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28 setembro 2011

Então é assim

Tá acontecendo comigo um negócio muito engraçado. Não sei o quanto isso é fisiológico ou psi, mas desconfio, graças ao meu histórico pessoal E familiar, que seja fisiológico mesmo.
O fato é que eu já to de dieta faz 2 meses e meio. 8 semanas, indo pra 9. Isso tem significado comer MAIS vegetais e frutas e grãos e massas integrais, passar a tomar leite de soja todo dia (isso foi uma ótima consequencia da dieta, eu não tava tomando nada com cálcio regularmente e sei o quanto é importante. Além do que... sabem que agora que to me ligando que talvez a minha TPM esteja mais light? Óia que efeito colateral bom? - pra quem não sabe, a soja é recomendada com um repositor hormonal natural para mulheres na menopausa).
Quinta de noite, semana passada, resolvi comer uma COXINHA e uma ESFIHA de carne como jantar. Enfiar o pé na jaca. Veja bem, faz 2 meses que a pessoa janta SOPA e troca por COXINHA. Não pode funcionar.
Tive insônia. Das brabas. Dirigi até Campinas e voltei parecendo um zumbi. Fui pra aula de dança sabe-se lá como no final da tarde de sexta. Ainda bem que essa dança é incrível e eu passei o final de semana super bem.
Tá. Nada de coxinha de noite. Novos livros de receitinhas light on the way.
Ontem, resolvi comer uma pizza aqui perto de casa. Há dias eu queria comer pizza. Fui até o pizza-bar, sentei com minha Vogue que ganhei de presente no FreeCycle (ganhei um ano de Vogue, de uma moça, de set 2010 a ago 2011, own, que amor, já to marcando páginas como referência, acho que vou fazer uma pastinha e começar a colecionar idéias de casa/moda/cores) e pedi uma pizza pequena e uma taça de vinho. Só que eu tava com um parâmetro na cabeça que é a pizza do Artesão, que é bem fininha e leve e vc come dois pedaços e fica bem. Essa pizza tava deliciosa, mas tinha MUITO queijo. E eu percebi, mas fui teimosa. Quando eu tava começando a comer o segundo pedaço, vi que seria demais. Mas sô pão-dura, né? Não vou deixar um pedaço de pizza que eu mal toquei e que custa 10 reais (sério, pelo preço total da pizza esse único pedaço custava 10 reais) no prato. Além disso, a pizza tava realmente muito gostosa. Comi o pedaço inteiro, já sentindo que tava sendo demais, que eu já tava satisfeita. Dã.
O resultado? São 9 da manhã, fazem oficialmente 12 horas que eu comi essa pizza, mas a digestão dela ainda está acontecendo. Acordei sem fome, o que é raro.
Meu corpinho está me avisando que eu não posso mais comer comidas determinadas de noite (ou pelo menos, tenho que comer pouquinho).
Acho que é melhor eu ouvir, se eu quiser a) me sentir bem; b) emagrecer os 4 kg restantes.

27 setembro 2011

recebendo os amigos

E agora que eu finalmente tenho uma sala, apesar de a mesa ainda não estar no lugar a que ela pertence, comecei a dar andamento ao meu plano de convidar meus amigos pra almoçar aqui em casa.
Depois da gringa que passou uns dias aqui, convidei a Fabi para experimentar uma das incríveis variedades do meu macarrão integral com frango e vegetais ahahaha.
O duro de variar o cardápio é que o que a gente compra pra ter sempre em casa é (lógico) sempre o mesmo, né? Então preciso começar a me programar e olhar receitas antecipadamente para poder variar.
Mas sabe que até que ficou bom o molho com frango, vegetais (cebola, gengibre, cenoura e pimentões verde e amarelo) e o molho de yakissoba? Na última hora, em vez de colocar o de sempre - tomates pelados - resolvi botar o molho que eu tinha já aberto na geladeira, e gostei do resultado. E o melhor, tudo orgânico (menos o molho, lórrico) e o macarrão integral.
Pra beber um suquinho de limão cravo  (tb orgânico) com um tico de água de flor de laranjeira pra dar um gostinho extra e aromatizar - fica uma delícia!
Usei as louças que eu herdei da vovó - isso tem sido um estímulo também pra receber as pessoas! As louças são lindinhas, pratos com desenhos de flor e taças de cristal decorado para beber o suco. Meus talheres não são de prata, mas esses detalhezinhos acrescentam um tantinho agradável de glamour na refeição. :)
Já tô empolgada pra receber o próximo convidado na semana que vem, e pra festinha que pretendo dar em novembro, pra comemorar o meu aniver, só com petisquinhos  vegê que eu mesma pretendo fazer.

