Não é estranho que nós que vivemos na metrópole tenhamos nos esquecido de como é ter água por perto?
Nossa relação com a água é sempre intermediada por alguma barreira: já vem encanada, de dentro da torneira ou dentro de garrafinhas ou galões de água mineral. Ou então temos que ultrapassar os portões de um clube ou de uma academia para chegar a um reservatório de água clorada, tendo passado previamente por um médico em início de carreira para fazer o exame que garante alguma proteção contra micoses, otites e afins.
Para chegar até a água, nós, paulistanos, temos que nos deslocar até mais longe. Ir até o litoral... ou para alguma das represas, Guarapiranga, Billings.
O mais perto de água que temos por aqui são dois grandes 'não-rios' cortando nossa cidade, quase inacessíveis, sendo preciso atravessar uma avenida expressa (uma das Marginais), e pular uma barreirinha de concreto para chegar até uma massa de água fedida e perigosa.
Porque a cidade de São Paulo tem uma relação assim tão distante com a água é que estranhei e achei, na verdade, muito louco, a lagoa do Parque do Ibirapuera estar tão perto e tão acessível ao pedestre.
Quem chega ali na avenida não precisa sequer entrar no Parque. A lagoa está lá. Na beira da Av. Pedro Álvares Cabral. A dois passos do asfalto, quem quiser que escorregue pelo barranco, que é curto e não muito inclinado, e entre na lagoa para refrescar-se.
Não sei se é funda, não sei se é limpa. Mas é água, água perto de nós. Água no meio da cidade... sem barreiras, sem cerquinha e sem exame médico.
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