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18 abril 2010

Já identifiquei

O último tipo que conheci é uma mistura bem acabada de 3 ou 4 tipos de homem palhaço, conforme catalogados pelas blogueiras do HTP. Vamos a eles:

80% já vi essa novela, mas como toda novela, a gente esquece fácil, né? não prestei atenção e fiquei acompanhando os capítulos, achando que o final seria diferente. mas toda novela termina igual!  "Palhaço Janete Clair – Esse é um tipo único na dramaturgia brasileira. Ele olha para você, te azara e logo depois no primeiro beijo já quer casar, ter filhos, comprar uma casa no campo e enche-la de labradores. Quer sair do bar ou boite direto pro banco para abrir uma conta conjunta. Mas cuidado: esse tipo de palhaço muda depois de uma noite de sono. Contra-indicado para meninas de coração fraco." 

10% eu vi os sinais "Palhaço Pique Esconde – Ele marca de sair com você e... não aparece! Ele te liga chamando para almoçar e... não aparece! E é claro, sempre desliga o telefone depois do sumiço. Aí ele conta até 100, mil ou cinco mil e como você – óbvio – não o encontra, ele surge, com a maior cara de pau do mundo dizendo “ih ... esqueci”. 

10% eu vi os sinais "Palhaço Cagão - Ele é covarde. Tem medo da mãe, da namorada, da irmã, da mulher. Prefere fazer uma palhaça a tentar consertar uma. Sempre acha que vai ganhar uma bronca. Depois de uma boa palhaçada se esconde. Ver também Palhaço Pique-Esconde." 

E antes que eu alguém fale que eu sou despeitada ou algo assim, é isso mesmo, tá?

Fui rejeitada sim; to afogando as mágoas falando mal dele sim; meu ego tá ferido sim; preciso disso pra me recuperar sim.

Fazia muito tempo (anoooos!!!) que eu não caía nesse conto do vigário, achei que já tava escolada.

Mas me dá só mais uma semaninha que eu tô inteira de novo, loosho poder e sedução. 

Diálogos reais

-Então, a gente precisa ver por que que vc só atrai esses homens meio gays. É que vc é muito estilosa... Homem não gosta de mulher estilosa. Quem gosta de mulher estilosa é bicha!!!

-Eu não sou estilosa. Poxa, eu sou feminina, fui toda bonitinha, de sainha, arrumei cabelo, fiz maquiagem...

- Meia calça grossa? Fio 80? Estilosa! 

- É, ué, tava frio! Ah, outro dia comprei uma berinjela, linda!

- Ah, que legal, a-do-ro!!! Então, homem não gosta de meia fio 80. Nem de vestido com calça jeans. Homem gosta de calça branca justa, aquelas calças de moletom justas, calça da Gang! Vai comprar uma calça da GANG a-go-ra!!!

- ...

(tô fodida.)

Diálogos imaginários

- Não era eu.

- Como assim não era eu? Lógico que era você!!!

- É... bem... era e não era, sabe, essa coisa dialética?

- Porra, dá pra parar com esse papo intelectualóide de dialética, agora tudo pra vc é dialética, puta encheção de saco do caralho!!!

- Mas é verdade!!! Era eu, né, meu corpo, mas meu, eu tava fora de mim, eu tava simplesmente me iludindo, tão eufórica, tanto achando tudo lindo, querendo que fosse verdade, que fiquei fora de mim. Bem que eu achei estranho... tava indo tudo muito rápido. Rápido demais. Eu não gosto mais disso. Faz tempo que as coisas não me acontecem assim. De verdade, sabe quando vc vai fazendo as coisas no automático? Sem sentir direito? Então, foi assim. Por isso que eu to falando que era eu, mas ao mesmo tempo não era. 

- E???

- Ah, então, considerando que eu não tava no meu juízo perfeito e que eu praticamente conseguia me olhar de cima (pena que tava meio nublado), será que dá pra vc desconsiderar as coisas que eu falei/pensei/fiz?

- Ahahahahahaha, vc tá louca? 

- É, acho que to meio louca sim. Você acha que se eu tivesse bem estaria te pedindo isso?

- Meu, esquece, esquece isso!!! Desencanaaaaaaaaaaaaaaaaa, isso já passou!!! Chega, não aguento mais ouvir vc falar disso! 

- É, nem eu to me aguentando mais...

- Pois é, e eu menos ainda que tenho mais o que fazer. Meu, desencana, vai dormir, vai se ocupar, fazer ginástica, sei lá, vai arrumar a sua casa que tá uma zona, vai estudar que vc não estuda faz duas semanas, só fica aí surtando e pensando. Vai se ocupar. Tchau.

-Mas...

-Tchau. Fui, heim? 

14 abril 2010

queria sumir de mim mesma

mas nenhum carro, avião, trem, barco, nem mesmo um metrôzinho sem vergonha, nenhum desses meios de transporte leva a gente pra fora da gente...

alguém tem uma mente quieta aí pra emprestar?

a espinha ereta até que eu to segurando bem. 

e o coração? saindo pela boca...

13 abril 2010

Mais desejos, necessidades, vontades

Já foram três posts iniciados e deletados, cuidado, cuidado ao se expor, não vá se arrepender depois; foram  vários tweets cuspidos e apagados, segundos depois. Acho que agora vai. Rápido, porque a novela já começou.

Sou um punhado de desejos, necessidades, vontades, medos e inseguranças, que de vez em quando, se surge aquela brechinha, superam a minha segurança, autossuficiência, coragem e equilíbrio conquistados às custas de dor, agulhadas de acupuntura e aulas de dança indiana.

