quer saber, então esse é um manifesto pro meu cérebro pra ver se ele aprende e muda o padrão e se sbre a algo novo!!! NÃO a homens que não pagam suas próprias contas; NÃO a homens completamente perdidos no mundo (no wonder passei tanto tempo sem namorar depois que eu me formei, eu não sabia quem eu era nem o que queria fazer e, meu, ninguém aguenta estar com alguém TÃO inseguro); NÃO a homens com muitos problemas - porque NÃO, xuxu, vc não vai consertá-los, vc só vai se enfiar de cabeça nos problemas deles também; NÃO a homens que me tratem mal NÃO NÃO NÃO NÃO!!!!; NÃO aos fuckin homens blasè/travados/enrustidos/inseguros que nunca me elogiam e nunca dizem o que sentem porque têm medo sei lá do que, medo das palavras, medo de se expor, vão cagar vocês todos. NÂO aos homens que NUNCA me acompanham nos lugares onde eu vou. Talvez, só talvez, ainda não sei, eu precise de um macholatinoamericano, sabe como é? Um homem que seja mais homem do que eu. Um homem que seja HOMEM, porra. Pelo menos para tirar a prova, só pra ver como é. Um homem que pague as minhas contas, de vez em quando, pra variar. E que, porra, não tenha medo de tomar decisões e de enfrentar a vida.

Mi Viajen por Uruguay e Argentina

Dale, como están?
Si, yo ahora hablo un poquito de español que empezè a hablar (e escribír!!!) despuès de 3 dias en Montevideo. Desde entonces nó sè que me diò que simplesmente paseè a hablar, e punto. Con muchos errores, por cierto, pero para mi está bien así, por ahora. :)
Hoy no tengo particularmente ganas de contar sobre el viajen, así que solo vengo para decir que en poco tiempo vuelvo para hacer un buon registro con informaciones preciosas sobre las ciudads, su gente e alguns puestos buena onda en Montevideo, Colonia del Sacramento e miBuenoAiresquerido, se bien que ahora es MVD que vive en mi corazón, aún más que el puerto de Santa Maria de Bonaire.
Saludos!

24 dezembro 2009

Tchau 2009, Olá 2010

Chega a ser meio ridículo eu avisar aqui que vou sumir, considerando que, por vezes, fico mais de um mês sem postar.
Anyway, só queria avisar/compartilhar que, depois de uma sinusite, uma pneumonia, 4 trabalhos da pós-graduação, 1 relatório de pesquisa, 1 Manual de Tratamento Penitenciário, 1 cirurgia de miopia, 1 namorado, meu segundo ano de docência (\o/ yay! nunca fiquei tanto tempo em um emprego, acho que finalmente acertei na carreira), 1 Júri (pau no Ministério Público!!!) e tudo isso sem nenhum feriado pra me consolar, estou, finalmente, SAINDO DE FÉRIAS!!!
Vou pra praia com um casal de amigos fofoooos e queridos dia 26, volto dia 30 pra Sampa, passo o Ano Novo com amigos muito muito queridos, e embarco dia 1 pra Montevideo, depois vou pra Colonia del Sacramento e depois pra miBuenosAiresquerido.
Vou pedir pro Papai Noel um namorado bem bonito e que me trate muito bem. Na verdade vou fazer uma lista bem mais detalhada que isso, esses são só dois indicadores, sendo um fundamental. Eu mereço.
Mas se Papai Noel puder me arranjar um uruguaio ou um porteño bonitón (e que me trate bem) temporário, só pela temporada, olha, não vou reclamar não, tá?
Fui!!!!

19 dezembro 2009

No limite

Já to no limite. Não recuso mais convites inesperados para beber porque to ligando um foda-se bem grande. To cansada. Não tenho vontade de cozinhar, não tenho vontade de fazer nada, só de descansar. Só consigo pensar na minha viagem, na praia que logo vem.
Mas ainda tenho um trabalho para terminar!

