Este feriado fiz um retiro zen. Estava quase enlouquecendo com tanta coisa pra fazer, tudo novo, tudo estressante. Eu, que já sou estressada por natureza, quase ando pirando com a quantidade de solicitações de clientes. Meu orientador, por sorte, é sossegado, senão eu já estaria mesmo louca.
O retiro do zen budismo é completamente diferente de todos os outros que eu já tinha feito. É cheio de ritual, pra comer tem ritual, pra sentar tem ritual, eu que achei que já sabia tudo de retiro, me enganei redondamente.
Tem que recitar sutras (ensinamentos do Buda) em japonês (!). Pra tudo vc faz reverência, seja com as mãos palma com palma (como em qualquer religião), seja com as mãos fechadas, uma cobrindo a outra, que nem cumprimento de karatê e judô, sabe como é?
A comida é um capítulo à parte. O monge Enjo não é japonês, é um belo rapaz brasileiro, Marc Stahel, filho de uma suíça com um descendente de alemães, que fala alemão e japonês fluentemente e foi ordenado monge no Japão, depois de um tempo de treinamento aqui no Br com a Monja Cohen - aquela famosa das caminhadas meditativas no parque da Aclimação. Bem, ele não é japonês, mas a esposa - sim, os monges e monjas do zen podem se casar, ele tem até um filho lindo - é. Myoko, além de esposa de Enjo, é a cozinheira do retiro. Apesar de ela cozinhar muito bem, experimente comer durante 4 dias só arroz, inclusive (sim!) no café da manhã... É dose.
Depois conto mais. O lugar é maravilhoso, vale a pena visitar, ao menos. É um pequeno templo na serra da Mantiqueira, com uma vista incrível. Fez um tempo maravilhoso, embora frio, um sol brilhante e um céu à noite que merece um post só pra isso.
Depois, durante a semana, eu conto o resto.
Estou inteira novamente. Não sei por quanto tempo.
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