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20 novembro 2007

(Des)Igualdades e Preconceitos

Não tenho foto pra ilustrar isso, mas uma coisa me chamou a atenção em Salvador.... Nas praias, local mais democrático (em geral), muitos negros em Salvador. Na balada que a Jubs indicou, Geronimo, animal, muitas pessoas, em sua maioria negras e negros lindos, muita gente legal, um astral ó-te-mo, super me identifiquei. Acho que foi por conta desse dia que me empolguei e fiz o cabelo afro (ou semi-afro, já que não trancei o cabelo todo - achei que pra mim não ficaria bom...)... Porque as moças são simplesmente lindas, estilosas e coloridas. Eu descia com um largo sorriso de felicidade as escadas que era arquibancada e recebia em troca outros largos sorrisos e alguns comentários. Muito bom...Éramos nós os estranhos ali, os estrangeiros, mas em nenhum momento senti-me discriminada ou hostilizada por ser uma turista entre os locais. Pelo contrário, a energia era simplesmente uma delícia. Havia alguns brancos ali no meio, mas realmente não senti nenhum tipo de hostilidade.
Alguns dias depois, em busca de uma comida diferente de acarajé, abará, churrasquinho de bode e carne de sol com purê de aipim (passamos uma semana inteira nos alimentando de petiscos!!!, cerverja e água de coco!!! asssim não há reeducação alimentar que resista!...) resolvemos encerrar a viagem num barzinho ali perto de onde nos hospedamos... um bar mais arrumadinho, do tipo daqueles que a gente encontra igual aqui em SP, no Rio, em BH, qualquer lugar, portanto. Os preços eram parecidos com os preços daqui. R$ 10,50 uma porção de pastel com 8 unidades.
Entre um pastel de camarão e um de siri, notei que não havia negros ali. Ou melhor, havia sim. Poucos, em geral um dentre 4 ou 5 brancos, nunca um grupo só de negros, nunca o suficiente para que notássemos sua presença.
Fiquei intrigada com isso... Não era um local de turista não, era um local de locais.
Pesquisando, a
chei na internet: 64,8% da população de Salvador é de pardos e 21,8% de negros (ao que parece, são dados do IBGE).
Porém, "segundo estudo do professor da UFRJ Marcelo Paixão, que coordena o Laboratório de Análises Estatísticas Econômicas e Sociais de Relações Raciais, preparado para o Dia Nacional da Consciência Negra (...), em Salvador, (...) a média mensal recebida pelos negros é de R$ 715, ou apenas 52,9% do valor recebido pelos bancos, de R$ 1.350."
Ainda estou com isso entalado na goela.... Preciso pensar mais a respeito. Mas me incomodou essa ausência.
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Na minha turma da SanFran tinha somente dois ou 3 negros, no meio de uns 200 brancos. Uma vez, conversando com um desses amigos, notei que ele só tinha amigos brancos. Na verdade, ele é um branco, como uma vez disseram do Ronaldo, jogador. É um negro branco. Faz a gente pensar...

fonte: site Gazeta do Povo online

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