11 dezembro 2009

agora só falta fazer uma tatuagem

Ah, falta mais um monte de coisa, lógico. Um filho, uma árvore. Livro? olha, já escrevi o mestrado, vem o doutorado por aí, já publiquei uma crônica, já tá bom.
Mas por hora o que tá batendo mesmo é uma vontadinha, de novo, de fazer uma tatoo.
Só não faço esse finde porque vou pra praia daqui a 2 semanas e quero poder tomar sol e entrar no mar sem neuras.
vou pra praiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
e depois do reveillon, vou pro Mercosul passear :)

06 dezembro 2009

Ligar o foda-se ou a senhorinha dançante do Sesc

"Ligar o foda-se" é uma das armas mais poderosas pra gente ser feliz. Junto com "viver o presente", é uma dupla que costuma funcionar bem. Ok, nem sempre quando a gente liga o foda-se tudo dá certo. Uma vez liguei o foda-se e quase fui mandada embora de um escritório (não fui mandada embora mas pedi demissão porque era insuportável trabalhar lá, ou seja, deu no mesmo. mas foi o início de uma vida melhor pra mim). Em suma, em geral, o foda-se é libertador.
Tô falando disso porque ultimamente, sempre que vou ao Sesc aqui perto de casa e tem música ao vivo (bandinhas de jazz, coral, bandinhas com cantores etc) vejo uma senhorinha lá que dança sem medo de ser feliz. Sempre sozinha, ela dança onde ninguém tem coragem, bem ali na frente da bandinha. Enquanto todos os outros ficam comportadamente em roda deixando uma distância respeitosa entre o público e a banda, ela preenche aquele espaço. Só as crianças se divertem tanto quanto ela. Ela parece pobre - mas não é maltrapilha, é arrumadinha do jeito que dá. E quando a gente olha sempre julga, né, já taxa, 'é louca, coitada'.
Ontem dei um pulo lá pra almoçar e depois fiquei estudando. Tinha um coral interessante e lá estava ela. Tentei tirar uma foto, mas não deu. Bom, talvez fosse virar uma coisa meio fetichista, achei melhor que não deu mesmo. Mais tarde, eu a vi conversando com um casal. Parecia uma pessoa perfeitamente 'normal', se é que isso existe. Não parecia louca, ou bobinha, ou velhinha.
E lá fiquei eu com meus preconceitos, pensando na senhorinha.
Eu acho que na verdade, ela liga é um FODA-SE bem grande pra todo mundo que a julga, e dança porque gosta, quando a música merece a dança.
Quanto a mim, eu também danço, mas no cantinho.

02 dezembro 2009

sem máscaras

Para poder fazer a cirurgia de miopia, parei - por pura neura minha mesmo, já que o médico não me falou nada disso - de usar maquiagem nos zóio uma semana antes. Nada de rímel e pouquíssimo corretivo.
Após a cirurgia, nem lavar o olho estou lavando. Nos primeiros dias só lavava o rosto com sabonete antisséptico com triclosano - também neura minha, nenhum médico me disse pra usar sabonete antibactericida. Mas tô usando e quando vou pingar o colírio dá-lhe sabonete nas mãoses. Nenhum cuidado é demais quando se trata de manter os olhinhos sensíveis longe das bactérias.
Hoje foi o primeiro dia em que usei o meu sabonete normal pra lavar o rosto - porque amanhã cedo vou encontrar meus aluninhos queridos e eles merecem a prófi de pele bonita - embora ainda sem rímel.
Mas sabe que, me olhando no espelho esses dias - talvez seja pelo fato de não estar de óculos? - até que to me achando bem, mesmo sem maquiagem? Claro que preferia estar usando o rimel novo que eu comprei semana passada na farmácia, no dia do Júri, mesmo sabendo que eu não poderia usá-lo logo, ou uma sombrinha ou um lápis básico, mas quer saber, quando a gente começa a usar maquiagem bastante, começa a se achar feia quando está sem. E está sendo bem bom passar esses dias sem.
Tá, não totalmente sem - não dispenso um blushzinho básico e batom, porque batom eu uso desde sei lá quando, senão fico parecendo um fantasma com a boca pálida. Mas quase sem.
Mas amanhã vou arriscar um corretivo, bem longe do olho - porque ninguém merece uma professora com 4 horas de sono (acordo às 5h30), sem corretivo, sem rímel, e com uma mancha de sangue no olho esquerdo - danos colaterais da cirurgia :D E é sempre bom estar bonitinha no dia de aplicar a prova. ;-)