Por sorte, com o tempo, a gente aprende a se controlar, fazer cara de paisagem e fingir que não está acontecendo nada, que tudo está bem e que somos muito muito seguras mesmo, e que estamos muito bem sozinhas e felizes bebendo a nossa cervejinha importada long neck em casa e dançando na sala enquanto fazemos a faxina. Mas é tudo mentira. 

Ninguém quer tuitar loucamente madrugada afora. A gente quer mesmo é fazer amor madrugada afora.

Ninguém quer passar a noite lendo Dialética do Esclarecimento. A gente quer mesmo é passar a noite beijando e se aconchegando e se querendo e se pegando. 

Ninguém quer ir pro parque Villa Lobos sozinho no domingo de manhã.  A gente quer mesmo é uma companhia doce pra deitar na grama, acariciar os cabelos, tomar aquele sol delicioso de outono enquanto olha o céu muito muito azul e sem nuvens (vamos fingir que não tem uma camada imensa e cinza de poluição entre a terra e o céu, senão, porra, cadê a poesia, né, minha gente?)

Ninguém quer sair pra passear sozinha na Avenida Paulista. A gente quer mesmo é dar as mãos, ir pro cinema, depois passar no Kebab Salonu e beber lassi enquanto comenta o filme (ou só pra comentar que não gosta de comentar o filme). 

Ninguém quer escrever tese. Isso a gente faz porque precisa, mas querer mesmo, no fundo, no fundo, ninguém quer. A gente quer mesmo é escrever juras de amor, canções de felicidade, crônicas do cotidiano, aquela última frase engraçada e muito inteligente que seu filho disse.

Todo mundo quer o amor.  O amor é importante, porra! Mas dá um medo do caralhooooooo

02 abril 2010

I'm In The Mood For Love

I'm in the mood for love
Simply because you're near me
Funny, but when you're near me
I'm in the mood for love
Heaven is in your eyes
Bright as the stars we're under
Oh, is it any wonder
That I'm in the mood for love?
Why stop to think of whether
This little dream might fade?
We've put our hearts together
Now we are one, I'm not afraid
And if there's a cloud above
If it should rain, we'll let it
But for tonight forget it
I'm in the mood for love
Oh yeah

Why stop to think of whether
This little dream might fade?
We've put our hearts together
Now we are one, I'm not afraid
And if there's a cloud above
If it should rain, we'll let it
But, for tonight, forget it
Cause I'm in the mood for love
I'm in the mood for love
For love, for love...

26 março 2010

my own private Julie & Julia

Então, né, faz tempo que eu queria ver esse filme e hoje, passando na locadora para comprar trufitas e matar minha vontade de chocolate, aluguei. A Fal falou tanto desse filme por tanto tempo (lendo o blog descobri que a Sony convidou-a para escrever sobre durante um certo tempo, but, whatever, a Fal é ótima, não?), e demorei a ver, quase fui umas duas vezes no Cinearte Lillian Lemmertz e hj finalmente vi. Lógico que chorei e lógico que amei.

Minhas razões:
1) Porque venho me desenvolvendo enquanto cozinheira amadora e descobrindo o prazer de cozinhar. Tudo começou em 2004, pós minha internação, quando passei um ano sozinha e descobri a feira livre, o peixe e o macarrão com molho de tomate fresco, parmesão, alho e manjericão. Divino. Mas o real barato de cozinhar só apareceu mesmo em 2008, quando comecei a namorar E., que cozinhava para seus filhos (e pra mim) com espontaneidade e simplicidade. E um novo mundo se abriu. E passei a comprar produtos orgânicos, e passei a cozinhar pra mim mesma, e minha meta é ter uma mesa na sala de casa para poder ter mais de uma pessoa para jantar. Mas sou feliz cozinhando pra mim mesma. Já sei fazer omeletes, invento uns par de receitinhas de macarrão e tento aproveitar o que tem e criar algo comível. Mas nunca me aventurei com livros de receitas. Tem que comprar as coisas e planejar e acabo ficando com preguiça. Pode ser uma boa, uma hora vou tentar. O que importa, pra mim, é que depois que eu descobri que podia cozinhar me senti mais independente e, finalmente, capaz de criar um filho (sem deixá-lo morrer de fome após o final da amamentação). E, ah, quando cozinho, é sinal que a cabeça está bem. É como uma meditação pra mim. Se a cabeça está mal, nada acontece na cozinha. Por exemplo, em janeiro e fevereiro, quase não cozinhei. Só macarrão com azeite, o fim da linha.
2) Porque eu tenho meu próprio Julie & Julia project. Nada tão grandioso, nada certamente que vá virar livro, e não é que eu odeie meu trabalho não, adoro lecionar, adoro pesquisar, to feliz fazendo meu Doc (estou mesmo? isso é possível? algum 'cerumano' pode de fato ser feliz fazendo Doc? dizem que no HU tem um ambulatório de psiquiatria só pros doutorandos ahahahaha), mas no momento, I'm in the mood for dancing. E juntei minha curiosidade e interesse pela Ìndia, pelos seus cheiros, sabores, cores e sons, com SAMWAAD e todos esses encontros (e nem contei ainda que esta semana conheci e passei dois dias, ou melhor, duas noites, mas na amizade, tá? com um indiano que conheci via Couch Surfing), e enfim, troquei o Pilates que eu tava planejando fazer pela dança Odissi, e agora 2 x por semana aprendo a dançar com pernas, pés, braços, mãos, cabeça e olhos, coluna no lugar, e já sinto que isso tudo tá me trazendo, de verdade, pro meu centro. To me achando, to me equilibrando de novo. Entre excessos e acessos de espartanismo, to achando meu balanço, meu eixo. Esse é meu projeto. E eu vou ganhar um sári de algodão com a blusinha e tudo, tá? direto da India. E um DVD de Bollywood com legendas em hindi pra eu aprender hindi.
E a vida louca vida vai levando a gente pra caminhos maravilhosos quando a gente se deixar levar e encantar por ela.