E a suprema satisfação do meu dia...

... foi constatar que o vestido que eu comprei há 4 anos, para ir ao casamento de um amigo do meu então namorado, está largo! Largo a ponto de, se eu levantar os braços (ele é tomara-que-caia), ele realmente CAIR!

Não vou poder usá-lo no casamento da minha amiga, mas só isso já valeu o dia!   \o/
...
Mas ainda faltam 4 kg pra minha meta final. To com 61, quero chegar aos 57.
Não desistirei. A barriga ainda aparece ('pula' com determinadas roupas e com blusas justas) e ainda preciso perder muitos gramas de gordura nas pernas para que seja possível ver que há músculos ali embaixo.
Para incrementar minha alimentação, que acaba sendo monótona quando a gente faz dieta, encomendei 3 livros de receitas rápidas do Vigilantes do Peso (tipo sanduíches, comidas pra levar, etc). Na segunda-feira eu tenho tido que almoçar no ônibus de volta pra SP pra não morrer de fome, e andei comendo salgados prontos, arruinando a minha dieta pois, além de não conseguir contar os pontos direito, definitivamente não tô a fim de ficar comendo coisas não saudáveis exceto em ocasiões como finais de semana, encontros com os amigos, etc. Então, depois de ler os livrinhos das últimas três semanas, esta semana me programei e levei um sanduíche vegetariano e ainda um mini-potinho (eu tenho um profundo amor por tudo que é mini) hermético com morangos e kiwis orgânicos cortadinhos de sobremesa. E pretendo levar opções diferentes nas próximas semanas.
Rumo aos 57kg!

26 setembro 2011

desconcentração

Só porque eu tava feliz que dormi bem no final de semana, hence, hoje fui dar aula e não acordei atrasada e nem me senti exausta (é, tenho me sentido exausta às segundas!), cheguei de Campinas e fui pra rua estudar... eu tava super desconcentrada.
Na chocolateria eu ouvi a história inteira da mulher cujo marido está flertando com uma funcionária... sei que nada aconteceu (ainda, mas só porque a mulher dele pegou os emails que ele trocou com a funcionária), que ele está confuso, que a mulher já levou cantada do médico mas fingiu que nada aconteceu em nome do casamento, etc etc.
No café da livraria eu ouvi uma mulher contar 5 vezes, de jeitos ligeiramente diferentes, que encontrou uma antiga paixão uma semana antes de ir embora pra China, na concessionária, quando entregava o carro que acabava de vender, bem no dia em que estava de roupa velha, descabelada e usando crocs.
Também ouvi o cara de voz de locutor de rádio (odiei a voz do cara, credo) ligar pr'um amigo que trabalhou na Uninove pra pedir dicas pra amiga dele que quer tentar o mestrado. E depois todo o papo sobre trabalho, sobre se ele está pegando muito pesado com o pessoal, etc.
Depois quase comprei livro de culinária vegetariana, procurei e comprei livro sobre adolescentes na era digital e encomendei outros dois (haja orçamento), procurei vestido pro casamento da minha amiga, olhei sapatos e bolsas na vitrine, passei no supermercado e vim pra casa.
Agora, entender a teoria da identidade na sociedade em rede que é bom, taqueopariu, isso é que foi difícil.

