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03 abril 2005

Sarcasmo tem hora

Engraçado como não consigo me emocionar com esse negócio do Papa? O Calendas até postou aquela foto toda teatral dele (muito bonita, não vou negar), com a capa voando, e muitas mocinhas emocionadas deixaram recados igualmente emocionados a respeito do fato. Mas eu não consigo. Se deixasse um recado, ia ser sarcástico... melhor não.
Não, eu não sou de pedra. Eu choro até em comercial de carro, juro. Choro em desenho animado. Me emociono com crianças, animais, velhinhos, vitórias no esporte, etc. Mas com a morte do Papa... não consigo. Acho que não tenho nenhuma ligação afetiva com grandes líderes populares. Talvez eu seja racional demais pra isso. Sei lá.
Fico penalizada, claro, afinal ele foi bravo, e era forte, pois resistiu anos à doença, com altos e baixos, mas sempre lá. Mas isso é tudo.
Aliás, começo a ficar já enfadada com o excesso de cobertura. Milhares de biografias do Papa na TV. Imagens em câmera lenta ao som de música melancólica. Willian Bonner insuportavelmente circunspecto. Aquele circo todo da mídia. E serão mais dias e dias de replays.
Ainda bem que no Mais! deu pra ter uma idéia direito das coisas boas e ruins que ele fez. Porque se depender da Globo...
Então, não vamos canonizar o Papa antes da hora, OK? Esperemos os milagres. Ele era bom?, sim, era bom. Foi um bom líder?, sim, um bom líder. Importante, culto, inteligente, forte, bravo. Mas era humano, tinha falhas.
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Será que quando o Dalai Lama morrer o Lula também decreta luto oficial?
Por quê num canal católico que passa aqui botam Cadetes fardados do Exército pra rezar o terço na frente da TV? Afinal, que porra de Estado laico é esse?
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São apenas observações, antes que me 'xinguem' de cética ou algo assim, como já o fui, em blogs alheios.
É, acho que sou mesmo uma pedra, uma cética, que coisa horrível, não?

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