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16 junho 2008

Liberdade

acho que ultimamente as pessoas andam confundindo, nos relacionamentos, a liberdade com o individualismo e uma decorrente suposta incapacidade de se relacionar.
um amigo diz que somos uma geração de pessoas incapazes de se relacionar, de conviver.
eu discordo, sempre discordei dele e na verdade atribuo esses dizeres a uma fase pessimista de quem sofreu por amor e está, na verdade, com medo de tentar novamente. o que é ok, pode-se ter medo de qualquer coisa, só não vamos condenar todos os outros mortais ao insucesso no amor só porque estamos vendo o mundo meio cinza...
enfim, essa tal liberdade que todo mundo quer, eu acho que se confundem as coisas.
pra mim, a liberdade que o parceiro te dá é simplesmente a de poder conversar, expor o que se sente, criar e ousar.
todos precisamos de espaço e de tempo sós, de vez em quando. mas essa necessidade de espaço não precisa excluir o outro, ela cabe em uma relação.
na ânsia de uma liberdade total, nos tornamos dela prisioneiros: ela nos condena a essa incapacidade quase absoluta de se relacionar e de construir algo junto com o outro.
do modo como vejo as coisas, percebo que quanto mais livre estou, mais aumenta a minha capacidade de amar. quanto mais posso ousar, é com ele que eu vou ousar. quanto mais posso criar, é com ele que eu vou criar. não é para os outros, não é para mais ninguém, senão para os dois juntos.
a liberdade aumenta a confiança; não nos afasta: nos aproxima.
a metáfora da rede é boa, serve também para o amor: o que é uma boa rede? é uma rede que tem muitos nós. mas especialmente, cujos nós não são muito frouxos, porque senão ela se desfaz, não segura nada, nem muito apertados... porque se forem apertados demais, ela fica dura, rígida. e uma boa rede, seja ela de pescar ou de dormir, precisa ser maleável...
ser livre no amor não é não se comprometer, não é não ter laços... tampouco é se comprometer a ponto de não poder mudar de idéia.
eu acho que ser livre, no amor, é simplesmente o pacto de estar junto, de compartilhar, de conversar, com confiança e sinceridade. o resto se constrói no cotidiano.... e com o tempo.

PS (esclarecimento): quero deixar claro que o que quero dizer com "não é para os outros, não é para mais ninguém, senão para os dois juntos" não é, também, condicionar o exercício dessa liberdade ao âmbito restrito de um casal. mas sim que ela se reflete, sim, ao menos no meu caso - que é sobre o que posso falar - especialmente na relação. o que significa que exercitar essa liberdade não está vinculada a dedicar-se a outros em detrimento do parceiro (falo, especialmente, do medo que algumas pessoas têm do 'chifre', esse grande e assustador fenômeno). exercitar esta liberdade significa abrir-se para o mundo, crescer: e, o que é ainda melhor, poder compartilhar com quem se ama tudo o que se aprende... e com isso, crescer junto.
lógico que isso tudo é muito lindo aqui, no papel virtual: na prática é difícil. mas é algo a que me proponho, como um exercício cotidiano e consciente.

3 comentários:

  1. Lindo demais em excesso o seu post!!!!
    Inclusive, tomei a liberdade de linkar (palavra horrível) esse post no meu post de hoje. Vê lá.
    E obrigada por tudo, mas hoje, principalmente pelo post.

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  2. você abordou muitas coisas importantes neste post... mas vou ater-me a um pedacinho: o seu amigo,o que está cético quanto à capacidade de toda uma geração de se relacionar, ele fala isso da perspectiva de observador-cientista? ele é psicólogico, sociólogo ou algo assim? ou ele está mesmo extrapolando, a partir da sua própria experiência?

    pergunto porque li algumas coisas do anthony giddens e do roger fisher / william ury que sustentam que enquanto muito das dinâmicas de relacionamento (inclusive afetivo) davam-se por elementos de hierarquia, de elementos herdados por tradição (havia uma maior expectativa, por exemplo, de papéis masculino e feminino num casamento), hoje tudo (ou muito) está aberto à escolha. um mundo assim requer uma enorme capacidade de fazer escolhas e de negociar, com todas as suas conseqüências - inclusive a capacidade de lidar com aquilo que, ao se fazer uma escolha, se abriu mão.

    então eu argumentaria o contrário do seu amigo: apenas agora, com a quebra de hierarquia e tradição como a base de relacionamentos, estamos aprendendo a nos relacionar e a conviver!

    beijogrande

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  3. Oi Lúcia!!! saudades!
    Ele simplesmente extrapola a sua decepção pessoal para os demais, para o resto da humanidade - risos. nos condena ao não-amor.
    fazer escolhas é difícil!!! conviver é uma delícia, mas por vezes, difícil!!! por outro lado, é um exercício intenso e absurdamente edificante - até mesmo quando se erra...
    ah, querida, estive no kebab salonu no domingo e lembrei de você. estou entrando 'de férias' da faculdade, vamos combinar de nos ver, se vc puder, em breve!
    beijos
    Emilia
    PS: e a corrida? firme?

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