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13 abril 2010

Mais desejos, necessidades, vontades

Já foram três posts iniciados e deletados, cuidado, cuidado ao se expor, não vá se arrepender depois; foram  vários tweets cuspidos e apagados, segundos depois. Acho que agora vai. Rápido, porque a novela já começou.

Sou um punhado de desejos, necessidades, vontades, medos e inseguranças, que de vez em quando, se surge aquela brechinha, superam a minha segurança, autossuficiência, coragem e equilíbrio conquistados às custas de dor, agulhadas de acupuntura e aulas de dança indiana.

Por sorte, com o tempo, a gente aprende a se controlar, fazer cara de paisagem e fingir que não está acontecendo nada, que tudo está bem e que somos muito muito seguras mesmo, e que estamos muito bem sozinhas e felizes bebendo a nossa cervejinha importada long neck em casa e dançando na sala enquanto fazemos a faxina. Mas é tudo mentira. 

Ninguém quer tuitar loucamente madrugada afora. A gente quer mesmo é fazer amor madrugada afora.

Ninguém quer passar a noite lendo Dialética do Esclarecimento. A gente quer mesmo é passar a noite beijando e se aconchegando e se querendo e se pegando. 

Ninguém quer ir pro parque Villa Lobos sozinho no domingo de manhã.  A gente quer mesmo é uma companhia doce pra deitar na grama, acariciar os cabelos, tomar aquele sol delicioso de outono enquanto olha o céu muito muito azul e sem nuvens (vamos fingir que não tem uma camada imensa e cinza de poluição entre a terra e o céu, senão, porra, cadê a poesia, né, minha gente?)

Ninguém quer sair pra passear sozinha na Avenida Paulista. A gente quer mesmo é dar as mãos, ir pro cinema, depois passar no Kebab Salonu e beber lassi enquanto comenta o filme (ou só pra comentar que não gosta de comentar o filme). 

Ninguém quer escrever tese. Isso a gente faz porque precisa, mas querer mesmo, no fundo, no fundo, ninguém quer. A gente quer mesmo é escrever juras de amor, canções de felicidade, crônicas do cotidiano, aquela última frase engraçada e muito inteligente que seu filho disse.

Todo mundo quer o amor.  O amor é importante, porra! Mas dá um medo do caralhooooooo

02 abril 2010

I'm In The Mood For Love

I'm in the mood for love
Simply because you're near me
Funny, but when you're near me
I'm in the mood for love
Heaven is in your eyes
Bright as the stars we're under
Oh, is it any wonder
That I'm in the mood for love?
Why stop to think of whether
This little dream might fade?
We've put our hearts together
Now we are one, I'm not afraid
And if there's a cloud above
If it should rain, we'll let it
But for tonight forget it
I'm in the mood for love
Oh yeah

Why stop to think of whether
This little dream might fade?
We've put our hearts together
Now we are one, I'm not afraid
And if there's a cloud above
If it should rain, we'll let it
But, for tonight, forget it
Cause I'm in the mood for love
I'm in the mood for love
For love, for love...

26 março 2010

my own private Julie & Julia

Então, né, faz tempo que eu queria ver esse filme e hoje, passando na locadora para comprar trufitas e matar minha vontade de chocolate, aluguei. A Fal falou tanto desse filme por tanto tempo (lendo o blog descobri que a Sony convidou-a para escrever sobre durante um certo tempo, but, whatever, a Fal é ótima, não?), e demorei a ver, quase fui umas duas vezes no Cinearte Lillian Lemmertz e hj finalmente vi. Lógico que chorei e lógico que amei.

Minhas razões:
1) Porque venho me desenvolvendo enquanto cozinheira amadora e descobrindo o prazer de cozinhar. Tudo começou em 2004, pós minha internação, quando passei um ano sozinha e descobri a feira livre, o peixe e o macarrão com molho de tomate fresco, parmesão, alho e manjericão. Divino. Mas o real barato de cozinhar só apareceu mesmo em 2008, quando comecei a namorar E., que cozinhava para seus filhos (e pra mim) com espontaneidade e simplicidade. E um novo mundo se abriu. E passei a comprar produtos orgânicos, e passei a cozinhar pra mim mesma, e minha meta é ter uma mesa na sala de casa para poder ter mais de uma pessoa para jantar. Mas sou feliz cozinhando pra mim mesma. Já sei fazer omeletes, invento uns par de receitinhas de macarrão e tento aproveitar o que tem e criar algo comível. Mas nunca me aventurei com livros de receitas. Tem que comprar as coisas e planejar e acabo ficando com preguiça. Pode ser uma boa, uma hora vou tentar. O que importa, pra mim, é que depois que eu descobri que podia cozinhar me senti mais independente e, finalmente, capaz de criar um filho (sem deixá-lo morrer de fome após o final da amamentação). E, ah, quando cozinho, é sinal que a cabeça está bem. É como uma meditação pra mim. Se a cabeça está mal, nada acontece na cozinha. Por exemplo, em janeiro e fevereiro, quase não cozinhei. Só macarrão com azeite, o fim da linha.
2) Porque eu tenho meu próprio Julie & Julia project. Nada tão grandioso, nada certamente que vá virar livro, e não é que eu odeie meu trabalho não, adoro lecionar, adoro pesquisar, to feliz fazendo meu Doc (estou mesmo? isso é possível? algum 'cerumano' pode de fato ser feliz fazendo Doc? dizem que no HU tem um ambulatório de psiquiatria só pros doutorandos ahahahaha), mas no momento, I'm in the mood for dancing. E juntei minha curiosidade e interesse pela Ìndia, pelos seus cheiros, sabores, cores e sons, com SAMWAAD e todos esses encontros (e nem contei ainda que esta semana conheci e passei dois dias, ou melhor, duas noites, mas na amizade, tá? com um indiano que conheci via Couch Surfing), e enfim, troquei o Pilates que eu tava planejando fazer pela dança Odissi, e agora 2 x por semana aprendo a dançar com pernas, pés, braços, mãos, cabeça e olhos, coluna no lugar, e já sinto que isso tudo tá me trazendo, de verdade, pro meu centro. To me achando, to me equilibrando de novo. Entre excessos e acessos de espartanismo, to achando meu balanço, meu eixo. Esse é meu projeto. E eu vou ganhar um sári de algodão com a blusinha e tudo, tá? direto da India. E um DVD de Bollywood com legendas em hindi pra eu aprender hindi.
E a vida louca vida vai levando a gente pra caminhos maravilhosos quando a gente se deixar levar e encantar por ela.

