Então, uma big oportunidade surgiu e eu estou oficialmente deixando a minha carreira de professora. A gente nunca sabe o dia de amanhã, eu já tenho pensado em dar alguns cursos/treinamentos na minha nova área de atuação (sou metida, eu sei, mas vou fazer um treinamento fodão e caríssimo em junho, fora do Brasil, preciso capitalizar depois ahahahah), mas essa vida de ficar corrigindo provas, dando aula expositiva 20 horas por semana, me descabelar pra fazer aluno prestar atenção, ganhar mal, cabou.
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E sabe o que é mais legal? Eu to em paz. Mesmo. Tá, hoje fiquei um pouquinho ansiosa de manhã - mandei uns documentos pro meu chefe e queria ver a resposta, se tava a contento. Semana passada teve UM dia que eu passei bem ansiosa.
Não está sendo mamão com açúcar, claro (por exemplo, estou trabalhando até agora, 21h de sexta). Fui contratada pra ser consultora de uma coisa que, no nível que eu estou fazendo, eu nunca fiz antes. Já fiz, mas não com esse nível responsabilidade, não desde o princípio, não sendo "a pessoa", "a especialista". É louco, ser apresentada como especialista em algo que eu, de verdade, não sou. Mas ali naquele meio eu provavelmente sou a pessoa que mais conhece o assunto - ou parte dele. E com certeza sou a única que já fez isso antes. Então, ali naquele meio, eu sou especialista. E digo uma coisa: tudo que eu fiz nos últimos anos está me ajudando a poder fazer o que estou fazendo agora com mais segurança. Então é isso: sou consultora especialista de uma organização internacional, por enquanto com um contrato de 6 meses (em fase de avaliação), para trabalhar com um super time num projeto super importante pro Brasil, que vai mudar a vida de milhares de pessoas.
Bem, eu ia ter um mentor - um consultor fodão, pra me supervisionar e orientar. Foi ele que me identificou, que encaminhou meu CV, e ele ia me orientar, porque tem anos de estrada. Só que as negociações entre ele e a organização não rolaram. Resultado: eu fui contratada e ele não! OMG! :O E agora, José? Não estou completamente abandonada, porque meu chefe sabe exatamente o nível de experiência que eu tenho, mas terei CINCO dias de orientação de uma especialista da organização para me ajudar. CINCO. Então, a minha responsabilidade agora é ainda maior.
E eu to percebendo que eu dô conta. Mesmo nunca tendo feito isso antes. Eu saco as coisas, eu tenho as ideias e depois eu leio num documento e é exatamente o que eu estava pensando, mas eu não tinha lido o documento antes. Surpreendentemente, eu SEI fazer mesmo sem nunca ter feito. Está aqui, em algum lugar. Demora um pouquinho, mas eu chego lá. Agora eu sei que eu não preciso ter MEDO. Eu vou dar conta. E como a minha terapeuta me disse, "você é meio bestinha, né? você subestima as pessoas. estando essas pessoas onde estão, ocupando essas posições, você acha que elas não sabem avaliar a sua capacidade? pare de achar que você não dá conta, porque todo mundo sabe que você dá".
Então, eu tô bem. Tô calma. Confiante. Me dando tempo pra eu assimilar as coisas, não me afobando com a pressão de um prazo, de um evento que vem aí. Pra eu me entender nesse novo papel. E desde o início desse processo, que começou em novembro, eu me sinto assim: calma. Eu estava lá, no meio de uma reunião só com gente das Nações Unidas, e pela primeira vez, eu não senti que havia alguma coisa errada, que eu era uma falácia, uma impostora. Eu me sentia pertencente. Eu conquistei o direito de estar aqui.
Mas não é só isso! It keeps getting better! Depois de anos ganhando merreca, depois do último semestre tendo que fazer malabarismo com as contas, eu estou sendo bem remunerada, à altura das duas faculdades que eu cursei (uma não me formei, mas foram 2,5 anos... é tempo), de um mestrado e um doutorado, da minha experiência técnica como gestora, professora, pesquisadora. Eu posso não ser expert nisso que estou fazendo, mas tenho estudo, experiência e capacidade.
O que tem me ajudado a não perder o pé? Estou meditando todo dia. Fazendo alongamentos (yoga) todo dia. Me alimentando bem. Bicicletando e nadando sempre que eu posso. Respirando muito. Desapegando das coisas que não fazem mais sentido, aos poucos. Me permitindo estar feliz, curtindo que eu sonhei que ia trabalhar com uma equipe legal, que ia ter um chefe legal, um trabalho alto nível, bem remunerado, e eu cheguei. Ainda quero mais, mas agora não é hora de querer mais. Agora é hora de curtir o que está rolando agora, e, UAU, é muito bom!!! :D
Eu já tive muita pressa de chegar, e já tive muito medo. Não tenho mais.
Emiliazinha: saber dessa tua mudança de vida dá-me muita alegria. Depois de meses vindo aqui e percebendo, pelo que contavas e não contavas, o sofrimento por que estavas passando: o cansaço, a solidão, a investimento contínuo e sem retorno.... até agora! É verdade mesmo que a vida dá muitas voltas e, a partir dos meus 58 anos de vida, sei bem que, quando investimos em nós, mais tarde ou mais cedo acabamos por conseguir o que queremos!
ResponderExcluirTambém acho, como a tua terapeuta e porque já fui como tu e porque faço também uma terapia de longo curso, que não apenas essas pessoas do teu novo trabalho sabem o que fazem (pelo menos em 80%), como tu és de facto uma especialista nessa área onde trabalhas (pelo menos em 80%)! Falo dos 80 % porque, segundo dizem, é a percentagem de domínio de um saber ou de uma prática da generalidade das pessoas «expertas». Os 20% em falta constituem a dose necessária para sabermos que temos de aprender sempre mais!
Então, PARABÉNS e faça o favor de ser MUITO FELIZ!
Que maravilha, Emilia! Meus parabéns!
ResponderExcluirTão bom ver o estudo, o trabalho e a experiência reconhecidos. Você merece!
Curta mesmo e aproveite!
Beijos,
Lud
Parabéns Emilia! Muito bacana ver que você está sendo reconhecida pelo trabalho que faz e que está deixando o medo de lado, e percebendo o quanto é capaz!
ResponderExcluirSeja feliz, viu!
beijos
Oi!!
ResponderExcluirAcompanho seu blog há tempos (descobri pelos blogs da Lud - tá na hora de comentar lá também, rsrs!), mas nunca comentei. Reli tooooodas as postagens, para entender melhor o que se passava na sua cabeça, quais eram os problemas que te derrubavam, e o que te fazia feliz. Me identifiquei bastante, e desde então, venho seguindo por aqui, e torcendo sempre por você.
Fiquei muito feliz ao ler sobre suas conquistas - dá um alívio no peito quando a gente pode respirar, né? Quando a gente se encaixa, pela primeira vez em tanto tempo! Engraçado, ficar tão feliz com as vitórias de alguém que nem conheço!!
Você merece cada conquista que está chegando, espero que sejam muitas, várias! Mas não esqueça de aproveitar a viagem, e parar de pensar sempre no destino final, rsrs :)
Parabéns, de verdade! :)