25 setembro 2011

(des)adaptação

Cada vez mais entendo meu pai e minha mãe. Entendo a falta de saco, a falta de vontade para aprender novas tecnologias e integrá-las na vida cotidiana. Entendo a vontade de fugir da cidade grande e a necessidade de tirar todo dia uma soneca depois do almoço.  É, amadurecer faz milagres.
Tô aqui lendo a análise que o Manuel Castells faz da sociedade tecnológica e cada vez vai me dando mais e mais vontade de ir embora de SP. Morar perto do mar, faz tempo que eu quero. Tomar sol regularmente, absorver sua energia. Cortar o cabelo curto (isso eu vou fazer já já, me aguardem, que tá me dando gastura esse negócio de fazer reflexo toda hora, o cabelo seco, a necessidade constante de hidratar, a dependência do cabeleireiro, odeio depender desse tipo de serviço, por isso aprendi a me depilar, fazer a minha própria unha, por isso não faço escova, só cortar o cabelo sozinha que não dá, né? mas nunca tive muito saco pra cuidar de cabelo, vai entender. acho que vou parar de tingir também.). Acordar de dia e dormir de noite. Cozinhar minha própria comida e comer comida fresca e orgânica. Encontrar as pessoas.
Sempre me senti meio estranha, meio estrangeira. No planeta Terra mesmo. Acho tudo incrível e ao mesmo tempo tanta coisa me choca, me causa estranhamento e maravilhamento ao mesmo tempo. Adoro tecnologia e ao mesmo tempo ando criando cada vez mais ojeriza à exposição extrema a ela. Quero meu tempo de volta.

Espelho, espelho meu

Adoro maquiagem, sempre gostei de moda, e nos últimos anos, com o advento (óia a linguagem acadêmica, que lindo) dos blogs de maquiagem e de wardrobe remix, passei a me arrumar mais e a comprar mais maquiagem (e a aprender os truques, etc).
Mas tem dias em que simplesmente dá vontade de não fazer NADA disso. Dá vontade de imitar a estudante americana  que criou o blog A Year Without Mirrors (veja reportagem em português sobre a aventura da moça aqui).
Um dia ainda raspo a cabeça.

24 setembro 2011

lindo dia pra vocês

E eu só quero comemorar que é sábado e eu to de pé desde às 7h15 da manhã! Adoro! Não, não to ficando louca, minha meta é ser uma pessoa normal, que acorda CEDO e dorme DE NOITE. Meu sono anda muito irregular, horários malucos... Odeio isso!
Beijos e lindo sábado pra vocês!

22 setembro 2011

passarinho na gaiola ou o bravo Houdini, de Galeano

Tem um café aqui perto de casa que eu adoro. Uma chocolateria, na verdade. Charmosa, sempre levo as pessoas queridas lá, tem um jeitinho bucólico que eu adoro, plantinhas na frente, chocolates divinos do mundo inteiro e uns bolos caseiros ótimos, desses de comer no meio da tarde, acompanhados de chá. Adoro.
Só tem um problema: passarinhos. Presos. São 3 gaiolas de passarinhos, sendo uma calopsita, dois periquitinhos e um outro sozinho que eu não sei o nome, pequeno.
É uma delícia ouvir os passarinhos cantando enquanto a gente charmosamente toma o nosso chá com bolo... Será? Acho que prefiro o sabiá laranjeira cantando livre, quando ele bem entende - tem tantos aqui pelo bairro, sobrevivendo sabe-se lá como no meio desse monte de concreto e tendo que mudar de árvore cada vez que a Prefeitura faz a poda (mutilam as árvores, coitadas, cortam-lhes os braços inteiros, um horror) ou que alguma, podre, cai, na temporada de chuvas.
Sinceramente? Não entendo quem foi o sujeito que estabeleceu que periquitinho pode viver preso, mas papagaio não. Ora bolas, o que que o pobre do periquito tem a MENOS que o papagaio para que o condenemos a viver na gaiola?

Por falar nisso, outro dia, quando fui retocar minha tattoo (que agora conta com um lindo beija-flor yin-yang turquesa e laranja, voando livre!), quaaaaaase tatuei também um pequenino desenho que acompanha o seguinte mini-conto de Eduardo Galeano, do livro Bocas del Tiempo (editado no Brasil pela L&PM):


Houdini

       Sus secuestradores le habían cortado un ala, cuando lo cazaron en la selva. Kitty Hischier lo
encontró en el mercado de Puerto Vallárta. Le dio lástima, lo compró para liberarlo. Pero el loro nopodía arreglarse solo. Mutilado como estaba, era un bocado fácil para el buche de cualquiera. Kitty decidió llevarlo, enjaulado, en su camioneta. Tenía la intención de pasarlo, clandestino, por la
frontera. Él iba a ser uno más entre los miles y miles de mexicanos indocumentados en los
Estados Unidos.  
      Fue bautizado Houdini, por su tendencia a la fuga. El primer día de viaje, levantó la puerta
de la jaula con su pico poderoso. El segundo día, alzó el piso de la jaula por abajo. El tercer día,
hizo un agujero en la malla de alambre. Al cuarto día, intentó la fuga por el techo, pero ya no le
daban las fuerzas.
     Houdini no hablaba ni comía. En huelga de lengua, en huelga de hambre, murió.