08 março 2010

SAMWAAD - encontros, descobertas íntimas, let it flow

Então eu resolvi fazer uma manutenção do Rolfing, terapia corporal que pode parecer um inocente RPG, mas está longe de ser simplesmente um alinhamento postural. O Rolfing mexe com tudo. Corpo e alma.
Fiz pela primeira vez em 2007, num momento em que eu rodava em círculos; pela 3ª vez, repetia uma relação profissional complicada e o fim que se aproximava, igual aos anteriores, me deixava angustiada. Eu não queria, novamente, encerrar uma relação profissional de maneira ruim (para mim). Posteriormente, percebi que o lance não era mesmo comigo, a minha então chefe é considerada uma pessoa extremamente difícil por todo mundo que trabalhou com ela, mas para mim era uma questão de honra terminar diferente. E senti que era o momento de fazer o Rolfing, que minha amiga tanto insistia pra que eu fizesse. E fiz, e foi ótimo.
Este começo de ano estou em crise. Não uma crise ruim, uma crise boa, eu acho. Sinto necessidade de expandir meus horizontes: quero novos amores, novas experiências, novos sabores, novas músicas, novos lugares, novos amigos.
Mas tava tudo muito difícil, travado. Depois que voltei de viagem, tudo empacou. Dei uma arrumada na casa (na casa mesmo, meu ap, que estava uma zona - agora tá bem melhor, mas ainda na metade do caminho de onde quero chegar), e a partir daí a coisa parou. Empaquei. Nada caminhando. E vi que tinha mesmo chegado a hora de refazer o Rolfing.
Já estou perto da última sessão... Nossa, como valeu a pena!!!! Já me sinto bem melhor. Mais leve. Mais altiva (eehehehehe, ganhos colaterais). Mais segura. Mais centrada, mais emocionada. Mais calma, beeeeeeeeem mais calma. Tudo funcionando melhor, corpo e mente.
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Este final de semana tive mais uma daquelas experiências de sincronicidades. Pequenas decisões que, encadeadas, nos levam até onde precisávamos chegar.
Depois de uma ida à Pinacoteca e ao Museu da Língua Portuguesa, na chuvosa manhã de sábado, liguei para um amigo que eu pretendia encontrar no dia seguinte perguntando se dava pra antecipar o encontro. Fomos almoçar no Govinda, adoro comida indiana e ainda na Restaurant Week, melhor ainda. Depois de comprinhas na lojinha ao lado (pashminas de viscose por R$20,00??!! Embrulha meia dúzia!!! ahahahahaha), ia indo embora pra casa, mas o céu estava abrindo, fazia um lindo final de tarde em SP, uma luz especial. Fazer o quê em casa, sozinha? Bora pra Paulista ver um filme e passear no final da tarde.
Fui pra Livraria Cultura matar o tempo enquanto minha amiga não chegava para o cinema. Mas fui pra sessão de música. E lá trombei com o SAMWAAD, trilha sonora do Ballet que o Ivaldo Bertazzo fez há alguns anos, algo de lindo, música indiana com toques de bateria (pandeiro, cuíca), delicado, sublime, forte. Me apaixonei e resolvi comprar.
Estava na fila do caixa quando vejo passando ali na frente um amigo. Curioso, eu havia pensado nele cerca de uma hora antes, quando estava indo pra Paulista... Saí correndo da fila e o chamei. Ele me convidou pra um café.
Já no café, minha amiga chegou. Ainda durante o café, esse amigo me pergunta sobre o concurso que eu havia prestado em 2008 (fui aprovada), numa Faculdade importante de SP. Não mais que um minuto depois, quando eu respondia ao meu amigo que o concurso vencia este ano e que precisava me mexer se quisesse ser contratada, chega no café um professor dessa Faculdade, do mesmo Departamento em que fui aprovada. Ele vem até mim e me pergunta se ainda estou interessada na vaga (como assim, Bial??? LÓGICO que eu to interesada na vaga!!!! ahahahahaha). Agora ele é o chefe do Departamento. E a contratação vai sair para o segundo semestre. Só preciso fazer o que eu já sabia que tinha que fazer, mas ainda estava sem forças físicas e psíquicas - preciso mexer alguns pauzinhos.

Saí correndo da livraria para assistir Educação com minha amiga. Abandonei o CD, senão perderíamos a sessão. Depois da sessão, estava quase indo embora quando me lembrei. Voltei à livraria que, por sorte, ainda estava aberta, comprei, e faz 48 horas que eu só consigo ouvir isso.

Hoje eu vinha dirigindo na estrada ouvindo SAMWAAD, quando um choro chegou. Não me preocupei em controlá-lo. Deixei-o fluir até se esgotar. Aumentei o volume e deixei que a música me envolvesse. E cheguei ao meu destino calma, tranquila, segura. Ainda não estou segura quanto ao significado desse choro. Mas sei, sinto, que ele é bom.

SAMWAAD significa HARMONIA DO ENCONTRO, mas eu não sabia disso até iniciar este post, quando fiz uma rápida pesquisinha no Google para encontrar os links que coloquei logo acima. SAMWAAD.

12 fevereiro 2010

Emilianas na balada

- Katchy, tchy amuuuuuuuuuuuuuuu

- Ama nada, sua doida!!!

e eu que já pagava pau pra @Katylene antes, agora pago mais ainda.

07 fevereiro 2010

Post emprestado - Se apaixonar é bom porque.... (ADORO!!!!)

Peguei emprestado daqui. Aliás, ótimo blog, Sabineas.com Gostei.

Se apaixonar é bom porque faz você mudar o corte dos cabelos, lembrar de hidratar a pele depois do banho e fazer as unhas de 15 em 15 dias;
Se apaixonar é bom porque te faz comprar lingeries delicadas, sensuais ou divertidas;
Se apaixonar é bom porque te dá coragem de enfrentar aquela depilação pavorosa que dói o diabos, mas a louca que está te torturando garante que suuuper vale a pena;
Se apaixonar é bom porque te faz repensar os lugares mais bacanas que você visitou para sugerir o passeio, separar livros para indicar a leitura dos teus trechos prediletos e rever trocentos gigas de músicas no HD para encaminhar aquela que é “a cara dele”;
Se apaixonar é bom porque atualiza tuas idas ao cinema e listas de filmes “must to see”;
Se apaixonar é bom porque faz valer a dieta, mesmo sabendo que vai quebrá-la por causa daquele jantar especial;
Se apaixonar é bom porque te ensina - finalmente! - a receber elogios;
Se apaixonar é bom porque os programas de domingo nunca mais serão boring, mesmo que seja só ficar em casa assistindo TV;


[e as que mais gostei na lista dele:]

Se apaixonar é bom porque finalmente você entende o que leva as pessoas à se casar;
Se apaixonar é bom porque te faz querer que seja a última vez.

31 janeiro 2010

pedacinhos - desejos - necessidades - vontades



- Preciso(amos) de amor. Ou,  como diria o pixador por aí, 'o amor é importante, porra'. (crédito da foto - flckr da Ivi)

- Preciso(amos) de não violência. Inclusive, dona Emilia, verbal. Viu? Que tal lembrar de seu voto budista de não usar palavras rudes, ásperas, da próxima vez que alguém disser algo que a irrita? Heim, heim?

- Preciso(amos) dos amigos. Hoje precisei de um deles, e ele me ajudou. Obrigada, meu querido amigo. Sabe que gosto de você, no matter what. Sempre seremos cúmplices porque já compartilhamos tanto que esse laço é firme e ao mesmo tempo frouxo, como deve ser para sobreviver. 

