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24 janeiro 2005

Dolce far niente

Nunca uma expressão foi tão adequada para definir um período da minha vida como essa: 'dolce far niente'. Não que me agrade muito: estou com pilha pra fazer um monte de coisa, trabalhar, estudar, malhar... Tenho preenchido cadastros, mandado currículos, mas as coisas ainda não estão acontecendo. Pela primeira vez constato de verdade que, nesse país, tudo, mas tudo mesmo, começa só depois do Carnaval.
Sendo assim, resolvi entregar-me à boa vida, sem culpas. Faço exercícios, como bem, leio bastante, navego na internet, assisto tv, um cineminha de vez em quando. Chamo o pintor para fazer o orçamento... As maiores decisões que tenho tomado são qual a melhor cor para o carpete de madeira do quarto e qual a densidade do novo colchão, 28 ou 33? Isso sem falar na dúvida cruel sobre o que vestir quando saio de casa: sexy, lolita ou intelectual?
E aproveito para exercitar minha escrita aqui neste espaço, obrigada pela audiência. Falo muito ao telefone.
É bom, mas cansa. Mas acho que é a primeira vez em muito tempo que posso fazer isso sem me preocupar (muito), porque o meu futuro (eu não estou falando de dinheiro), ao menos pelos próximos 3 anos, já está definido: vou estudar.
Agora dá licença que eu vou assistir a novela.



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