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30 junho 2016

Notas de Arua - III

Dessa vez tenho algumas fotos. 

BICHOS
 - Esse boizão que vocês tão vendo aí parece que não é o nativo daqui. Mas já é tão parte da vida do Ugandense que estampa a moeda de 500 schillings. O pobre bicho não sabe o poder que tem: com esse chifrão todo, se deixa tocar numa boa.
- Aqui tem muitos cabritíneos fofos. A māe ficou bem brava porque eu estava me aproximando deles. Ficou chamando-os o tempo todo pra perto. Eu queria fotos melhores mas não deu, a gente tem que respeitar a mãe.

- Tenho visto porcos também (esses não tenho fotos). E alguns cachorros – na cidade a gente não vê cachorro (tem uns gatos perdidos, aqui no hotel tem dois gatinhos visitando a gente no jardim, um pretinho e um rajado), mas na zona rural, onde o assentamento de refugiados fica, tem uns cachorros aqui e ali. Eu estava contando outro dia do apego dos moradores de rua aos seus cachorros em SP (e da relação disso com a questão dos abrigos) e as pessoas acharam inusitado o morador de rua ter cachorros. “Para que?”, perguntaram.


- Tem uns lagartos lindos por aqui! Com o rabo colorido! Rabo azul, rabo laranja. Lindos! Quero lagartos assim no Brasil!










COMIDA
- To experimentando frutas locais – a maioria é similar com o que temos no Brasil. Hoje vi um mamoeiro (mas não sei o gosto ainda – to achando que comi outro dia sem querer achando que era melão). Aqui tem maracujá também, e banana, claro. Das frutas daqui já comi cana de açúcar (a nossa é mais doce, fiquei meio frustrada), manga, goiaba, abacaxi e melancia. Tudo parecido com as nossas. Hoje comprei uma fruta parecida com fruta do conde, gigante, mas ela não tem os gomos – precisa uma faca pra abrir. Tem as mesmas sementes pretas dentro, então definitivamente é parente. Mas – decepção! – é azeda!! E não é que estivesse verde... porque eu pedi uma madura. - update - a Florence, que trabalha aqui no hotel, disse que não estava madura. disse que a fruta é doce sim.
- Abacate é bem comum, e vem no prato junto com batata doce, arroz, couve refogada e saladinha cozida (servida fria) de cenoura e repolho (isso é tipo o prato básico e aí de “mistura” você escolhe ou feijão – sim, do mesmo jeito que a gente faz no Brasil, com caldo, mas ainda não experimentei pra ver se é gostoso que nem o nosso -, ou lentilhas, ou alguma carne, todas ensopadas (vaca, frango, bode, peixe etc). Tem um arroz delicioso que vou aprender a fazer: arroz marrom, é arroz branco temperado com especiarias. Delicioso. Depois tiro foto.

OUTROS TEMAS
- Finalmente criei coragem e andei de boda-boda (moto táxi) esta semana duas vezes. Uma delas foi uma aventura. Depois conto mais.
- Descobri que tem uma erva que o povo masca pra ficar valente e acordado. Dizem que os motoristas tomam pra dirigir de noite. Parece que é ilegal mas vc acha pra vender a céu aberto no centro da cidade, e tem plantada no meio do mato, facinho de achar. É bem perigosa, parece – não é tipo a folha de coca dos bolivianos - , e um dos efeitos colaterais terríveis que seu uso a longo prazo pode causar é que anestesia não pega em você.... Se chama Khat ou Miraa e o povo masca com chiclete junto pra disfarçar o sabor amargo. Mais info no link http://www.willboase.com/green-speed/
Botei aqui embaixo umas fotos das ruas de hoje de manhā. Algumas estao ruins porque tirei de dentro do carro em movimento, com zoom, na estrada poeirenta. Umas são do centro da cidade e outras da estrada de terra rumo ao assentamento de refugiados (zona rural). 

Aqui dá pra ver o estilo tradicional de construção de casas. A gente vê muitas por aqui - talvez seja a maioria. 


Tem casas de alvenaria, mas o mais comum é essa casinha baixa de barro. em cada casinha moram poucas pessoas. Se tem mais gente na familia, vão construindo outras. as vezes tem um aglomerado de casas e uma cercona em volta (a gente vê isso mais no assentamento de refugiados, eh tipo uma "mini - vila", as vezes com 10 casas, e uma cerca de palha bem fechada em volta). 

O caminhão cheio 'duzomi' é bem comum, é o transporte coletivo local, e esse nem é do grande - tem uns caminhões que levam e trazem homens para o mercado (com as mercadorias) em que vai todo mundo empilhado. Não vi ônibus na cidade, só uns micro-ônibus. Na zona rural não tem nenhum transporte coletivo. Na zona urbana, um tico. Não é à toa que o povo se vira a pé, de moto ou bicicleta.




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