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07 setembro 2005

Bingo

Dia desses, fui na casa de uma antiga empregada nossa em Botucatu, a Tê. Fui fazer uma visita (ela trabalhou mais de 15 anos na minha casa), pegar uma planta que ela botou no vaso pra mim, ver como ela está. Fui jogar bingo com ela e seus amigos, gente muito simples, praticamente da roça.
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A Tê teve um tumor detectado no pescoço há cerca de um ano. Fizeram biópsia, extraíram o caroço. Pelos exames, parecia ser uma metástase. Centenas de exames depois, não conseguiram achar o tumor principal.
O tumor no pescoço reapareceu. Foi sugerida cirurgia, mas com riscos (não sei ao certo quais, mas riscos graves. inclusive de atingir um nervo, acho eu). Ela optou por não operar.
Está se tratando com um médico naturalista, um curandeiro, não sei ao certo. É muito católica. Talvez aguarde um milagre.
Estes dias, quando estive lá, notei que o pescoço está inchando. Será impressão minha? Não sei, provavelmente não.
E o que é que a gente pode dizer? Temos direito de dizer alguma coisa? Só quero que ela esteja bem e, na medida do possível, tranqüila.
Jogamos bingo um tempão, quase até a meia-noite. Foi muito divertido. Mas depois veio uma tristeza.
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Se eu rezasse, pediria a Deus que ela não se arrependa da escolha que fez. Que não tenha dúvidas, jamais; que a fé que ela tem dê a ela força para ir em frente, sem olhar pra trás. Ela sempre foi muito forte. Construiu mais de uma casa, de verdade, levantou paredes, junto com o marido. Que ela permaneça assim, forte, sempre.
Olhar para um passado que desejaríamos diferente ou para um futuro que tememos pode trazer muito sofrimento. Que ela olhe, sempre, o presente.
Quanto a mim, só espero ainda estar presente muitas vezes ao presente da minha querida Tê.

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