08 março 2010

SAMWAAD - encontros, descobertas íntimas, let it flow

Então eu resolvi fazer uma manutenção do Rolfing, terapia corporal que pode parecer um inocente RPG, mas está longe de ser simplesmente um alinhamento postural. O Rolfing mexe com tudo. Corpo e alma.
Fiz pela primeira vez em 2007, num momento em que eu rodava em círculos; pela 3ª vez, repetia uma relação profissional complicada e o fim que se aproximava, igual aos anteriores, me deixava angustiada. Eu não queria, novamente, encerrar uma relação profissional de maneira ruim (para mim). Posteriormente, percebi que o lance não era mesmo comigo, a minha então chefe é considerada uma pessoa extremamente difícil por todo mundo que trabalhou com ela, mas para mim era uma questão de honra terminar diferente. E senti que era o momento de fazer o Rolfing, que minha amiga tanto insistia pra que eu fizesse. E fiz, e foi ótimo.
Este começo de ano estou em crise. Não uma crise ruim, uma crise boa, eu acho. Sinto necessidade de expandir meus horizontes: quero novos amores, novas experiências, novos sabores, novas músicas, novos lugares, novos amigos.
Mas tava tudo muito difícil, travado. Depois que voltei de viagem, tudo empacou. Dei uma arrumada na casa (na casa mesmo, meu ap, que estava uma zona - agora tá bem melhor, mas ainda na metade do caminho de onde quero chegar), e a partir daí a coisa parou. Empaquei. Nada caminhando. E vi que tinha mesmo chegado a hora de refazer o Rolfing.
Já estou perto da última sessão... Nossa, como valeu a pena!!!! Já me sinto bem melhor. Mais leve. Mais altiva (eehehehehe, ganhos colaterais). Mais segura. Mais centrada, mais emocionada. Mais calma, beeeeeeeeem mais calma. Tudo funcionando melhor, corpo e mente.
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Este final de semana tive mais uma daquelas experiências de sincronicidades. Pequenas decisões que, encadeadas, nos levam até onde precisávamos chegar.
Depois de uma ida à Pinacoteca e ao Museu da Língua Portuguesa, na chuvosa manhã de sábado, liguei para um amigo que eu pretendia encontrar no dia seguinte perguntando se dava pra antecipar o encontro. Fomos almoçar no Govinda, adoro comida indiana e ainda na Restaurant Week, melhor ainda. Depois de comprinhas na lojinha ao lado (pashminas de viscose por R$20,00??!! Embrulha meia dúzia!!! ahahahahaha), ia indo embora pra casa, mas o céu estava abrindo, fazia um lindo final de tarde em SP, uma luz especial. Fazer o quê em casa, sozinha? Bora pra Paulista ver um filme e passear no final da tarde.
Fui pra Livraria Cultura matar o tempo enquanto minha amiga não chegava para o cinema. Mas fui pra sessão de música. E lá trombei com o SAMWAAD, trilha sonora do Ballet que o Ivaldo Bertazzo fez há alguns anos, algo de lindo, música indiana com toques de bateria (pandeiro, cuíca), delicado, sublime, forte. Me apaixonei e resolvi comprar.
Estava na fila do caixa quando vejo passando ali na frente um amigo. Curioso, eu havia pensado nele cerca de uma hora antes, quando estava indo pra Paulista... Saí correndo da fila e o chamei. Ele me convidou pra um café.
Já no café, minha amiga chegou. Ainda durante o café, esse amigo me pergunta sobre o concurso que eu havia prestado em 2008 (fui aprovada), numa Faculdade importante de SP. Não mais que um minuto depois, quando eu respondia ao meu amigo que o concurso vencia este ano e que precisava me mexer se quisesse ser contratada, chega no café um professor dessa Faculdade, do mesmo Departamento em que fui aprovada. Ele vem até mim e me pergunta se ainda estou interessada na vaga (como assim, Bial??? LÓGICO que eu to interesada na vaga!!!! ahahahahaha). Agora ele é o chefe do Departamento. E a contratação vai sair para o segundo semestre. Só preciso fazer o que eu já sabia que tinha que fazer, mas ainda estava sem forças físicas e psíquicas - preciso mexer alguns pauzinhos.

Saí correndo da livraria para assistir Educação com minha amiga. Abandonei o CD, senão perderíamos a sessão. Depois da sessão, estava quase indo embora quando me lembrei. Voltei à livraria que, por sorte, ainda estava aberta, comprei, e faz 48 horas que eu só consigo ouvir isso.

Hoje eu vinha dirigindo na estrada ouvindo SAMWAAD, quando um choro chegou. Não me preocupei em controlá-lo. Deixei-o fluir até se esgotar. Aumentei o volume e deixei que a música me envolvesse. E cheguei ao meu destino calma, tranquila, segura. Ainda não estou segura quanto ao significado desse choro. Mas sei, sinto, que ele é bom.

SAMWAAD significa HARMONIA DO ENCONTRO, mas eu não sabia disso até iniciar este post, quando fiz uma rápida pesquisinha no Google para encontrar os links que coloquei logo acima. SAMWAAD.

12 fevereiro 2010

Emilianas na balada

- Katchy, tchy amuuuuuuuuuuuuuuu

- Ama nada, sua doida!!!

e eu que já pagava pau pra @Katylene antes, agora pago mais ainda.

07 fevereiro 2010

Post emprestado - Se apaixonar é bom porque.... (ADORO!!!!)

Peguei emprestado daqui. Aliás, ótimo blog, Sabineas.com Gostei.