30 novembro 2009

uma mulher de visão

Este ano vivi muitas emoções; como ainda temos um mês até o final de 2009, talvez ainda haja espaço pra mais alguma coisa. De todo modo, so far, so good.
Nas últimas semanas eu tive pneumonia - bem no feriado de finados, duas semanas antes do meu aniversário, com direito a internação no isolamento da enfermaria de Moléstias Infecciosas, raio X do pulmão, um pouco de terrorismo médico básico('tem uma mancha no pulmão') e uma tomografia para confirmar o diagnóstico. 15 dias de antibiótico e ainda perdi a visita à penitenciária com meus alunos que eu tinha passado os 3 meses anteriores organizando.
Mas é isso aí. Depois de trabalhar feito uma insana no primeiro semestre, sem intervalo nem feriados, sem férias em julho, a minha semana do saco cheio em outubro se fué por causa da gripe suína. Quem não tem semana do saco cheio para descansar, descansa à força com pneumonia. :)
Nesse meio tempo estava trabalhando no relatório final de um projeto de pesquisa - me chamaram para fazer exatamente a escrevinhação, afinal, não é isso mesmo que eu faço bem na vida? - e passei a semana anterior ao meu aniversário trabalhando no relatório, a toque de caixa.
Comemorações emocionantes das minhas 33 primaveras começaram com happy hour no dia 19 mesmo - nesse dia ganhei um presente que, sei de antemão, será inesquecível, pois foi muito esperado - seguido de baladinha no dia 21 e almoço no dia 22; comemorações intercaladas com dois dias de trabalho pesado no tal relatório acima. Dia 22 de noite ainda teve o arremate final do texto.
Mas o mais emocionante ainda estava por vir (na verdade, entre o dia 19 e o dia 25, difícil saber o que foi mais emocionante): um Júri que fiz no dia 25, com um colega. Estudei muito na segunda e na terça, fui à defensoria discutir o caso com um defensor conhecido, peguei becas emprestadas; na terça de tarde, ainda finalizando o estudo do caso e a conversa com o cliente, meu irmão me ligou dizendo que estava doente. Peguei o xuxuzinho, levei-o ao hospital e terminei de estudar o caso ainda no hospital. Depois de fazer sopinha pra ele, passei uma noite semi-em-claro nada agradável, já que o pobre do hermanito acordou a noite toda passando mal.
O Júri, que eu achei que nunca chegaria, pois acompanho o caso desde 2003, foi emocionante, e ganhamos com sorte, um bom caso e muito empenho. Saí de lá, sinceramente, me achando a última bolacha do pacote. Ah, foi praticamente 'pro bono', não pensem que ganhei bons honorários pelo enorme dispêndio de energia que um Júri exige. Mas valeu muito a pena. A sensação deve ser parecida com a de fazer um transplante pela primeira vez.
Exausta, ainda tendo que corrigir trabalhinhos e levantar no dia seguinte às 5h00 da matina para ir até Campinas aplicar uma prova.
Pra completar as semanas de fortes emoções, na sexta-feira, dia 27, operei a miopia. Já enxergo sem os óculos, vejo tv, leio legendas e placas nas ruas. Poderei novamente nadar sem lentes de contato, ir á praia sem me preocupar com a areia na lente e fazer tipão usando óculos escuros poderosos todo santo dia, praticamente uma Costanza Pascolato versão intelectual classe média que tem que parcelar a passagem de avião em 10 vezes sem juros. Mas tá valendo.
Ufa!
Bem, com tanta coisa acontecendo, sinceramente ando tão exausta e absorvida em minha própria vida que não tenho tido tempo/oportunidade de pensar em coisas mais pitorescas/curiosas/profundas pra escrever por aqui.
Paciência, minha meia-dúzia de leitores terá que se contentar, por enquanto, com relatos sobre minha vida muito interessante pra mim mesma e, talvez, nem tanto pros outros. Mas olha, vou dizer, tá legal pra caramba (embora muito, muito cansativa). :D

14 novembro 2009

Uma burca para Geisy - cordel - muito bom!

por Miguezim de Princesa***



I Quando Geisy apareceu

Balançando o mucumbu

Na Faculdade Uniban,

Foi o maior sururu:

Teve reza e ladainha;

Não sabia que uma calcinha

Causava tanto rebu.



II Trajava um minivestido,

Arrochado e cor de rosa;

Perfumada de extrato,

Toda ancha e toda prosa,

Pensou que estava abafando

E ia ter rapaz gritando:

"Arrocha a tampa, gostosa!"



III Mas Geisy se enganou,

O paulista é acanhado:

Quando vê lance de perna,

Fica logo indignado.

Os motivos eu não sei,

Mas pra passeata gay

Vai todo mundo animado!



IV Ainda na escadaria,

Só se ouvia a estudantada

Dando urros, dando gritos,

Colérica e indignada

Como quem vai para a luta,

Chamando-a de prostituta

E de mulherzinha safada.



