Bão, meu último dia em MVD foi meio melancólico e bastante sem graça, até. Acordei bem, feliz, mas depois fui tomada por uma tristeza profunda, que atribuí ao fato de ter dormido pouco e também ao fato de que me apaixonei pela cidade... Passei o dia vagando pela Ciudad Vieja, fui ao banco Santander ver se podiam me dar una nueva tarjeta (aparentemente, crianças, o banco Santander só compartilha com os demais Santanderes pelo mundo o nome, porque não te serve pra absolutamente nada ter uma agência por lá), e fiquei com vontade de escrever. Como não tinha um notebook à mão, e também não queria exatamente escrever para os outros, comprei um caderninho e comecei a escrever... em español!!! Eu precisava, queria, escrever em español. Só assim poderia expressar o que eu estava sentindo. Passeei, tomei sorvete, comprei camisetas brancas numa loja popular (pelo que me lembro custavam 17 pilas cada, comprei duas brancas e uma cor de cenoura, básicas e bem legais, to numa fase camiseta branca, uma coisa), sentei-me num restaurante no Mercado del Puerto e comi um spaghetti com frutos do mar. Entrei em um ou dois museus, coisa rápida. Depois acabei voltando pro Hostel, dormi um pouco - precisava - e levantei a tempo de ver meu último o pôr-do-sol na rambla. Por ali, alguns chicos fumavam marijuana e depois pulavam na água para se refrescar: 'hace calor, señora!!!' Algumas pessoas pescavam... Garotos jogavam uma pelada em uma plaza vizinha.
Mais à noite, um grupo do Couch Surfing havia combinado de se encontrar para tomar algo e lá fui eu, descrente de que Ignácio me telefonaria para um segundo e último encontro. De tanto bater cabeça na vida a gente aprende, né? Tola seria se tivesse esperado por ele. Por coincidência, marcaram o encontro exatamente na mesma esquina onde, na véspera, havíamos parado para comer uma pizza e beber uma cerveja, enquanto Ignacio me contava suas encantadoras idéias para mudar o sistema tocando bandoneon para los chicos no Barrio Sur e fazendo pichações nos muros de Montevideo.
O encontro foi uma delícia! Havia alguns locais, e um especialmente foi minha mais nova paixão, Diego, um jovem iniciante diretor de cinema residente na Espanha que estava de volta após dois anos fora de MVD. Além dele, outras excelentes companhias, uma mesa realmente internacional: Wolf - um alemão simpaticíssimo fazendo um ano sabático no Uruguay para terminar o doutorado, Santiago - um uruguayo cujo pai morara em Campinas e que falava ótimo português (em Buenos Aires, depois, conheci Greta, uma mexicana muito legal que ficou 2 semanas hospedada na casa de Santiago e conheceu várias dessas pessoas - depois falo dela), uma argentina super simpática com familia no Brasil e cara de brasileira, que tinha um namorado de Camarões, um italiano, um uruguayo comissário de bordo de opiniões fortes e que gostava de teatro independente (fiquei de levá-lo um dia à Praça Roosevelt), Martina, uma moça simpática porém que ficou competindo comigo pela atenção de Diego e fez questão de ir caminhando junto comigo e com ele até o hostel, definitivamente melando qualquer possibilidade de uma última aventura de amor em terras uruguayas, um Inglês, e mais 2 outros locais, que eu acabei não conhecendo porque, afinal, era muita gente!
No final, o que poderia ser uma melancólica última noite solitária foi realmente uma delícia!
Pra mim esses são os gostinhos bons das viagens. Essas são as lembranças que guardarei pra sempre. Quando parece que tudo está ruim, e que vc está sozinho, e que ninguém se lembra que você existe... o inesperado acontece!
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