Se apaixonar é bom porque faz você mudar o corte dos cabelos, lembrar de hidratar a pele depois do banho e fazer as unhas de 15 em 15 dias;
Se apaixonar é bom porque te faz comprar lingeries delicadas, sensuais ou divertidas;
Se apaixonar é bom porque te dá coragem de enfrentar aquela depilação pavorosa que dói o diabos, mas a louca que está te torturando garante que suuuper vale a pena;
Se apaixonar é bom porque te faz repensar os lugares mais bacanas que você visitou para sugerir o passeio, separar livros para indicar a leitura dos teus trechos prediletos e rever trocentos gigas de músicas no HD para encaminhar aquela que é “a cara dele”;
Se apaixonar é bom porque atualiza tuas idas ao cinema e listas de filmes “must to see”;
Se apaixonar é bom porque faz valer a dieta, mesmo sabendo que vai quebrá-la por causa daquele jantar especial;
Se apaixonar é bom porque te ensina - finalmente! - a receber elogios;
Se apaixonar é bom porque os programas de domingo nunca mais serão boring, mesmo que seja só ficar em casa assistindo TV;


[e as que mais gostei na lista dele:]

Se apaixonar é bom porque finalmente você entende o que leva as pessoas à se casar;
Se apaixonar é bom porque te faz querer que seja a última vez.

31 janeiro 2010

pedacinhos - desejos - necessidades - vontades



- Preciso(amos) de amor. Ou,  como diria o pixador por aí, 'o amor é importante, porra'. (crédito da foto - flckr da Ivi)

- Preciso(amos) de não violência. Inclusive, dona Emilia, verbal. Viu? Que tal lembrar de seu voto budista de não usar palavras rudes, ásperas, da próxima vez que alguém disser algo que a irrita? Heim, heim?

- Preciso(amos) dos amigos. Hoje precisei de um deles, e ele me ajudou. Obrigada, meu querido amigo. Sabe que gosto de você, no matter what. Sempre seremos cúmplices porque já compartilhamos tanto que esse laço é firme e ao mesmo tempo frouxo, como deve ser para sobreviver. 

- Preciso escrever, sempre. Aqui trago muito ao público (é pouco, mas há), mas muita coisa escrevo só pra mim. Aprendi a escrever e guardar, a amassar o papel virtual e jogá-lo no lixo, ou guardá-lo numa gaveta escondida. Que bom que isso já aprendi. Há muito, ainda, pela frente. 

sobre Quiroga, House, Buda e Zeca Pagodinho - tardei, mas não falhei

Querida amiga,

No final do ano passado eu li no site do Quiroga a seguinte frase, que passou 2009 inteiro como proteção de tela no meu computador: “Antes de o ano terminar e, em nome de realmente acontecer um novo a partir da semana que vem, sua alma faria bem perdoando a tudo e a todos. Perdoar desamarra o passado e produz o vácuo da liberdade, a partir do qual tudo pode acontecer.”

Curiosamente, pouco tempo depois – vejo agora que foi em janeiro desse ano – você me escreveu. Eu sabia que tinha tudo a ver com a frase aí em cima, eu sentia essa sensação, porém eu não conseguia encontrar as palavras certas para responder. Alguém me sugeriu mandar simplesmente uma mensagem diplomática, mas não é do meu feitio. Por isso, silenciei. 

Só hoje, enquanto lavava o rosto antes do ritual noturno de cremes anti-sinais, é que - vai saber em que intrincados labirintos em algum canto do meu cérebro andava metida – chegou a resposta. Pode ter algo a ver com o filme que vi logo antes, ou não. “Mais estranho que a ficção”, vale a pena ver, se ainda não viu. Cumpre, então, responder. Afinal, o ano já está acabando.

Dentre os muitos ganhos que tive em minha vida nos últimos anos, acho que o maior deles foi o de adotar uma filosofia que tem sido chamada pelo povo de zecapagodinhowayoflife, mas sobre a qual Buda já falava, de modo mais sofisticado, há sabe-se lá quantos mil anos: deixo a vida me levar. Desde que passei a ‘viver a vida’, tentando não nadar contra a corrente e não forçar momentos, situações, ou seja, ser mais verdadeira (principalmente) comigo e com os outros, as coisas ficaram bem mais fáceis. Não é sempre agradável, claro, mas amadurecer tem suas vantagens: a gente se trata melhor e se respeita mais. 

(...) 

No meu atual jeito zecapagodinho de viver (cheia de referenciais-clichê-noveladasoito), acho que, se um dia, as circunstâncias, as coincidências, o destino, as sincronicidades ou qualquer que seja o nome dessas decisões pequenas ou grandes que, a cada momento, determinam o rumo da nossa vida, gostemos ou não, enfim, se esses caminhos desconhecidos que tomamos acharem por bem se cruzar novamente, se nossas canoazinhas atracarem num mesmo atracadouro, ou simplesmente deslizarem lado a lado durante certo tempo, eu terei sincero prazer em compartilhar(mos) esses momentos. ‘Perdoar desamarra o passado e produz o vácuo da liberdade, a partir do qual tudo pode acontecer’. 

Espero que compreenda que não estou falando em “perdoar vc” ou sobre ações específicas, mas simplesmente em aceitar e superar o passado, em abrir esse espaço no corpo e na alma para o novo. Estou falando, claro, não só pra vc, mas também (e talvez principalmente) para mim mesma. Como House no episódio de abertura da nova temporada, instead of trying to fix it, it’s better to let it go. 

(...)

Acabei de postar a viagem - de volta ao mundo real - com escoriações leves

Gentem, já tá tudo aí embaixo. Quem tiver paciência, divirta-se! 