 Achei a historinha trágica. Quão admirável e tenaz foi esse bichinho...

21 setembro 2011

eu só tenho uma pergunta antes de ir

Por que será que as pessoas começaram a achar que é legal dizer que são viciadas em compras?

Really?

Já que

Já que eu não tenho mais facebook (temporariamente suspenso) nem twitter, uma vez que ando precisando me concentrar, resolvi falar aqui. Pelo menos falo com alguém (?).
E a ideia é continuar fazendo diarinho, já que continuo morando sozinha e escrever tese é um negócio solitário pra dedéu.
Talvez eu crie um tumblr também. Pensando bem, melhor não. Tumblr me faria procurar outros tumblrs para achar imagens legais para tumblar. Ai, essa internet, viu.
Então vim aqui hoje só pra contar que o blog voltou e que:
- ganhei uma maquina fotográfica do meu irmão \o/ (ele comprou uma melhor pra ele);
- tenho uma paleta de sombras que todo mundo quer \o/ (ok, acho isso meio bobo, mas todo mundo fala tanto desse raio dessa paleta que comecei a querer também) e outras makes e acessórios de make legais que comprei online e mandei entregar no hotel do Linus lá nos istaites;
- continuo pensando em ir pro Canadá - a vontade só aumenta. será que eu aguento viver no frio? Custo a acreditar que sou eu mesma, Emilia, falando em ir morar no Canadá. Fala sério!?;
- retoquei e aumentei minha tattoo. Nos 3 primeiros dias fiquei apavorada achando que tinha ficado horroroso e que eu não devia ter mexido nela. Mas agora já tô gostando. E ontem meu irmão viu e disse que tá mais delicada. :) \o/
tá aqui no flickr da artista, Mariana Kuroyama
- to fazendo dieta e já emagreci 5 kg! Faltam 3 (ou 4, na verdade eu não lembro agora direito quanto eu tava pesando, mas quero voltar pro 57kg e ainda to com 61kg) pra minha meta! :)
- eu ia me dar de presente uma bolsa linda quando eu chegasse na minha meta como compensação pela privação de comida, mas não sei mais. Tô achando tão caro e comprei uma bolsa linda e muito cara há não muito tempo... Então talvez vou é guardar a grana pra viajar. Mesmo porque a tattoo foi carinha e ainda tô pagando uma grana por algumas aulas de dança particulares...

Bom, post longo e já tá na hora de trabalhar.

Bem vindo(a)(s) de volta!

14 março 2011

Bocas do Tempo - Eduardo Galeano

Então que outro dia recebi aqui um hóspede do Couch Surfing muito gente boa, Carlos, um venezuelano que estudou arquitetura nos EUA e mora na China. Carlos percebeu que o escritório para o qual trabalhava em NY tinha mtos clientes "chinos", como ele diz, e que lá ele teria trabalho. Resolveu se jogar pra China e morou cerca de um ano e meio, primeiro em Hong Kong, onde as coisas eram mais fáceis, e depis em Pequim, mais complicado porque quase ninguém fala inglês - o escritório de arquitetura paga tradutores; precisam dos estrangeiros porque não tem mão de obra qualificada por lá.
Bom, no meio de nossos papos sobre a América Latina, todos regados a cerveja, começamos a falar do Galeano e, putz, já li o Veias Abertas, passei os olhos no Livro dos Abraços, e sempre me agrada. Carlos me recomendou o último livro dele.
Outro dia, na Livraria Cultura, me encantei e comprei dois: um do Galeano político (Patas arriba: la escuela del mundo al revés; esse comprei em espanhol, e só o índice já vale a pena. Dá pra ler uns capítulos aqui, pelo visto)e outro de literatura (Bocas do Tempo, traduzido).

Bocas do Tempo é uma delícia de livro de mini-contos curtas que eu to curtindo muito ler.

Achei um blog que publica as historinhas curtas em espanhol; conforme eu for lendo e selecionando as preferidas, publicarei pra vcs aqui. Jeito bom de compartilhar algo mais interessante do que as minhas meras encafifações cotidianas.