- Preciso escrever, sempre. Aqui trago muito ao público (é pouco, mas há), mas muita coisa escrevo só pra mim. Aprendi a escrever e guardar, a amassar o papel virtual e jogá-lo no lixo, ou guardá-lo numa gaveta escondida. Que bom que isso já aprendi. Há muito, ainda, pela frente. 

sobre Quiroga, House, Buda e Zeca Pagodinho - tardei, mas não falhei

Querida amiga,

No final do ano passado eu li no site do Quiroga a seguinte frase, que passou 2009 inteiro como proteção de tela no meu computador: “Antes de o ano terminar e, em nome de realmente acontecer um novo a partir da semana que vem, sua alma faria bem perdoando a tudo e a todos. Perdoar desamarra o passado e produz o vácuo da liberdade, a partir do qual tudo pode acontecer.”

Curiosamente, pouco tempo depois – vejo agora que foi em janeiro desse ano – você me escreveu. Eu sabia que tinha tudo a ver com a frase aí em cima, eu sentia essa sensação, porém eu não conseguia encontrar as palavras certas para responder. Alguém me sugeriu mandar simplesmente uma mensagem diplomática, mas não é do meu feitio. Por isso, silenciei. 

Só hoje, enquanto lavava o rosto antes do ritual noturno de cremes anti-sinais, é que - vai saber em que intrincados labirintos em algum canto do meu cérebro andava metida – chegou a resposta. Pode ter algo a ver com o filme que vi logo antes, ou não. “Mais estranho que a ficção”, vale a pena ver, se ainda não viu. Cumpre, então, responder. Afinal, o ano já está acabando.

Dentre os muitos ganhos que tive em minha vida nos últimos anos, acho que o maior deles foi o de adotar uma filosofia que tem sido chamada pelo povo de zecapagodinhowayoflife, mas sobre a qual Buda já falava, de modo mais sofisticado, há sabe-se lá quantos mil anos: deixo a vida me levar. Desde que passei a ‘viver a vida’, tentando não nadar contra a corrente e não forçar momentos, situações, ou seja, ser mais verdadeira (principalmente) comigo e com os outros, as coisas ficaram bem mais fáceis. Não é sempre agradável, claro, mas amadurecer tem suas vantagens: a gente se trata melhor e se respeita mais. 

(...) 

No meu atual jeito zecapagodinho de viver (cheia de referenciais-clichê-noveladasoito), acho que, se um dia, as circunstâncias, as coincidências, o destino, as sincronicidades ou qualquer que seja o nome dessas decisões pequenas ou grandes que, a cada momento, determinam o rumo da nossa vida, gostemos ou não, enfim, se esses caminhos desconhecidos que tomamos acharem por bem se cruzar novamente, se nossas canoazinhas atracarem num mesmo atracadouro, ou simplesmente deslizarem lado a lado durante certo tempo, eu terei sincero prazer em compartilhar(mos) esses momentos. ‘Perdoar desamarra o passado e produz o vácuo da liberdade, a partir do qual tudo pode acontecer’. 

Espero que compreenda que não estou falando em “perdoar vc” ou sobre ações específicas, mas simplesmente em aceitar e superar o passado, em abrir esse espaço no corpo e na alma para o novo. Estou falando, claro, não só pra vc, mas também (e talvez principalmente) para mim mesma. Como House no episódio de abertura da nova temporada, instead of trying to fix it, it’s better to let it go. 

(...)

Acabei de postar a viagem - de volta ao mundo real - com escoriações leves

Gentem, já tá tudo aí embaixo. Quem tiver paciência, divirta-se! 

Pra mim foi bom, garanto. ;-)

Duro é voltar ao mundo real, aos compromissos, aos horários, aos medos de não fazer o certo. Em viagem tudo é solto e descompromissado, são pessoas que vc, provavelmente, nunca mais encontrará, a não ser que a vida lhe pregue alguma peça louca. Você se joga, você é mais legal, mais agradável, mais descontraído, mais você (ou menos, sei lá. ou os dois. quem somos, de verdade? somos tod@s ess@s). Aqui, na vida real, a gente é mais contido. A gente se preocupa mais em agradar, mais em fazer o certo, mais com o dever-ser do que com o que realmente importa, que é ser. E, por vezes, quando a gente se joga na vida real, buscando a espontaneidade de como quando se está em viagem,  sabe como é, fica uma sensação de que, talvez, só talvez, você não tenha feito a coisa certa. Porque, afinal, na vida real, as pessoas não estão de férias, como você. E talvez, por não estarem de férias (como vc estava, quando se jogou, embora, ao mesmo tempo, não estivesse), elas não compreendam que você estava, simplesmente, buscando viver sem máscaras, buscando realizar seus desejos - sem, contudo, machucar quem está perto-, buscando, enfim, ser e viver de modo mais espontâneo.

A gente aprende o tempo todo, quando menos espera. Aprende, reavalia opiniões passadas, preconceitos, visões de mundo. Estou, hoje, reavaliando, repensando, ponderando sobre atitudes minhas  e de outros, presentes e passadas. A vida já é muito dura pra gente exigir (-se, e dos outros), o tempo todo, controle, planejamento, previsão. A espontaneidade que me encanta nas viagens, o inesperado, por vezes me amedronta no real. Não quero me amedrontar. Quero encantar-me também com o espontâneo no cotidiano. Por isso gosto de me espantar com a água, com as árvores, com os sons, com as letras. 

Acho que esse post merece uma continuação que virá logo acima, que é na verdade um email que mandei a uma amiga. Vai editado, para preservar-nos. Mas é bom, pra eu me lembrar, que, desde antes dessa viagem, aquilo que eu tenho buscado mais e mais, ainda que com certas dificuldades (neta de general, filha de filha de general, não é fácil), tem sido o zecapagodinhowayoflife. Segue post a respeito. 

30 janeiro 2010

As águas do mundo _ Clarice Lispector

Aí está ele, o mar, o mais ininteligível das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornou-se o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar.
Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões. 

Ela olha o mar, é o que se pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra.

São seis horas da manhã. Só um cão livre hesita na praia, um cão negro. Por que é que um cão é tão livre? Porquê ele é o mistério vivo que não se indaga. A mulher hesita porque vai entrar.

Seu corpo se consola com sua própria exigüidade em relação à vastidão do mar porque é a exiguidade do corpo que o permite manter-se quente e é essa exigüidade que a torna pobre e livre gente, com sua parte de liberdade de cão nas areias. Esse corpo entrará no ilimitado frio que sem raiva ruge no silêncio das seis horas. A mulher não está sabendo: mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora da manhã, ela não tem o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no mar em simples jogo leviano de viver. Ela está sozinha. O mar salgado não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização. Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar. Sua coragem é a de, não se conhecendo, no entanto prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem.

Vai entrando. A água salgada é de um frio que lhe arrepia em ritual as pernas. Mas uma alegria fatal - a alegria é uma fatalidade - já a tomou, embora nem lhe ocorra sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a desperta de seus mais adormecidos sonos seculares. E agora ela está alerta, mesmo sem pensar, como um caçador está alerta sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda- e abre caminho na gelidez que, líquida, se põe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que a oposição pode ser um pedido. 