Pra mim foi bom, garanto. ;-)

Duro é voltar ao mundo real, aos compromissos, aos horários, aos medos de não fazer o certo. Em viagem tudo é solto e descompromissado, são pessoas que vc, provavelmente, nunca mais encontrará, a não ser que a vida lhe pregue alguma peça louca. Você se joga, você é mais legal, mais agradável, mais descontraído, mais você (ou menos, sei lá. ou os dois. quem somos, de verdade? somos tod@s ess@s). Aqui, na vida real, a gente é mais contido. A gente se preocupa mais em agradar, mais em fazer o certo, mais com o dever-ser do que com o que realmente importa, que é ser. E, por vezes, quando a gente se joga na vida real, buscando a espontaneidade de como quando se está em viagem,  sabe como é, fica uma sensação de que, talvez, só talvez, você não tenha feito a coisa certa. Porque, afinal, na vida real, as pessoas não estão de férias, como você. E talvez, por não estarem de férias (como vc estava, quando se jogou, embora, ao mesmo tempo, não estivesse), elas não compreendam que você estava, simplesmente, buscando viver sem máscaras, buscando realizar seus desejos - sem, contudo, machucar quem está perto-, buscando, enfim, ser e viver de modo mais espontâneo.

A gente aprende o tempo todo, quando menos espera. Aprende, reavalia opiniões passadas, preconceitos, visões de mundo. Estou, hoje, reavaliando, repensando, ponderando sobre atitudes minhas  e de outros, presentes e passadas. A vida já é muito dura pra gente exigir (-se, e dos outros), o tempo todo, controle, planejamento, previsão. A espontaneidade que me encanta nas viagens, o inesperado, por vezes me amedronta no real. Não quero me amedrontar. Quero encantar-me também com o espontâneo no cotidiano. Por isso gosto de me espantar com a água, com as árvores, com os sons, com as letras. 

Acho que esse post merece uma continuação que virá logo acima, que é na verdade um email que mandei a uma amiga. Vai editado, para preservar-nos. Mas é bom, pra eu me lembrar, que, desde antes dessa viagem, aquilo que eu tenho buscado mais e mais, ainda que com certas dificuldades (neta de general, filha de filha de general, não é fácil), tem sido o zecapagodinhowayoflife. Segue post a respeito. 

30 janeiro 2010

As águas do mundo _ Clarice Lispector

Aí está ele, o mar, o mais ininteligível das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornou-se o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar.
Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões. 

Ela olha o mar, é o que se pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra.

São seis horas da manhã. Só um cão livre hesita na praia, um cão negro. Por que é que um cão é tão livre? Porquê ele é o mistério vivo que não se indaga. A mulher hesita porque vai entrar.

Seu corpo se consola com sua própria exigüidade em relação à vastidão do mar porque é a exiguidade do corpo que o permite manter-se quente e é essa exigüidade que a torna pobre e livre gente, com sua parte de liberdade de cão nas areias. Esse corpo entrará no ilimitado frio que sem raiva ruge no silêncio das seis horas. A mulher não está sabendo: mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora da manhã, ela não tem o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no mar em simples jogo leviano de viver. Ela está sozinha. O mar salgado não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização. Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar. Sua coragem é a de, não se conhecendo, no entanto prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem.

Vai entrando. A água salgada é de um frio que lhe arrepia em ritual as pernas. Mas uma alegria fatal - a alegria é uma fatalidade - já a tomou, embora nem lhe ocorra sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a desperta de seus mais adormecidos sonos seculares. E agora ela está alerta, mesmo sem pensar, como um caçador está alerta sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda- e abre caminho na gelidez que, líquida, se põe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que a oposição pode ser um pedido. 

O caminho lento aumenta sua coragem secreta. E de repente ela se deixa cobrir pela primeira onda. O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantes cega, toda escorrendo - espantada de pé, fertilizada.

Agora o frio se transforma em frígido. Avançando, ela abre o mar pelo meio. Já não precisa da coragem, agora já é antiga no ritual. Abaixa a cabeça dentro do brilho do mar, e retira uma cabeleira que sai escorrendo toda sobre os olhos salgados que ardem. Brinca com a mão na água, pausada, os cabelos ao sol quase imediatamente já estão se endurecendo de sal. Com a concha das mãos faz o que sempre fez no mar, e com altivez dos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheia de água, bebe em goles grandes, bons.

E era isso o que lhe estava faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem. Agora está toda igual a si mesma. A garganta alimentada se constringe pelo sal, os olhos avermelham-se pelo sal secado pelo sol, as ondas suaves lhe batem e voltam pois ela é um anteparo compacto. 

Mergulha de novo, de novo bebe mais água, agora sem sofreguidão pois não precisa mais. Ela é a amante que sabe que terá tudo de novo. O sol se abre mais e arrepia-a ao secá-la, ela mergulha de novo: está cada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe o que quer. Quer ficar de pé parada no mar. Assim fica, pois. Como contra os costados de um navio, a água bate, volta, bate. A mulher não recebe transmissões. Não precisa de comunicação.

Depois caminha dentro da água de volta à praia. Não está caminhando sobre as águas - ah, nunca faria isso depois que há milênios já andaram sobre as águas - mas ninguém lhe tira isso: caminhar dentro das águas. Às vezes o mar lhe opõe resistência puxando-a com força para trás, mas então a proa da mulher avança um pouco mais dura e áspera.

E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando de água , e sal e sol. Mesmo que o esqueça daqui a uns minutos, nunca poderá perder tudo isso. E sabe de algum modo obscuro que seus cabelos escorridos são de náufrago. Porque sabe - sabe que fez um perigo. Um perigo tão antigo quanto o ser humano.

