Conheci hoje um rapaz de Guiné-Bissau. Ele é negro, como 99% da população do seu país. Faz intercâmbio aqui na faculdade de direito. É um doce. Simpático, educadíssimo, meigo. Namora uma moça igualmente doce e cheia de iniciativa.
Adivinha qual foi uma das primeiras coisas que aconteceu com esse moço quando ele chegou em SP? Estava passeando no Vale do Anhangabaú com mais 3 amigos quando, sem motivo algum, foram parados pela polícia. Foram revistados. Ele riu, achou engraçado ser revistado sem motivo.
A segunda vez não foi tão engraçada. O moço estava entrando num restaurante de classe média quando passaram por ele na rua 4 policiais de moto. Quando ele já estava dentro do restaurante, com o prato na mão, um dos policiais entrou lá dentro e pediu para ele acompanhá-lo para fora. Foi revistado, pediram seus documentos, e quando o rapaz perguntou porque havia sido chamado não obteve resposta. A única resposta que obteve às diversas indagações que fez ao policial é que ele deveria agradecer porque ele (policial) era bonzinho e não ia fazer nada com ele. Na saída, o policial desejou a ele bom apetite.
Ele não conseguiu almoçar nem jantar naquele dia.
Editei um pouquinho o post porque não pedi autorização para ele para publicar a sua história aqui. Espero que ele não fique bravo comigo. É que fiquei tão chocada com a sua história, e com a doçura com que ele a contou, que não consegui parar de pensar nisso no caminho de volta pra casa. Há histórias piores. Mas poderia não haver nenhuma.
manecas consta; guiniense de voz doce e recortada, sem medo de ser parado pela polícia... vale a pena ouvir
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