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31 outubro 2005

Constante e fiel

Ralph Fiennes parece estar condenado a fazer papéis de homens um pouco (ou muito) perturbados, ligeiramente (ou muito) deprimidos, meio amassados, comendo areia, a pele seca, os cabelos loiros despenteados e sujos, um inglês decadente, triste, triste, triste. Mesmo na felicidade ele sempre está meio triste, parece saber que acaba logo. 'Tristeza não tem fim, felicidade sim'.
O Jardineiro Fiel, de Fernando Meirelles, tem Ralph Fiennes e tem também uma temática social como pano de fundo. Não importa que o roteiro é adaptação de John Le Carrè, best seller de teorias de conspiração, o fato é que não dá pra ignorar a criançada africana correndo do lado do carro, as carinhas... crianças que vivem em uma miséria tão absoluta que nem lixo existe pra se comer os restos.
A vontade que dá são duas: deixa de ser cagona e vai fazer o trabalho humanitário que vc sempre diz que sonhou, larga essa vidinha pequeno burguesa e a preocupação com a parcela da C&A daquela roupinha descartável que vc comprou e vai logo fazer alguma coisa que realmente preste na vida; ou, se interna logo de uma vez num mosteiro budista, ou vira estúpida, que nem o Antoine, do livro do Martin Page (outro best seller), mas pare, pare, pare de olhar e saber da miséria, se culpar, e não fazer nada!

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