(Clarice Lispector - Felicidade Clandestina)

25 janeiro 2010

OBSERVAÇÃO

Gente, tô postando sobre minha viagem conforme me dá na telha, daí que já tem posts do último dia em BAs e não tem dos dias anteriores. Paciência comigo. Também tenho fotos - poucas! - que vou enxertar depois porque eu não to com elas por aqui. E, na boa, como disse a Ivi, em post que me inspirou, já tem muita foto boa do Mercado del Puerto e do MALBA por aí, não preciso eu tirar uma feiosa e mal focada.
Última coisa: estou organizando os posts da viagem 'ao contrário' - não no esquema blog que aparece a última postagem antes da primeira. Assim, essa viagem ficará postada na ordem 'normal' (que, para um blog, é ordem inversa), ou seja, vc poderá ler os posts da viagem de cima pra baixo.

19 janeiro 2010

Montevideo - generalidades

- A cidade é pequena e sussaaaaaaaaaa. Mas já anda tendo uns furtos, olho na bolsa, especialmente andando sozinho pela Ciudad Vieja e/ou de noite.
- É uma cidade de praia!!! Não deixe de ir a Pocitos para curtir uma praiazinha com os locais. Eu entrei na água, no big deal, mas muitos locais não entram. Quando fui conheci uma família por lá e ficamos batendo papo. Tem uma livraria muito boa em Pocitos, chamada Yenni, com um café charmoso, ar condicionado e guloseimas. Hmmm. E wifi, se vc tem um netbook.
- Experimente o mate! Eu bobeei, queria ter comprado uma mateira e deveria ter comprado um pouco de mate uruguayo para trazer. Fica pra próxima.
- Leve um net book. Próxima viagem eu vou comprar um. Todos os hostels hoje têm wi-fi. E muitos outros lugares.
- HOSPEDAGEM:Fiquei na Posada al Sur, um albergue/pousada socialmente engajado, de turismo sustentável. Não sei se é mais barata que os demais albergues, mas é um lugar gostoso, bem na Ciudad Vieja, em um calçadão (peatonal) e com uma Parrilla excelente e muito barata bem na esquina. Fica a uma quadra do Mercado del Puerto, e tem um museu de paleontologia lindooooo a um quarteirão.
Se vc vai em três pessoas ou de casal, eles têm uma casinha na parte de cima, tipo um chalé, com cozinha e tudo. Tem um terraço de onde dá pra ver os telhados da cidade (ahahahaha) e o pôr-do-sol, que é sempre MARAVILHOSO e muito demorado. Nessa pousada não lembro se tinha wi-fi, mas é legal anyway. Tem uma cozinha gostosa e o café-da-manhã tem uns 5 tipos de geléias e o onipresente doce-de-leite, além de um pão caseiro mutchoboom. Tem também muitas dicas de locais para freqüentar, lugares de música, etc, e computadores para acesso a internet. Não tem curfew e te dão a chave para entrar ou sair quando quiser. Se vc vai se hospedar no quarto coletivo, não tem locker, nem adianta levar cadeado. Ou vc tranca tudo dentro da mala ou joga pro Universo e confia. Mas o povo que freqüenta esse tipo de pousada não é do tipo baladeiro, é gente mais sussa. Todo mundo que conheci lá era muito legal.
- Nessa época do ano só escurece mesmo a partir das 21h30. E o pôr-do-sol é smpre feio assim, ó:

- Os mosquitos uruguayos me amaram!!!!!!!!! Levem repelente, minha gente!!!!! Tem dengue no Uruguay e na Argentina também!!!!
- TRANSPORTE: Se vc sabe que vai precisar mudar de ônibus, compre um bilhete de ônibus de uma hora. Vc pode usar mais de um ônibus, somente de ida. Se vc vai circular somente dentro do centro, paga menos, acho que U$0,90, e se vai até Pocitos paga o preço inteiro (U$1,60).
Táxi é barato, se vc está em dois nem vale pegar o busão. Mas, sei lá, táxi é cômodo, e bom para voltar de noite, mas para conhecer uma cidade, nada como pegar o busão.
- Vá para as ramblas (calçadões) ver o pôr-do-sol e sentir o ventooooooooooooo. Tem dias que o vento pega forte!!! Leve uma blusinha.
- Puxe papo com as pessoas!!! Eles são demais!!!! Adoreiiiiiiiiii os Montevideanos, de coração. São muito gentis e adoram conversar e te dão conselhos mesmo que vc não peça. :D
- Quer uma crônica legal sobre MVD? Leia o Ricardo Freire aqui. Super concordei.
AMEI MVD. Quero voltar um dia.

18 janeiro 2010

De SP a MVD, OMFG!!!