Já tem dois aí embaixo, que publiquei agorinha.

Boa semana, xuxuzes!

El Viento - Eduardo Galeano

"Cuatro años cumplía Diego López y aquella mañana le brincaba en el pecho la alegría en el pecho de la alegría, la alegría era una pulga saltando sobre una rana saltando sobre un canguro saltando sobre un resorte, mientras las calles volaban al viento y el viento batía las ventanas. Y Diego abrazó a su abuela Gloria y en secreto, al oído, le ordenó:

-Vamos a entrar en el viento

Y la arrancó de la casa."

mini-conto de Eduardo Galeano.

(fonte: http://www.rodelu.net/galeano/galeano110.html
Estos textos se publican con la autorización del autor y se encuentran en el libro “Bocas del tiempo”. Ediciones del Chanchito, año 2004)

El sol - Eduardo Galeano

"En algún lugar de Pensylvania, Anne Merak trabaja como ayudante del sol.

Ella está en el oficio desde que tiene memoria. Al fin de cada noche, Anne alza sus brazos y empuja al sol, para que irrumpa el cielo; y al fin de cada día, bajando los brazos, acuesta al sol en el horizonte.

Era muy chiquita cuando empezó esta tarea, y jamás ha fallado a su trabajo.

Hace medio siglo, la declararon loca. Desde entonces, Anne ha pasado por varios manicomios y ha engullido muchísimas pastillas.

Nunca consiguieron curarla.

Menos mal."

O mini-conto é de Eduardo Galeano.

(Fonte: http://www.rodelu.net/galeano/galeano101.html
Estos textos se publican con la autorización del autor y se encuentran en el libro “Bocas del tiempo”. (Ediciones del Chanchito, año 2004)

10 março 2011

Aqui tem chovido muito

É que eu ando mais com vontade de falar comigo mesma do que com um montão de gente ao mesmo tempo. Deve ser porque o outono chegou antes da hora, com essas chuvas de Carnaval, e o outono e o inverno sempre me deixam muito melancólica e mais quieta. Me pergunto se eu for embora do Brasil eu vou ficar 8 meses por ano melancólica.

Eu to com menos 60 vontade de escrever tese. Eu só queria ficar um tempo nessa vidinha camarada, trabalhando, dormindo, dançando, fazendo uma baladinha, lendo, vendo filme, bebendo vinho e namorando de vez em quando. Eu só queria ficar quietinha um pouco, e viver.

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Hoje me lembrei do quanto gosto da água e do quanto ela é meu refúgio e meu jeito de me aquietar.

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O livro do Eduardo Galeano, "Bocas do tempo", é muito legal. Uma porção de contozinhos que te fazem rir, pensar, se identificar. Gosto.

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Vou dormir.

08 março 2011

Aprendizados para a vida - lição 1 - Cuidado com o que você pergunta (1)

Não faça perguntas quando você: a) já sabe a resposta; b) sabe que não vai gostar da resposta.

Uma variante desta lição é: não faça perguntas que obriguem a outra pessoa a te dar A ÚNICA RESPOSTA POSSÍVEL - em geral, aquela que você não quer ouvir.

A terceira variante desta lição é: não obrigue o outro a decidir sobre situações futuras completamente hipotéticas. Vou começar desenvolvendo esta - porque já é uma boa introdução para as demais.

Pra facilitar, exemplos desse tipo de pergunta:
- "Mas e se você se tiver uma proposta de trabalho e tiver que mudar de cidade, você vai"?;
ou ainda
- "Mas e se você tiver que escolher entre a [.... insira aqui uma coisa que vc gosta muito de fazer, e que é MUITO importante pra você - pode ser um hobbie, sua terapia, seu cachorro, seus filhos] ou ficar comigo?".

Posso assegurar que qualquer que seja resposta que você receber, há uma grande possibilidade de a resposta ser de "mentira" (por favor note as aspas, ok?). Com esse tipo de pergunta você obriga a pessoa a escolher baseada no status atual de sua relação (do quanto ela gosta de você), no status atual de sua vida (financeiro, profissional), no que está sentindo NAQUELE momento (felicidade, amor, raiva, ódio).