O caminho lento aumenta sua coragem secreta. E de repente ela se deixa cobrir pela primeira onda. O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantes cega, toda escorrendo - espantada de pé, fertilizada.

Agora o frio se transforma em frígido. Avançando, ela abre o mar pelo meio. Já não precisa da coragem, agora já é antiga no ritual. Abaixa a cabeça dentro do brilho do mar, e retira uma cabeleira que sai escorrendo toda sobre os olhos salgados que ardem. Brinca com a mão na água, pausada, os cabelos ao sol quase imediatamente já estão se endurecendo de sal. Com a concha das mãos faz o que sempre fez no mar, e com altivez dos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheia de água, bebe em goles grandes, bons.

E era isso o que lhe estava faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem. Agora está toda igual a si mesma. A garganta alimentada se constringe pelo sal, os olhos avermelham-se pelo sal secado pelo sol, as ondas suaves lhe batem e voltam pois ela é um anteparo compacto. 

Mergulha de novo, de novo bebe mais água, agora sem sofreguidão pois não precisa mais. Ela é a amante que sabe que terá tudo de novo. O sol se abre mais e arrepia-a ao secá-la, ela mergulha de novo: está cada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe o que quer. Quer ficar de pé parada no mar. Assim fica, pois. Como contra os costados de um navio, a água bate, volta, bate. A mulher não recebe transmissões. Não precisa de comunicação.

Depois caminha dentro da água de volta à praia. Não está caminhando sobre as águas - ah, nunca faria isso depois que há milênios já andaram sobre as águas - mas ninguém lhe tira isso: caminhar dentro das águas. Às vezes o mar lhe opõe resistência puxando-a com força para trás, mas então a proa da mulher avança um pouco mais dura e áspera.

E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando de água , e sal e sol. Mesmo que o esqueça daqui a uns minutos, nunca poderá perder tudo isso. E sabe de algum modo obscuro que seus cabelos escorridos são de náufrago. Porque sabe - sabe que fez um perigo. Um perigo tão antigo quanto o ser humano.

(Clarice Lispector - Felicidade Clandestina)

25 janeiro 2010

OBSERVAÇÃO

Gente, tô postando sobre minha viagem conforme me dá na telha, daí que já tem posts do último dia em BAs e não tem dos dias anteriores. Paciência comigo. Também tenho fotos - poucas! - que vou enxertar depois porque eu não to com elas por aqui. E, na boa, como disse a Ivi, em post que me inspirou, já tem muita foto boa do Mercado del Puerto e do MALBA por aí, não preciso eu tirar uma feiosa e mal focada.
Última coisa: estou organizando os posts da viagem 'ao contrário' - não no esquema blog que aparece a última postagem antes da primeira. Assim, essa viagem ficará postada na ordem 'normal' (que, para um blog, é ordem inversa), ou seja, vc poderá ler os posts da viagem de cima pra baixo.

19 janeiro 2010

Montevideo - generalidades

- A cidade é pequena e sussaaaaaaaaaa. Mas já anda tendo uns furtos, olho na bolsa, especialmente andando sozinho pela Ciudad Vieja e/ou de noite.
- É uma cidade de praia!!! Não deixe de ir a Pocitos para curtir uma praiazinha com os locais. Eu entrei na água, no big deal, mas muitos locais não entram. Quando fui conheci uma família por lá e ficamos batendo papo. Tem uma livraria muito boa em Pocitos, chamada Yenni, com um café charmoso, ar condicionado e guloseimas. Hmmm. E wifi, se vc tem um netbook.
- Experimente o mate! Eu bobeei, queria ter comprado uma mateira e deveria ter comprado um pouco de mate uruguayo para trazer. Fica pra próxima.
- Leve um net book. Próxima viagem eu vou comprar um. Todos os hostels hoje têm wi-fi. E muitos outros lugares.
- HOSPEDAGEM:Fiquei na Posada al Sur, um albergue/pousada socialmente engajado, de turismo sustentável. Não sei se é mais barata que os demais albergues, mas é um lugar gostoso, bem na Ciudad Vieja, em um calçadão (peatonal) e com uma Parrilla excelente e muito barata bem na esquina. Fica a uma quadra do Mercado del Puerto, e tem um museu de paleontologia lindooooo a um quarteirão.
Se vc vai em três pessoas ou de casal, eles têm uma casinha na parte de cima, tipo um chalé, com cozinha e tudo. Tem um terraço de onde dá pra ver os telhados da cidade (ahahahaha) e o pôr-do-sol, que é sempre MARAVILHOSO e muito demorado. Nessa pousada não lembro se tinha wi-fi, mas é legal anyway. Tem uma cozinha gostosa e o café-da-manhã tem uns 5 tipos de geléias e o onipresente doce-de-leite, além de um pão caseiro mutchoboom. Tem também muitas dicas de locais para freqüentar, lugares de música, etc, e computadores para acesso a internet. Não tem curfew e te dão a chave para entrar ou sair quando quiser. Se vc vai se hospedar no quarto coletivo, não tem locker, nem adianta levar cadeado. Ou vc tranca tudo dentro da mala ou joga pro Universo e confia. Mas o povo que freqüenta esse tipo de pousada não é do tipo baladeiro, é gente mais sussa. Todo mundo que conheci lá era muito legal.
- Nessa época do ano só escurece mesmo a partir das 21h30. E o pôr-do-sol é smpre feio assim, ó:

- Os mosquitos uruguayos me amaram!!!!!!!!! Levem repelente, minha gente!!!!! Tem dengue no Uruguay e na Argentina também!!!!
- TRANSPORTE: Se vc sabe que vai precisar mudar de ônibus, compre um bilhete de ônibus de uma hora. Vc pode usar mais de um ônibus, somente de ida. Se vc vai circular somente dentro do centro, paga menos, acho que U$0,90, e se vai até Pocitos paga o preço inteiro (U$1,60).
Táxi é barato, se vc está em dois nem vale pegar o busão. Mas, sei lá, táxi é cômodo, e bom para voltar de noite, mas para conhecer uma cidade, nada como pegar o busão.
- Vá para as ramblas (calçadões) ver o pôr-do-sol e sentir o ventooooooooooooo. Tem dias que o vento pega forte!!! Leve uma blusinha.
- Puxe papo com as pessoas!!! Eles são demais!!!! Adoreiiiiiiiiii os Montevideanos, de coração. São muito gentis e adoram conversar e te dão conselhos mesmo que vc não peça. :D
- Quer uma crônica legal sobre MVD? Leia o Ricardo Freire aqui. Super concordei.
AMEI MVD. Quero voltar um dia.

18 janeiro 2010

De SP a MVD, OMFG!!!