Bem, pra começar, só pra começar o relato das minhas curtas férias, bem que @barbarabramo avisara que eu podia ter problemas na viagem. Aliás, essa mulher acerta tudo!!! putzgrila! Dito e feito.
Começando pelo fato de eu ter marcado a passagem para as 11h da manhã e, por desatenção, achar que tinha que chegar com 3h de antecedência. E quem disse que eu achava um táxi às 6 da matina do dia 1º de janeiro para me levar ao metrô Barra Funda e pegar o Airport Service que eu, exagerada, tinha marcado para as 6h20? (eu poderia ter pegado o das 8h tranquila...) Virada, quase duas noites sem dormir, fiquei tão p. da vida que já comecei chutando o balde e indo direto de táxi para o aeroporto - detalhe, eu tinha comprado a passagem antes e, portanto, achava que tinha jogado 31 reais no lixo. Depois conto como acabou. De todo modo, o táxi saiu oitentão e eu já cheguei no aeroporto puta da vida porque tinha gasto 70 reais a mais que o previsto e a viagem não tinha ainda nem começado.
E os gastos extras continuaram mesmo antes de embarcar. Tava MUITO frio na sala de embarque ou, sei lá, muito frio pra quem está sem dormir, muito frio pra quem é friorenta, e eu já tinha despachado minha mala e só tinha um cardigan mto fininho e chiquetosinho recém comprado na Zara para a viagem ('me achando', que eu ia viajar de cardigan chiquetosinho, tsk tsk). Morri com mais uns 70 reais na única roupa que eu podia pagar e que valia a pena a relação custo benefício na porcaria do free shop da ida: um moletom da GAP, escrito GAP bem grande na frente. Odeio a GAP. Fiquei com ódio da GAP depois que eu li NO LOGO. E lá estava eu com o raio do moletom fazendo propaganda de graça pra GAP e ainda tendo que pagar por isso.
Mas, pelo menos, viajei quentinha.
Dormi a viagem inteira no meu também recém adquirido travesseirinho de pescoço inflável e não tive o desprazer de ver qual foi o lanchinho meia-boca que a GOL ofereceu para pessoas que, como eu, pagaram o dobro do preço da passagem para embarcar em um vôo vazio para Montevideo.
Mas isso não era tudo.
Ao chegar em Montevideo, desembarquei no aeropuerto nuevo. Ótimo e tentador free-shop, por sinal, onde comprei um rimel e um batom da L'Oreal.
Não havia um caixa eletrônico sequer no aeropuerto nuevo.
E eu tinha que pagar o táxi em cash. E eu não sabia que trocavam Reais nas casas de câmbio no Uruguay, tampouco sabia que no Uruguay pouquissimos lugares aceitam cartão de crédito, e tampouco sabia que eu tinha que ter desbloqueado meu cartão do banco para poder sacar direto da minha conta, que era o que eu pretendia fazer durante toda a viagem - a minha gracinha de gerente, pra não dizer o palavrão pelo qual eu tenho afetuosamente me referido a ela desde então, não me avisou, não providenciou o cartão extra que eu tinha pedido e depois se lixou atenciosamente para os meus problemas em Montevideo, sem um centavo no bolso.
Pois é. No meio do caminho para o hostel, parei em um posto Petrobrás para sacar dinheiro. E...
El cajero me comiò la tarjeta de Santander.
Si, puta madre, me quedè sin tarjeta en el primero dia en MVD, casi sin plata, e solo con un crédito de 250 reais que havía cargado en el VIsa Travel Money para emergencias. Bueno, llegò la emergencia.
E assim comecei minha viagem.

Ah, a impermanência!... ufa!!! MVD y el Candombe en el 1º de enero

Bem, a chegada foi meio estressante, mas depois, em MVD, foi só alegria.
Nesse primeiro dia eu fui assistir os tambores do Candombe na Calle Isla de Flores no Barrio Sur. A semelhança com o nome candomblé não é à toa: o candombe são os tambores dos negros no Uruguay, e se dança de modo bem parecido com a dança que se faz em terreiros (pelo menos, eu achei). O Carnaval por lá é super forte e tem vários grupos de candombe. Em algumas datas especiais eles tocam os tambores na rua, como o dia 1º de janeiro. Na verdade acho que teve candombe em todos os dias em que eu estive por lá. Mas o que rola agora em janeiro, até o carnaval, é tipo um ensaio na rua. Bem o que eu queria: nada turístico, muito local, lugar pra encontrar pessoas interessantes e se divertir sem pagar e sem precisar se preocupar sobre como estou, etc. Adorei!!!
(essa foto não fui eu que tirei, peguei daqui. o que eu vi foi um ensaio numa rua mais pro centro, esse é mais um desfile na rambla - avenida da praia - mas dá pra ter uma noção)

Fora que é impressionante, os sujeitos tocando entram numa espécie de transe, sei lá eu, e muitos terminam os tambores com a mão sangrando...
O som é poderoso e muito gostoso de dançar. Recomendo fortemente. Não tirei fotos nesse dia mas tirei no outro que fui ver um grupo de meninas. depois ponho aqui.
Mais informações sobre o candombe aqui e aqui
Ah, e pra quem não sabe, o tango tem super raízes africanas, sabiam disso? olha os nomes, todos com aquela ginga africana - tango, milonga, candombe (lembre de bunda ahahahahaha)
Ah, fui parar no candombe graças às dicas do pessoal do Couch Surfing. Pra quem não sabe o que é, clica aí e descobre. Em MVD, os surfers foram responsáveis por momentos deliciosos da viagem. Em Buenos Aires também. Na verdade, CS é mais que uma maneira muito legal de conseguir hospedagem de graça: o grande lance realmente é conhecer gente, seja quando se viaja, seja em sua própria cidade.
Nesse dia conheci a Ruth, que além de me fazer companhia nos tambores, me levou também para comer chivitos, que é tipo um beirute de lá, só que com outro pão (não o pão sírio), mas igualmente cheio de coisas: carne - algo entre o rosbife e o bife, bacon, queijo, presunto, ovo, alface, tomate: beirute, não? mas mais desmilinguido que o nosso. Tomei a minha primeira cerveja de 12 dias bebendo sem parar - na verdade, estou bebendo diariamente, creio que desde o dia 24. socorroooooo!!!!!! ainda bem que não comi muito durante a viagem. mas já engordei. tdo bem, amanhã começo o pilates :D
Bem, meu primeiro dia de MVD foi isso aí. A sorte virou :D