Só que a situação hipotética, como diz o nome, é hipotética. SE (veja, bem, ela pode não acontecer) e QUANDO ela acontecer, o momento não será mais o mesmo. O que o seu parceiro sente pode ter mudado. As condições em que o seu parceiro - e, com sorte, você, junto com ele - tomará a decisão serão outras. Razão pela qual há uma ENORME possibilidade de a decisão tomada ser diferente daquela anunciada lá atrás. Para o bem... ou para o mal.

Obrigar o outro a escolher ANTES pode ter os seguintes resultados:

a) ele fica numa posição defensiva - e escolhe a opção que o protege melhor naquele momento - que provavelmente será a opção que você não queria ouvir (ainda que escolhesse diferentemente num momento posterior...);

b) ele quer te agradar, porque te ama; ou ele quer evitar o conflito - e responde o que você quer ouvir. Num momento posterior, pode ser que ele escolha exatamente o contrário. E a sua decepção será imensa, e você o considerará egoísta e mentiroso; se você tiver sorte, pode ser que ele mantenha a posição inicial.

c) ele responde, e acredita sinceramente nisso, aquilo que você queria ouvir - e isso não garante, de modo algum, que quando a situação acontecer, ele vá agir da maneira que disse que agiria. Mas pode ser que ele aja.

Ah, e já pensou na possibilidade de VOCÊ mudar de opinião quando a situação hipotética realmente acontecer?

Havendo, ainda, também, a possibilidade de ela JAMAIS acontecer.

Em qualquer uma dessas hipóteses, vocês gastaram horas discutindo, se estressando e cobrando decisões antecipadas um do outro, quando podiam estar transando ou assistindo a um bom filme, almoçando com os amigos ou curtindo o domingo de sol com o filhote no parque.

Portanto... na minha humilde opinião, é melhor evitar esse tipo de pergunta. O único resultado possível é (quase) sempre ruim.

Isso não impede a gente de sonhar... De perseguir juntos um objetivo, de fazer PACTOS. Mas pactos devem incluir os sonhos dos dois... E não somente os desejos de um dos dois. Nenhum pacto de vida a dois deve implicar em renúncia forçada de SONHOS - sejam esses sonhos a serem construídos junto ou separado. Se isso acontecer... cobrar coerência do outro é algo, no mínimo, complicado.

Por isso, o melhor é jogar limpo - compartilhar com o outro seus sonhos, sejam aqueles dos quais você não pode, jamais, abrir mão (atenção, estamos falando de sonhos!!!), sejam os negociáveis, adiáveis, conciliáveis...

E, finalmente, SE e QUANDO a situação acontecer... sentar e conversar, ponderar e decidir.

De todo modo, pra mim, fica claro que é preciso, ao menos, permitir-se SONHAR.

Aprendizados para a vida - introdução

Então, aproveitando a inspiração de uma pequena lista de "aprendizados para a vida" que fiz ontem no twitter, resolvi fazer aqui a versão estendida dessa mesma lista. Como sou prolixa, certamente alguns itens serão acrescentados no meio do caminho...

Também não prometo que as lições virão na mesma ordem que usei no twitter. Anyway, não é mesmo esse o propósito de ter um blog? Às vezes, os 140 caracteres me irritam.

É preciso esclarecer ainda, que, apesar dessas 'lições' terem sido aprendidas durante um relacionamento amoroso, elas são plenamente aplicáveis para relacionamentos em geral. Afinal, todo mundo é humano, todo mundo tem angústias - seu chefe, a vendedora da loja, o moço da padaria, o mecânico, a gerente do banco, a professora universitária e o ministro do STF - e desejos. Todo mundo sonha, projeta, reprime, cinde, comete ato falho, chora, ri, se surpreende.

Além das lições, vou compartilhar alguns aprendizados íntimos: descobri, por exemplo, que posso ser cruel. Sabe que não achei isso tão ruim? Explico melhor depois... Mas acho que descobrir o que há de cruel e sádico em mim faz parte de me descobrir como um ser autônomo e responsável... Ao invés de uma pobre vítima das circunstâncias. E descobri, finalmente, que me irrito profundamente com quem se faz de vítima - recurso que já usei muito durante a vida - especialmente com quem tem acesso a informação e recursos (financeiros ou não) para procurar ajuda e sair do fundo do poço. É muito mais fácil reclamar, chorar e botar a culpa no mundo, não é mesmo?