Bem, pra começar, só pra começar o relato das minhas curtas férias, bem que @barbarabramo avisara que eu podia ter problemas na viagem. Aliás, essa mulher acerta tudo!!! putzgrila! Dito e feito.
Começando pelo fato de eu ter marcado a passagem para as 11h da manhã e, por desatenção, achar que tinha que chegar com 3h de antecedência. E quem disse que eu achava um táxi às 6 da matina do dia 1º de janeiro para me levar ao metrô Barra Funda e pegar o Airport Service que eu, exagerada, tinha marcado para as 6h20? (eu poderia ter pegado o das 8h tranquila...) Virada, quase duas noites sem dormir, fiquei tão p. da vida que já comecei chutando o balde e indo direto de táxi para o aeroporto - detalhe, eu tinha comprado a passagem antes e, portanto, achava que tinha jogado 31 reais no lixo. Depois conto como acabou. De todo modo, o táxi saiu oitentão e eu já cheguei no aeroporto puta da vida porque tinha gasto 70 reais a mais que o previsto e a viagem não tinha ainda nem começado.
E os gastos extras continuaram mesmo antes de embarcar. Tava MUITO frio na sala de embarque ou, sei lá, muito frio pra quem está sem dormir, muito frio pra quem é friorenta, e eu já tinha despachado minha mala e só tinha um cardigan mto fininho e chiquetosinho recém comprado na Zara para a viagem ('me achando', que eu ia viajar de cardigan chiquetosinho, tsk tsk). Morri com mais uns 70 reais na única roupa que eu podia pagar e que valia a pena a relação custo benefício na porcaria do free shop da ida: um moletom da GAP, escrito GAP bem grande na frente. Odeio a GAP. Fiquei com ódio da GAP depois que eu li NO LOGO. E lá estava eu com o raio do moletom fazendo propaganda de graça pra GAP e ainda tendo que pagar por isso.
Mas, pelo menos, viajei quentinha.
Dormi a viagem inteira no meu também recém adquirido travesseirinho de pescoço inflável e não tive o desprazer de ver qual foi o lanchinho meia-boca que a GOL ofereceu para pessoas que, como eu, pagaram o dobro do preço da passagem para embarcar em um vôo vazio para Montevideo.
Mas isso não era tudo.
Ao chegar em Montevideo, desembarquei no aeropuerto nuevo. Ótimo e tentador free-shop, por sinal, onde comprei um rimel e um batom da L'Oreal.
Não havia um caixa eletrônico sequer no aeropuerto nuevo.
E eu tinha que pagar o táxi em cash. E eu não sabia que trocavam Reais nas casas de câmbio no Uruguay, tampouco sabia que no Uruguay pouquissimos lugares aceitam cartão de crédito, e tampouco sabia que eu tinha que ter desbloqueado meu cartão do banco para poder sacar direto da minha conta, que era o que eu pretendia fazer durante toda a viagem - a minha gracinha de gerente, pra não dizer o palavrão pelo qual eu tenho afetuosamente me referido a ela desde então, não me avisou, não providenciou o cartão extra que eu tinha pedido e depois se lixou atenciosamente para os meus problemas em Montevideo, sem um centavo no bolso.
Pois é. No meio do caminho para o hostel, parei em um posto Petrobrás para sacar dinheiro. E...
El cajero me comiò la tarjeta de Santander.
Si, puta madre, me quedè sin tarjeta en el primero dia en MVD, casi sin plata, e solo con un crédito de 250 reais que havía cargado en el VIsa Travel Money para emergencias. Bueno, llegò la emergencia.
E assim comecei minha viagem.

Ah, a impermanência!... ufa!!! MVD y el Candombe en el 1º de enero

Bem, a chegada foi meio estressante, mas depois, em MVD, foi só alegria.
Nesse primeiro dia eu fui assistir os tambores do Candombe na Calle Isla de Flores no Barrio Sur. A semelhança com o nome candomblé não é à toa: o candombe são os tambores dos negros no Uruguay, e se dança de modo bem parecido com a dança que se faz em terreiros (pelo menos, eu achei). O Carnaval por lá é super forte e tem vários grupos de candombe. Em algumas datas especiais eles tocam os tambores na rua, como o dia 1º de janeiro. Na verdade acho que teve candombe em todos os dias em que eu estive por lá. Mas o que rola agora em janeiro, até o carnaval, é tipo um ensaio na rua. Bem o que eu queria: nada turístico, muito local, lugar pra encontrar pessoas interessantes e se divertir sem pagar e sem precisar se preocupar sobre como estou, etc. Adorei!!!
(essa foto não fui eu que tirei, peguei daqui. o que eu vi foi um ensaio numa rua mais pro centro, esse é mais um desfile na rambla - avenida da praia - mas dá pra ter uma noção)

Fora que é impressionante, os sujeitos tocando entram numa espécie de transe, sei lá eu, e muitos terminam os tambores com a mão sangrando...
O som é poderoso e muito gostoso de dançar. Recomendo fortemente. Não tirei fotos nesse dia mas tirei no outro que fui ver um grupo de meninas. depois ponho aqui.
Mais informações sobre o candombe aqui e aqui
Ah, e pra quem não sabe, o tango tem super raízes africanas, sabiam disso? olha os nomes, todos com aquela ginga africana - tango, milonga, candombe (lembre de bunda ahahahahaha)
Ah, fui parar no candombe graças às dicas do pessoal do Couch Surfing. Pra quem não sabe o que é, clica aí e descobre. Em MVD, os surfers foram responsáveis por momentos deliciosos da viagem. Em Buenos Aires também. Na verdade, CS é mais que uma maneira muito legal de conseguir hospedagem de graça: o grande lance realmente é conhecer gente, seja quando se viaja, seja em sua própria cidade.
Nesse dia conheci a Ruth, que além de me fazer companhia nos tambores, me levou também para comer chivitos, que é tipo um beirute de lá, só que com outro pão (não o pão sírio), mas igualmente cheio de coisas: carne - algo entre o rosbife e o bife, bacon, queijo, presunto, ovo, alface, tomate: beirute, não? mas mais desmilinguido que o nosso. Tomei a minha primeira cerveja de 12 dias bebendo sem parar - na verdade, estou bebendo diariamente, creio que desde o dia 24. socorroooooo!!!!!! ainda bem que não comi muito durante a viagem. mas já engordei. tdo bem, amanhã começo o pilates :D
Bem, meu primeiro dia de MVD foi isso aí. A sorte virou :D