Segundo dia em MVD - chicas arrrentinas + Patt + brasileños + ´parrilla

Meu segundo dia foi sussa, sem grandes emoções, mas gostoso. Bom pra adaptações.
Conheci três argentinas no albergue, Josefina, Marilina e Agostina. Juro que os nomes eram esses. Nenhuma das três de Buenos Aires: uma de Córdoba e duas de Santa Fé.
Durante a manhã e pelo início da tarde passeamos pela Ciudad Vieja; vimos feiras de artesãos - onde comprei um pingente de libélula lindo que me acompanhou durante a viagem toda e foi meio que minha 'marca registrada', chama muito a atenção das pessoas, realmente encantadora a libelula - conhecemos o Museo Torres-García, que super vale a visita - obras interessantes do Torres García e também de uma artista que faz cerâmicas com uma técnica chamada Raku, cerâmicas lindéééérrimas.
Noltamos pro albergue e fui encontrar a Patt, uma americana muito engraçada que mora em MVD mas morava antes na Argentina - um dia, depois de se divorciar, ela se encheu e resolveu ir embora dos EUA. A história é bem mais comprida mas é algo como "Sob o Sol da Toscana + Comer, Rezar, Amar": depois do divórcio ela ouviu uma voz, sonhava com um lugar, e encontrou esse lugar na Argentina. E lá ficou, por 7 anos. Depois se cansou e resolveu experimentar o "otro lado del río". Mas não sabe se vai ficar, não está muito feliz em MVD. E tinha sido assaltada na véspera (leia-se, vítima de trombadinhas). Anyway, encontrei Patt em Pocitos e lá ficamos batendo papo, comendo empanadas e bebendo cerveja.
Depois passeamos pela Rambla, andamos muito, e quando fomos pegar o ônibus, o sol já se punha, e fazia aquele pôr-do-sol insuportável de lindo e muito, muito, muito demorado.
Esse dia eu queria ir no Poney Pisador, uma balada de lá, mas não achei companhia. Acabei ficando no albergue, onde encontrei uns brasileiros. Eles queriam comer e no fim acabamos comendo a 10m do albergue, na Parillada 25 Perez (esquina da Perez Castellano com a 25 de Mayo, Ciudad Vieja). E não fomos ao Poney Pisador.
Ah, nesse lugar come-se muito bem por muito pouco. Super vale a pena.

Terceiro dia - uau, uau, uau.

A Feira de Tristan Narvajo é uma super feira que ocorre todos os domingos em MVD e é frequentada por locais que passeiam pra lá e pra cá com suas térmicas e cuias cheias de mate. Ricardo Freire explicou bem direitinho o que é a Feria Tristan-Narvajo, então quem quiser ler e ver fotos clica aqui. Por lá comprei uns cintinhos vagabundos a 5 reais cada, coloridinhos, mas vagabas mesmo, tanto é que um já estourou o fecho. Bem por '5 real' não se pode querer muito, não?
No domingo fui passear sozinha por lá, feliz da silva, e depois o plano era pegar uma praia em Pocitos e ver as cuerdas de mujeres - candombe, de novo! - que iam sair por Parque Rodó. Bem, os planos foram todos concretizados, mas entre uma coisa e outra, muito aconteceu!
Quando eu já estava indo embora da feira, passei pela porta de um pequeno restaurante onde um moço lindo, de traços índios delicados, perfeita mistura de índio com espanhol, tocava bandoneon, acompanhado de um senhor que tocava o tambor e de um cliente do restaurante que cantava, com voz grave, quase tudo que ele tocava. Bem, não preciso dizer que 1) antes mesmo de ver a cara do tocador, lá me sentei e allà me quedè - aqui é meu lugar, claro, adoro descobrir esses lugares encantadores por acaso; 2) depois, admirando mais o rapaz, concluí que era ele mesmo o chico uruguayo que eu estava procurando; 3) pra completar, um casal que estava na mesma pousada que eu, dois cariocas simpaticíssimos, entraram no mesmo restaurante e almoçamos juntos. O lugar se chama Verde, e não me pergunte a rua porque eu realmente não tenho idéia de onde seja. Só sei que é em Tristan Narvajo e que fica em uma das ruas transversais à 18 de Julio - acho.
A comida estava ótima, a música encantadora e o músico, bem, o músico era um capítulo à parte. Depois do almoço muy muy rico, fiquei por lá para bater um papo com Ignacio.
Depois da feira fui para a praia de Pocitos saber como os locais passam o domingo. Já eram 5 da tarde e o sol ainda de lascar. Aliás, só peguei dias lindos em MVD. Mesmo no dia em que choveu, o último, logo depois saiu um solzão. Na praia foi gostoso, conheci uma família, ficamos batendo papo, tomando mate e falando sobre política, distribuição de renda, universidade e outras coisas sobre o Uruguay. Como todos em MVD, muito simpáticos. Saí de lá e fui dar um tempo na livraria Yenni, very cool, ar condicionado ótimo.
Ah, dicas que não têm preço dos inúmeros blogs de make e beleza que costumo ler: leve lenços umedecidos na bolsa, de bebê ou os femininos mesmo - já tem de várias marcas vendendo em farmácias por aí. Nada paga vc tirar o biquíni e, sem perspectiva de chuveiro por perto por algumas horas, ter o seu lencinho para fazer uma higiene básica, se trocar e sair um pouco mais fresquinha do banheiro. Bem, troquei de roupa, lavei o rosto e fiz uma make básica no banheiro do Yenni. Depois tomei um café, comprei coisinhas e, bueno, me fuè para las cuerdas de mujeres.
(las chicas tocando los tambores - lo hacen rebien!!!)

E lá veio a segunda surpresa do dia: logo que cheguei, encontrei um moço que eu pensava ser amigo do Ignacio, pois estava lá no restaurante conversando com ele. E fui puxar papo com Pablo, que também era músico. Junto com ele estavam outro Pablo e duas chicas argentinas, Maria e Aniko. Super fofas. Acabei me enturmando com eles e, depois que acabou a música, fomos para o ap de um dos Pablos fazer uma pasta e beber vino. Nesse meio tempo liguei para Ignacio, que estava no candombe no Barrio Sur, e, depois da pasta.... bem, o que aconteceu depois da pasta eu não posso contar por aqui. Só o que posso dizer é que ele tocou bandoneon e violão só pra mim. :)