V Geisy ficou acuada,

Num canto, triste a chorar,

Procurou um agasalho

Para cobrir o lugar,

Quando um rapaz inocente

Disse: "oh troço mais indecente,

Acho que vou desmaiar!"



VI A Faculdade Uniban,

Que está em último lugar

Nas provas que o MEC faz,

Quis logo se destacar:

Decidiu no mesmo instante

Expulsar a estudante

Do seu quadro regular.



VII Totalmente escorraçada,

Sem ter mais onde estudar,

Geisy precisa de ajuda

Para a vida retomar,

Mas na novela das oito

É um tal de molhar biscoito

E ninguém pra reclamar.



VIII O fato repercutiu

De Paris até Omã.

Soube que Ahmadinejad

Festejou lá no Irã,

Foi uma festa de arromba

Com direito a carro-bomba

Da milícia Talibã.



IX E o rico Osama Bin Laden,

Agradecendo a Alá,

Nas montanhas cazaquistãs

Onde foi se homiziar

Com uma cigana turca,

Mandou fazer uma burca

Para a brasileira usar.



X Fica pra Geisy a lição

Desse poeta matuto:

Proteja seu bom guardado

Da cólera dos impolutos,

Guarde bem o tacacá

E só resolva mostrar

A quem gosta do produto.

***recebi por email. não sei se tem uma fonte 'oficial' na internet. quando eu souber, publico.

5ª Sinfonia de Mahler - Adagietto

Já postei antes sobre isso aqui.
E posto de novo porque gosto demais desse trecho da sinfonia. Não conheço inteira, amanhã pretendo me comprar de presente um CD, porque quero tê-la em casa para poder ouvir bem alto e me emocionar ainda mais.
Esses dias, na novela, na cena da dança que a Ana Botafogo dança antes do desfile em Petra, foi essa a música que tocou. Com canto, que eu não conhecia. Só conhecia a versão instrumental, que toca no Morte em Veneza e que faz a gente morrer de tristeza junto com o protagonista cada vez que ela começa. Poucos filmes me fizeram chorar tanto, e nessa obra magistral do Visconti a música é co-protagosnista.
Daí que sempre que ouço quero ouvir de novo e de novo, porque é realmente lindo.
Ouço pouca música, e acho que é porque eu não consigo ouvir música 'de fundo': preciso estar presente na música; preciso viver a experiência e, de fato, OUVIR e VIVER a música. E quando ouço obras como essa e de outros grandes mestres, como Villa Lobos, Bach, eu me emociono tanto e aí me lembro de como gosto de verdade de música.
Aqui tem o Adagietto pra quem quiser se emocionar. Pena que a qualidade do som tá muito ruim. Emocionem-se.

11 novembro 2009

Racismo na porta do banco - via twitter

Foda. Um branco e um negro tentam entrar numa agência bancária com a mesma bolsa.


vi no @tdbem (via @gabibianco)

07 novembro 2009

Uniban e o linchamento moral: a culpa é da vítima

peguei daqui http://blog.estadao.com.br/blog/guterman/

por Marcos Guterman, Seção: Zeitgeist 17:43:17.

Em anúncio publicado nos jornais deste domingo e que já circulam neste sábado, a Uniban informou que expulsou a aluna Geisy Arruda, aquela moça que apareceu na universidade com um vestido curto e sofreuassédio coletivo de centenas de estudantes. Diz o texto que a moça adotou uma “postura incompatível com o ambiente da universidade” e que ela provocou os colegas ao fazer “um percurso maior que o habitual”, desfilando todo o seu “desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”.

Caberia um tratado sociológico para essa peça, mas fiquemos somente com Elias Canetti, a propósito do linchamento. Em “Massa e Poder”, Canetti explica como a sensação de impunidade garantida é fator essencial para o sucesso dessa violência cometida pelo que ele chama de “massa de acossamento”: “Uma razão importante para o rápido crescimento da massa de acossamento é a ausência de perigo na empreitada. Esta não oferece perigo nenhum, pois a superioridade da massa é enorme. A vítima nada lhe pode fazer. (...) O assassinato permitido substitui todos aqueles aos quais se tem de renunciar, aqueles que, uma vez cometidos, ter-se-ia de temer a imputação de pesadas penas. Um tal assassinato – permitido, recomendado, sem perigo algum e partilhado com muitos outros – afigura-se irresistível à grande maioria da humanidade”.

