Assim mesmo, com próclise inadequada (próclise ainda tem acento?), anuncio, em alto e bom tom, o óbvio ululante: tenho roupas demais!!!
Ante a uma possível mudança de casa [ou não, pois nada está decidido e, sinceramente, não me importo mais... estarei bem onde estiver; um amigo lembrou-me, sabiamente, que o que importa é a mudança dentro de si, e esta já (está) aconteceu-endo]; num momento em que, concluída uma etapa importante de minha vida profissional e pessoal, em que plantei, cultivei, e ingressando no momento da colheita (mas já preparando a terra para novos plantios), resolvo:
preciso livrar-me dos excessos!!!
do excesso de papel,
do excesso de roupas,
do excesso de documentos inúteis, de anotações que nunca irei reler,
do excesso de culpa pelas interpelações idiotas em brigas familiares.
E olho, e olho, e fuço, e reorganizo, e chego à conclusão de que ainda tenho muito!!!
Tenho muito mais roupas do que posso usar. Muitas não uso porque não lembro que existem. Outro dia me peguei tendo comprado duas calças verdes em um intervalo de 2 meses! Duas calças verdes!!! Pra que isso tudo??? Ok, foram pechinchas, as duas saíram por 75 reais, se tanto, sendo uma no brechó por R$ 10,00 (mas o conserto saiu mais R$ 15,00 = R$ 25,00) e a outra na ponta de estoque por R$ 40,00, com mais R$ 10,00 de conserto (=R$ 50,00). Mas, pergunto, quem precisa de duas calças verdes pra trabalhar????
Estou organizando um dia de troca de roupas com muitas amigas. Mas sinceramente, me dá até medo pensar em trazer mais roupas pra casa. Já tenho demais!!! O que eu não trocar, vou doar.
E mesmo assim ainda há roupas que têm valor sentimental, de que gosto muito... e que não consigo dar, embora não as use há anos. Mas considerando que já separei entre 30 e 40 peças de roupa para doação, acho que posso me conceder tal indulgência...
Guardo muito mais documentos e papéis do que seria preciso.Guardo por medo, por medo e apego. Medo que clientes me procurem (mas estou contatando-os e pedindo que retirem documentos de ações findas ou não ajuizadas), medo de precisar depois e não poder consultar. Medo de precisar justo daquela petição para preparar uma aula para meus alunos.
Tenho também apego - ligado ao medo. Acho que um dia vou querer ler aquilo novamente, vou querer pregar aquelas fotos de mini-calendário na parede.
Guardo cadernos da Faculdade que nunca irei usar: mas tenho medo de precisar e não tê-los mais... tolice.
Tenho muita raiva por coisas idiotasPor orgulho, por ganância, por birra, por um monte de razões.
Preciso me livrar disso também.
Este ano, não fiz resoluções no dia 31, mas faço-a agora, uma só (sei lá, no Ano Novo Chinês? estarei mais conectada com o Oriente??? quanta bobagem...):
em 2009, quero me livrar dos excessos. E viver uma vida mais simples.Há ainda muitos a se livrar, bem mais difíceis do que fazer uma 'limpa' rápida no armário ou nos documentos.
- o excesso de culpa por tudo;
- o excesso de preguiça (já comecei a caminhar e seguir um programa de iniciação à corrida);
- o excesso de perfeccionismo (pode parecer coisa de gente que está se auto-elogiando, mas perfeccionismo demais é paralisante, uma merda, a gente não anda pra frente, fica patinando que nem carro no atoleiro);
-o excesso de gastos inúteis (aprender a poupar é uma meta importante para este ano!): por exemplo, não preciso de mais roupas este ano!!!! Nenhumazinha a mais do que eu tenho! Tudo que eu comprar, será excesso... só excluo dessa lista as calcinhas... porque calcinha acaba. Mas já comprei na liquidação da Niko o suficiente pro ano inteiro.
Se eu conseguir deixar essas bagagens aí em cima na estação, na hora que eu for pegar o trem, mesmo que seja só uma valise de mão de cada uma, putz, já vai ser um grande avanço, um bem pra mim e pra todos que me cercam!
Por um 2009 livre de excessos!!!!