Páginas

12 abril 2005

Viver e morrer

Tema recorrente nas minhas meditações, sejam elas budistas ou meras especulações sobre temas diversos, esse da morte. E hoje vi um filme na TV, feito pra TV, com a excelente Emma Thompson e dirigido pelo Mike Nichols, o mesmo de Closer.
O filme se chama Wit, e conta a história de uma professora universitária de poesia do séc. XVII, durona, daquelas que não admite falhas nos alunos, e seu processo de degradação e morte por câncer de ovário.
O desempenho de Emma Thompson é simplesmente sensacional. É difícil acreditar que ela não esteja mesmo sofrendo. E o filme ainda tem um quê irônico, porque ela fala pra câmera, conversa com a câmera, ao mesmo tempo em que vamos presenciando a maneira, no mais das vezes, estúpida, com que é tratada por médicos durante o doloroso processo de quimioterapia.
É claro que isso a faz rever a maneira como tratava seus alunos. Seu jeito durão provavelmente afastou todas as amizades e afetos de sua vida, pois não recebe visita alguma no hospital, durante os mais de 8 meses que dura o tratamento. No final, tudo que lhe resta são suas memórias e o carinho da enfermeira que a ampara quando, atemorizada, insegura, chora e se curva na cama feito um bebê.
Faz pensar na fragilidade da condição de ser vivente (não só humano), na maneira besta como podemos morrer, tomando um caldo de cana, atravessando a rua. A conclusão a que chego: pra que se estressar, não? Pena que é tão difícil... pelo menos pra mim!

Nenhum comentário:

Postar um comentário