Assim, como diz Canetti, todos os que participaram do linchamento moral da estudante sabiam que não seriam punidos e agiram à vontade em razão disso. A Uniban não só deixou de tomar alguma atitude em relação à massa, como também inverteu todos os sinais morais e juntou-se aos agressores, dizendo que eles estavam “defendendo o ambiente escolar”. Para terminar, como se tudo isso não bastasse, resolveu responsabilizar a vítima. Completou-se, assim, o linchamento.

UniTaleBan - a coluna do Contardo

(Contardo, vc é tudo, bjmeliga)

CONTARDO CALLIGARIS

A turba da Uniban
NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.
O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.
A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: "Pu-ta, pu-ta, pu-ta".
Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um "justo" protesto contra a "inadequação" da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre "vendido") de duas maneiras fundamentais: "veados" e "filhos da puta".
Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, "veados" e "filhos da puta" são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.
Cuidado: "veado", nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos "veados", por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser "usados" por seus ofensores. "Veado", nesse insulto, está mais para "bichinha", "mulherzinha" ou, simplesmente, "mulher".
Quanto a "filho da puta", é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. "Puta", nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de "querer"? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.
A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.
Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de "Zorba, o Grego", com redação obrigatória no fim?
Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.

ccalligari@uol.com.br

Folha de S. Paulo, Ilustrada, São Paulo, quinta-feira, 05 de novembro de 2009
[http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0511200929.htm]

Uniban expulsa a aluna da mini-saia

Até agora não postei nada sobre isso porque estava na correria e depois fiquei doente (nada não, só uma pneumoniazinha light para movimentar um pouco os meus dias). Mas acabo de saber, via twitter, que:

"Uniban decide expulsar aluna hostilizada por usar vestido curto

da Folha Online
A Uniban publicou anúncio em jornais de São Paulo deste domingo (8) em que afirma ter decidido expulsar a aluna Geisy Arruda, 20, hostilizada por colegas no dia 22 de outubro.

A estudante foi xingada nos corredores da universidade, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), por usar um microvestido rosa.

O tumulto foi filmado e os vídeos acabaram na internet. Geisy parou de frequentar as aulas --ela está no primeiro ano do curso de Turismo.

A estudante foi xingada nos corredores da universidade, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), por usar um microvestido rosa. O tumulto foi filmado e os vídeos acabaram na internet. Geisy parou de frequentar as aulas --ela está no primeiro ano do curso de Turismo.

No anúncio, intitulado "A educação se faz com atitude e não com complacência", a universidade afirma que a sindicância aberta para apurar o acontecimento concluiu que houve "flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade" por parte da aluna.

Segundo a nota, foram colhidos depoimentos de alunos, professores e funcionários, além da própria Geisy, para embasar a sindicância.

As imagens gravadas no dia e divulgadas na internet também foram analisadas, e os alunos identificados foram suspensos temporariamente das atividades acadêmicas."

Não dá pra acreditar. Geyse é a Geni. Muita gente mais qualificada que eu escreveu a respeito. vou linkar aqui depois dois textos ótimos que saíram na Folha, um do Calligaris e um outro que não lembro o nome, no primeiro caderno.

22 outubro 2009

Libertei um livro selvagem

Esta semana libertei um livro na estação Alto do Ipiranga.
Eu até me inscrevi no Bookcrossing (veja o link lá embaixo da barra lateral), site no qual vc pode registrar os livros que libertou e no qual a pessoa que encontrou se loga, informa onde o livro está e depois avisa onde o libertou (e assim por diante).
Mas fiquei com muita preguiça de fazer todo o procedimento e resolvi fazer a coisa assim mais selvagem, sem controle. Confiando que ele seguirá seu rumo.
Na verdade sou meio apegada a meus livros. Esse foi o primeiro que tive coragem de libertar porque o comprei baratinho numa espécie de 'sebo' que tem lá na Sala dos Professores da Faculdade - uma moça deixa livros para vc pegar e em troca doar 5 reais para uma instituição de caridade.
Era um livro da Danuza Leão, "Quase Tudo", sua autobiografia. A Danuza nasceu em 33, sabiam?
Leiturinha fácil, agradável, cheia de fatos pitorescos e outros nem tanto. Fotos bonitas. Achei que seria bom ler e desapegar. Assim o fiz. Libertei o livrinho para o mundo, num trem do metrô da linha verde, com um recado escrito à mão. Saí do trem com um sorrisinho de satisfação nos lábios. Ai, meu ego.