Tive que ir, no último mês, diversas vezes à Nossa Caixa, na tentativa de resolver um probleminha que andava meio complicado. Em todas essas vezes, quem me ajudou foi uma caixa, de nome Juliana, que foi muito atenciosa e simpática, não obstante a chatice da coisinha que eu tinha pra resolver.
Esta semana passada fui novamente, e fui direto a ela para tentar botar um ponto final na 'questã'. Bem, lógico que assim que eu cheguei o sistema caiu, aquelas coisas. Pacientemente, fui almoçar no restaurante da esquina e, quando voltei, notei que ela chorara. Depois, achei que tinha me enganado e que ela devia simplesmente estar gripada (mas não parecia gripada antes do meu almoço. estranho. devia ser o ar condicionado, pensei).
Meia hora de chá de cadeira na fila por conta de uma senhorinha que pagou o INSS errado ou achava que tinha pago errado e fez a coitada da moça refazer todo o trabalho, e quando cheguei ao caixa comentei com a Juliana: "nossa, vc está resfriada, que chato, heim"? E aí ela me respondeu: "não, eu estava chorando mesmo quando vc chegou".
Aí ela me contou a seguinte historieta: um pouco antes de eu retornar ao banco, ela tinha sido enrolada por uma boliviana, que tinha lhe passado um golpe, daqueles que a pessoa enrola, faz uma puta confusão com o troco, diz que te deu 2000 quando te deu 1000, no fim vc dá o troco de 600 e ainda fica confuso; assim que a pessoa vai embora, vc percebe que foi enganado, e se sente um bosta (taxistas cariocas são experts nesse tipo de expediente, fique esperto por lá).
No caso da moça, o preju foi de 380 pilas e, além de se sentir uma bosta - caixa experiente sendo enganada assim desse jeito - como todo proletário ela ia ter que pagar "do seu póprio bolso".
Um homem que tinha assistido todo o rolo, vai saber lá porque não interrompeu antes de ela ser enganada, ou talvez não pudesse fazer nada, nessas horas a gente nunca sabe bem como agir, ficou compadecido da situação da Juliana. Deve ser um homem bem de vida, com dinheiro sobrando, pois não teve dúvidas: sacou os trezentoseoitentinha da sua conta e deu a Juliana para repor o preju no caixa. E Juliana, que já estava nervosa, caiu no choro.
Não sei se ele queria convidá-la pra sair, não sei se ele é o Papai Noel ou o anjo da guarda dela que por acaso estava passando por lá; não sei se ele daria os 380 pruma mãe com 3 filhos passando fome na rua, não sei. Mas achei que valia a pena contar a história por aqui.
Eu poderia até chamar essa historieta de conto de Natal; chamei como chamei porque acho que generosidade a gente tem que praticar o ano inteiro, a vida inteira.
Bem, não sei se foi o espírito do natal, mas a moça certamente não se entristeceu com o compadecimento do moço.
ResponderExcluirAbraço, Mia.