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27 fevereiro 2012

energia fluindo

Eu falei que comprei 4 cadeiras e um carrinho de bebidas por uma pechincha? De madeira, lindos, o carrinho é um charme, com rodinhas, e abre os lados e vira uma mesinha redonda. Perfeito pra mim.

(Lembrando que eu posso comprar coisas pra casa. Roupas, maquiagem, acessórios e sapatos não, nem livros ou revistas e mais uma pá de coisas. Se vc não sabe do que estou falando, clique aqui e aqui pra entender)

De quebra, vou levar 4 luminárias vintage, lindas e tudo a ver com o clima mezzo provençal mezzo colorido que eu quero dar pra minha casa. Depois vou pintar as cadeiras, trocar o estofamento, vai ficar bonito de ver.

Essa introdução é pra falar sobre energia. Tem quem não acredite nisso, que ache que, por exemplo, acupuntura, ou massagem ayurvédica, não serve pra nada (diz isso pro meu cachorrinho, o Xulão, que esta semana, na primeira sessão de acupuntura, passou em 5 s do estado ultra agitado para o estado zen com uma agulhinha espetada ali entre as "sobrancelhas" - se cachorro tivesse sobrancelhas).

Depois da minha uma passadinha na UTI em 2004, eu passei a prestar MUITA atenção em energia. Porque pra mim foi muito claro que, somado com os fatores biológicos (dos quais eu, até hoje, não sei bem a origem), foi a energia, a tensão, toda jogada pra dentro, que me levou pra lá. Esse episódio foi o aviso que eu precisava para mudar o rumo da minha vida. E mudei. Parei de tentar controlar tudo (não que eu ainda não tente, mas nossa, eu era muito pior), e depois que conheci o budismo aprendi sobre a impermanência das coisas, tive consciência do quanto a gente alimenta o sofrimento e muitos outros ensinamentos importantes. Passei a fazer acupuntura, larguei todas as terapias racionais e comecei a investir no meu corpo: energia. Não é malhar não, ficar sarada, to falando de fazer a energia fluir. O rolfing foi o recheio importantíssimo desse bolo, e a dança indiana - Odissi, the cherry on top!

Isso não significa que eu esteja sempre bem. ANo passado foi duríssimo pra mim, mas enfrentei tudo pensando na impermanência, nos ciclos da vida... E devagarzinho as coisas vão melhorando. E aí a gente vai liberando de novo energia boa, e a vida vai respondendo... com alegria e mais energia boa.

Então, enquanto eu tava (bem) mal, sem energia pra me mexer e arrumar minha casa, me sentindo sozinha, triste, tudo foi muito difícil. Teve um período em 2011 que os dias que não eram ruins eram raros...

Em julho, fui passar um período na casa dos meus pais, e um dia, de repente, vi o tamanho do poço onde eu estava enfiada. E parece que, imediatamente, eu já sabia exatamente o que precisava para sair dele. Daí pra começar uma dieta foi um passo (já estou 8kg mais magra); saí do twitter, que era um vício; comecei a me cuidar. Logo antes do semestre coletivo recomeçar, reuni coragem e, em um final de semana, realizei um pequenino sonho de anos: mudar meu escritório pro quarto. Por uma série de razões, eu nunca pude fazer isso. E não se enganem, não foi fácil: eu tenho uma estante que pega uma parede inteira, com provavelmente uns 200  livros, acoplada com a bancada do computador. Foi um trampo. Mas valeu: antes eu trabalhava olhando pra parede. Agora trabalho com uma janela na minha frente, vejo o dia nascer, o sol se por, sinto a brisa e o frescor da chuva.

Como eu não tinha espaço, nem mesa, nem cadeiras, não me sentia confortável em receber pessoas. Na verdade, isso nunca tinha sido prioridade pra mim (nunca foi um hábito dos meus pais), mas a gente muda, e de uns anos pra cá, comecei a cultivar essa vontade. A partir de 2010, passei a hospedar pessoas, pelo Couch Surfing. Nesse ponto, era bom ter o quarto livre (e não a mesa), mas quando a gente trabalha em casa e só tem dois quartos, a prioridade é ter um ambiente agradável pra trabalhar e cuidar para oferecer um bom sofá-cama para receber bem o hóspede (aprendi isso com minha prima arquiteta).