Segundo dia em MVD - chicas arrrentinas + Patt + brasileños + ´parrilla

Meu segundo dia foi sussa, sem grandes emoções, mas gostoso. Bom pra adaptações.
Conheci três argentinas no albergue, Josefina, Marilina e Agostina. Juro que os nomes eram esses. Nenhuma das três de Buenos Aires: uma de Córdoba e duas de Santa Fé.
Durante a manhã e pelo início da tarde passeamos pela Ciudad Vieja; vimos feiras de artesãos - onde comprei um pingente de libélula lindo que me acompanhou durante a viagem toda e foi meio que minha 'marca registrada', chama muito a atenção das pessoas, realmente encantadora a libelula - conhecemos o Museo Torres-García, que super vale a visita - obras interessantes do Torres García e também de uma artista que faz cerâmicas com uma técnica chamada Raku, cerâmicas lindéééérrimas.
Noltamos pro albergue e fui encontrar a Patt, uma americana muito engraçada que mora em MVD mas morava antes na Argentina - um dia, depois de se divorciar, ela se encheu e resolveu ir embora dos EUA. A história é bem mais comprida mas é algo como "Sob o Sol da Toscana + Comer, Rezar, Amar": depois do divórcio ela ouviu uma voz, sonhava com um lugar, e encontrou esse lugar na Argentina. E lá ficou, por 7 anos. Depois se cansou e resolveu experimentar o "otro lado del río". Mas não sabe se vai ficar, não está muito feliz em MVD. E tinha sido assaltada na véspera (leia-se, vítima de trombadinhas). Anyway, encontrei Patt em Pocitos e lá ficamos batendo papo, comendo empanadas e bebendo cerveja.
Depois passeamos pela Rambla, andamos muito, e quando fomos pegar o ônibus, o sol já se punha, e fazia aquele pôr-do-sol insuportável de lindo e muito, muito, muito demorado.
Esse dia eu queria ir no Poney Pisador, uma balada de lá, mas não achei companhia. Acabei ficando no albergue, onde encontrei uns brasileiros. Eles queriam comer e no fim acabamos comendo a 10m do albergue, na Parillada 25 Perez (esquina da Perez Castellano com a 25 de Mayo, Ciudad Vieja). E não fomos ao Poney Pisador.
Ah, nesse lugar come-se muito bem por muito pouco. Super vale a pena.

Terceiro dia - uau, uau, uau.

A Feira de Tristan Narvajo é uma super feira que ocorre todos os domingos em MVD e é frequentada por locais que passeiam pra lá e pra cá com suas térmicas e cuias cheias de mate. Ricardo Freire explicou bem direitinho o que é a Feria Tristan-Narvajo, então quem quiser ler e ver fotos clica aqui. Por lá comprei uns cintinhos vagabundos a 5 reais cada, coloridinhos, mas vagabas mesmo, tanto é que um já estourou o fecho. Bem por '5 real' não se pode querer muito, não?
No domingo fui passear sozinha por lá, feliz da silva, e depois o plano era pegar uma praia em Pocitos e ver as cuerdas de mujeres - candombe, de novo! - que iam sair por Parque Rodó. Bem, os planos foram todos concretizados, mas entre uma coisa e outra, muito aconteceu!
Quando eu já estava indo embora da feira, passei pela porta de um pequeno restaurante onde um moço lindo, de traços índios delicados, perfeita mistura de índio com espanhol, tocava bandoneon, acompanhado de um senhor que tocava o tambor e de um cliente do restaurante que cantava, com voz grave, quase tudo que ele tocava. Bem, não preciso dizer que 1) antes mesmo de ver a cara do tocador, lá me sentei e allà me quedè - aqui é meu lugar, claro, adoro descobrir esses lugares encantadores por acaso; 2) depois, admirando mais o rapaz, concluí que era ele mesmo o chico uruguayo que eu estava procurando; 3) pra completar, um casal que estava na mesma pousada que eu, dois cariocas simpaticíssimos, entraram no mesmo restaurante e almoçamos juntos. O lugar se chama Verde, e não me pergunte a rua porque eu realmente não tenho idéia de onde seja. Só sei que é em Tristan Narvajo e que fica em uma das ruas transversais à 18 de Julio - acho.
A comida estava ótima, a música encantadora e o músico, bem, o músico era um capítulo à parte. Depois do almoço muy muy rico, fiquei por lá para bater um papo com Ignacio.
Depois da feira fui para a praia de Pocitos saber como os locais passam o domingo. Já eram 5 da tarde e o sol ainda de lascar. Aliás, só peguei dias lindos em MVD. Mesmo no dia em que choveu, o último, logo depois saiu um solzão. Na praia foi gostoso, conheci uma família, ficamos batendo papo, tomando mate e falando sobre política, distribuição de renda, universidade e outras coisas sobre o Uruguay. Como todos em MVD, muito simpáticos. Saí de lá e fui dar um tempo na livraria Yenni, very cool, ar condicionado ótimo.
Ah, dicas que não têm preço dos inúmeros blogs de make e beleza que costumo ler: leve lenços umedecidos na bolsa, de bebê ou os femininos mesmo - já tem de várias marcas vendendo em farmácias por aí. Nada paga vc tirar o biquíni e, sem perspectiva de chuveiro por perto por algumas horas, ter o seu lencinho para fazer uma higiene básica, se trocar e sair um pouco mais fresquinha do banheiro. Bem, troquei de roupa, lavei o rosto e fiz uma make básica no banheiro do Yenni. Depois tomei um café, comprei coisinhas e, bueno, me fuè para las cuerdas de mujeres.
(las chicas tocando los tambores - lo hacen rebien!!!)

E lá veio a segunda surpresa do dia: logo que cheguei, encontrei um moço que eu pensava ser amigo do Ignacio, pois estava lá no restaurante conversando com ele. E fui puxar papo com Pablo, que também era músico. Junto com ele estavam outro Pablo e duas chicas argentinas, Maria e Aniko. Super fofas. Acabei me enturmando com eles e, depois que acabou a música, fomos para o ap de um dos Pablos fazer uma pasta e beber vino. Nesse meio tempo liguei para Ignacio, que estava no candombe no Barrio Sur, e, depois da pasta.... bem, o que aconteceu depois da pasta eu não posso contar por aqui. Só o que posso dizer é que ele tocou bandoneon e violão só pra mim. :)

Montevideo - quarto e último dia

Preciso terminar logo meu relato de viagem porque já já não vou mais ter tempo. Pensa que blogar é rápido, é? Demora pra escrever tudo.
Bão, meu último dia em MVD foi meio melancólico e bastante sem graça, até. Acordei bem, feliz, mas depois fui tomada por uma tristeza profunda, que atribuí ao fato de ter dormido pouco e também ao fato de que me apaixonei pela cidade... Passei o dia vagando pela Ciudad Vieja, fui ao banco Santander ver se podiam me dar una nueva tarjeta (aparentemente, crianças, o banco Santander só compartilha com os demais Santanderes pelo mundo o nome, porque não te serve pra absolutamente nada ter uma agência por lá), e fiquei com vontade de escrever. Como não tinha um notebook à mão, e também não queria exatamente escrever para os outros, comprei um caderninho e comecei a escrever... em español!!! Eu precisava, queria, escrever em español. Só assim poderia expressar o que eu estava sentindo. Passeei, tomei sorvete, comprei camisetas brancas numa loja popular (pelo que me lembro custavam 17 pilas cada, comprei duas brancas e uma cor de cenoura, básicas e bem legais, to numa fase camiseta branca, uma coisa), sentei-me num restaurante no Mercado del Puerto e comi um spaghetti com frutos do mar. Entrei em um ou dois museus, coisa rápida. Depois acabei voltando pro Hostel, dormi um pouco - precisava - e levantei a tempo de ver meu último o pôr-do-sol na rambla. Por ali, alguns chicos fumavam marijuana e depois pulavam na água para se refrescar: 'hace calor, señora!!!' Algumas pessoas pescavam... Garotos jogavam uma pelada em uma plaza vizinha.
Ciudad Vieja ao anoitecer... ao fundo está o Rio da Prata.