Então, é isso aí. Novamente, espero que, além de servir como um registro desse momento - de mim pra mim mesma - estes posts possam suscitar reflexões em um ou outro da minha meia dúzia de leitores (depois de tanto tempo sem publicar eu não devo ter mais que dois ou três), provocando uma olhada no seu próprio umbigo.

Creio firmemente, cada vez mais, que não adianta se doar para o mundo sem olhar criticamente para dentro de si próprio. "Sou humano, nada do que é humano me é estranho". Quanto mais humana me descubro, mais me sinto capaz de entender o outro: seja de maneira compassiva e empática ou de maneira dura e cruel.

Faz muito tempo

Faz muito tempo que eu não posto aqui. Desde que comecei a trabalhar para uma organização internacional, realizando um sonho profissional acalentado há mais de dez anos, o tempo livre ficou escasso. Depois, como se eu ainda tivesse algum tempinho sobrando - e eu não tinha- engatei um namoro, intenso em inúmeros sentidos. O que aprendi nesse namoro me economizou, certamente, alguns anos (e muitos reais) em terapia.
A relação durou de setembro a novembro - bem menos que o tempo que dura uma paixão. Em pouco mais de 2 meses, fui do paraíso do amor perfeito ao inferno das cobranças e do excesso de expectativas.
No meio disso tudo, enfrentei um chefe que não sabia me chefiar. Logo no começo do meu trabalho - antes mesmo de eu assinar o contrato! - tive que contornar suas expectativas de um envolvimento bem maior do que uma simples relação de trabalho, administrar a sua frustração por ter sido rejeitado e a sua posterior insegurança por se sentir ameaçado.
Depois, fui largada sem qualquer orientação durante 2 meses - segurando o rojão de um projeto que eu mal conhecia.
Por sorte, estava preparada. Me amparei nos meus chefes - no exterior - e segurei a onda por aqui. Ao final desses meses, eu cresci, me fortaleci, fui ganhando mais espaço.
Segurando a onda por mais uns meses, eu agora assumi a gestão - e continuo aprendendo fazendo, aprendendo devagar, tateando, mas indo.
O rolfing e a dança me ajudaram muito durante todo esse percurso. No começo de 2010 eu fiz algumas sessões, e num processo muito louco engatei a terapia com a dança indiana. Mantive a dança o ano inteiro, é o que me mantém de pé - já falei sobre isso. E agora voltei ao rolfing, misturando-o com a Somatic Experience. E uau, estamos indo fundo dessa vez!
Já pensei em fechar esse blog algumas vezes, do ano passado pra cá. Mas antes disso -e vai saber se vou mesmo fechar ou não -, resolvi compartilhar algumas coisas que aprendi.
Espero que me desculpem pelo tom auto-ajuda dos próximos posts. Como sempre, tô escrevendo pra mim mesma, acho importante registrar. Se agradar a vocês, melhor ainda! :)

27 junho 2010

Fazendo a limpa

Eu tenho uma missão que é mudar meu escritório pro quarto durante o mês de julho e finalmente abrir espaço na minha sala para ter uma mesa. Já ganhei a mesa, ganhei uma poltrona também, e agora estou me livrando de coisas - excesso de coisas que tenho por aqui e que não uso mais - roupas, objetos, tudo que eu posso estou doando. tenho uma biblioteca enorme, ganho livros e mais livros a cada semestre, além dos que eu compro, dou conta de doar alguns mas ainda tem mta coisa acumulada por aqui. 

Eu gosto dessa sensação de doar as coisas porque andei comprando demais e realmente tenho excesso de coisas. Não preciso de tudo isso. Já falei disso aqui antes, mas continuo falando porque continuo acumulando e não quero mais ser essa pessoa que acumula tanto. Muita coisa eu guardo pra reutilizar, e é legal - potinhos, caixas, tudo isso eu reutilizo, na medida do possível, mas mesmo isso chega uma hora que eu tenho mto mais do que preciso pra reutilizar, e aí é a hora de doar. 

Pra esses momentos, a lista do Freecycle é um canal legal: http://groups.yahoo.com/group/SaoPauloFreecycle/

Basicamente, uma lista para quem quer doar coisas (e para quem precisa de coisas também).

Não vale troca nem venda. Só doar. 