Já começando a vibe de querer receber melhor, em 2010 ganhei uma mesa, de uma amiga. Pequena,  era o que cabia no ap. (Mais adiante eu vou comprar - ou ganhar, quem sabe!!! - uma mesa maior, mas por enquanto essa tá de bom tamanho.)

Então em agosto de 2011, eu já tinha mesa, a sala já estava livre, mas eu não tinha cadeiras. Cheguei a convidar alguns amigos beeeeeeem chegados pra almoçar mesmo assim; generosos e desprendidos, comeram sentados nos banquinhos da cozinha e não reclamaram ahahaha.

E não é que eu não tenha tido dinheiro pra comprar antes (não tive foi muito tempo, e também não queria sair comprando as coisas correndo). É que eu não quero gastar a minha poupança enquanto eu não voltar a ter uma renda maior. To ganhando agora o ultra-mínimo para minha sobrevivência.

E eu também sempre quis comprar coisas usadas. Eu gosto dessa idéia. Falei sobre isso no último post. Acho que dá pra montar uma casa legal com bastante coisa usada. E não to falando de coisa velha, mas de móveis lindos e em bom estado, que só precisa de um tratinho pra ficar nova.

E agora, que falta pouco pra eu entregar minha tese, eu já tô louquinha pra começar a receber os amigos! Quero fazer festa, almoço, jantar, café com bolo, esquenta, quero hóspedes, tudo que eu tenho direito.
Ao mesmo tempo, estou eu cá com a minha decisão de ficar um ano sem comprar, querendo arrumar minha casa mas não gastar muito, louca pra ter um lugar agradável pra receber as pessoas... e aí, de repente, elas vieram. Ontem, as cadeiras, o carrinho lindo, as luminárias. E hoje... uma coleção de revistas de decoração que ganhei no Freecycle! (Lembrando que eu não posso comprar revistas por um ano) Em troca, anunciei lá todas as revistas Vogue (que também ganhei no Freecycle) e mais as outras tantas de moda que comprei no ano passado. :)

O mais legal, é que a minha "tia postiça" me contou, com lágrimas nos olhos, o quanto ela estava feliz de saber que as coisas estavam indo pra alguém da família (não somos parentes de sangue, mas é como se fôssemos), porque eram dos pais dela, e eles tinham sido muito felizes naquele apartamento, tinham se amado muito. Não é o máximo?

Energia fluindo!!!

Hoje, eu aplico isso pra tudo na minha vida. E, sabe, tem funcionado. Como eu disse, nem sempre estou bem, mas mesmo assim, eu sei que é uma questão de tempo. Que tudo flui, tudo muda. Nem sempre será fácil, mas a gente tem que confiar nos fluxos, nos ciclos de energia.

Eu sei que isso tudo parece bobagem de auto-ajuda, e quer saber, não me importo. Se uma agulha consegue ativar a energia no nosso corpo inteiro (a veterinária disse que já operou um cavalo acordado só com anestesia de acupuntura), se o Universo é feito de energia, se até no vácuo tem uma energia brutal, se tudo que existe, o ar, o corpo, as coisas, é feito de partículas de energia, quem sou eu pra não acreditar que, se a gente mobilizar isso, de verdade, a gente não consegue?

Não, eu não acredito na bobagem que o livro "O Segredo" diz (que só 1% das pessoas do mundo concentram a maior parte do dinheiro porque elas conhecem o Segredo). Sim, eu sei que não basta "energia boa" para curar um câncer (e nem pra criar um), mas a gente já sabe o quanto o cérebro da gente é capaz de criar - de coisas lindas, como a arte, a engenharia, a música, - a coisas horríveis, como a bomba atômica, instrumentos de tortura, e... as doenças psicossomáticas. E... a maneira como a gente encara as coisas pode, em muitos casos, ser a diferença entre uma morte - inevitável - pacífica ou agoniante ou dolorosa (isso foi um monge budista que me disse). Por isso tudo, eu acredito em energia sim.

E estou começando 2012 - não dizem que só começa depois do Carnaval? - me deixando preencher por todas essas coisas boas.

Energiaaaaaaaaaaa fluindooooooooooooo..............

:D

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