Mais à noite, um grupo do Couch Surfing havia combinado de se encontrar para tomar algo e lá fui eu, descrente de que Ignácio me telefonaria para um segundo e último encontro. De tanto bater cabeça na vida a gente aprende, né? Tola seria se tivesse esperado por ele. Por coincidência, marcaram o encontro exatamente na mesma esquina onde, na véspera, havíamos parado para comer uma pizza e beber uma cerveja, enquanto Ignacio me contava suas encantadoras idéias para mudar o sistema tocando bandoneon para los chicos no Barrio Sur e fazendo pichações nos muros de Montevideo.
O encontro foi uma delícia! Havia alguns locais, e um especialmente foi minha mais nova paixão, Diego, um jovem iniciante diretor de cinema residente na Espanha que estava de volta após dois anos fora de MVD. Além dele, outras excelentes companhias, uma mesa realmente internacional: Wolf - um alemão simpaticíssimo fazendo um ano sabático no Uruguay para terminar o doutorado, Santiago - um uruguayo cujo pai morara em Campinas e que falava ótimo português (em Buenos Aires, depois, conheci Greta, uma mexicana muito legal que ficou 2 semanas hospedada na casa de Santiago e conheceu várias dessas pessoas - depois falo dela), uma argentina super simpática com familia no Brasil e cara de brasileira, que tinha um namorado de Camarões, um italiano, um uruguayo comissário de bordo de opiniões fortes e que gostava de teatro independente (fiquei de levá-lo um dia à Praça Roosevelt), Martina, uma moça simpática porém que ficou competindo comigo pela atenção de Diego e fez questão de ir caminhando junto comigo e com ele até o hostel, definitivamente melando qualquer possibilidade de uma última aventura de amor em terras uruguayas, um Inglês, e mais 2 outros locais, que eu acabei não conhecendo porque, afinal, era muita gente!
No final, o que poderia ser uma melancólica última noite solitária foi realmente uma delícia!
Pra mim esses são os gostinhos bons das viagens. Essas são as lembranças que guardarei pra sempre. Quando parece que tudo está ruim, e que vc está sozinho, e que ninguém se lembra que você existe... o inesperado acontece!

Dias 5 e 6 - Colonia del Sacramento - para amar, para relaxar

Vc está com seu amado(a) em Buenos Aires ou Montevideo e quer passar um ou dois dias móóóóóito românticos, tipo filme mesmo? Tá a fim de dar uma relaxada no meio de sua viagem tresloucada pela América Latina? Vá para Colonia del Sacramento.
Você tem muitos motivos para ir. Porque é um lugar histórico importante, que foi disputado durante centenas de anos por Portugal e Espanha por ser um ponto estratégico ali no Rio da Prata. Porque é um lugar muuuuy lindo. Porque é muito, muito, muito sossegado, e os perros uruguayos fofos passam o dia inteiro dormindo.

Porque é um lugar romântico. Porque faz um pôr do sol ducaralho todo dia. Porque é o caminho mais curto pelo Rio da Prata entre Buenos Aires e Montevideo. Porque você pode fazer a phyna, alugar uma scooter com seu amado e fingir que está em um filme, passear sem compromisso nenhum o dia inteiro pela cidade, pegar uma praia, parar pra almoçar, conhecer a Plaza de Toros, o museu náutico, o cemitério fofo cheio de flores, o parque, conhecer tudo com aquele céu azul muito limpo e o solzão e o vento na cara e só vai faltar a trilha sonora, te juro. Porque tem o Lentas Maravillas, o 'segredo mais bem guardado de Colônia', onde você pode (de novo) fazer a phyna e tomar o chá das 5 com doces deliciosos em um jardim delicioso, onde gatinhos filhotes fofos brincam inocentemente (juro! tinha gatinhos fofos, parecia uma cena inventada)enquanto você relaxa e admira os barcos ancorados no iate clube. Porque, se vc tem grana, tem pousadas charmosérrimas, com jardins secretos exclusivos, piscina e tudo o mais.

(era nessas cadeirinhas brancas e desconfortáveis nesse lugar sem graça que nos serviam o chá, os poucos escolhidos do Jardim das Lentas Maravillas)

O Ricardo Freire também descobriu o Lentas Maravillas quando esteve por lá. E eu juro que descobri sozinha, ninguém me contou não. Me achei, tomando meu chá das cinco enquanto esperava o pôr-do-sol.

(meu chá das 5, desagradááável. NOT :P)

Mas para ver o sol ir embora em Colônia vc tem que ir pro deque ou então pra parte murada na beira do rio. Eu fui pro deque:



Um dia por lá é suficiente para conhecer tudo. O centro histórico é minúsculo e ao contrário do Ricardo Freire eu acabei não indo em nenhum dos museus porque fecham cedo e, no primeiro dia, fiquei até as 4 da tarde resolvendo problemas com a gracinha da minha gerente no Brasil e no segundo dia fui passear de scooter com Jeremy e só chegamos umas 18h. Ricardo Freire diz que não passaria a noite. Eu passaria, se fosse de casal. Na verdade passei duas noites lá. Não foram das mais animadas, mas a turma do hostel (fiquei no El Viajero Hostel - não muito barato, sempre sempre lotado, gente entrando e saindo todo dia, indo/voltando de BA/MVD, atendimento ok) se divertiu em alguma sinuca por ali. Fiquei enchendo a cara com dois brasileiros e com o fofo do Jeremy, americano de 25 anos que me levou pra passear de scooter e cujo email eu, lamentavelmente, perdi. Espero que ele não tenha perdido o meu, porque ficou de se hospedar em minha casa quando viesse a SP. Mesmo assim, foi uma noite gostosa. :)
OBS: Se vc está indo para BAs, NÃO compre a passagem do Buquebus ou do Colonia Express (barcos que fazem a travessia do rio da Prata) no albergue/pousada. É bem mais caro. Vá na véspera ou assim que chegar no Porto - fica do lado da rodoviária - e compre por lá mesmo. Eu acho que paguei uns 30 ou 40 pesos a mais pela comodidade. Bobeei, porque no passeio de scooter paramos por lá para o Jeremy comprar a passagem de ônibus dele. E ah, o Buquebus é maior mas também é mais caro que o Colonia Express. Me pareceu mais pontual também, todavia.
OBS2: NÃO jante no restaurante El Torreon, que fica ali na beira do rio. Quando fomos, o atendimento foi muito ruim, os preços eram exorbitantes, e o tamanho da carne que custava 300 e tantos pesos (uns 30 reais) era absolutamente ridículo. E não vinha com guarnição. Fuja!!!

MiBuenosAiresquerido - primeiro dia

(tchau, Colonia!.... tchau, Uruguay!...) (ah, mas o Porto de Colonia não é assim lindo não, tá? Essa é a outra parte, perto da Marina)

Sabe que gostei do passeio de barco entre Colônia e BAs? E na chegada nel Puerto de SantaMaria de Bonaire vc vê uns barcos Cassinos. No Uruguay tem Cassino mas eu não fui não, não curto a idéia, mas até que em um barco cassino desse eu iria só pra curtir. Uma coisa assim meio Maverick.