Tem coisas sobrando por aí? Freecycle! 

E agora fiquei sabendo de um outro site na mesma vibe que se chama RenovaAção

http://www.renovaacao.com.br)

ainda não conheço, mas fica a dica!!!

26 junho 2010

A mente quieta e a espinha ereta

Faz um tempão que eu não posto, né? Muita coisa acontecendo. E o que mais me espanta, além de tudo que está acontecendo, é que, pela primeira vez na minha vida, eu não surtei. Eu tô calma, controlada, centrada. Tá certo que tive um mini-pânico mesmo antes de começar a trabalhar oficialmente, no final da primeira semana, sentada num Viena em algum hotel na Vila Olímpia com meus dois novos chefes canadenses e meu novo chefe brasileiro. Tive vontade de sair da mesa correndo e gritando. Me controlei, respirei fundo. Três meses, pensei. Três meses vou me dar de prazo para ver se rola esse trabalho ou não. Se fico mesmo ou se pulo fora. E aí me acalmei. E depois disso, simplesmente fui vivendo um dia depois do outro. E em um mês eu tava embarcando pro Canadá, para trabalhar!!! Mas juro, o mais impressionante disso tudo é que eu to calma. To conseguindo fazer meu malabarismo com 3 ou 4 bolas (o Doutorado, a faculdade onde dou aula, o trabalho novo, os cursos extras  que dou... os amigos tipo A, os amigos tipo B, os amigos tipo C. ainda bem que não to namorando porque mais uma bola ia ser difícil).

E o que tá me ajudando a segurar a onda com essa calma que me impressiona é a dança. 

A dança indiana clássica (odissi) é puro equilíbrio, te obriga a estar centrada e concentrada. Tem muita batida de pé no chão, forte. Não tem improviso, não tem mão mole, é tudo preciso, tensionado, exato. Parece chato, né? Nada de chato. É belo, é harmonioso e quase fluido. E o resultado, pra quem dança: mente quieta, espinha ereta. Contato com o chão, com a terra. 

Resultado? meu problema de pele no pé melhorou sem eu fazer nada. minha constante dor no ombro (má postura + tensão) mal tem aparecido. estou dormindo melhor. minhas pernas estão mais bonitas, até me animei pra mostrá-las recentemente de short e salto alto (periguete feelings) e sem meia calça! e ganhei elogios. :)  

E isso me fez pensar nesse post logo embaixo, lê aí.

B1, B2, B3

Não, não tô falando de vitaminas. Tenho uma amigona desde o mestrado que todo ano dá uma festa de arromba, e eu nunca vou. Sempre tenho algum compromisso, ou algo se coloca no meio. E no começo também tinha o fato de que não éramos amigas, e eu não tinha companhia pra ir.... e eu não ia na balada. Mas minha fase dança está se provando duradoura desde o ano passado, e agora tenho companhia, meu círculo de amizades se ampliou e se diversificou, então este ano, finalmente, vou. :) 

E o tema da festa, à fantasia, é : liberte seu Lado B. O que nos obriga a pensar sobre qual é o nosso Lado B. Então, pensei, pensei, e cheguei à conclusão de que eu tenho bem mais que um lado B. Mas pensando em algo que eu pudesse representar na festa, dois preponderaram, algo como 1/2 monja budista, 1/2 vida-louca-vida (eu pensei, inicialmente, puta, ou prostituta, ms não é exatamente isso. é mais  como uma pessoa que sempre bebe, vai na balada, transa, não tem preocupações e é feliz. Samantha Jones?) ou 1/2 off Samsara, 1/2 ON totalmente mergulhada no Samsara. 

A fantasia vai ficar bizarra e provavelmente não vou pegar ninguém ahahaha, freak total, mas não é isso que importa aqui. Daí que fiquei pensando que o que eu tento, na verdade, é encontrar um equilíbrio entre essas duas pessoas que moram dentro de mim: uma pessoa sociável, que precisa dos e adora os amigos, que gosta sim de curtir a vida e ter prazeres diversificados, e outra pessoa que precisa muito ficar sozinha, quieta, pensar, meditar, recolher, ler, sonhar, dormir. 

E constato, satisfeita, que tenho conseguido esse equilíbrio. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. De vez em quando 'faia', né. E, bem, normal que falhe. Mas tá indo bem.