(oooooi Argentina!!!!)

HOSPEDAGEM: Chegando lá, fui direto pro El Firulete Hostel. O hostel é bem legal, pequeno, os quartos são confortáveis, a equipe é de gente jovem, os caras que trabalham por lá sempre saem com o pessoal que está hospedado para fazer uma balada, enfim, gostei bastante. O único problema, o único mesmo, que eu tive: o BARULHO. E, na boa, pra mim não é um problema muito pequeno não. A rua era MUITO barulhenta. Imagine vc morar no primeiro andar de um ap, sei lá, na Av. Brigadeiro Luiz Antonio? Ou, como morava meu irmão no RJ, na Senador Vergueiro? Ônibus o dia inteiro. E de noite, caminhão. No terceiro dia comprei um tampão de ouvido. Demorei muito. Isso tornou a minha estadia em BAs não tão boa, porque não dormi bem.
O hostel é bem localizado; fiquei em um quarto individual com banheiro coletivo, o quarto tinha ar-cond, era limpo, o banheiro era ok (coletivo, né, mas td bem, eu tomava banho em 5 min mesmo), a área coletiva era bem legal e os computadores pra acesso à net eram rápidos, o café da manhã era ok - pão, doce-de-leite, manteiga, geléia, leite, chá, café e sucrilhos.
EMPANADAS: Única missão que consegui concretizar no dia: comer empanadas deliciosas. Eu tava louca pra comer empanadas desde Montevideo e ainda não tinha encontrado O lugar. No hostel, me indicaram El Cuartito como tendo 'a melhor empanada de Buenos Aires'. E o melhor é que era (mais ou menos) perto do Hostel. Um lugar muy muy antigo, muy buenas pizzas e empanadas. Comi três: carne picante, carne, e a minha preferida: queso roquefort y jamon. Hmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm..........
Depois de andar muito até lá (me perdi na ida, era perto) e andar de volta, tudo o que consegui fazer foi deitar e dormir. No caminho passei em um Maxi-quiosco (não sei porque não copiam essa idéia por aqui - se bem que hoje em dia certas bancas de jornal são parecidas, mas lá tem em tudo quanto é lugar), comprei um alfajor, um chá gelado e na banca uma revista. Acordei por volta das 23h com fome novamente...
Fui pra área de convivência do Hostel, vi uns posts do povo do Couch Surfing mas não me animei a sair. Só que precisava comer.
E.... COMPANHIA. Mais uma vez a nossasenhoradabuenaonda veio a me socorrer. Pedi informações a um dos moços que trabalhava no hostel, Facundo, que me indicou um local perto mas eu estava com medo de sair sozinha - hospedada no centro... a cidade é segura, mas mulher sozinha de noite... temos que saber nossos limites, não?
No final das contas, Facundo, que ia somente me acompanhar até o local, acabou sentando-se comigo e comendo uma pizza com cerveja (bebem muito Stella Artois por lá, e é mais barata que a Quilmes), e ficamos batendo papo até as 3 da manhã. Calhou que o moço era muito simpático, todo ligado na tomada, triatleta, engraçado e brincalhão, e o papo foi uma delícia. Ele me convidou depois pra andar de bicicleta um dia com ele antes de ir embora, mas acabou não rolando. Mas valeu, com certeza, pela minha primeira noite em BAs.

Buenos Aires- segundo dia

Já recuperada, tendo dormido um pouco - não muito, por causa do barulho- , eu tava afins de ir a uns museus e passear bastante a pé por BAs. Bem, foi o que eu fiz todos os dias. Talvez por isso eu tenha engordado SÓ 2 kg: considerando que bebi cerveja todo dia durante 12 dias, está de bom tamanho (NOT).

Mandei um recado pro Couch Surfing e um italiano simpático me respondeu, Stefano. Sabe gente boa mesmo? Eu arriscaria dizer que construímos uma amizade durante esses 4 dias em que passeamos juntos. Conversamos de tudo, rimos, passeamos (Stefano anda rápido e sempre sabe onde ir, além de ser um excelente professor de italiano). Falamos sobre o Lula (quer dizer, eu falei sobre o Lula), sobre Cesare Battisti, sobre jornalismo, ele contou bastante sobre a Itália... E fizemos um pacto de eu falar português e ele italiano, para que pudéssemos ouvir línguas que nos agradavam :)

Fomos então ao Museu Nacional de Bellas Artes - nos encontramos lá às 16h. Antes disso... passeei pela Calle Florida, conheci a Galeria Pacífico - que nada mais é que um shopping, o Centro Cultural Borges- que fica dentro da Galeria e tinha uma instação sobre Ingmar Bergman e uma exposição de desenhos (dibujos, em español. adoro essa palavra. e adoro como em português a gente só usa pra falar sobre o milho ahahahahaha). Lá na Galeria também tem uma escola de tango onde vc pode fazer aula e não é uma muvuca (depois conto sobre a aula de tango que eu fiz) e não é caro (duas noites de aula sai uns 40 reais).

No caminho para o museu passei pela Faculdad de Derecho da UBA e, decepção!!! estava fechada! Óia que imponente:

A Faculdade fica do lado daquela Frô de metarrrrrrr que abre e fecha - até hoje só vi aberta:

O MNBA fica também ali, na frente da Faculdade, do outro lado da Avenida.
Depois do museu (super recomendo!!! acervo enorme, inclusive de arte pré-colombiana, bem cuidado, e outras exposições), caminhamos até a livraria El Ateneo, a mega hiper master blaster livraria lindérrima e chiquérrima que fica dentro de um antigo teatro. É show!!!
(peguei a imagem daqui)

(Clique aqui para um videozinho em inglês) (e... fazendo a pesquisa de links para este post acabo de descobrir que a Libreria Yenni de Pocitos, em Montevideo, é do mesmo grupo. De fato, a agenda e o cine-de-dedo que comprei na Yenni eram fabricados na Argentina... tsk, tsk)
Depois de um café no charmoso palco, acompanhada do Stefano, voltei para o albergue, me troquei rapidinho e encontrei com Ani, a argentina que eu havia conhecido em MVD, e mais duas amigas: Olga, uma peruana, e Maju, local. Fomos para um barzinho em Palermo e lá comemos uma Picada - uma tábua de frios, muito popular por lá (assim como as onipresentes papas fritas). Olga particularmente me fez morrer de rir com suas imitações de chilenos e outros falantes de língua espanhola, e também ao falar dos 'selváticos', que são os peruanos que moram nas cidades mais perto da Amazônia (Iquitos, por ex).
Ah, cumpre informar que a essa altura da viagem eu já estava hablando español fluentemente (ahã), e pena não tinha ainda aprendido a dizer 'relindo', 'rebueno', mas nesse dia quase falei che! ahahahahahaha. Adorei!!!!

Ani me convidou para ir ao Tigre com uns brasileiros que ela havia conhecido, mas como eu tinha poucos dias, achei melhor ficar pela cidade mesmo.